Sinusite

Sinusite ou sinusopatia é o nome que se damos à inflamação dos seios paranasais, também conhecidos como seios da face. A sinusite pode ser resultado de infecções (virais, bacterianas ou fúngicas), alergias ou alterações do sistema imunológico, incluindo as doenças autoimunes (leia: DOENÇA AUTOIMUNE).

Neste texto abordaremos as seguintes questões sobre a sinusite:

  • O que são os seios da face.
  • Quais são os tipos de sinusite que existem.
  • Quais são os sintomas da sinusite.
  • Quais são as complicações
  • Como é feito o diagnóstico.
  • Quais são as opções de tratamento.

O que são os seios paranasais?

Os seios paranasais, também chamados de seios nasais ou seios da face, são cavidades cheias de ar dentro dos ossos do crânio e da face, que comunicam-se com a cavidade nasal.

Seios paranasais

São 4 o número de seios paranasais, a saber:

– Seio frontal.
– Seio etmoidal.
– Seio esfenoidal.
– Seio maxilar.

Os seios nasais desempenham várias funções, entre elas:

– Umidificação e aquecimento do ar respirado pelo nariz.
– Aumento da ressonância da voz.
– Equilíbrio das pressões intracranianas quando há variações na pressão atmosférica (mergulhos, viagens de avião ou subidas a grandes altitudes).
– Secreção de muco para proteção das vias aéreas superiores.
– Absorção de impacto em casos de trauma (materiais ocos absorvem mais impacto do que materiais maciços).

Os seios paranasais são bilaterais e simétricos, ligam-se à cavidade nasal por pequenos orifícios por onde é drenado o muco produzido. Quadros de alergia ou gripe, por exemplo, causam edema da mucosa nasal e aumento das secreções, obstruindo facilmente a drenagem dos seios da face. A impossibilidade de escoar o muco produzido leva à congestão dos seios paranasais e, consequentemente, à sinusite.

O termo rinossinusite (rinite+sinusite) é tecnicamente mais correto que apenas sinusite, pois enfatiza a concomitante inflamação da mucosa nasal e dos seios paranasais. Temos um texto que aborda somente a rinite alérgica: RINITE ALÉRGICA | Sintomas e tratamento.

Tipos de sinusite

A sinusite pode acometer qualquer um dos 4 seios paranasais, podendo ser bilateral ou unilateral.

A sinusopatia por ser classificada em:

Sinusite aguda: quando os sintomas duram menos de 4 semanas.
Sinusite subaguda: quando os sintomas duram entre 4 e 12 semanas
Sinusite crônica: quando os sintomas duram mais que 12 semanas.
Sinusite recorrente: quando há 4 ou mais episódios de sinusite durante o ano.

A imensa maioria das sinusites agudas são de origem viral ou alérgica, porém, a obstrução e estase do muco nos seios favorece a proliferação de bactérias, podendo levar à sinusite bacteriana. Portanto, o paciente pode ter um quadro inicial de sinusite alérgica que, após contaminação com bactérias das vias respiratórias, se transforma em um quadro de sinusite bacteriana.

As sinusites bacterianas que não são completamente curadas podem progredir para o quadro de sinusite crônica (explico a sinusite crônica na parte final do texto).

Sintomas da sinusite

Os sintomas da sinusite aguda incluem congestão nasal, corrimento nasal purulento (coriza com catarro), dor de cabeça (leia: DOR DE CABEÇA), dor facial, dor na arcada dentária superior, dor em volta dos olhos, sensação de pressão quando se abaixa a cabeça, ouvidos entupidos, tosse (principalmente noturna), hálito ruim (leia: SAIBA COMO ACABAR COM O MAU HÁLITO) e/ou diminuição do paladar e do olfato.

É comum a presença de dor quando fazemos pressão com os dedos sobre os seios nasais, principalmente nos seios frontais e maxilares, que são os mais superficiais.

A maioria dos casos de sinusite viral ou alérgica melhora espontaneamente dentro de 10 dias. Sinusites bacterianas leves também podem ser autolimitadas, mas nos casos mais sintomáticos,com febre alta e coriza purulenta, a cura geralmente só vem com tratamento antibiótico.

Quando há contaminação da sinusite por bactérias é comum surgir febre. Porém, como a gripe pode desencadear sinusopatia e também cursar com febre, nem sempre é fácil fazer a distinção entre uma sinusite viral e uma sinusite bacteriana (leia: DIFERENÇAS ENTRE GRIPE E RESFRIADO). Como já foi salientado, uma sinusopatia pode começar como uma infecção viral ou um quadro alérgico e depois de alguns dias se transformar em sinusite bacteriana.

Em muitos casos não é possível distinguir uma sinusite viral de uma sinusite bacteriana nos primeiros 10 dias de doença. A existência de uma rinossinusite bacteriana aguda deve ser suspeitada em pacientes com qualquer uma das seguintes características: 1) sinais ou sintomas de sinusite aguda com duração de 10 ou mais dias sem melhora clínica, 2) início do quadro já com sintomas mais graves, como febre maior que 39ºC e descarga nasal purulenta, com duração de pelo menos três dias consecutivos, 3) um quadro de sinusopatia aguda que melhora após poucos dias, mas subitamente volta a piorar, surgindo febre, dor na face e coriza purulenta.

Complicações da sinusite

Como os seios da face apresentam íntima relação com órgãos nobres, como olhos, ouvidos e cérebro, a sinusite bacteriana pode levar a complicações graves. Portanto, é importante procurar atendimento médico sempre que houver as seguintes situações associadas à sinusopatia:

  • Febre acima de 39ºC.
  • Edema ou vermelhidão na face.
  • Edema e vermelhidão em volta dos olhos.
  • Visão dupla ou qualquer outra alteração visual.
  • Confusão mental.
  • Dor de cabeça muito intensa.
  • Rigidez de nuca.
  • Prostração intensa.

A sinusite bacteriana, apesar de apresentar uma taxa de mortalidade baixa, é uma infecção que não deve ser negligenciada, principalmente quando existem os sinais descritos acima. Entre as suas possíveis complicações podemos citar a infecção dos olhos, meningite (leia: SINTOMAS DA MENINGITE), abscesso cerebral, infecção dos ossos da face, otites (leia: OTITE MÉDIA AGUDA) e labirintite (leia: LABIRINTITE | Sintomas e tratamento).

Diagnóstico da sinusite

Diagnóstico da sinusite - RX dos seios da face.
Radiografia dos seios da face.

O diagnóstico da sinusite é clínico. O otorrinolaringologista pode fazer uma rinoscopia (endoscopia nasal) para tentar visualizar diretamente os seios paranasais.

Em caso de dúvida, pode-se lançar mão de exames de imagem. A radiografia de seios da face, muito usada antigamente, não é mais considerado um bom exame, pois não consegue identificar a sinusite até 40% dos casos. Quando ela é positiva, como na foto ao lado que mostra uma sinusopatia do seio maxilar esquerdo, o diagnóstica é confirmado. O problema é que se a radiografia for normal, não dá para descartar a existência da sinusite.

O exame de imagem mais utilizado atualmente é a tomografia computadorizada (TC). Compare as imagens abaixo de duas tomografias computadorizadas dos seios da face e veja como a qualidade das imagens é muito superior.

Sinusite em tomografia computadorizada

A TC da direita está normal e os seios nasais estão preenchidos apenas com ar (imagem preta). À esquerda, podemos ver uma TC de seios da face evidenciando sinusopatia bilateral, mais evidente no seio maxilar direito, que está completamente tomado por líquido (imagem cinzenta). As imagens fornecidas pela TC são muito mais bem definidas. Ao contrário do que ocorre na radiografia simples dos seios da face, uma tomografia computadorizada normal é capaz de excluir o diagnóstico de sinusite.

Tratamento da sinusite

A maioria dos casos de sinusite aguda melhora espontaneamente em 7 a 10 dias. O tratamento, portanto, é basicamente sintomático. Mesmo as sinusites bacterianas costumam ter bom prognóstico, pois as complicações são pouco comuns.

Para o tratamento das sinusopatia agudas não bacterianas estão indicados a lavagem da cavidade nasal com solução salina (soro fisiológico) e aplicação de corticoides nasais em spray (leia: INDICAÇÕES E EFEITOS DA PREDNISONA E CORTICOIDES). Compressas mornas sobre o rosto podem trazer alívio, e ingestão vigorosa de líquidos ajuda a diluir as secreções. Fora essas orientações, nada mais é muito eficaz. Ao contrário do que a maioria das pessoa pensa, não é necessário se encher de remédios para tratar uma sinusite.

Os descongestionantes nasais são geralmente usados em excesso e desnecessariamente. Quando necessário, indica-se o seu uso por no máximo 3 dias, uma vez que estas drogas estão associadas a recaídas, provocadas por congestão nasal de rebote. O paciente usa o descongestionante, apresenta alívio temporário dos sintomas, mas quando o suspende, a congestão nasal retorna rapidamente, criando-se assim um ciclo vicioso.

O uso de anti-histamínicos (antialérgicos), apesar de ser muito prescrito, não apresenta evidências de benefícios na sinusite. Se não há um processo alérgico por trás, é pouco provável que essa classe de remédios traga algum benefício.

Durante as crises é importante evitar contato com fumaça de cigarro, pois este é um importante fator de irritação das vias aéreas. Além da fumaça é importante tentar identificar outros estímulos que possam ser irritantes para as vias aéreas, como frio ou produtor químicos de odor forte.

Os antibióticos só devem ser usados quando há evidências de sinusite bacteriana. Os mais usados são amoxacilina com ácido clavulânico, Bactrim®, levofloxacino, moxifloxacino, claritromicina ou azitromicina. Deve-se ter cuidado para não usar antibiótico indiscriminadamente para que não haja seleção de bactérias resistentes. Se a sinusopatia não tiver características de origem bacteriana, não há motivos para usar antibióticos.

Sinusite crônica

A sinusite crônica é aquela que permanece por mais de 12 semanas consecutivas apesar do tratamento.

A sinusite crônica está muito associado à presença de desvio de septo nasal e/ou pólipos nasais. Os dois propiciam a cronicidade por causarem obstrução da comunicação entre os seios paranasais e as vias nasais (leia: PÓLIPOS NASAIS).

Outras causas de infecção crônica são a sinusite por fungos, doença do refluxo gastroesofágico (leia: HÉRNIA DE HIATO E REFLUXO GASTROESOFÁGICO), alergia respiratória recorrente, HIV, asma e fibrose cística.

Enquanto a sinusite aguda costuma resolver-se sozinha em alguns dias, a sinusite crônica é uma inflamação mais difícil de ser controlada, devendo ser sempre avaliada por um otorrinolaringologista. Apesar de ser de difícil cura, ela pode ser controlada com tratamento adequado.

Iremos falar sobre a sinusopatia crônica com mais detalhes em um texto à parte que será escrito brevemente.

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Médico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (U.F.R.J) em 2002. Especialista em Medicina Interna e Nefrologia. Títulos reconhecidos pela Faculdade do Porto, Ordem dos Médicos de Portugal e Colégio de Nefrologia Português.