Dor no peito (dor torácica): causas e sinais de gravidade


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Revisado e atualizado em maio 7, 2026
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O que pode ser quando se tem dor no peito?

Uma dor no peito não significa necessariamente um problema do coração. A maioria das pessoas que procura atendimento médico em serviços de emergência por conta de dor no peito não está tendo um ataque cardíaco, mas sim problemas menos graves, como dor muscular, refluxo ou crises de ansiedade.

Entretanto, como a dor no peito pode significar um problema de saúde com risco de morte, o mais seguro é não arriscar e procurar avaliação médica.

Muitos pacientes demoram a procurar ajuda para um ataque cardíaco por achar que os sintomas não são graves ou que a dor irá melhorar espontaneamente. Muitas vezes, este tempo de espera em casa é a diferença entre sobreviver ou não a um infarto.

Um trabalho feito há alguns anos na Universidade de Michigan, EUA, avaliou 400 pacientes que chegaram ao setor de urgências com queixas de dores no peito.

Após a avaliação diagnóstica, 53% dos casos não tinham uma causa orgânica definida, ou seja, não eram causados por nenhuma doença nos órgãos internos do tórax, tais como coração, pulmões ou esôfago, por exemplo. Mais da metade eram apenas casos de ansiedade. 36% eram causados por dores músculo-esqueléticas ou por doenças do esôfago, e somente 11% eram devidos a causas mais graves, como doenças cardiovasculares.

Neste artigo falaremos sobre dor torácica, dando ênfase aos sinais de gravidade. É sempre bom lembrar que o que segue são somente orientações gerais, não devendo nunca servir de base para autodiagnósticos. Apenas um médico, através da história clínica, do exame físico e de exames complementares, quando necessários, pode estabelecer diagnósticos para dor torácica.

Em alguns momentos empregarei o termo dor torácica em vez de dor no peito, visto que este é mais preciso, pois várias doenças que podem se manifestar com dor no peito podem fazê-lo envolvendo todo o tórax, inclusive as costas. Também vale ser dito que evitarei o termo ataque cardíaco, chamando-o do modo mais correto, ou seja, infarto do miocárdio ou doença isquêmica cardíaca.

Existem dois fatores primordiais na avaliação clínica da dor torácica:

  • Características da dor.
  • História clínica do paciente.

Características da dor no peito

Ao ter uma dor no peito, a primeira coisa que se deve tentar esclarecer é se a mesma indica uma dor anginosa, ou seja, dor de isquemia cardíaca (infarto). A angina de peito apresenta algumas características típicas que podem ser usadas para afastar ou reforçar a suspeita de uma doença cardiovascular.

Características da dor no peito que sugerem isquemia cardíaca:

  • Ser mais um peso ou uma forte sensação de aperto no peito do que propriamente uma dor (é muito comum o paciente descrever a dor encostando o punho fechado em frente ao peito, para mostrar que a dor é em aperto).
  • Ser desencadeado por esforço físico ou estresse emocional.
  • Ser uma dor difusa no lado esquerdo e centro do tórax, frequentemente com irradiação para braço esquerdo, costas e/ou pescoço.
  • Vir acompanhada de suores, falta de ar, palidez ou hipotensão.
  • Vir acompanhada de palpitações.
  • Ser uma dor que dura vários minutos.
  • Ser uma dor que não cede aos analgésicos comuns.
  • Um sinal de extrema gravidade e que fala a favor de doença cardíaca, é a perda de consciência após o início da dor torácica (leia também: Infarto fulminante: causas e sintomas).
Padrão da dor torácica de origem cardíaca isquêmica.
Padrão da dor torácica de origem cardíaca isquêmica.

Na maioria das vezes, o infarto se apresenta como uma dor intensa e muito incômoda. Todavia, a intensidade da dor não é um fator determinante, visto que até 1/3 dos infartos ocorrem com leves desconfortos. Pacientes diabéticos ou idosos podem ter dores leves e, às vezes, se queixam mais de cansaço e mal-estar do que propriamente de dor no peito.

Temos um texto exclusivo sobre a angina de peito (a dor de isquemia do coração), como maiores explicações sobre este tipo de dor torácica: Angina estável e angina instável.

Características da dor no peito que falam contra uma isquemia cardíaca:

  • Dor que dura poucos segundos e surge sem esforço físico ou estresse emocional.
  • Dor de curta duração que vai e volta sem fatores desencadeantes precisos.
  • Dor muito bem localizada, sendo o paciente capaz de apontar com o dedo indicador exatamente onde ela incide.
  • Dor que piora quando se aperta o local com o dedo ou quando se faz algum movimento com o tórax.
  • Dor em pontada ou que piora com a respiração profunda costuma ter origem em outra causa que não um infarto.
  • Dor que vai e volta há muitos anos, sem haver sinais de progressão ou piora.
  • Dor que melhora muito com um simples analgésico.
  • Dor que não irradia e não vem acompanhada de outros sintomas, como falta de ar, suores, vômitos, hipotensão, etc.

Devemos salientar que as características acima são apenas orientações; de modo algum são suficientes para se descartar ou diagnosticar uma dor no peito. Algumas pessoas com crises de ansiedade podem apresentar sintomas muito parecidos com um infarto, queixando-se de palpitação, suores, falta de ar, tonturas, etc.

Também é bom lembrar que a isquemia cardíaca não é a única causa grave de dor no peito, podendo esta também ser causada por pneumonia, embolia pulmonar e aneurisma de aorta, doenças com sintomas distintos aos do infarto agudo do miocárdio.

História clínica do paciente cpom dor torácica

Além das características da dor, os dados clínicos do próprio paciente também são extremamente relevantes. A abordagem de uma dor no peito em um paciente de 19 anos e saudável é completamente diferente da de um paciente de 63 anos, obeso, com história de diabetes, hipertensão e tabagismo.

Quanto mais fatores de risco para doença cardiovascular um paciente tiver, maiores são as chances de sua dor no peito indicar uma doença mais grave.

Um paciente sem fatores de risco conhecidos pode infartar? Pode, mas é pouco comum, e isso deve ser sempre considerado.

Os principais fatores de risco para doença cardiovascular que devem ser avaliados em um paciente com dor no peito são:

A partir dos dados explicados acima e com o exame físico, o médico deve ser capaz de estabelecer os diagnósticos diferenciais para a sua dor no peito.

Se a avaliação clínica indicar algum risco de a dor ser de origem cardíaca, o médico irá solicitar exames para tentar diagnosticar ou descartar esta causa.

Em avaliações de dor torácica, muitas vezes é mais importante descartar causas graves do que estabelecer um diagnóstico definitivo para a dor.

Causas de dor no peito

A dor no peito sempre traz consigo o medo de um infarto; no entanto, existem dezenas de causas para dor torácica, algumas delas tão ou mais graves que a doença isquêmica cardíaca.

Na verdade, a dor torácica pode ser causada por doenças em qualquer um dos órgãos dentro e fora da caixa torácica, incluindo coração, esôfago, pulmão, pleura, mediastino, grandes vasos, costelas, cartilagens, articulações, músculos do tórax, pele, etc.

Abaixo segue uma lista das principais condições ou doenças que podem causar dor torácica:

Além dos órgãos e tecidos do tórax, algumas vezes problemas em órgãos do abdômen podem também causar dor torácica, entre eles:

Na ilustração abaixo, citamos algumas das possíveis causas de dor na região torácica conforme a sua localização.

Causas de dor torácica
Causas de dor torácica

Como pode-se ver, o diagnóstico da dor torácica é bem complexo, dado que este sintoma pode indicar uma extensa gama de patologias distintas.

Na dúvida, o ideal é procurar um médico. Se a sua dor difere das que você já sentiu antes, procure ajuda de um profissional, principalmente se você tiver fatores de risco para doença cardiovascular.

Ansiedade e gases como causa de dor torácica

Pessoas com crises de ansiedade, síndrome do pânico, burnout, depressão ou hipocondria também podem apresentar dores no peito com frequência. Pelo menos 1/3 dos pacientes que se dirigem aos serviços de urgência com dor no peito o fazem por condições de origem psicológica/psiquiátrica.

A relação entre gases e dor no peito é bem conhecida. Normalmente, a dor por gases não é bem no tórax, mas sim na porção inferior das costelas, que chamamos hipocôndrio. Estas dores ocorrem por dilatação do estômago e esôfago, muitas vezes pinçando os nervos ao seu redor. Pessoas com hérnia de hiato, uma condição em que parte do estômago acaba subindo em direção ao tórax, podem ter dor torácica com acúmulo de gases no estômago.

Outra causa comum de dor na região do hipocôndrio e costelas, mas que pode ser confundida com dor torácica, é a dor que ocorre após exercício físico extenuante. Esta dor é causada por fadiga da musculatura torácica responsável pela respiração. Ela pode assustar por aparecer durante exercícios físicos, mas é bem diferente da dor do infarto, pois ocorre tardiamente durante a atividade, não irradia, é muito localizada, não é bem no peito e parece mais uma câimbra do que a dor em aperto do infarto.


book Referências bibliográficas


Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Ézio Campos

    Tenho com frequencia dor no peito depois de comer. Pode ser refluxo ou tenho que ver o coração?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Dor no peito após comer pode ser refluxo, gastrite, gases, espasmo do esôfago ou hérnia de hiato, mas nem sempre é possível diferenciar apenas pelos sintomas.

    — A dor de refluxo costuma ser em queimação, pode subir para a garganta, piora ao deitar, aparece após refeições volumosas ou alimentos gordurosos e pode vir com gosto amargo na boca, arrotos ou sensação de bolo na garganta.
    — Já a dor cardíaca costuma ser mais em aperto ou peso, pode surgir com esforço físico ou estresse, durar vários minutos e irradiar para braço, costas, pescoço ou mandíbula. Pode vir com falta de ar, suor frio, náuseas ou mal-estar.

    Se a dor após comer é nova, forte, recorrente, vem com falta de ar ou ocorre em alguém com fatores de risco cardiovascular, é mais seguro procurar avaliação médica.

  2. Eude Colli

    Entendi que pode haver um ataque cardíaco mesmo com a pressão ok. Mas é mais provável com a prisão irregular? Pois, se estiver tendo um ataque, a pressão subiria, né?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Sim, um infarto pode acontecer com a pressão normal.

    A pressão arterial pode estar alta, normal ou até baixa durante um infarto. Algumas pessoas ficam com a pressão mais alta por dor, ansiedade e liberação de adrenalina. Outras podem ter pressão normal. Em casos mais graves, especialmente quando há comprometimento importante do coração, a pressão pode cair.

    Por isso, pressão normal não descarta infarto. O que deve ser valorizado é o conjunto dos sintomas: dor ou aperto no peito que dura vários minutos, irradiação para braço, costas, pescoço ou mandíbula, falta de ar, suor frio, náuseas, palidez, tontura ou sensação de desmaio.

    Hipertensão é um fator de risco para doença cardiovascular, mas a medida da pressão no momento da dor não serve, sozinha, para confirmar ou excluir um ataque cardíaco.

  3. Bastos

    Dr, uma dor no peito que piora ao respirar fundo pode ser o que? Coração?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Dor no peito que piora ao respirar fundo costuma ter origem na parede torácica, na pleura ou nos pulmões, e não no músculo cardíaco.

    As causas possíveis incluem dor muscular, inflamação das costelas, pleurite, pneumonia, pneumotórax e embolia pulmonar. Também pode ocorrer em crises de ansiedade, quando a respiração fica mais rápida e superficial.

    Apesar de não ser a apresentação típica do infarto, dor ao respirar fundo pode indicar problemas importantes. Procure atendimento se houver falta de ar, febre, tosse com catarro ou sangue, dor forte e súbita, saturação baixa, desmaio, batimentos muito acelerados ou dor após trauma no tórax.

  4. Thays Azevedo

    Dr. no caso de dor no peito por ansiedade qual seria o tratamento?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Quando a dor no peito é causada por ansiedade, o tratamento deve focar no controle do transtorno ansioso, não apenas na dor.

    As medidas mais importantes costumam ser psicoterapia, especialmente terapia cognitivo-comportamental, melhora do sono, atividade física regular, redução de cafeína e álcool, técnicas de respiração e manejo do estresse. Em casos moderados ou intensos, o médico pode indicar medicamentos, como antidepressivos ou ansiolíticos, conforme o perfil do paciente.

    É importante lembrar que ansiedade pode causar aperto no peito, falta de ar, palpitações, tremores, sensação de morte iminente e formigamentos, sintomas que podem parecer muito com problemas cardíacos. Por isso, quando a dor é nova, intensa, diferente do habitual ou vem acompanhada de sinais de alerta, primeiro é preciso descartar causas cardíacas ou pulmonares antes de atribuir tudo à ansiedade.

  5. luiz kesselring

    Muito bom artigo. Talvez meu problema seja ansiedade, né? Obrigado.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Pode ser, mas dor no peito não deve ser atribuída automaticamente à ansiedade sem considerar o contexto. Especialmente se você tiver mais de 40 anos.

    Ansiedade e crises de pânico podem causar dor ou aperto no peito, falta de ar, palpitações, tremores, suor, formigamento e sensação de desmaio. Esses sintomas podem assustar bastante e, em alguns casos, parecem muito com um problema cardíaco.

    A possibilidade de ansiedade fica mais provável quando os episódios surgem em momentos de estresse, vêm acompanhados de medo intenso, melhoram quando a crise passa e já foram avaliados anteriormente sem sinais de doença cardíaca.

    Mesmo assim, se a dor no peito é nova, intensa, vem com falta de ar importante, suor frio, desmaio, irradiação para braço, costas, pescoço ou mandíbula, ou se a pessoa tem fatores de risco cardiovascular, o mais seguro é procurar atendimento médico.

  6. Duda

    Dor no peito em pontada pode ser sinal de infarto?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Dor no peito em pontada, principalmente quando é bem localizada, dura poucos segundos, piora ao respirar fundo ou ao mexer o tronco, costuma ser menos sugestiva de infarto.

    Esse tipo de dor é mais frequentemente relacionado a causas musculares, inflamação das cartilagens das costelas, ansiedade, gases, refluxo ou irritação de nervos da parede torácica.

    No entanto, a característica da dor não deve ser avaliada isoladamente. Se for um paciente com fatores de risco para infarto ou se a pontada vier junto com falta de ar, suor frio, desmaio, palpitações intensas, dor que se espalha para braço, costas, pescoço ou mandíbula, febre, tosse com sangue ou piora importante do estado geral, é necessário procurar atendimento médico.

  7. Maikon Micael

    Doutor tenho 19 anos e fiz eletrocardiograma e o raio x do tórax deu tudo normal , e ainda sinto dor perto do coração umas ficandas , ele vem e volta , já tem 2 semanas oq pode ser ?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Em uma pessoa jovem, com eletrocardiograma e raio-X de tórax normais, fisgadas perto do coração que vêm e vão por dias ou semanas costumam ter causas não cardíacas.

    As causas mais comuns nessa situação são dor muscular, inflamação das cartilagens das costelas, ansiedade, refluxo, gases ou irritação de nervos da parede torácica. Dor em pontada, bem localizada, de curta duração, que muda com a posição, piora ao apertar o local ou aparece em repouso, geralmente fala menos a favor de infarto. Na sua idade, ansiedade é uma casua comum.

    Mesmo assim, exames normais não devem ser usados para ignorar sintomas que mudam de padrão. Se a dor virar aperto ou peso no peito, surgir com esforço, irradiar para braço, costas, mandíbula ou pescoço, vier com falta de ar, suor frio, desmaio, palpitações intensas ou piora progressiva, é necessário procurar atendimento médico.

  8. jandra martins borges

    Boa noite, eu sinto dor no nervo braço esquerdo, dói minha costela, sinto falta de ar, fincada na costa do lado esquerdo. O que pode ser?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Dor no peito ou na região das costelas associada à falta de ar precisa ser avaliada com cautela.

    Dor no braço esquerdo, dor nas costas, fisgadas no tórax e falta de ar podem ter várias causas, incluindo dor muscular, ansiedade, inflamação das costelas, refluxo, problemas pulmonares e, em algumas situações, doenças cardíacas. Pela descrição isolada, não é possível definir a causa com segurança.

    O ponto mais importante é a presença de falta de ar. Quando a dor vem acompanhada de falta de ar, piora ao respirar, suor frio, tontura, palpitações, desmaio, náuseas, dor em aperto no peito ou irradiação para braço, mandíbula, pescoço ou costas, o ideal é procurar atendimento médico, principalmente se for uma dor nova ou diferente das habituais.

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