Dermatite Seborreica: causas, sinais e tratamento

Autor(a): Dr. Pedro Pinheiro

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Tempo estimado de leitura: 4 minutos.

O que é dermatite seborreica?

A dermatite seborreica, também chamada eczema seborreico, é uma doença da pele bastante comum e habitualmente de pouca gravidade. Essa forma de dermatite é uma inflamação crônica que surge em áreas da pele que contêm grande número de glândulas sebáceas.

As lesões surgem habitualmente em áreas com grande produção de oleosidade na pele, como couro cabeludo, face, região peitoral, canal auditivo e costas. Quando acomete o couro cabeludo, a produção de caspa é um dos seus sinais mais comuns (leia também: Como acabar com a caspa).

A gravidade do eczema seborreico pode variar de escamação mínima e assintomática do couro cabeludo, como um quadro simples de caspa sem vermelhidão ou coceira, até envolvimento mais amplo de várias regiões da pele.

A dermatite seborreica não afeta a saúde de forma relevante, mas pode ser desconfortável devido à coceira. As lesões também podem causar constrangimento quando surgem em partes visíveis do corpo, como no caso do rosto, pois elas se caracterizam por placas vermelhas que coçam e podem descamar.

O eczema seborreico acomete cerca de 20% da população mundial, porém, somente 3% lesões de pele são clinicamente relevantes.

Homens são mais acometidos que mulheres. É uma doença com dois picos de incidência: durante o primeiro ano de vida e após a puberdade. O pico de incidência na vida adulta é entre os 20 e 40 anos

Os indivíduos afetados geralmente são saudáveis, embora a dermatite seborreica também pareça estar associada à infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), doença de Parkinson, vários outros distúrbios neurológicos e uso de medicamentos neurolépticos.

A dermatite seborreica não é uma doença contagiosa e não é um sinal de má higiene pessoal. Tocar nas lesões não fará você pegar a doença.

Uma vez que as lesões tenham surgido pela primeira vez, ela torna-se uma doença crônica, que vai e volta ao longo das décadas, com períodos de agravamento das lesões, seguidos de grande melhora e desaparecimento dos sintomas.

Nota: dermatite, também denominada eczema, é um grupo de doenças que causa inflamação da pele, caracterizadas por prurido e vermelhidão da pele. Para saber sobre outras formas de dermatite, leia: 6 tipos de eczema: causas, sintomas e tratamento.

Causas

As causas da dermatite seborreica não estão totalmente esclarecidas. Sabemos que ela não é propriamente uma doença das glândulas sebáceas, e os pacientes acometidos não necessariamente têm um aumento da produção de sebo (oleosidade) por essas glândulas.

Contudo, a predileção da dermatite seborreica por áreas da pele ricas em glândulas sebáceas nos indica que estas estruturas fazem parte do processo fisiopatológico da doença.

A teoria mais aceita atualmente é de que as glândulas sebáceas, e a oleosidade produzida pelas mesmas, desempenham um papel permissivo na gênese da dermatite seborreica, possivelmente através da criação de um ambiente favorável para o crescimento de fungos do gênero Malassezia (antigamente chamada de Pityrosporum ovale).

O fungo Malassezia alimenta-se de restos de pele morta e tem preferência por áreas com maior produção de sebo.

É preciso destacar, no entanto, que ainda não existe evidência direta de que a Malassezia esteja implicada na origem da dermatite seborreica. Este fungo faz parte da flora de germes habituais da pele, podendo ser encontrado facilmente em muitas pessoas. Além disso, os pacientes com dermatite seborreica não necessariamente possuem uma maior população do fungo Malassezia em sua pele, mesmo nas formas mais graves da doença.

Todavia, a forma como o sistema imunológico do paciente lida com a presença da Malassezia na pele é que parece ser a causa da inflamação e dos sintomas. A Malassezia pode ser irritante para algumas pessoas geneticamente predispostas, o que explica a ocorrência de dermatite seborreica somente em um percentual pequeno das pessoas colonizadas por esse fungo.

A dermatite seborreica não é considerada uma doença infecciosa, apesar de haver melhora dos sintomas quando tratada com medicamentos antifúngicos. Não é preciso temer o contato com pessoas com eczema seborreico, você provavelmente já tem o fungo o Malassezia na sua pele, e não tem a dermatite porque o seu sistema imunológico convive pacificamente com ele.

Sintomas

A dermatite seborreica se caracteriza por um rash avermelhado na pele, geralmente em placas ou crostas, associado à coceira e descamação da pele. A descamação pode gerar caspa no couro cabeludo, nas sobrancelhas, barba e outras regiões com pelos, como a região torácica nos homens.

Dermatite seborreica no couro cabeludo, testa e sobrancelhas
Dermatite seborreica no couro cabeludo, testa e sobrancelhas

As lesões do couro cabeludo podem ultrapassar os limites do cabelo, tornando-se visíveis, apresentando-se como crostas ou placas ligeiramente elevadas, cor de salmão e com descamações amareladas ou prateada. Pode haver queda de cabelo, que costuma regredir com o tratamento.

A dermatite seborreica no rosto costuma surgir na testa, sobrancelhas, cílios, atrás da orelha, região da barba e ao redor dos sulcos do nariz e da boca. O acometimento ao redor dos olhos favorece o desenvolvimento de blefarite e terçol.

Dermatite seborreica na barba
Dermatite seborreica na barba

O acometimento do canal auditivo costuma causar coceira no ouvido e favorece a formação de cerume.

O tronco é outra região frequentemente acometida pela dermatite seborreica. As lesões, costumam ser em placas arredondadas ou em formato geográfico, e acometem o peito e a região do osso esterno. Homens com pelos no peito são mais acometidos.

Dermatite seborreica
Dermatite seborreica de couro cabeludo

Outras áreas do corpo também podem ser acometidas, como virilhas, axilas e nádegas.

A dermatite seborreica apresenta um caráter crônico, com períodos de melhora e piora que persistem por décadas. A doença costuma agravar-se em tempo frio e seco, em situações de fadiga ou estresse emocional, após ingestão de alimentos gordurosos ou bebidas alcoólicas, em pessoas que fumam ou após banhos quentes. Banhos de sol parecem melhorar as lesões.

Dermatite seborreica no couro cabeludo com caspa
Dermatite seborreica no couro cabeludo com caspa

Crosta láctea

A crosta láctea é uma forma de dermatite seborreica que afeta o couro cabeludo de bebês. Nesse grupo o eczema seborreico costuma se apresentar como crostas descamativas de cor vermelhada ou amarelada no couro cabeludo, orelha, centro da face ou áreas de dobras cutâneas.

Crosta láctea em couro cabeludo de um bebê
Crosta láctea em couro cabeludo de um bebê

As lesões da crosta láctea costumam ser menos inflamatórias que as da dermatite seborreica dos adultos e não costumam causar muita coceira.

O bebê que tem crosta láctea costuma estar bem; alimentação e sono não são perturbados. O prurido é leve na maioria dos casos. As manifestações clínicas variam, mas a maioria dos casos acaba se resolvendo espontaneamente dentro de semanas a alguns meses. Os casos que persistem além dos 12 meses são raros e exigem que o diagnóstico seja reconsiderado.

Tratamento

Não existe cura para dermatite seborreica. Porém, há tratamentos e a doença pode ser controlada de tal forma que ela quase não provoca incômodo ao paciente.

Os casos leves, somente com caspa no couro cabeludo, podem ser controlados apenas com xampu anti-caspa.

Há vários tipos de xampus anti-caspa disponíveis no mercado. A diferença entre eles é o ingrediente ativo. Xampus com qualquer uma das substâncias abaixo são igualmente eficazes após quatro semanas de uso:

O xampu deve ser deixado no cabelo por pelo menos três minutos antes de ser enxaguado.

Se não houver melhora com os xampus tradicionais, ou se as lesões forem muito intensas, uma consulta com o médico dermatologista faz-se necessária. O uso de loções ou xampus especiais com corticoides pode ser necessário para o controle das lesões.

Nas lesões na face ou tronco, cremes com corticoides e antifúngicos (ex: hidrocortisona + cetoconazol) costumam ser eficientes. Outras opções incluem cremes ou pomadas com pimecrolimos ou tacrolimos.


Referências


Autor(es)

Médico graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com títulos de especialista em Medicina Interna e Nefrologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Universidade do Porto e pelo Colégio de Especialidade de Nefrologia de Portugal.

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