Tadalafila (5 mg e 20 mg): para que serve e efeitos colaterais

Atualizado:
28 ago. 2026
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28 ago. 2026

Pontos principais sobre a tadalafila

A tadalafila é um medicamento da classe dos inibidores da PDE5, conhecido principalmente pelo nome comercial Cialis®.

É utilizada principalmente no tratamento da disfunção erétil, da hiperplasia prostática benigna e da hipertensão arterial pulmonar.

Na disfunção erétil, pode ser usada diariamente, geralmente na dose de 5 mg, ou sob demanda, habitualmente nas doses de 10 ou 20 mg.

Seu efeito pode começar cerca de 30 minutos após a tomada e permanecer por até 36 horas, mas a ereção só ocorre quando há estímulo sexual.

Os efeitos adversos mais comuns são dor de cabeça, indigestão, dor nas costas, dores musculares, congestão nasal e rubor facial.

A tadalafila não deve ser usada junto com nitratos, como nitroglicerina e isossorbida, devido ao risco de queda acentuada da pressão arterial.

O que é a tadalafila?

A tadalafila é um medicamento que pertence à família dos inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5). Seu nome comercial mais conhecido é Cialis®.

A tadalafila atua relaxando os vasos sanguíneos e aumentando o fluxo de sangue para determinadas áreas do corpo, incluindo o pênis, motivo pelo qual é frequentemente utilizada no tratamento da disfunção erétil.

Além da tadalafila, existem outros três fármacos que também fazem parte dos inibidores da PDE5:

  • Sildenafila (Viagra®).
  • Vardenafila (Levitra®).
  • Avanafil (Spedra® ou Stendra®).

Apesar da semelhança, cada um dos quatro inibidores da PDE5 apresenta características específicas, posologia individual e tempo de ação distinto. A tadalafila, por exemplo, é a que apresenta maior tempo de ação, podendo facilitar a obtenção de ereções por até 36 horas após uma dose.

Isso não significa que o homem fique com uma ereção durante 36 horas. Significa apenas que, durante esse intervalo, o medicamento continua presente em quantidade suficiente no organismo para facilitar a ereção quando houver estímulo sexual.

Nota: este artigo não aspira ser uma bula completa da tadalafila. Nosso objetivo é simplificar o tema e explicar de forma didática as informações mais relevantes para quem estiver pensando em utilizar a tadalafila, especialmente no tratamento da impotência sexual.

Para que serve a tadalafila?

A tadalafila é um medicamento indicado principalmente no tratamento de três condições:

A tadalafila também pode ser utilizada off-label na prevenção do edema pulmonar de alta altitude em pessoas com risco elevado, especialmente naquelas que já apresentaram esse problema anteriormente.

Esse uso não deve ser confundido com o tratamento do chamado mal agudo da montanha em geral. A tadalafila não é utilizada rotineiramente para tratar sintomas como dor de cabeça, náuseas ou cansaço provocados simplesmente pela exposição à grande altitude. As diretrizes de medicina de montanha reservam seu uso principalmente para prevenção do edema pulmonar de alta altitude em indivíduos predispostos.

Mecanismo de ação

Para entender como a tadalafila age, precisamos antes falar rapidamente sobre o processo de ereção do pênis.

Existem duas estruturas cilíndricas altamente vascularizadas dentro do pênis chamadas corpos cavernosos. Quando ocorre um estímulo sexual, o fluxo sanguíneo para os corpos cavernosos aumenta e essas estruturas agem como esponjas, absorvendo o sangue que chega.

O enchimento dos corpos cavernosos faz com que o pênis aumente de tamanho, volume e se torne ereto.

Quando ingurgitados, os corpos cavernosos comprimem as veias responsáveis por drenar o sangue do pênis. Com a via de drenagem parcialmente obstruída, o sangue permanece no pênis, mantendo-o ereto enquanto houver estímulo sexual. Após o orgasmo ou a cessação do estímulo, os corpos cavernosos se esvaziam e o pênis retorna ao estado flácido.

Como a tadalafila ajuda na ereção?

Para explicar como a tadalafila funciona na disfunção erétil, precisamos entrar um pouco na fisiologia da ereção. De forma didática, podemos dividir o processo em dez etapas:

  1. Estímulo inicial: o processo começa com um estímulo sexual, que pode ser visual, tátil, olfativo, auditivo ou psicológico.
  2. Sinal do sistema nervoso central: o estímulo sexual ativa áreas específicas do cérebro, que enviam sinais através da medula espinhal até os nervos pélvicos.
  3. Liberação de óxido nítrico: os nervos responsáveis pela ereção são estimulados e ocorre liberação de óxido nítrico.
  4. Produção de cGMP: o óxido nítrico difunde-se para as células do músculo liso dos corpos cavernosos e ativa a enzima guanilato ciclase, aumentando a produção de monofosfato de guanosina cíclico (cGMP).
  5. Relaxamento do músculo liso: o cGMP provoca o relaxamento do músculo liso dos corpos cavernosos, levando à dilatação das artérias penianas e ao aumento do fluxo sanguíneo para o pênis.
  6. Enchimento de sangue: o aumento do fluxo sanguíneo preenche os corpos cavernosos, fazendo com que o pênis se expanda e endureça.
  7. Compressão das veias: o enchimento dos corpos cavernosos comprime as veias que drenam o sangue do pênis, mantendo o sangue retido e sustentando a ereção.
  8. Manutenção da ereção: enquanto o estímulo sexual persistir, a produção de cGMP ajuda a manter o relaxamento do músculo liso e a ereção.
  9. Degradação do cGMP: a fosfodiesterase tipo 5 (PDE5) é uma enzima que degrada o cGMP. Quando o estímulo sexual cessa ou ocorre o orgasmo, a produção de cGMP diminui e a PDE5 passa a reduzir seus níveis.
  10. Retorno ao estado flácido: com a redução do cGMP, o músculo liso se contrai, o fluxo sanguíneo para os corpos cavernosos diminui e o sangue volta a sair do pênis normalmente.

Como a tadalafila é um inibidor da PDE5, ela diminui a degradação do cGMP. Com isso, o cGMP permanece atuando por mais tempo, facilitando a obtenção e a manutenção da ereção.

É importante destacar que a tadalafila atua como facilitador da ereção ao prolongar a ação do cGMP, mas não influencia diretamente sua produção. A ereção só ocorre com estímulo sexual, que promove a liberação de óxido nítrico e, subsequentemente, o aumento dos níveis de cGMP. Sem estímulo sexual, não ocorre ativação suficiente dessa via para desencadear a ereção. Portanto, a eficácia da tadalafila depende da presença de estímulo sexual para iniciar o processo fisiológico necessário para a ereção.

Explicamos mais detalhadamente o papel dos inibidores da PDE5 no artigo: Remédios para Impotência: Viagra, Cialis, Levitra, Spedra.

Como a tadalafila ajuda nas outras doenças?

Na hiperplasia prostática benigna, a inibição da PDE5 e o relaxamento do músculo liso do trato urinário inferior podem reduzir os sintomas urinários, como dificuldade para iniciar a micção, jato urinário fraco, urgência e aumento da frequência urinária.

Na hipertensão arterial pulmonar, a inibição da PDE5 aumenta os níveis de cGMP nas células do músculo liso dos vasos pulmonares, promovendo vasodilatação. Isso reduz a resistência vascular pulmonar e facilita o trabalho do lado direito do coração.

Nomes comerciais

A tadalafila foi lançada no mercado em 2003 sob o nome comercial Cialis®. Para o tratamento da disfunção erétil e da hiperplasia prostática benigna, é encontrada principalmente em comprimidos de 5 mg, 10 mg e 20 mg.

Entre os nomes disponíveis estão:

  • Tadalafila genérica, de vários fabricantes.
  • Cialis®.
  • Cianeo®.
  • Ciavor®.
  • Dalí®.
  • Hislafi®.
  • H-For®.
  • Nesta®.
  • Tada®.
  • Zyad®.

Como tomar a tadalafila?

A dose da tadalafila depende da doença tratada, da frequência de uso, da resposta ao medicamento, dos efeitos adversos, da função renal e hepática e dos outros medicamentos utilizados pelo paciente.

A tadalafila pode ser tomada com ou sem alimentos.

Como tomar a tadalafila para disfunção erétil

Existem duas formas principais de tomar tadalafila para disfunção erétil:

1. Uso sob demanda

A dose inicial habitual é de 10 mg, administrada pelo menos cerca de 30 minutos antes da atividade sexual.

De acordo com a resposta e os efeitos adversos, a dose pode ser reduzida para 5 mg ou aumentada para 20 mg.

Não se deve utilizar mais de uma dose por dia.

A tadalafila pode começar a facilitar a ereção a partir de aproximadamente 30 minutos após a ingestão, embora o efeito máximo não necessariamente ocorra tão cedo. Sua janela de ação pode se prolongar por até 36 horas.

2. Uso diário

Outra opção é tomar uma dose baixa todos os dias, independentemente do momento da atividade sexual.

A dose diária utilizada costuma ser de 2,5 a 5 mg, sendo 5 mg a dose mais empregada.

O regime diário pode ser interessante principalmente para homens que têm atividade sexual frequente ou que preferem não precisar programar a utilização do medicamento antes da relação.

Em termos gerais, não existe diferença clinicamente relevante de eficácia que torne o regime diário superior ao uso sob demanda para todos os pacientes. A escolha depende da frequência da atividade sexual, da preferência do paciente, dos efeitos adversos e da resposta ao tratamento.

O tratamento diário pode ser mantido por longo prazo quando continua sendo necessário, eficaz e bem tolerado, mas sua indicação deve ser reavaliada periodicamente.

Qual é a diferença entre tadalafila 5 mg e 20 mg?

A principal diferença não é apenas a intensidade da dose, mas a forma como cada apresentação costuma ser utilizada.

A tadalafila de 5 mg é frequentemente utilizada todos os dias. Dessa maneira, mantém-se uma concentração relativamente estável do medicamento no organismo e não é necessário tomar o comprimido especificamente antes de cada relação sexual.

A tadalafila de 20 mg é utilizada principalmente sob demanda, antes da atividade sexual, em pacientes que necessitam dessa dose para obter resposta satisfatória.

Portanto:

  • 5 mg: geralmente utilizada no regime diário.
  • 10 mg: dose inicial habitual para uso sob demanda.
  • 20 mg: dose maior para uso sob demanda quando 10 mg não proporcionam resposta adequada e o medicamento é bem tolerado.

Quem utiliza 5 mg diariamente não deve simplesmente adicionar 10 ou 20 mg antes da relação sexual por conta própria. Isso aumenta a exposição ao medicamento e o risco de efeitos adversos. Se o regime diário não estiver funcionando adequadamente, é preferível discutir com o médico se vale a pena mudar a estratégia de tratamento.

Hiperplasia prostática benigna

A dose habitual para a hiperplasia prostática benigna é:

  • Tadalafila 5 mg uma vez ao dia.

Se o paciente tiver simultaneamente disfunção erétil e hiperplasia prostática benigna, a tadalafila 5 mg ao dia pode ajudar nas duas condições.

A associação de tadalafila 5 mg com finasterida pode ser utilizada em alguns pacientes. Os principais estudos dessa combinação acompanharam os pacientes durante aproximadamente seis meses; por isso, a necessidade de manter ambos os medicamentos por períodos mais prolongados deve ser avaliada individualmente.

A combinação da tadalafila com medicamentos alfa-bloqueadores, como tansulosina, doxazosina, alfuzosina ou silodosina, também exige cautela porque ambos podem reduzir a pressão arterial.

Essa associação pode ser utilizada em pacientes selecionados, mas o benefício adicional para os sintomas urinários costuma ser pequeno e o risco de efeitos adversos pode aumentar. A interação hemodinâmica é particularmente importante com a doxazosina. As diretrizes urológicas admitem a associação de tadalafila 5 mg com alfa-bloqueadores em casos selecionados, mas classificam a evidência como limitada.

Hipertensão arterial pulmonar

Para adultos com hipertensão arterial pulmonar, a dose habitual é:

  • Tadalafila 40 mg uma vez ao dia.

Neste caso, são geralmente utilizados dois comprimidos de 20 mg administrados juntos uma vez ao dia. Dividir os 40 mg em duas tomadas não é o regime recomendado.

Em pessoas com determinadas alterações da função renal ou hepática ou com algumas interações medicamentosas, o tratamento pode ser iniciado com uma dose menor.

O tratamento da hipertensão arterial pulmonar deve ser orientado por especialista, pois a escolha do medicamento depende da causa da doença, gravidade, estratificação de risco e presença de outras doenças cardiopulmonares.

Tadalafila nos pacientes com insuficiência renal

A função renal é especialmente importante na definição da dose da tadalafila.

Para o tratamento sob demanda da disfunção erétil, nos pacientes com clearance de creatinina entre 30 e 50 mL/min, costuma-se iniciar com 5 mg e limitar a dose máxima a 10 mg a cada 48 horas.

Nos pacientes com clearance de creatinina inferior a 30 mL/min ou em hemodiálise, a dose máxima para disfunção erétil sob demanda é de 5 mg, não mais que uma vez a cada 72 horas.

O uso diário de tadalafila para disfunção erétil ou hiperplasia prostática benigna não é recomendado nos pacientes com insuficiência renal grave ou em hemodiálise, porque a exposição ao medicamento aumenta e a diálise não consegue removê-lo de forma relevante do organismo.

Essas recomendações não devem ser confundidas com as doses utilizadas para hipertensão arterial pulmonar. Nessa indicação, a tadalafila geralmente deve ser evitada em pacientes com insuficiência renal grave ou em hemodiálise.

Tadalafila para academia e uso recreativo

Nos últimos anos, tornou-se relativamente comum o uso de tadalafila por homens jovens sem disfunção erétil, seja para tentar melhorar o desempenho sexual, aumentar o chamado “pump” durante a musculação ou supostamente melhorar o rendimento físico.

A tadalafila não é aprovada para ganho de massa muscular, aumento de força ou melhora do desempenho esportivo.

Seu efeito vasodilatador pode aumentar temporariamente a percepção de vascularização durante o exercício, mas isso não significa aumento de hipertrofia muscular nem melhora comprovada do desempenho.

Em 2025, a Anvisa publicou um alerta específico sobre o aumento do uso recreativo de medicamentos para disfunção erétil, incluindo a tadalafila, especialmente para fins estéticos, atividade física ou melhora do desempenho sexual sem indicação médica. A Agência também alertou para eventos como hipotensão, problemas cardiovasculares, alterações da visão ou audição e priapismo.

A tadalafila não costuma provocar dependência física nem síndrome de abstinência. Entretanto, o uso recreativo frequente pode favorecer uma dependência psicológica, na qual o homem passa a acreditar que não conseguirá ter um desempenho sexual satisfatório sem tomar o medicamento, mesmo quando não apresenta uma causa orgânica de disfunção erétil.

Efeitos adversos

A maioria dos efeitos adversos da tadalafila é leve ou moderada e tende a desaparecer conforme o medicamento é eliminado do organismo.

Reações muito comuns (ocorrem em 10% ou mais dos pacientes):

  • Cefaleia (dor de cabeça).

Reações comuns (ocorrem entre 1% e 10% dos pacientes):

  • Dor nas costas.
  • Dispepsia (indisposição gástrica).
  • Rubor facial (vermelhidão no rosto).
  • Mialgia (dor muscular).
  • Dor nos braços ou pernas.
  • Congestão nasal (nariz entupido).

Reações incomuns (ocorrem entre 0,1% e 1% dos pacientes):

  • Tontura.
  • Visão borrada.
  • Sensação de dor nos olhos.
  • Falta de ar.
  • Sangramento nasal.
  • Dor abdominal.
  • Vômitos.
  • Náuseas.
  • Refluxo gastroesofágico.
  • Erupções na pele.
  • Dor no peito.
  • Edema periférico (inchaço nas mãos, pés ou pernas).
  • Fadiga.
  • Hipotensão ou hipertensão arterial.

Priapismo

A tadalafila pode, raramente, causar priapismo, que é uma ereção persistente, geralmente dolorosa, que dura quatro horas ou mais.

O priapismo é uma urgência médica. Se não for tratado rapidamente, pode provocar lesão permanente do tecido erétil e causar disfunção erétil definitiva.

Perda súbita da visão

Casos raros de diminuição ou perda súbita da visão por neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica foram relatados em usuários de inibidores da PDE5.

Pessoas com diabetes, hipertensão arterial, colesterol elevado, doenças cardiovasculares, tabagismo ou determinadas alterações do nervo óptico apresentam maior risco basal desse problema.

O paciente que apresentar perda ou redução súbita da visão deve interromper o medicamento e procurar atendimento médico imediatamente.

Perda súbita da audição

Também existem relatos raros de redução ou perda súbita da audição durante o uso de tadalafila e de outros inibidores da PDE5, algumas vezes acompanhada de zumbido ou tontura.

Não está comprovado em todos os casos que o medicamento seja diretamente responsável pelo problema, mas uma alteração súbita da audição durante o tratamento deve motivar suspensão do medicamento e avaliação médica urgente.

Contraindicações

A tadalafila é contraindicada para pacientes alérgicos a qualquer componente do comprimido. Quem tem alergia a um dos inibidores da PDE5 geralmente também tem aos outros fármacos do mesmo grupo.

As duas associações medicamentosas mais importantes que são contraindicadas são:

  • Nitratos, utilizados principalmente para o tratamento da angina.
  • Riociguat, utilizado em determinadas formas de hipertensão pulmonar.

Tadalafila e nitratos

A combinação da tadalafila com nitratos pode provocar queda acentuada e potencialmente perigosa da pressão arterial.

Exemplos de nitratos incluem:

  • Nitroglicerina (Nitradisc®, Nitroderm TTS®, Nitronal®, Tridil®).
  • Mononitrato de isossorbida (Isocord®).
  • Dinitrato de isossorbida (Monocordil®, Cincordil®, Isordil®).
  • Propatilnitrato (Sustrate®).

A contraindicação se aplica tanto ao uso contínuo quanto ao uso ocasional desses medicamentos.

Como a tadalafila permanece no organismo por bastante tempo, nitratos não devem ser utilizados dentro das 48 horas seguintes à última dose de tadalafila. Mesmo após esse período, se o nitrato for considerado indispensável em uma situação de emergência, sua administração deve ocorrer sob supervisão médica e com monitorização adequada.

Portanto, um paciente que tomou tadalafila e depois desenvolveu dor no peito deve procurar atendimento médico e informar à equipe quando tomou a última dose. Não deve utilizar nitroglicerina por conta própria.

Advertências e precauções

A tadalafila deve ser utilizada com especial cautela por pacientes com:

A idade avançada, por si só, não contraindica o uso da tadalafila, mas idosos apresentam maior probabilidade de utilizar outros medicamentos e ter doenças que precisam ser consideradas antes da prescrição.

Interações medicamentosas

As principais interações da tadalafila são:

  • Nitratos: combinação contraindicada pelo risco de hipotensão grave.
  • Riociguat: combinação contraindicada pelo risco de queda excessiva da pressão arterial.
  • Alfa-bloqueadores: medicamentos como doxazosina, tansulosina, alfuzosina e silodosina também reduzem a pressão arterial. A combinação pode ser utilizada em situações específicas, mas requer cautela, principalmente com a doxazosina.
  • Anti-hipertensivos: a tadalafila é um vasodilatador e pode provocar pequena redução adicional da pressão arterial em pessoas que utilizam medicamentos anti-hipertensivos. Na maioria dos pacientes estáveis, essa redução não é clinicamente importante, mas deve ser considerada em pessoas que já apresentam pressão baixa ou utilizam vários medicamentos.
  • Cetoconazol, itraconazol e ritonavir: podem aumentar a concentração sanguínea da tadalafila ao inibir sua metabolização.
  • Claritromicina e outros inibidores da CYP3A4: também podem aumentar a exposição à tadalafila.
  • Rifampicina: pode reduzir bastante a concentração da tadalafila e diminuir seu efeito.
  • Fenitoína, carbamazepina e fenobarbital: são indutores enzimáticos e podem reduzir a concentração da tadalafila e sua eficácia.
  • Álcool: pequenas quantidades não costumam produzir interação relevante. Entretanto, o consumo de grandes quantidades de álcool associado à tadalafila pode favorecer tontura, taquicardia e queda da pressão arterial.

Inibidores potentes da CYP3A4 podem exigir redução importante da dose ou aumento do intervalo entre as doses de tadalafila. Indutores da CYP3A4 fazem o contrário e podem diminuir sua eficácia.

Perguntas frequentes

A tadalafila aumenta o tamanho do pênis?

Não. A tadalafila aumenta temporariamente a entrada de sangue nos corpos cavernosos quando ocorre estímulo sexual, permitindo uma ereção mais adequada. Ela não aumenta permanentemente o comprimento nem a espessura do pênis.

A tadalafila pode causar infarto?

Infarto, AVC e outros eventos cardiovasculares graves já foram relatados em associação temporal ao uso de tadalafila e de outros medicamentos para disfunção erétil.

Entretanto, isso não significa que a tadalafila tenha sido necessariamente a causa desses eventos. Muitos homens que utilizam o medicamento já apresentam fatores de risco cardiovasculares importantes, e a própria atividade sexual provoca aumento transitório do trabalho cardíaco.

Por isso, a preocupação maior não é o uso correto da tadalafila por um indivíduo cardiovascularmente estável, mas seu uso por pessoas com doença cardíaca grave ou instável, ou em combinação com medicamentos contraindicados, principalmente nitratos.

A tadalafila genérica é tão eficaz quanto o Cialis?

Sim. Um medicamento genérico aprovado pelos órgãos reguladores precisa demonstrar equivalência farmacêutica e bioequivalência em relação ao medicamento de referência.

Portanto, a tadalafila genérica aprovada deve proporcionar efeito clínico equivalente ao Cialis®, desde que utilizada na mesma dose e nas mesmas condições.

Mulheres podem tomar tadalafila?

A resposta depende da indicação.

A tadalafila utilizada para disfunção erétil e hiperplasia prostática benigna obviamente tem indicações destinadas aos homens, e não há indicação estabelecida para tratar disfunção sexual feminina.

Entretanto, isso não significa que a tadalafila seja simplesmente “contraindicada para mulheres”. O medicamento também é utilizado no tratamento da hipertensão arterial pulmonar, doença que pode afetar homens e mulheres.

Mulheres com hipertensão arterial pulmonar podem, portanto, receber tadalafila quando essa for a estratégia definida pelo especialista. Há inclusive informações específicas sobre gravidez nas formulações destinadas ao tratamento da hipertensão arterial pulmonar.

A tadalafila faz efeito em quanto tempo?

A tadalafila pode começar a facilitar a ereção aproximadamente 30 minutos após a administração.

Entretanto, o início varia entre os indivíduos e o efeito máximo pode demorar mais tempo. A concentração máxima no sangue costuma ser atingida por volta de duas horas após a ingestão.

A janela de eficácia pode se prolongar por até 36 horas.

A tadalafila pode ser tomada depois de comer?

Sim. A tadalafila pode ser tomada com ou sem alimentos, pois a alimentação não produz uma redução clinicamente importante da sua absorção.

A tadalafila causa dependência?

A tadalafila não causa dependência física da mesma maneira que álcool, opioides, benzodiazepínicos ou nicotina, e não existe uma síndrome típica de abstinência após sua interrupção.

Porém, homens que utilizam o medicamento de forma recreativa podem desenvolver dependência psicológica relacionada ao desempenho sexual, passando a acreditar que precisam do comprimido para conseguir uma ereção mesmo quando não apresentam disfunção erétil orgânica.


book Referências bibliográficas
  • Tadalafil: Drug information – UpToDate.
  • Treatment of male sexual dysfunction – UpToDate.
  • Tadalafil dosed once a day in men with erectile dysfunction: a randomized, double-blind, placebo-controlled study in the US – International journal of impotence research.
  • CIALIS® (tadalafila) – Laboratório Eli Lilly – Bula do fabricante.
  • European Association of Urology. Guidelines on Sexual and Reproductive Health – Management of Erectile Dysfunction.American Urological Association. Management of Lower Urinary Tract Symptoms Attributed to Benign Prostatic Hyperplasia.
  • DailyMed/FDA. Tadalafil – Prescribing Information.
  • DailyMed/FDA. Adcirca (tadalafil) – Prescribing Information for Pulmonary Arterial Hypertension.
  • Wilderness Medical Society. Clinical Practice Guidelines for Acute Altitude Illness.
  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Alerta sobre o uso indiscriminado de medicamentos para disfunção erétil.


Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. FLEURI OLIVEIRA

    Bom dia, sofrir um infarto no dia 28/06/2026 estou tomando ENTRESTO 100MG ESPIRONOLACTONA 25MG
    EDISTRIDE 10MG DUOMO 2MG FUMARATO DE BISOPROLOL 5MG CLOPIN DUO 75MG. sera que posso
    tomar TADALAFINA?.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    A tadalafila não é necessariamente proibida após um infarto, mas, no seu caso, não é adequado iniciá-la sem autorização do cardiologista, principalmente porque o infarto foi recente e você utiliza vários medicamentos cardiovasculares. A tadalafila pode reduzir a pressão arterial.

    O ponto mais importante é que ela não pode ser usada junto com nitratos, como nitroglicerina, isossorbida ou medicamentos semelhantes utilizados para angina. Essa associação pode provocar queda perigosa da pressão. Portanto, antes de usar tadalafila, seu cardiologista deve confirmar que sua condição cardíaca está estável e que não há contraindicação.

  2. Jose Carlos

    Precisa de receita médica para compra do tadalafila ?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Sim. No Brasil, a tadalafila é um medicamento de venda sob prescrição médica, tanto na dose de 5 mg quanto na de 20 mg. A Anvisa reforça que seu uso deve ocorrer após avaliação médica, pois há contraindicações e possíveis interações medicamentosas, especialmente com nitratos usados para angina.

    Apesar de algumas farmácias eventualmente dispensarem o medicamento sem solicitar a receita, isso não significa que ele seja um medicamento isento de prescrição.

  3. Ivo Martins

    Posso tomar tadalafil estando tomar solifenacina +tansulosinak nao corta o efeito de tadalafil obrigada

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Ivo, a solifenacina não corta o efeito da tadalafila. A tansulosina também não reduz sua eficácia, mas a associação com tadalafila pode baixar mais a pressão e causar tontura, fraqueza ou até desmaio, especialmente no início do tratamento ou após aumento de dose. Essa combinação é usada em alguns pacientes com sintomas urinários e disfunção erétil, mas deve ser autorizada pelo médico que acompanha você. Não use tadalafila se toma nitratos para o coração e evite iniciar por conta própria se costuma ter pressão baixa.

  4. FRANCISCO

    A tadalafila aumenta A PRESSÃO ARTERIAL?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Não. A tadalafila não costuma aumentar a pressão arterial. Como provoca vasodilatação, ela pode causar uma pequena redução da pressão, que geralmente é discreta. O risco de uma queda mais importante aumenta principalmente quando a tadalafila é associada a nitratos, alguns alfa-bloqueadores, vários medicamentos anti-hipertensivos ou grande quantidade de álcool. A associação com nitratos, como nitroglicerina e isossorbida, é contraindicada.

  5. Rafael Almeida

    Boa tarde doutor.
    Quem toma tadalafila de uso diário 5 mg pode aumentar a dose quando for ter relação sexual?
    Tomar 10 mg (dois comprimidos de 5 mg; ou tomar 20 mg), por exemplo.
    O uso diário de 5 mg é bom pra mim, mas não é o suficiente para ter uma boa ereção quando tenho relação sexual. O de 20 mg funciona bem. Obrigado

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Se a dose de 5 mg diária não está proporcionando uma ereção satisfatória no momento da relação sexual, a ideia de aumentar a dose pode parecer lógica. No entanto, tomar uma dose extra de 10 mg ou até 20 mg, somando ao uso diário de 5 mg, não é recomendado sem orientação médica, devido ao aumento dos riscos de efeitos colaterais. Até que você consiga falar com seu urologista, a dose de 20 mg para uso sob demanda talvez seja uma solução mais eficaz para o seu caso (suspendendo a dose diária de 5 mg).

  6. Jorge Mambuque

    Uma pessoa com insuficiência renal, em tratamento de hemodiálise, com um quadro saudável pode tomar a tadalafila? E qual é a dosagem mais recomendada a de 20 mg por demanda ou 5 mg diária?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Jorge, a tadalafila pode ser utilizada em alguns pacientes em hemodiálise, mas a dose precisa ser bastante reduzida. Para disfunção erétil sob demanda, a recomendação é no máximo 5 mg, não mais de uma vez a cada 72 horas. A dose de 20 mg não é recomendada e o esquema de 5 mg todos os dias também deve ser evitado.

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