Vacinas: tipos, como funcionam e calendário vacinal 2022

Autor(a): Dr. Pedro Pinheiro

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Tempo estimado de leitura: 11 minutos.

Introdução

Os agentes causadores de doenças (patógenos ou agentes patogênicos) estão em todos os lugares, dispersos no ambiente e até no nosso próprio corpo. É impossível impedir o contato dos seres vivos com os germes, por isso as infecções são comuns.

Nós humanos somos suscetíveis a uma quantidade incontável de infecções, que vão desde simples resfriados até graves infeções hospitalares e pandemias, como a provocada pelo vírus da Covid-19.

A imunização através da vacinação é uma das formas mais efetivas de se prevenir doenças infecciosas graves e interromper epidemias. Graças a campanhas de vacinação bem sucedidas, doenças como a varíola foram erradicadas e outras, como poliomielite e sarampo, praticamente não existem mais em diversos países.

As campanhas de vacinação existem há décadas em todos os países e são uma das principais medidas de saúde pública. A OMS estima que as vacinas salvam entre 2 a 3 milhões de vidas todos os anos.

Como funcionam as imunizações?

O nosso corpo possui barreiras que servem para reduzir o risco dos germes entrarem em contato com nosso organismo, como a pele, as mucosas e os cílios do nariz. No entanto, muitas vezes o agente patogênico – vírus, bactérias, fungos ou parasitas – consegue ultrapassar essas barreiras e nos infectar. Quando isso ocorre, nosso sistema imunológico é ativado para que o agente infeccioso em questão seja destruído.

Cada patógeno é constituído de várias proteínas diferentes; podemos compará-las grosseiramente às características do nosso corpo. Tal como nós temos diferentes tipos de tons de pele, formato de rosto, tipo de cabelo, cor dos olhos ou marcas de nascença, por exemplo, os patógenos possuem subunidades específicas que são únicas e características de cada um. É a estas subunidades específicas que o nosso sistema imunológico reconhece e reage contra. Elas são chamadas de antígenos.

Cada anticorpo produzido no nosso organismo é voltado a um antígeno. Anticorpos são específicos, o que significa que eles agem somente contra um antígeno específico de determinado patógeno. Anticorpos contra antígenos do vírus da catapora, por exemplo, não são eficazes contra outros tipos de vírus ou bactérias.

Quando o sistema imunológico entra em contato com um patógeno pela primeira vez, leva alguns dias até ele ser capaz de reconhecer os antígenos e produzir uma resposta eficaz para o controle da infecção. Nas infecções graves, esse atraso de poucos dias pode ser fatal.

No entanto, caso o paciente sobreviva e aconteça um segundo contato com o mesmo patógeno meses ou anos depois, a produção de anticorpos poderá ser iniciada rapidamente, porque o nosso sistema imunológico já irá possuir uma “memória imunológica”. Assim que o antígeno for reconhecido, os anticorpos já estão prontos para serem liberados. Essa segunda resposta é, portanto, mais rápida e mais eficaz em combater a infecção do que a primeira.

O objetivo das imunizações é estimular o organismo a produzir anticorpos contra os agentes patogênicos antes de entrarmos em contato com eles, para que sejamos capazes de eliminá-los rapidamente quando formos infectados. Ou seja, tentamos apresentar ao sistema imune a bactéria ou vírus de forma que haja produção de anticorpos, mas sem o desenvolvimento da doença.

Geralmente, uma vacina age apenas contra um único germe. Por exemplo, a vacina contra o sarampo não protege o paciente contra a catapora e vice-versa. Já existem, porém, vacinas conjuntas, que são, na verdade, duas ou mais vacinas dadas em uma única administração, como a vacina tríplice viral, que é composta por três vacinas em uma única injeção: sarampo, rubéola e caxumba. O sistema imune é estimulado simultaneamente contra esses três vírus. Nem toda vacina pode ser dada em conjunto.

Importância da imunidade de grupo

Infelizmente, nem todos os indivíduos podem receber vacinas e nem toda vacina pode ser administrada para qualquer pessoa indiscriminadamente, sem seguir alguns critérios clínicos.

Algumas situações clínicas, como câncer, alergia aos componentes da vacina ou uma deficiência do sistema imunológico, impedem que certas pessoas possam ser vacinadas com segurança.

Também há os casos de pessoas que mesmo vacinadas não conseguem desenvolver imunidade adequada, principalmente a longo prazo.

É possível conseguirmos manter essas pessoas com contraindicação ao uso de vacinas protegidas mesmo sem elas terem sido vacinadas. Isso se dá através do que chamamos imunidade de grupo (ou imunidade de rebanho, ou imunidade coletiva).

A imunidade de grupo acontece quando grande parte da população está vacinada, de modo que o patógeno em questão não consegue circular normalmente na comunidade e, portanto, não chega às pessoas mais susceptíveis.

Quando há pessoas suficientes imunizadas, a cadeia de transmissão é quebrada e o germe não é capaz de infectar ou se reproduzir. Sendo assim, quanto mais pessoas estiverem vacinadas, menor é a probabilidade das pessoas não protegidas entrarem em contacto com o patógeno.

Apesar de não ser 100% eficaz, a imunidade de grupo é a única forma que as pessoas impossibilitadas de se vacinarem têm para não adquirirem doenças preveníveis por meio da imunização.

A quantidade de pessoas necessárias para se atingir a imunidade de grupo varia de acordo com a doença. Quanto mais contagioso for o germe, maior deve ser o número de pessoas imunizadas pela vacina. Por exemplo, a imunidade de grupo contra o sarampo exige que cerca de 95% da população esteja vacinada. Os 5% restantes serão protegidos pelo fato de que o vírus sarampo não se espalhará entre os vacinados. Para a poliomielite, o limite é de cerca de 80%.

A proporção da população que deve ser vacinada contra COVID-19 para começar a induzir imunidade coletiva não é ainda conhecida, mas estima-se que seja acima de 70%.

É importante destacar que o conceito de imunidade de grupo é feito para imunizações com vacinas. Imunidade de grupo para infecções naturais é um evento raro. Basta ver que infecções como sarampo, poliomielite, coqueluche, difteria e tantas outras existiram por séculos e só foram controladas após o advento das vacinas.

Além de raro, a imunidade de grupo natural é algo indesejado, principalmente nas infecções graves, pois o número de mortes que ocorre até que se chegue à imunidade coletiva é moralmente inaceitável. Isso tornou-se bem claro na Covid-19, quando todos os países que adotaram a estratégia de deixar o vírus circular tiveram elevadas taxas de óbitos (e mesmo assim não chegaram à imunidade coletiva sem a vacina).

Tipos de imunizações

A grande dificuldade na hora de desenvolver uma vacina é criá-la de modo que a bactéria ou vírus consiga estimular o sistema imunológico a criar anticorpos, mas não seja capaz de provocar doença.

Às vezes, basta expor o organismo à bactéria ou ao vírus morto para haver produção de anticorpos e tornar o paciente imune ao germe. Entretanto, nem todos os vírus ou bactérias mortos são capazes de estimular o sistema imune, fazendo com que tenhamos que buscar outras soluções para imunizar o paciente.

O grau de maturidade do sistema imunológico também é importante. O ideal seria podermos dar logo todas as vacinas ao recém-nascido, para ficarmos protegidos a partir de então. Infelizmente isso não funciona. Da mesma forma que o bebê vai se desenvolvendo lentamente, o nosso sistema imune também precisa de tempo para se desenvolver e ser capaz de gerar anticorpos quando estimulados pela vacinação.

Atualmente existem sete tipos de vacinas:

  • Vacinas inativadas: usam uma forma morta do patógeno.
  • Vacinas fragmentadas: utilizam somente subunidades específicas do patógeno.
  • Vacinas com vírus atenuado: utilizam uma forma enfraquecida do patógeno.
  • Toxoides: utilizam uma toxina produzida pelo patógeno.
  • Vacinas de mRNA: utilizam o RNA mensageiro, que fornece às células do corpo as instruções de como fazer uma proteína do patógeno.
  • Vacinas de vetor viral: utilizam material genético para fornecer às células do corpo as instruções de como fazer uma proteína do patógeno. Também contém um vírus inofensivo que ajuda o material genético a chegar às células.

Vacinas com vírus ou bactérias inativadas

As vacinas inativadas são feitas com uma versão morta do patógeno. As vacinas com germes mortos são as mais seguras, porém costumam apresentar uma capacidade de imunização mais baixa, sendo necessárias mais de uma dose para criar uma proteção prolongada. Em alguns casos a imunização desaparece após alguns anos, sendo necessária a aplicação de doses de reforço.

Exemplos de vacinas com vírus ou bactérias inativos:

Vacinas fragmentadas

Muitas vezes não é preciso expor o sistema imune ao vírus ou bactéria por inteiro. As vacinas fragmentadas possuem subunidades de patógenos virais ou bacterianos, que funcionam como antígenos. Normalmente os antígenos são proteínas, polissacarídeos (açúcares) ou os dois associados.

As vacinas fragmentadas promovem uma resposta imunológica bastante eficaz, voltada especificamente contra a parte do germe que é utilizado. Uma vantagem deste tipo de imunizante é que ao incluir somente o antígeno e não o patógeno inteiro, as reações adversas são bastante reduzidas. Além disso, são seguras para uso mesmo em pessoas com o sistema imunológico comprometido.

Existem três tipos de vacinas fragmentadas: as recombinantes, as de polissacarídeos e as conjugadas.

Vacinas recombinantes

As vacinas recombinantes utilizam engenharia genética através da tecnologia de DNA recombinante. A tecnologia de DNA recombinante utiliza uma combinação de DNA de duas fontes. Neste caso, modifica-se o DNA de um agente inofensivo para que ele comece a produzir um fragmento (antígeno) do agente patogênico, causador da infecção. Por exemplo, uma levedura pode ser programada para produzir os antígenos do vírus da hepatite B.

Uma vez produzidos através do DNA modificado das leveduras, esses antígenos são então isolados e colocados nas vacinas. Uma vez administrada a vacina, o organismo cria uma resposta imunológica e gera anticorpos contra o antígeno (e por conseguinte, com o patógeno) sem precisar entrar em contato com o germe em nenhum momento. 

Como já mencionado, um exemplo deste tipo de vacina é a vacina da hepatite B.

Vacinas de polissacarídeos

As vacinas de polissacarídeos utilizam cadeias de moléculas de açúcar (polissacarídeos) como antígenos, para promover uma resposta imunológica.

Algumas bactérias, como as que causam pneumonia e meningite, são envolvidas por uma capa de polissacarídeos que dificulta a ativação da primeira linha de defesa do nosso sistema imunológico. Desta forma, neste tipo de infecção, é essencial haver geração de anticorpos, porque é essa a principal forma de defesa que o nosso organismo possui contra ela. Infelizmente, como já foi dito, a liberação de anticorpos não é imediata e demora alguns dias, o que pode ser fatal em certas circunstâncias.

A vacina para este tipo de infecção utiliza os polissacarídeos que estão presentes na superfície das bactérias como antígenos. Ao estimularmos a formação de anticorpos contra esses polissacarídeos, garantimos uma resposta imunológica rápida quando houver infecção, porque assim que o organismo entrar em contato novamente com esses polissacarídeos, vai ativar a liberação de anticorpos e o processo de resolução da infecção de inicia.

Um exemplo de vacinas de polissacarídeos é a vacina contra o pneumococo.

Vacinas conjugadas

As vacinas conjugadas são semelhantes às vacinas de polissacarídeos, mas utilizam uma proteína ligada aos polissacarídeos para amplificar a resposta imunológica. Um exemplo é a vacina contra a bactéria Haemophilus influenzae, que provoca meningite e pneumonia.

A principal limitação deste tipo de vacina é que a formação de anticorpos direcionados aos antígenos, apesar de ser eficiente, não costuma ser suficiente para garantir uma imunidade duradoura, de modo que são necessárias doses de reforços para garantir uma proteção contínua contra as doenças.

Exemplos de vacinas fragmentadas com uma ou mais partes dos germes:

Vacinas com vírus vivos atenuados

O ideal é sempre criarmos vacinas com germes mortos, incapazes de causar doenças. Todavia, nem sempre isso é possível. Há casos em que não se consegue induzir a produção de anticorpos pelo sistema imune a não ser que o mesmo seja exposto ao germe vivo.

Neste caso, a opção mais segura é manter o vírus ou bactérias vivos, mas atenuados, ou seja, fracos o suficiente para não conseguirem causar sintomas relevantes. Vacinas com vírus vivos atenuados são mais fáceis de serem produzidas do que com bactérias, que são germes bem mais complexos e difíceis de serem manipulados.

Como estas vacinas são muito parecidas com a infecção natural que elas ajudam a prevenir, conseguem gerar uma resposta imunológica mais forte e mais duradoura do que as vacinas com vírus inativado. Este tipo de vacina costuma requerer apenas uma ou duas doses e produz uma imunização por muitos anos, às vezes para o resto da vida.

Por outro lado, exatamente pelo fato de conterem o agente patogênico vivo, apesar de mais fraco, ainda assim ocorre replicação viral no organismo, de forma que estas vacinas podem provocar um quadro brando da infecção que se propõem a proteger.

Para a maior parte da população esse efeito não é relevante nem preocupante, mas pessoas com sistema imunológico comprometido (doenças do sistema imune, transplantados, pacientes com AIDS, pacientes em uso de drogas imunossupressoras, ou em quimioterapia) apresentam elevado risco de desenvolver um quadro mais intenso e grave se fizerem a vacina.

As grávidas também não podem tomar vacinas com vírus vivos, pois há riscos de infecção do feto e complicações da gestação (leia: Quais Vacinas podem ser tomadas na gravidez?).

A vacina com germe vivo atenuado também não pode ser utilizada nos casos de doença com taxa de mortalidade muito elevada, como a raiva humana, por exemplo. A raiva é uma doença com taxa de mortalidade de quase 100%. Ninguém irá administrar ao paciente um vírus tão letal vivo, mesmo que atenuado.

Outra limitação para o uso deste tipo de vacinas é o fato de terem que ser armazenadas no frio, o que pode dificultar o seu transporte e armazenamento.

Portanto, as vacinas com vírus atenuado têm mais restrições em termos de utilização que as outras formas de vacina.

Exemplos de vacinas com vírus vivos atenuados:

Toxoides

Algumas vezes, o que causa doença não é a bactéria em si, mas sim algumas toxinas que a mesma produz. Neste caso, a vacina não precisa ser direcionada contra a bactéria, basta que o sistema imune consiga ter anticorpos contra as toxinas. Os toxoides são vacinas feitas com toxinas modificadas, incapazes de causar doença.

Os toxoides também costuma gerar uma imunização fraca, necessitando de reforço após alguns anos.

Exemplos de vacinas com toxoides:

Vacinas de mRNA 

As vacinas de mRNA são um tipo novo de vacina que não contém germe, fragmento ou antígeno do mesmo. A vacina estimula as células do nosso organismo a produzir uma proteína igual ao do germe, estimulando o sistema imunológico a produzir anticorpos contra esse antígeno. Vamos explicar.

Todos os compostos químicos orgânicos produzidos pelas nossas células são sintetizados através de uma “receita” contida no nosso DNA. Por exemplo, o DNA humano não possui a “receita” para produzir vitamina C, por isso precisamos da alimentação para obter esse nutriente. Répteis e algumas aves possuem em seu DNA a receita para produção da vitamina C, não sendo necessário para eles recorrer a uma dieta com alimentos ricos com essa vitamina.

Como o DNA fica no núcleo das células e a produção de proteínas se dá fora dele, no citoplasma, é preciso que “receita” para a produção das proteínas, que fica codificada no DNA, seja trazida para fora do núcleo. Quem faz esse papel é o RNA mensageiro (mRNA).

O mRNA copia a receita do DNA dentro no núcleo e a passa para os ribossomos, que são as estruturas responsáveis pela síntese de proteínas. Depois que a “receita” é lida e a proteína é produzida pelos ribossomos, o RNA mensageiro é degradado e desaparece. 

As vacinas de mRNA trazem a receita de uma proteína que nós não possuímos, mas que está presente no agente patogênico. Basicamente, elas atuam mandando as células do nosso organismo produzir uma proteína (ou somente um pedaço de proteína) que atua como antígeno dentro do nosso corpo, para que possamos desenvolver uma resposta imunológica a ele.

As vacinas de mRNA não são infecciosas e são degradadas pelo processo celular normal. Também não há nenhum contato com o nosso DNA, elas interagem apenas com os ribossomas presentes no citoplasma das células.

Um exemplo da vacina de mRNA é a vacina contra COVID-19 da Pfizer e Moderna. Nessas vacinas, um mRNA feito em laboratório, cópia de um fragmento do mRNA do vírus, estimula as nossas células a produzirem uma proteína do SARS-CoV-2 chamada de Spike (proteína S), que é a proteína que o vírus utilizada para invadir as células dos pulmões.

Quando recebemos uma dessas duas vacinas, as nossas células musculares por algumas horas, até o mRNA ser naturalmente degradado, são estimuladas a produzir a proteína Spike, chamando a atenção do sistema imunológico, que monta uma resposta contra a proteína mais importante do SARS-CoV-2. Desta forma, quando entrarmos em contato com o vírus real, rapidamente os anticorpos contra a proteína S irão agir, impedindo que o vírus ataque as células e provoque doença.

Vacina de vetor viral

As vacinas de vetor viral também não contém o agente patogênico e nem o antígeno. Da mesma forma que as vacinas de mRNA, elas “ensinam” as células do nosso corpo a produzir o antígeno para o qual se pretende criar a resposta imunológica. A diferença entre as duas está no mecanismo através do qual isso é feito.

A vacina de vetor viral utiliza um vírus modificado (vetor) para esse efeito. Os vírus utilizados, como os adenovírus, por exemplo, foram modificados geneticamente para transportar somente a “receita” da produção do antígeno, de modo que são incapazes de provocar doenças.

Na natureza, os vírus são organismos que não conseguem se replicar sozinhos, por isso dependem sempre da maquinaria celular do hospedeiro para multiplicarem seu material genético. 

Ao entrar no organismo, o vírus vacinal age exatamente como qualquer outro vírus: infecta as nossas células e faz com que elas comecem a replicar o seu material genético. A diferença de uma infecção viral natural para o vetor viral é que o vetor viral carrega somente as informações necessárias para que as células produzam um antígeno específico e não o vírus inteiro.

Uma vez produzido, o antígeno ativa o sistema imunológico e promove a produção de anticorpos. A principal vantagem deste tipo de vacina é a capacidade de gerar uma resposta imunológica forte.

A eficácia da vacina pode ser reduzida em pessoas que foram expostas previamente ao vetor viral e apresentam anticorpos contra ele, já que é preciso que o vetor viral seja capaz de infectar as células para produzir imunidade.

Exemplos das vacinas de vetor viral:

  • Vacina contra Ebola.
  • Vacina contra COVID-19 (Janssen e AstraZeneca).

Imunoglobulinas 

As imunoglobulinas são um tipo de imunização diferente das vacinas. As vacinas são chamadas de imunização ativa, pois induzem o sistema imune a produzir anticorpos. As imunoglobulinas são chamadas de imunização passiva, pois elas próprias já são os anticorpos.

Quando exposto a determinado germe, o sistema imune pode levar algumas semanas para produzir anticorpos em quantidade adequada para combatê-lo. Em alguns casos, a doença é tão agressiva que não temos tempo de esperar a produção destes anticorpos. Daí surge a necessidade de usarmos as imunoglobulinas, que são uma coleção de anticorpos previamente formados por outras pessoas ou animais. Pegamos anticorpos já formados por outros e administramos no paciente, havendo imediato combate à infecção.

As imunoglobulinas causam uma imunização curta, suficiente apenas para tratar a infecção. O paciente não fica imunizado por tempo prolongado, sendo necessária a administração de uma vacina após o controle da doença. Por exemplo, um profissional de saúde não vacinado contra a hepatite B que acidentalmente se fure com uma agulha infectada precisa tomar a imunoglobulina e a vacina para não se infectar. A imunoglobulina impedirá a infecção atual enquanto a vacina servirá, neste caso particular, apenas para preveni-lo de futuras contaminações.

Exemplos de doenças que podem ser tratadas com imunoglobulinas (anticorpos):

Por que não existem vacinas contra HIV e outras infecções?

Nem sempre conseguimos manipular o nosso sistema imune adequadamente. Há vários germes que naturalmente são menos estimulantes ao nosso sistema imunológico. Alguns vírus rapidamente se “escondem” dentro de partes do nosso organismo, impedindo que o sistema imune os reconheça.

No caso da vacina contra o HIV há alguns pontos importantes. O vírus morto não parece ser capaz de estimular o sistema imune. Por outro lado, a vacinação com vírus vivo é perigosa, pois não se trata de uma infecção benigna, como a catapora ou rubéola. Para se ter uma vacina com o vírus HIV vivo é preciso antes ter certeza que não iremos infectar o paciente em vez de ajudá-lo a criar anticorpos.

Temos que descobrir um modo de atenuar o HIV de modo que este seja incapaz de causar doença, mas capaz de induzir a criação de anticorpos. A maioria das pesquisas hoje não é feita com o HIV vivo, mas sim com fragmentos do HIV ou mRNA.

O modo que o vírus HIV age também dificulta a produção de vacinas. O vírus se esconde dentro das próprias células do sistema imune, tornando difícil para o organismo produzir anticorpos efetivos contra o mesmo. Além disso, o HIV sofre mutação de modo muito rápido, podendo o vírus ter proteínas diferentes entre duas pessoas infectadas. É preciso identificar uma proteína que seja comum a todos os vírus e que também consiga estimular a produção de anticorpos pelo sistema imune.

Tomar a mesma vacina mais de uma vez faz mal?

Muitas pessoas ficam confusas quando perdem o cartão de vacinação, pois têm medo de tomar uma vacina que já tenha sido administrada no passado. Não há nenhum problema em repetir vacinas. Muitas delas, aliás, precisam ser reforçadas de tempos em tempos, como as vacinas para tétano, febre amarela e difteria, que perdem efeito após 10 anos.

Se houver dúvida quanto a imunização prévia em relação a uma doença, o melhor é vacinar. Se o paciente já tiver tomado a vacina anteriormente, isso não fará mal. Pior é deixar o paciente não imunizado e exposto à infecção.

O único cuidado que se deve ter é não administrar a mesma vacina com intervalos de poucos dias, principalmente se for vacina com germes vivos, pois não há aumento da eficácia e o risco de efeitos colaterais fica muito elevado.

Calendário Nacional de Vacinação – Brasil 2022

IdadeVacinas
Ao nascer» BCG (vacina contra a tuberculose ) – dose única.
» Vacina contra a hepatite B 1ª dose.
2 meses» Pentavalente (Tetravalente* 1ª dose + Hepatite B 2ª
dose).
» Poliomielite 1ª dose (VIP).
» Pneumocócica conjugada 1ª dose.
» Rotavírus 1ª dose.
3 meses» Meningocócica C conjugada 1ª dose.
4 meses» Pentavalente (Tetravalente 2ª dose + Hepatite B 3ª
dose).
» Poliomielite 2ª dose (VIP).
» Pneumocócica conjugada 2ª dose.
» Rotavírus 2ª dose.
5 meses» Meningocócica C conjugada 2ª dose.
6 meses» Pentavalente (Tetravalente 3ª dose + Hepatite B 4ª
dose).
» Poliomielite 3ª dose (VIP).
» Influenza (1 ou 2 doses anuais).**
9 meses» Febre Amarela (dose única).***
12 meses» Pneumocócica conjugada – reforço.
» Meningocócica C conjugada – reforço.
» Tríplice Viral **** 1ª dose.
15 meses» DTP 1º reforço (incluída na pentavalente).
» Poliomielite 1º reforço (VOP).
» Hepatite A (1 dose de 15 meses até 5 anos).
» Tetra viral (Tríplice Viral 2ª dose + Varicela).
4 anos» DTP 2º reforço (incluída na pentavalente).
» Poliomielite 2º reforço (VOP)– Varicela (1 dose).
Influenza (1 ou 2 doses anuais).
9-14 anos» HPV 2 doses*****.
» Meningocócica C (reforço ou dose única).
» dT a partir dos 7 anos.
Adolescentes, adultos e idosos» Hepatite B (3 doses a depender da situação vacinal).
» Febre Amarela (dose única p/ não vacinados ou sem
comprovante de vacinação).
» Tríplice Viral (2 doses até os 29 anos ou 1 dose em maiores de 30 anos. Idade máxima: 49 anos).
» DT (Reforço a cada 10 anos).
» dTpa (para gestantes a partir da 20ª semana, que
perderam a oportunidade de serem vacinadas).

*Vacina tetravalente: vacina contra difteria, tétano, coqueluche e Haemophilus influenzae tipo b

**Influenza: é ofertada durante a Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza, conforme os grupos prioritários definidos no Informe da Campanha. Para as crianças não indígenas de 6 meses a menores de seis anos (cinco anos, 11 meses e 29 dias) e para as crianças indígenas de seis meses a oito anos, que estarão recebendo a vacina pela primeira vez, deverão receber duas doses.

*** Febre Amarela: indicada às pessoas residentes ou viajantes para as áreas com recomendação de vacinação. Atentar às precauções e contraindicações para vacinação. Esta vacina está indicada para todos os povos indígenas independente da Área com Recomendação para Vacinação (ACRV)

****Tríplice viral: sarampo, caxumba e rubéola.

*****HPV: a vacina HPV também está disponível para as mulheres e homens de nove a 26 anos de idade vivendo com HIV/AIDS, transplantados de órgãos sólidos, de medula óssea e pacientes oncológicos, sendo o esquema vacinal de três doses (0, 2 e 6 meses).

Vacinação de adultos e idosos

  • dT (Dupla tipo adulto) – Contra Difteria e Tétano – Reforço a cada 10 anos.
  • Vacina contra febre amarela – Reforço a cada 10 anos se morar em área de risco. Se viajar para áreas de risco, vacinar contra Febre Amarela 10 (dez) dias antes da viagem.
  • Vacina Contra Hepatite B (em não imunizados durante a infância) – 3 doses (2ª dose 2 meses depois e 3ª dose 6 meses após a primeira).
  • Influenza – vacina contra a gripe – Anualmente após os 60 anos.
  • Anti-Pneumococo (23 sorotipos) – pneumonia – Dose única em maiores de 60 anos. Reforço após 5 anos. Para povos indígenas, início a partir dos 5 anos de idade.

Pacientes alérgicos aos componentes das vacinas

Algumas pessoas têm alergia a alguns componentes das principais vacinas. É importante realçar que pequenas reações como dor, febre baixa e mal estar após as vacinas, não são consideradas graves e não contraindicam posteriores reforços vacinais.

Casos especiais que devem ser consultados por alergologista antes das vacinações para se avaliar a gravidade da reação alérgica. São eles:

Pessoas com alergia grave a ovo podem apresentar reações às seguintes vacinas:

  • Influenza
  • Febre amarela
  • MMR ou SRC (tríplice viral) – Sarampo, rubéola e caxumba

Pessoas com alergia a gelatina podem apresentar reações às vacinas contra:

  • Influenza
  • Febre amarela
  • MMR ou SRC (tríplice viral) – Sarampo, rubéola e caxumba
  • Raiva
  • Varicela
  • DTP (tríplice bacteriana) – Difteria, tétano e coqueluche

Não são contraindicações a vacinação

As situações listadas abaixo não contraindicam a vacinação:

  • Doenças benignas com febre inferior a 38,5ºC, tais como diarreia e infecções respiratórias.
  • Doenças neurológicas não evolutivas, como a Síndrome de Down e a paralisia cerebral.
  • Doenças crônicas cardiovasculares, pulmonares, renais e hepáticas.
  • Diabetes.
  • Dermatoses, eczemas ou infecções cutâneas localizadas.
  • Reações localizadas, ligeiras ou moderadas, após vacinação prévia.
  • Terapêutica com antibióticos, corticosteroides (até 20 mg por dia) e esteroides tópicos.
  • Antecedentes familiares e pessoais de alergia à penicilina, rinite alérgica, febre dos fenos, asma e outras manifestações atópicas.
  • História familiar de complicações e reações graves pós-vacinais.
  • Antecedentes familiares de convulsões.
  • Períodos de convalescença das doenças.
  • Períodos de incubação de doenças infecciosas.
  • Gravidez da mãe ou de outros contatos.
  • Prematuridade e baixo peso ao nascer.
  • História de icterícia neonatal.
  • Aleitamento materno.
  • Gravidez (para as vacinas inativadas).

É importante respeitar as doses e período de intervalo entre as vacinas. As vacinas devem ser tomadas de acordo com o calendário oficial ou em campanhas organizadas pelo ministério da saúde.


Referências


Autor(es)

Médico graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com títulos de especialista em Medicina Interna e Nefrologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Universidade do Porto e pelo Colégio de Especialidade de Nefrologia de Portugal.

Médica graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com títulos de especialista em Medicina Interna pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pela Universidade do Porto. Nefrologista pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e pelo Colégio de Nefrologia de Portugal.

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