Sinusite: sintomas, causas e tratamento


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Revisado e atualizado em maio 5, 2026
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Principais informações sobre a sinusite

A sinusite é a inflamação dos seios da face e, na prática, quase sempre vem acompanhada de rinite, formando o quadro chamado rinossinusite. Os sintomas mais típicos são nariz entupido, secreção nasal espessa ou amarelada, dor ou pressão na face, dor de cabeça, tosse — principalmente à noite — e redução do olfato.

Na maioria dos casos, a sinusite aguda é causada por vírus respiratórios e melhora espontaneamente em cerca de 7 a 10 dias, com tratamento voltado para alívio dos sintomas. Lavagem nasal com soro fisiológico, corticoide nasal em spray, analgésicos e evitar fumaça ou irritantes costumam ser as medidas mais úteis.

Antibióticos não são necessários na maior parte das sinusites. Eles ficam reservados para casos em que há forte suspeita de infecção bacteriana, como sintomas que duram mais de 10 dias sem melhora, febre alta com secreção purulenta por vários dias ou piora súbita após uma melhora inicial.

Procure atendimento médico se houver febre acima de 39 ºC, inchaço ou vermelhidão ao redor dos olhos, alteração visual, confusão mental, rigidez na nuca, dor de cabeça muito intensa ou prostração importante.

O que é sinusite?

Sinusite, ou sinusopatia, é o nome que damos à inflamação dos seios paranasais, também conhecidos como seios da face.

A sinusite pode ser resultado de infecções virais, bacterianas ou fúngicas, alergias ou problemas do sistema imunológico, incluindo as doenças autoimunes.

A sinusite vem habitualmente acompanhada de rinite, que é a inflamação da cavidade nasal, provocando um quadro chamado rinossinusite. Na maioria dos casos, a rinossinusite é provocada por vírus respiratórios, tais como rinovírus, vírus Influenza ou parainfluenza.

O que são os seios paranasais?

Os seios paranasais, também chamados de seios nasais ou seios da face, são cavidades cheias de ar dentro dos ossos do crânio e da face, que se comunicam com a cavidade nasal.

São quatro o número de seios paranasais, a saber:

  • Seio frontal.
  • Seio etmoidal.
  • Seio esfenoidal.
  • Seio maxilar.
Seios paranasais
Seios paranasais

Os seios da face são estruturas anatômicas importantes, pois desempenham as seguintes funções:

  • Umidificação e aquecimento do ar respirado pelo nariz.
  • Aumento da ressonância da voz.
  • Equilíbrio das pressões intracranianas quando há variações na pressão atmosférica (mergulhos, viagens de avião ou subidas a grandes altitudes).
  • Secreção de muco para proteção das vias aéreas superiores.
  • Absorção de impacto em casos de trauma (materiais ocos absorvem mais impacto do que materiais maciços).

Os seios paranasais são bilaterais e simétricos, ligam-se à cavidade nasal por pequenos orifícios por onde é drenado o muco produzido.

Quadros de alergia ou gripe, por exemplo, causam edema da mucosa nasal e aumento das secreções, obstruindo facilmente a drenagem dos seios da face. A impossibilidade de escoar o muco produzido leva à congestão dos seios e, consequentemente, à sinusite.

Tipos de rinossusite

A rinossinusite pode acometer qualquer um dos quatro seios paranasaismaxilares, etmoidais, frontais e esfenoidais — e pode ser unilateral ou bilateral.

Classificação da sinusite por duração:

  • Aguda: sintomas por menos de 4 semanas.
  • Subaguda: sintomas entre 4 e 12 semanas.
  • Crônica: sintomas por 12 semanas ou mais, de forma contínua.
  • Recorrente: quatro ou mais episódios agudos ao longo de um ano, com intervalos de resolução completa entre as crises.

Origem dos episódios agudos

A maioria das rinossinusites agudas é de origem viral.

Crises de rinite alérgica podem desencadear congestão e obstrução nasal, predispondo a episódios de rinossinusite, mas alergia, por si só, não é infecção.

Em uma minoria dos quadros, o acúmulo e a estase de muco favorecem a proliferação de bactérias que habitam as vias aéreas, levando a rinossinusite bacteriana — situação típica de piora após aparente melhora (“duplo agravamento”) ou de sintomas que persistem além do esperado para um resfriado comum.

Evolução para a forma crônica

A rinossinusite crônica é predominantemente uma doença inflamatória de longa duração e não apenas uma “infecção que não curou”. Pode apresentar exacerbações bacterianas ocasionais, mas a base do problema é a inflamação persistente da mucosa (explicamos a sinusite crônica no final do artigo).

Subtipos clínicos úteis na prática:

  • Rinossinusite crônica com pólipos e sem pólipos: a presença de pólipos nasais ajuda a definir condutas e prever resposta ao tratamento.
  • Sinusite odontogênica: relacionada a doença/procedimentos dentários em molares superiores, geralmente unilateral.
  • Barossinusite: desencadeada por variações de pressão (mergulho, aviação).
  • Fúngica (formas específicas): bola fúngica e rinossinusite fúngica alérgica, entre outras.

Sintomas da sinusite

Os principais sintomas da sinusite aguda são:

  • Congestão nasal.
  • Corrimento nasal purulento (coriza amarelada).
  • Dor de cabeça.
  • Dor na face.
  • Dor na arcada dentária superior.
  • Dor em volta dos olhos.
  • Sensação de pressão quando se abaixa a cabeça.
  • Ouvidos entupidos.
  • Mau hálito.
  • Tosse (principalmente noturna).
  • Diminuição do paladar e do olfato.

É comum a presença de dor quando fazemos pressão com os dedos sobre os seios nasais, principalmente nos seios frontais e maxilares, que são os mais superficiais.

A maioria dos casos de sinusite viral ou alérgica melhora espontaneamente dentro de 10 dias. Sinusites bacterianas leves também podem ser autolimitadas, mas nos casos mais sintomáticos, com febre alta e coriza purulenta, a cura geralmente só vem com tratamento antibiótico.

Sinusite bacteriana

Quando há contaminação da sinusite por bactérias, é comum surgir febre. Porém, como a gripe pode desencadear sinusopatia e também cursar com febre, nem sempre é fácil fazer a distinção entre uma sinusite viral e uma sinusite bacteriana. Como já foi salientado, a sinusopatia pode começar como uma infecção viral ou um quadro alérgico e, depois de alguns dias, se transformar em sinusite bacteriana.

Em muitos casos, não é possível distinguir uma sinusite viral de uma sinusite bacteriana nos primeiros 10 dias de doença.

A existência de uma rinossinusite bacteriana aguda deve ser suspeitada em pacientes com qualquer uma das seguintes características:

  1. Sinais e sintomas de sinusite aguda com duração de 10 ou mais dias sem melhora clínica.
  2. Início do quadro já com sintomas mais graves, como febre maior que 39ºC e descarga nasal purulenta, com duração de pelo menos três dias consecutivos.
  3. Quadro de sinusopatia aguda que melhora após poucos dias, mas subitamente volta a piorar, surgindo febre, dor na face e coriza purulenta.

Complicações mais comuns

Como os seios da face apresentam íntima relação com órgãos nobres, como olhos, ouvidos e cérebro, a sinusite bacteriana pode levar a complicações graves.

É importante procurar atendimento médico sempre que houver os seguintes sinais de complicação listados abaixo:

  • Febre acima de 39ºC.
  • Edema ou vermelhidão na face.
  • Edema e vermelhidão em volta dos olhos.
  • Visão dupla ou qualquer outra alteração visual.
  • Confusão mental.
  • Dor de cabeça muito intensa.
  • Rigidez de nuca.
  • Prostração intensa.

A sinusite bacteriana, apesar de apresentar uma taxa de mortalidade baixa, é uma infecção que não deve ser negligenciada, principalmente quando existem os sinais descritos acima.

Entre as suas possíveis complicações, podemos citar a infecção dos olhos, meningite, abscesso cerebral, infecção da pele ou dos ossos da face, otite e labirintite.

Como é feito o diagnóstico da sinusite?

O diagnóstico da sinusite quase sempre é clínico, obtido através da história e do exame físico.

Se o médico que estiver atendendo for um otorrinolaringologista, ele pode fazer uma rinoscopia (endoscopia nasal) para tentar visualizar diretamente os seios paranasais e confirmar a suspeita clínica.

Radiografia dos seios da face

Em caso de dúvida, pode-se lançar mão de exames de imagem. A radiografia dos seios da face, muito usada antigamente, não é mais considerada um bom exame, pois a sua sensibilidade é baixa.

Quando o resultado é positivo, como na foto abaixo, que mostra uma sinusopatia do seio maxilar esquerdo, o diagnóstico pode ser confirmado. O problema é que se a radiografia for normal, não dá para descartar a existência da sinusite, pois o exame não consegue detectar até 40% dos casos.

Sinusite na radiografia de seios da face
Sinusite na radiografia de seios da face

Tomografia computadorizada dos seios da face

O exame de imagem mais utilizado atualmente é a tomografia computadorizada (TC). Compare as imagens abaixo de duas tomografias computadorizadas dos seios da face e veja como a qualidade das imagens é muito superior.

Sinusite na tomografia computadorizada
Sinusite na tomografia computadorizada

A TC da direita está normal e os seios paranasais estão preenchidos somente com ar (imagem preta). À esquerda, podemos ver uma TC de seios da face evidenciando sinusopatia bilateral, mais evidente no seio maxilar direito, que está completamente tomado por líquido (imagem cinzenta).

As imagens fornecidas pela TC são muito mais bem definidas. Ao contrário do que ocorre na radiografia simples dos seios da face, uma tomografia computadorizada com resultado normal consegue excluir o diagnóstico de sinusite.

Opções de tratamento da rinossinusite

A maioria dos casos de sinusite aguda melhora espontaneamente em 7 a 10 dias. O tratamento, portanto, é basicamente sintomático. Mesmo as sinusites bacterianas costumam ter bom prognóstico, pois as complicações são pouco comuns.

Para o tratamento das sinusopatias agudas não bacterianas, estão indicados a lavagem da cavidade nasal com solução salina (soro fisiológico) e aplicação de corticoides nasais em spray. Compressas mornas sobre o rosto podem trazer alívio; já a ingestão vigorosa de líquidos ajuda a diluir as secreções.

Durante as crises, é importante evitar contato com fumaça de cigarro, pois este é um importante fator de irritação das vias aéreas. Além da fumaça, é importante tentar identificar outros estímulos que possam ser irritantes para as vias aéreas, como frio ou produtos químicos de odor forte.

Fora essas orientações, nada mais é muito eficaz. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, não é necessário se encher de remédios para tratar uma sinusite.

Descongestionantes nasais

Os descongestionantes nasais são geralmente usados em excesso e desnecessariamente. Quando necessário, indica-se o seu uso por no máximo 3 dias, visto que estas drogas estão associadas a recaídas, provocadas por congestão nasal de rebote. O paciente usa o descongestionante, apresenta alívio temporário dos sintomas, mas quando o suspende, a congestão nasal retorna rapidamente, criando-se assim um círculo vicioso.

Anti-histamínicos

O uso de anti-histamínicos (antialérgicos), apesar de ser muito prescrito, não apresenta evidências de benefícios na sinusite. Se não há um processo alérgico por trás, é pouco provável que essa classe de remédios traga algum benefício.

Antibióticos

Os antibióticos têm papel específico na rinossinusite: devem ser usados quando o quadro sugere fortemente origem bacteriana. Em termos práticos, isso costuma acontecer quando os sintomas persistem 10 dias ou mais sem melhora, quando há início muito grave (febre alta, dor facial intensa, secreção claramente purulenta), ou quando ocorre o chamado “duplo agravamento” — o paciente começa a melhorar e, subitamente, volta a piorar. Fora desses cenários, o benefício é mínimo e o risco de efeitos adversos e resistência bacteriana aumenta desnecessariamente.

Quando o uso é indicado, a primeira escolha é amoxicilina com ácido clavulânico, salvo contraindicações. Em adultos, a duração usual é de 5 a 7 dias; em crianças, 10 a 14 dias. É prudente reavaliar o quadro em 48 a 72 horas: se não houver resposta, é importante reconsiderar o diagnóstico (por exemplo, uma rinite alérgica descompensada).

Alguns antibióticos podem ser utilizados para tratar sinusite bacteriana, mas, em geral, não devem ser a primeira opção no tratamento empírico. Exemplos: macrolídeos (azitromicina, claritromicina) e trimetoprim-sulfametoxazol, dado que apresentam maiores taxas de resistência para os agentes habituais da rinossinusite bacteriana, como Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae.

Já as fluoroquinolonas “respiratórias” (levofloxacino, moxifloxacino) devem ficar reservadas para situações específicas — por exemplo, alergia grave à penicilina e seus derivados, falha terapêutica documentada ou infecções complicadas — devido ao perfil de eventos adversos e ao impacto na seleção de resistência.

Em caso de alergia à penicilina, a alternativa depende do tipo de reação. Se não for imediata (não anafilática), pode-se considerar cefalosporinas orais adequadas à idade e ao contexto local de resistência. Se a alergia for imediata, em adultos a doxiciclina pode ser uma opção; quando isso não é possível, avalia-se, caso a caso, o uso de uma fluoroquinolona respiratória sob orientação médica. (Em crianças pequenas, a doxiciclina, em geral, não é indicada.)

Por fim, vale reforçar: antibióticos não encurtam a evolução dos quadros de sinusite de origem viral e não devem ser utilizados “só para garantir”. Na ausência de critérios para origem bacteriana, o manejo adequado inclui analgésicos, corticoide intranasal e lavagem salina de forma regular, observando os sinais de alarme que exigem reavaliação médica.

Nota: se a sinusopatia não tiver características de origem bacteriana, não há motivos para usar antibióticos.

Sinusite crônica (rinossinusite crônica)

A rinossinusite crônica é definida pela presença de sintomas nasossinusais por 12 semanas ou mais, de forma contínua, com predomínio de inflamação da mucosa dos seios paranasais.

Costuma manifestar-se com obstrução nasal, secreção nasal/pós-nasal, dor ou pressão facial e redução do olfato. Diferentemente da forma aguda, não é apenas uma “infecção que não passou”; trata-se, na maior parte dos casos, de um processo inflamatório persistente, que pode sofrer exacerbações ocasionais por bactérias.

A doença pode ocorrer com pólipos nasais (rinossinusite crônica com pólipos) ou sem pólipos. Desvio de septo e outras alterações anatômicas podem favorecer a cronicidade por dificultarem a ventilação e a drenagem dos seios, mas raramente são a causa única do problema.

Entre os fatores associados, destacam-se: rinite alérgica recorrente, asma (incluindo a tríade com intolerância a AINEs), sinusite odontogênica (doença dentária ou procedimentos em molares superiores), infecções fúngicas em formas específicas (bola fúngica, rinossinusite fúngica alérgica), imunodeficiências (incluindo HIV), fibrose cística e discinesia ciliar. O refluxo gastroesofágico pode atuar como fator agravante em parte dos pacientes, mas não é causa universal.

O manejo da sinusite crônica é voltado ao controle de sintomas e da inflamação. As bases do tratamento são a lavagem nasal com solução salina de forma regular e o corticoide intranasal em uso contínuo.

Em fases de piora importante, pode-se recorrer a ciclos curtos de corticoide oral, sempre com acompanhamento médico. Antibióticos ficam reservados somente para exacerbações bacterianas comprovadas.

O controle das comorbidades (rinite, asma, alergias, foco dentário) é fundamental, assim como evitar irritantes nasais (p. ex., tabaco).

Nos casos refratários, a cirurgia endoscópica funcional pode melhorar a ventilação, a drenagem e facilitar o tratamento tópico. Em pacientes com forma com pólipos e doença persistente apesar do tratamento clínico e cirúrgico, terapias biológicas selecionadas podem ser consideradas pelo especialista (ex.: Dupilumabe (Dupixent®), Omalizumabe (Xolair®) ou Epolizumabe (Nucala®)).

Por ser uma condição de controle mais complexo, a rinossinusite crônica deve ser acompanhada por otorrinolaringologista. Embora a cura definitiva nem sempre seja possível, a maioria dos pacientes alcança bom controle dos sintomas com o plano terapêutico adequado.




Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Liane

    Ola Dr. Agradeço por doar seu tempo e suas informações. Certamente sao de muita utilidade e valia a todos que buscam maiores esclarecimentos sobre as enfermidades.
    Enfim, gostaria de saber se o desvio de septo e adenoide aumentada de um lado apenas pode ter relação com a sinusite? E se isso pode ser a causa de episódios recorrentes de sinusite?
    Desde já agradeço sua atenção.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Sim, podem ter relação. O desvio de septo e a adenoide aumentada podem dificultar a passagem de ar pelo nariz e atrapalhar a drenagem das secreções dos seios da face. Quando isso acontece, o paciente pode ter mais obstrução nasal, rinite de repetição e maior tendência a episódios de rinossinusite.

    Isso não significa, porém, que o desvio de septo seja sempre a única causa da sinusite recorrente. Rinite alérgica, pólipos nasais, infecções respiratórias repetidas, sinusite de origem dentária e outras alterações anatômicas também precisam ser consideradas. Nos casos de sinusite recorrente, a avaliação com otorrinolaringologista é o melhor caminho para definir se o tratamento deve ser apenas clínico ou se há indicação de correção cirúrgica.

  2. Wayner

    Ótimo artigo e simples entendimento. Uma pergunta Dr, sinto um forte cheiro de fumaça constantemente, que só eu sinto, mais ninguem. Teria alguma ligação com sinusite? Ou o que pode ser?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Pode ter relação, mas não é a única possibilidade. Quando a pessoa sente um cheiro que não está presente no ambiente, como cheiro de fumaça, queimado ou produto químico, chamamos isso de fantosmia. Quando o cheiro existe, mas é percebido de forma distorcida, chamamos de parosmia.

    Rinite, sinusite, pólipos nasais, infecções virais recentes e alterações do olfato após quadros respiratórios podem causar esse tipo de sintoma. Em alguns casos, porém, enxaqueca, uso de medicamentos e causas neurológicas também precisam ser consideradas.

    Se o sintoma é persistente, recorrente ou vem acompanhado de dor de cabeça forte, alteração neurológica, perda importante do olfato ou secreção nasal unilateral com mau cheiro, o ideal é procurar um otorrinolaringologista.

  3. Heloy Coelho

    Bom dia Dr. Quanto tempo em media o ouvido volta ao normal depois de entupir por causa da sinusite?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Depende da intensidade da inflamação nasal e da tuba auditiva. Em alguns casos, o ouvido melhora em poucos dias, junto com a melhora da rinite ou sinusite. Em outros, a sensação de ouvido entupido pode durar uma ou duas semanas, mesmo após a melhora dos sintomas principais, porque a tuba auditiva ainda permanece inflamada ou com dificuldade de equalizar a pressão.

    Procure atendimento se houver dor forte no ouvido, febre, saída de secreção, tontura, zumbido intenso, perda auditiva importante ou se o ouvido continuar entupido por mais de alguns dias sem melhora progressiva.

  4. Fernando Pedroso

    Boa tarde. Tenho uma sensação de ter muco na garganta. Ao fim de um tempo de falar começa a doer um pouco as cordas vocais e consigo sentir muco à volta das mesmas, e depois na zona da maçã de Adão ou mesmo nas cordas vocais sinto tipo um bolo e dói.

    Isto tudo começou no trabalho onde levo com o ar condicionado direto o dia todo. Comecei por sentir dores de garganta e parecia que tinha picos no fundo da garganta. Refluxo não é, já foi confirmado.

    Sabe o que poderá ser? Será sinusite?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Pode até ser sinusite, mas não é a única possibilidade. A sinusite e a rinite podem causar gotejamento pós-nasal, que é a descida de secreção do nariz para a garganta. Isso pode provocar sensação de muco preso, pigarro, tosse, irritação na garganta e piora ao falar por muito tempo.

    No entanto, dor na região das cordas vocais, sensação de bolo na garganta e piora com ar-condicionado também podem ocorrer em laringite irritativa, ressecamento das vias aéreas, alergias, uso excessivo da voz e refluxo laringofaríngeo.

    Quando o sintoma persiste, a avaliação com otorrinolaringologista é útil porque permite examinar nariz, garganta e laringe, muitas vezes com nasofibrolaringoscopia.

  5. William Macêdo

    Parabéns pelo site. Gostaria de saber se casos esporádicos (2-3x por ano) de curta duração, de rinite alérgica geralmente acompanhada de sinusite alérgica, com o tratamento a base de prednisona, pode a longo prazo comprometer o paladar ou olfato de alguma forma. Abraço.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Episódios curtos e esporádicos de rinite ou sinusite geralmente não causam perda permanente do olfato ou do paladar. Durante as crises, é comum haver redução temporária do olfato, principalmente por obstrução nasal e inflamação da mucosa. Como boa parte do que chamamos de “paladar” depende do olfato, o paciente também pode perceber alteração no gosto dos alimentos.

    O ponto de atenção é o uso repetido de prednisona. Corticoide oral pode ser útil em situações específicas, mas não deve ser usado de forma recorrente sem acompanhamento médico, por causa dos possíveis efeitos colaterais. Se as crises são frequentes, costuma ser melhor controlar a rinite com medidas preventivas, lavagem nasal, corticoide nasal e investigação de alergias ou pólipos, conforme o caso.

    Se a perda de olfato persistir fora das crises, vale a pena procurar um otorrinolaringologista.

  6. Diana

    Dr. É normal ter falta de ar por causa da sinusite?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Sinusite isolada não costuma causar falta de ar. A rinossinusite pode causar nariz entupido, tosse, gotejamento pós-nasal, sensação de catarro na garganta e dificuldade para respirar pelo nariz. Isso pode dar a impressão de “respiração ruim”, mas falta de ar verdadeira — principalmente aquela sentida no peito, com chiado, cansaço para falar, dor torácica, lábios arroxeados ou piora aos esforços — não é um sintoma típico de sinusite simples.

    Quando há falta de ar, é importante pensar em outras causas, como asma, bronquite, pneumonia, COVID-19, gripe mais intensa ou outras doenças respiratórias. Nessa situação, o ideal é procurar avaliação médica.

  7. Sabrina

    Adorei as explicações foram muito útil. Estou com mais de 15 dias com dores na face ao redor dos olhos e com secreção esverdeada, ao assoar o nariz fortes dores de cabeça, perda de olfato e dói minha dentição. O que eu tenho? sinusite ou rinite ou sinusopatia.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Pelo conjunto dos sintomas, rinossinusite é uma possibilidade importante.

    Dor ou pressão na face, secreção nasal amarela ou esverdeada, piora ao abaixar a cabeça, dor nos dentes superiores e redução do olfato são sintomas compatíveis com sinusite. Quando esse quadro dura mais de 10 dias sem melhora, ou quando melhora e depois piora novamente, aumenta a suspeita de rinossinusite bacteriana.

    Rinite também pode estar associada, pois a inflamação nasal facilita a obstrução e a retenção de secreções nos seios da face. Já “sinusopatia” é apenas um termo genérico para doença dos seios da face, não um diagnóstico mais específico.

    Como você já está há mais de 15 dias com sintomas importantes, o ideal é ser avaliada para confirmar o diagnóstico e definir se há necessidade de antibiótico ou outro tratamento.

  8. Adriana Carrara

    Bom dia Dr. Pedro.
    Refluxo pode causar sinusite constante?
    Se sim, porquê?
    Obrigada.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Pode contribuir em alguns casos, mas refluxo não costuma ser a principal causa de sinusite constante.

    O refluxo gastroesofágico, principalmente quando atinge a garganta — chamado refluxo laringofaríngeo — pode irritar a laringe e a faringe, causando pigarro, tosse crônica, sensação de muco preso, rouquidão e dor ou ardência na garganta. Em algumas pessoas, essa irritação pode piorar sintomas nasais ou favorecer inflamação das vias aéreas superiores.

    Mesmo assim, quando há sinusite frequente ou sintomas nasais persistentes, é importante investigar causas mais comuns, como rinite alérgica, pólipos nasais, desvio de septo, sinusite de origem dentária, exposição a irritantes e rinossinusite crônica.

  9. Sérgio Costa

    Olá boa tarde tenho uma dor de cabeça no lado esquerdo e olho também….quando presiono também dói e se abaixar a cabeça aumenta a dor…. é sinusite?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Pode ser sinusite, principalmente se vier junto com nariz entupido, secreção nasal, dor ou pressão na face e piora ao abaixar a cabeça. A dor da sinusite costuma ser descrita como pressão na testa, ao redor dos olhos, nas maçãs do rosto ou nos dentes superiores. Ela pode piorar quando a pessoa inclina a cabeça para frente.

    Mas dor unilateral no olho ou na cabeça também pode ter outras causas, como enxaqueca, cefaleia em salvas, problemas dentários, alterações oculares ou neuralgias. Procure atendimento com urgência se houver dor muito intensa ou súbita, alteração visual, olho vermelho, inchaço ao redor dos olhos, febre alta, rigidez na nuca ou confusão mental.

  10. Mônica Garcia

    Meu ouvido está entupindo muito e minha vista embaçando, faço lavagem nasal usando solução salina duas vezes ao dia. Isso já ajuda ou é melhor procurar um otorrino?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    A lavagem nasal pode ajudar quando há rinite ou sinusite, mas vista embaçada não deve ser atribuída automaticamente à sinusite. Nariz entupido e ouvido entupido podem estar relacionados à inflamação nasal e à disfunção da tuba auditiva. Já alteração visual, visão embaçada, visão dupla, dor nos olhos ou inchaço ao redor dos olhos exigem mais cautela, porque podem indicar problema ocular ou complicação que precisa ser avaliada.

    Eu acho que o mais prudente é ser avaliada por um médico, que pode ser o otorrino.

  11. Gleise Silva

    Olá. Fui diagnosticada com sinusite, a médica me receitou amoxicilina durante 7 dias e loratadina durante cinco dias. Acontece que já é o sétimo dia que tomo o antibiótico e ainda estou com tosse e uma secreção nasal amarela. Devo voltar ao médico ou espero o organismo reagir?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Sim, se com 7 dias de antibiótico ainda há sintomas importantes, o ideal é reavaliar.

    A persistência de tosse e secreção nasal não significa necessariamente que o antibiótico “não fez efeito”. A tosse pode continuar por alguns dias por causa do gotejamento pós-nasal, e secreção amarelada pode ocorrer também em infecções virais ou inflamação nasal. Porém, se não houve melhora clara, se houve piora, se há febre, dor facial intensa ou secreção purulenta persistente, é necessário rever o diagnóstico e o tratamento.

    Não é indicado prolongar ou trocar antibiótico por conta própria. A reavaliação serve justamente para decidir se o quadro ainda é sinusite bacteriana, se há rinite associada, otite, bronquite, alergia ou outra causa para os sintomas.

  12. Uederson Ferreira

    Doutor, eu fui acometido por uma gripe esses dias como a muito tempo não acontecia comigo. E entre os sintomas, veio a dor de garganta. O médico me receitou alguns remédios e amoxicilina para combater a infecção na garganta. Mas depois que eu comecei a tomar a amoxicilina, notei minha sinusite atacou, e quando vou assoar o nariz, sinto uma certa dor na região da face e acima dos olhos. Existe alguma relação entre eu estar utilizando amoxicilina e a sinusite ter atacado?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Não. Amoxicilina não costuma desencadear sinusite. O mais provável é que a infecção respiratória inicial, como gripe ou resfriado, tenha evoluído com inflamação nasal, obstrução e acúmulo de secreção nos seios da face. A sinusite muitas vezes começa justamente após uma virose respiratória.

    O antibiótico não “ativa” a sinusite. O que pode acontecer é o antibiótico ter sido prescrito para outro foco, como garganta, e a rinossinusite aparecer ou ficar mais evidente durante a evolução do mesmo quadro respiratório.

  13. 101% GLOBO

    Bom dia, sinusite pode vir com sangue no catarro?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Pode, mas é importante diferenciar de onde o sangue está vindo. Na sinusite ou na rinite, pequenas quantidades de sangue podem aparecer misturadas à secreção nasal por irritação da mucosa, ressecamento ou esforço ao assoar o nariz. Às vezes, esse sangue escorre para a garganta e sai junto com o catarro.

    Outra situação é o sangue vir realmente dos pulmões, junto com tosse. Nesse caso, o problema deixa de ser apenas nasal e precisa ser avaliado com mais cuidado, principalmente se houver falta de ar, dor no peito, febre persistente, grande quantidade de sangue, perda de peso ou uso de anticoagulantes.

  14. Vivian Terensi

    Doutor parabéns pela sua explicação! Eu estou com secreção esverdeada no nariz e quando assoo o mesmo sai um pouquinho de sangue.
    Seria sinusite? O que fazer? Por favor, não tenho convênio e a saúde pública está um caos!

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Pode ser sinusite, mas a presença de secreção verde, sozinha, não confirma que seja uma infecção bacteriana.

    Um pouco de sangue ao assoar o nariz pode acontecer por irritação ou pequenas fissuras na mucosa nasal, especialmente quando a pessoa assoa com força, está com o nariz muito ressecado ou faz lavagens frequentes. Se o sangramento é pequeno, ocasional e misturado ao muco, geralmente não é sinal de gravidade.

    A avaliação médica passa a ser mais importante se houver febre alta, dor forte na face, sintomas por mais de 10 dias sem melhora, piora após uma melhora inicial, sangramento nasal repetido ou em grande quantidade, secreção com mau cheiro em apenas um lado do nariz ou alteração na visão.

  15. Antonio Azambuja

    Olá.
    Dor no ouvido e no olho esquerdo pode ser sinusite? Tive uns meses atrás mas teoricamente me curei.
    Obrigado

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Pode. A sinusite e a rinite podem causar dor ou pressão ao redor dos olhos e também sensação de ouvido entupido ou dor no ouvido. Isso acontece porque a inflamação nasal pode afetar a tuba auditiva, estrutura que ajuda a equalizar a pressão dentro do ouvido.

    Apesar disso, dor no ouvido também pode ser otite, e dor no olho pode ter causas oculares ou neurológicas. Se houver febre alta, secreção no ouvido, perda auditiva importante, tontura, olho vermelho, alteração visual ou inchaço ao redor dos olhos, é melhor procurar atendimento médico.

  16. Matheus Pereira

    Ola Dr. a sinusite também é responsavel por aumentar os gânglios em volta do pescoço? a bacteriana?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Pode. Infecções e inflamações das vias aéreas superiores, como rinossinusite, faringite, amigdalite e otite, podem causar aumento reacional dos gânglios do pescoço. Esses linfonodos costumam ser pequenos, móveis, doloridos e tendem a diminuir conforme a infecção melhora.

    A avaliação médica é recomendada se o gânglio for grande, duro, fixo, continuar crescendo, não regredir após algumas semanas, vier acompanhado de perda de peso, febre persistente, suor noturno ou se houver aumento de gânglios em várias regiões do corpo.

  17. Felipe Molgão

    Olá Dr.
    Uma Dúvida, é perigoso fazer inalação com soro fisiológico todo dia? quantas vezes é o ideal?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Lavagem nasal com soro fisiológico pode ser feita todos os dias e, durante crises de rinite ou sinusite, pode ser feita mais de uma vez ao dia. A lavagem nasal ajuda a remover secreções, reduzir crostas, aliviar a obstrução e melhorar o funcionamento da mucosa nasal. Em geral, pode ser feita 1 a 4 vezes ao dia, conforme a quantidade de secreção e a orientação médica.

  18. Marcelo K-libra O Fígado

    Boa tarde, Doutor, fui no posto de saúde, a Doutora me deu 2 injeções, decadron e uma benzetacil, porém não me receitou nenhum medicamento para tomar.
    É normal isso? Só estes medicamentos que tomei vão fazer efeito?
    Obrigado pela resposta no aguardo.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Benzetacil não costuma ser o antibiótico usado para tratar sinusite. O Benzetacil é uma penicilina de depósito, que permanece agindo por vários dias no organismo, mas ela é mais usada em situações específicas, como algumas infecções de garganta por estreptococo e sífilis, não como tratamento habitual da rinossinusite bacteriana.

    O Decadron é um corticoide e pode reduzir inflamação e sintomas por curto prazo, mas não trata sozinho uma infecção bacteriana. Se o diagnóstico era sinusite e os sintomas persistem, pioram ou vêm com febre, dor facial intensa, secreção purulenta ou falta de melhora após alguns dias, o ideal é reavaliar, de preferência com um otorrinolaringologista.

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