DISIDROSE – Causas, sintomas e tratamento

O que é a disidrose?

A disidrose, também conhecida como eczema disidrótico, é uma doença de pele caracterizada por uma erupção em formas de vesículas (pequenas bolhas com líquido no interior), que coçam bastante e costumam se localizar nas palmas das mãos e plantas dos pés.

Essas pequenas vesículas duram cerca de três a quatro semanas. Quando secam, a pele fica ressecada, podendo descamar e apresentar fissuras.

O eczema disidrótico afeta adolescentes e adultos, com pico de incidência entre 20 e 40 anos. Crianças pequenas e idosos são raramente afetados.

A doença é mais comum nas épocas de calor e pode ser aguda, recorrente ou crônica, conforme veremos mais à frente.

Causas

Durante muito tempo, achava-se que a doença estava relacionada às glândulas sudoríparas, tanto que o termo de origem grega “disidrótico” significa algo como “dificuldade para suar”.

Atualmente, nós não acreditamos mais que as glândulas produtoras de suor tenham qualquer relação com o aparecimento das vesículas, apesar de ainda não sabermos exatamente por que a disidrose surge.

Embora, na maioria dos casos, um fator causador ou predisponente não possa ser apontado, vários fatores de risco já foram identificados. Os mais comuns são:

Sintomas

Os episódios de eczema disidrótico geralmente começam com coceira nas mãos, seguida por súbito aparecimento de vesículas nas palmas, dedos e região lateral das mãos, ou nas solas dos pés, que podem ser pruriginosas ou dolorosas.

Desidrose
Eczema disidrótico

Em 70 a 80% dos pacientes, somente as mãos estão envolvidas. Nos casos mais leves, as vesículas podem surgir apenas na face lateral dos dedos das mãos, ocupando uma região bem limitada.

Somente 10% dos pacientes com desidrose apresentam lesões exclusivamente nos pés, poupando as mãos.

As vesículas são tipicamente pequenas e agrupadas, muitas vezes formando o chamado aspecto em “tapioca”. As pequenas bolhas pode se juntar e formar bolhas maiores. Em alguns pacientes, as lesões são tão pruriginosas, que atrapalham as suas atividades do dia a dia.

Habitualmente, as vesículas persistem por 3 a 4 semanas, depois desidratam e desaparecem, provocando descamação da pele.

Descamação na desidrose
Descamação das mãos na disidrose

Os episódios de disidrose podem ser recorrentes, com recaídas todos os meses, ou esporádicos, surgindo não mais do que uma vez por ano.

Em alguns pacientes, os surtos podem estar associados a estresse emocional ou físico, mas, na maioria das vezes, eles ocorrem na ausência de um gatilho identificável.

Quando o paciente tem episódios muito frequentes, ele pode desenvolver dermatite crônica das mãos ou pés, que é caracterizada por placas avermelhadas, espessamento da pele, lesões descamativas e fissuras.

As feridas favorecem a infecção da pele por bactérias, principalmente quadros de celulite provocados por Staphylococcus aureus.

 Dermatite crônica por disidrose
Dermatite crônica por disidrose

Episódios recorrentes também podem afetar as unhas, provocando alterações na sua forma e coloração.

Gravidade do quadro

A severidade do quadro de disidrose é habitualmente avaliada de acordo com a intensidade das vesículas e os sintomas do paciente.

Consideramos o eczema disidrótico leve a moderado quando ele apresenta as seguintes características:

  • Não envolve toda a superfície palmar ou plantar.
  • Apresenta-se apenas com algumas vesículas agrupadas ou dispersas.
  • A vermelhidão é pequena.
  • O paciente não se queixa de prurido intolerável, queimação ou dor.

Consideramos o eczema disidrótico grave quando ele apresenta-se do seguinte modo:

  • Envolvimento de toda a superfície palmar ou plantar.
  • Vesículas ou bolhas grandes, que são incapacitantes, impedindo o paciente de andar ou utilizar as mãos para seus afazeres.
  • Dor ou comichão muito intensos.

Diagnóstico

Na imensa maioria dos casos, o diagnóstico é feito através da história clínica e do exame físico, não havendo necessidade de exames complementares.

É comum que o paciente tenha mais de um tipo de eczema ao mesmo tempo, como por exemplo, disidrose e eczema atópico. Também possível haver infecção fúngica associada às lesões disidróticas, como pé-de-atleta.

Nesses casos, a aparência das lesões pode não ser muito típica, e exames complementares, como raspagem ou biópsia da pele, podem ajudar a estabelecer os diagnósticos corretos.

Tratamento

O eczema disidrótico é uma doença recorrente e os pacientes, em geral, sofrem ataques frequentes por muitos anos.

Com o envelhecimento, os episódios tendem a ocorrer com menos frequência e uma boa parte dos pacientes acaba ficando livre da doença de forma espontânea em algum momento da vida.

O tratamento da disidrose está indicado nos casos mais graves, com sintomas intensos, principalmente coceira ou dor, ou quando a doença ocorre de forma muito frequente.

Medidas gerais para todos os casos

Identificar e evitar substâncias irritantes e fatores exacerbantes é benéfico para a maioria dos pacientes com eczema disidrótico.

As medidas gerais de cuidados com a pele destinadas a reduzir a irritação da pele e restaurar a barreira da pele incluem:

  • Utilizar água morna e produtos de limpeza sem sabão para lavar as mãos.
  • Secar bem as mãos após a lavagem.
  • Aplicar cremes hidratantes imediatamente após a secagem das mãos ou dos pés.
  • Usar luvas de vinil com forro interno de algodão ou outras luvas que não de látex para realizar tarefas domésticas com água.
  • Remover anéis, relógios e pulseiras antes de molhar as mãos.
  • Usar luvas de proteção em clima frio.
  • Usar luvas específicas para tarefas em que haja atrito (por exemplo, jardinagem ou carpintaria).
  • Evitar contato com substâncias irritantes (por exemplo, detergentes, solventes, corantes capilares ou alimentos ácidos).
  • Evitar bijuteria feita com níquel ou cobalto.

Disidrose leve a moderada

Os pacientes com eczema disidrótico leve a moderado que não apresentam melhora relevante apenas com as medidas gerais listadas acima podem ser tratados com corticosteroides tópicos (cremes, gel ou pomadas) de alta potência. Os mais prescritos são: Betametasona, Mometasona, Clobetasol, Triancinolona ou Fluticasona.

Os corticoides tópicos devem ser aplicados duas vezes ao dia por duas a quatro semanas.

Compressas ou banhos de permanganato de potássio ou água boricada a 2%, de duas a três vezes ao dia, podem ser utilizados antes da aplicação do corticoide, principalmente nos pacientes com múltiplas e grandes bolhas.

Apesar da boa resposta, o uso a longo prazo de corticosteroides tópicos deve ser evitado devido aos seus efeitos colaterais, que incluem atrofia da pele, estrias e telangiectasias. Nesses casos, a alternativa é o uso de pomadas ou cremes contendo Tacrolimos 0,1% ou Pimecrolimos 1%.

Disidrose grave

Nas formas graves, o tratamento deve ser feito com corticoides por via oral. Prednisona 40 a 60 mg por dia por 7 dias, seguido de Prednisona 20 a 30 mg por dias por mais 7 dias, é o esquema mais indicado.

Doença refratária

Os pacientes com crises frequentes de eczema disidrótico podem ser tratados com fototerapia com luz ultravioleta A (PUVA).

Dieta

Em alguns pacientes, os quadros de disidrose recorrente podem ser desencadeados pelo consumo de alimentos ricos em cobalto ou níquel.

Portanto, sugere-se que o paciente faça um teste por 3 a 4 semanas reduzindo o consumo dos alimentos listados abaixo.

Alimentos ricos em níquel:

  • Comida enlatada.
  • Alimentos cozidos com utensílios niquelados.
  • Arenque.
  • Frutos do mar.
  • Aspargos.
  • Feijão.
  • Cogumelos.
  • Cebola.
  • Milho.
  • Espinafre.
  • Tomate.
  • Ervilha.
  • Farinha de grão integral.
  • Pera.
  • Chocolate.
  • Fermento em pó.

Alimentos ricos em cobalto:

  • Damasco.
  • Feijão.
  • Cerveja.
  • Beterraba.
  • Couve.
  • Chocolate.
  • Café.
  • Fígado.
  • Nozes.
  • Vieiras.
  • Farinha de trigo integral.

Como é muito difícil restringir o níquel e o cobalto da alimentação, pois eles estão presentes em diversos alimentos, a taxa de sucesso da dieta acaba sendo baixa, já que poucos são os pacientes que realmente conseguem reduzir o consumo desses metais.


Referências


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