Principais informações sobre a ginecomastia
A ginecomastia é o aumento benigno da glândula mamária nos homens. Pode surgir ao nascimento, na adolescência ou na vida adulta, por alterações hormonais, medicamentos, anabolizantes ou doenças associadas. Em muitos casos, melhora espontaneamente.
- Não é o mesmo que acúmulo de gordura no peito, chamado pseudoginecomastia.
- Na adolescência, costuma ser temporária e regride na maioria dos casos em até 2 anos.
- Em adultos, o aparecimento recente deve motivar a revisão de medicamentos, hormônios, uso de anabolizantes e possíveis doenças associadas.
- Nódulo duro e fora da região do mamilo, secreção pelo mamilo, retração da pele ou aumento de gânglios na axila exigem avaliação médica.
- O tratamento depende da causa. Perder peso ajuda quando há excesso de gordura; nos casos persistentes, a cirurgia pode ser a opção mais definitiva.
O que é ginecomastia?
O termo ginecomastia, do grego “mama feminina”, refere-se ao aumento benigno, temporário ou permanente da mama masculina em decorrência do desenvolvimento da glândula mamária.
Tanto a mama feminina quanto a mama masculina são formadas pela glândula mamária e por tecido adiposo (gordura). Entretanto, nos homens não há o estímulo hormonal para o crescimento da glândula mamária que ocorre nas mulheres durante a adolescência. Desta forma, a mama masculina normal é formada de tecido gorduroso e uma incipiente glândula mamária.
Entretanto, em uma considerável parcela da população masculina pode ocorrer o desenvolvimento da glândula mamária. A ginecomastia é frequente e sua prevalência varia conforme a idade, os critérios utilizados e as características da população estudada. Ela é mais comum durante a puberdade e em homens mais velhos.

A ginecomastia pode decorrer do aumento da glândula mamária isoladamente ou associado ao aumento do tecido adiposo, dita ginecomastia mista. O aumento do volume mamário consequente exclusivamente ao acúmulo de tecido adiposo é classificado como pseudoginecomastia (ginecomastia falsa).
Quais são as causas da ginecomastia?
A ginecomastia está relacionada a causas fisiológicas, patológicas (associada a outras doenças), farmacológicas (medicamentos ou drogas ilícitas) ou idiopática (sem causa aparente).
Entretanto, em geral, há um desequilíbrio entre a ação dos estrogênios e dos andrógenos no tecido mamário. Nem sempre, porém, há aumento de estrogênio ou queda da testosterona nos exames de sangue.
As principais causas de ginecomastia são:
- Ginecomastia fisiológica, que pode ocorrer no período neonatal, na puberdade ou em homens mais velhos.
- Alterações do desenvolvimento sexual, como a síndrome de insensibilidade aos andrógenos.
- Hipogonadismo (diminuição da função dos testículos).
- Tumores (testículos e suprarrenal).
- Insuficiência suprarrenal.
- Insuficiência renal crônica.
- Cirrose.
- Alcoolismo.
- AIDS.
- Uso de heroína, metadona ou anfetaminas. A relação causal entre maconha e a ginecomastia permanece incerta.
- Desnutrição.
- Hipertiroidismo.
Medicamentos que podem estar associados à ginecomastia:
- Estrogênios.
- Androgênios, como testosterona.
- Quimioterápicos.
- Antidepressivos tricíclicos.
- Anti-hipertensivos, como captopril, nifedipina, reserpina, metildopa, verapamil.
- Digoxina.
- Cetoconazol.
- Medicamentos para o tratamento da tuberculose.
- Espironolactona.
- Metoclopramida.
- Amiodarona.
- Omeprazol.
- Metronidazol.
- Finasterida ou dutasterida.
- Uso abusivo de álcool.
- Metadona.
- Drogas ilícitas, como heroína.
A relação causal é mais bem estabelecida para alguns medicamentos, como espironolactona, antiandrogênicos, estrogênios, finasterida e dutasterida. Para vários outros, a evidência é limitada. Por isso, a suspeita deve ser avaliada conforme a data de início do medicamento e o aparecimento da ginecomastia. Nenhum remédio deve ser suspenso sem orientação médica.
A ginecomastia fisiológica pode ser neonatal, puberal ou ocorrer com maior frequência em homens mais velhos.
Na ginecomastia neonatal hormônios femininos maternos são transferidos, através da placenta, para o feto. O aumento do volume mamário é transitório, permanecendo por semanas a poucos meses. Desta forma, o tratamento é raramente indicado.
Na ginecomastia puberal, o aumento da glândula mamária costuma surgir no meio da adolescência e pode causar sensibilidade atrás do mamilo. Na grande maioria dos casos, há regressão espontânea em até 2 anos.
Quais são os sintomas da ginecomastia?
Ao exame físico apresenta-se como um aumento do volume da mama devido ao crescimento da glândula mamária, que à palpação é frequentemente de forma discoide, localiza-se atrás da aréola, é móvel e de consistência firme e elástica.
A ginecomastia pode ocorrer nas duas mamas ou em apenas uma. Cerca de 10 a 20% das pessoas relatam dor à palpação.

Pessoas com ginecomastia não apresentam risco aumentado de desenvolvimento de câncer de mama. Porém, um nódulo duro, imóvel ou localizado fora da região do mamilo, retração da pele ou do mamilo, secreção pelo mamilo ou aumento de gânglios na axila exigem avaliação médica. O tratamento pode ser indicado por dor persistente, sofrimento emocional ou desconforto estético importante.
Como é feito o diagnóstico?
Devido à enorme gama de causas, a consulta médica de um paciente com ginecomastia deve ser abrangente, no intuito de direcionar a investigação e de propor o melhor tratamento.
A mamografia ou a ultrassonografia da mama são indicadas quando o exame físico não é típico de ginecomastia ou quando há suspeita de outra lesão mamária. O aumento unilateral, por si só, pode ocorrer na ginecomastia e não significa obrigatoriamente câncer.
Os exames de sangue são escolhidos conforme a história e o exame físico. Podem incluir testosterona, LH, FSH, estradiol, beta-hCG, prolactina, TSH e avaliação das funções renal e hepática. Esses exames ajudam a identificar alterações hormonais, doenças sistêmicas e, em situações específicas, tumores produtores de hormônios.
Tratamento
Nas ginecomastias patológicas e medicamentosas, o simples tratamento da doença de base ou a interrupção do medicamento podem ser suficientes para a regressão do tamanho da mama. Porém, a chance de regressão diminui consideravelmente nos casos em que a ginecomastia possui mais de um ano de evolução, pois é comum já existir fibrose do tecido após esse período.
Adolescentes, em 65% dos casos, apresentam algum grau de ginecomastia, que normalmente regride espontaneamente em um intervalo de 6 meses a 2 anos. Apenas 7,7% dos pacientes apresentam aumento do volume mamário após os 17 anos. Desta forma, a cirurgia só é indicada nesta faixa etária após anos de observação ou quando afeta emocionalmente o paciente.
Em homens mais velhos, a ginecomastia pode estar relacionada à redução da produção de testosterona, ao aumento do tecido adiposo, a doenças crônicas e ao uso de medicamentos. A reposição de testosterona só deve ser indicada quando houver deficiência hormonal comprovada; mesmo nesses casos, ela não garante a regressão da glândula mamária já desenvolvida.
O tratamento medicamentoso da ginecomastia com medicamentos, como o tamoxifeno, é defendido por alguns autores, especialmente em casos selecionados de ginecomastia idiopática, recente e dolorosa, geralmente com menos de 6 meses de evolução. Entretanto, nenhum medicamento possui eficácia de 100%.
Nos casos persistentes, especialmente quando há grande volume mamário, excesso de pele ou fibrose do tecido glandular, a regressão espontânea é menos provável. Se não houver causa reversível e a ginecomastia causar incômodo importante, a cirurgia pode ser indicada.
Cirurgia para ginecomastia
A cirurgia é o tratamento mais definitivo para a ginecomastia persistente que causa desconforto físico, sofrimento emocional ou incômodo estético importante.
A técnica cirúrgica a ser utilizada depende do tamanho, do volume mamário e da presença, ou não, de excesso de pele. Quanto maiores forem o volume da mama e o excesso de pele, maiores serão as cicatrizes deixadas pela cirurgia.
A terapia cirúrgica deve ser considerada em homens cuja ginecomastia não regride espontaneamente, está causando considerável desconforto ou sofrimento psicológico, ou é duradoura (superior a 12 meses) e o estágio de fibrose já foi atingido.
Para os adolescentes, a cirurgia geralmente não é recomendada até que o tamanho testicular do adulto seja atingido, pois pode haver novo crescimento do tecido mamário se a cirurgia for realizada antes da conclusão da puberdade.
Os resultados cirúrgicos geralmente são melhores para aqueles com aumento mamário mínimo ou moderado sem que a pele esteja muito esticada.
- Clinical features, diagnosis, and evaluation of gynecomastia in adults – UpToDate.
- Management of gynecomastia – UpToDate.
- Epidemiology, pathophysiology, and causes of gynecomastia – UpToDate.
- Gynecomastia – Medscape.
- Gynecomastia – American Family Physician.
- Jameson JL, et al., eds. Disorders of the testes and male reproductive system. In: Harrison’s Principles of Internal Medicine. 20th ed. The McGraw-Hill Companies; 2018.
Dúvidas de leitores sobre este tema
Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.
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