Caxumba: transmissão, sintomas e tratamento

Autor(a): Dr. Pedro Pinheiro

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Tempo estimado de leitura: 3 minutos.

O que é a caxumba?

A caxumba, também conhecida como parotidite infecciosa, parotidite epidêmica ou papeira, é uma infecção viral muito comum na infância, transmitida pela via respiratória e que ataca preferencialmente a glândula parótida.

A glândula parótida, ou simplesmente parótida, é a maior das três glândulas salivares, que o próprio nome diz, são responsáveis pela produção de saliva.

As glândulas salivares são formadas aos pares, uma em cada lado da boca, sendo classificadas conforme a sua localização (veja a ilustração abaixo para facilitar a compreensão):

  • Glândulas parótidas: são as maiores glândulas salivares, situam-se nas laterais do rosto, logo à frente das orelhas. A saliva produzida é secretada na altura do segundo molar superior.
  • Glândulas submandibulares: encontram-se na parte interna da mandíbula. Elas secretam a saliva no assoalho da boca.
  • Glândulas sublinguais: localizam-se sob o assoalho da boca e por baixo de cada lado da língua. Também secretam a saliva no assoalho da boca.
Localização das glândulas salivares
Localização das glândulas salivares

O vírus da caxumba se aloja preferencialmente na parótida, fazendo com que a mesma fique inflamada, apresentando-se inchada e dolorosa (parotidite). A caxumba também pode acometer as outras glândulas salivares.

Transmissão

A parotidite infecciosa é transmitida de uma pessoa para outra através das secreções das vias aéreas, semelhantemente ao que ocorre com outras viroses respiratórias, como a gripe ou resfriado. O vírus da caxumba é altamente contagioso, sendo facilmente transmitido para pessoas susceptíveis.

O período de incubação da caxumba varia entre 14 e 25 dias. Entre 3 e 5 dias antes do aparecimento dos sintomas típicos da caxumba, o paciente apresenta o que chamamos pródromos, sintomas inespecíficos que podem ser confundidos com um início de gripe, como dor de cabeça, febre baixa, perda do apetite, mal-estar e dor muscular.

O paciente contaminado já é capaz de transmitir o vírus três dias antes dos sintomas prodrômicos surgirem, mantendo-se contagioso por até 5 dias após o aparecimento dos sintomas típicos da caxumba, sendo este o tempo indicado de isolamento dos pacientes.

Sintomas

Nem todas as pessoas contaminadas pelo vírus da caxumba irão desenvolver sintomas. Cerca de 20 a 30% não costumam apresentar sintomatologia, no máximo queixas inespecíficas que passam praticamente despercebidas.

Nos pacientes sintomáticos, 95% apresentam a parotidite, com dor e edema (inchaço) das glândulas parótidas, provocando a clássica manifestação clínica da caxumba.

Caxumba
Parotidite infecciosa

A parotidite costuma ser bilateral, mas eventualmente pode acometer apenas um lado, como na imagem acima. Esse inchaço no rosto costuma durar até 10 dias.

Além do edema da parótida, a parotidite infecciosa também provoca os seguintes sintomas:

  • Febre.
  • Cansaço
  • Dor muscular pelo corpo
  • Fraqueza
  • Mal-estar.
  • Boca seca.
Infográfico - caxumba sintomas
Principais sintomas da caxumba

O diagnóstico pode ser confirmado pela sorologia, porém o quadro clínico costuma ser tão típico que esta confirmação laboratorial não precisa ser feita obrigatoriamente.

Complicações

As complicações da caxumba são raras, porém costumam ser graves. A maioria delas ocorria antes do advento da vacina, mas ainda podem ser encontradas em adultos nos dias de hoje.

O fato das complicações poderem ocorrer mesmo naqueles pacientes que não desenvolvem parotidite é uma importante causa de atraso no diagnóstico correto da caxumba.

Entre as complicações mais relevantes da parotidite infecciosa, podemos citar:

Orquite

O acometimento dos testículos pelo vírus é a mais famosa e mais comum complicação da caxumba. É uma complicação que ocorre em até 40% dos homens que contraem caxumba após o início da adolescência. Alterações na fertilidade ocorrem em até 13% dos pacientes com orquite, entretanto, a esterilidade é rara.

Os sintomas da orquite pela caxumba são febre alta, dor testicular e edema na bolsa escrotal. O intervalo entre a parotidite e a orquite costuma ser de 10 dias.

Ooforite

Analogamente ao que ocorre com os homens, a caxumba nas mulheres pode atacar os ovários, causando a ooforite. É uma complicação menos comum e ocorre em cerca de 7% das mulheres em idade pós-puberal.

Meningite

Ocorre em menos de 10% dos casos e, ao contrário da meningite bacteriana, costuma ter bom prognóstico, com resolução espontânea e sem deixar sequelas. A encefalite, infecção do cérebro, é uma complicação rara. Para saber mais sobre meningite e suas causas, leia: MENINGITE | Sintomas, Transmissão e Vacina.

Surdez

Antes da vacina, a caxumba era uma importante causa de surdez infantil. Atualmente é uma complicação rara.

Aborto

A infecção por caxumba no primeiro trimestre é um importante fator de risco para aborto. Entretanto, quando a gravidez consegue seguir seu curso, não parece haver maior risco de má-formações.

Outras complicações mais raras da parotidite infecciosa incluem:

Tratamento

Não há tratamento específico para caxumba; em geral, prescrevemos apenas sintomáticos, tais como analgésicos e antipiréticos. Como é uma doença de origem viral, não há indicação para o uso de antibióticos.

A caxumba é, na imensa maioria dos casos, uma doença auto-limitada, com resolução espontânea dentro de 2 semanas, sem necessidade de nenhum tratamento específico.

Vacina

A imunização contra caxumba faz parte do atual calendário de vacinação, administrada através da vacina tríplice viral, chamada MMR, que protege contra caxumba, sarampo e rubéola.

Todos os adultos não imunizados contra a parotidite infecciosa durante a infância podem receber a vacina, principalmente se houver pessoas próximas com a doença. As contra-indicações incluem gravidez, pacientes com imunossupressão e pessoas alérgicas ao antibiótico neomicina.

A eficácia da vacina está acima dos 96% e pacientes recém imunizados não transmitem o vírus vacinal, por isso não precisam evitar contato com nenhum grupo de pacientes.


Referências


Autor(es)

Médico graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com títulos de especialista em Medicina Interna e Nefrologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Universidade do Porto e pelo Colégio de Especialidade de Nefrologia de Portugal.

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