Doenças sexualmente transmissíveis (DST) comuns

Atualizado em
Comentários: 40

Introdução

As doenças sexualmente transmissíveis (DST), também chamadas de doenças venéreas, são um importante problema de saúde pública em todos os países. Existem diversos tipos diferentes de DST, algumas mais graves, outras mais brandas.

Algumas doenças sexualmente transmissíveis podem levar à morte, seja por comprometimento do sistema imunológico, como no caso do HIV, ou por aumentar o risco de tumores malignos, como são os casos da hepatite B e do HPV. Outras complicações comuns das doenças sexualmente transmissíveis são a infertilidade, a lesão da uretra e a doença inflamatória pélvica.

Neste artigo faremos uma rápida revisão sobre os tipos mais comuns de doenças sexualmente transmissíveis. Vamos abordar as suas formas de transmissão e os sintomas mais comuns. Se você quiser mais informação sobre doenças específicas, utilize os links que serão fornecidos ao longo deste artigo.

Quais são as DST mais comuns?

Existem várias doenças sexualmente transmissíveis, causadas por diferentes tipos de germes, incluindo bactérias, vírus, parasitas e protozoários. Entre as DST mais comuns, podemos citar:

Das DST citadas acima, as que apresentam maior incidência, em ordem decrescente, são HPV, clamídia, tricomoníase e gonorreia.

Candidíase, hepatite A e vaginose bacteriana (infecção pela bactéria Gardnerella) não são consideradas doenças sexualmente transmissíveis, apesar de eventualmente poderem ser transmitidas por esta via. Do mesmo modo, algumas infecções intestinais, como amebíase, giardíase, shigeloses e outras, podem ser transmitidas pela via sexual se houver contato com fezes contaminadas, como nos casos de penetração anal ou anilingus (sexo oral no ânus).

Para ser considerada uma DST a doença precisa ter a via sexual como modo de transmissão principal.

Formas de transmissão

Parece um bocado óbvio perguntar como se pega uma doença sexualmente transmissível, porém, a maioria das DST podem ser transmitidas por outras vias que não a sexual.

Por exemplo, HIV e Hepatites B e C podem ser transmitidas por agulhas contaminadas, transfusão de sangue ou de mãe para filho durante a gravidez. A sífilis pode ser transmitida através do beijo, caso existam lesões na boca. Já a pediculose pubiana (chato) pode ser transmitida através de toalhas ou roupas íntimas.

Portanto, DST é uma doença que é preferencialmente, mas não necessariamente, transmitida pela via sexual.

Das três vias sexuais (anal, vaginal e oral), a via anal é aquela que apresenta maior risco de transmissão e contaminação. Só para se ter uma ideia, um homem passivo em uma relação anal com parceiro contaminado apresenta 30 vezes mais chances de se contaminar com HIV do que um homem ativo em uma relação vaginal com uma parceira contaminada.

Algumas DST são mais contagiosas que outras. O risco de contaminação com uma única relação sexual vaginal é muito maior para doenças como hepatite B, gonorreia e clamídia do que para HIV, sífilis e HPV, por exemplo.

O sexo oral é a forma com menor taxa de transmissão, porém ela não é isenta de riscos. A pessoa que recebe o sexo oral costuma ter menos riscos, pois seu órgão genital só tem contato com a saliva. O parceiro(a) que fornece o sexo oral sofre mais riscos, pois tem contato com secreções vaginais ou penianas contaminadas.

Em geral, mulheres ou homens homossexuais têm maiores riscos de contaminação que homens heterossexuais. O risco mais baixo ocorre em mulheres homossexuais, contanto que não se compartilhe dildos ou qualquer outro objeto para penetração.

Já ter uma DST aumenta o risco de ter outras. Indivíduos com herpes genital ou gonorreia, por exemplo, se tiverem relações sexuais com pessoas portadoras do HIV aumentam muito seu risco de contaminação. A inflamação e as lesões genitais causadas por uma DST favorecem o contágio por outras DST.

Fatores de risco

O principal fator de risco para se contrair uma doença sexualmente transmissível é ter vida sexual ativa. A melhor maneira de se prevenir contra as DST é não praticar sexo. Porém, isso é uma opção viável para apenas uma minoria das pessoas. Naqueles que não pretendem praticar o celibato, usar preservativos e não ter uma vida promíscua é a melhor conduta.

Quando se estuda a população que tem ou já teve alguma doença venérea, algumas dados são encontrados com certa frequência, podendo ser caracterizados como fatores de risco para contaminação. Através destes estudos é possível afirmar que as doenças sexualmente transmissíveis são mais comuns nas pessoas que apresentam as seguintes características:

  • Idade entre 15 e 24 anos.
  • Solteiro.
  • Múltiplos parceiros sexuais.
  • Início precoce da vida sexual.
  • Prática de sexo sem preservativos.
  • Consumo frequente de álcool.
  • Usuários de drogas.
  • Relações sexuais com prostitutas.

Além dos fatores acima, indivíduos que já tiveram uma DST têm maior risco de terem outras.

Sintomas

O grupo das doenças sexualmente transmissíveis é bastante heterogêneo, por isso os sintomas são muito variados. De modo didático, podemos dividir o quadro clínico das DST em 3 grandes grupos.

Corrimento uretral (uretrite)

A inflamação da uretra, canal que drena a urina, é a principal característica de várias DST. Os sintomas mais comuns da uretrite são a ardência para urinar, chamada de disúria e o corrimento vaginal ou peniano. Nas mulheres, além do corrimento é possível haver dor e sangramento vaginal.

Gonorreia, clamídia, tricomoníase e outras causas menos comuns, como infecções por Mycoplasma genitalium e Ureaplasma urealyticum são as principais DST que cursam com uretrite, como principal característica.

Úlceras genitais

Outra manifestação comum de doenças sexualmente transmissíveis é aparecimento de úlceras nos órgãos genitais. As DST com essa característica são a sífilis, donovanose (granuloma inguinal), linfogranuloma venéreo, herpes genital e o cancro mole.

Cada DST costuma formar úlceras com características próprias. Por exemplo: a sífilis cursa com úlcera indolor e limpa; o cancro mole com úlcera dolorosa e purulenta; o herpes costuma ter múltiplas pequenas úlceras muito dolorosas, etc.

Nas mulheres, as úlceras podem surgir dentro da vagina, não sendo facilmente visíveis. Na sífilis, que cursa com úlcera indolor, a lesão pode até passar despercebida.

Sintomas gerais

As doenças sexualmente transmissíveis também podem se apresentar com sintomas sistêmicos, por acometimento de órgãos internos.

A DIP (doença inflamatória pélvica) é uma infecção grave dos órgãos reprodutores feminino, como útero, trompas e ovários. Pode ser surgir como complicação da gonorreia ou da clamídia.

A inflamação do fígado é o quadro típico das hepatites B e C, mas podem também ocorrer na gonorreia disseminada e na sífilis secundária.

O HIV pode causar febre, faringite e o aparecimento de gânglios pelo corpo.

Em geral, cada DST tem seus sintomas específicos. É preciso ler individualmente sobre cada doença para conhecer seus sintomas.

Prevenção

Como já foi dito, a melhor maneira de se prevenir contra uma DST é não ter relações sexuais. Todavia, esta orientação é impraticável para a imensa maioria da população. Portanto, é preciso pensar em outros modos de prevenção para as doenças venéreas.

As vacinas são métodos com elevada eficiência na prevenção de doenças. O problema é que atualmente só existem vacinas para duas DST: HPV e hepatite B.

Portanto, o método preventivo mais eficaz contra doenças sexualmente transmissíveis ainda é a camisinha. A camisinha não é um método 100% eficaz, mas apresenta uma taxa de sucesso bastante elevada.

Estudos mostram que os preservativos feitos à base de látex e poliuretano são impenetráveis ​​às partículas virais de HIV. O material é altamente seguro. As falhas surgem geralmente pelo mal uso do preservativo, permitindo que o mesmo saia do pênis ou que se rompa durante a relação sexual. Em geral, o uso da camisinha reduz em até 90% o risco de transmissão do HIV.

A camisinha também é muito efetiva na prevenção das outras DST, principalmente da gonorreia em homens. Por motivos ainda não bem entendidos, a DST que apresenta a menor taxa de prevenção com a camisinha é a tricomoníase. Mesmo assim, o uso regular do preservativo reduz em mais de 30% a chance de contaminação. O preservativo pode não ser um método perfeito, mas ele ainda é muito melhor do que ter relações desprotegidas.

A camisinha é ineficaz contra a pediculose pubiana, conhecida popularmente como chato. Esta doença é causada por um tipo de piolho que se aloja nos pelos pubianos, área não coberta pela camisinha. Portanto, durante o ato sexual, o contato íntimo entre as áreas de pelos púbicos não é evitado pelo uso do preservativo, tornando este método ineficaz contra a transmissão do Phthirus pubis, agente causador da pediculose pubiana.

Nos homens, a circuncisão é um modo eficaz para reduzir o risco de contaminação por DST. Estudos mostram que homens circuncidados apresentam até 50% menos chances de se contaminarem com o HIV através de relações com mulheres quando comparados com homens que não se submeteram a circuncisão. Este benefício só está comprovado em relações heterossexuais.

A circuncisão protege apenas o homem. A taxa de transmissão do HIV para as mulheres é a mesma, independente do homem ser ou não circuncidado.

A circuncisão também parece diminuir a taxa de contaminação do homem contra sífilis, herpes e HPV, mas não contra gonorreia, tricômonas e clamídia.

Tratamento

O tratamento das DST depende, obviamente, da sua causa. Algumas DST têm cura, outras não.

Infecções como sífilis, gonorreia, clamídia, linfogranuloma e tricômonas podem ser curadas com uso de antibióticos apropriados.

As infecções por hepatite B e C têm tratamento, mas a taxa de cura não é alta. Muitos pacientes vivem cronicamente com estas infecções.

O HIV tem tratamento, mas ainda não tem cura. O mesmo ocorre com a herpes genital.

O HPV não tem tratamento, mas em muitos casos o corpo consegue se livrar do vírus espontaneamente. O problema é o risco aumentado de câncer de colo do útero que as mulheres contaminadas apresentam.

Para saber mais detalhes sobre doenças sexualmente transmissíveis, acesse os links fornecidos neste texto para  ler sobre cada uma das DST descritas aqui.


Referências


Autor(es)

Médico graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com títulos de especialista em Medicina Interna e Nefrologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Universidade do Porto e pelo Colégio de Especialidade de Nefrologia de Portugal.

Temas relacionados
hiv Principais sintomas do HIV e da AIDS
Tricomoníase Tricomoníase — Infecção pelo Trichomonas vaginalis
Azitromicina Azitromicina [Bula simplificada]
Dispareunia Dor durante o sexo – dispareunia e vaginismo
HPV Existe Cura ou Tratamento Para o Vírus HPV?
HPV HPV: o que é, sintomas, transmissão e tratamento
Vacina HPV Vacina contra HPV: eficácia e segurança
Sífilis Fotos: sífilis precoce e tardia [Atenção: imagens fortes]
Gonorreia Gonorreia: o que é, sintomas, transmissão e tratamento
Sifilis Sífilis: o que é, estágios, sintomas, VDRL e tratamento
Benzetacil Benzetacil (penicilina benzatina) – Bula simplificada
Herpes genital Herpes genital: contágio, sintomas e tratamento
Teste HIV Exame HIV: janela imunológica, teste rápido, ELISA
Profilaxia pré-exposição HIV: profilaxia pré e pós-exposição (PrEP e PEP)
Bactéria cancroide Cancro mole: o que é, transmissão, sintomas e tratamento
Disúria em homens 6 causas de dor para urinar em homens (disúria)
- Publicidade -
COMENTÁRIOS
Por favor, leia as regras do site antes de enviar a sua pergunta.

Deixe um comentário

40 comentários em “Doenças sexualmente transmissíveis (DST) comuns”

  1. Olá Dr…Hoje pela manhã fui ao banheiro e senti uma leve dor ao urinar e saiu um corrimento do canal do pênis parecido com um pus…pesquisei na internet e diz que pode ser gonorreia,mas não mudo de parceira há 5 anos.

    Responder
  2. De Pedro, para a realização de exames laboratoriais de dst (somente) análises de sangue e urina é obrigatória a abstinência de ingerir bebidas alcoólicas? Influência os resultados?
    Obrigado

    Responder
  3. Dr. Pedro, para que haja a contaminação com uma dst é necessário a penetração ou o simples contato do pênis com a vagina sem camisinha já é o suficiente?

    Responder
  4. Tratamento para dst pode atrasar a menstruação ?
    O médico me falou que era o motivo da infertilidade e logo após o tratamento atrasou em 20 dias a menstruação isso é comum ?

    Responder
    • Qualquer infecção pode causar atraso menstrual. Agora que você está curada, a tendência é a menstruação venha no próximo mês.

      Responder
  5. Doutor boa tarde! estou com uma duvida, fiz um exame admicional e o vdrl acusou a siflis fiz as medicações tomeis 6 injeçoes de benzetacil de 2 em 2 com intervalos de uma semana cada dose no posto de saude me informaram q isso era suficiente. retornando a empresa eles exigem que eu leve um exame de FTA ABS IGG IGM para comprovar se estou curada, mas pelo li em suas explicaçoes esse exame só altera em meses. O que eu faço pra poder confirmar se estou curada, pois a medica do trabalho da empresa afirma q esse exame não precisa de espera se eu estiver curada o exame vai dizer. Gostaria de uma orientação.

    Responder
    • O critério de cura é geralmente feito com o VDRL. O FTA-ABS pode permanecer positivo por meses, no caso do IgM, ou por vários anos, no caso do IgG.

      Responder
  6. Quais o riscos de fato para quem pratica sexo oral sem preservativo? Pergunto porque sempre uso preservativo em todas as relações que tenho, entretanto, na ultima vez que aconteceu, meu aparelho ortodôntico acabou furando a camisinha do meu parceiro e só percebi quando ele ejaculou. Embora eu não tenha deglutido o “conteúdo” e ter pesquisado sobre o assunto e constatando o baixo risco, ainda estou muito tenso por causa disso. [hipocondríaco].

    Responder
    • Se houve contato da mucosa da boca com o sêmen, há risco de transmissão de doenças, como sífilis, herpes, HPV, gonorreia, HIV, etc.

      Responder
  7. Prezado Dr. Pedro. Bom dia. É possível um homossexual passivo ser contaminado numa relação anal COM PRESERVATIVO, caso o parceiro ativo (possivelmente contaminado) use sua própria saliva como lubrificante?

    Responder
  8. Dr. Pedro. Bom dia. Eu gostaria de saber se numa relação homossexual COM PRESERVATIVO, o participante passivo pode contrair AIDS de um ativo contaminado se este ativo usar sua própria saliva como lubrificante para sexo anal. Obrigado.

    Responder
  9. Primeiramente parabéns pelo site Dr! Gost! Em 14 de julho tive um relaçåo sexual vaginal insertiva com pessoa de sorologia desconhecida! 12 dias após, tive febre, cansaço, dor de cabeça, pequenas manchas vermelhas que coçavam muito e uma irritaçao no olho que persiste até hoje! Com 45 dias, apos a,exposicao de risco fiz um teste num cta que resultou negativo! Esse teste e confiavel? Irritacao no olho é sintoma da infeccao aguda? Posso sossegar com esse resultado?

    Responder
    • Sífilis é por exame de sangue. Gonorreia e clamídia através do exame da secreção uretral. Para mais informações, leia os textos de cada doença.

      Responder
  10. Bom dia, Dr!
    De vez em quando aparecem micro bolhas na pele logo abaixo da glande, e quando isso ocorre, a glande fica um pouco vermelha e com uma pequena sensação de coceira! O que poderia ser? Obrigado!

    Responder
    • Impossível opinar à distância e sem ver as lesões. O ideal é que você procure um urologista quando essas bolhas estiverem presentes.

      Responder
  11. Dr.Pedro Pinheiro Olá
    Minha esposa esta com corrimento normal, se eu fizer sexo sem camisinha com ela,tem alguma chance de eu e ela pegarmos alguma doença? Pois estamos querendo ter um bebe,Grato!

    Responder