Cloridrato de ciprofloxacino (bula simplificada)

Atualizado:
15 ago. 2026
Atualizado:
15 ago. 2026

Principais informações sobre o ciprofloxacino

O que é: o ciprofloxacino é um antibiótico da classe das fluoroquinolonas, utilizado principalmente contra algumas infecções causadas por bactérias gram-negativas.

Para que serve: pode ser indicado para pielonefrite, infecções urinárias complicadas, prostatite bacteriana e algumas infecções gastrointestinais, ósseas, articulares e por Pseudomonas. Atualmente, não costuma ser a primeira opção para cistite simples.

Como tomar: nos adultos, as doses orais mais utilizadas variam de 250 a 750 mg a cada 12 horas, mas a dose e a duração dependem do tipo de infecção, da bactéria e da função renal.

Principais efeitos adversos: náusea e diarreia são os mais comuns. Raramente, podem ocorrer efeitos graves, como tendinite ou ruptura de tendão, neuropatia periférica e alterações neurológicas.

Quem deve ter cuidado: crianças, gestantes, pessoas com insuficiência renal, miastenia gravis, epilepsia, histórico de problemas nos tendões ou maior risco de aneurisma da aorta precisam de avaliação individual.

Interações importantes: não deve ser usado junto com tizanidina. Antiácidos e suplementos contendo cálcio, ferro, magnésio, alumínio ou zinco reduzem sua absorção e precisam ser tomados em horários separados.

Importante: o ciprofloxacino só funciona contra bactérias sensíveis. Quando houver cultura e antibiograma, esses resultados ajudam a definir se ele é realmente uma boa opção.

O que é o ciprofloxacino?

O cloridrato de ciprofloxacino (ou ciprofloxacina) é um antibiótico da família das fluoroquinolonas, que também inclui medicamentos como norfloxacino, ofloxacino, levofloxacino e moxifloxacino.

O ciprofloxacino age inibindo enzimas bacterianas chamadas DNA-girase e topoisomerase IV, essenciais para a multiplicação e sobrevivência das bactérias.

Esse antibiótico tem boa atividade contra diversas bactérias gram-negativas e ainda é útil no tratamento de algumas infecções urinárias complicadas, prostatites bacterianas e outras infecções causadas por germes sensíveis.

Ação antibacteriana do ciprofloxacino
Ação antibacteriana do ciprofloxacino

Entretanto, seu uso tem sido mais restrito nos últimos anos por causa do aumento da resistência bacteriana e do risco, embora incomum, de efeitos adversos graves e potencialmente persistentes. Por esse motivo, o ciprofloxacino não costuma ser a primeira opção para infecções simples quando existem antibióticos mais seguros e igualmente eficazes.

Nas crianças, o ciprofloxacino também não é um antibiótico de primeira escolha, principalmente pelo maior risco de efeitos adversos musculoesqueléticos. Porém, ele pode ser utilizado em algumas situações específicas. As indicações pediátricas aprovadas variam entre o Brasil e a Europa e são explicadas mais adiante neste artigo.

Atenção: este texto não aspira ser uma bula completa do ciprofloxacino. Nosso objetivo é ser menos técnico que uma bula e mais útil aos pacientes que procuram informações sobre esse medicamento. O que faremos aqui é um resumo das informações mais relevantes da literatura médica e das diferentes bulas de ciprofloxacino disponibilizadas pelos principais fabricantes.

Para que serve o ciprofloxacino?

O ciprofloxacino é uma fluoroquinolona de 2ª geração com ação contra diversas bactérias, principalmente as gram-negativas.

Entre as infecções nas quais o ciprofloxacino pode ser utilizado, dependendo da bactéria envolvida e do seu perfil de sensibilidade, podemos citar:

  • Cistite, em situações selecionadas nas quais os antibióticos habitualmente recomendados não são adequados.
  • Pielonefrite.
  • Infecções urinárias complicadas.
  • Prostatite bacteriana.
  • Gonorreia em situações selecionadas, quando a sensibilidade da bactéria ao ciprofloxacino estiver documentada.
  • Algumas diarreias bacterianas.
  • Febre tifoide.
  • Algumas infecções intra-abdominais, geralmente em associação com outro antibiótico quando também é necessária cobertura contra bactérias anaeróbias.
  • Algumas infecções das vias respiratórias causadas por bactérias gram-negativas.
  • Infecções dos ossos e articulações causadas por bactérias sensíveis.
  • Algumas infecções da pele e tecidos moles causadas por bactérias gram-negativas.
  • Infecções por Pseudomonas aeruginosa em situações específicas.
  • Antraz por inalação, incluindo profilaxia após exposição.
  • Peste.
  • Profilaxia da doença meningocócica em determinadas situações.

O fato de uma bactéria ser potencialmente sensível ao ciprofloxacino não significa que esse antibiótico seja sempre uma boa opção para tratá-la. A escolha depende do local e da gravidade da infecção, do perfil de resistência bacteriana da região e, quando disponível, do resultado da cultura e do antibiograma.

Esse ponto é particularmente importante nas infecções urinárias. A resistência da bactéria Escherichia coli às fluoroquinolonas aumentou muito em diversas regiões, motivo pelo qual o ciprofloxacino deixou de ser uma das primeiras opções para a cistite simples.

O mesmo raciocínio vale para a gonorreia. Devido à resistência da Neisseria gonorrhoeae, o ciprofloxacino não deve ser utilizado empiricamente para tratar gonorreia, salvo em situações específicas nas quais a sensibilidade da bactéria esteja demonstrada.

Ação contra bactérias gram-negativas

Entre as bactérias gram-negativas que podem apresentar sensibilidade ao ciprofloxacino estão Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae, Klebsiella oxytoca, Proteus mirabilis, Proteus vulgaris, Enterobacter spp., Citrobacter freundii, Morganella morganii, Serratia marcescens, Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalis, Shigella spp., Campylobacter spp. e Pseudomonas aeruginosa.

Ação contra bactérias gram-positivas

Entre as bactérias gram-positivas, o espectro é mais limitado. Algumas cepas de Staphylococcus aureus sensíveis à meticilina podem ser suscetíveis, mas o ciprofloxacino tem atividade insuficiente contra vários estreptococos, incluindo Streptococcus pneumoniae, não sendo uma boa escolha quando esses germes são a principal suspeita.

O ciprofloxacino não oferece cobertura adequada para muitas bactérias anaeróbias. Por isso, algumas infecções intra-abdominais, pélvicas ou mistas precisam de associação com outros antibióticos.

Nomes comerciais e apresentações

O ciprofloxacino é um antibiótico disponível há muitos anos e pode ser adquirido na forma genérica.

Dependendo do país e do fabricante, também pode ser encontrado sob diferentes nomes comerciais, incluindo:

  • Bactoflox.
  • Ciflox.
  • Cinoflax.
  • Cipro.
  • Ciprobiot.
  • Ciprocin.
  • Ciproxil.
  • Cirok.
  • Cypro.
  • Procin.
  • Proflox.
  • Quinoflox.

Apresentações

As apresentações também variam conforme o país e o fabricante.

Os comprimidos de liberação imediata são encontrados principalmente nas doses de 250 mg, 500 mg e 750 mg. Existem também, em alguns mercados, formulações de liberação prolongada, incluindo apresentações de 500 mg e 1000 mg.

O ciprofloxacino também pode existir sob a forma de suspensão oral e solução para administração intravenosa.

As formulações de liberação imediata e de liberação prolongada não devem ser consideradas automaticamente equivalentes, pois os esquemas de administração podem ser diferentes.

Posologia (doses)

Assim como acontece com a maioria dos antibióticos, a dose e a duração do tratamento dependem do tipo e da gravidade da infecção, da bactéria envolvida, do resultado do antibiograma e da função renal do paciente.

Nos comprimidos de liberação imediata, as doses utilizadas em adultos costumam variar de 250 a 750 mg a cada 12 horas, com dose máxima habitual de 1500 mg por dia.

Alguns dos esquemas utilizados em adultos são descritos a seguir.

Cistite

Atualmente, o ciprofloxacino não é um dos antibióticos de primeira escolha para a cistite simples, principalmente nas mulheres.

Quando seu uso é necessário porque as opções habitualmente recomendadas não são adequadas e a bactéria é sensível, um esquema utilizado para cistite aguda não complicada em mulheres é:

  • Ciprofloxacino 250 mg a cada 12 horas durante 3 dias.

A duração e a dose podem ser diferentes em homens ou em pacientes com infecção urinária complicada. Nos homens, deve-se também considerar a possibilidade de envolvimento da próstata, situação que pode exigir um tratamento mais prolongado.

Para conhecer as opções atualmente recomendadas para infecção urinária, leia: Remédios para infecção urinária – quais são os melhores?.

Pielonefrite

Quando o ciprofloxacino é apropriado e a bactéria é sensível, um esquema frequentemente utilizado para pielonefrite em adultos é:

  • Ciprofloxacino 500 mg a cada 12 horas durante 7 dias.

Em infecções mais complicadas, doses de 500 a 750 mg a cada 12 horas e tratamentos mais prolongados podem ser necessários.

Pacientes com pielonefrite grave, sepse, vômitos persistentes ou incapacidade de tomar medicamentos por via oral podem precisar iniciar o tratamento por via intravenosa.

Nos homens com infecção urinária febril, pielonefrite recorrente ou suspeita de comprometimento prostático, cursos mais prolongados, frequentemente de pelo menos 14 dias, podem ser necessários.

Prostatite bacteriana aguda

Na prostatite bacteriana aguda, a duração total do tratamento costuma ser de 2 a 4 semanas.

O ciprofloxacino na dose de 500 a 750 mg a cada 12 horas é uma das opções quando a bactéria é sensível.

Nos pacientes com infecção sistêmica importante, o tratamento pode ser iniciado por via intravenosa. Após melhora clínica, pode-se passar para um antibiótico oral adequado, completando o período total de tratamento.

Prostatite bacteriana crônica

Na prostatite bacteriana crônica causada por germes sensíveis, um esquema habitual é:

  • Ciprofloxacino 500 a 750 mg a cada 12 horas durante 4 a 6 semanas.

As fluoroquinolonas têm a vantagem de atingir boas concentrações no tecido prostático, mas a escolha deve sempre considerar a cultura e o antibiograma.

Outras posologias

Outros esquemas utilizados em adultos, conforme a infecção e a sensibilidade da bactéria, incluem:

  • Infecções de pele e tecidos moles: 500 a 750 mg a cada 12 horas, geralmente por 7 a 14 dias.
  • Infecções dos ossos e articulações: 500 a 750 mg a cada 12 horas, geralmente por 4 a 8 semanas. A duração depende do tipo de infecção, da bactéria envolvida e do controle adequado do foco infeccioso.
  • Infecções intra-abdominais complicadas: 500 mg a cada 12 horas por 7 a 14 dias, geralmente em associação com metronidazol ou outro antibiótico com atividade adequada contra bactérias anaeróbias.
  • Algumas diarreias bacterianas: 500 mg a cada 12 horas, geralmente por 3 a 7 dias, dependendo da bactéria causadora e do padrão de resistência. Na diarreia do viajante, quando o ciprofloxacino é uma opção adequada, um dos esquemas utilizados é de 500 mg a cada 12 horas por 3 dias.
  • Febre tifoide: 500 mg a cada 12 horas por 10 dias, quando a bactéria for sensível ao ciprofloxacino.
  • Peste: 750 mg a cada 12 horas por 10 a 14 dias.
  • Doença meningocócica (quimioprofilaxia em adultos): 500 mg em dose única, quando o ciprofloxacino for uma opção adequada segundo o perfil local de resistência.
  • Antraz por inalação após exposição: 500 mg a cada 12 horas durante 60 dias.
  • Cólera: 1000 mg em dose única, quando a cepa for sensível ao ciprofloxacino.

Essas doses são referências para adultos com função renal preservada. A escolha do ciprofloxacino e a duração do tratamento devem considerar o local da infecção, a gravidade do quadro, a identificação da bactéria e, sempre que disponível, o antibiograma.

Como tomar o ciprofloxacino

O ciprofloxacino pode ser tomado com o estômago cheio ou vazio. Quando ingerido em jejum, sua absorção pode ocorrer um pouco mais rapidamente.

O medicamento, porém, não deve ser ingerido junto apenas com leite, iogurte ou bebidas enriquecidas com cálcio, pois esses produtos podem reduzir sua absorção. Isso não significa que seja necessário evitar completamente os laticínios durante o tratamento: o ciprofloxacino pode ser tomado durante uma refeição que contenha esses alimentos.

Antiácidos e suplementos contendo cálcio, ferro, magnésio, alumínio ou zinco também podem reduzir significativamente a absorção do antibiótico. Como regra prática, o ciprofloxacino deve ser tomado 2 horas antes ou pelo menos 4 horas depois desses produtos.

É recomendável manter boa hidratação durante o tratamento.

Ajuste da dose na insuficiência renal

O ciprofloxacino é eliminado principalmente pelos rins. Nos pacientes com doença renal crônica, pode ser necessário ajustar a dose ou aumentar o intervalo entre as administrações.

O ajuste deve ser realizado de acordo com o clearance de creatinina.

De acordo com a bula brasileira do ciprofloxacino para administração oral:

  • Clearance de creatinina entre 30 e 60 mL/min/1,73 m²: dose máxima de 1000 mg por dia.
  • Clearance de creatinina abaixo de 30 mL/min/1,73 m²: dose máxima de 500 mg por dia.
  • Hemodiálise: aplicam-se os mesmos limites de dose conforme o grau de insuficiência renal. Nos pacientes com clearance de creatinina abaixo de 30 mL/min/1,73 m², a dose máxima é de 500 mg por dia e, nos dias de diálise, deve ser administrada após a sessão.
  • Diálise peritoneal ambulatorial contínua: dose máxima de 500 mg por dia.

Em Portugal e em outros países europeus, as bulas para comprimidos de liberação imediata indicam:

  • Clearance de creatinina acima de 60 mL/min/1,73 m²: dose habitual.
  • Clearance de creatinina entre 30 e 60 mL/min/1,73 m²: 250 a 500 mg a cada 12 horas.
  • Clearance de creatinina abaixo de 30 mL/min/1,73 m²: 250 a 500 mg a cada 24 horas.
  • Hemodiálise: 250 a 500 mg a cada 24 horas, administrados após a sessão.
  • Diálise peritoneal: 250 a 500 mg a cada 24 horas.

Eficácia e resistência bacteriana

A eficácia do ciprofloxacino depende principalmente de a bactéria causadora da infecção ser sensível ao antibiótico. Quando o germe é sensível e o medicamento é utilizado na dose e pelo período adequados, o ciprofloxacino pode ser bastante eficaz no tratamento das infecções para as quais está indicado.

A resposta ao tratamento também depende do local e da gravidade da infecção, da presença de abscessos ou obstruções, das condições clínicas do paciente e, em alguns casos, da necessidade de outros antibióticos ou de medidas para controlar o foco infeccioso.

Um problema importante é que a resistência bacteriana ao ciprofloxacino aumentou nas últimas décadas. Isso é particularmente relevante nas infecções urinárias por Escherichia coli, na gonorreia e em algumas infecções gastrointestinais.

Por esse motivo, quando houver cultura com antibiograma, o resultado ajuda a determinar se o ciprofloxacino é uma boa opção. Se a bactéria for resistente ao medicamento, o tratamento deve ser feito com outro antibiótico ao qual o germe seja sensível.

Efeitos colaterais do ciprofloxacino

O ciprofloxacino costuma ser bem tolerado pela maioria dos pacientes. Os efeitos adversos mais comuns são náusea e diarreia. Vômitos, desconforto abdominal, perda de apetite, dor de cabeça e tontura também podem ocorrer.

As fluoroquinolonas podem provocar, raramente, efeitos adversos graves, incapacitantes e potencialmente irreversíveis, inclusive em pessoas sem fatores de risco conhecidos.

Os efeitos mais importantes envolvem principalmente os tendões, os nervos periféricos e o sistema nervoso central.

Tendinite e ruptura dos tendões

As fluoroquinolonas estão associadas a maior risco de tendinite e ruptura de tendões, principalmente do tendão de Aquiles.

O problema pode surgir já nas primeiras horas ou dias do tratamento, mas também há casos descritos vários meses após a suspensão do medicamento.

O risco é maior em:

  • Pessoas com mais de 60 anos.
  • Pacientes que utilizam corticoides.
  • Pacientes transplantados.
  • Pessoas com insuficiência renal.
  • Pacientes com história prévia de doenças dos tendões.
  • Pessoas submetidas a atividade física intensa.

Dor, inchaço ou inflamação em um tendão durante o tratamento são sinais de alerta. Nesses casos, o ciprofloxacino deve ser suspenso e o paciente deve procurar orientação médica antes de voltar a realizar exercícios ou sobrecarregar a região afetada.

Neuropatia periférica

O ciprofloxacino também pode provocar neuropatia periférica, que pode surgir rapidamente após o início do tratamento e, em alguns pacientes, deixar sintomas persistentes.

Queimação, formigamento, dormência, alterações da sensibilidade ou fraqueza nos braços ou pernas devem ser rapidamente comunicados ao médico.

Efeitos neurológicos e psiquiátricos

As fluoroquinolonas podem provocar efeitos no sistema nervoso central, inclusive após a primeira dose.

Entre os possíveis sintomas estão:

O ciprofloxacino pode reduzir o limiar para crises convulsivas e deve ser utilizado com cautela em pacientes com epilepsia ou outras condições que aumentem o risco de convulsões.

Alterações da glicemia

As fluoroquinolonas podem provocar tanto hiperglicemia quanto hipoglicemia.

Esse risco é mais importante nos pacientes com diabetes mellitus que utilizam insulina ou determinados medicamentos para reduzir a glicemia.

Foram descritos casos raros de hipoglicemia grave, inclusive com coma.

Outros efeitos adversos importantes

Outros efeitos adversos relevantes do ciprofloxacino incluem:

  • Reações alérgicas graves.
  • Fotossensibilidade.
  • Alterações do ritmo cardíaco por prolongamento do intervalo QT.
  • Lesão hepática.
  • Diarreia associada à bactéria Clostridioides difficile.
  • Exacerbação dos sintomas da miastenia gravis.
  • Aumento do risco de aneurisma ou dissecção da aorta em pessoas predispostas.

Dor súbita e intensa no peito, no abdômen ou nas costas durante ou após o uso de uma fluoroquinolona exige avaliação médica urgente, principalmente em pacientes com aneurisma de aorta conhecido ou outros fatores importantes de risco vascular.

Devido ao risco de efeitos adversos graves — apesar de raros — as fluoroquinolonas devem ser evitadas no tratamento de infecções leves quando existem alternativas adequadas mais seguras.

Contraindicações e precauções

O ciprofloxacino é contraindicado em pessoas com alergia ao próprio medicamento ou a outras quinolonas.

Outra contraindicação importante é o uso simultâneo de tizanidina. O ciprofloxacino pode aumentar intensamente os níveis de tizanidina no sangue, provocando sedação excessiva e queda importante da pressão arterial.

Além das contraindicações formais, o ciprofloxacino deve ser evitado ou utilizado somente após cuidadosa avaliação dos riscos e benefícios em pessoas com:

  • História de tendinite ou ruptura de tendão associada a quinolonas.
  • Neuropatia periférica.
  • Miastenia gravis.
  • Epilepsia ou outros fatores importantes de risco para convulsões.
  • Prolongamento do intervalo QT ou alto risco de arritmias cardíacas.
  • Aneurisma de aorta conhecido ou risco elevado de aneurisma ou dissecção.
  • Insuficiência renal importante, situação na qual pode ser necessário ajustar a dose.

A bula brasileira atual determina que a doação de sangue é contraindicada durante o tratamento e até sete dias após seu término.

Ciprofloxacino em crianças

O ciprofloxacino não é um antibiótico de primeira escolha na população pediátrica devido ao maior risco de efeitos adversos musculoesqueléticos. Apesar disso, seu uso não é absolutamente contraindicado em crianças.

As indicações pediátricas aprovadas apresentam algumas diferenças entre os países.

No Brasil, a bula descreve o uso principalmente para:

  • Exacerbação pulmonar aguda da fibrose cística associada à infecção por Pseudomonas aeruginosa, em crianças e adolescentes de 5 a 17 anos.
  • Profilaxia e tratamento do antraz por inalação após exposição.

Em Portugal e em outros países europeus, as indicações também incluem:

  • Infecções broncopulmonares por Pseudomonas aeruginosa em pacientes com fibrose cística.
  • Infecções urinárias complicadas e pielonefrite.
  • Profilaxia e tratamento do antraz por inalação.
  • Outras infecções graves em situações selecionadas, quando o uso do ciprofloxacino for considerado necessário.

O tratamento pediátrico deve ser indicado por médico com experiência no manejo dessas infecções.

Ciprofloxacino na gravidez e amamentação

Gravidez

Por precaução, o ciprofloxacino costuma ser evitado durante a gravidez quando existem antibióticos mais adequados.

Os estudos observacionais disponíveis em seres humanos não demonstraram aumento claro do risco de grandes malformações congênitas, aborto ou outros desfechos adversos da gestação.

Entretanto, devido às alterações da cartilagem observadas em animais jovens expostos às quinolonas e à existência de outras opções mais estudadas na gravidez, o ciprofloxacino não costuma ser um antibiótico de primeira escolha para gestantes.

Aleitamento

O ciprofloxacino é excretado no leite materno. No Brasil e em Portugal, as bulas recomendam que o medicamento não seja utilizado durante a amamentação devido ao risco potencial de efeitos adversos no bebê. Na bula brasileira, o aleitamento aparece formalmente entre as contraindicações.

Quando o tratamento com ciprofloxacino for necessário, o médico deve avaliar a possibilidade de utilizar outro antibiótico ou orientar uma alternativa temporária para a alimentação do bebê.

Interações medicamentosas

O ciprofloxacino pode interagir com vários medicamentos.

A associação com tizanidina é contraindicada, pois o ciprofloxacino pode elevar acentuadamente a concentração da tizanidina no sangue e provocar hipotensão e sedação excessiva.

Antiácidos contendo magnésio ou alumínio, sucralfato, sevelamer e suplementos ou multivitamínicos contendo cálcio, ferro ou zinco podem reduzir significativamente a absorção do ciprofloxacino.

O mesmo cuidado vale para grandes quantidades de cálcio administradas isoladamente. O ciprofloxacino não deve ser tomado apenas com leite, iogurte ou bebidas enriquecidas com cálcio, mas pode ser ingerido durante uma refeição que contenha esses alimentos.

Nos pacientes que utilizam anticoagulantes, o ciprofloxacino pode aumentar o efeito da varfarina, provocando elevação do INR e maior risco de sangramento. Quando a associação é necessária, o INR deve ser acompanhado.

O ciprofloxacino também inibe uma enzima chamada CYP1A2 e pode aumentar a concentração de alguns medicamentos no sangue.

Entre as interações relevantes estão:

  • Teofilina: pode ocorrer aumento importante da concentração da droga e maior risco de efeitos adversos graves. A associação deve ser evitada sempre que possível.
  • Duloxetina: os níveis do medicamento podem aumentar.
  • Clozapina: pode ocorrer aumento da concentração no sangue.
  • Ropinirol: seus níveis podem aumentar.
  • Cafeína: sua eliminação pode ficar mais lenta, aumentando os efeitos estimulantes.
  • Fenitoína: os níveis podem aumentar ou diminuir, sendo necessário monitoramento quando os medicamentos são utilizados em conjunto.
  • Metotrexato: pode haver aumento da concentração e da toxicidade.
  • Ciclosporina: pode ocorrer aumento transitório da creatinina.
  • Antidiabéticos: pode haver maior risco de hipoglicemia, principalmente com algumas sulfonilureias.
  • Anti-inflamatórios não esteroides: estudos em animais mostraram que a associação de doses elevadas de quinolonas com alguns anti-inflamatórios, exceto o ácido acetilsalicílico, pode favorecer convulsões. A associação não é formalmente contraindicada, mas recomenda-se cautela, principalmente em pessoas predispostas a crises convulsivas.
  • Medicamentos que prolongam o intervalo QT, como determinados antiarrítmicos, antidepressivos, macrolídeos e antipsicóticos: podem aumentar o risco de arritmias.

Assim como ocorre com a maioria dos antibióticos, o ciprofloxacino não reduz diretamente a eficácia da pílula anticoncepcional. Porém, vômitos ou diarreia intensa podem prejudicar a absorção do anticoncepcional oral (leitura sugerida: Antibióticos cortam o efeito dos anticoncepcionais?).

Como a lista completa de interações é extensa, pacientes que utilizam vários medicamentos devem informar ao médico ou farmacêutico tudo o que estão tomando antes de iniciar o ciprofloxacino.


book Referências bibliográficas
  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Consulta de medicamentos – ciprofloxacino (Cipro®).
  • European Association of Urology (EAU). EAU Guidelines on Urological Infections.
  • U.S. Food and Drug Administration (FDA). Cipro® (ciprofloxacin) – Prescribing Information.
  • Ciprofloxacin (systemic): Drug information – UpToDate.
  • Fluoroquinolones – UpToDate.
  • Cipro® Bayer S.A: Folheto informativo – Anvisa.
  • Ciprofloxacina Megaflox 500 mg: Folheto informativo – INFARMED.


Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Lucia Rodrigues

    Tenho inflamação em um ouvido.Foi receitado CIPRO.500MG durante 10 dias .Tenho 77 anos e comecei a sentir formigamento nos dedos do.pe e mão. Tomo remédios para coração, pressao muito alta e Trileptal.Fazem 2 dias que comecei tomar.
    Muito obrigado

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Formigamento novo nas mãos e nos pés após iniciar ciprofloxacino merece atenção. As fluoroquinolonas podem, raramente, causar neuropatia periférica, com sintomas como formigamento, queimação, dormência ou fraqueza, inclusive já nos primeiros dias de tratamento. Como a senhora tem 77 anos e utiliza outros medicamentos, entre em contato ainda hoje com o médico que prescreveu o antibiótico ou procure um serviço de saúde para avaliar o sintoma e decidir se o ciprofloxacino deve ser mantido ou substituído. Não é um efeito adverso que eu recomendaria simplesmente observar por vários dias.

  2. Camila

    Oi boa noite quanto tempo o Cipro demora para fazer efeito?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    O ciprofloxacino começa a agir contra as bactérias após as primeiras doses, mas a melhora dos sintomas geralmente não é imediata. Em muitas infecções, alguma melhora é esperada nas primeiras 48 a 72 horas. Se nesse período não houver melhora ou se os sintomas estiverem piorando, o tratamento precisa ser reavaliado, pois a bactéria pode ser resistente ou pode haver alguma complicação

  3. Cidinha

    Para infecção urinária com leucócitos 21.000 está correto tomar ciprofloxacino de 12 em 12h?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    O número de leucócitos no exame de urina ou de sangue, isoladamente, não determina qual antibiótico deve ser usado. É preciso considerar os sintomas, o tipo de infecção urinária e, quando indicado, o resultado da urocultura e do antibiograma. O ciprofloxacino pode ser administrado a cada 12 horas em várias situações, mas atualmente não costuma ser a primeira opção para uma cistite simples quando existem alternativas adequadas. Se for uma pielonefrite, o uso é mais justificado.

  4. Gabriela

    Quero saber se Ciprofloxacino faz a Pessoa urinar demais

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Não é um efeito colateral comum do ciprofloxacino. Se você está urinando com muita frequência durante o tratamento de uma infecção urinária, isso pode estar relacionado à própria infecção, ao aumento da ingestão de líquidos ou a outra causa. Se o aumento do volume de urina for muito acentuado ou persistir depois que a infecção melhorar, vale investigar.

  5. Vanessa

    O Ciprofloxacino pode ser usado em bebê de 8 meses?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    O ciprofloxacino pode ser utilizado em crianças, inclusive lactentes, em situações específicas, mas não é um antibiótico de uso rotineiro nessa idade. Como existe preocupação com efeitos musculoesqueléticos e geralmente há alternativas mais adequadas, a indicação deve ser feita pelo pediatra de acordo com o tipo e a gravidade da infecção.

  6. luana

    Dr bom dia gostaria de saber to com uma dor na bexiga mas não arde a urina posso tomar ciprofloxacino?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Não. Primeiro porque você não deve se automedicar; segundo, porque sem fazer o diagnóstico antes não dá para indicar um tratamento, pode não ser infecção urinária; terceiro porque a cipro não é a primeira opção atualmente para tratar cistite. Há opções mais seguras.

  7. João Melo

    É comum o uso de ciprofloxacino por periodo superior a 42 dias no tratamento de prostatite? Aumentam-se problemas /riscos com o uso contínuo deste antibiótico?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Sim. Na prostatite bacteriana crônica, o tratamento com ciprofloxacino costuma durar 4 a 6 semanas, portanto períodos próximos ou até superiores a 42 dias podem ser necessários em alguns casos. Quanto maior for o tempo de exposição, maior é a oportunidade de surgirem efeitos adversos, mas os efeitos graves das fluoroquinolonas não dependem apenas da duração e podem ocorrer mesmo após tratamentos curtos. Entre os principais riscos estão tendinite e ruptura de tendão, neuropatia periférica e alterações neurológicas. Por isso, tratamentos prolongados devem ser mantidos apenas quando há indicação clara e acompanhamento médico.

  8. Maria Solange Teixeira Vinci

    eu estou com uma bacteria Klebsiella ja tomei o cipro em dezembro 14 dias fiz o exame agora e continuo com a bacteria agora vou tomar 7 dias,sera que vai dar certo dessa vez?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Não dá para prever se 7 dias serão suficientes apenas pelo fato de a bactéria ser Klebsiella. É necessário saber onde está a infecção, quais são os sintomas e se o novo antibiograma mostra que a bactéria continua sensível ao ciprofloxacino. Além disso, encontrar bactéria na urina sem sintomas nem sempre significa que seja necessário tratar, salvo algumas situações específicas, como gravidez ou antes de determinados procedimentos urológicos. Pode ser apenas uma bacteriúria assintomática.

  9. Maria Avelino da Silva Santos

    Esse medicamento interfere na pressão arterial?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    O ciprofloxacino não costuma alterar a pressão arterial, mas queda da pressão pode ocorrer raramente. Tontura e desmaio também estão descritos entre os possíveis efeitos adversos. Se houver pressão muito baixa, sensação de desmaio ou piora importante durante o tratamento, é recomendável procurar avaliação médica, pois a causa também pode ser a própria infecção, desidratação ou outro medicamento em uso.

  10. Nilza Maria

    Oi Boa tarde
    Tomei cloridrato de Ciprofloxacina para infecção bacteriana intestinal. quanto tempo depois de ter ingerido ainda age no organismo? Quais cuidados ainda tenho que ter?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Em pessoas com função renal normal, a meia-vida do ciprofloxacino no sangue é de aproximadamente 4 a 7 horas, portanto a maior parte do medicamento é eliminada relativamente rápido após a última dose. Na insuficiência renal, esse processo pode ser mais lento. Apesar disso, alguns efeitos adversos das fluoroquinolonas, principalmente nos tendões e nervos, podem aparecer ou persistir mesmo depois que o antibiótico já foi suspenso.

  11. Ana

    Boa noite, gostaria de saber se posso tomar esse medicamento amamentando?
    Fui na emergência e estou com infecção urinária.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    O ciprofloxacino passa para o leite materno. No Brasil e em Portugal, as bulas recomendam que ele não seja utilizado durante a amamentação, principalmente porque existem outros antibióticos mais adequados para tratar a maioria das infecções urinárias nessa situação. Como você está amamentando, informe isso ao médico que prescreveu o antibiótico para que ele possa avaliar se há uma alternativa apropriada.

  12. Rodrigo Manzini

    Fazendo o tratamento em quantos dias para a infecção não aparecer no hemograma?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    O hemograma não mostra diretamente se uma infecção urinária ou outra infecção bacteriana já foi curada. Alterações como aumento dos leucócitos podem melhorar com o tratamento, mas não existe um número fixo de dias para isso acontecer. A resposta é avaliada principalmente pela melhora dos sintomas e, quando necessário, por exames específicos do local da infecção.

  13. Maria do carmo presotto de oliveira

    Dr estou tratando uma infecção urinaria com esse medicamento e estou tendo febres constante será que está sendo eficaz tratamento de 14 dias

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Se o antibiótico estiver sendo eficaz, geralmente alguma melhora deve aparecer nas primeiras 48 a 72 horas. Febre que permanece constante após esse período, ou que piora durante o tratamento, deve ser reavaliada pelo médico, pois pode haver resistência da bactéria, necessidade de trocar o antibiótico ou alguma complicação da infecção urinária.

  14. Maria cicera da conceiçao silva( minha mae)

    Quem esta com anemia pode toma ciproflaxino para infecçao urinaria

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Ter anemia, por si só, não costuma contraindicar o uso do ciprofloxacino. O cuidado importante é que muitas pessoas com anemia utilizam suplementos de ferro, e o ferro reduz bastante a absorção do ciprofloxacino. Se estiver usando ferro, o ciprofloxacino deve ser tomado 2 horas antes ou pelo menos 4 horas depois do suplemento.

  15. Valdemir

    Ola gostaria de saber se é comum depois de 24 h tomando esse remédio começar umas diarréias?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Sim. A diarreia é um dos efeitos colaterais mais comuns do ciprofloxacino e pode surgir já nos primeiros dias. Se for leve, geralmente não significa que seja necessário interromper o tratamento. Porém, diarreia intensa ou persistente, principalmente se houver sangue, febre ou dor abdominal importante, precisa de avaliação médica porque antibióticos podem, raramente, desencadear colite por Clostridioides difficile.

  16. Roberta

    Eu tomei a primeira dose e vomitei muito. Estou sentindo calafrios. É normal?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Vômitos podem ocorrer como efeito adverso do ciprofloxacino ou pelos sintomas da infecção. Os calafrios também podem estar relacionados à própria infecção. Se os vômitos forem intensos, impedirem que você consiga manter o antibiótico no estômago, ou se houver piora do estado geral, febre alta, falta de ar, inchaço ou manchas na pele, é importante procurar avaliação médica.

  17. Anderson

    Esse antibiótico Ciprofloxacino é eficaz no tratamento de osteomielite? Qual a porcentagem de cura?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Sim. O ciprofloxacino pode ser uma opção para alguns casos de osteomielite, principalmente quando a infecção é causada por bactérias gram-negativas sensíveis ao medicamento. Porém, não existe uma porcentagem única de cura. O resultado depende da bactéria, do osso afetado, da presença de material de prótese ou tecido desvitalizado, da necessidade de cirurgia e da duração adequada do tratamento. Por isso, cultura e antibiograma são especialmente importantes nesses casos.

  18. Moisés

    Boa noite Dr.!
    Foi me passado o Ciprofloxacino por causa da dificuldade de urinar, creio que foi devido a próstata aumentada, e eu estou com os mesmos problemas e com fortes dores de cabeça, posso voltar a tomar esse medicamento?
    Eu ainda tenho uma cartelinha com 14 comprimidos!
    Obrigado!!

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Se houver prostatite bacteriana, o ciprofloxacino pode ser uma opção. Já o aumento benigno da próstata não é tratado com antibiótico. Como a dificuldade para urinar voltou, não é recomendável reiniciar por conta própria os comprimidos que sobraram do tratamento anterior. É importante primeiro confirmar a causa dos sintomas, até porque dor de cabeça também pode ocorrer como efeito adverso do ciprofloxacino.

  19. vitoria barreto

    Quais são as vias de administração?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Para tratamento de infecções sistêmicas, o ciprofloxacino pode ser administrado por via oral, em comprimidos ou suspensão, e por via intravenosa. Existem também formulações específicas para uso nos olhos e ouvidos, mas elas têm indicações e doses próprias.

  20. Ana Vitória

    Quem recebeu o diagnóstico de erisipela pode fazer o tratamento com ciprofloxacina?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Em geral, o ciprofloxacino não é uma boa primeira opção para tratar erisipela. A maioria dos casos é causada por estreptococos, e o ciprofloxacino não tem uma cobertura tão adequada contra essas bactérias. Normalmente são escolhidos antibióticos com melhor ação contra estreptococos. O ciprofloxacino poderia ser considerado apenas em situações especiais, por exemplo, se houver uma bactéria diferente identificada em cultura e sensível ao medicamento.

  21. Solange

    Esse medicamento serve tbm para candidíase? Ou corrimento amarelo sem cheiro?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Não. O ciprofloxacino é um antibiótico e não trata candidíase, que é causada por fungos. Além disso, corrimento amarelo não significa necessariamente candidíase e pode ter várias causas, inclusive outras infecções vaginais ou cervicais. O ideal é identificar a causa do corrimento antes de escolher qualquer medicamento.

  22. Flávio Leonardo Berto

    Esse medicamento deve ser tomado com estômago cheio ou vazio? Estou tomando logo após o almoço e com alimento a noite.

    Está certo?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Sim. O ciprofloxacino pode ser tomado com ou sem alimentos. O cuidado principal é não tomar o comprimido junto apenas com leite, iogurte ou bebidas enriquecidas com cálcio. Suplementos de cálcio, ferro, magnésio ou zinco e alguns antiácidos também reduzem a absorção: como regra prática, o ciprofloxacino deve ser tomado 2 horas antes ou pelo menos 4 horas depois desses produtos.

  23. Alex castro

    Olá Dr Pedro

    meu exame de urina deu Klebsiella pneumoniae

    com resistente para amoxilina/Aclav

    e sensível para ciprofloxacina!

    Então médico me receitou ciprofloxacina para 8dias.

    esta coreto?

    tomei amoxilina/aclav a 20 dias para uma abcesso perianal. Uma coisa não afeta a outra?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    O fato de a Klebsiella pneumoniae ter sido sensível ao ciprofloxacino no antibiograma indica que esse antibiótico pode ser uma opção para tratar a infecção. Entretanto, não dá para confirmar se 8 dias é a duração adequada sem saber o local e a gravidade da infecção. O tratamento anterior com amoxicilina/clavulanato também não permite afirmar que foi ele que causou a resistência encontrada agora. Uma bactéria pode ser resistente a um antibiótico e continuar sensível a outro por diversos mecanismos diferentes.

  24. Andrea

    Esse remédio pode baixar a pressão e dar tonteira?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Pode causar tontura. Já queda da pressão arterial não é um dos efeitos mais comuns, mas hipotensão e até desmaio estão descritos como reações raras. Se a tontura for intensa, houver sensação de desmaio ou pressão muito baixa, vale entrar em contato com o médico para avaliar se o sintoma está relacionado ao medicamento ou à própria infecção.

  25. Mônica Abrahão

    Boa noite! Uso Cipro e foi-me indicado Cetoprofeno por outro motivo, pou um outro profissional. Posso usar os dois ao mesmo tempo?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Não existe uma contraindicação absoluta à associação do ciprofloxacino com cetoprofeno. Entretanto, há um alerta para o uso simultâneo de fluoroquinolonas com alguns anti-inflamatórios, pois estudos em animais mostraram aumento do risco de convulsões com doses elevadas. O cuidado é maior em pessoas que já têm epilepsia ou outros fatores que facilitam crises convulsivas. Como os dois medicamentos foram prescritos por profissionais diferentes, é prudente informar a ambos sobre a associação.

Envie sua dúvida sobre este artigo

Escreva uma pergunta clara, objetiva e relacionada ao tema do texto. Dúvidas que também possam ajudar outros leitores têm prioridade. Perguntas sobre casos pessoais, pedidos de diagnóstico ou orientação médica individualizada podem não ser publicadas.