Cistite: sintomas, causas e tratamento da infecção da bexiga

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Revisado e atualizado em julho 26, 2026
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Principais informações sobre a cistite

A cistite é uma infecção da bexiga que provoca ardência ao urinar, urgência, vontade frequente de ir ao banheiro e desconforto na parte inferior da barriga.

Na maioria dos casos, a infecção é provocada pela bactéria Escherichia coli, que vive normalmente no intestino. A cistite é muito mais comum nas mulheres porque a uretra feminina é curta e sua abertura fica próxima do ânus.

Febre, calafrios, dor em um dos lados das costas, náuseas e vômitos não são sintomas habituais da cistite simples. Esses sinais podem indicar que a infecção alcançou os rins, causando pielonefrite.

Em mulheres adultas, não grávidas e com sintomas típicos, o diagnóstico muitas vezes pode ser feito sem urocultura. O tratamento costuma ser realizado com antibióticos, mas a escolha do medicamento e a duração variam conforme o sexo, a gravidez, a função dos rins, o histórico de alergias e o perfil de resistência das bactérias.

O que é cistite?

Cistite é o nome dado à inflamação da bexiga. Na grande maioria dos casos agudos, essa inflamação é provocada por uma infecção bacteriana. Por esse motivo, no uso cotidiano, os termos cistite e infecção da bexiga costumam ser utilizados como sinônimos.

Existem também formas não infecciosas de cistite, como a cistite intersticial (síndrome da bexiga dolorosa), a cistite provocada por radioterapia ou a inflamação causada por determinados medicamentos. Este artigo aborda especificamente a cistite bacteriana aguda.

A infecção urinária é uma doença extremamente comum, principalmente no sexo feminino. Cerca de 60% das mulheres adultas terão pelo menos um episódio de infecção do trato urinário durante a vida.

Existem três tipos de infecção urinária:

  • Cistite: infecção da bexiga.
  • Pielonefrite: infecção de um ou dos dois rins.
  • Uretrite: inflamação ou infecção da uretra.

A cistite é uma infecção da bexiga, causada na maioria dos casos pela bactéria Escherichia coli. A cistite é habitualmente uma doença de tratamento simples, porém pode ser dolorosa e inconveniente.

A infecção da bexiga pode se tornar um grave problema de saúde se as bactérias se deslocarem para os rins, causando o que chamamos de pielonefrite. Enquanto a cistite costuma ser uma doença simples, a pielonefrite pode levar à sepse e, consequentemente, à morte por infecção generalizada.

Como se “pega” infecção urinária?

Na verdade, a expressão “pegar infecção urinária” não é a mais apropriada, já que a cistite bacteriana comum não é uma doença contagiosa nem uma infecção sexualmente transmissível.

Mais de 80% das infecções urinárias são causadas por uma bactéria que vive no nosso intestino, chamada Escherichia coli, também conhecida como E. coli.

A infecção urinária ocorre quando essas bactérias, que deveriam permanecer no trato intestinal, conseguem colonizar a região ao redor da entrada da vagina e da uretra. Essa colonização é o primeiro passo para o desenvolvimento da cistite. Bactérias vindas dos intestinos que conseguem se estabelecer nessa região têm mais facilidade para penetrar na uretra e alcançar a bexiga.

As relações sexuais podem favorecer o aparecimento de cistite, especialmente nas mulheres, porque facilitam o deslocamento de bactérias da região perianal para a entrada da uretra. Isso não significa, porém, que a cistite tenha sido transmitida pelo parceiro ou que seja uma infecção sexualmente transmissível. Na cistite bacteriana comum, o parceiro ou a parceira não precisa receber tratamento.

As cepas de E. coli que causam infecção urinária são inofensivas se permanecerem dentro do intestino. Elas só causam doença se atingirem outros órgãos do corpo, como a bexiga.

Além da E. coli, outras bactérias, também comuns ao trato gastrointestinal, podem provocar cistite, incluindo Klebsiella pneumoniae, Proteus mirabilis, Staphylococcus saprophyticus e Enterococcus.

Cistite nos homens e nas mulheres

A imagem abaixo mostra a anatomia do trato urinário inferior da mulher e do homem. Repare como a saída da uretra na mulher fica muito mais próxima do ânus do que no homem. Além disso, a uretra do homem é mais extensa, fazendo com que a E. coli tenha que percorrer um caminho maior até chegar à bexiga.

Anatomia geniturinária de homens e mulheres
Anatomia geniturinária feminina e masculina

Isso significa que, anatomicamente, é muito mais fácil para as bactérias vindas do ânus alcançarem a bexiga da mulher do que a bexiga do homem. Portanto, a anatomia geniturinária explica por que as mulheres têm cistite com frequência e os homens não.

Há, entretanto, situações em que essa vantagem anatômica não é suficiente para proteger os homens da infecção urinária. Alguns exemplos:

1. Sexo anal ativo (homo ou heterossexual)

A penetração do pênis no ânus elimina a distância anatômica que protege os homens. A saída da uretra do pênis fica em contato direto com as bactérias intestinais. A E. coli, nesse caso, é levada diretamente para a região da uretra, tendo apenas que atravessá-la para chegar à bexiga. O sexo anal ativo sem preservativo é, portanto, um fator de risco para infecção urinária.

Ainda assim, mesmo em homens que praticam sexo anal, a cistite não é uma doença comum. Além da barreira anatômica, há outros fatores que dificultam a cistite no sexo masculino.

A região ao redor da uretra masculina é menos úmida que nas mulheres, o que dificulta a colonização por bactérias. Além disso, no líquido prostático há substâncias com atividade antibacteriana.

2. Doenças da próstata

Homens mais velhos costumam ter a próstata aumentada de tamanho, o que comprime a uretra e causa obstrução à saída de urina.

O ato de urinar protege contra a cistite, pois a urina ajuda a carregar as bactérias que estejam alojadas na bexiga e na uretra. Como a próstata obstrui a uretra, mesmo que parcialmente, a bexiga pode permanecer com uma quantidade de urina em seu interior, criando um ambiente favorável à multiplicação de bactérias.

Portanto, sempre que um homem adulto apresentar episódios repetidos de infecção urinária, deve-se considerar a possibilidade de alterações da próstata, obstrução à saída da urina, cálculos ou lesões da bexiga.

Nos homens, ardência ao urinar, aumento da frequência urinária e dor pélvica também podem ser causados por prostatite, que exige avaliação e tratamento diferentes dos utilizados na cistite simples.

Como evitar infecções urinárias?

A maioria das pessoas costuma pensar que, se a cistite surge quando bactérias normalmente encontradas nas fezes colonizam a região vaginal, basta lavar bastante a vagina e a região ao seu redor para eliminar essas bactérias e impedir a infecção.

A cistite seria, portanto, uma doença de quem não se lava corretamente. Esse raciocínio está errado. Na medicina, nem sempre o que parece mais lógico é o que realmente acontece.

A vagina apresenta sua própria flora de bactérias, que são inofensivas e benéficas, na medida em que dificultam a colonização da região por outros germes causadores de doenças. A higiene íntima excessiva, especialmente com duchas vaginais, sabonetes irritantes ou produtos antissépticos, pode alterar essa flora natural e irritar a mucosa.

O que a E. coli mais quer ao chegar à região ao redor da vagina é poder se multiplicar à vontade, sem ter que “brigar” com outras bactérias por espaço e alimento.

Portanto, ter cistite não significa necessariamente ter maus hábitos de higiene. Higiene íntima excessiva também não protege contra a infecção e pode causar irritação local.

Sabendo como surgem as infecções da bexiga, podemos agora fornecer algumas dicas de como evitá-las:

  • Faça a higiene íntima com moderação. Deve-se ter atenção especial à limpeza após as evacuações. Quem usa papel higiênico deve sempre realizar a limpeza da frente para trás, ou seja, na direção contrária à vagina e à uretra.
  • Não realize duchas vaginais. Esse procedimento altera a flora vaginal e pode irritar a mucosa, favorecendo a colonização por bactérias.
  • Evite desodorantes em spray na área genital ou qualquer outro produto de limpeza que possa irritar a vagina. Áreas inflamadas facilitam a aderência de bactérias.
  • Evite permanecer muitas horas sem urinar.
  • Urine depois das relações sexuais. A comprovação científica do efeito protetor dessa medida é limitada, mas ela é simples, segura e pode ajudar a eliminar bactérias que tenham alcançado a entrada da uretra.
  • Beba líquidos em quantidade suficiente para urinar regularmente. O aumento da ingestão de água parece ser especialmente útil em mulheres com cistite de repetição que habitualmente bebem pouco líquido.
  • Mulheres com infecções recorrentes devem evitar espermicidas. O mesmo vale para diafragmas utilizados em associação com espermicidas.
  • O uso indiscriminado de antibióticos pode alterar a flora natural da vagina e favorecer o surgimento de bactérias resistentes. Não tome antibióticos a menos que sejam realmente necessários. Nunca se automedique.
  • Mulheres na menopausa que apresentam cistites recorrentes podem se beneficiar do uso de estrogênio vaginal. O tratamento deve ser indicado pelo ginecologista ou pelo urologista, pois não é necessário para todas as mulheres na menopausa.

Para saber mais dicas sobre como evitar as cistites, leia: Como prevenir as infecções urinárias.

Fatores de risco para cistite

Apesar de todos os cuidados, algumas pessoas apresentam predisposição para infecções urinárias. Algumas mulheres têm infecção urinária de repetição, com vários episódios durante o ano.

Entre os fatores que podem aumentar o risco de cistite, podemos citar:

  • Sexo feminino.
  • Diabetes Mellitus.
  • Vida sexual ativa. Quanto mais relações sexuais por semana, maior o risco (leia: Cistite da lua-de-mel).
  • Fatores genéticos e história familiar de cistite.
  • Histórico de infecção urinária durante a infância.
  • Novo parceiro sexual.
  • Uso de espermicidas ou diafragma.
  • Gravidez.
  • Menopausa.
  • Presença de sonda vesical.
  • Incontinência urinária.
  • Doenças na próstata.
  • Cálculos urinários.
  • Dificuldade para esvaziar completamente a bexiga.
  • Alterações anatômicas ou neurológicas das vias urinárias.

Sintomas da cistite

A infecção da bexiga causa alguns sintomas típicos:

  • Ardência ao urinar, chamada de disúria.
  • Urgência para urinar e dificuldade de segurar a urina.
  • Vontade frequente de urinar, mesmo quando há pouca urina na bexiga.
  • Sensação de que a bexiga não esvaziou completamente.
  • Sensação de peso, pressão ou dor na parte inferior da barriga.
  • Presença de sangue na urina, chamada de hematúria.

Febre não é um sintoma habitual da cistite simples. Sempre que houver febre, calafrios, dor em um dos lados das costas, náuseas, vômitos, perda de apetite ou mal-estar geral, deve-se pensar em pielonefrite.

Algumas pessoas associam urina com cheiro forte à infecção urinária. Porém, o mau cheiro isoladamente não confirma o diagnóstico de cistite.

A principal causa de cheiro forte é a urina muito concentrada. Se a urina estiver com uma coloração amarela muito intensa e com odor forte, aumente a ingestão de líquidos. Normalmente, isso melhora o problema e também ajuda a evitar a formação de cálculos renais.

Urina turva também pode ocorrer na cistite, mas não deve ser utilizada isoladamente para diagnosticar a infecção.

Nos homens idosos, as doenças da próstata podem causar sintomas semelhantes aos da infecção urinária, além de serem um fator de risco para a própria infecção.

Nos homens jovens com disúria, é sempre importante pensar em infecções sexualmente transmissíveis como diagnóstico diferencial, pois uretrites por gonorreia ou clamídia são mais comuns nesse grupo que a cistite.

Nas mulheres, a presença de corrimento vaginal, coceira, odor vaginal desagradável ou dor durante as relações sexuais torna diagnósticos como vaginite ou cervicite mais prováveis.

Para saber mais detalhes sobre os sintomas da infecção urinária, leia: Sintomas da infecção urinária.

O vídeo abaixo resume e explica os principais sintomas da cistite.

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Como se diagnostica a infecção da bexiga?

Na maioria dos casos de cistite em mulheres adultas, não grávidas, saudáveis e com sintomas típicos, o diagnóstico é clínico e o médico pode iniciar o tratamento sem solicitar exames.

A combinação de ardência ao urinar, urgência, aumento da frequência urinária e ausência de corrimento ou irritação vaginal torna o diagnóstico de cistite bastante provável.

Se houver dúvida, pode-se solicitar uma análise de urina (EAS). A presença de leucócitos, nitrito ou sangue ajuda no diagnóstico, mas nenhum desses achados deve ser interpretado isoladamente.

O exame mais específico para identificar a infecção urinária é a urocultura. Além de identificar a bactéria, a cultura informa quais antibióticos são capazes de combatê-la.

Todavia, como o resultado demora alguns dias para ficar pronto e o quadro clínico costuma ser característico, a urocultura nem sempre é necessária no primeiro episódio de cistite simples em uma mulher não grávida.

A urocultura é especialmente importante nas seguintes situações:

  • Gestantes.
  • Homens.
  • Suspeita de pielonefrite.
  • Cistite de repetição.
  • Sintomas atípicos ou dúvidas sobre o diagnóstico.
  • Falta de melhora com o tratamento indicado.
  • Retorno dos sintomas pouco tempo depois do fim do antibiótico.
  • Uso recente de antibióticos.
  • Histórico de infecção por bactérias resistentes.
  • Presença de alterações anatômicas ou funcionais das vias urinárias.

Não se deve pedir urocultura rotineiramente em pessoas sem sintomas. Algumas pessoas apresentam bactérias na urina sem necessariamente desenvolver cistite. Esse quadro é chamado bacteriúria assintomática.

Na maioria das pessoas, a bacteriúria assintomática não deve ser tratada. O uso de antibióticos nesses casos não traz benefícios e ainda facilita o desenvolvimento de bactérias resistentes.

As principais exceções são as gestantes e os pacientes que serão submetidos a procedimentos urológicos capazes de provocar lesões na mucosa das vias urinárias.

Também não é necessário repetir a urocultura depois do tratamento se os sintomas tiverem desaparecido, exceto em situações específicas, principalmente durante a gravidez.

Explicamos a bacteriúria assintomática com detalhes no artigo: O que é bacteriúria assintomática?

Tratamento da cistite

A cistite bacteriana costuma ser tratada com antibióticos. O tratamento aumenta a chance de cura, reduz mais rapidamente os sintomas e diminui o risco de a infecção alcançar os rins.

O antibiótico mais indicado depende de fatores como:

  • Presença de febre ou sinais de infecção nos rins.
  • Sexo e idade do paciente.
  • Gravidez.
  • Função dos rins.
  • Alergias.
  • Uso recente de antibióticos.
  • Resultado de uroculturas anteriores.
  • Perfil de resistência das bactérias na região.

Nas mulheres adultas, não grávidas e sem fatores de complicação, os esquemas mais utilizados incluem:

A duração do tratamento varia conforme o antibiótico escolhido. Portanto, não é correto dizer que todos os casos de cistite devem ser tratados por apenas três dias.

Ciprofloxacino, norfloxacino e outros antibióticos da família das fluoroquinolonas não devem ser utilizados rotineiramente como primeira opção para a cistite simples. Além de favorecerem resistência bacteriana, esses medicamentos podem provocar efeitos adversos importantes e devem ser reservados para situações nas quais as opções preferenciais não sejam adequadas.

A nitrofurantoína e a fosfomicina atingem concentrações adequadas na bexiga, mas não são indicadas para tratar pielonefrite. Se houver febre, calafrios, dor em um dos lados das costas, náuseas ou vômitos, é preciso procurar avaliação médica.

Em homens, a urocultura costuma ser indicada e o tratamento geralmente dura sete dias. Períodos mais prolongados podem ser necessários quando há suspeita de prostatite, febre ou outros sinais de infecção sistêmica. Nesses casos, a escolha do antibiótico também deve levar em conta sua capacidade de penetrar adequadamente no tecido prostático.

Em mulheres não idosas, não grávidas, com sintomas leves e sem fatores de risco, um tratamento inicialmente sem antibióticos pode ser discutido com o médico. Essa estratégia, porém, costuma proporcionar alívio mais lento, apresenta maior chance de falha e aumenta discretamente o risco de pielonefrite. Portanto, não deve ser tentada por conta própria.

Para mais informações sobre o tratamento da cistite, leia: Tratamento para infecção urinária.

Medicamentos para aliviar os sintomas da infecção urinária

Alguns medicamentos podem aliviar temporariamente a dor e a ardência, mas não substituem o antibiótico quando este está indicado.

A fenazopiridina, conhecida pelo nome comercial Pyridium, é um analgésico das vias urinárias. Ela pode diminuir a dor, a ardência e a urgência, mas não elimina a bactéria.

A fenazopiridina também deixa a urina com uma coloração alaranjada ou avermelhada, que pode manchar roupas. Quando utilizada junto ao antibiótico, seu uso geralmente deve ser limitado aos primeiros dois dias (leitura sugerida: Alterações na cor da urina).

O Cystex contém uma associação de substâncias com ações antisséptica e antiespasmódica, incluindo metenamina, acriflavina, azul de metileno e beladona. Apesar da possível ação antisséptica, ele não deve ser utilizado como substituto dos esquemas antibióticos recomendados para o tratamento da cistite bacteriana.

Para tratar a infecção, é necessário utilizar uma estratégia capaz de eliminar a bactéria, escolhida de acordo com as características do paciente e o provável agente causador.

Em quanto tempo os sintomas melhoram?

Quando o antibiótico é eficaz, o habitual é ocorrer melhora relevante dos sintomas nas primeiras 24 a 48 horas.

Se não houver melhora após cerca de 48 horas, se os sintomas estiverem piorando ou se surgirem febre, dor nas costas, vômitos ou mal-estar, o paciente deve ser reavaliado.

Nesses casos, pode ser necessário solicitar uma urocultura, trocar o antibiótico ou investigar outro diagnóstico.

Tratamento da cistite de repetição

Apesar de todos os cuidados listados neste texto, algumas mulheres apresentam infecções urinárias de repetição. São, em geral, pessoas com predisposição genética ou com fatores que favorecem a colonização da região ao redor da uretra.

Considera-se cistite recorrente quando a mulher apresenta pelo menos dois episódios em seis meses ou três episódios em um ano.

O diagnóstico deve ser confirmado por urocultura, pois nem todo episódio de ardência, urgência ou aumento da frequência urinária é causado por uma infecção bacteriana.

Algumas mulheres se beneficiam da tomada de um comprimido de antibiótico após as relações sexuais. Nos casos mais frequentes, pode ser necessário utilizar antibióticos em baixas doses diariamente por períodos que variam de três a doze meses.

A profilaxia com antibióticos deve ser considerada apenas quando as medidas comportamentais e as opções não antibióticas não forem suficientes.

Outra opção preventiva é o hipurato de metenamina, que pode reduzir a frequência das infecções em mulheres sem alterações anatômicas importantes nas vias urinárias. O medicamento deve ser prescrito e acompanhado por um médico.

Para quem prefere produtos naturais, o cranberry, também conhecido como oxicoco, pode reduzir modestamente o risco de novas infecções em algumas mulheres. Entretanto, os estudos apresentam resultados contraditórios, não existe uma dose ideal bem estabelecida e o cranberry não serve para tratar uma infecção urinária que já esteja ativa.

O Uro-Vaxom é um imunomodulador produzido a partir de componentes de diferentes cepas de E. coli. Apesar de alguns estudos sugerirem redução das recorrências, os resultados são inconsistentes e as diretrizes atuais não recomendam seu uso rotineiro fora de situações individualizadas ou de estudos clínicos.

Para mais informações sobre a cistite de repetição, leia: Cistite de repetição: por que a infecção urinária volta e como prevenir

Infecção urinária em grávidas

A presença de infecção urinária em grávidas está associada a parto prematuro e bebês com baixo peso ao nascimento. Além disso, a gestação aumenta o risco de a bactéria alcançar os rins e causar pielonefrite.

Por isso, recomenda-se realizar uma urocultura no início do pré-natal, mesmo que a gestante não apresente sintomas. Quando há crescimento significativo de bactérias, a bacteriúria assintomática deve ser tratada.

Gestantes com sintomas de cistite também devem fazer urocultura. O tratamento costuma ser realizado durante cinco a sete dias, embora a fosfomicina possa ser utilizada em dose única em situações específicas.

As fluoroquinolonas, como ciprofloxacino e norfloxacino, geralmente são evitadas durante a gravidez. A sulfametoxazol-trimetoprima deve ser evitada principalmente no primeiro trimestre e próximo ao parto, salvo quando não houver alternativas adequadas.

Entre as opções que podem ser utilizadas estão nitrofurantoína, fosfomicina e alguns antibióticos betalactâmicos, como cefalosporinas ou amoxicilina com ácido clavulânico.

A escolha deve considerar a fase da gravidez, o resultado da urocultura, a função dos rins, as alergias e o histórico de resistência bacteriana.

Amoxicilina ou ampicilina isoladas não devem ser utilizadas empiricamente antes do resultado da urocultura, pois a resistência da E. coli a esses antibióticos é elevada.

Após o tratamento, o obstetra pode solicitar uma nova urocultura para confirmar que a bactéria foi eliminada, principalmente se houver histórico de infecção recorrente ou outros fatores de risco.

Para saber mais sobre infecção urinária na gravidez, leia: Infecção urinária na gravidez.


book Referências bibliográficas
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  • American College of Obstetricians and Gynecologists. Urinary Tract Infections in Pregnant Individuals. 2023.


Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Doroteia

    Muito bom artigo doutor. Obrigada.
    tenho uma questão. Posso ter relações sexuais enquanto estou com cistite?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    A cistite bacteriana comum não é uma infecção sexualmente transmissível e não costuma ser transmitida ao parceiro. Entretanto, a relação sexual pode aumentar a irritação da uretra, piorar a ardência e intensificar a dor.

    Por conforto, costuma ser melhor aguardar até que os sintomas tenham melhorado. Se houver corrimento, feridas genitais ou possibilidade de uma infecção sexualmente transmissível, evite relações e procure avaliação médica.

  2. Joana Campos

    Estou com ardência e urgência para urinar, mas a urocultura deu negativa. Ainda pode ser cistite?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    É possível, principalmente quando a urina foi colhida depois do início do antibiótico, estava muito diluída ou havia uma quantidade pequena de bactérias. Entretanto, sintomas persistentes com uroculturas repetidamente negativas devem levantar outras possibilidades.

    Vaginite, uretrite por infecção sexualmente transmissível, cálculo urinário, síndrome da bexiga dolorosa e alterações do assoalho pélvico podem causar sintomas semelhantes. Nessa situação, não é recomendável repetir antibióticos sem confirmar o diagnóstico.

  3. Talitha

    Estou com sintomas de infecção urinária mas não gosto de tomar remedios principalmente antibiotico. A cistite pode melhorar sozinha sem antibiótico?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Alguns casos leves podem melhorar espontaneamente em mulheres adultas, não grávidas e sem fatores de risco. Entretanto, sem antibiótico, os sintomas tendem a durar mais e existe um pequeno aumento do risco de a infecção alcançar os rins. Também há maior risco de a infecção retornar após algumas semanas ou meses, após a melhora inicial.

    Essa estratégia só deve ser considerada após avaliação médica. Gestantes, homens e pessoas com febre, dor nas costas, vômitos, imunossupressão ou doenças das vias urinárias não devem esperar a melhora espontânea.

  4. WALQUIRIA

    Quem tem Ectópia Cervical (Ferida no colo do utero) tem mais facilidade de adiquirir Cistite?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Walquiria, a ectopia ou ectropion cervical não costuma aumentar o risco de cistite. Trata-se de uma alteração do colo do útero, enquanto a cistite é uma infecção da bexiga.

    O ectropion pode provocar aumento do corrimento, pequenas perdas de sangue ou sangramento após as relações sexuais. Se houver ardência ao urinar, urgência ou aumento da frequência urinária, esses sintomas devem ser investigados separadamente.

  5. Dirley Anne

    O chá de Chaptalia nutans popularmente chamado de ”Língua de vaca” tem algum efeito comprovado no tratamento de infecção urinária? Na minha família esse chá sempre foi administrado e sempre “desapareceu” com a doença, porém… estou com a infecção novamente depois de 1 ano da última ( tenho desde criança pelo menos 1 vez a cada 2 anos). Ontem minha mãe fez o chá e eu tomei, mas diferente das outras vezes, a dor continua. Devo me preocupar com algo mais grave?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Dirley, não há comprovação clínica de que o chá de Chaptalia nutans elimine as bactérias causadoras de infecção urinária. A melhora após o chá pode coincidir com uma redução espontânea dos sintomas, mas isso não comprova que a infecção tenha sido curada.

    Ter um episódio a cada dois anos não caracteriza cistite recorrente. Entretanto, como a dor continua, o ideal é procurar avaliação médica. Febre, dor nas costas, vômitos ou mal-estar podem indicar uma infecção nos rins e exigem atendimento mais rápido.

  6. kitty

    texto extremamente objetivo, didático e fácil de entender. Que o autor publique mais textos que, como esse, ajudam a sanar nossas dúvidas.

  7. sofia

    Ola Dr. nos ultimos tempos tenho tido infeccoes urinarias com bastante frequencia. Ja tomei bastantes antibioticos. desta vez iniciei o tratamento à 3dias de bactrim+uro-vaxon, mas continuo a sentir o desconforto a urinar, peso na barriga e má disposição. sera que devo parar com o tratamento?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Sofia, não interrompa o antibiótico por conta própria. Como já se passaram três dias sem melhora clara, o ideal é entrar em contato com o médico e fazer uma urocultura com antibiograma. O Uro-Vaxom pode ser utilizado para tentar prevenir novos episódios, mas não trata a infecção que já está ativa. Procure atendimento mais rapidamente se houver febre, dor nas costas, vômitos ou piora do estado geral.

  8. Iolene Mourao

    Oi, me chamo Iolene. Estou com cistite e o meu médico não quis passar nenhum exame pra mim, para confirmar que era cistite mesmo, só passou antibiótico….Está correto?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Iolene, pode estar correto. Em mulheres adultas, não grávidas e saudáveis, a combinação de ardência ao urinar, urgência e aumento da frequência urinária, sem corrimento vaginal, costuma ser suficiente para o diagnóstico de cistite. A urocultura é mais importante na gravidez, nos homens, nas infecções recorrentes, nos sintomas atípicos ou quando o tratamento não funciona.

  9. Solange

    Doutor, tenho uma dúvida em relação a infecção de urina de repetição. Pessoas com endometriose tem mais probabilidade de ter infecção com muita frequência?? A baixa imunidade pode levar a esse tipo de problema??

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Solange, a endometriose, por si só, não é uma causa habitual de infecção urinária recorrente. Raramente, quando a doença atinge a bexiga ou os ureteres, ela pode causar sintomas urinários, obstrução ou manifestações que se confundem com cistite.

    “Baixa imunidade” também não costuma ser a explicação para a maioria das cistites recorrentes. Imunossupressão verdadeira, provocada por determinadas doenças ou medicamentos, pode aumentar o risco e a gravidade das infecções. Quando os episódios são frequentes, o primeiro passo é confirmar por urocultura se todos eles são realmente infecções bacterianas.

  10. Ângela M.G.

    Dr. Pedro, estou em tratamento há 5 dias com o CIPRO 500 mg de 12/12 e Diclofenaco potassico, mas ainda há uma disuria, algia constante na uretra. O meu urologista prescreveu por 7 dias. O tratamento não está sendo eficaz?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Ângela, após cinco dias de tratamento sem melhora clara, é necessário procurar o urologista para reavaliação. Quando o antibiótico é eficaz, os sintomas geralmente começam a melhorar em 24 a 48 horas, embora não desapareçam necessariamente por completo nesse período.

    Pode ser necessário fazer uma urocultura para verificar se a bactéria é resistente ou investigar outras causas de dor na uretra. Não interrompa, prolongue ou troque o antibiótico por conta própria.

  11. Isabella Teixeira

    Ola estou sentindo ardor, e me incomoda muito quando vou fazer xixi só sai um pouquinho e doí.Estou tomando azitromicina gostaria de saber se este remédio pode resolver meu problema.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Isabella, a azitromicina não é um dos antibióticos habitualmente utilizados para tratar cistite. Ela pode ser indicada para algumas infecções sexualmente transmissíveis, que também podem provocar ardência ao urinar, mas não costuma combater as principais bactérias causadoras de infecção da bexiga.

    O ideal é procurar avaliação médica para confirmar a causa dos sintomas e decidir se é necessário fazer exame de urina, urocultura ou testes para infecções sexualmente transmissíveis.

  12. Souzacruz21

    Olá Dr. Pedro, infecção urinária também pode causar sintomas como desarranjo intestinal?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    A cistite simples não costuma causar desarranjo intestinal ou diarreia diretamente. Se você estiver tomando antibiótico, porém, o medicamento pode alterar a microbiota intestinal e provocar fezes amolecidas, cólicas ou diarreia.

    Náuseas e vômitos acompanhados de febre ou dor nas costas podem indicar uma infecção urinária mais alta, como pielonefrite. Diarreia intensa, persistente, com sangue ou acompanhada de desidratação também precisa de avaliação médica.

  13. Marivana sefrin freitas

    Estou com cistete a três dias fui ao médico ontem mas continua ardendo mas tomei antibiótico n domingo procuro médico novamente

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Marivana, nas primeiras 24 horas de tratamento ainda pode haver ardência. Quando o antibiótico é eficaz, o habitual é começar a perceber uma melhora relevante entre 24 e 48 horas.

    Continue tomando o medicamento conforme a prescrição. Se após cerca de 48 horas não houver melhora, se a dor estiver aumentando ou se surgirem febre, dor nas costas, vômitos ou mal-estar, procure o médico novamente.

  14. Carla Priscila Martins

    Ao acabar de urina estou sentindo dor

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Carla, dor ou ardência no final da micção pode ocorrer na cistite, principalmente quando também há urgência e vontade frequente de urinar em pequenas quantidades. Entretanto, esse sintoma não confirma sozinho uma infecção urinária.

    Irritação da uretra, vaginite, infecções sexualmente transmissíveis e cálculos urinários também podem causar dor ao urinar. Se o sintoma persistir ou vier acompanhado de sangue na urina, corrimento, febre ou dor nas costas, procure avaliação médica.

  15. andre

    Gostaria de tirar umas duvidas…minha esposa esta sem anticoncepcional ha 2 meses…estamos tentando ter um filho…acontece q há 15 dias teve uma infecção urinaria ( essa é setima em um ano e meio) e na maioria foi isolada E.coli.. foi tratada com floxacim…a cultura veio com dois dias de tratamento e era sensivel ao Floxacim…fez o esquema de 7 dias…e solicitou tomar a partir do 8* dia Bactrim 1 comp dia durante 60 dias…a duvida maior é: o uso do Bactrim fará mal ao feto se houver gestação nesse período??? Grato.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    André, sete infecções em um ano e meio caracterizam cistite recorrente, situação em que a profilaxia com antibióticos pode ser considerada. Entretanto, o sulfametoxazol-trimetoprima, conhecido como Bactrim, contém trimetoprima, uma substância que interfere no metabolismo do ácido fólico, que é importante na formação do feto.

    Os dados sobre malformações não são conclusivos, mas, quando há possibilidade de gravidez, o médico deve ser informado antes do início da profilaxia. Ele poderá avaliar outro antibiótico, modificar a estratégia preventiva ou orientar a suplementação de ácido fólico. Não alterem o tratamento sem conversar com quem fez a prescrição.

  16. Charlize

    Posso tratar cistite sem pedir exame de urina?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Sim. Em mulheres adultas, não grávidas e saudáveis, com ardência, urgência e vontade frequente de urinar, sem corrimento ou irritação vaginal, o tratamento pode ser iniciado sem exame de urina.

    A urocultura é mais indicada durante a gravidez, nos homens, nas infecções recorrentes, nos sintomas atípicos, na suspeita de pielonefrite ou quando não há melhora com o tratamento.

  17. Paula

    Dr. quem tem cistite pode ficar estéril?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Paula, a cistite bacteriana comum não causa esterilidade. Ela afeta a bexiga e não costuma provocar lesões no útero, nas trompas ou nos ovários.

    Algumas infecções sexualmente transmissíveis, principalmente clamídia e gonorreia, podem provocar ardência ao urinar e serem confundidas com cistite. Quando não tratadas, elas podem causar doença inflamatória pélvica e comprometer a fertilidade. Corrimento, dor pélvica, sangramento após a relação ou exposição sexual de risco justificam investigação específica.

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