8 Sintomas da hepatite (viral ou não)

Autor(a): Dr. Pedro Pinheiro

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Tempo estimado de leitura: 3 minutos.

Introdução

Apesar da maioria das pessoas julgar que a hepatite é uma doença única, o termo, na verdade, se refere a qualquer situação em que ocorra inflamação do fígado.

Muitas doenças e complicações podem causar hepatite, por exemplo, uso de drogas, medicamentos, excesso ou uso crônico de álcool, produtos químicos, doenças autoimunes, infecções por diversos tipos de vírus ou acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática).

Neste artigo abordaremos os principais sinais e sintomas da hepatite. Daremos ênfase à hepatite aguda, pois os pacientes com hepatite crônica costumam passar anos assintomáticos, desenvolvendo sintomas apenas quando já há sinais de cirrose.

Se você procura por mais informações sobre as diversas formas de hepatite, leia:

Sinais e sintomas da hepatite

Apesar de existirem diversas causas para hepatite aguda, os seus sintomas acabam sendo muito semelhantes, já que, no final das contas, tudo se resume a um fígado inflamado e incapaz de trabalhar adequadamente.

Icterícia

A icterícia é provavelmente o sintoma mais característico das hepatites. Damos o nome de icterícia à coloração amarelada da pele, olhos e mucosas provocada pelo acúmulo no sangue de uma substância chamada bilirrubina.

icterícia
Icterícia – pele amarelada

Gastaremos algumas linhas explicando o que é bilirrubina, pois vários sintomas da hepatite são provocados pelo seu acúmulo no organismo.

As nossas hemácias (glóbulos vermelhos) vivem em média 120 dias, sendo destruídas no baço quando já estão velhas. Um dos elementos liberados pela hemácia quando esta é destruída é a bilirrubina, um pigmento amarelo-esverdeado.

Diariamente milhões de hemácias velhas são destruídas no baço, provocando uma liberação constante de bilirrubina para o sangue. Para que esta bilirrubina não se acumule no corpo, o mesmo precisa eliminá-la de algum modo. É neste momento que entra em ação o nosso fígado.

Um dos papéis do fígado é captar esta bilirrubina circulante no sangue, metabolizá-la e excretá-la em direção aos intestinos, para que a mesma seja eliminada nas fezes.

Nos quadros de hepatite, o fígado encontra-se inflamado e doente, perdendo a capacidade de metabolizar e/ou eliminar a bilirrubina que é constantemente produzida pelo baço. Portanto, é muito comum nos quadros de hepatite haver acúmulo de bilirrubina no sangue. Este excesso de bilirrubina acaba extravasando para pele e mucosas, provocando a aparência amarelada dos mesmos.

A ictérica é um sinal típico da hepatite, mas pode também surgir em outras doenças do fígado, como cirrose ou síndrome de Gilbert, em infecções, como febre amarela ou leptospirose, ou quando há destruição maciça de hemácias, um quadro chamado hemólise.

Para saber mais detalhes sobre a icterícia, leia: ICTERÍCIA | Neonatal e adulto

Fezes claras

A presença de fezes claras, quase brancas, é chamada acolia fecal, sendo também um sinal comum de hepatite.

A origem da acolia fecal é a mesma da icterícia. A bilirrubina é a substância responsável pela coloração marrom das fezes. Se o fígado encontra-se inflamado e mal funcionante, a bilirrubina que chega até ele não consegue ser metabolizada nem excretada em direção às fezes, impedindo o bolo fecal de ter sua coloração característica.

Urina escura

A urina escura é outro sinal de hepatite que ocorre devido ao acúmulo de bilirrubina no sangue.

O papel dos rins no nosso organismo é o de filtrar o sangue, eliminando substâncias desnecessárias ou em excesso. É exatamente isso que os rins fazem nos pacientes com icterícia; eles excretam o excesso de bilirrubina, que por ser um pigmento escuro, acaba escurecendo a urina, deixando-a com cor de Coca-Cola ou mate.

Coceira

A icterícia vem frequentemente associada à coceira, pois a bilirrubina depositada na pele causa irritação das terminações nervosas.

Muitas vezes o paciente com hepatite tem uma icterícia leve, o que pode passar despercebido, principalmente se o indivíduo tiver pele mais escura. Portanto, em alguns casos, o acúmulo de bilirrubina na pele se manifesta mais como uma coceira difusa e aparentemente sem explicação do que propriamente como uma pele amarelada.

Dor abdominal

A inflamação da hepatite aguda pode causar um inchaço do fígado, provocando dor no mesmo. A dor da hepatite é localizada caracteristicamente no quadrante superior direito do abdômen, logo abaixo das costelas, exatamente no local onde o fígado se encontra. Em alguns casos, o fígado pode estar inchado, podendo ser palpado através do exame do abdômen.

Para saber mais sobre os diferentes tipos de dor abdominal, leia: DOR NA BARRIGA | DOR ABDOMINAL | Principais causas.

Mal-estar

As hepatites sempre causam um quadro pouco específico de mal-estar, que podem incluir diversos sintomas, como fraqueza, cansaço fácil, perda do apetite, dor muscular, dor articular, diarreia, rash (manchas vermelhas no corpo), náuseas e vômitos. Se o paciente não desenvolver icterícia, o diagnóstico de hepatite pode não ser pensado logo de início, pois o quadro acaba se parecendo mais com uma virose inespecífica ou uma intoxicação alimentar (leia: VIROSE – Sintomas, Causas e Tratamento).

Febre

Outra manifestação comum da hepatite, mas muito pouco específica, é a febre. A febre da hepatite é tipicamente baixa e costuma vir acompanhada de alguns dos sintomas inespecíficos descritos no item anterior (leia: O QUE É A FEBRE?).

Insuficiência hepática

Raramente, o quadro de hepatite pode se manifestar como uma falência aguda do fígado, chamada hepatite fulminante. A inflamação é tão intensa que o fígado, um órgão vital, para de funcionar por completo, levando a um quadro catastrófico.

Doentes com hepatite fulminante podem apresentar uma variedade de complicações, como redução do nível de consciência, coma, edema cerebral, insuficiência renal aguda, hipoglicemia grave, hemorragias espontâneas e falência de múltiplos órgãos. O único tratamento efetivo para estes casos é o transplante de fígado urgente.


Referências


Autor(es)

Médico graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com títulos de especialista em Medicina Interna e Nefrologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Universidade do Porto e pelo Colégio de Especialidade de Nefrologia de Portugal.

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