Principais informações sobre a cistite
A cistite é uma infecção da bexiga que provoca ardência ao urinar, urgência, vontade frequente de ir ao banheiro e desconforto na parte inferior da barriga.
Na maioria dos casos, a infecção é provocada pela bactéria Escherichia coli, que vive normalmente no intestino. A cistite é muito mais comum nas mulheres porque a uretra feminina é curta e sua abertura fica próxima do ânus.
Febre, calafrios, dor em um dos lados das costas, náuseas e vômitos não são sintomas habituais da cistite simples. Esses sinais podem indicar que a infecção alcançou os rins, causando pielonefrite.
Em mulheres adultas, não grávidas e com sintomas típicos, o diagnóstico muitas vezes pode ser feito sem urocultura. O tratamento costuma ser realizado com antibióticos, mas a escolha do medicamento e a duração variam conforme o sexo, a gravidez, a função dos rins, o histórico de alergias e o perfil de resistência das bactérias.
O que é cistite?
Cistite é o nome dado à inflamação da bexiga. Na grande maioria dos casos agudos, essa inflamação é provocada por uma infecção bacteriana. Por esse motivo, no uso cotidiano, os termos cistite e infecção da bexiga costumam ser utilizados como sinônimos.
Existem também formas não infecciosas de cistite, como a cistite intersticial (síndrome da bexiga dolorosa), a cistite provocada por radioterapia ou a inflamação causada por determinados medicamentos. Este artigo aborda especificamente a cistite bacteriana aguda.
A infecção urinária é uma doença extremamente comum, principalmente no sexo feminino. Cerca de 60% das mulheres adultas terão pelo menos um episódio de infecção do trato urinário durante a vida.
Existem três tipos de infecção urinária:
- Cistite: infecção da bexiga.
- Pielonefrite: infecção de um ou dos dois rins.
- Uretrite: inflamação ou infecção da uretra.
A cistite é uma infecção da bexiga, causada na maioria dos casos pela bactéria Escherichia coli. A cistite é habitualmente uma doença de tratamento simples, porém pode ser dolorosa e inconveniente.
A infecção da bexiga pode se tornar um grave problema de saúde se as bactérias se deslocarem para os rins, causando o que chamamos de pielonefrite. Enquanto a cistite costuma ser uma doença simples, a pielonefrite pode levar à sepse e, consequentemente, à morte por infecção generalizada.
Como se “pega” infecção urinária?
Na verdade, a expressão “pegar infecção urinária” não é a mais apropriada, já que a cistite bacteriana comum não é uma doença contagiosa nem uma infecção sexualmente transmissível.
Mais de 80% das infecções urinárias são causadas por uma bactéria que vive no nosso intestino, chamada Escherichia coli, também conhecida como E. coli.
A infecção urinária ocorre quando essas bactérias, que deveriam permanecer no trato intestinal, conseguem colonizar a região ao redor da entrada da vagina e da uretra. Essa colonização é o primeiro passo para o desenvolvimento da cistite. Bactérias vindas dos intestinos que conseguem se estabelecer nessa região têm mais facilidade para penetrar na uretra e alcançar a bexiga.
As relações sexuais podem favorecer o aparecimento de cistite, especialmente nas mulheres, porque facilitam o deslocamento de bactérias da região perianal para a entrada da uretra. Isso não significa, porém, que a cistite tenha sido transmitida pelo parceiro ou que seja uma infecção sexualmente transmissível. Na cistite bacteriana comum, o parceiro ou a parceira não precisa receber tratamento.
As cepas de E. coli que causam infecção urinária são inofensivas se permanecerem dentro do intestino. Elas só causam doença se atingirem outros órgãos do corpo, como a bexiga.
Além da E. coli, outras bactérias, também comuns ao trato gastrointestinal, podem provocar cistite, incluindo Klebsiella pneumoniae, Proteus mirabilis, Staphylococcus saprophyticus e Enterococcus.
Cistite nos homens e nas mulheres
A imagem abaixo mostra a anatomia do trato urinário inferior da mulher e do homem. Repare como a saída da uretra na mulher fica muito mais próxima do ânus do que no homem. Além disso, a uretra do homem é mais extensa, fazendo com que a E. coli tenha que percorrer um caminho maior até chegar à bexiga.

Isso significa que, anatomicamente, é muito mais fácil para as bactérias vindas do ânus alcançarem a bexiga da mulher do que a bexiga do homem. Portanto, a anatomia geniturinária explica por que as mulheres têm cistite com frequência e os homens não.
Há, entretanto, situações em que essa vantagem anatômica não é suficiente para proteger os homens da infecção urinária. Alguns exemplos:
1. Sexo anal ativo (homo ou heterossexual)
A penetração do pênis no ânus elimina a distância anatômica que protege os homens. A saída da uretra do pênis fica em contato direto com as bactérias intestinais. A E. coli, nesse caso, é levada diretamente para a região da uretra, tendo apenas que atravessá-la para chegar à bexiga. O sexo anal ativo sem preservativo é, portanto, um fator de risco para infecção urinária.
Ainda assim, mesmo em homens que praticam sexo anal, a cistite não é uma doença comum. Além da barreira anatômica, há outros fatores que dificultam a cistite no sexo masculino.
A região ao redor da uretra masculina é menos úmida que nas mulheres, o que dificulta a colonização por bactérias. Além disso, no líquido prostático há substâncias com atividade antibacteriana.
2. Doenças da próstata
Homens mais velhos costumam ter a próstata aumentada de tamanho, o que comprime a uretra e causa obstrução à saída de urina.
O ato de urinar protege contra a cistite, pois a urina ajuda a carregar as bactérias que estejam alojadas na bexiga e na uretra. Como a próstata obstrui a uretra, mesmo que parcialmente, a bexiga pode permanecer com uma quantidade de urina em seu interior, criando um ambiente favorável à multiplicação de bactérias.
Portanto, sempre que um homem adulto apresentar episódios repetidos de infecção urinária, deve-se considerar a possibilidade de alterações da próstata, obstrução à saída da urina, cálculos ou lesões da bexiga.
Nos homens, ardência ao urinar, aumento da frequência urinária e dor pélvica também podem ser causados por prostatite, que exige avaliação e tratamento diferentes dos utilizados na cistite simples.
Como evitar infecções urinárias?
A maioria das pessoas costuma pensar que, se a cistite surge quando bactérias normalmente encontradas nas fezes colonizam a região vaginal, basta lavar bastante a vagina e a região ao seu redor para eliminar essas bactérias e impedir a infecção.
A cistite seria, portanto, uma doença de quem não se lava corretamente. Esse raciocínio está errado. Na medicina, nem sempre o que parece mais lógico é o que realmente acontece.
A vagina apresenta sua própria flora de bactérias, que são inofensivas e benéficas, na medida em que dificultam a colonização da região por outros germes causadores de doenças. A higiene íntima excessiva, especialmente com duchas vaginais, sabonetes irritantes ou produtos antissépticos, pode alterar essa flora natural e irritar a mucosa.
O que a E. coli mais quer ao chegar à região ao redor da vagina é poder se multiplicar à vontade, sem ter que “brigar” com outras bactérias por espaço e alimento.
Portanto, ter cistite não significa necessariamente ter maus hábitos de higiene. Higiene íntima excessiva também não protege contra a infecção e pode causar irritação local.
Sabendo como surgem as infecções da bexiga, podemos agora fornecer algumas dicas de como evitá-las:
- Faça a higiene íntima com moderação. Deve-se ter atenção especial à limpeza após as evacuações. Quem usa papel higiênico deve sempre realizar a limpeza da frente para trás, ou seja, na direção contrária à vagina e à uretra.
- Não realize duchas vaginais. Esse procedimento altera a flora vaginal e pode irritar a mucosa, favorecendo a colonização por bactérias.
- Evite desodorantes em spray na área genital ou qualquer outro produto de limpeza que possa irritar a vagina. Áreas inflamadas facilitam a aderência de bactérias.
- Evite permanecer muitas horas sem urinar.
- Urine depois das relações sexuais. A comprovação científica do efeito protetor dessa medida é limitada, mas ela é simples, segura e pode ajudar a eliminar bactérias que tenham alcançado a entrada da uretra.
- Beba líquidos em quantidade suficiente para urinar regularmente. O aumento da ingestão de água parece ser especialmente útil em mulheres com cistite de repetição que habitualmente bebem pouco líquido.
- Mulheres com infecções recorrentes devem evitar espermicidas. O mesmo vale para diafragmas utilizados em associação com espermicidas.
- O uso indiscriminado de antibióticos pode alterar a flora natural da vagina e favorecer o surgimento de bactérias resistentes. Não tome antibióticos a menos que sejam realmente necessários. Nunca se automedique.
- Mulheres na menopausa que apresentam cistites recorrentes podem se beneficiar do uso de estrogênio vaginal. O tratamento deve ser indicado pelo ginecologista ou pelo urologista, pois não é necessário para todas as mulheres na menopausa.
Para saber mais dicas sobre como evitar as cistites, leia: Como prevenir as infecções urinárias.
Fatores de risco para cistite
Apesar de todos os cuidados, algumas pessoas apresentam predisposição para infecções urinárias. Algumas mulheres têm infecção urinária de repetição, com vários episódios durante o ano.
Entre os fatores que podem aumentar o risco de cistite, podemos citar:
- Sexo feminino.
- Diabetes Mellitus.
- Vida sexual ativa. Quanto mais relações sexuais por semana, maior o risco (leia: Cistite da lua-de-mel).
- Fatores genéticos e história familiar de cistite.
- Histórico de infecção urinária durante a infância.
- Novo parceiro sexual.
- Uso de espermicidas ou diafragma.
- Gravidez.
- Menopausa.
- Presença de sonda vesical.
- Incontinência urinária.
- Doenças na próstata.
- Cálculos urinários.
- Dificuldade para esvaziar completamente a bexiga.
- Alterações anatômicas ou neurológicas das vias urinárias.
Sintomas da cistite
A infecção da bexiga causa alguns sintomas típicos:
- Ardência ao urinar, chamada de disúria.
- Urgência para urinar e dificuldade de segurar a urina.
- Vontade frequente de urinar, mesmo quando há pouca urina na bexiga.
- Sensação de que a bexiga não esvaziou completamente.
- Sensação de peso, pressão ou dor na parte inferior da barriga.
- Presença de sangue na urina, chamada de hematúria.
Febre não é um sintoma habitual da cistite simples. Sempre que houver febre, calafrios, dor em um dos lados das costas, náuseas, vômitos, perda de apetite ou mal-estar geral, deve-se pensar em pielonefrite.
Algumas pessoas associam urina com cheiro forte à infecção urinária. Porém, o mau cheiro isoladamente não confirma o diagnóstico de cistite.
A principal causa de cheiro forte é a urina muito concentrada. Se a urina estiver com uma coloração amarela muito intensa e com odor forte, aumente a ingestão de líquidos. Normalmente, isso melhora o problema e também ajuda a evitar a formação de cálculos renais.

Urina turva também pode ocorrer na cistite, mas não deve ser utilizada isoladamente para diagnosticar a infecção.
Nos homens idosos, as doenças da próstata podem causar sintomas semelhantes aos da infecção urinária, além de serem um fator de risco para a própria infecção.
Nos homens jovens com disúria, é sempre importante pensar em infecções sexualmente transmissíveis como diagnóstico diferencial, pois uretrites por gonorreia ou clamídia são mais comuns nesse grupo que a cistite.
Nas mulheres, a presença de corrimento vaginal, coceira, odor vaginal desagradável ou dor durante as relações sexuais torna diagnósticos como vaginite ou cervicite mais prováveis.
Para saber mais detalhes sobre os sintomas da infecção urinária, leia: Sintomas da infecção urinária.
O vídeo abaixo resume e explica os principais sintomas da cistite.
Como se diagnostica a infecção da bexiga?
Na maioria dos casos de cistite em mulheres adultas, não grávidas, saudáveis e com sintomas típicos, o diagnóstico é clínico e o médico pode iniciar o tratamento sem solicitar exames.
A combinação de ardência ao urinar, urgência, aumento da frequência urinária e ausência de corrimento ou irritação vaginal torna o diagnóstico de cistite bastante provável.
Se houver dúvida, pode-se solicitar uma análise de urina (EAS). A presença de leucócitos, nitrito ou sangue ajuda no diagnóstico, mas nenhum desses achados deve ser interpretado isoladamente.
O exame mais específico para identificar a infecção urinária é a urocultura. Além de identificar a bactéria, a cultura informa quais antibióticos são capazes de combatê-la.
Todavia, como o resultado demora alguns dias para ficar pronto e o quadro clínico costuma ser característico, a urocultura nem sempre é necessária no primeiro episódio de cistite simples em uma mulher não grávida.
A urocultura é especialmente importante nas seguintes situações:
- Gestantes.
- Homens.
- Suspeita de pielonefrite.
- Cistite de repetição.
- Sintomas atípicos ou dúvidas sobre o diagnóstico.
- Falta de melhora com o tratamento indicado.
- Retorno dos sintomas pouco tempo depois do fim do antibiótico.
- Uso recente de antibióticos.
- Histórico de infecção por bactérias resistentes.
- Presença de alterações anatômicas ou funcionais das vias urinárias.
Não se deve pedir urocultura rotineiramente em pessoas sem sintomas. Algumas pessoas apresentam bactérias na urina sem necessariamente desenvolver cistite. Esse quadro é chamado bacteriúria assintomática.
Na maioria das pessoas, a bacteriúria assintomática não deve ser tratada. O uso de antibióticos nesses casos não traz benefícios e ainda facilita o desenvolvimento de bactérias resistentes.
As principais exceções são as gestantes e os pacientes que serão submetidos a procedimentos urológicos capazes de provocar lesões na mucosa das vias urinárias.
Também não é necessário repetir a urocultura depois do tratamento se os sintomas tiverem desaparecido, exceto em situações específicas, principalmente durante a gravidez.
Explicamos a bacteriúria assintomática com detalhes no artigo: O que é bacteriúria assintomática?
Tratamento da cistite
A cistite bacteriana costuma ser tratada com antibióticos. O tratamento aumenta a chance de cura, reduz mais rapidamente os sintomas e diminui o risco de a infecção alcançar os rins.
O antibiótico mais indicado depende de fatores como:
- Presença de febre ou sinais de infecção nos rins.
- Sexo e idade do paciente.
- Gravidez.
- Função dos rins.
- Alergias.
- Uso recente de antibióticos.
- Resultado de uroculturas anteriores.
- Perfil de resistência das bactérias na região.
Nas mulheres adultas, não grávidas e sem fatores de complicação, os esquemas mais utilizados incluem:
- Nitrofurantoína por cinco dias.
- Fosfomicina em dose única.
- Sulfametoxazol-trimetoprima, conhecido pelo nome comercial Bactrim, por três dias, desde que a resistência bacteriana local seja baixa ou a bactéria tenha sensibilidade comprovada.
- Alguns antibióticos da família dos betalactâmicos, como determinadas cefalosporinas ou amoxicilina com ácido clavulânico, podem ser utilizados como alternativas em situações selecionadas.
A duração do tratamento varia conforme o antibiótico escolhido. Portanto, não é correto dizer que todos os casos de cistite devem ser tratados por apenas três dias.
Ciprofloxacino, norfloxacino e outros antibióticos da família das fluoroquinolonas não devem ser utilizados rotineiramente como primeira opção para a cistite simples. Além de favorecerem resistência bacteriana, esses medicamentos podem provocar efeitos adversos importantes e devem ser reservados para situações nas quais as opções preferenciais não sejam adequadas.
A nitrofurantoína e a fosfomicina atingem concentrações adequadas na bexiga, mas não são indicadas para tratar pielonefrite. Se houver febre, calafrios, dor em um dos lados das costas, náuseas ou vômitos, é preciso procurar avaliação médica.
Em homens, a urocultura costuma ser indicada e o tratamento geralmente dura sete dias. Períodos mais prolongados podem ser necessários quando há suspeita de prostatite, febre ou outros sinais de infecção sistêmica. Nesses casos, a escolha do antibiótico também deve levar em conta sua capacidade de penetrar adequadamente no tecido prostático.
Em mulheres não idosas, não grávidas, com sintomas leves e sem fatores de risco, um tratamento inicialmente sem antibióticos pode ser discutido com o médico. Essa estratégia, porém, costuma proporcionar alívio mais lento, apresenta maior chance de falha e aumenta discretamente o risco de pielonefrite. Portanto, não deve ser tentada por conta própria.
Para mais informações sobre o tratamento da cistite, leia: Tratamento para infecção urinária.
Medicamentos para aliviar os sintomas da infecção urinária
Alguns medicamentos podem aliviar temporariamente a dor e a ardência, mas não substituem o antibiótico quando este está indicado.
A fenazopiridina, conhecida pelo nome comercial Pyridium, é um analgésico das vias urinárias. Ela pode diminuir a dor, a ardência e a urgência, mas não elimina a bactéria.
A fenazopiridina também deixa a urina com uma coloração alaranjada ou avermelhada, que pode manchar roupas. Quando utilizada junto ao antibiótico, seu uso geralmente deve ser limitado aos primeiros dois dias (leitura sugerida: Alterações na cor da urina).
O Cystex contém uma associação de substâncias com ações antisséptica e antiespasmódica, incluindo metenamina, acriflavina, azul de metileno e beladona. Apesar da possível ação antisséptica, ele não deve ser utilizado como substituto dos esquemas antibióticos recomendados para o tratamento da cistite bacteriana.
Para tratar a infecção, é necessário utilizar uma estratégia capaz de eliminar a bactéria, escolhida de acordo com as características do paciente e o provável agente causador.
Em quanto tempo os sintomas melhoram?
Quando o antibiótico é eficaz, o habitual é ocorrer melhora relevante dos sintomas nas primeiras 24 a 48 horas.
Se não houver melhora após cerca de 48 horas, se os sintomas estiverem piorando ou se surgirem febre, dor nas costas, vômitos ou mal-estar, o paciente deve ser reavaliado.
Nesses casos, pode ser necessário solicitar uma urocultura, trocar o antibiótico ou investigar outro diagnóstico.
Tratamento da cistite de repetição
Apesar de todos os cuidados listados neste texto, algumas mulheres apresentam infecções urinárias de repetição. São, em geral, pessoas com predisposição genética ou com fatores que favorecem a colonização da região ao redor da uretra.
Considera-se cistite recorrente quando a mulher apresenta pelo menos dois episódios em seis meses ou três episódios em um ano.
O diagnóstico deve ser confirmado por urocultura, pois nem todo episódio de ardência, urgência ou aumento da frequência urinária é causado por uma infecção bacteriana.
Algumas mulheres se beneficiam da tomada de um comprimido de antibiótico após as relações sexuais. Nos casos mais frequentes, pode ser necessário utilizar antibióticos em baixas doses diariamente por períodos que variam de três a doze meses.
A profilaxia com antibióticos deve ser considerada apenas quando as medidas comportamentais e as opções não antibióticas não forem suficientes.
Outra opção preventiva é o hipurato de metenamina, que pode reduzir a frequência das infecções em mulheres sem alterações anatômicas importantes nas vias urinárias. O medicamento deve ser prescrito e acompanhado por um médico.
Para quem prefere produtos naturais, o cranberry, também conhecido como oxicoco, pode reduzir modestamente o risco de novas infecções em algumas mulheres. Entretanto, os estudos apresentam resultados contraditórios, não existe uma dose ideal bem estabelecida e o cranberry não serve para tratar uma infecção urinária que já esteja ativa.
O Uro-Vaxom é um imunomodulador produzido a partir de componentes de diferentes cepas de E. coli. Apesar de alguns estudos sugerirem redução das recorrências, os resultados são inconsistentes e as diretrizes atuais não recomendam seu uso rotineiro fora de situações individualizadas ou de estudos clínicos.
Para mais informações sobre a cistite de repetição, leia: Cistite de repetição: por que a infecção urinária volta e como prevenir
Infecção urinária em grávidas
A presença de infecção urinária em grávidas está associada a parto prematuro e bebês com baixo peso ao nascimento. Além disso, a gestação aumenta o risco de a bactéria alcançar os rins e causar pielonefrite.
Por isso, recomenda-se realizar uma urocultura no início do pré-natal, mesmo que a gestante não apresente sintomas. Quando há crescimento significativo de bactérias, a bacteriúria assintomática deve ser tratada.
Gestantes com sintomas de cistite também devem fazer urocultura. O tratamento costuma ser realizado durante cinco a sete dias, embora a fosfomicina possa ser utilizada em dose única em situações específicas.
As fluoroquinolonas, como ciprofloxacino e norfloxacino, geralmente são evitadas durante a gravidez. A sulfametoxazol-trimetoprima deve ser evitada principalmente no primeiro trimestre e próximo ao parto, salvo quando não houver alternativas adequadas.
Entre as opções que podem ser utilizadas estão nitrofurantoína, fosfomicina e alguns antibióticos betalactâmicos, como cefalosporinas ou amoxicilina com ácido clavulânico.
A escolha deve considerar a fase da gravidez, o resultado da urocultura, a função dos rins, as alergias e o histórico de resistência bacteriana.
Amoxicilina ou ampicilina isoladas não devem ser utilizadas empiricamente antes do resultado da urocultura, pois a resistência da E. coli a esses antibióticos é elevada.
Após o tratamento, o obstetra pode solicitar uma nova urocultura para confirmar que a bactéria foi eliminada, principalmente se houver histórico de infecção recorrente ou outros fatores de risco.
Para saber mais sobre infecção urinária na gravidez, leia: Infecção urinária na gravidez.
- Trautner BW, Cortés-Penfield NW, Gupta K, et al. Clinical Practice Guidelines by Infectious Diseases Society of America: 2025 Guideline on Management and Treatment of Complicated Urinary Tract Infections—Selection of Antibiotic Therapy for Complicated Urinary Tract Infections. Clin Infect Dis. Published online December 19, 2025. doi:10.1093/cid/ciaf460.
- Gupta K, Hooton TM, Naber KG, et al. International clinical practice guidelines for the treatment of acute uncomplicated cystitis and pyelonephritis in women: a 2010 update by the Infectious Diseases Society of America and the European Society for Microbiology and Infectious Diseases. Clin Infect Dis. 2011;52(5):e103-e120. doi:10.1093/cid/ciq257.
- Bladder Infection (Urinary Tract Infection—UTI) in Adults – The National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases
- Acute simple cystitis in women – UpToDate.
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- Stapleton AE, Endo Z, Blaser MJ, Sobel JD. Urinary tract infections. In: Blaser MJ, Cohen JI, Holland SM, et al., eds. Mandell, Douglas, and Bennett’s Principles and Practice of Infectious Diseases. 10th ed. Philadelphia, PA: Elsevier; 2026.
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Dúvidas de leitores sobre este tema
Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.
Mais comentários dos leitores
Muito bom artigo doutor. Obrigada.
tenho uma questão. Posso ter relações sexuais enquanto estou com cistite?
Estou com ardência e urgência para urinar, mas a urocultura deu negativa. Ainda pode ser cistite?
Estou com sintomas de infecção urinária mas não gosto de tomar remedios principalmente antibiotico. A cistite pode melhorar sozinha sem antibiótico?
Quem tem Ectópia Cervical (Ferida no colo do utero) tem mais facilidade de adiquirir Cistite?
O chá de Chaptalia nutans popularmente chamado de ”Língua de vaca” tem algum efeito comprovado no tratamento de infecção urinária? Na minha família esse chá sempre foi administrado e sempre “desapareceu” com a doença, porém… estou com a infecção novamente depois de 1 ano da última ( tenho desde criança pelo menos 1 vez a cada 2 anos). Ontem minha mãe fez o chá e eu tomei, mas diferente das outras vezes, a dor continua. Devo me preocupar com algo mais grave?
texto extremamente objetivo, didático e fácil de entender. Que o autor publique mais textos que, como esse, ajudam a sanar nossas dúvidas.
Ola Dr. nos ultimos tempos tenho tido infeccoes urinarias com bastante frequencia. Ja tomei bastantes antibioticos. desta vez iniciei o tratamento à 3dias de bactrim+uro-vaxon, mas continuo a sentir o desconforto a urinar, peso na barriga e má disposição. sera que devo parar com o tratamento?
Oi, me chamo Iolene. Estou com cistite e o meu médico não quis passar nenhum exame pra mim, para confirmar que era cistite mesmo, só passou antibiótico….Está correto?
Doutor, tenho uma dúvida em relação a infecção de urina de repetição. Pessoas com endometriose tem mais probabilidade de ter infecção com muita frequência?? A baixa imunidade pode levar a esse tipo de problema??
Dr. Pedro, estou em tratamento há 5 dias com o CIPRO 500 mg de 12/12 e Diclofenaco potassico, mas ainda há uma disuria, algia constante na uretra. O meu urologista prescreveu por 7 dias. O tratamento não está sendo eficaz?
Ola estou sentindo ardor, e me incomoda muito quando vou fazer xixi só sai um pouquinho e doí.Estou tomando azitromicina gostaria de saber se este remédio pode resolver meu problema.
Olá Dr. Pedro, infecção urinária também pode causar sintomas como desarranjo intestinal?
Estou com cistete a três dias fui ao médico ontem mas continua ardendo mas tomei antibiótico n domingo procuro médico novamente
Ao acabar de urina estou sentindo dor
Gostaria de tirar umas duvidas…minha esposa esta sem anticoncepcional ha 2 meses…estamos tentando ter um filho…acontece q há 15 dias teve uma infecção urinaria ( essa é setima em um ano e meio) e na maioria foi isolada E.coli.. foi tratada com floxacim…a cultura veio com dois dias de tratamento e era sensivel ao Floxacim…fez o esquema de 7 dias…e solicitou tomar a partir do 8* dia Bactrim 1 comp dia durante 60 dias…a duvida maior é: o uso do Bactrim fará mal ao feto se houver gestação nesse período??? Grato.
Posso tratar cistite sem pedir exame de urina?
Dr. quem tem cistite pode ficar estéril?