Hepatite C em resumo
A hepatite C é uma infecção do fígado provocada pelo vírus HCV e transmitida principalmente pelo contato com sangue contaminado.
A maioria das pessoas não apresenta sintomas na fase aguda. Cerca de 15% a 45% conseguem eliminar espontaneamente o vírus nos primeiros seis meses; nas demais, a infecção torna-se crônica.
A hepatite C crônica pode permanecer silenciosa durante muitos anos e, sem tratamento, provocar fibrose, cirrose e câncer do fígado.
Atualmente, os antivirais de ação direta conseguem curar mais de 95% dos casos.
No Brasil, recomenda-se que todas as pessoas a partir dos 18 anos façam pelo menos um teste para hepatite C ao longo da vida. As gestantes devem ser testadas em cada gestação.
O exame inicial pesquisa o anticorpo anti-HCV. Se ele for positivo, é necessário pesquisar o HCV-RNA para saber se existe infecção ativa.
Não existe vacina contra a hepatite C. Mesmo depois da cura, uma pessoa pode adquirir novamente o vírus caso ocorra nova exposição.
O que é hepatite C?
Hepatite é um termo que significa inflamação do fígado. Diversas situações podem causar hepatite, incluindo medicamentos, toxinas, abuso de álcool, doenças autoimunes e diversos tipos de infecções, incluindo as hepatites virais, que são as causas mais comuns.
A hepatite C é um tipo específico de hepatite viral, provocada pelo vírus HCV (vírus da hepatite C).
Apesar de terem nomes parecidos, serem provocadas por vírus e atacarem o fígado, as hepatites A, B, C, D e E são doenças diferentes, causadas por vírus diferentes, com formas de transmissão e evolução clínica distintas.
Se você quiser saber sobre as diversas formas de hepatites existentes, acesse os seguintes artigos:
- Diferenças entre as hepatites.
- Hepatite A – Sintomas, tratamento e vacina.
- Hepatite B – Sintomas, diagnóstico e vacina.
A infecção pela hepatite C ocorre habitualmente em duas fases: infecção aguda e infecção crônica.
A infecção aguda corresponde aos primeiros seis meses após a contaminação e costuma ser assintomática na maioria dos pacientes. Nesse período, o sistema imunológico pode conseguir eliminar completamente o vírus.
Cerca de 15% a 45% das pessoas infectadas eliminam espontaneamente o HCV nos primeiros seis meses. Nas demais, o vírus persiste e a infecção torna-se crônica.
A hepatite C crônica é uma infecção que pode permanecer silenciosa até fases avançadas. A destruição do fígado ocorre lentamente e, às vezes, os sintomas só surgem décadas depois da contaminação. Isso explica por que boa parte dos pacientes infectados pelo vírus C não sabe que está doente.
Sem tratamento, cerca de 15% a 30% das pessoas com hepatite C crônica podem desenvolver cirrose hepática ao longo de aproximadamente 20 anos.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 47 milhões de pessoas vivem atualmente com infecção crônica pelo HCV no mundo, com aproximadamente 900 mil novas infecções por ano.
Como a hepatite C é transmitida?
O principal meio de transmissão da hepatite C é através da exposição a sangue contaminado.
Até o final da década de 1980, não sabíamos que o vírus da hepatite C existia. Por isso, as bolsas para transfusão sanguínea não eram testadas para esse vírus. Durante muito tempo, a hepatite C era chamada de hepatite não-A não-B. Sabíamos que existia um tipo de hepatite diferente das conhecidas hepatite A e hepatite B, porém a causa ainda era desconhecida.
Por esse motivo, muitas pessoas foram infectadas através de transfusões sanguíneas sem que pacientes ou médicos soubessem disso. Após a descoberta do HCV, em 1989, a triagem dos doadores tornou a transmissão por transfusão extremamente rara. Assim, a maioria dos casos de hepatite C de origem transfusional diagnosticados atualmente resulta de transfusões realizadas décadas atrás.
Atualmente, o compartilhamento de agulhas, seringas e outros equipamentos utilizados para o consumo de drogas é uma das principais formas de transmissão do HCV em diversos países.
A hepatite C também pode ser transmitida pela via sexual, embora isso ocorra com muito menos facilidade do que na hepatite B, no HIV e em várias outras infecções sexualmente transmissíveis. Em relações heterossexuais monogâmicas estáveis, o risco é muito baixo, mas aumenta quando há contato com sangue, múltiplos parceiros, outras infecções sexualmente transmissíveis, HIV ou práticas sexuais que provoquem trauma ou sangramento.
Como o contato direto com sangue é a principal forma de transmissão, pessoas com hepatite C não devem compartilhar objetos que possam conter pequenas quantidades de sangue, como lâminas de barbear, escovas de dentes, alicates ou instrumentos para manicure.
Outras formas menos comuns de transmissão incluem transplante de órgãos de doadores infectados, hemodiálise, acidentes ocupacionais com exposição a sangue, além de tatuagens e piercings realizados com material contaminado.
A transmissão da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto também pode ocorrer. O risco é de aproximadamente 3% a 5% e aumenta nas mulheres coinfectadas pelo HIV. A cesariana não reduz o risco de transmissão do HCV e não há evidências de transmissão pelo leite materno. A amamentação pode ser realizada, desde que não existam feridas ou sangramento nos mamilos.
A hepatite C não é transmitida pelo convívio cotidiano. Abraços, apertos de mão, tosse, espirros, alimentos, água, compartilhamento de copos ou talheres e o beijo habitual não são formas de transmissão do HCV.
Como prevenir a hepatite C?
Não existe vacina contra a hepatite C. A principal forma de prevenção é evitar o contato com sangue contaminado.
Entre as medidas de prevenção estão não compartilhar agulhas, seringas ou outros materiais utilizados para consumo de drogas; não compartilhar lâminas de barbear, escovas de dentes, alicates e outros objetos que possam entrar em contato com sangue; e exigir material esterilizado ou descartável em tatuagens, piercings e outros procedimentos que perfurem a pele.
Pessoas com hepatite C que não estejam imunizadas contra as hepatites A e B devem avaliar a vacinação contra esses dois vírus. Essas vacinas não protegem contra o HCV, mas evitam outras infecções capazes de agravar uma doença hepática já existente.
Quais são os sintomas da hepatite C?
Hepatite C aguda
Como já foi citado, a hepatite C aguda costuma ser assintomática. Aproximadamente 80% das pessoas infectadas não apresentam manifestações clínicas.
Nos pacientes sintomáticos, os sintomas costumam surgir entre duas e 12 semanas após a contaminação.
Os sintomas da hepatite C aguda incluem mal-estar, febre, náuseas e vômitos, icterícia (pele e olhos amarelados), coceira pelo corpo, cansaço, urina escura e dor abdominal na região do fígado, abaixo das costelas à direita.

Os sintomas geralmente são leves e inespecíficos, razão pela qual muitos casos de hepatite C aguda passam despercebidos.
Nos exames de sangue, pode-se detectar aumento das enzimas hepáticas (TGO e TGP) e das bilirrubinas.
É importante lembrar que a ausência de sintomas não significa que o vírus tenha sido eliminado. A maioria dos pacientes que evolui para hepatite C crônica não apresentou manifestações clínicas durante a fase aguda.
Hepatite C crônica
O grande risco da hepatite C surge quando ela se torna uma infecção crônica. Depois da contaminação, sintomática ou não, cerca de 15% a 45% dos pacientes conseguem se livrar espontaneamente do vírus C nos primeiros seis meses. Nos demais, a infecção persiste.
Consideramos que um paciente tem infecção crônica se o vírus C ainda estiver presente no seu organismo após seis meses da contaminação.
A hepatite C crônica costuma evoluir de forma silenciosa durante muitos anos. Alguns pacientes apresentam apenas sintomas inespecíficos, como cansaço, mal-estar ou discreto desconforto abdominal, enquanto outros permanecem completamente assintomáticos até surgirem sinais de doença hepática avançada.
Sem tratamento, cerca de 15% a 30% dos pacientes com hepatite C crônica podem desenvolver cirrose hepática ao longo de aproximadamente 20 anos. Entre os pacientes com cirrose, existe também aumento do risco de hepatocarcinoma, o principal tipo de câncer do fígado.
Quando a cirrose e a insuficiência hepática se desenvolvem, podem surgir sintomas como:
- Icterícia.
- Ascite.
- Urina escura.
- Fezes claras.
- Coceira pelo corpo.
- Circulação colateral, com vasos sanguíneos mais visíveis através da pele, principalmente no abdômen e tronco.
- Inchaço das pernas.
- Perda de peso.
- Perda do apetite.
- Confusão mental nos casos de encefalopatia hepática.
Não sabemos exatamente por que alguns pacientes com hepatite C crônica desenvolvem fibrose e cirrose mais rapidamente, enquanto outros permanecem durante décadas com pouca lesão hepática.
Sabemos, no entanto, que alguns fatores favorecem a progressão mais rápida da doença, entre eles:
- Consumo excessivo de bebidas alcoólicas.
- Infecção adquirida em idade mais avançada.
- Coinfecção pelo HIV.
- Coinfecção pelo vírus da hepatite B.
- Diabetes mellitus.
- Esteatose hepática.
- Obesidade.
Outras complicações
Além da cirrose e do hepatocarcinoma, os pacientes com hepatite C crônica também apresentam um maior risco de desenvolver as seguintes complicações:
- Crioglobulinemia.
- Glomerulonefrites.
- Tireoidite.
- Porfiria cutânea tarda.
- Líquen plano.
- Diabetes mellitus.
- Alguns tipos de linfoma de células B.
Como é feito o diagnóstico da hepatite C?
Como a hepatite C pode permanecer assintomática durante muitos anos, o diagnóstico não deve depender do aparecimento de sintomas ou de alterações das enzimas do fígado.
Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda que todas as pessoas a partir dos 18 anos façam pelo menos um teste para hepatite C ao longo da vida, independentemente da presença de fatores de risco. As gestantes devem ser testadas em cada gestação.
Pessoas com risco contínuo ou repetido de exposição ao HCV devem ser testadas periodicamente. Isso inclui, por exemplo, usuários de drogas com compartilhamento de equipamentos, pacientes em hemodiálise e outras pessoas frequentemente expostas a sangue.
Pessoas com elevação das enzimas hepáticas sem explicação aparente e aquelas que receberam transfusões de sangue ou hemoderivados antes da implantação da triagem adequada dos doadores também devem ser investigadas.
O diagnóstico da hepatite C começa pela pesquisa de anticorpos contra o vírus, o chamado anti-HCV, que pode ser feita por teste rápido ou por imunoensaio laboratorial.
Se o anti-HCV for negativo, a infecção é improvável, exceto quando a exposição ao vírus ocorreu recentemente ou em algumas situações de imunodeficiência.
Se o anti-HCV for positivo, é necessário confirmar se existe infecção ativa. Isso é feito através da pesquisa direta do RNA do HCV por teste molecular, habitualmente chamado de PCR.
Portanto, anti-HCV positivo não significa necessariamente que a pessoa ainda tenha hepatite C. O anticorpo costuma permanecer positivo por toda a vida, mesmo depois da eliminação espontânea do vírus ou da cura obtida com o tratamento.
De forma simplificada:
- Anti-HCV negativo: não há evidência de contato prévio com o vírus, desde que a exposição não tenha ocorrido recentemente.
- Anti-HCV positivo + HCV-RNA detectável: existe infecção ativa pelo HCV.
- Anti-HCV positivo + HCV-RNA indetectável: não há evidência de infecção ativa naquele momento. Esse resultado pode ocorrer após eliminação espontânea do vírus ou depois da cura pelo tratamento.
O HCV-RNA também permite quantificar a quantidade de vírus circulante no sangue, chamada carga viral.
Todo paciente com HCV-RNA detectável por mais de seis meses é considerado portador de hepatite C crônica.
Quanto tempo depois da contaminação os exames detectam hepatite C?
Após uma exposição recente ao HCV, a sorologia pode ainda estar negativa durante as primeiras semanas. Isso ocorre porque o organismo precisa de algum tempo para produzir anticorpos em quantidade detectável.
O HCV-RNA pode ser detectado mais cedo, habitualmente já na primeira ou segunda semana após a exposição ao vírus. O anti-HCV, por outro lado, costuma se tornar positivo entre um e três meses após a exposição.
Quando ocorre uma exposição conhecida ao HCV, como um acidente com agulha potencialmente contaminada, faz-se uma avaliação inicial para saber se a pessoa já apresentava evidência de infecção antes do acidente.
Quando há indicação de acompanhamento, o HCV-RNA costuma ser pesquisado novamente entre três e seis semanas após a exposição. Uma avaliação final com anti-HCV é geralmente realizada entre quatro e seis meses depois, com pesquisa do HCV-RNA se o anticorpo se tornar positivo ou se houver outra indicação clínica.
O calendário dos exames pode variar conforme o tipo de exposição e a situação da pessoa-fonte.
Não existe atualmente uma profilaxia pós-exposição para hepatite C semelhante à PEP utilizada para o HIV. Se uma nova infecção pelo HCV for confirmada, o tratamento antiviral deve ser iniciado, não sendo necessário esperar seis meses para verificar se a infecção se tornará crônica.
Ainda é necessário saber o genótipo da hepatite C?
Existem diferentes variantes genéticas do HCV, chamadas genótipos. Durante muitos anos, saber qual era o genótipo responsável pela infecção era essencial para escolher os medicamentos e definir a duração do tratamento.
Com a introdução dos antivirais de ação direta pangenotípicos, eficazes contra os diferentes genótipos do HCV, essa informação perdeu grande parte da sua importância prática.
No Brasil, o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de 2026 deixou de recomendar a genotipagem do HCV tanto para o tratamento inicial quanto para o retratamento com antivirais de ação direta.
Atualmente, a escolha do esquema depende principalmente do grau de comprometimento do fígado, da presença de cirrose e de sua gravidade, dos tratamentos anteriores, de possíveis interações medicamentosas e de situações clínicas especiais.
Como avaliar o grau de fibrose do fígado?
Todo paciente com hepatite C crônica deve ser avaliado quanto ao grau de fibrose hepática.
A biópsia do fígado, que por muito tempo foi o método padrão, atualmente tem sido substituída por métodos não invasivos, como a elastografia hepática (FibroScan), que avalia a rigidez do fígado por meio de ondas de ultrassom e estima o grau de fibrose de forma rápida e não invasiva, ou os índices sorológicos FIB-4 e APRI, que utilizam parâmetros laboratoriais simples para estimar indiretamente o grau de fibrose hepática.
O APRI (AST to Platelet Ratio Index) é um índice calculado a partir de dois exames de sangue simples: o nível de TGO (AST) e a contagem de plaquetas. Ele ajuda a estimar indiretamente o grau de fibrose do fígado, pois a TGO tende a aumentar com a lesão hepática e a contagem de plaquetas costuma cair à medida que a fibrose e a hipertensão portal avançam.
Como outros índices indiretos, o APRI não deve ser interpretado isoladamente, pois alterações da TGO ou da contagem de plaquetas por outros motivos podem modificar o resultado.
O APRI não substitui completamente métodos como a elastografia, mas é útil como ferramenta inicial por ser simples, barato e disponível praticamente em qualquer serviço de saúde.
No PCDT brasileiro de 2026, o APRI também passou a fazer parte do fluxo simplificado para definição do tratamento. Um resultado abaixo de 1 indica baixa probabilidade de cirrose. Pacientes com APRI igual ou superior a 1 devem passar por avaliação adicional do grau de comprometimento hepático.
A biópsia está atualmente reservada principalmente para situações em que é necessário diferenciar a hepatite C de outras doenças hepáticas ou quando os métodos não invasivos não fornecem informações suficientes.
Quando a biópsia hepática ainda é indicada, uma das formas mais utilizadas para graduar e padronizar seus resultados é a escala METAVIR. O grau de inflamação, ou atividade da doença, é classificado de A0 a A3 e o grau de fibrose de F0 a F4.
Escala METAVIR:
- A0: nenhuma atividade.
- A1: atividade leve.
- A2: atividade moderada.
- A3: atividade severa.
- F0: sem fibrose.
- F1: fibrose portal sem septos.
- F2: fibrose portal com poucos septos.
- F3: numerosos septos sem cirrose.
- F4: cirrose hepática.
A avaliação do grau de fibrose é importante não apenas para definir o tratamento, mas também para determinar quais pacientes precisarão continuar sendo acompanhados mesmo depois da cura da hepatite C.
Hepatite C tem cura? Como é o tratamento?
Até há alguns anos, o tratamento da hepatite C tinha como objetivo evitar a progressão da infecção para cirrose e falência hepática. Como muitos pacientes não evoluíam para esse estado e os medicamentos disponíveis apresentavam elevada taxa de efeitos colaterais, nem todos os portadores do vírus C tinham indicação para receber tratamento.
Com a introdução dos antivirais de ação direta (DAA), o tratamento da hepatite C sofreu uma revolução.
Esses medicamentos são administrados por via oral, durante poucas semanas, apresentam muito menos efeitos colaterais que os antigos esquemas à base de interferon e conseguem curar mais de 95% dos pacientes.
Atualmente, de forma geral, todas as pessoas com infecção ativa pelo HCV têm indicação de tratamento, tanto na hepatite C aguda quanto na crônica. Nos casos de infecção aguda confirmada, não é mais necessário esperar seis meses para saber se haverá eliminação espontânea do vírus antes de iniciar o tratamento. A gestação é uma das exceções: no protocolo brasileiro atual, o tratamento antiviral é contraindicado durante a gravidez.
Outra mudança importante foi a introdução dos esquemas pangenotípicos, eficazes contra diferentes genótipos do HCV. Por esse motivo, o tratamento tornou-se mais simples e a genotipagem deixou de ser necessária na maioria das situações.
A escolha dos medicamentos depende principalmente do grau de comprometimento do fígado, da presença de cirrose, de tratamentos anteriores, das doenças associadas e das possíveis interações com outros medicamentos utilizados pelo paciente.
Tratamento da hepatite C pelo SUS
O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas brasileiro de 2026 utiliza o grau de comprometimento do fígado para definir o tratamento inicial.
Para adolescentes a partir de 12 anos ou com pelo menos 30 kg e para adultos, os principais esquemas são:
- APRI menor que 1 e ausência de cirrose: sofosbuvir + daclatasvir durante 12 semanas.
- APRI igual ou maior que 1 ou cirrose compensada (Child-Pugh A): sofosbuvir/velpatasvir durante 12 semanas.
- Cirrose descompensada (Child-Pugh B ou C): sofosbuvir/velpatasvir durante 24 semanas.
Existem esquemas específicos para pacientes que não obtiveram cura com um tratamento anterior. Uma das principais opções de retratamento nos pacientes sem cirrose descompensada é a combinação sofosbuvir/velpatasvir/voxilaprevir.
Em outros países, outros esquemas pangenotípicos, como glecaprevir/pibrentasvir, também são amplamente utilizados. Portanto, o tratamento específico pode variar de acordo com as diretrizes locais e a disponibilidade dos medicamentos.
Apesar de serem geralmente bem tolerados, os antivirais de ação direta podem interagir com outros medicamentos. Por isso, antes do início do tratamento, é importante revisar todos os medicamentos, suplementos e produtos naturais utilizados pelo paciente.
O objetivo do tratamento é eliminar o HCV da circulação. É considerada cura da hepatite C quando o HCV-RNA permanece indetectável pelo menos 12 semanas após o fim do tratamento. Esse resultado é chamado de resposta virológica sustentada (RVS).
Tratamento da hepatite C em Portugal
Em Portugal, o tratamento da hepatite C também é feito com antivirais de ação direta e está disponível através do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Os medicamentos destinados ao tratamento da hepatite C crônica têm comparticipação de 100%, dentro do regime estabelecido pelo SNS.
Em julho de 2026, a Direção-Geral da Saúde publicou uma nova norma para o diagnóstico e tratamento da hepatite C em adultos, simplificando a abordagem terapêutica. A escolha do esquema deve levar em consideração fatores como a presença e a gravidade da cirrose, tratamentos anteriores e possíveis interações medicamentosas.
Portugal foi um dos primeiros países europeus a estabelecer acesso universal ao tratamento da hepatite C. Nos primeiros dez anos dessa estratégia, mais de 38 mil pessoas foram tratadas, com taxas de cura próximas de 97%.
O que acontece depois da cura da hepatite C?
A cura elimina aquela infecção pelo HCV, mas não produz imunidade contra o vírus. Portanto, uma pessoa curada pode adquirir hepatite C novamente se houver nova exposição.
O anti-HCV também costuma permanecer positivo depois da cura. Por isso, quando existe suspeita de reinfecção, o exame adequado é a pesquisa do HCV-RNA, e não simplesmente repetir o anti-HCV.
Pacientes sem fibrose hepática significativa e sem outros fatores importantes de risco podem receber alta do acompanhamento específico depois da confirmação da cura.
Já os pacientes que apresentavam fibrose avançada, estágios F3 ou F4, precisam continuar em acompanhamento mesmo após a eliminação do vírus. A cura reduz bastante o risco de câncer do fígado, mas não o elimina completamente. Por esse motivo, esses pacientes devem manter vigilância para carcinoma hepatocelular a cada seis meses.
Alguns pontos importantes
- Os únicos tratamentos cientificamente comprovados para eliminar o HCV são os antivirais adequados. Tenha cuidado com os chamados tratamentos naturais, pois, além de não eliminarem o vírus, algumas ervas e suplementos podem ser tóxicos para o fígado.
- Não existe uma dieta capaz de curar a hepatite C. Em geral, recomenda-se alimentação equilibrada, manutenção de peso saudável e evitar o consumo de bebidas alcoólicas. Pacientes com cirrose ou outras complicações hepáticas podem necessitar de orientações nutricionais específicas.
- A atividade física não atua diretamente contra o HCV, mas é recomendada de acordo com as condições clínicas do paciente pelos seus benefícios sobre peso, resistência à insulina, esteatose hepática e saúde cardiovascular.
- Ao contrário do que ocorre com as hepatites A e B, não existe vacina contra a hepatite C.
- Hepatitis C – World Health Organization, atualização de julho de 2026.
- Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite C e Coinfecções – Ministério da Saúde, 2026.
- HCV Guidance: Recommendations for Testing, Managing, and Treating Hepatitis C – American Association for the Study of Liver Diseases e Infectious Diseases Society of America.
- Centers for Disease Control and Prevention (CDC) – Hepatitis C.
- Clinical manifestations and natural history of chronic hepatitis C virus infection – UpToDate.
- Overview of the management of chronic hepatitis C virus infection – UpToDate.
Dúvidas de leitores sobre este tema
Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.
Mais comentários dos leitores
Doutor, qual é o CID da hepatite C? É o mesmo código para hepatite aguda e crônica?
Muito bom o conteúdo!!!
Tenho 53 anos e só agora que estou com a suspeita da hepatite C.
Existem programas do governo federal para tratamento?
Quem teve hepatite C e ficou curado pode voltar a doar sangue?
É possível ter hepatite C com TGO e TGP normais?
Dr. materia excelente. Poderia me dizer, se um exame anti-hcv negativo, após 150 dias de relação desprotegida descarta a infecção?
Boa tarde, obrigado pelo artigo, ajudou bastante. Que Deus abençoe.
que tipo de alimento devo evitar
Se faz endoscopia antes do tratamento?
A hepatite C pode ser pega por relação sexual?
Muito bom