Dermatite atópica: sintomas, causas e tratamento


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Revisado e atualizado em outubro 15, 2025
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O que é dermatite atópica?

A dermatite atópica, também conhecida como eczema atópico, é um problema de pele comum em bebês e crianças, mas que também pode acometer adultos.

Quando a doença foi descrita, imaginava-se que ela era uma espécie de alergia da pele, relacionada a outras atopias, como a rinite alérgica, asma e a alergia alimentar; daí o nome dermatite atópica.

Porém, estudos recentes mostram que o eczema atópico não é uma doença alérgica. Ele parece surgir por conta de um defeito genético em uma proteína da pele, o que facilitaria o surgimento de inflamação crônica e sintomas, como coceira, descamação, pele seca e vermelhidão local.

Como surge?

Como todos sabemos, a pele é o órgão responsável por criar uma barreira entre o interior do nosso corpo e o meio externo. Ela é a nossa primeira linha de defesa contra agressões do meio ambiente. Uma pele intacta impede que micróbios e substâncias irritantes alcancem o interior do nosso organismo.

A permeabilidade da pele é determinada por uma complexa interação entre proteínas e células naturais da própria pele. Qualquer perturbação destes componentes, seja através de defeitos genéticos, traumas, diminuição da umidade, alteração de pH ou infecção, pode interferir com a capacidade da epiderme agir como uma barreira efetiva.

A quebra da barreira da pele permite que os incontáveis agentes irritantes do meio ambiente possam penetrá-la e entrar em contato com as células do sistema imunológico que ficam localizadas logo abaixo da pele. Essa interação entre substâncias irritantes absorvidas e o sistema imunológico leva à liberação de mediadores pró-inflamatórios, produzindo os achados clínicos e patológicos de dermatite atópica.

Da mesma forma que a quebra da barreira e o aumento da permeabilidade facilitam a invasão por substâncias irritantes, ela também permite uma maior evaporação da água da pele, deixando-a mais ressecada. O ressecamento provoca rachaduras na pele, o que colabora ainda mais para a quebra da barreira contra o meio externo, exacerbando os sintomas da dermatite atópica. Cria-se, assim, um círculo vicioso.

Sintomas

A dermatite atópica é uma doença típica de bebês e crianças, mas pode também ocorrer nos adultos. 85% dos casos surgem nos primeiros 4 anos de vida; em mais da metade destes, a inflamação desaparece sozinha com o passar dos anos. Até a adolescência, cerca de 60 a 80% dos pacientes já não apresentam mais eczema.

Em geral, os adultos com dermatite atópica são indivíduos que trazem a doença desde a infância. Apenas 1% dos adultos apresenta dermatite atópica com início após a adolescência.

Dermatite atópica
Dermatite atópica na face flexora do cotovelo (fossa cubital)

O eczema atópico pode ser dividido em três estágios:

  • Fase infantil (3 meses a 2 anos de idade).
  • Fase pré-puberal (2 a 12 anos de idade).
  • Fase adulta (a partir de 12 anos de idade).

O quadro clínico da dermatite atópica muda conforme a fase da doença.

Fase infantil

Na fase infantil, o quadro é de lesões avermelhadas, descamativas, com crostas e intenso prurido. As faces extensoras das articulações, como cotovelos e joelhos, o rosto e o couro cabeludo são os locais mais afetados. Em alguns casos, as lesões podem ser bem extensas e ocupar boa parte da superfície da pele.

Dermatite atópica infantil
Dermatite atópica infantil

Curiosamente, a área coberta pelas fraldas costuma ser poupada. Na fase mais aguda das lesões, pode haver vesículas (pequenas bolhas) com drenagem de material purulento.

Eczema atópico fase infantil com acometimento da face
Eczema atópico fase infantil com acometimento da face

Fase pré-puberal

Na fase pré-puberal, além da vermelhidão e da coceira intensa, é também muito comum um espessamento da pele em forma de placas ásperas nas faces flexoras das articulações, como a fossa cubital (fossa do cotovelo) e a fossa poplítea (fossa do joelho). Pescoço, punhos e tornozelos também são frequentemente acometidos.

Eczema atópico na fossa poplítea e nos tornozelos
Eczema atópico na fossa poplítea e nos tornozelos

Nessa fase, a pele apresenta-se bastante ressecada e são comuns as feridas provocadas pelo ato de coçar.

Fase adulta

Na fase adulta, as lesões da dermatite atópica tendem a ser bem espessadas e pruriginosas. O eczema pode ficar restrito às mãos e aos pés, mas o pescoço, a fossa cubital e a fossa poplítea também são áreas frequentemente acometidas. O ressecamento difuso da pele é outro sinal bastante comum.

Lesão espessada no punho com ressecamento da pele - eczema atópico
Lesão espessada no punho com ressecamento da pele

Para ver mais imagens de lesões do eczema atópico, acesse o link: Fotos de dermatite atópica (bebês, crianças e adultos).

Geralmente, o eczema atópico é um quadro inflamatório da pele que vai e volta, podendo haver intervalos de meses ou anos entre uma crise e outra.

O eczema pode provocar uma comichão intensa, e o ato de coçar a lesão pode deixá-la ainda irritada e pruriginosa. A coceira pode levar a lesões da pele pela unha, o que facilita a invasão e contaminação das feridas por bactérias, principalmente o Staphylococcus aureus.

Em todas as faixas etárias, qualquer área do corpo pode estar envolvida em casos graves, embora seja incomum ver lesões na região axilar, glútea ou virilhas. Lesões nesses locais devem levar à consideração de outros diagnósticos, como psoríase, dermatite alérgica de contato ou dermatite seborreica.

A dermatite atópica não é uma doença contagiosa. Pode-se tocar as lesões à vontade que não há nenhum risco de transmissão.

Tratamento

O objetivo do tratamento da dermatite atópica visa o controle da coceira, a redução da inflamação da pele e a prevenção das recorrências.

Um dos primeiros passos no controle do eczema atópico é eliminar fatores que favorecem o agravamento das lesões, tais como:

  • Calor, suor ou ambientes secos.
  • Estresse ou ansiedade.
  • Mudanças bruscas de temperatura.
  • Exposição a certos produtos químicos ou soluções de limpeza, incluindo sabões e detergentes, perfumes, cosméticos, cloro da piscina, roupas de lã ou fibras sintéticas, poeira, areia ou fumaça de cigarro.

A hidratação da pele é outra medida necessária para aliviar o eczema. Hidratantes pobres em água, como Eucerin, Cetaphil e Nutraderm, devem ser usados diariamente após o banho. Vaselina é outra opção válida.

O uso tópico de cremes contendo corticoides é bastante útil para reduzir a irritação da pele. Nos casos leves, corticoides tópicos de baixa potência costumam ser os mais indicados, entre eles: desonida 0,05%, hidrocortisona 2,5%.

Nos casos mais graves, corticoides mais potentes são preferíveis, como fluocinolona 0,025%, triancinolona 0,1%, dipropionato de betametasona 0,05%.

O uso de corticoides tópicos, porém, deve ficar restrito às fases agudas e durar poucos dias para evitar efeitos colaterais. Quando o tratamento com cremes é necessário por mais de 4 semanas, o ideal é evitar os corticoides e usar produtos imunossupressores à base de tacrolimos ou pimecrolimos.

Em casos de eczema grave e de difícil controle, o uso de corticoides por via oral pode ser indicado por alguns dias.

A fototerapia, tratamento com raios ultravioleta, é bastante eficaz no controle do eczema. Porém, trata-se de um tratamento caro, que aumenta o risco de câncer de pele e provoca envelhecimento precoce, motivo pelo qual ele costuma ficar restrito apenas aos casos graves e de difícil controle.

Para pacientes com doença moderada a grave que não respondem à terapia tópica isolada e para os quais a fototerapia não é viável ou aceitável, uma opção é o tratamento com dupilumabe, um anticorpo monoclonal. O dupilumabe é administrado como injeções subcutâneas com duas semanas de intervalo.

Dupilumabe, fototerapia e agentes imunossupressores convencionais não são adequados para bebês e crianças pequenas. Em crianças com mais de seis anos e adolescentes, eles devem ser usados quando a terapia tópica ideal falhou e a doença tem um impacto significativo na qualidade de vida.

Tratamentos sem comprovação científica

Antihistamínicos comuns, como cetirizina, loratadina, fexofenadina, não são eficazes para o tratamento do eczema atópico.

Outros tratamentos que também carecem de eficácia comprovada para dermatite atópica são:

  • Probióticos, como lactobacilos.
  • Suplementos dietéticos, incluindo vitaminas, óleo de peixe e ácidos graxos essenciais derivados de plantas.
  • Óleo de prímula e óleo de borragem, que são ricos em ácido gama-linolênico e ácido graxo essencial, têm sido amplamente usados para o tratamento de dermatite atópica como um remédio de medicina alternativa e complementar, mas não apresentam evidências adequadas de eficácia.
  • Melatonina.
  • Medicamentos fitoterápicos.
  • Antagonistas do receptor de leucotrieno, como o Montelucaste.

Referências



Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Elizabete Maria da Rocha

    Comecei algum tempo ter uma dermatite abaixo do cokce bem abaixo das vértebras. Mas não é no ânus. Tem coceira. Fica muito irritado. Vermelho. Então some e volta sou adulta já de 71 anos tenho baixa imunidade e doença autoimune. Como hipotireoide. Reumatismo etc…. obgdo.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Pela localização que descreve — abaixo do cóccix, na prega entre as nádegas, mas fora do ânus — uma possibilidade comum é intertrigo, que é uma irritação de pele causada por atrito, suor, umidade e abafamento. Essa região pode ficar vermelha, coçar, arder, irritar, melhorar e depois voltar. Em alguns casos, há também infecção secundária por fungos, especialmente Candida, que é mais provável em áreas úmidas e em pessoas com imunidade reduzida.

    Outra possibilidade, dependendo do aspecto da lesão, é dermatite de contato, por papel higiênico, lenços umedecidos, sabonetes, pomadas, perfumes ou produtos de higiene. Também é importante descartar psoríase em área de dobra, micose, eczema e, se houver caroço, secreção, dor ou pequeno orifício na pele, cisto pilonidal, que costuma surgir justamente na região da prega acima das nádegas.

    Como a senhora tem 71 anos, refere baixa imunidade e doença autoimune, o ideal é não tratar por conta própria por muito tempo. Uma avaliação com dermatologista ou clínico ajuda a diferenciar irritação simples de micose, candidíase, psoríase ou infecção bacteriana. O tratamento muda bastante conforme a causa: às vezes precisa de antifúngico, às vezes de corticoide fraco por poucos dias, às vezes apenas barreira protetora e controle da umidade.

  2. Everaldo

    Ola – No meu filho aparecem umas manchas (dermatites) no meio do braço (fossa cubital). Qdo a gente usa corticoide tópico melhora. Mas com tempo volta. Tem vez que aparecem nos dois braços O que pode ser? e o qual o tratamento?

  3. Deborah

    Olá, minha filha tem 14 anos e tá tendo várias coceiras nas mãos e pescoço e quando ela coça fica meio avermelhado e enche de bolhas ainda não a levei no médico. E já faz 3 semanas que ela está tendo isso! Será que é dermatite atópica ?

    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Difícil opinar à distância e sem ver a lesão. O ideal é que você leve sua filha ao dermatologista.

  4. Patrícia da Silva

    meu filho tem 4 anos está quase um ano com esse problema oque devo fazer quais alimentos devo cortar?

    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Antes de tomar qualquer procedimento, ele precisa ser avaliado pelo pediatra ou por um dermatologia.

  5. Dalva Rosa

    Texto sobre dermatite atopica, muito esclarecedor.
    Mas espero que algum dia descubram um remédio
    Para a cura. Porque quem tem ,sabe o sofrimento.

  6. Marcio Eduardo Caetano Luiz

    Olá gente, não sei se tenho dermatite atópica, pois minha pele não fica avermelhada. O meu problema é que tenho uma coceira insuportável no peito e nas costas, meu dermatologista diz que minha pele está apenas irritada e me prescreveu para tomar um remédio chamado Zina e um hidratante Lipikar.
    O que devo fazer? Procuro outro médico ou estou no caminho certo?

    Dr. Pedro Pinheiro - MD. Saúde Autor

    Acho que você deveria dar uma chance ao tratamento proposto. Se não melhorar, aí sim vale a pena procurar uma segunda opinião.

  7. Jessica Alves

    Gente isso surge quando a pele ta seca, eu procurei varias soluções mas é dificil , minha dermatologista disse q tenho dermatite atópica na boca, dps de procurar melhora com corticóides, tentei optar por algo q não prejudique tanto, usei vários protetores labiais, tipo nivea, bepantol derma, e outras marcas, mas só faziam piorar, dai encontrei o baby lips fresh care da maybeline. O q dizer desse produto . perfeitoooooooo. Quando começo ter crise, aplico ele e reverte, como se eu não tivesse dermatite. Ótimo hidratante e nao maltrata a pele. Então como cada pele pode reagir de maneira diferente, indico pra quem tem na boca ou em outra parte do corpo, passar o baby lips fresh care na pele. É uma alternativa neh. Tomar agua quando acorda e antes de dormir é essencial. Depois vou testar mais hidratantes

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