Sintomas de Verminose (Parasitose Intestinal)

Introdução

Verminose ou parasitose intestinal é a condição na qual um parasito invade o sistema gastrointestinal e fica aderido à parede dos intestinos, passando a viver, se alimentar e se reproduzir.

Os principais grupos de parasitos intestinais são os protozoários e os helmintos.

Os protozoários são seres unicelulares e microscópicos. As principais parasitoses por protozoários nos humanos são provocadas por Entamoeba histolytica, Dientamoeba fragilis, Giardia lamblia, Blastocystis hominis, Cryptosporidium parvum e Isopora belli.

Já os helmintos são os vermes típicos, visíveis a olho nu, com corpo cilíndrico e órgãos internos. Podem medir desde centímetros até alguns metros de comprimento.

Os helmintos causadores de parasitose nos seres humanos mais comuns são: Ascaris lumbricoides, Ancilostomídeos, Enterobius vermicularis, Strongyloides stercolaris, Trichuris trichiura, Schistosoma mansoni, Taenia sp, Hymenolepis diminuta e Hymenolepis nana.

Para mais informações sobre as verminoses, acesse os seguintes artigos:

Sinais e sintomas de parasitose intestinal

Em geral, os sintomas mais comuns das verminoses são a diarreiafezes sanguinolentas, anemia, dor abdominal, náuseas com ou sem vômitos, emagrecimento e perda do apetite.

É importante destacar, porém, que cada parasito provoca um quadro clínico diferente. Alguns causam mais diarreia, outros dor abdominal, há os que provocam perda de peso ou sangue nas fazes, etc. Também há parasitoses que não provocam diarreia nem dor abdominal. Portanto, não há um conjunto de sinais e sintomas fixos que se encaixem em todas as verminoses. É preciso avaliar cada parasito individualmente.

Sendo assim, o que vamos discutir resumidamente são os sinais e sintomas de cada uma das parasitoses intestinais mais comuns.

Amebíase

Amebíase é o nome da doença causada pela ameba Entamoeba histolytica, um protozoário que pode causar sintomas gastrointestinais.

Em cerca de 90% dos casos, o paciente contaminado não desenvolve doença e torna-se apenas um portador assintomático da ameba.

Nos 10% dos pacientes que apresentam doença, os sintomas mais comuns costumam ser dor abdominal, dor ao evacuar, intensa diarreia aquosa, com várias evacuações por dia e perda de peso.

O quadro da amebíase costuma ser mais arrastado que os das gastroenterites virais ou intoxicação alimentar, com piora dos sintomas ao longo de 1 a 3 semanas. Não é incomum haver também febre e diarreia sanguinolenta.

A maioria dos casos de amebíase é de leve a moderada intensidade, mas raramente, em cerca de 0,5% dos casos, a doença pode se apresentar de forma fulminante, com necrose intestinal, perfuração do cólon e peritonite grave.

Para informações mais completas sobre a amebíase, leia: Amebíase – sintomas, transmissão e tratamento.

Ancislostomose

A ancilostomose, também chamada de necatoríase, é uma parasitose intestinal provocada pelos nematódeos da família Ancylostomidae: Ancylostoma duodenale ou Necator americanus.

A contaminação com o Ancylostoma duodenale ou Necator americanus se dá através de contato direto da pele dos pés com o solo contaminado ou por ingestão acidental da larva presente no ambiente através de mãos contaminadas.

Após penetrar a pele, a larva viaja até os pulmões através dos vasos sanguíneos. Quando o paciente tosse, o parasito pode ser lançado dos pulmões em direção à cavidade oral e depois deglutido sem que o paciente perceba.

Se a contaminação inicial não tiver sido pela pele, mas sim por ingestão acidental da larva, essa primeira parte do ciclo não existe, indo o parasito diretamente para o trato gastrointestinal.

A ancilostomose é uma parasitose com quadro clínico predominantemente gastrointestinal. Antes do verme chagar ao intestino, os sintomas são discretos. No local de penetração do verme na pele pode haver uma pequena reação inflamatória, que provoca coceira. Durante a passagem pelos pulmões, o paciente costuma apresentar tosse seca.

Os sintomas típicos surgem quando o parasito migra para o intestino delgado. Nessa fase, o paciente pode apresentar náuseas, vômitos, diarreia, cansaço, aumento do gases e dor abdominal.

O principal problema da ancilostomose é a anemia e a desnutrição, pois o parasito consome sangue e proteínas. Em crianças, pode haver desaceleração do crescimento e alterações no desenvolvimento neurológico.

Para mais detalhes sobre a ancilostomose, leia: Ancilostomose – transmissão, sintomas e tratamento.

Ascaridíase

A ascaridíase é uma parasitose intestinal causada pelo helminto Ascaris lumbricoides.

Na maioria dos casos, a infecção é assintomática. Entretanto, nos pacientes com número elevado de vermes no trato gastrointestinal sintomas respiratórios e gastrointestinais podem existir.

A larvas do Ascaris lumbricoides atravessam a parede do intestino delgado e alcançam a corrente sanguínea, migrando para os pulmões.

Um quadro inflamatório dos pulmões durante a breve passagem das larvas pelo sistema respiratório é bastante comum. Manifestações, como tosse seca, bronquite, febre e dor torácica são chamadas de síndrome de Loeffler.

Durante os episódios de tosse, é possível que o paciente ejete uma ou mais larvas de áscaris pela boca.

As larvas expelidas pela boca podem ser deglutidas acidentalmente, retornando para o sistema digestivo.

Os sintomas da ascaridíase relacionados ao sistema gastrointestinal são: dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, distensão abdominal e perda de peso. Eliminação de vermes adultos visíveis nas fezes também pode ocorrer.

Crianças contaminadas podem apresentar desnutrição e atraso no crescimento.

Em casos de grande infestação de vermes, um “bolo” de áscaris pode causar obstrução intestinal, sendo necessária intervenção cirúrgica ou endoscópica para a remoção dos vermes.

Explicamos com mais detalhes todo o ciclo do Ascaris lumbricoides no artigo: Ascaridíase – transmissão, sintomas e tratamento.

Estrongiloidíase

A estrongiloidíase é uma verminose causada pelo helminto Strongyloides stercoralis.

A infecção humana ocorre quando há penetração da pele por larvas de Strongyloides stercoralis, geralmente por contacto direto com o solo contaminado por fezes humanas.

A maioria do pacientes infectados não apresenta sintomas relevantes. Quando há sintomas, o quadro mais comum é dor abdominal, geralmente ao redor do estômago, que pode vir acompanhada de vômitos, enjoos, diarreia ou perda de apetite.

Lesões na pele no local da penetração das larvas são comuns. O local mais habitual são os pés. Estas lesões são pequenas inflamações que podem coçar bastante. Em alguns casos, as lesões têm forma de serpente, evidenciando o caminho de migração da larva sob a pele.

Assim como ocorre nas outras verminoses que têm um ciclo pulmonar, sintomas respiratórios podem surgir durante a fase de migração das larvas pelos pulmões. Tosse, garganta irritada, falta de ar, febre e até expectoração sanguinolenta são alguns dos sintomas possíveis. Quadros semelhantes à asma ou pneumonia também podem ocorrer.

Para informações mais detalhadas sobre a estrongiloidíase, leia: Estrongiloidíase – transmissão, sintomas e tratamento.

Giardíase

A giardíase é uma verminose provocada pelo protozoário Giardia lamblia.

A maioria das pessoas contaminadas pela Giardia lamblia não apresenta sintomas. Nos casos sintomáticos os mais comuns são diarreia, dor abdominal, flatulência, náuseas, vômitos e emagrecimento.

Febre é um sinal menos comum e só ocorre em cerca de 15% dos casos sintomáticos.

Após uma fase aguda, cerca de 2/3 dos pacientes que tiveram sintomas apresentam melhora espontânea. 1/3, porém, desenvolvem a infecção crônica pela Giardia, mantendo-se infectados e sintomáticos por longos períodos. Na giardíase crônica, os sintomas mais comuns são:

  • Fezes pastosas.
  • Esteatorreia (fezes gordurosas e com forte odor).
  • Perda de peso.
  • Cansaço.
  • Depressão.

Um dos principais problemas da infecção pela Giardia é a síndrome de má absorção, caracterizada clinicamente pela perda de peso e esteatorreia. Até 40% dos pacientes desenvolvem intolerância à lactose.

Para mais informações sobre a giardíase, leia: Giardia lamblia – sintomas, transmissão e tratamento.

Oxiuríase ou enterobíase

A oxiuríase, também conhecida como enterobíase, é uma parasitose provocada pelo helminto Enterobius vermicularis ou Oxiurus vermicularis.

A maioria dos paciente infectados pelo oxiúrus não apresenta sintomas. Em geral, os sintomas surgem quando o paciente se reinfecta sucessivamente com o parasito, a ponto de ter uma grande quantidade de vermes no seu trato intestinal, o que pode ocorrer somente meses depois da contaminação inicial.

Quando o verme provoca sintomas, o mais comum é a coceira anal. Em alguns casos, a coceira é intensa e deixa o paciente inquieto e com dificuldade de dormir. Os vermes adultos podem migrar para locais além do ânus, como a região vaginal. Nas mulheres pode haver vulvovaginite (inflamação da vulva e da vagina), coceira e corrimento vaginal.

Ocasionalmente, em paciente que se auto contaminam repetidamente, a carga de vermes nos intestinos pode ser tão alta, que o paciente passa a sentir os sintomas típicos das parasitoses intestinais, tais como dor abdominal, dor para evacuar, náuseas e vômitos.

Para mais detalhes sobre a oxiuríase, leia: Oxiuríase (enterobíase) – infecção pelo enterobius vermicularis.

Tricuríase

A tricuríase é uma verminose causada pelo parasito Trichuris trichiura, um helminto de aproximadamente 4 cm de comprimento que habita o intestino grosso dos indivíduos infectados.

A imensa maioria dos pacientes contaminados com o Trichuris trichiura não apresenta sintomas. Em geral, somente os indivíduos com os intestinos infestados com centenas de parasitos é que desenvolvem sintomas de tricuríase.

Nos sintomáticos, o quadro clínico mais comum é de diarreia crônica, que pode vir acompanhada de muco ou sangue misturado às fezes. Distensão abdominal, enjoos, perda de peso, flatulência e anemia são outros sinais e sintomas possíveis.

Outro sinal típico, geralmente presente em crianças com contaminação maciça, é o prolapso retal, uma protusão de parte do reto através do ânus. Nestes casos, é comum conseguirmos ver vermes aderidos à mucosa do reto que está exteriorizada.

Ranger os dentes é sintoma de verminose?

O bruxismo, que é o ato de trincar ou ranger os dentes, costuma ser equivocadamente classificado como um sinal da presença de vermes. Crianças com bruxismo são facilmente rotuladas por familiares e conhecidos como portadoras de verminose.

A verdade, porém, é que existem diversas causas de bruxismo e na imensa maioria das vezes, o motivo real é outro que não uma verminose. A maioria das pessoas com verminose não tem bruxismo e a maioria das pessoas com bruxismo não tem verminose.

Comer terra é sinal de parasitose?

O ato de comer terra, pedaços de concreto, carvão, ou outros elementos não alimentares também é popularmente atribuído à presença de vermes. Neste caso, porém, há um fundo de verdade. A presença de anemia, principalmente nas crianças, pode desencadear comportamentos alimentares bizarros. Como algumas parasitoses podem causar anemia, tais como a ancilostomose, amebíase ou tricuríase, esse é um sintoma possível de verminose.


Referências


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