Candidíase em homens: sintomas, fotos e tratamento

Autor(a): Dr. Pedro Pinheiro

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Tempo estimado de leitura: 3 minutos.

O que é candidíase?

A Candida é um gênero de fungos que pode ser naturalmente encontrado na pele, boca, órgãos genitais ou trato gastrointestinal em até 80% da população. A espécie mais comum de Candida é a Candida albicans.

Em situações normais, a simples presença da Candida no nosso organismo não representa nenhum perigo. O nosso sistema imunológico é bastante eficaz em controlar a população desse fungo, fazendo com que ele exista apenas em pequena quantidade.

O problema com o fungo Candida surge quando o nosso sistema imunológico encontra-se enfraquecido ou quando há uma súbita alteração na flora natural de bactérias da nossa pele, como nos casos de uso prolongado de antibióticos.

Essas alterações tornam o nosso organismo um ambiente mais propício para a proliferação da Candida, que passa a se reproduzir sem limitações, podendo infestar a pele e invadir tecidos mais profundos, provocando intensa reação inflamatória.

Candidíase é o termo que usamos para designar a inflamação provocada pela invasão do fungo Candida. Ter Candida na pele de forma assintomática é, portanto, diferente de ter a doença candidíase.

A candidíase pode acometer diversos órgãos diferentes, sendo a pele, os órgãos genitais e a boca os sítios mais comuns. Em casos mais graves, que ocorre habitualmente em pacientes com imunossupressão severa, a Candida pode acometer órgãos internos, como esôfago, laringe, rins, coração e até o sistema nervoso central.

Nesse artigo falaremos somente sobre candidíase peniana ou candidíase masculina, que se manifesta como uma infecção da glande ou do prepúcio, chamadas, respectivamente, de balanite ou balanopostite por cândida.

Se você quiser mais informações sobre outras formas de candidíase, leia: Candidíase: o que é, sintomas e tipos.

Fatores de risco

Na imensa maioria dos casos, a candidíase não é uma doença adquirida através de outras pessoas. A candidíase surge porque o seu organismo perde a capacidade de controlar o crescimento da população de Candida que normalmente vive na sua pele. Isso explica por que bebês, freiras e mulheres sem atividade sexual podem desenvolver candidíase na região genital.

Em alguns casos, porém, principalmente na candidíase peniana, o fungo Candida pode ser transmitido por via sexual. Se a vagina da mulher estiver colonizada com grandes populações de Candida, durante o ato sexual uma quantidade relevante do fungo pode ser transferida para o pênis, aumentando o risco de balanite.

Cerca de 15 a 25% dos homens apresentam colonização do pênis pela Candida. 1/3 desses apresenta sinais de candidíase.

O desenvolvimento ou não da candidíase peniana dependerá da capacidade do sistema imunológico do homem em lidar com essa grande população de fungo recém-adquirida. Portanto, não basta ter a Candida na genitália, é preciso que o fungo se sinta livre para se multiplicar.

Alguns fatores aumentam o risco do surgimento da candidíase peniana, são eles:

  • Diabetes mellitus.
  • Parceiras com múltiplos episódios de candidíase vaginal.
  • Uso de fraldas (seja em bebês ou idosos).
  • Uso recente de antibióticos (antibióticos matam apenas bactérias, que são germes que competem por alimentos com os fungos).
  • Má higiene do pênis.
  • Doenças imunossupressoras, como HIV.
  • Uso de glicocorticoides ou outros fármacos imunossupressores.
  • Quimioterapia.
  • Desnutrição.
  • Uso de drogas pesadas.

O risco de balanite por Candida parece ser menor em homens circuncidados (leia: Circuncisão: riscos e benefícios).

Sintomas

Como já referido, a infecção peniana pela Candida se manifesta habitualmente como uma balanite ou balanopostite, que são a infecção da glande ou a infecção da glande + prepúcio.

Os sintomas mais comuns da candidíase no homem são a vermelhidão, inchaço e a dor na glande.

Placas brancas, semelhantes às que ocorrem na língua na candidíase oral, também são comuns no pênis. As lesões podem causar coceira e frequentemente há ardência após o ato sexual. Também é comum o surgimento de pequenas bolhas, úlceras, feridas, descamação da pele ou corrimento purulento pela uretra.

Fotos de candidíase em homem
Balanite por cândida.

Nos pacientes não circuncidados, pode haver também uma secreção espessa e com odor desagradável sob o prepúcio.

O diagnóstico da candidíase pode ser confirmado através da raspagem de uma pequena amostra da lesão, que levada ao microscópio permite a identificação das leveduras da Candida.

Em resumo, os sintomas da candidíase masculina são:

  • Queimação e coceira ao redor da cabeça do pênis, que pioram após o ato sexual.
  • Vermelhidão e inchaço na glande.
  • Pequenas pápulas avermelhadas na glande.
  • Dor durante a micção.
  • Placas brancas ao redor da glande.
  • Secreção espessa e irregular sob o prepúcio.
  • Odor desagradável no prepúcio.
  • Dificuldade em retrair o prepúcio.

A fimose ou a parafimose são complicações possíveis, pois a balanite e a balanopostite por cândida não tratadas podem levar à formação de cicatrizes no pênis, o que pode fazer com que o prepúcio fique mais apertado e menos retrátil.

Tratamento

O tratamento da candidíase em homens pode ser feito com antifúngicos em creme ou pomada.

As melhores opções de tratamento da candidíase peniana são:

  • Clotrimazol creme 1%, duas vezes ao dia, por 1 a 3 semanas.
  • Miconazol creme 2%, duas vezes ao dia, por 1 a 3 semanas.
  • Miconazol e hidrocortisona creme 1%, duas vezes ao dia, por 2 a 5 semanas.

Uma opção mais simples consiste no fluconazol, comprimido de 150 mg, tomado em dose única.

Nos casos mais graves, as melhores opções são o miconazol + hidrocortisona em creme 1% ou o fluconazol em comprimido.

Em alguns casos, a candidíase peniana pode ser o primeiro sintoma de um diabetes mellitus se instalando. Se o paciente não apresenta nenhum fator de risco óbvio para a candidíase, uma avaliação da sua glicose sanguínea deve ser solicitada.

As parceiras sexuais femininas de homens com balanite ou balanopostite por cândida devem fazer testes para candidíase, ou podem optar por tratamento empírico para reduzir a probabilidade de reinfecção.

Se o paciente apresenta balanite ou balanopostite recorrente, uma opção para reduzir os episódios é a realização da circuncisão.


Referências


Autor(es)

Médico graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com títulos de especialista em Medicina Interna e Nefrologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Universidade do Porto e pelo Colégio de Especialidade de Nefrologia de Portugal.

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