Tratamento e cura da sífilis

Autor(a): Dr. Pedro Pinheiro

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Tempo estimado de leitura: 2 minutos.

Introdução

A sífilis é uma doença sexualmente transmissível causada por uma bactéria chamada Treponema pallidum. O seu principal sintoma é uma úlcera indolor, semelhante a uma afta, na região genital.

Se não for tratada, a bactéria pode espalhar-se pelo organismo e, após anos de infecção, levar a complicações graves, como a neurosífilis (sífilis do sistema nervoso central).

A sífilis tem cura, mas é preciso tratá-la com antibióticos apropriados para se livrar do Treponema pallidum. O tratamento é estabelecido consoante a fase da doença.

Neste artigo vamos nos ater apenas ao tratamento e à cura da sífilis. Se você procura informações mais abrangentes sobre a sífilis, acesse o seguinte link: SÍFILIS – Sintomas, diagnóstico e tratamento.

A sífilis tem cura?

Sim, a sífilis tem cura. O antibiótico com melhores resultados no tratamento da sífilis é a penicilina benzatina (benzetacil), que apresenta uma taxa de cura acima de 95% quando tomada nas doses corretas.

Sempre que possível, a penicilina deve ser a primeira opção de tratamento.

A penicilina é tão superior aos outros antibióticos que em alguns casos, mesmo nos pacientes alérgicos à penicilina, ela permanece sendo a primeiro escolha. É preferível submeter o paciente a uma processo de dessensibilização do que indicar outro antibiótico (leia: ALERGIA À PENICILINA).

Tratamento da sífilis com penicilina

Sífilis primária, secundária ou latente precoce (com menos de 1 ano de infecção):

Tratamento mais indicado: Penicilina benzatina (Benzetacil) 2.4 milhões de unidades em dose única por via intramuscular.

Pacientes alérgicos à penicilina: Doxiciclina 100 mg de 12/12 horas por via oral, por 14 dias.

Sífilis com mais de 1 ano, terciária ou de tempo indeterminado:

Tratamento mais indicado: Penicilina benzatina (Benzetacil) 2.4 milhões de unidades em 3 doses por via intramuscular, com uma semana de intervalo entre cada.

Pacientes alérgicos à penicilina: Doxiciclina 100 mg de 12/12 horas por via oral, por 28 dias.

Neurossífilis

Tratamento mais indicado: Penicilina G cristalina 3 a 4 milhões de unidades a cada 4 horas por via intravenosa, por 10 a 14 dias.

Pacientes alérgicos à penicilina devem fazer tratamento de dessensibilização para poderem ser tratados com penicilina cristalina.

O tratamento do paciente HIV positivo é exatamente igual ao da população em geral.

Tratamento na gravidez

O tratamento da sífilis na gravidez é igual ao da população em geral.

No caso de grávidas alérgicas à penicilina, a doxiciclina não é uma opção, pois é um antibiótico contraindicado durante a gestação (leia: ANTIBIÓTICOS NA GRAVIDEZ). Nesses casos, o mais indicado é realizar testes alérgicos para que a alergia à penicilina possa ser comprovada.

A maioria dos pacientes que se diz alérgico à penicilina, na verdade não é. Alguns deixam de ser alérgicos com o passar dos anos, enquanto outros nunca foram, apenas interpretaram equivocadamente algum efeito colateral com os sinais de alergia.

Se nos testes a paciente não apresentar sinais de alergia grave à penicilina, a gestante deve passar por um processo de dessensibilização para ela poder fazer o esquema completo de benzetacil.

Controle de cura

Após o final do tratamento, o paciente deve repetir o exame de VDRL a cada 6 meses durante 2 anos. Se o tratamento tiver levado à cura da sífilis, os valores do VDRL cairão, no mínimo, 4 vezes (2 titulações) após os primeiros 6 meses, e continuarão caindo ao longo dos anos.

Exemplos:

  • Se o VDRL era 1/256 ele deve cair para 1/64.
  • Se o VDRL era 1/128 ele deve cair para 1/32.
  • Se o VDRL era 1/64 ele deve cair para 1/16.

O VDRL não precisa chegar a zero para se confirmar a cura. Basta que os sintomas desapareçam e o VDRL caia de forma relevante. Os valores do FTA-ABS não servem para serem usados no controle de cura.

Cerca de 15% dos pacientes tratados adequadamente não apresentam essa queda de 4 titulações do VDRL. Nesses casos, se o VDRL se mantiver acima de 1/32, um novo curso de antibiótico está indicado e uma investigação sorológica dos(as) parceiros(as) é necessária.

Nos pacientes com VDRL menor que 1/32 e sem sintomas não é sugerido repetir o tratamento, exceto se os títulos do VDRL voltem a subir.

Pessoas curadas não transmitem sífilis para outras.

Pessoas curadas podem ter sífilis de novo?

Se o paciente realizou o tratamento correto e se curou da sífilis, não há risco da doença voltar. Porém, é importante salientar que ter tido sífilis não gera imunidade, o que significa que uma pessoa pode se contaminar com o Treponema pallidum mais de uma vez na vida.

Portanto, se você teve sífilis, tratou adequadamente e se curou, mas voltou a ter relações sexuais com alguém contaminado, existe um grande risco de ter sífilis novamente.

Autor(es)

Médico graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com títulos de especialista em Medicina Interna e Nefrologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Universidade do Porto e pelo Colégio de Especialidade de Nefrologia de Portugal.

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