Menopausa: o que é, sintomas e tratamento

Autor: Dr. Pedro Pinheiro

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Tempo estimado de leitura: 4 minutos.

O que é a menopausa?

A menopausa natural é definida como o fim permanente dos períodos menstruais, diagnosticada retrospectivamente após uma mulher já estar há pelo menos 12 meses seguidos sem menstruar, sem qualquer outra causa patológica ou fisiológica óbvia que justifique o quadro.

A menopausa ocorre devido à depleção dos óvulos (insuficiência ovariana) e consequente fim dos ciclos ovulatórios, com severa redução na produção dos hormônios estrogênio e progesterona.

A menopausa é um processo biológico natural, inevitável, irreversível e universal para todas as mulheres, que caracteriza a transição entre a idade fértil e o climatério.

Neste texto abordaremos o que é a menopausa, quais são os seus principais sintomas e qual é a diferença entre menopausa e climatério.

Menopausa e climatério

Há muita confusão com os termos menopausa e climatério. Menopausa é a última menstruação da vida da mulher. Já o climatério é o período em que a mulher inicia a transição da sua fase reprodutiva para não reprodutiva, que engloba os anos logo antes e após a cessação da menstruação (climatério pré-menopausa e pós-menopausa)

Fases do ciclo reprodutivo feminino

Portanto, apesar de ser muito comum ouvirmos dizer que uma mulher está na menopausa, o mais correto seria dizer que ela teve a menopausa e agora está no climatério.

A vida reprodutiva da mulher apresenta dois importantes marcos: a menarca, que é a primeira menstruação, e a menopausa, sua última menstruação. A primeira é o sinal de que a vida fértil da mulher está sendo iniciada, enquanto a segunda é o sinal de que o período fértil chegou ao seu fim.

Idade da menopausa

A menopausa é causada pelo envelhecimento dos ovários e pela depleção dos seus folículos, que são um agregado de células que dão origem aos óvulos.

As mulheres nascem com cerca de 450.000 potenciais óvulos estocados nos folículos ovarianos. Esses óvulos começam a ser eliminados pelo organismo desde antes do nascimento, um processo progressivo que se completa, em média, quando a mulher atinge os 50 anos.

Na verdade, 90% das mulheres têm sua menopausa entre os 45 e 55 anos. Cerca de 5% podem tê-la mais próximo dos 40 anos e outros 5% mais próximo dos 60 anos. Esta continua e lenta degeneração dos folículos do ovário é chamada de atresia folicular.

Vários fatores influenciam na idade na menopausa. Os mais importantes são:

  • Genética: mulheres com histórico familiar de menopausa precoce correm maior risco de experimentar a menopausa mais cedo do que a média.
  • Origem étnica: a menopausa costuma ocorrer mais cedo em mulheres latinas e mais tardiamente em asiáticas.
  • História de tabagismo: mulheres que fumam apresentam a menopausa, em média, dois anos antes das não-fumantes (leia: Malefícios do cigarro – Tratamento do tabagismo)
  • História reprodutiva: mulheres que nunca engravidaram apresentam menopausa mais cedo.

Obviamente, mulheres que têm seus ovários removidos cirurgicamente apresentam menopausa imediatamente. O tratamento com radioterapia ou quimioterapia também pode levar à menopausa precoce.

Abordamos a menopausa precoce em um artigo à parte: Menopausa precoce: causas, sintomas e tratamento.

Por que a menopausa ocorre?

A mulher após a menopausa não mais ovula e também não é mais capaz de produzir os seus hormônios sexuais, principalmente o estrogênio e a progesterona.

A menopausa não é um evento que acontece abruptamente logo após o último folículo sofrer atresia. Muito antes da menopausa, o organismo das mulheres já começa a mudar. A partir dos 35 anos, os folículos ovarianos ainda viáveis já dão sinais de envelhecimento, tornando-se menos responsivos às ações hormonais que estimulam a ovulação, como o aumento da concentração sanguínea do Hormônio Folículo Estimulante (FSH).

Sem querer entrar em mecanismos hormonais complexos, vale a pena explicar que o FSH, produzido pela glândula hipófise dentro do sistema nervoso central, é o hormônio responsável pela produção de estrogênio e progesterona, além da maturação dos folículos ovarianos, o que, em última análise, leva à ovulação.

Como os ovários com o passar do tempo vão ficando cada vez menos responsivos ao FSH, a hipófise precisa aumentar a produção deste hormônio para manter a mulher ovulando e produzindo estrogênio e progesterona. Após a menopausa, quando todos os folículos já sofreram atresia, os ovários estão tão envelhecidos que por mais que a hipófise produza FSH em grandes quantidades, já não há mais a produção de estrogêneos.

Portanto, as mulheres na fase pós-menopausa do climatério apresentam altos níveis de FSH, baixos níveis de estrogênio e ausência de menstruação.

Para um melhor entendimento do ciclo ovulatório, sugerimos a leitura do texto: Ciclo menstrual e período fértil.

Sintomas

Quando a época da menopausa se aproxima, os ciclos menstruais vão ficando irregulares, podendo ser maiores ou menores que o habitual. O tempo de sangramento costuma estar mais curto, mas a quantidade de sangue perdida pode ser maior.

É comum passar dois ou mais meses seguidos sem menstruar, o que torna muito difícil saber antecipadamente qual será a sua última menstruação. Para se definir a data da menopausa é preciso que ela esteja pelo menos doze meses (um ano) sem menstruar.

Fogachos

As famosas ondas de calor da menopausa, também chamadas de fogacho, são os sintomas mais comuns do climatério. Iniciam-se quando a menopausa se aproxima e permanecem pelos primeiros anos do climatério. As ondas de calor costumam durar de um a cinco anos, mas há algumas mulheres desafortunadas mantém os fogachos até os 70 anos.

Os fogachos geralmente começam com uma súbita sensação de calor no tórax e no rosto que rapidamente torna-se generalizada. A sensação de calor dura dois a quatro minutos, frequentemente associada com transpiração abundante e, ocasionalmente, palpitações. Muitas vezes a onda de calor é seguida por calafrios e tremores, e às vezes, crises de ansiedade. As ondas de calor geralmente ocorrem várias vezes por dia e são particularmente comuns à noite.

Para mais informações sobre os calores da menopausa: Fogacho – Calor da menopausa.

Sintomas urogenitais

A camada de tecido que recobre a vagina, chamada de epitélio vaginal, é muito sensível ao estrogênio. Após a menopausa, a deficiência de estrogênio leva ao afinamento deste epitélio vaginal, resultando em atrofia da vagina (também chamada de vaginite atrófica), que leva a sintomas de secura vaginal, coceira e dor durante o ato sexual.

A ausência de estrogênio também causa uma diminuição do fluxo sanguíneo para a vagina e vulva. Esta diminuição causa redução da libido e da lubrificação vaginal. A falta de estrogênio também pode causar redução da elasticidade da parede vaginal, tornando a vagina mais curta e mais estreita.

A uretra, canal que drena a urina da bexiga, também sofre com a baixa produção de estrogênio após a menopausa. A atrofia da uretra pode levar à incontinência urinária.

Infecções urinárias recorrentes também são um problema para muitas mulheres no climatério. A deficiência de estrogênio pode aumentar o pH vaginal e alterar a flora bacteriana, eliminado as bactérias naturais da vagina que protegem a mulher das infecções urinárias.

Depressão e alterações do humor

Durante a transição da fase reprodutiva para o climatério, algumas mulheres podem desenvolver alterações do humor, como tristeza, irritabilidade, dificuldade de concentração e desinteresse por atividades normais. Alterações do sono são comuns, podendo a mulher passar a dormir demais ou ter problemas para iniciar e/ou manter o sono.

Problemas a longo prazo

A dramática redução da produção de estrogênio após a menopausa também provoca consequências a longo prazo. Entre as mais comuns estão a perda da elasticidade da pele, aumento da incidência de osteoporose e aumento da incidência de doença cardiovasculares.

Outras alterações comuns do corpo devido a menopausa são a perda de elasticidade dos seios, perda de força e brilho dos cabelos, redução da saúde dos dentes e gengivas, dores nas costas e em algumas articulações.

Para saber mais sobre os sintomas da menopausa e do climatério, acesse o seguinte link: 25 Sintomas da menopausa.

Tratamento

A menopausa não é uma doença, é um processo natural do organismo da mulher. Portanto, não é preciso tratar a menopausa em si. Quando dizemos tratamento da menopausa, estamos nos referindo ao controle dos sintomas inconvenientes da falência dos ovários e à prevenção de problemas crônicos, como a osteoporose.

Entre as opções de tratamento para a menopausa, podemos citar:

Reposição hormonal

A reposição de estrogênio (geralmente com progesterona) continua a ser, de longe, a opção mais eficaz de tratamento para aliviar boa parte dos sintomas da menopausa, incluindo fogachos, insônia, irritação, dores articulares e perda de massa óssea.

Antigamente, recomendava-se a reposição hormonal por vários anos, mesmo para mulheres idosas no climatério. Após estudos demonstrando aumento do riscos de doenças cardíacas, AVC, trombose e câncer da mama com a reposição prolongada de estrogênios, a forma de repor hormônios mudou radicalmente.

Hoje em dia indicamos hormônios apenas para combater os sintomas da pré-menopausa em mulheres ao redor dos 40 e 50 anos. O tratamento é feito por no máximo 5 anos, período no qual os estudos mostram haver pouco risco de efeitos adversos.

Estrogênio vaginal

Para aliviar a secura vaginal, o estrogênio pode ser administrado diretamente na vagina, usando um comprimido vaginal, anel ou creme . Este tratamento ajudar a aliviar a secura vaginal, o desconforto com a relação sexual e alguns sintomas urinários.

Antidepressivos em doses baixas

Certos antidepressivos da classe de medicamentos chamados inibidores da recaptação da serotonina (ISRS) podem diminuir os calores da menopausa e reduzir a incidência de depressão.

Controle da osteoporose

Não se usa mais estrogênio a longo prazo para prevenir a osteoporose. Atualmente o tratamento é feito com reposição de cálcio, vitamina D e bifosfonatos (alendronato ou risedronato).


Referências


Dr. Pedro Pinheiro

Médico graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com títulos de especialista em Medicina Interna e Nefrologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Universidade do Porto e pelo Colégio de Especialidade de Nefrologia de Portugal.

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