Resumo
Principais pontos sobre os medicamentos para perder peso
- Quais são os remédios mais eficazes para emagrecer? A tirzepatida (Mounjaro®) e a semaglutida (Wegovy®) estão entre os medicamentos que produzem maior perda de peso.
- Quantos quilos é possível perder? Nos estudos clínicos, a perda média foi de aproximadamente 15% do peso corporal com semaglutida 2,4 mg e de 15 a 21% com tirzepatida, dependendo da dose utilizada.
- Existem medicamentos em comprimidos? Sim. Orlistat, sibutramina e bupropiona-naltrexona são exemplos. Existem também novas formulações orais de medicamentos que atuam sobre o receptor GLP-1, incluindo apresentações da semaglutida desenvolvidas especificamente para o tratamento da obesidade.
- Quem pode tomar? Em geral, adultos com IMC igual ou superior a 30 kg/m² ou com IMC igual ou superior a 27 kg/m² que apresentem doenças relacionadas ao excesso de peso.
- É preciso receita médica? A maioria dos medicamentos exige prescrição. No Brasil, as canetas emagrecedoras que atuam sobre o GLP-1 também estão sujeitas à retenção da receita nas farmácias.
- O peso volta quando o tratamento é interrompido? Pode voltar. A obesidade é uma doença crônica, e muitos pacientes recuperam parte do peso perdido após a suspensão dos medicamentos.
O papel dos medicamentos no tratamento da obesidade
O tratamento da obesidade com medicamentos pode ser uma boa opção quando associado a modificações da dieta, do padrão de atividade física e de hábitos de vida.
No entanto, historicamente, o papel dos remédios para perda de peso sempre foi questionado devido a preocupações com a eficácia, segurança e pela observação de que a maioria dos pacientes acabava por recuperar o seu peso quando os fármacos eram interrompidos.
Nos últimos anos, porém, o número de fármacos aprovados para o tratamento da obesidade e do sobrepeso aumentou de forma considerável, vários deles com resultados bastante animadores.
Neste artigo explicaremos quais são as principais opções de remédios para perder peso, quais apresentam os melhores resultados e quando o seu uso está indicado.
Para uma abordagem mais ampla sobre alimentação, exercícios e outras estratégias de emagrecimento, leia: Saiba como emagrecer (sem pôr a saúde em risco).
Objetivos do tratamento
Todo paciente submetido a tratamentos para perda de peso deve ser orientado pelo médico a ter um objetivo factível. O desfecho ideal do tratamento da obesidade é um retorno ao peso corporal normal, mas isso não é realista em muitos casos sem ajuda de medicamentos ou da cirurgia bariátrica. Pelo menos a curto prazo.
Quando pacientes obesos são questionados antes do início do tratamento sobre quantos quilos eles gostariam de perder, e esse valor é comparado com o peso real perdido ao longo do primeiro ano, na maioria dos casos, o peso perdido fica bem aquém daquele desejado.
Portanto, o médico e o paciente precisam chegar a um entendimento mútuo sobre as reais possibilidades de perda de peso para não haver frustrações ao final de alguns meses. O tratamento precisa ser visto como uma maratona e não como uma corrida de 100 metros rasos.
No tratamento medicamentoso da obesidade, perdas de 10 a 25% do peso corporal são consideradas excelentes resultados, mesmo que o paciente ainda se encontre longe do peso sonhado. Na verdade, perdas a partir de 5% do peso corporal já podem trazer benefícios importantes, como melhora da glicemia, da pressão arterial e dos níveis de colesterol.
Para entender melhor, imagine um paciente que pesa 120 kg. Uma perda de 5% equivale a 6 kg, enquanto uma redução de 15% significa emagrecer 18 kg. Mesmo que o paciente ainda permaneça com obesidade, essas reduções podem melhorar significativamente sua saúde.
É sempre importante pontuar que existe uma diferença grande entre a perda de peso ideal para melhorar a saúde e a perda de peso necessária para se atingir o atual padrão de beleza imposto pelos meios de comunicação e redes sociais.
Isso não significa que, a longo prazo, o paciente não possa continuar perdendo peso e, eventualmente, alcançar o peso ideal para sua altura (veja: Calculadora online de peso ideal). Significa apenas que o objetivo inicial não deve ser demasiadamente otimista para não gerar frustrações com um resultado bom.
O que o paciente precisa saber antes do início do tratamento?
Ao iniciar a medicação anti-obesidade, várias mensagens importantes devem ser passadas aos pacientes.
Primeiro, nem todos os medicamentos funcionam para todos os pacientes; as respostas individuais variam muito. Um fármaco capaz de produzir perdas superiores a 20% do peso corporal em alguns indivíduos pode ter resultados bastante modestos em outros.
Em segundo lugar, quando o efeito terapêutico máximo é alcançado, um platô é atingido e a perda de peso cessa. Isso não significa necessariamente que o medicamento deixou de funcionar. Em muitos casos, ele continua sendo importante para a manutenção do peso alcançado.
Se o paciente ainda precisar emagrecer mais, podem ser necessárias estratégias adicionais, como ajustes na alimentação, aumento da atividade física, reavaliação da dose ou mudança do tratamento.
Finalmente, é importante compreender que a obesidade é uma doença crônica e seu tratamento pode precisar ser mantido a longo prazo. A interrupção dos medicamentos frequentemente resulta em recuperação parcial ou total do peso perdido, mesmo quando o paciente conseguiu modificar seus hábitos de vida.
Indicações para o uso de remédios para emagrecer
O tratamento farmacológico é indicado principalmente para pacientes com obesidade ou com sobrepeso associado a doenças relacionadas ao excesso de gordura corporal.
Na maioria das diretrizes, os critérios para considerar o uso de medicamentos em adultos são:
- Indivíduos com IMC igual ou superior a 30 kg/m², mesmo que ainda não apresentem outras doenças.
- Indivíduos com IMC igual ou superior a 27 kg/m² que também apresentem doenças relacionadas ao excesso de peso, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, colesterol elevado, apneia do sono ou doenças cardiovasculares.
Outras complicações da obesidade, como esteatose hepática e osteoartrite sintomática, também podem ser consideradas na avaliação, dependendo das indicações aprovadas para cada medicamento e das características do paciente.
O IMC não é o único fator utilizado pelo médico para decidir sobre o tratamento. A distribuição da gordura corporal, a presença de complicações, os tratamentos anteriores e as preferências do paciente também devem ser considerados.
Para saber qual é o seu índice de massa corporal, acesse: Calculadora online de IMC (índice de massa corporal).
É obrigatório fazer dieta e exercícios para tomar remédios para emagrecer?
Todos os pacientes com excesso de peso devem ser orientados a estabelecer uma alimentação adequada, uma programação de exercícios físicos e mudanças nos hábitos de vida.
No final das contas, para haver emagrecimento, é necessário que o organismo gaste mais calorias do que recebe dos alimentos. Explicamos esse mecanismo com detalhes no artigo: Déficit calórico para emagrecer: quantas calorias reduzir?.
Entretanto, isso não significa que os medicamentos só funcionem em pessoas que já conseguem seguir uma dieta rigorosa ou praticar exercícios regularmente.
Uma das principais vantagens dos novos remédios é justamente facilitar o controle da alimentação. Ao reduzir a fome e aumentar a saciedade, eles ajudam o paciente a ingerir menos calorias sem precisar lutar constantemente contra o apetite.
Portanto, a medicação não substitui uma alimentação equilibrada e a atividade física, mas pode tornar essas mudanças mais fáceis de realizar e manter a longo prazo.
Remédios para perder peso
Nos últimos anos, o tratamento farmacológico da obesidade passou por uma transformação significativa. O desenvolvimento de novos medicamentos que imitam a ação dos hormônios intestinais, como o GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1) e o GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose), revolucionou a abordagem para a perda de peso, proporcionando resultados mais eficazes no controle da obesidade.
Esses medicamentos atuam principalmente sobre os mecanismos que regulam a fome e a saciedade.
Outros fármacos mais antigos agem por mecanismos diferentes, como a redução da absorção intestinal de gordura ou a modificação da atividade de neurotransmissores envolvidos no apetite.
Comparação dos principais medicamentos para emagrecer
A tabela abaixo resume as opções mais conhecidas e a perda de peso observada em estudos clínicos.
| Medicamento | Administração | Perda média de peso aproximada* |
|---|---|---|
| Tirzepatida (Mounjaro®) | Injeção semanal | 15 a 21% |
| Semaglutida (Wegovy®) | Injeção semanal | 15% |
| Liraglutida (Saxenda®) | Injeção diária | 5 a 8% |
| Fentermina-topiramato (Qsymia®) | Cápsulas diárias | 8 a 10% |
| Bupropiona-naltrexona (Contrave®/Mysimba®) | Comprimidos diários | 5 a 6% |
| Orlistat (Xenical®) | Cápsulas com as refeições | 5 a 7% |
| Sibutramina | Cápsulas diárias | 5 a 10% |
*Os valores são aproximados e representam a perda total de peso observada em diferentes estudos clínicos, geralmente após um ano ou mais de tratamento. As populações, doses e períodos de acompanhamento não são iguais. Portanto, esses percentuais não devem ser interpretados como uma comparação direta de eficácia. A aprovação e a disponibilidade de cada medicamento também variam conforme o país.
Atualmente, a semaglutida e a tirzepatida são consideradas opções de primeira linha pelas diretrizes internacionais mais recentes. Entretanto, os demais medicamentos continuam tendo utilidade em determinadas situações, principalmente quando as terapias mais modernas não são apropriadas, acessíveis ou toleradas.
Vamos falar resumidamente das principais opções.
Liraglutida
A liraglutida, vendida sob os nomes comerciais Victoza® ou Saxenda®, é um medicamento da classe dos agonistas dos receptores do GLP-1 que deve ser administrado por injeção subcutânea uma vez por dia.
A apresentação Saxenda® é destinada ao tratamento da obesidade, enquanto o Victoza® é utilizado principalmente para o diabetes tipo 2, em doses diferentes.
Suas principais ações incluem:
- Estímulo à liberação de insulina quando a glicemia está elevada.
- Diminuição da produção de glucagon, hormônio que estimula a liberação de glicose pelo fígado.
- Retardo do esvaziamento do estômago.
- Diminuição do apetite e aumento da sensação de saciedade.
Para reduzir a incidência de efeitos adversos, a dose inicial do medicamento é de 0,6 mg por dia, com incrementos de 0,6 mg a cada semana até atingir a dose alvo de 3 mg por dia.
Nos estudos clínicos, o tratamento com liraglutida na dose de 3 mg por dia produziu perdas de peso médias de aproximadamente 5 a 8% após cerca de um ano, quando associado a dieta e exercício físico.
Os efeitos colaterais mais comuns são náuseas, vômitos, diarreia e constipação intestinal, principalmente nas primeiras semanas.
Apesar de eficaz, a liraglutida perdeu espaço para a semaglutida e a tirzepatida, que apresentam a vantagem de serem aplicadas apenas uma vez por semana e, em geral, proporcionarem maior perda de peso.
Semaglutida
A semaglutida, vendida sob os nomes comerciais Ozempic®, Rybelsus® ou Wegovy®, é um medicamento da mesma classe da liraglutida. Sua grande vantagem é a ação mais prolongada, permitindo a administração subcutânea apenas uma vez por semana.
O Wegovy® é uma apresentação da semaglutida desenvolvida especificamente para o tratamento da obesidade, enquanto o Ozempic® é indicado principalmente para o diabetes tipo 2. Ambos contêm o mesmo princípio ativo e, quando utilizados na mesma dose, apresentam efeitos semelhantes sobre o peso corporal. A diferença é que o Wegovy® permite utilizar doses mais elevadas de semaglutida, como 2,4 mg por semana, que geralmente proporcionam maior emagrecimento que as doses de 0,5, 1 ou 2 mg habitualmente utilizadas com o Ozempic®.
O Rybelsus® também contém semaglutida, mas é administrado por via oral, em comprimidos, e possui doses e características de absorção diferentes das apresentações injetáveis.
Quando utilizada com mudanças de estilo de vida, a semaglutida 2,4 mg subcutânea semanalmente pode resultar em perda média de aproximadamente 15% do peso corporal após 68 semanas de tratamento.
Em 2026, a Anvisa também aprovou, em situações específicas, a possibilidade de utilizar uma dose semanal de até 7,2 mg em adultos com obesidade que não tenham alcançado resposta clínica adequada com a dose convencional de 2,4 mg.
Essa dose mais elevada não substitui o esquema habitual. Ela é reservada a adultos com IMC igual ou superior a 30 kg/m², que já tenham utilizado a dose de 2,4 mg por pelo menos quatro semanas e que, após avaliação médica, possam se beneficiar de uma intensificação do tratamento.
Além da perda de peso, a semaglutida demonstrou reduzir a ocorrência de eventos cardiovasculares graves em pessoas com sobrepeso ou obesidade e doença cardiovascular estabelecida, mesmo sem diabetes.
Os efeitos colaterais mais comuns são gastrointestinais, principalmente náuseas, vômitos, diarreia e prisão de ventre.
Temos um texto exclusivo sobre a semaglutida, com informações sobre doses, contraindicações e efeitos colaterais, que pode ser acessado pelo link: Semaglutida (Ozempic, Wegovy e Rybelsus): para que serve e como usar.
Tirzepatida
A tirzepatida, vendida sob o nome comercial Mounjaro®, é um medicamento agonista dos receptores GLP-1 e GIP, administrado por injeção subcutânea uma vez por semana.
Essa dupla ação ajuda a regular a glicemia, reduzir a fome e aumentar a saciedade.
A tirzepatida é eficaz no tratamento da obesidade em pacientes com e sem diabetes mellitus e foi aprovada pela Anvisa para o controle crônico do peso em 2025.
Nos estudos clínicos, a perda média de peso variou de aproximadamente 15 a 21% após 72 semanas, dependendo da dose utilizada. Em pacientes com diabetes tipo 2, a perda média costuma ser um pouco menor.
Em um estudo publicado em 2025, que comparou diretamente a tirzepatida com a semaglutida em adultos com obesidade sem diabetes, a redução média do peso após 72 semanas foi de 20,2% com tirzepatida e de 13,7% com semaglutida.
Esses resultados colocam a tirzepatida entre os medicamentos mais eficazes atualmente disponíveis para o tratamento farmacológico da obesidade.
Além do emagrecimento, a tirzepatida demonstrou benefícios em determinadas complicações relacionadas à obesidade, incluindo a apneia obstrutiva do sono.
Os efeitos adversos mais frequentemente relatados são náuseas, diarreia, vômitos e constipação intestinal, principalmente durante os aumentos das doses.
Explicamos detalhadamente as indicações, doses, efeitos colaterais, contraindicações e diferenças entre as apresentações no artigo: Mounjaro® (tirzepatida): para que serve, como tomar e principais efeitos colaterais.
Orforgliprona
A orforgliprona (Foundayo®) é um dos mais recentes medicamentos para o tratamento da obesidade. Trata-se de um agonista oral do receptor GLP-1, administrado uma vez ao dia, aprovado nos Estados Unidos em abril de 2026.
Em outubro de 2026, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) recomendou sua aprovação na União Europeia, mas o medicamento ainda não está disponível comercialmente no Brasil ou em Portugal.
Atualizaremos esta seção quando houver novidades sobre sua comercialização nesses países.
Outros medicamentos utilizados para emagrecer
Apesar dos resultados alcançados com semaglutida e tirzepatida, existem outras opções farmacológicas que continuam tendo espaço no tratamento da obesidade, especialmente quando as opções mais modernas são contraindicadas, mal toleradas ou inacessíveis.
Bupropiona-naltrexona
A combinação de bupropiona-naltrexona é um medicamento oral aprovado para o tratamento da obesidade, comercializado no Brasil como Contrave® e em Portugal como Mysimba®. Ambos contêm os mesmos princípios ativos e são vendidos mediante receita médica.
A bupropiona é um antidepressivo que atua principalmente sobre a noradrenalina e a dopamina, sendo também utilizada para cessação do tabagismo. Já a naltrexona é um antagonista dos receptores opioides, empregado no tratamento da dependência de álcool e opioides.
Quando combinados, esses medicamentos atuam sobre mecanismos cerebrais envolvidos na regulação do apetite e no comportamento alimentar.
A associação bupropiona-naltrexona demonstrou reduzir o peso em aproximadamente 5 a 6% após um ano de tratamento.
A combinação pode ser considerada quando os medicamentos que atuam sobre o GLP-1 não são apropriados, acessíveis ou tolerados.
A presença de tabagismo, depressão ou transtorno por uso de álcool pode ser relevante na avaliação do paciente, pois os componentes da associação possuem aplicações nessas condições. Entretanto, isso não significa que a combinação esteja automaticamente indicada para tratar essas doenças ou que substitua seus tratamentos específicos.
Entre os efeitos adversos mais comuns, podemos citar náuseas, dor de cabeça e prisão de ventre. Outros efeitos adversos incluem insônia, vômitos, tonturas e boca seca.
Considerações importantes:
- Como a bupropiona reduz o limiar para crises convulsivas, a associação é contraindicada em pacientes com epilepsia ou outros distúrbios convulsivos.
- O medicamento não deve ser utilizado por pacientes com hipertensão arterial não controlada ou com histórico de anorexia nervosa ou bulimia, pois esses transtornos alimentares aumentam o risco de convulsões associado à bupropiona.
- A associação não deve ser usada concomitantemente com medicamentos opioides, outros produtos contendo bupropiona ou inibidores da MAO.
- A pressão arterial e a frequência cardíaca devem ser monitoradas durante o tratamento, principalmente nos primeiros meses.
- A combinação é contraindicada durante a gravidez e em determinadas situações de insuficiência hepática ou renal grave, conforme a bula.
A segurança cardiovascular da bupropiona-naltrexona a longo prazo ainda não está completamente estabelecida.
Em 2026, novas orientações de segurança reforçaram a necessidade de avaliar anualmente os riscos e benefícios do tratamento, incluindo a manutenção da perda de peso.
Recomenda-se interromper a medicação após um ano caso o paciente não tenha mantido uma redução de pelo menos 5% do peso inicial. Também se deve reavaliar a continuidade do tratamento em caso de efeitos adversos ou aumento do risco cardiovascular.
Orlistat
O orlistat é um medicamento que age inibindo a absorção de gordura pelo intestino.
O uso contínuo de orlistat na dose de 120 mg com as principais refeições faz com que aproximadamente um terço das gorduras ingeridas não seja absorvido, sendo eliminado pelas fezes.
Diferentemente da semaglutida, da tirzepatida e da bupropiona-naltrexona, o orlistat não atua diretamente sobre os mecanismos cerebrais que controlam o apetite.
Estudos mostram que o orlistat ajuda a perder, em média, cerca de 5 a 7% do peso após um ano de tratamento, dependendo das características dos pacientes. A perda adicional em relação ao placebo costuma ser de aproximadamente 3 pontos percentuais.
O orlistat apresenta a vantagem de agir também nos níveis de colesterol, podendo ajudar a reduzir os valores do LDL, o colesterol ruim.
Entre os efeitos colaterais mais comuns estão excesso de gases, cólicas abdominais, gotas de gordura nas fezes, urgência para evacuar e incontinência fecal.
Geralmente, esses efeitos são piores se o paciente não estiver controlando a ingestão de gorduras. Uma alimentação na qual as gorduras representem aproximadamente 30% ou menos das calorias diárias, distribuídas entre as refeições, costuma reduzir a intensidade desses sintomas.
Outros efeitos adversos incluem a diminuição da absorção de vitaminas lipossolúveis, como as vitaminas A, D, E e K, e um maior risco de desenvolver cálculos renais em pacientes suscetíveis.
Por causa da redução da absorção dessas vitaminas, pode ser necessário utilizar um suplemento multivitamínico, administrado em horário separado do orlistat.
O medicamento também pode interferir na ação de outros fármacos, como varfarina, levotiroxina, ciclosporina, amiodarona e determinados antiepilépticos.
Para saber mais detalhes sobre o medicamento, leia: Orlistat (Xenical): como tomar e como funciona.
Sibutramina
A sibutramina é um moderador do apetite e auxilia na perda de peso por agir diretamente sobre neurotransmissores cerebrais responsáveis pela sensação de saciedade, principalmente a serotonina e a noradrenalina.
A sibutramina faz com que esses neurotransmissores permaneçam mais tempo disponíveis no sistema nervoso central, ajudando a reduzir a fome e a aumentar a sensação de saciedade.
Estudos mostram que, quando associada a dieta e exercícios físicos, a sibutramina pode produzir perdas de aproximadamente 5 a 10% do peso corporal após um ano de tratamento.
No entanto, sua venda foi suspensa em diversos países, incluindo os Estados Unidos e os países da União Europeia, devido ao aumento do risco de eventos cardiovasculares em determinados grupos de pacientes.
No Brasil, a sibutramina continua disponível, mas sua prescrição e comercialização estão sujeitas a controle especial.
O medicamento não deve ser utilizado por pacientes com histórico de doença cardiovascular, AVC, hipertensão arterial não controlada e outras contraindicações relevantes.
Nos últimos guidelines internacionais sobre o tratamento da obesidade, a sibutramina geralmente nem é citada como opção terapêutica, pois foi retirada de muitos mercados.
Para saber mais detalhes sobre o medicamento, leia: Sibutramina (remédio para emagrecer): indicações e efeitos colaterais.
Fentermina-topiramato
A combinação de fentermina-topiramato, comercializada como Qsymia® nos Estados Unidos (não disponível no Brasil e em Portugal), é uma opção oral para o tratamento da obesidade. A fentermina reduz o apetite, enquanto o topiramato, medicamento também utilizado para tratar epilepsia e prevenir enxaquecas, contribui para a redução da ingestão alimentar.
Nos estudos clínicos, a combinação produziu perdas médias de aproximadamente 8 a 10% do peso corporal após um ano de tratamento.
O medicamento é contraindicado durante a gravidez, devido ao risco de malformações fetais associado ao topiramato. Também exige cuidados especiais em pacientes com doenças cardiovasculares.
Outros medicamentos que podem causar emagrecimento
Existem também medicamentos indicados para outras doenças que, apesar de não serem classificados como fármacos para perda de peso, podem provocar algum grau de emagrecimento como efeito secundário.
Entre eles, podemos citar:
- Antidiabéticos: metformina, exenatida, dulaglutida e pramlintida.
- Antiepilépticos: topiramato e zonisamida.
- Antidepressivos: bupropiona e, em determinadas situações, fluoxetina ou sertralina.
Em muitos casos, o efeito na perda de peso é modesto, variável ou insuficiente para justificar o uso em pacientes que não apresentam a doença para a qual o fármaco foi desenvolvido.
A dulaglutida (Trulicity®), por exemplo, pertence à mesma classe da semaglutida, mas é utilizada para o tratamento do diabetes tipo 2 e produz uma redução de peso geralmente menor que a observada com semaglutida e tirzepatida.
O topiramato isolado também pode provocar emagrecimento, mas seus possíveis efeitos adversos neurológicos, cognitivos e teratogênicos limitam seu uso com essa finalidade.
Esses medicamentos não devem ser utilizados exclusivamente para emagrecimento sem uma indicação clínica adequada.
Qual é o melhor remédio para emagrecer?
Atualmente, a tirzepatida e a semaglutida estão entre as opções com maior eficácia para o tratamento farmacológico da obesidade.
Se considerarmos apenas a quantidade média de peso perdido, a tirzepatida apresentou resultados superiores aos da semaglutida 2,4 mg no estudo que comparou diretamente os dois medicamentos.
Entretanto, a escolha não deve ser baseada somente na quantidade de quilos que o medicamento consegue eliminar.
A semaglutida, por exemplo, possui evidências robustas de redução de eventos cardiovasculares em pessoas com sobrepeso ou obesidade e doença cardiovascular estabelecida, mesmo na ausência de diabetes.
A tirzepatida apresenta excelente eficácia na perda de peso e demonstrou benefícios relevantes em pacientes com obesidade e apneia obstrutiva do sono.
Para alguns pacientes, a melhor opção pode ser um medicamento oral, como bupropiona-naltrexona ou orlistat, especialmente quando há contraindicações, intolerância ou dificuldades de acesso às terapias mais modernas.
O preço também é importante. Não adianta iniciar um medicamento muito caro se o paciente não terá condições de manter o tratamento durante o tempo necessário.
Além disso, a presença de diabetes, hipertensão, doença cardiovascular, transtornos alimentares, problemas gastrointestinais e outras condições pode tornar determinado medicamento mais ou menos apropriado.
Portanto, o melhor remédio para emagrecer não é necessariamente aquele que produz a maior perda de peso nos estudos, mas aquele que oferece a melhor combinação de eficácia, segurança e possibilidade de manutenção do tratamento para cada paciente.
Quais são os principais riscos dos remédios para emagrecer?
Os medicamentos utilizados no tratamento da obesidade não apresentam todos os mesmos riscos.
Os fármacos que atuam sobre os receptores de GLP-1 e GIP, como liraglutida, semaglutida e tirzepatida, provocam principalmente sintomas gastrointestinais, como náuseas, vômitos, sensação de estômago cheio, diarreia e constipação intestinal.
Na maioria dos pacientes, esses efeitos são leves ou moderados e melhoram com o passar do tempo. Entretanto, algumas pessoas não conseguem tolerar o tratamento, mesmo com aumentos graduais da dose.
Também podem ocorrer complicações menos frequentes, mas importantes, como doenças da vesícula biliar e pancreatite. Vômitos e diarreia intensos podem provocar desidratação e piora da função renal, especialmente em pacientes que já possuem doença renal crônica.
Alguns desses medicamentos possuem contraindicações relacionadas a determinadas doenças, incluindo histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide e neoplasia endócrina múltipla tipo 2, conforme as advertências e contraindicações da bula aplicável.
Já medicamentos que atuam sobre o sistema nervoso central, como sibutramina e fentermina, exigem maior atenção aos efeitos cardiovasculares, incluindo elevação da pressão arterial e da frequência cardíaca.
A bupropiona-naltrexona pode provocar insônia, ansiedade, aumento da pressão arterial e, em pacientes predispostos, crises convulsivas.
O orlistat apresenta um perfil diferente, com predomínio de efeitos intestinais relacionados à eliminação de gordura nas fezes.
A gravidez também é uma contraindicação importante para os medicamentos destinados à perda de peso. Mulheres que estejam grávidas ou planejando engravidar precisam discutir com o médico a suspensão do tratamento e o intervalo necessário antes de tentar a gestação.
Essas diferenças ajudam a explicar por que não existe um medicamento ideal para todos os pacientes.
Existe remédio para emagrecer rápido?
Os medicamentos mais eficazes podem produzir uma perda de peso significativa, mas o emagrecimento costuma ocorrer progressivamente, ao longo de vários meses.
Com semaglutida ou tirzepatida, por exemplo, a dose é aumentada gradualmente durante as primeiras semanas para reduzir a incidência de efeitos colaterais. Portanto, a dose utilizada no início do tratamento não costuma produzir a mesma perda de peso observada com as doses de manutenção.
Alguns pacientes começam a perceber redução do apetite e do peso nas primeiras semanas, enquanto outros apresentam uma resposta mais lenta.
É importante lembrar que perder muitos quilos rapidamente não significa necessariamente perder muita gordura.
Diuréticos e laxantes, por exemplo, podem reduzir temporariamente o peso na balança por provocarem perda de água ou de conteúdo intestinal, mas não são tratamentos adequados para eliminar gordura corporal.
Da mesma forma, o uso de hormônios tireoidianos, como a levotiroxina, em pessoas sem hipotireoidismo pode provocar perda de peso à custa de efeitos perigosos, como taquicardia, arritmias e perda de massa muscular.
O uso de doses excessivas de qualquer medicamento para acelerar o emagrecimento aumenta os riscos e não garante resultados melhores a longo prazo.
Existem remédios para emagrecer vendidos em farmácia sem receita?
A maioria dos medicamentos utilizados para o tratamento farmacológico da obesidade exige prescrição médica, embora as regras variem entre os países.
No Brasil, desde junho de 2025, medicamentos como Ozempic®, Wegovy® e Mounjaro® passaram a exigir também a retenção da receita nas farmácias.
A sibutramina possui regras ainda mais específicas de controle e prescrição.
Existem, porém, exceções conforme o país e a apresentação. Em alguns mercados, incluindo países europeus, determinadas formulações de orlistat de baixa dose podem ser vendidas sem receita médica.
Isso não significa que sejam isentas de efeitos adversos ou apropriadas para todas as pessoas.
Também é importante diferenciar medicamentos de suplementos alimentares. Muitos produtos comercializados livremente como emagrecedores não possuem eficácia comprovada.
O paciente deve evitar especialmente a compra de medicamentos injetáveis de origem desconhecida, incluindo produtos anunciados nas redes sociais ou vendidos como versões manipuladas de canetas emagrecedoras sem garantia de procedência.
A ausência de controle sobre a composição, a dose, a esterilidade e a conservação desses produtos pode provocar complicações graves.
Por quanto tempo é preciso tomar remédios para emagrecer?
O tempo de tratamento depende do medicamento, da resposta do paciente e dos objetivos terapêuticos.
Alguns medicamentos possuem recomendações específicas para avaliar a eficácia após determinado período. Se o paciente não apresentar perda de peso suficiente, o médico poderá considerar aumentar a dose, substituir o medicamento ou interromper o tratamento.
Entretanto, não existe uma regra segundo a qual todo paciente deve suspender o medicamento assim que atingir o peso desejado.
Isso ocorre porque os mecanismos responsáveis pelo excesso de peso, incluindo alterações hormonais relacionadas ao apetite e à saciedade, podem persistir mesmo depois de o paciente emagrecer.
Uma revisão sistemática publicada no British Medical Journal em janeiro de 2026 confirmou que a recuperação do peso após a suspensão dos medicamentos é frequente. Em média, os participantes dos estudos recuperaram aproximadamente 0,4 kg por mês após a interrupção do tratamento, embora a velocidade de recuperação varie bastante entre os indivíduos e os medicamentos utilizados.
Para os tratamentos mais modernos, incluindo semaglutida e tirzepatida, a velocidade média de recuperação foi ainda maior nos estudos disponíveis. Entretanto, ainda existem limitações nas informações sobre o que acontece muitos anos após a interrupção.
Isso não significa que todos os pacientes recuperarão o peso perdido nem que todos precisarão tomar remédios por toda a vida.
Significa apenas que a manutenção do peso precisa fazer parte do planejamento desde o início do tratamento. A decisão de reduzir ou interromper a medicação deve ser individualizada, levando em conta os resultados alcançados, os efeitos adversos, os custos e as alternativas disponíveis.
Medicamentos antigos ou que não são recomendados para emagrecer
Diversos medicamentos já foram utilizados no tratamento da obesidade, mas acabaram sendo abandonados ou perderam espaço devido à eficácia limitada, aos efeitos colaterais ou ao surgimento de alternativas mais seguras.
Entre eles, podemos destacar:
- Femproporex: derivado da anfetamina que age no sistema nervoso central, diminuindo a fome. Foi muito utilizado no passado, mas apresenta riscos de dependência, insônia, irritabilidade, hipertensão e taquicardia.
- Anfepramona (dietilpropiona): medicamento que também reduz o apetite por meio de ação estimulante sobre o sistema nervoso central. Sua utilização e disponibilidade variam entre os países, mas não é considerada uma das opções preferenciais nas diretrizes atuais.
- Mazindol: outro medicamento anorexígeno com ação estimulante sobre o sistema nervoso central. Seu uso é limitado por questões de eficácia, segurança e disponibilidade.
- Lorcaserina: medicamento retirado do mercado americano em 2020 após um grande estudo clínico identificar maior ocorrência de câncer entre os usuários, incluindo câncer colorretal, pancreático e de pulmão.
- Gonadotrofina coriônica humana (hCG): apesar de ter sido divulgada como tratamento para emagrecer, os estudos clínicos não demonstraram benefícios superiores aos do placebo.
- Suplementos de cálcio: não apresentam eficácia clinicamente relevante para a perda de peso em pessoas sem deficiência nutricional.
No Brasil, os registros de medicamentos contendo femproporex, anfepramona e mazindol foram cancelados por falta de apresentação de estudos atualizados que comprovassem sua eficácia e segurança. Isso não equivale a uma proibição definitiva das substâncias, pois um novo registro pode ser solicitado mediante apresentação dos dados exigidos pela Anvisa.
O fato de um medicamento antigo continuar existindo em determinado mercado não significa que seja uma opção recomendada para o tratamento habitual da obesidade.
Remédios naturais ou caseiros para emagrecer
Existem inúmeros produtos vendidos como alternativas naturais para emagrecer, incluindo Pholia magra, Pholia negra, Gymnema sylvestre, Garcinia cambogia, quitosana, L-carnitina, glucomanano, ginseng, chá-verde, Hoodia gordonii e diversas preparações à base de plantas.
Entretanto, nenhum desses produtos apresenta evidências suficientemente consistentes de eficácia e segurança para ser recomendado como substituto dos medicamentos aprovados para tratamento da obesidade.
Alguns podem produzir pequenas alterações no apetite ou no peso, mas os resultados costumam ser modestos, inconsistentes ou pouco relevantes do ponto de vista clínico.
Além disso, natural não significa necessariamente seguro. Alguns suplementos podem provocar efeitos adversos importantes, incluindo lesões hepáticas, alterações da pressão arterial e arritmias cardíacas.
A Garcinia cambogia, por exemplo, já foi associada a casos de lesão hepática, enquanto produtos contendo laranja-amarga (Citrus aurantium), cafeína e outros estimulantes podem aumentar a frequência cardíaca e a pressão arterial.
Outro problema é a adulteração de produtos vendidos como naturais. Testes realizados pela FDA já identificaram suplementos para emagrecer contendo medicamentos não declarados na embalagem, como sibutramina, anfetaminas, diuréticos, hormônios tireoidianos e antidepressivos.
A efedra (Ephedra sinica), também conhecida como Ma huang, é outro exemplo de produto natural cujo uso para emagrecimento foi restringido ou proibido em diversos países devido aos riscos cardiovasculares.
É preciso ter muito cuidado com produtos vendidos como milagrosos emagrecedores, especialmente quando prometem perdas de muitos quilos em poucos dias.
Suplementos termogênicos
Os suplementos termogênicos são produtos que prometem acelerar o metabolismo e aumentar a queima de calorias. Muitos contêm cafeína ou outras substâncias estimulantes.
Embora alguns ingredientes possam aumentar discretamente o gasto energético, não há evidências de que esses suplementos produzam uma perda de peso importante e sustentada.
Em contrapartida, podem causar palpitações, ansiedade, insônia e aumento da pressão arterial.
Temos um artigo específico sobre os termogênicos, que pode ser acessado através do seguinte link: Termogênicos – riscos e efeitos colaterais.
Conclusão
Não existe droga milagrosa, assim como não existe um tratamento que garanta perda de peso rápida, fácil e definitiva para todos os pacientes.
Os medicamentos modernos, especialmente a semaglutida e a tirzepatida, representam um avanço importante no tratamento da obesidade e permitem alcançar reduções significativas de peso, mesmo em pacientes que anteriormente não conseguiam emagrecer de forma satisfatória.
Entretanto, o tratamento com remédios para perda de peso deve ser realizado com orientação médica, considerando a eficácia, a segurança, as contraindicações e as condições individuais de cada paciente.
O objetivo final não deve ser apenas fazer o número da balança diminuir, mas reduzir as complicações da obesidade e melhorar a saúde e a qualidade de vida.
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- Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Mounjaro® (tirzepatida): nova indicação para controle crônico do peso, 2025.
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- Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Contrave® (naltrexona/bupropiona): risco cardiovascular a longo prazo e novas recomendações sobre avaliação anual, 2026.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Sibutramina e remédios para emagrecer: entenda.
- U.S. Food and Drug Administration. FDA Approves First New Molecular Entity Under National Priority Voucher Program, 2026.
- European Medicines Agency. Wegovy — European Public Assessment Report, atualizado em 2026.
Dúvidas de leitores sobre este tema
Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.
Mais comentários dos leitores
Olá Dr. muito bom o texto. Gostaria de saber se já existe a Tirzepatida no Brasil.
Excelente revisão, muito atualizada e de fácil entendimento. Obrigada.