Albendazol (bula): para que serve e como tomar

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Para que serve o medicamento albendazol?

O Albendazol é um medicamento anti-helmíntico e antiparasitário que pertence à classe dos benzimidazóis, a mesma dos também antiparasitários tiabendazol, mebendazol e cambendazol. Ou seja, de forma bem simples: o albendazol é um remédio para vermes.

Considerado um dos medicamentos essenciais pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o albendazol é um fármaco com amplo espectro de ação contra vermes intestinais, sendo eficaz para o tratamento de diversas parasitoses, tais como: ascaridíase, ancilostomose, estrongiloidíase, giardíase e várias outras que serão listadas mais adiante.

Neste artigo faremos uma revisão sobre o albendazol, incluindo suas indicações, nomes comerciais, posologia, contraindicações, efeitos colaterais e interações medicamentosas.

Atenção: esse texto não pretende ser uma bula completa do albendazol. Nosso objetivo é ser menos técnico que uma bula e mais útil aos pacientes que procuram informações práticas sobre este medicamento. O que segue é um resumo das principais informações contidas em várias bulas de albendazol publicadas por diferentes laboratórios farmacêuticos.

Nomes comerciais

O albendazol é um medicamento que já pode ser encontrado como medicação genérica. Entre os marcas comerciais disponíveis nas farmácias, podemos citar:

  • Albel.
  • Albendy.
  • Alin.
  • Benzol.
  • Mebenix.
  • Monozen.
  • Monozol.
  • Neo Bendazol.
  • Parasin.
  • Verdazol.
  • Vermital.
  • Zentel (medicamento de referência).
  • Zolben (medicamento de referência).

Apresentações

O albendazol pode ser encontrado em compridos, que podem ser tomados com água ou mastigados, nas doses de 200 mg e 400 mg.

Também existem as formas em suspensão oral 40 mg/ml.

Preços

No Brasil, os preços do albendazol em comprimidos ou solução oral costumam variar de 1 a 10 reais. Em Portugal, o preço médio é de 4 euros.

Como tomar – Posologia

A toma do albendazol junto com alimentos gordurosos aumenta a sua biodisponibilidade em até cinco vezes, motivo pelo qual essa associação é estimulada.

A posologia varia consoante a parasitose a ser tratada:

Tratamento do Ascaris lumbricoides

  • 400 mg ou 10 ml da suspensão oral (40 mg/ml) em dose única para adultos e crianças acima de 2 anos.
  • 200 mg ou 5 ml da suspensão oral (40 mg/ml) em dose única para crianças entre 1 e 2 anos.

A taxa de sucesso do tratamento com essa dose é de 100%.

Para mais informações, leia: Ascaridíase – Transmissão, Sintomas e Tratamento.

Ancylostoma duodenale ou Necator americanus

  • 400 mg ou 10 ml da suspensão oral (40 mg/ml) em dose única para adultos e crianças acima de 2 anos.
  • 200 mg ou 5 ml da suspensão oral (40 mg/ml) em dose única para crianças entre 1 e 2 anos.

A taxa de sucesso do tratamento com essa dose é de 92%.

Para mais informações, leia: Ancilostomose – Transmissão, Sintomas e Tratamento.

Larva migrans cutânea

  • 400 mg ou 10 ml da suspensão oral (40 mg/ml) 1 vez por dia por 3 dias para adultos e crianças acima de 2 anos.

Para mais informações, leia: Larva migrans cutânea – Transmissão, Sintomas e Tratamento.

Enterobius vermicularis

  • 400 mg ou 10 ml da suspensão oral (40 mg/ml) em dose única para adultos e crianças acima de 2 anos. A dose pode ser repetida após 2 semanas.

A taxa de sucesso do tratamento com essa dose é de 100%.

Para mais informações, leia: Oxiúrus – Enterobius vermicularis – Contágio, Sintomas e Tratamento.

Trichuris trichiura

  • 400 mg ou 10 ml da suspensão oral (40 mg/ml) em dose única para adultos e crianças acima de 2 anos.
  • 200 mg ou 5 ml da suspensão oral (40 mg/ml) em dose única para crianças entre 1 e 2 anos.

A taxa de sucesso do tratamento com essa dose é de 90%.

Para mais informações, leia: Tricuríase – Trichuris Trichiura -Transmissão, Sintomas e Tratamento.

Strongyloides stercoralis

  • 400 mg ou 10 ml da suspensão oral (40 mg/ml) 1 vez por dia por 3 dias para adultos e crianças acima de 2 anos.

A taxa de sucesso do tratamento com essa dose é de 62%.

Para mais informações, leia: Estrongiloidíase – Strongyloides stercoralis.

Giardia lamblia

  • 400 mg ou 10 ml da suspensão oral (40 mg/ml) 1 vez por dia por 5 dias para adultos e crianças acima de 2 anos.

A taxa de sucesso do tratamento com essa dose é de 97%.

Para mais informações, leia: Giardia lamblia – Sintomas, Transmissão e Tratamento.

Hymenolepis nana

  • 400 mg ou 10 ml da suspensão oral (40 mg/ml) 1 vez por dia por 3 dias para adultos e crianças acima de 2 anos.

Se o paciente não apresentar melhora após três semanas, um segundo ciclo de tratamento pode ser necessário.

Taenia spp.

  • 400 mg ou 10 ml da suspensão oral (40 mg/ml) 1 vez por dia por 3 dias para adultos e crianças acima de 2 anos.

A taxa de sucesso do tratamento com essa dose é de 86%.

Neurocisticercose

O albendazol também pode ser usado no tratamento da neurocisticercose junto com corticoides e anticonvulsivantes. Nesta doença, as doses preconizadas são:

  • Paciente com menos de 60 kg: 15 mg/kg/dia, divididos em duas doses (dose máxima diária de 800 mg) por 8 a 30 dias, de acordo com orientação médica.
  • Paciente com 60 kg ou mais: 400 mg 2 vezes por dia por 8 a 30 dias, de acordo com orientação médica.

Para mais informações, leia: Teníase e cisticercose – Ciclo, Sintomas e Tratamento.

A tabela abaixo resume a posologia do albendazol para adultos e crianças acima de 2 anos:

ParasitosDoseTempo de tratamento
Ascaris lumbricoides, Necator americanus, Ancylostoma duodenale, Trichuris trichiura1 comprimido de 400 mg ou 10 ml da suspensão oral (40 mg/ml)Dose única
Enterobius vermicularis1 comprimido de 400 mg ou 10 ml da suspensão oral (40 mg/ml)Dose única. Repete após 14 dias
Strongyloides stercoralis, Taenia sp., Hymenolepis nana, Larva migrans cutânea1 comprimido de 400 mg ou 10 ml da suspensão oral (40 mg/ml)1 dose por dia durante 3 dias
Giardíase (Giardia lamblia, G. duodenalis, G. intestinalis)1 comprimido de 400 mg ou 10 ml da suspensão oral (40 mg/ml)1 dose por dia durante 5 dias

Efeitos colaterais

O albendazol é um medicamento que apresenta baixa incidência de efeitos colaterais. Os mais comuns são:

  • Dor abdominal: 1 a 6% dos pacientes.
  • Náuseas e/ou vômitos: 1 a 6% dos pacientes.
  • Dor de cabeça: 1% na população em geral e 10% nos pacientes com neurocisticercose.
  • Queda de cabelo: 1 a 2% dos pacientes.
  • Tonturas: menos de 1% dos pacientes.
  • Diarreia: menos de 1% dos pacientes.

Contraindicações

O albendazol não deve ser administrado em pacientes com história de alergia a qualquer anti-helmíntico do grupo do benzimidazóis.

A administração do albendazol na gravidez e durante o aleitamento materno é desaconselhada. Mulheres que estão sob tratamento devem esperar pelo menos um mês para engravidar.

Ajuste da dose

Insuficiência renal

Como o albendazol e seus metabólitos são eliminados predominantemente pelo fígado, sendo a eliminação pela via renal muito pequena, não é necessário nenhum ajuste da dose para pacientes com insuficiência renal crônica.

Doença hepática

Não há ajustes de dosagem sugerido pelos fabricantes. Porém, uma vez que o albendazol é essencialmente metabolizado pelo fígado, espera-se que a disfunção hepática provoque efeitos significativos na farmacocinética do medicamento. Os pacientes que antes do tratamento já apresentem anormalidades nos exames da função hepática (elevação de TGO e TGP) deverão ser cuidadosamente monitorizados.

Idosos

Não é necessário nenhum ajuste da dose para pacientes idosos.

Interações medicamentosas

Medicamentos que podem causar redução da eficácia do albendazol:

  • Carbamazepina.
  • Fenobarbital.
  • Fenitoína.
  • Ritonavir.

Medicamentos que podem aumentar os níveis sanguíneos de albendazol, elevando o risco de efeitos colaterais:

  • Dexametasona.
  • Praziquantel.
  • Cimetidina.

O albendazol não interfere com a eficácia da pílula anticoncepcional.


Referências


Autor(es)

Médico graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com títulos de especialista em Medicina Interna e Nefrologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Universidade do Porto e pelo Colégio de Especialidade de Nefrologia de Portugal.


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39 comentários em “Albendazol (bula): para que serve e como tomar”

  1. Boa noite Dr.

    Existe alguma interação ou contra indicação do albendazol relacionada com bebidas alcoólicas?

    Grato desde já.

    Responder
  2. Olá Pedro Pinheiro,

    Felicito pelo esmerado conteúdo, com apresentação acolhedora, bem organizado, conciso e preciso.

    Faço votos que colha os frutos desta postura didática nos mais diversos aspectos profissionais.

    Responder
  3. Ouvi na Internet que o mebendazol deve ser administrado durante 5 dias, 1 colher de sopa por dia iniciando na lua nova. Essa informação é validada pela medicina?

    Responder
    • Não, não existe nenhum medicamento, doença ou tratamento que seja influenciado pelas fases da lua. Isso não tem comprovação científica nenhuma.

      Responder
    • A prescrição do albendazol é desencorajada durante a amamentação, pois o medicamento passa para o bebê. Eu não sei o motivo do medicamento estar sendo sendo prescrito, mas eu sugiro que você converse com a(o) pediatra da sua bebê sobre essa sua situação para ver a opinião dela(e).

      Responder
  4. Boa tarde Dr. Pedro
    a 6 meses tomei albendazol, e a uns 3 dias estou com os mesmos sintomas, há contra inidicação repetir a dose antes de 1 ano da última dose.
    Obrigada.

    Responder
  5. Prezado Dr. Pedro eu tomei Anitta e albendazol e durante este período a minha esposa engravidou. Há algum risco para o feto? Desde já obrigado.

    Responder
  6. Parabéns! Sou médico nefrologista e gostei muito. Escrita adequada para sites que se disponham ajudar as pessoas e profissionais da saúde. Excelente revisão do ALBENDAZOL.

    Responder
  7. Olá, dr, parabéns pelo site. É o melhor sobre saúde que eu conheço.
    Tenho uma dúvida, o meu médico prescreveu albendazol pra mim baseado apenas nos meus sintomas, sem pedir o parasitológico de fezes. Isso está correto?

    Responder
    • Se ele acha que os sintomas são muito sugestivos, não está de todo errado, até porque o albendazol cobre uma grande espectro de parasitos. O único problema dessa conduta é que o tempo de tratamento pode mudar de acordo com o parasito. Se ele prescreveu albendazol em dose única, pode ser pouco para tratar estrongiloidíase ou giardíase, por exemplo. Por isso, o ideal é sempre pesquisar pelo verme.

      Responder