Lipoma: o que é, causas e tratamento

Autor(a): Dr. Pedro Pinheiro

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Tempo estimado de leitura: 3 minutos.

O que é um lipoma?

O lipoma é um tumor benigno constituído por células de gordura, também chamadas de células adiposas. Esse tipo de tumor se destaca do tecido gorduroso ao seu redor por ser revestido por uma cápsula fibrosa. O lipoma, portanto, é uma tumoração de gordura ao redor do tecido gorduroso.

Os lipomas costumam crescer no tecido subcutâneo, ou seja, logo abaixo da pele, formando uma protuberância arredondada (um caroço embaixo da pele) que é visível e palpável. 

Apesar de menos comum, também é possível a sua ocorrência em tecidos mais profundos, como músculos, nervos, órgãos internos ou na cavidade abdominal.

O lipoma não é câncer nem tem risco de virar câncer. Não existe lipoma maligno. O tumor maligno das células adiposas é o lipossarcoma, mas ele não tem nada a ver com os lipomas.

Na maioria dos casos, o lipoma é totalmente assintomático e não necessita de nenhum tratamento, a não ser que ele seja esteticamente incômodo ou provoque dor.

Cerca de 1 a 2% da população tem um ou mais lipomas pelo corpo. Esse tipo de tumor é mais comum nos adultos e no sexo feminino. Ele pode surgir em qualquer idade, mas é raro em crianças e adolescentes, e se torna mais comum a partir dos 40 anos de idade.

Causas

Ainda não sabemos por que os lipomas surgem. Como há uma clara tendência familiar para o desenvolvimento desse tipo tumor, imagina-se que exista um forte componente genético na sua formação. Alguns casos parecem surgir após um trauma local, mas essa relação ainda não foi comprovada.

Não há uma relação direta entre ter mais gordura no corpo e o risco de desenvolver lipomas. Ser obeso, por exemplo, não é um fator de risco. O lipoma é um tumor que ocorre frequentemente em pessoas magras. Locais habitualmente ricos em gordura, como a barriga, nádegas ou as mamas, também não são os pontos mais frequentemente acometidos.

Parece haver, porém, um maior risco de surgimento do lipoma quando o indivíduo magro ganha peso subitamente. Esse lipoma, entretanto, não desaparece se o paciente voltar a emagrecer.

A ocorrência de lipomas também está associada a algumas doenças raras, tais como: adipose dolorosa (doença de Dercum), doença de Madelung, síndrome de Cowden ou síndrome de Gardner. Nesses casos é comum o paciente ter vários lipomas pelo corpo.

Sintomas

Na imensa maioria dos casos, o lipoma é uma pequena protuberância arredondada que surge por baixo da pele. A maior parte dos lipomas mede entre 1,0 e 3,0 cm, mas alguns deles podem chegar até mais de 10 cm de diâmetro.

À palpação, um lipoma costuma ser uma massa homogênea, com bordas regulares, indolor, mole, com consistência elástica e móvel. Apesar de ser habitualmente indolor, alguns podem doer.

As características descritas acima ajudam a distinguir um lipoma de um tumor maligno, como o lipossarcoma. Tumores malignos costumam se apresentar como uma massa endurecida, pouco móvel, dolorosa à palpação e com bordas irregulares.

O ritmo de crescimento do lipoma costuma ser bem lento, ao longo de anos, ao contrário dos tumores malignos, que, geralmente, crescem de forma mais rápida.

Lipoma nas costas
Lipoma nas costas

Ombros, pescoço, costas e braços são os locais mais frequentemente acometidos pelo lipoma. Todavia, qualquer local do corpo onde exista gordura subcutânea pode desenvolver um lipoma.

Para ver mais imagens reais de lipomas, acesse o link: Fotos de lipoma (no braço, costas, pescoço e cirurgia).

Diagnóstico

Na imensa maioria das vezes, apenas a palpação da tumoração é suficiente para definir que a lesão é um lipoma.

Se, entretanto, a massa for dura, pouco móvel, dolorosa, ou se ela tiver qualquer outra característica incomum, o médico pode solicitar uma ultrassonografia ou uma biópsia da lesão para ter certeza que aquilo é uma tumoração benigna.

O principal diagnóstico diferencial é com o lipossarcoma, um tumor maligno que se origina das células gordurosas (leia: O que é o câncer?).

Tratamento

Como o lipoma costuma ser uma massa pequena e indolor, ele não precisa de tratamento na grande maioria dos casos. Tumores pequenos podem desaparecer espontaneamente, mas o que ocorre mais frequentemente é um lipoma permanecer “quieto” e inalterado durante anos.

Nos raros casos em que o lipoma cresce demais, dói ou se localizada em pontos esteticamente indesejáveis, como na face, por exemplo, a cirurgia para remoção do tumor é uma opção. O procedimento costuma ser simples e rápido, podendo ser feito apenas com anestesia local. A lipossucção é outra alternativa de tratamento.

Lipoma
Lipoma removido cirurgicamente

Os efeitos colaterais da cirurgia incluem a formação de cicatriz ou de hematoma. Quando o lipoma encontra-se em áreas cosmeticamente sensíveis, o ideal é a retirada seja feita por um cirurgião plástico, que é o especialista mais treinado para realizar cirurgias com incisões menores que provocam cicatrizes mais discretas.

Em geral, o lipoma retirado não costuma recorrer.


Referências


Autor(es)

Médico graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com títulos de especialista em Medicina Interna e Nefrologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Universidade do Porto e pelo Colégio de Especialidade de Nefrologia de Portugal.

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