HIV: profilaxia pré e pós-exposição (PrEP e PEP)


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Revisado e atualizado em agosto 5, 2026
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Principais informações sobre a profilaxia do HIV (PrEP e PEP)

A PrEP e a PEP utilizam medicamentos antirretrovirais para reduzir o risco de infecção pelo HIV, mas são empregadas em momentos diferentes.

A PrEP é utilizada antes de possíveis exposições. É indicada para pessoas sem HIV que desejam uma proteção adicional ou apresentam situações recorrentes de exposição ao vírus.

A PEP é uma medida de urgência utilizada depois de uma exposição específica, como rompimento do preservativo, relação sexual desprotegida, compartilhamento de agulhas, violência sexual ou acidente com material biológico.

A PEP deve ser iniciada o mais rapidamente possível, no máximo até 72 horas após a exposição, e mantida durante 28 dias.

No SUS, a PrEP oral utiliza a combinação de tenofovir com entricitabina. Ela pode ser tomada diariamente ou, em grupos selecionados, sob demanda no esquema 2 + 1 + 1.

O esquema preferencial da PEP no Brasil combina tenofovir, lamivudina e dolutegravir durante 28 dias.

Antes de iniciar a PrEP ou a PEP, é necessário realizar um teste de HIV. Entretanto, os exames não devem atrasar o início da PEP quando a exposição ocorreu há menos de 72 horas.

A PrEP e a PEP não protegem contra outras infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis, gonorreia, clamídia, HPV ou herpes genital

O que são PrEP e PEP?

A prevenção da infecção pelo HIV não depende de uma única medida. Preservativos, testagem regular, tratamento das pessoas que vivem com HIV, PrEP, PEP, redução de danos e prevenção da transmissão durante a gravidez fazem parte da chamada prevenção combinada.

Entre essas estratégias, PrEP e PEP utilizam medicamentos antirretrovirais para impedir que o HIV consiga estabelecer uma infecção no organismo.

A diferença principal está no momento do uso:

  • PrEP, ou profilaxia pré-exposição: é iniciada antes de possíveis contatos com o HIV.
  • PEP, ou profilaxia pós-exposição: é iniciada depois de uma situação específica de risco.

A PrEP é planejada para pessoas que podem ter exposições recorrentes. A PEP é uma medida de urgência para uma exposição que já aconteceu.

Profilaxia pré-exposição — PrEP

A PrEP consiste no uso de medicamentos antirretrovirais por pessoas que não têm HIV, mas desejam reduzir o risco de adquirir o vírus.

Quando utilizada corretamente, a PrEP reduz em cerca de 99% o risco de aquisição do HIV por via sexual. Sua eficácia depende principalmente do uso adequado do esquema prescrito.

No SUS, a PrEP oral é feita com um comprimido que combina:

  • Tenofovir desoproxila 300 mg.
  • Entricitabina 200 mg.

Atualmente, existem duas modalidades de PrEP oral: diária e sob demanda.

Para quem a PrEP é indicada?

A indicação não deve ser baseada apenas na orientação sexual, na identidade de gênero ou no pertencimento a determinado grupo.

A PrEP pode ser considerada para qualquer pessoa sexualmente ativa, com pelo menos 15 anos e peso igual ou superior a 35 kg, que apresente possibilidade relevante de exposição ao HIV ou simplesmente manifeste o desejo de utilizar o método.

Situações que podem indicar PrEP incluem:

  • Relações sexuais anais ou vaginais sem preservativo ou com uso inconsistente.
  • Parcerias sexuais eventuais ou múltiplas.
  • Diagnóstico recente de outra infecção sexualmente transmissível.
  • Uso repetido da PEP.
  • Parceiro ou parceira vivendo com HIV, mas com carga viral acima de 200 cópias/mL, desconhecida ou não documentada.
  • Relações sexuais em troca de dinheiro, moradia, drogas ou outros recursos.
  • Relações sob efeito de substâncias que dificultem o uso consistente de métodos preventivos.
  • Compartilhamento de agulhas, seringas ou outros equipamentos para injeção de drogas.
  • Desejo de ter maior autonomia e segurança na prevenção do HIV.

Quando o parceiro ou a parceira com HIV utiliza corretamente o tratamento e mantém a carga viral abaixo de 200 cópias/mL, não ocorre transmissão sexual. Nessa situação, a PrEP não é necessária para evitar a transmissão por essa pessoa específica, mas pode ser utilizada caso haja outras exposições ou se a pessoa preferir manter uma proteção adicional.

PrEP diária

A PrEP diária pode ser utilizada por qualquer pessoa com indicação do método.

No esquema recomendado no Brasil, são tomados:

  • Dois comprimidos de Tenofovir desoproxila 300 mg + Entricitabina 200 mg juntos no primeiro dia.
  • A partir do segundo dia, um comprimido por dia.

A modalidade diária é especialmente adequada para quem tem relações sexuais frequentes, imprevisíveis ou não consegue planejar o uso dos comprimidos antes da relação.

Também é a modalidade recomendada para:

  • Mulheres cis.
  • Homens trans e outras pessoas designadas como do sexo feminino ao nascer.
  • Pessoas que utilizam hormônios à base de estradiol.
  • Pessoas com relações vaginais ou neovaginais receptivas.
  • Pessoas com hepatite B crônica.

Para relações vaginais ou neovaginais receptivas e para pessoas que utilizam estradiol, são necessários sete dias de uso diário para alcançar a proteção esperada. Até completar esse período, deve-se utilizar outra estratégia preventiva.

Para homens cis e outras pessoas designadas como do sexo masculino ao nascer que não utilizam estradiol, a dose inicial de dois comprimidos pode oferecer proteção após duas horas.

A diferença ocorre porque a proteção rápida foi mais bem estudada nas exposições anais. Ainda não existem evidências suficientes para recomendar a PrEP sob demanda em relações vaginais ou neovaginais receptivas nem para pessoas que utilizam estradiol.

Ao interromper a PrEP diária, o medicamento deve ser mantido após a última relação por:

  • Sete dias nas exposições vaginais ou neovaginais e para pessoas em uso de estradiol.
  • Dois dias para os demais grupos.

A interrupção programada deve ser discutida com o serviço de saúde, principalmente em pessoas com hepatite B crônica.

Pessoas com hepatite B crônica devem utilizar preferencialmente a PrEP diária. Como o tenofovir e a entricitabina também controlam o vírus da hepatite B, a interrupção abrupta pode provocar reativação da infecção e inflamação do fígado. Por isso, a suspensão deve ser planejada com o serviço de saúde e acompanhada com exames.

PrEP sob demanda

A PrEP sob demanda é tomada apenas em torno do período em que ocorrerão as relações sexuais. Ela utiliza o esquema 2 + 1 + 1, com comprimidos que combinam tenofovir e entricitabina:

  • Dois comprimidos juntos entre 2 e 24 horas antes da relação.
  • Um comprimido 24 horas após a primeira dose.
  • Um comprimido 24 horas depois da segunda dose.

Essa modalidade pode ser uma opção para:

  • Homens cis.
  • Pessoas não binárias designadas como do sexo masculino ao nascer.
  • Travestis e mulheres trans que não utilizam estradiol.

Além disso, a pessoa deve ter relações sexuais habitualmente menos de duas vezes por semana e conseguir prever a relação com pelo menos duas horas de antecedência.

A PrEP sob demanda não é recomendada para relações vaginais ou neovaginais receptivas, pessoas designadas como do sexo feminino ao nascer ou pessoas que utilizam estradiol. Nesses casos, utiliza-se a PrEP diária.

Se as relações continuarem nos dias seguintes, a pessoa deve manter um comprimido por dia e só interromper a PrEP dois dias após a última relação.

Quais exames são necessários para iniciar a PrEP?

Antes de iniciar a PrEP, é essencial confirmar que a pessoa não tem HIV. Utilizar apenas dois antirretrovirais em alguém que já esteja infectado pode favorecer o aparecimento de resistência.

A avaliação inicial pode incluir:

  • Teste de HIV.
  • Investigação de sinais e sintomas de infecção aguda pelo HIV.
  • Testes para sífilis, hepatite B e hepatite C.
  • Investigação de gonorreia e clamídia, conforme as práticas sexuais e a disponibilidade dos exames.
  • Avaliação da função renal.
  • Teste de gravidez, quando indicado.
  • Verificação da situação vacinal para hepatite A, hepatite B e HPV.

Pessoas que tiveram uma possível exposição nas últimas 72 horas podem precisar iniciar PEP antes de passar para a PrEP.

Durante o acompanhamento, o teste de HIV e a avaliação para outras ISTs são repetidos regularmente, em geral a cada três ou quatro meses. A função renal costuma ser reavaliada a cada seis ou doze meses, conforme a idade, o resultado inicial e a presença de hipertensão, diabetes ou outros fatores de risco.

Quem não pode usar PrEP oral?

A PrEP oral com tenofovir e entricitabina não deve ser iniciada quando:

  • O teste de HIV é positivo.
  • Existe suspeita de infecção aguda pelo HIV que ainda não foi adequadamente investigada.
  • A taxa de filtração glomerular (função renal) está abaixo de 60 mL/minuto.

A presença de doença renal não deve ser avaliada apenas pela creatinina isolada. É necessário estimar a função renal e considerar idade, massa muscular, medicamentos, comorbidades e outros fatores que possam alterar o resultado.

A hepatite B crônica não contraindica a PrEP. Pelo contrário, tenofovir e entricitabina também atuam contra o vírus da hepatite B. Porém, a interrupção pode permitir a reativação da hepatite, razão pela qual essas pessoas devem usar preferencialmente a modalidade diária e não suspender o medicamento por conta própria.

A PrEP provoca efeitos colaterais?

A maioria das pessoas tolera bem a PrEP.

Quando ocorrem, os efeitos adversos mais comuns são:

  • Náusea.
  • Dor de cabeça.
  • Flatulência.
  • Desconforto abdominal.
  • Alterações leves na consistência das fezes.

Essas manifestações costumam ser leves e melhorar nas primeiras semanas.

O tenofovir pode provocar pequena redução da função renal e da densidade mineral óssea em algumas pessoas. Em geral, essas alterações são discretas e reversíveis após a suspensão. Complicações renais importantes são raras quando a seleção e o acompanhamento são adequados.

A PrEP pode ser utilizada durante a tentativa de engravidar, a gestação e a amamentação quando existe possibilidade relevante de exposição ao HIV. Ela também não reduz a eficácia dos anticoncepcionais nem dos tratamentos hormonais.

Existe PrEP injetável?

Existem medicamentos injetáveis de longa duração desenvolvidos para PrEP.

Em 2026, a Anvisa aprovou o lenacapavir para prevenção da aquisição sexual do HIV-1. O medicamento é administrado por injeção subcutânea a cada seis meses, após doses iniciais específicas.

Apesar da aprovação regulatória, as opções injetáveis de PrEP ainda não foram incorporadas ao SUS. Na rede pública brasileira, a modalidade atualmente disponível continua sendo a PrEP oral com tenofovir e entricitabina.

Profilaxia pós-exposição — PEP

A PEP é uma medida de urgência utilizada após uma possível exposição ao HIV.

Ela combina três medicamentos antirretrovirais durante 28 dias, com o objetivo de bloquear a multiplicação inicial do vírus e reduzir a probabilidade de que a infecção se estabeleça.

A PEP não garante proteção absoluta. Sua eficácia depende do tipo de exposição, do tempo até o início, do uso correto dos medicamentos e de características da pessoa-fonte e do vírus.

Em quais situações a PEP pode ser indicada?

A PEP pode ser indicada após:

  • Relação sexual anal ou vaginal sem preservativo.
  • Rompimento ou saída do preservativo.
  • Violência sexual.
  • Compartilhamento de agulhas, seringas ou outros equipamentos para injetar drogas.
  • Acidente com agulha ou instrumento perfurocortante.
  • Contato de sangue, sêmen ou secreção vaginal com olhos, boca ou outra mucosa.
  • Contato desses fluidos com pele ferida, dermatite ou lesão aberta.
  • Mordedura com presença de sangue.

O risco depende do fluido envolvido, do local de contato, do tipo de exposição e da situação da pessoa-fonte.

Saliva, suor, lágrimas, urina, fezes, vômitos e secreções nasais não transmitem HIV quando não estão visivelmente contaminados com sangue. O contato desses fluidos com pele íntegra não indica PEP.

O sexo oral apresenta risco muito menor que o sexo anal ou vaginal. A indicação de PEP é avaliada individualmente, considerando ejaculação na boca, presença de sangue, úlceras, feridas e outras circunstâncias.

Quando a pessoa-fonte vive com HIV, utiliza regularmente o tratamento e mantém carga viral abaixo de 200 cópias/mL, não ocorre transmissão sexual. Nessa situação, a PEP geralmente não é necessária para uma exposição sexual.

Até quando a PEP pode ser iniciada?

A PEP deve ser iniciada o mais rapidamente possível, preferencialmente nas primeiras horas após a exposição.

O limite para o início é de 72 horas. Após esse período, não há evidências de benefício suficiente para recomendar a profilaxia.

A avaliação e a primeira dose não devem ser adiadas enquanto se aguarda o resultado de todos os exames, a localização da pessoa-fonte ou a consulta com um infectologista.

Quando a pessoa procura atendimento depois de 72 horas, ainda deve realizar testes para HIV e outras ISTs, receber as vacinas e tratamentos indicados e avaliar se a PrEP poderá ser útil para exposições futuras.

Qual é o esquema atual da PEP?

O esquema preferencial para adultos e adolescentes com peso adequado no Brasil é:

  • Tenofovir 300 mg associado à lamivudina 300 mg, uma vez por dia.
  • Dolutegravir 50 mg, uma vez por dia.

O tratamento é mantido durante 28 dias.

Existem alternativas para pessoas com insuficiência renal, contraindicação ao dolutegravir, interações medicamentosas ou outras condições específicas. Contudo, essas situações devem ser avaliadas pelo serviço de saúde.

O mesmo esquema preferencial pode ser utilizado por gestantes, inclusive durante o primeiro trimestre, e por pessoas que estejam tentando engravidar.

Quais exames são realizados durante a PEP?

No atendimento inicial, realiza-se um teste de HIV para verificar se a pessoa já apresentava a infecção antes da exposição.

Também podem ser solicitados:

  • Testes para sífilis, hepatite B e hepatite C.
  • Exames para gonorreia e clamídia.
  • Avaliação da função renal e hepática, conforme o caso.
  • Teste de gravidez.
  • Verificação da necessidade de vacinação contra hepatite B.
  • Avaliação de contracepção de emergência após exposição sexual.

O teste inicial negativo não exclui a exposição recente que motivou a PEP. Por isso, a testagem para HIV precisa ser repetida, em geral por volta de 30 dias e na 12ª semana após o início da profilaxia.

Os antirretrovirais podem retardar a detecção laboratorial do HIV. Por esse motivo, é importante cumprir o cronograma indicado pelo serviço de saúde e informar sempre o uso recente de PrEP ou PEP ao profissional que solicita o exame.

Quais são os efeitos colaterais da PEP?

Os esquemas atuais costumam ser bem tolerados. Os efeitos mais frequentes incluem:

  • Náusea.
  • Diarreia.
  • Desconforto abdominal.
  • Dor de cabeça.
  • Cansaço.
  • Insônia.

Na maioria dos casos, os sintomas são leves e não exigem interrupção.

A pessoa não deve abandonar a PEP por conta própria. Quando os efeitos são intensos, o esquema pode ser ajustado ou os sintomas tratados sem perder a proteção.

O que fazer depois de terminar a PEP?

A PEP é prescrita para reduzir o risco relacionado à exposição que motivou o atendimento e não deve ser considerada uma proteção contínua contra novas exposições.

Durante os 28 dias de tratamento, recomenda-se continuar utilizando preservativos e não compartilhar agulhas, seringas ou outros materiais de injeção. Se ocorrer uma nova exposição, o serviço de saúde deve ser procurado para reavaliar a conduta.

Quem apresenta exposições recorrentes pode iniciar a PrEP imediatamente após completar os 28 dias de PEP, desde que a infecção pelo HIV seja excluída.

Qual é a diferença entre PrEP e PEP?

CaracterísticaPrEPPEP
Momento do usoAntes da exposiçãoDepois da exposição
ObjetivoProteção contínua ou planejadaUrgência após uma situação específica
Medicamentos no SUSTenofovir + entricitabinaTenofovir + lamivudina + dolutegravir
DuraçãoEnquanto houver indicação28 dias
Prazo para começarAntes das exposiçõesNo máximo até 72 horas
ModalidadesDiária ou sob demandaUso diário durante 28 dias
AcompanhamentoRegular enquanto estiver em usoDurante e depois do esquema

Tratamento do HIV como forma de prevenção

Pessoas que vivem com HIV devem iniciar o tratamento antirretroviral o mais rapidamente possível.

Quando o tratamento mantém a carga viral abaixo de 200 cópias/mL, não ocorre transmissão sexual do HIV. Esse conceito é conhecido como indetectável igual a intransmissível, ou I = I.

Isso significa que uma pessoa com carga viral suprimida pode manter relações sexuais sem transmitir o HIV, mesmo sem preservativo.

O conceito I = I não protege contra sífilis, gonorreia, clamídia, HPV, herpes ou outras ISTs. Também não deve ser automaticamente extrapolado para compartilhamento de agulhas ou amamentação.

Outras formas de prevenção do HIV

Preservativos e lubrificantes

Os preservativos externos e internos reduzem significativamente o risco de HIV e também ajudam a prevenir outras ISTs e gravidez.

Sua eficácia depende do uso correto durante toda a relação. Rompimento, colocação tardia, retirada precoce e uso de lubrificantes à base de óleo em preservativos de látex aumentam a possibilidade de falha.

Lubrificantes à base de água ou silicone reduzem o atrito, as fissuras e o risco de rompimento do preservativo.

Leitura recomendada: Camisinha masculina: como usar e taxa de eficácia.

Não compartilhar materiais de injeção

Agulhas, seringas, recipientes e outros equipamentos utilizados para injetar drogas não devem ser compartilhados.

Programas de redução de danos, distribuição de material esterilizado e tratamento para dependência reduzem a transmissão do HIV e das hepatites virais.

Prevenção durante a gravidez

O tratamento antirretroviral durante a gestação reduz intensamente o risco de transmissão para o bebê, se a mãe tiver sorologia positiva.

Também podem ser necessárias medidas durante o parto, uso preventivo de antirretrovirais pelo recém-nascido e substituição da amamentação, conforme o protocolo adotado no país.

Circuncisão

A circuncisão masculina reduz parcialmente o risco de aquisição do HIV por homens cis em relações vaginais com mulheres.

Ela não elimina o risco, não oferece proteção equivalente à PrEP ou ao preservativo e não demonstrou o mesmo benefício para todas as formas de exposição sexual.

Vacina contra o HIV

Ainda não existe uma vacina contra o HIV aprovada para uso na população.

Diversas estratégias continuam em estudo, mas nenhuma demonstrou até o momento eficácia e segurança suficientes para utilização rotineira.


book Referências bibliográficas
  • HIV pre-exposure prophylaxis – UpToDate.
  • Management of nonoccupational exposures to HIV and hepatitis B and C in adults – UpToDate.
  • Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pré-Exposição Oral à Infecção pelo HIV.
  • Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pós-Exposição de Risco à Infecção pelo HIV, ISTs e Hepatites Virais.
  • Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 235/2025 — orientações sobre PrEP oral para mulheres sexualmente ativas, gestantes e puérperas.
  • Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 8/2026 — orientações sobre PrEP, PEP e doação de sangue.
  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
  • Sunlenca — nova indicação para profilaxia pré-exposição.
  • Centers for Disease Control and Prevention. Clinical Guidance for PrEP.
  • Centers for Disease Control and Prevention. Clinical Guidance for PEP.


Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Bob Esponja

    Esqueci algumas doses da PrEP e tive relação sem preservativo. Preciso tomar PEP?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Depende de quantas doses você tomou nos sete dias anteriores e do tipo de exposição. Se a relação ocorreu há menos de 72 horas, procure um serviço de saúde para avaliar a PEP. Não tente compensar tomando vários comprimidos. Quando o uso da PrEP é muito irregular, a proteção pode não ser suficiente.

  2. João Santos

    Tive outra relação de risco enquanto ainda estava tomando a PEP. Preciso reiniciar os 28 dias?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Não reinicie nem prolongue a PEP por conta própria. Continue tomando os medicamentos e procure o serviço de saúde o quanto antes, pois a conduta depende do momento e do tipo da nova exposição. A PEP não deve ser considerada proteção contínua. Se as exposições forem recorrentes, pode ser indicada a transição direta para PrEP ao final do tratamento.

  3. Sandra

    A pessoa com quem tive relação testou negativo para HIV depois que comecei a PEP. Posso interromper?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Em geral, a PEP não é necessária quando a pessoa-fonte tem um teste de HIV negativo confiável. Porém, se ela teve uma exposição recente, o resultado ainda pode estar na janela imunológica. Não interrompa os medicamentos sozinho: leve o resultado ao serviço que prescreveu a PEP para confirmar se o tratamento pode ser suspenso.

  4. Paollo

    Gostaria de saber se a pep e prep pode futuramente causa danos as partes ósseas e quais?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    A PEP, utilizada durante apenas 28 dias, dificilmente provoca alteração óssea relevante. O uso prolongado da PrEP com tenofovir pode causar uma pequena redução da densidade mineral óssea, geralmente reversível após a suspensão e sem aumento importante de fraturas. Pessoas com osteoporose ou fraturas prévias devem discutir o risco individual com o médico.

  5. Jo

    Atualmente, a PEP é capaz de evitar infecção quando tomada exatamente a 33 horas do contato de risco e de forma correta, sem falhas na toma? Com a PEP pode ocorrer sintomas agudos do HIV? E se houver sintomas agudos, é possível detectar a infecção nos testes rápidos ofertados nos CTAs?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    A PEP iniciada após 33 horas está dentro do limite recomendado e reduz o risco, mas não garante proteção absoluta. Sintomas durante o tratamento não comprovam falha, pois podem ser efeitos dos medicamentos ou outras infecções. Testes rápidos podem não detectar uma infecção muito recente; se houver suspeita de HIV agudo, podem ser necessários teste de quarta geração e pesquisa do RNA do HIV.

  6. Maria

    Dr eu sou mulher cis e faço prep diária a 3 meses mas me preocupa o sexo oral, Prep tbm me protege no sexo oral?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Sim. A PrEP diária, quando tomada corretamente, protege contra a aquisição do HIV nas exposições sexuais. No sexo oral, o risco de transmissão do HIV já é extremamente baixo, mesmo sem PrEP. Porém, a PrEP não protege contra outras ISTs, como gonorreia, sífilis e herpes.

  7. Marcelo Z.

    Fiz sexo com garota de programa e percebi que a camisinha havia rompido. Interrompi a relação sexual. Não sei quanto tempo fiquei tendo relação com a camisinha estourada. Talvez 1 ou 2 minutos. Após 18 horas comecei a tomar os comprimidos da PEP.
    Estou em pânico achando que já estou contaminado . Não consigo dormir, comer, trabalhar…. até suicídio aparece na minha mente. Uma angústia inexplicável.
    Será que o risco é muito alto de contaminação? E caso eu tenha me contaminado, essa PEP pode me salvar?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    O rompimento do preservativo pode justificar a PEP, e você a iniciou precocemente, após 18 horas. Isso reduz bastante o risco, mas é necessário completar os 28 dias e realizar os testes indicados. A menção a suicídio exige atenção imediata: não fique sozinho, conte a alguém de confiança e procure hoje um serviço de urgência ou de saúde mental.

  8. António Campos Campos

    Se fizer sexo sem camisa, com uma pessoa, que faz PREP, é conveniente fazer PEP ?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    É importante entender que a PrEP protege quem toma o medicamento, não diretamente o parceiro. Se a pessoa é HIV-negativa, faz acompanhamento e usa a PrEP corretamente, é pouco provável que tenha HIV. A indicação de PEP depende do tipo de relação e da situação sorológica. Em caso de dúvida e exposição há menos de 72 horas, procure atendimento.

  9. CLAUDIAMIRA RODRIGUES

    eu não visualizei nesse texto a combinação TDF/3TC + DTG

    TENOFOVIR/LAMIVUDINA300+300MG E DOLUTEGRAVIR 50 MG

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Você tem razão. Tenofovir com lamivudina, associados ao dolutegravir, formam o esquema preferencial de PEP atualmente utilizado no Brasil. Os medicamentos são tomados uma vez por dia durante 28 dias. O texto foi atualizado para incluir essa combinação.

  10. Henrique

    Fiz sexo com uma garota de programa e ao terminar a relação, que foi rápida, percebi que a camisinha possuía 2 furos muito pequenos, só perceptíveis quando enchi de água e pressionei. Comecei a PEP exatamente 36 horas após, pois não tive como começar antes. Quais os riscos de contrair um HIV? Considere que sou circuncidado.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Não é possível saber se houve vazamento apenas pelo teste feito depois com água. A circuncisão reduz parcialmente o risco em algumas exposições, mas não o elimina. Você iniciou a PEP após 36 horas, ainda dentro do limite de 72 horas. Complete os 28 dias e faça os testes no período indicado pelo serviço de saúde.

  11. Laura

    Usei pep e tive vários sintomas de HIV durante o uso da mesma porém me testei com 90 dias teste de 4g após exposição e deu negativo? Eu devo continuar me testando devido os sintomas ou procurar outras causas ?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Os sintomas durante a PEP não indicam que ela tenha falhado. Eles podem ser efeitos dos medicamentos ou ter outras causas. Um teste de quarta geração negativo aos 90 dias é muito tranquilizador. Se esse foi o exame final do cronograma recomendado e não houve nova exposição, procure investigar outras causas para os sintomas, em vez de continuar repetindo testes de HIV.

  12. Henrique Charles Jesus dos Santos

    Boa tarde , dr qual a eficácia da Pep sexual com início de 16 horas após relacionamento de risco desde já agradeço

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Não existe um percentual exato de eficácia aplicável a cada caso. Porém, iniciar a PEP após 16 horas é um fator favorável, pois ela funciona melhor quando começada precocemente e dentro do limite de 72 horas. A proteção também depende de completar corretamente os 28 dias e evitar novas exposições durante esse período.

  13. Lucas

    Olá,
    Fui exposto a uma transmissão intencional, contato direto de fluidos e feridas.
    Iniciei a PEP (tecnofóbico+lamivudina+Dolutegravir) 5 horas após a exposição e pretendo completar rigorosamente.
    Li que algumas vezes a PEP pode falhar pela contaminação por variáveis do vírus resistentes ao esquema da PEP. Qual a probabilidade de isto acontecer? Devo me prepcupar?
    Obrigado

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    A resistência do HIV aos medicamentos é uma possível causa de falha da PEP, mas não é comum e não permite calcular um risco individual. Iniciá-la após cinco horas e tomar todas as doses corretamente são fatores favoráveis. Se a pessoa-fonte for conhecida e tiver histórico de resistência, essa informação deve ser comunicada ao serviço de saúde para avaliar o esquema.

  14. Paula Menezes

    Realizei dois exames anti HIV Elisa ( não sei a geração ) , após 8 meses de exposição .
    E um teste rápido em uma unidade de saúde com 11 meses de exposição.
    Todos negativos.
    Posso ficar em paz com esses resultados?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Sim. Exames de HIV negativos realizados oito e onze meses após a exposição excluem a infecção relacionada àquele episódio. Não é necessário continuar repetindo os testes, desde que não tenha ocorrido uma nova exposição posteriormente.

  15. Ana

    Tomei a PEP por 30 dias. Fiz teste rápido no cta dando não reagente e com 56 dias após exposição fiz de quarta geração dando não reagente. Quais as chances de mudar testando com 90 dias após a exposição? Preciso me testar até 90 dias após a exposição ou do fim da pep?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    O teste de quarta geração negativo após 56 dias é bastante tranquilizador, mas convém completar o exame final indicado pelo serviço. Em geral, os 90 dias são contados a partir da exposição, e não do término da PEP. Tomar o esquema por 30 dias em vez de 28 não altera de forma relevante esse cronograma.

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