Eletrocardiograma (ECG): entenda os resultados

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Revisado e atualizado em agosto 1, 2026
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Principais informações sobre o eletrocardiograma

O eletrocardiograma, também chamado ECG, é um exame rápido, indolor e não invasivo que registra a atividade elétrica do coração por meio de eletrodos colocados na pele.

O exame é utilizado principalmente para avaliar a frequência e o ritmo dos batimentos cardíacos, investigar arritmias e identificar alterações que possam estar relacionadas a infarto, falta de irrigação sanguínea, aumento das câmaras cardíacas, distúrbios da condução elétrica, alterações dos eletrólitos ou efeitos de medicamentos.

O ECG convencional é realizado com 10 eletrodos, que produzem 12 registros diferentes da atividade elétrica do coração, chamados derivações.

O exame não utiliza radiação, não provoca choques e pode ser realizado durante a gravidez. Em geral, não é necessário jejum nem suspender medicamentos.

Um eletrocardiograma normal não exclui todas as doenças do coração. Arritmias intermitentes, doença das artérias coronárias, problemas nas válvulas e algumas cardiomiopatias podem não provocar alterações no curto período em que o ECG é registrado.

Expressões como “alteração da repolarização ventricular”, “bloqueio de ramo”, “área eletricamente inativa” ou “sobrecarga ventricular” não devem ser interpretadas isoladamente. O traçado precisa ser avaliado em conjunto com os sintomas, o exame físico e o histórico do paciente.

O que é o eletrocardiograma?

Apesar da contínua renovação das tecnologias utilizadas para os diagnósticos médicos, o eletrocardiograma (ECG), disponível desde o início do século passado, ainda mantém um papel central na investigação de várias doenças cardíacas.

O ECG é um exame complementar importante para a interpretação do ritmo cardíaco e para a investigação inicial de isquemia do coração.

O eletrocardiograma também pode fornecer informações úteis sobre outros tipos de anormalidades cardíacas, incluindo doenças das válvulas, miocardiopatias, pericardites e sequelas cardíacas da hipertensão arterial. Entretanto, nesses casos, o ECG geralmente fornece apenas sinais indiretos e não substitui exames de imagem, como o ecocardiograma.

Para que serve o eletrocardiograma?

O eletrocardiograma pode ser utilizado para avaliar:

  • A frequência cardíaca.
  • Se os batimentos são regulares ou irregulares.
  • A origem do ritmo cardíaco.
  • A velocidade de condução do impulso elétrico.
  • A existência de arritmias cardíacas.
  • Sinais de isquemia ou infarto do miocárdio.
  • Bloqueios do sistema de condução.
  • Possíveis sinais de aumento dos átrios ou ventrículos.
  • Alterações provocadas por medicamentos ou distúrbios dos eletrólitos.
  • O funcionamento de marcapassos cardíacos.

O exame costuma ser solicitado na investigação de sintomas como dor no peito, palpitações, desmaios, tontura, falta de ar ou sensação de batimentos acelerados ou irregulares.

Neste texto, tentaremos explicar o ECG para a população leiga. Nosso objetivo, obviamente, não é ensinar ninguém a interpretar um eletrocardiograma nem esgotar o assunto, até porque o mesmo é muito complexo para ser abordado em um único texto.

Falaremos somente do ECG feito em repouso. O eletrocardiograma realizado durante o exercício, chamado teste de esforço ou teste ergométrico, será abordado em um artigo à parte.

Como funciona o eletrocardiograma?

O eletrocardiograma é um exame que detecta a atividade elétrica do nosso coração.

O nosso coração é um órgão movido a sangue e eletricidade. Cada batimento e cada contração do músculo cardíaco são iniciados por pequenos impulsos elétricos gerados no próprio coração. A abertura e o fechamento das válvulas ocorrem em resposta às mudanças de pressão produzidas por essas contrações.

Com o ECG, conseguimos identificar os padrões normais de geração e transmissão desses impulsos elétricos. Alterações na atividade elétrica podem indicar algum problema no coração, mas algumas também ocorrem como variações individuais, interferências técnicas ou achados sem maior significado clínico.

O eletrocardiograma é um dos principais exames para avaliar arritmias e faz parte da investigação inicial da suspeita de isquemia cardíaca, pois ambas podem modificar a atividade elétrica do coração.

É importante entender, porém, que o ECG não mostra diretamente a anatomia nem a força de contração do coração. O exame não permite visualizar:

  • A abertura e o fechamento das válvulas.
  • A espessura exata das paredes cardíacas.
  • A fração de ejeção.
  • O fluxo de sangue dentro do coração.
  • A presença de obstruções nas artérias coronárias.

Essas informações podem precisar ser avaliadas por outros exames, como ecocardiograma, Holter, teste ergométrico, tomografia das coronárias, cintilografia ou cateterismo cardíaco.

O eletrocardiograma serve para tratar alguma doença?

Não. O ECG é apenas um exame. Ele não trata nenhuma doença ou sintoma.

Do mesmo jeito que um paciente com pneumonia não melhora ao fazer uma radiografia do tórax, o paciente com problemas cardíacos não sofre nenhuma alteração ao fazer o eletrocardiograma.

Como é feito o exame

O eletrocardiograma em repouso é feito com o paciente deitado e com o tronco nu. O ideal é permanecer em repouso por alguns minutos antes do registro, pois esforço físico recente, ansiedade, tabagismo e outros estímulos podem alterar temporariamente a frequência cardíaca.

Seis eletrodos são fixados por meio de adesivos no peito, e outros quatro são colocados nos braços e nas pernas, geralmente próximos aos punhos e tornozelos.

Apesar de serem utilizados 10 eletrodos, o exame é chamado de ECG de 12 derivações. Isso ocorre porque o aparelho combina os sinais captados e registra a atividade elétrica do coração a partir de 12 ângulos diferentes.

Em alguns casos, os seis adesivos com eletrodos fixados ao tórax são substituídos por peras de borracha com uma base metálica que se fixa à pele por meio de vácuo, como ventosas.

Após a correta colocação dos eletrodos no paciente, eles são ligados à máquina que fará a leitura da atividade elétrica do coração.

Onde são colocados os eletrodos do tórax?

Os seis eletrodos do tórax são chamados V1, V2, V3, V4, V5 e V6. Seu posicionamento correto é:

  • V1: quarto espaço entre as costelas, junto à borda direita do esterno.
  • V2: quarto espaço entre as costelas, junto à borda esquerda do esterno.
  • V3: entre as posições de V2 e V4.
  • V4: quinto espaço entre as costelas, na linha média da clavícula esquerda.
  • V5: no mesmo nível horizontal de V4, na linha axilar anterior esquerda.
  • V6: no mesmo nível horizontal de V4 e V5, na linha média da axila esquerda.

A posição correta é importante. Um eletrodo colocado alguns centímetros acima, abaixo ou no lado errado pode modificar o traçado e produzir alterações que não existem de fato.

Não se assuste: não há nenhum risco de você levar um choque durante o exame. O eletrocardiograma apenas capta a atividade elétrica do coração; ele não envia corrente elétrica para o corpo.

O ECG não utiliza radiação e pode ser realizado em crianças, idosos e gestantes. O pior que pode acontecer é surgir uma discreta irritação ou alergia no local dos adesivos.

Se o paciente tiver muitos pelos no peito, é possível que seja preciso raspar pequenas áreas para que os eletrodos possam ser fixados adequadamente.

Não é necessário fazer jejum. Os medicamentos de uso habitual também não devem ser suspensos, a menos que o médico responsável tenha dado uma orientação diferente.

O exame é muito rápido. Depois de tudo pronto, o registro da atividade elétrica costuma durar cerca de 10 segundos. A máquina capta os sinais do coração e imprime um traçado em papel quadriculado ou gera um registro digital.

Durante o registro, o paciente deve permanecer parado e evitar falar. Tremores, contrações musculares e movimentos podem causar interferências no traçado.

O resultado produzido pela máquina de ECG é confiável?

Os aparelhos modernos calculam automaticamente a frequência cardíaca, os intervalos, o eixo elétrico e outras medidas. Muitos também imprimem uma interpretação preliminar, com frases como “ritmo sinusal”, “possível infarto anterior” ou “considerar hipertrofia ventricular esquerda”.

Essa análise automática ajuda o médico, mas não deve ser considerada um diagnóstico definitivo.

O programa pode interpretar incorretamente variações normais, interferências causadas por tremores ou movimentos e erros no posicionamento dos eletrodos. Por esse motivo, o traçado precisa ser revisto por um profissional habilitado.

Atividade elétrica do coração

Para entender um pouco os resultados do eletrocardiograma, precisamos antes saber como se dá a geração e a propagação dos impulsos elétricos no coração.

A explicação abaixo pode parecer confusa, mas é importante para entender conceitos como “ritmo sinusal”, “alterações na repolarização ventricular” e “bloqueio de ramo”, frequentemente relatados nos laudos dos ECG.

O estímulo elétrico nasce no próprio coração, em uma região chamada nodo sinusal ou nó sinusal, localizada na parte superior do átrio direito, próxima à entrada da veia cava superior.

O nodo sinusal produz continuamente e de modo regular impulsos elétricos que se propagam pelo coração, induzindo a contração dos músculos cardíacos. Portanto, um coração em ritmo sinusal é aquele cujos estímulos elétricos estão sendo normalmente gerados pelo nodo sinusal.

Os impulsos elétricos provocam a movimentação de íons, como sódio, cálcio e potássio, através da membrana das células cardíacas. A ativação elétrica das células é chamada de despolarização.

A despolarização estimula a contração do músculo cardíaco. Depois, as células precisam recuperar seu estado elétrico inicial, num processo chamado repolarização, que as prepara para receber um novo impulso.

Enquanto a repolarização não tiver ocorrido, a célula muscular não consegue responder normalmente a um novo estímulo elétrico.

A atividade elétrica normal nasce no nodo sinusal, despolariza primeiro o átrio direito e depois o átrio esquerdo. Após passar pelos dois átrios, o impulso elétrico chega ao nodo atrioventricular, localizado na região de divisão entre os átrios e os ventrículos.

Nesse momento, o impulso sofre um pequeno retardamento, que permite aos átrios se contraírem antes dos ventrículos.

Depois de atravessar o nodo atrioventricular, o impulso segue pelo feixe de His, divide-se nos ramos direito e esquerdo e alcança as fibras de Purkinje, que distribuem rapidamente a atividade elétrica pelos dois ventrículos.

Coração em ritmo sinusal
Coração em ritmo sinusal

A ativação dos ventrículos provoca sua contração e o bombeamento do sangue para os pulmões e para o restante do corpo.

Traçado básico do ECG

Falaremos somente do básico, tentando abordar aquilo que mais aparece nos laudos dos eletrocardiogramas.

O traçado do eletrocardiograma é composto por ondas, segmentos e intervalos. Os principais elementos são a onda P, o intervalo PR, o complexo QRS, o segmento ST, a onda T e o intervalo QT.

Típico ECG
Eletrocardiograma típico

A saber:

  • Intervalo QT: representa o tempo total de despolarização e repolarização dos ventrículos.
  • Onda P: corresponde à despolarização dos átrios, ou seja, à sua ativação elétrica antes da contração.
  • Intervalo PR: representa o tempo entre o início da despolarização dos átrios e o início da despolarização dos ventrículos.
  • Complexo QRS: corresponde à despolarização dos ventrículos, que precede sua contração.
  • Segmento ST: representa o período entre o fim da despolarização e o início da repolarização dos ventrículos.
  • Onda T: corresponde à repolarização dos ventrículos, que passam a ficar aptos para uma nova contração.

No ritmo sinusal normal, cada ciclo cardíaco costuma apresentar uma onda P, seguida de um complexo QRS e, depois, de uma onda T.

A duração do intervalo QT varia de acordo com a frequência cardíaca. Por isso, o aparelho costuma apresentar também o QT corrigido, chamado QTc.

Um QTc muito prolongado pode aumentar o risco de determinadas arritmias ventriculares. Entre as possíveis causas estão alguns medicamentos, redução do potássio, magnésio ou cálcio e síndromes hereditárias do QT longo.

O valor calculado automaticamente pelo aparelho precisa ser interpretado com cuidado, principalmente quando a frequência cardíaca está muito alta ou muito baixa.

Nota 1: a repolarização dos átrios ocorre aproximadamente ao mesmo tempo que a despolarização dos ventrículos. Por isso, ela não aparece como uma onda separada no ECG, ficando encoberta pelo complexo QRS.

Nota 2: o complexo QRS pode ter várias aparências, dependendo da derivação em que ele é visualizado.

Derivações do ECG

Todo esse percurso do impulso elétrico é captado e interpretado pelo eletrocardiograma por meio de traçados. As várias posições dos eletrodos são usadas para captar diferentes ângulos do coração, como se fossem várias câmeras voltadas para cada uma das partes do órgão.

O ECG habitual possui 12 derivações, que funcionam como 12 ângulos diferentes que acompanham simultaneamente a propagação da atividade elétrica. Essas derivações cobrem boa parte do tecido cardíaco.

Elas são chamadas:

  • D1.
  • D2.
  • D3.
  • aVR.
  • aVL.
  • aVF.
  • V1.
  • V2.
  • V3.
  • V4.
  • V5.
  • V6.

De forma simplificada:

  • A parede inferior do coração é avaliada principalmente pelas derivações D2, D3 e aVF.
  • A região septal é avaliada principalmente por V1 e V2.
  • A parede anterior é avaliada principalmente por V3 e V4.
  • A parede lateral é avaliada principalmente por D1, aVL, V5 e V6.

Portanto, uma alteração que aparece de forma semelhante em várias derivações que observam regiões vizinhas pode sugerir um problema naquela área do coração.

Essa correspondência não é perfeita. O ECG registra a atividade elétrica a partir de diferentes ângulos, mas não produz uma imagem direta das paredes cardíacas.

O ECG do relógio inteligente (smart watch) é igual ao eletrocardiograma convencional?

Não. A maioria dos relógios inteligentes registra apenas uma derivação, geralmente semelhante à derivação D1 do eletrocardiograma convencional.

Esses dispositivos podem ajudar a registrar a frequência cardíaca e algumas alterações do ritmo, principalmente episódios de fibrilação atrial. Entretanto, eles não fornecem os mesmos 12 ângulos do ECG convencional.

Por isso, o eletrocardiograma do relógio não é adequado para excluir infarto, avaliar todas as formas de bloqueio ou investigar sozinho as causas de dor no peito.

Um alerta emitido pelo relógio deve ser interpretado como uma informação complementar, e não como um diagnóstico definitivo.

Resultados do eletrocardiograma

É impossível explicar todas as alterações possíveis de um ECG. Porém, podemos indicar quais são os valores habituais e as alterações mais comuns.

Um eletrocardiograma normal em um adulto geralmente apresenta as seguintes informações:

  • Frequência cardíaca entre 60 e 100 batimentos por minuto.
  • Ritmo sinusal, com uma onda P antes de cada complexo QRS.
  • Onda P com menos de 0,12 segundo de duração.
  • Intervalo PR com duração entre 0,12 e 0,20 segundo.
  • Complexo QRS com duração inferior a 0,12 segundo.
  • Eixo elétrico situado entre −30º e +90º.
  • Ausência de alterações significativas no segmento ST e na onda T.
  • Intervalo QTc dentro dos valores esperados.

Segundo os critérios da Sociedade Brasileira de Cardiologia, o QTc é habitualmente considerado normal até 450 milissegundos nos homens e 470 milissegundos nas mulheres. Esses limites não devem ser interpretados isoladamente, pois o resultado depende da forma de medição e da fórmula utilizada para corrigir a frequência cardíaca.

Os valores considerados normais também podem variar conforme a idade, o sexo, o condicionamento físico e outras características do paciente. Atletas, por exemplo, podem apresentar frequência cardíaca inferior a 60 batimentos por minuto sem que isso represente uma doença.

Um eletrocardiograma normal significa que o coração está saudável?

Não necessariamente. O ECG registra apenas alguns segundos da atividade elétrica do coração. Se uma arritmia ocorre apenas de vez em quando, ela pode não aparecer durante o exame. Nesses casos, pode ser necessário utilizar um Holter, monitor de eventos ou outro dispositivo de registro prolongado.

O eletrocardiograma normal também não exclui:

  • Obstruções nas artérias coronárias.
  • Problemas nas válvulas cardíacas.
  • Insuficiência cardíaca.
  • Cardiomiopatias em fases iniciais.
  • Arritmias intermitentes.
  • Um infarto em fase inicial.

O resultado normal é tranquilizador, mas precisa ser interpretado de acordo com o motivo pelo qual o exame foi solicitado.

Alterações comuns no ECG

Ritmo sinusal

Ritmo sinusal significa que os impulsos elétricos estão sendo produzidos pelo nodo sinusal, que é o marcapasso natural do coração.

Essa expressão geralmente indica que a origem dos batimentos é normal. Entretanto, não significa que todo o restante do eletrocardiograma esteja obrigatoriamente normal.

É possível apresentar ritmo sinusal e, ao mesmo tempo, ter bloqueio de ramo, hipertrofia ventricular, alteração da repolarização ou outras alterações no ECG.

Bradicardia e taquicardia sinusal

Bradicardia sinusal significa que o ritmo continua sendo produzido pelo nodo sinusal, mas a frequência cardíaca está abaixo de 60 batimentos por minuto.

A bradicardia sinusal pode ser normal durante o sono e em pessoas fisicamente bem treinadas. Também pode ocorrer por efeito de medicamentos, hipotireoidismo, alterações do nodo sinusal ou doenças do sistema de condução.

Taquicardia sinusal significa que o ritmo também parte do nodo sinusal, mas a frequência cardíaca está acima de 100 batimentos por minuto.

As causas mais comuns incluem exercício, ansiedade, dor, febre, anemia, desidratação, hipertireoidismo e uso de substâncias estimulantes.

O ECG mostra que existe taquicardia ou bradicardia, mas a causa precisa ser determinada de acordo com o contexto clínico.

Bloqueios de ramo

Depois de atravessar o nodo atrioventricular, o impulso elétrico segue pelos ramos direito e esquerdo do sistema de condução.

Bloqueio de ramo esquerdo (BRE): significa que a condução elétrica está atrasada ou interrompida no ramo que leva o impulso para o ventrículo esquerdo.

O ramo esquerdo divide-se em fascículo anterior e fascículo posterior. Por isso, se apenas uma dessas partes estiver comprometida, são possíveis os diagnósticos de bloqueio divisional anterossuperior esquerdo, anteriormente chamado hemibloqueio anterior esquerdo, ou bloqueio divisional posteroinferior esquerdo, anteriormente chamado hemibloqueio posterior esquerdo.

Bloqueio de ramo direito (BRD): significa que a condução elétrica está atrasada ou interrompida no ramo que leva o impulso para o ventrículo direito.

O ramo direito não se divide em dois fascículos principais como o ramo esquerdo.

A combinação de bloqueio de ramo direito com bloqueio de um dos fascículos do ramo esquerdo é chamada de bloqueio bifascicular.

Isso significa que duas das três principais vias de condução para os ventrículos apresentam alterações. Entretanto, esse resultado não significa necessariamente que o paciente esteja prestes a perder toda a condução elétrica.

A importância do bloqueio bifascicular depende da presença de sintomas, principalmente desmaios, de outros distúrbios da condução e da existência de doença cardíaca estrutural.

Os bloqueios de ramo podem ocorrer em pacientes com doença isquêmica, hipertensão, cardiomiopatias, doenças pulmonares ou outras alterações cardíacas.

O bloqueio de ramo direito também pode ser encontrado em pessoas sem doença cardíaca. O bloqueio de ramo esquerdo está mais frequentemente associado a alguma alteração estrutural do coração, mas também precisa ser interpretado de acordo com o contexto clínico.

Bloqueios atrioventriculares

Os bloqueios atrioventriculares (BAV) ocorrem quando o impulso elétrico demora mais que o esperado ou encontra dificuldade para passar dos átrios para os ventrículos.

No bloqueio atrioventricular de primeiro grau, o intervalo PR está prolongado, mas todos os impulsos chegam aos ventrículos. Muitas pessoas não apresentam sintomas, e o achado pode não ter maior repercussão clínica.

No bloqueio atrioventricular de segundo grau, alguns impulsos não conseguem alcançar os ventrículos.

No bloqueio atrioventricular de terceiro grau, também chamado de bloqueio atrioventricular total (BAV total), os impulsos dos átrios não são conduzidos para os ventrículos.

Os bloqueios mais avançados podem provocar frequência cardíaca baixa, tontura, desmaio e, em alguns casos, necessidade de marcapasso.

Desvio do eixo elétrico

O eixo elétrico representa a direção predominante da ativação elétrica dos ventrículos.

O eixo elétrico normal nos adultos costuma variar entre −30º e +90º.

Se o eixo estiver entre −30º e −90º, dizemos que há um desvio do eixo para a esquerda. Entre as possíveis causas estão:

  • Bloqueio divisional anterossuperior esquerdo.
  • Hipertrofia ventricular esquerda.
  • Infarto inferior antigo.
  • Bloqueio de ramo esquerdo.
  • Alterações na posição do coração.

O desvio para a esquerda também pode ocorrer em pessoas sem doença cardíaca, principalmente com o avanço da idade.

Se o eixo elétrico estiver entre +90º e +180º, há um desvio do eixo para a direita. Entre as possíveis causas estão:

  • Hipertrofia ou sobrecarga do ventrículo direito.
  • Doenças pulmonares.
  • Embolia pulmonar.
  • Bloqueio divisional posteroinferior esquerdo.
  • Algumas cardiopatias congênitas.

O desvio do eixo para a direita também pode aparecer em pessoas jovens e magras sem doença cardíaca.

O eixo elétrico isoladamente não permite determinar a causa da alteração.

Arritmia sinusal

Apesar de o nome “arritmia” assustar, a arritmia sinusal respiratória é uma condição benigna que ocorre frequentemente em jovens.

Geralmente, é uma alteração do ritmo cardíaco provocada pela respiração: a frequência cardíaca aumenta discretamente durante a inspiração e diminui durante a expiração.

Como é sinusal, indica que, apesar da variação dos intervalos entre os batimentos, o impulso elétrico está sendo gerado corretamente pelo nodo sinusal.

É mais comum em crianças, adolescentes e adultos jovens e tende a ficar menos evidente com o avanço da idade.

Extrassístoles

Extrassístoles são batimentos cardíacos isolados que surgem antes do momento esperado. Nesses casos, o coração bate regularmente, mas, de repente, aparece um batimento antecipado.

A extrassístole é chamada supraventricular se o foco desse batimento anômalo surgir em algum ponto dos átrios ou próximo do nodo atrioventricular. É chamada extrassístole ventricular se o foco anômalo surgir em algum ponto dos ventrículos.

Extrassístoles isoladas são comuns e podem ocorrer mesmo em pessoas sem doença cardíaca.

Cafeína, álcool, estresse, privação de sono, tabagismo, substâncias estimulantes e alterações dos eletrólitos podem aumentar a frequência das extrassístoles.

Quando são frequentes, podem causar sensação de palpitação, falha ou batida forte no peito. Nesses casos, a causa deve ser investigada.

A avaliação também é importante quando as extrassístoles ocorrem durante o esforço, provocam tontura ou desmaio ou surgem em pessoas com doença cardíaca conhecida.

Leia: Palpitações, taquicardia e arritmias cardíacas.

Alterações na repolarização ventricular

Alteração da repolarização ventricular é um achado relativamente comum. O termo indica que o segmento ST ou a onda T apresenta um formato diferente do esperado.

Essas alterações podem estar presentes em casos de:

  • Hipertensão arterial.
  • Hipertrofia ventricular.
  • Estenose da válvula aórtica.
  • Isquemia cardíaca.
  • Bloqueios de ramo.
  • Pericardite.
  • Alterações do potássio e de outros eletrólitos.
  • Efeito de medicamentos.
  • Taquicardia.
  • Posicionamento incorreto dos eletrodos.

Quando o laudo descreve “alterações inespecíficas da repolarização ventricular”, significa que o traçado não apresenta um padrão típico capaz de apontar uma causa específica.

Na maioria das vezes, esse achado isolado não indica uma doença cardíaca grave. Entretanto, “inespecífica” não significa necessariamente “sem importância”.

O resultado precisa ser interpretado de acordo com os sintomas, a idade, os fatores de risco cardiovascular, as derivações afetadas e a comparação com eletrocardiogramas anteriores.

Intervalo QT prolongado

O QTc prolongado significa que os ventrículos estão demorando mais que o esperado para recuperar seu estado elétrico depois de cada batimento.

Entre as possíveis causas estão:

  • Alguns medicamentos antiarrítmicos.
  • Determinados antibióticos, antidepressivos, antipsicóticos e medicamentos contra náuseas.
  • Redução dos níveis de potássio, magnésio ou cálcio.
  • Bradicardia intensa.
  • Algumas doenças agudas.
  • Síndromes hereditárias do QT longo.

Quanto maior for o prolongamento do QTc, maior pode ser o risco de uma arritmia ventricular chamada torsades de pointes.

Um medicamento não deve ser suspenso apenas porque o laudo automático descreveu “QT prolongado”. O valor precisa ser confirmado no traçado e interpretado de acordo com a frequência cardíaca, os outros medicamentos em uso e os exames laboratoriais.

Fibrilação atrial

A fibrilação atrial é uma arritmia comum, principalmente em idosos.

A fibrilação atrial é um ritmo não sinusal no qual ocorre uma geração rápida e desorganizada de estímulos elétricos nos átrios, fazendo com que eles não consigam se contrair de forma coordenada. Os átrios ficam apenas tremendo, em vez de bombear o sangue normalmente.

O nodo atrioventricular impede que todos esses impulsos cheguem aos ventrículos, mas permite a passagem irregular de parte deles.

Por isso, o paciente geralmente não apresenta ondas P normais, e os intervalos entre os complexos QRS são irregulares.

O complexo QRS costuma ser estreito, mas pode estar alargado se houver bloqueio de ramo, estimulação por marcapasso ou outro distúrbio da condução.

A fibrilação atrial pode causar palpitações, cansaço, falta de ar ou tontura, mas algumas pessoas não apresentam sintomas.

A arritmia também aumenta o risco de formação de coágulos dentro do coração e de acidente vascular cerebral.

Para saber mais sobre fibrilação atrial, leia: Fibrilação atrial.

Hipertrofia ventricular esquerda

Também chamada em alguns laudos de sobrecarga ventricular esquerda, a hipertrofia ventricular esquerda é o aumento da massa muscular do ventrículo esquerdo.

A causa mais comum é a hipertensão arterial de longa duração, mas o problema também pode ocorrer em doenças das válvulas cardíacas, cardiomiopatia hipertrófica e outras condições que aumentam o trabalho do coração.

A hipertrofia ventricular esquerda pode provocar aumento da amplitude do complexo QRS, alterações do segmento ST e da onda T e desvio do eixo elétrico para a esquerda.

Entretanto, o ECG não mede diretamente a espessura do músculo cardíaco. Ele apenas identifica um padrão elétrico que pode sugerir hipertrofia.

Pessoas jovens, magras ou fisicamente treinadas podem apresentar alta voltagem no ECG sem que exista aumento anormal da parede do coração.

O ecocardiograma é o exame mais utilizado para confirmar se o ventrículo esquerdo realmente está hipertrofiado.

Baixa voltagem do QRS

Baixa voltagem significa que os complexos QRS apresentam amplitudes menores que as esperadas.

Esse padrão pode ocorrer por características do próprio paciente ou por dificuldades técnicas na realização do exame.

Entre as possíveis causas estão:

  • Obesidade.
  • Enfisema pulmonar.
  • Derrame pericárdico.
  • Hipotireoidismo.
  • Doenças infiltrativas do coração.
  • Posicionamento inadequado dos eletrodos.

A baixa voltagem isolada não permite determinar sua causa nem significa necessariamente que o coração esteja fraco.

Área eletricamente inativa

A expressão “área eletricamente inativa” costuma ser utilizada quando o ECG apresenta ondas Q que podem sugerir uma cicatriz no músculo cardíaco, frequentemente atribuída a um infarto antigo.

Entretanto, esse resultado não confirma sozinho que o paciente tenha sofrido um infarto.

Ondas Q semelhantes podem ocorrer por variações anatômicas, posicionamento incorreto dos eletrodos, distúrbios da condução, cardiomiopatias ou limitações da análise automática.

O achado precisa ser interpretado de acordo com os sintomas, o histórico clínico, os fatores de risco cardiovascular e a comparação com exames anteriores. Quando necessário, o médico pode solicitar ecocardiograma ou outros exames de imagem.

Importância do ECG no infarto do miocárdio

O eletrocardiograma, por ser barato, rápido e de fácil acesso, é um dos primeiros exames realizados nos pacientes que se apresentam com dor ou desconforto no peito e suspeita de infarto.

Há vários achados que podem indicar uma doença isquêmica, entre eles:

  • Elevação do segmento ST, também chamada de supradesnivelamento do segmento ST.
  • Depressão do segmento ST, também chamada de infradesnivelamento do segmento ST.
  • Ondas T invertidas.
  • Ondas T hiperagudas.
  • Aparecimento de ondas Q patológicas.

O sinal mais clássico de infarto no ECG é o supradesnivelamento do segmento ST, chamado infarto com supra.

Porém, é importante destacar que nem todo infarto se apresenta com elevação do segmento ST. No infarto sem supra, o ECG pode mostrar depressão de ST, inversão da onda T, alterações discretas ou até estar inicialmente normal.

Um eletrocardiograma normal não é suficiente para descartar um infarto. Se o paciente apresenta dor no peito com características suspeitas de síndrome coronariana aguda, podem ser necessários outros exames mesmo na ausência de fatores de risco cardiovasculares clássicos.

A investigação costuma incluir eletrocardiogramas repetidos e análises de sangue para medir a troponina, uma proteína que aumenta quando há lesão do músculo cardíaco.

Pessoas com pressão, aperto ou dor no peito, falta de ar, suor frio, náuseas, sensação de desmaio ou dor que se espalha para o braço, mandíbula, costas ou parte superior do abdômen devem procurar atendimento de urgência.

Conclusão

O eletrocardiograma, assim como qualquer meio diagnóstico complementar, deve ser encarado como apenas uma peça no quebra-cabeça de um diagnóstico. Não se completa um quebra-cabeça com somente uma peça.

O ECG registra apenas alguns segundos da atividade elétrica do coração. Ele pode identificar arritmias, bloqueios, alterações da repolarização e sinais de isquemia, mas não exclui todas as doenças cardíacas quando está normal.

O exame deve ser interpretado por um médico que tenha experiência com o método, levando sempre em consideração outros dados, como história clínica, sintomas, exame físico, análises laboratoriais e outros exames complementares.


book Referências bibliográficas
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  • Campbell B, Richley D, Ross C, Eggett CJ. Clinical Guidelines by Consensus: Recording a Standard 12-Lead Electrocardiogram. Society for Cardiac Science and Technology. Atualização de 2024.
  • Samesima N, God EG, Kruse JCL, et al. Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre a Análise e Emissão de Laudos Eletrocardiográficos – 2022. Arq Bras Cardiol. 2022;119(4):638-680.


Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

  1. Katiane da Silva Dúvida selecionada pelo editor

    Hipertrofia ventricular esquerda

    Alterações moderadas do ECG

    Significa oque Dr?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Um laudo de “hipertrofia ventricular esquerda” significa que o ECG apresentou critérios elétricos que podem sugerir aumento da massa do ventrículo esquerdo. O eletrocardiograma, porém, não mede diretamente a espessura da parede e pode apresentar falso-positivo, principalmente em pessoas jovens, magras ou fisicamente treinadas.

    A hipertensão arterial é uma causa frequente quando a hipertrofia é confirmada, mas o resultado precisa ser interpretado junto com o histórico do paciente e, quando necessário, confirmado por ecocardiograma.

  2. Brenda Dúvida selecionada pelo editor

    Boa noite doutor,

    Fiz um ecg e a conclusão foi “PR Limítrofe” o que significa?

    Obrigada 😉

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    O intervalo PR representa o tempo entre o início da ativação elétrica dos átrios e o início da ativação dos ventrículos. Nos adultos, costuma medir entre 120 e 200 milissegundos.

    A expressão “PR limítrofe” indica que o valor está próximo de um dos limites, mas, sem conhecer a medida exata, não é possível saber se está perto do limite inferior ou superior.

    Um PR acima de 200 milissegundos é chamado bloqueio atrioventricular de primeiro grau. Isso não significa, por si só, que o coração esteja batendo devagar, pois a frequência cardíaca pode continuar normal.

Mais comentários dos leitores

  1. SERGIO JOSÉ DO VALE

    TODOS OS SEU ARTIGOS SÃ0 MUITO BEM ELABORADOS COM O RIGOR TECNICO E CIENTIFICO QUE SE ESPERA DA MEDICINA BASEADA EM EVIDENCIA, ALÉM DE UMA CAPACIDADE DITÁTICA IMPRESSIONANTE ACESSÍVEL A TODAS AS PESSOAS. MUITO OBRIGADO POR COMPARTILHAR.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Muito obrigado pelas palavras e pela confiança. O objetivo do MD.Saúde é justamente oferecer informação médica baseada em evidências, mas escrita de forma que possa ser compreendida também por quem não é da área da saúde. Fico satisfeito em saber que os artigos têm sido úteis para você.

  2. Lourdes mara vieira Cavalcante

    No meu eletrocardiograma deu ritmo sinusal normal mas alteração da repolarização do ventrículo inferior. Isso é perigoso?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Na maioria das vezes, esse laudo não significa, sozinho, que haja algo perigoso. “Ritmo sinusal normal” quer dizer que o coração está batendo com comando elétrico normal. Já “alteração da repolarização ventricular inferior” costuma se referir a uma alteração no segmento ST ou na onda T na região inferior do eletrocardiograma. Isso pode ser inespecífico e aparecer por várias causas, inclusive alterações benignas, variações individuais, pressão alta, distúrbios de eletrólitos, uso de medicamentos ou doença cardíaca.

    O ponto principal é: não dá para avaliar a gravidade apenas pela frase do laudo. É preciso ver o traçado do ECG e saber se você tem sintomas, idade, hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo ou histórico familiar de doença cardíaca. Alterações de ST-T podem, em alguns contextos, sugerir isquemia, mas também podem ser achados inespecíficos.

    Se o exame foi feito de rotina e você está sem sintomas, o mais adequado é levar o ECG ao médico que solicitou, que poderá comparar com exames antigos e decidir se precisa de ecocardiograma, teste ergométrico ou outros exames.

  3. ismael

    boa tarde o resultado do meu eletrocardiograma é ritmo sinusal, área eletricamente inativa inferior

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Ritmo sinusal significa que o coração está batendo no ritmo normal, comandado pelo marcapasso natural do coração.

    Já a expressão “área eletricamente inativa inferior” costuma indicar que o eletrocardiograma encontrou sinais que podem sugerir uma cicatriz antiga na parede inferior do coração, geralmente por infarto prévio. Porém, isso não confirma sozinho que você teve infarto. Às vezes essa alteração aparece por posicionamento dos eletrodos, variações anatômicas, obesidade, alterações de condução ou limitações do próprio exame.

    O ideal é levar o ECG a um cardiologista, principalmente se você tem dor no peito, falta de ar, diabetes, hipertensão, colesterol alto, tabagismo ou histórico familiar de infarto. O médico pode comparar com eletros antigos e, se necessário, pedir ecocardiograma, teste ergométrico ou outros exames.

  4. Leila Rosa

    Meu ecg deu: Bradicardia Sinusal; FC 48 bmp e Isquemia subepicardica em parede anterior. O que isso quer dizer, que tive um infarto?!?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Não. A expressão “isquemia subepicárdica” geralmente descreve um padrão de onda T negativa no eletrocardiograma e não significa, por si só, que você tenha sofrido um infarto.

    Atualmente, sabe-se que esse padrão pode estar relacionado a reperfusão, edema do músculo cardíaco ou outras alterações da repolarização, inclusive hipertrofia ventricular, bloqueios de ramo, medicamentos e variações inespecíficas.

    A importância do achado depende dos sintomas, do traçado completo, da comparação com exames anteriores e, se houver suspeita de um evento agudo, da dosagem de troponina e da avaliação médica.

  5. Eliana

    Fiz um eletro.. E constou ritmo sinusal normal, eixo normal, hipertrofia biatrial. O que significa?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    “Ritmo sinusal normal” e “eixo normal” são achados normais no eletrocardiograma. Já “hipertrofia biatrial” quer dizer que o traçado mostrou sinais elétricos compatíveis com aumento de tamanho dos dois átrios (as câmaras superiores do coração – átrio esquerdo e átrio direito).

    Na prática, esse resultado precisa ser interpretado junto com a sua idade, sintomas e histórico. Quando é verdadeiro, pode estar associado a situações como hipertensão, doenças das válvulas do coração, insuficiência cardíaca ou doenças pulmonares, entre outras. Mas o ECG não é o melhor exame para esse diagnóstico. O ideal é confirmar esse achado com um ecocardiograma, que consegue ver e medir diretamente o tamanho dos átrios.

  6. Fran

    Olá boa noite , fiz o exame e constou hipertrofia ventricular esquerda , eu corro risco de vida ?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    A hipertrofia ventricular esquerda descrita no ECG não significa, por si só, que você esteja correndo risco imediato de vida. O eletrocardiograma apenas identifica sinais elétricos sugestivos de aumento da musculatura do ventrículo esquerdo e pode apresentar falso-positivo. O exame mais indicado para confirmar se existe hipertrofia é o ecocardiograma.

    Quando confirmada, a causa mais comum é a pressão arterial elevada por vários anos, mas também pode estar associada a doenças das válvulas cardíacas ou, menos frequentemente, a outras condições. A hipertrofia verdadeira pode aumentar o risco cardiovascular a longo prazo, principalmente quando a causa não é tratada.

    Leve o resultado ao médico para medir e avaliar sua pressão, analisar o traçado do ECG e decidir se é necessário solicitar um ecocardiograma.

  7. maria silva

    Olá Dr. Pedro. Tenho ansiedade, fiz os seguinte exames:
    – ecocardiograma… resultado bom
    – caronariana… resultado normal
    – electrocardiograma —resultado normal
    Isso é normal? Agora sinto principalmente a noite coração com um batimento anormal, dormência nas mãos, braços e pernas.
    obrigada
    maria

    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    A ansiedade pode causar isso. É bem comum.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Maria, esses resultados normais são tranquilizadores e tornam menos provável uma doença cardíaca estrutural ou obstrução importante das artérias coronárias. No entanto, é possível sentir palpitações ou batimentos irregulares mesmo com ecocardiograma e eletrocardiograma normais.

    O eletrocardiograma registra apenas alguns segundos do ritmo cardíaco. Portanto, alterações intermitentes, como extrassístoles ou outras arritmias, podem não aparecer no momento do exame. Muitas extrassístoles são benignas e costumam ser mais percebidas à noite, quando a pessoa está deitada e em silêncio.

    A ansiedade e a respiração acelerada também podem causar palpitações, formigamento ou dormência nas mãos, braços e pernas. Porém, não é correto atribuir automaticamente todos os sintomas à ansiedade. Como os episódios continuam, converse com seu médico sobre a realização de um Holter de 24 ou 48 horas ou outro monitor cardíaco por período mais prolongado. Esses exames conseguem registrar o coração durante os sintomas.

  8. Wilson Santos

    Eu fiz um teste ergométrico e na conclusão estava escrito “Teste ergométrico com alterações eletrocardiográficas sugestivas de isquemia miocárdica esforço induzida.”, o que significa?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Significa que surgiram durante o esforço alterações no eletrocardiograma que podem ser compatíveis com isquemia do músculo cardíaco.

    Esse resultado aumenta a suspeita de doença coronariana, mas não confirma sozinho a existência de obstruções nas artérias. O teste ergométrico pode apresentar resultados falso-positivos, e a interpretação depende dos sintomas, da capacidade de exercício, das alterações do ECG, dos fatores de risco e da probabilidade de doença antes do exame.

    Conforme o caso, o cardiologista pode indicar outro exame, como ecocardiograma de estresse, cintilografia ou angiotomografia das coronárias.

  9. Catia Dantas

    Olá Dr. Pedro! Primeiramente quero parabenizá-lo pelo excelente texto e a preocupação em tornar mais fácil a compreensão das pessoas que não possuem um conhecimento maior da medicina. a maioria dos textos postados são com uma linguagem científica e a maioria das pessoas não compreendem.
    minha mãe fez um eletrocardiograma e deu como resultado: Baixa voltagem QRS em derivações periféricas. O que isso significa?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Baixa voltagem do QRS significa que os sinais elétricos registrados nas derivações dos membros apresentam amplitude menor que a esperada.

    Esse achado pode ocorrer por características físicas, obesidade, enfisema pulmonar, derrame ao redor do coração, hipotireoidismo, algumas doenças do músculo cardíaco ou fatores técnicos do exame.

    Isoladamente, a baixa voltagem não permite determinar a causa nem significa necessariamente que o coração esteja fraco. O resultado precisa ser interpretado junto com o histórico clínico e os outros exames.

  10. ELIZETE

    Li tudo com muita atenção, adorei, um aprendizado que levarei para o resto de minha vida e só tenho que agradecer a toda equipe que deixou esses tão importantes ensinamentos. Trabalho no setor de ECG e sempre quis saber como interpretar um resultado até mesmo pra saber como agir diante de um paciente que chega pra realização de ECG eletivo,
    Voces estão de parabens que deus proteja todos vocês e suas familias de toda maldade.
    Obrigada pessoal

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Obrigado, Elizete.

  11. Layren July

    Eixo QRS entre +60° e +90°, o que significa isso, Dr ?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Um eixo QRS entre +60° e +90° é considerado normal. Isso indica que a direção da atividade elétrica durante a despolarização ventricular está dentro dos limites normais.

  12. Sandra Beatriz Richardt

    Bom dia! Fiz o ECG e o resultado foi

    Presença de tremores musculares finos e irregulares na linha de base.

    Vc pode me explicar, obrigada!

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Você provavelmente estava tremendo ou se mexendo muito quando fez o exame e isso interferiu no traçado de base.

  13. Alê

    Meu filho tem 18 anos ele tem uma vida bem Ativa ,corre faz atividades físicas, enfim e fez um ECG e no exame deu considerar hipertrofia ventricular esquerda … Qual o diagnóstico Doutor obrigada 😃

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    O resultado “considerar hipertrofia ventricular esquerda” não confirma que a parede do coração esteja aumentada. Em jovens e atletas, a alta voltagem do QRS é comum e pode preencher os critérios do aparelho para HVE mesmo quando o coração é normal.

    Quando esse é o único achado e não há sintomas, alterações adicionais no ECG ou histórico familiar de doença cardíaca, geralmente se trata de uma adaptação benigna. Ainda assim, o traçado deve ser revisto pelo médico, que decidirá se há indicação de ecocardiograma.

  14. Armando Costa

    Bom dia Dr. Pedro Pinheiro, fiz um electrocardiograma e deu:

    BRADICARDIA SINUSAL :53 bpm E

    ANOMALIA AURICULAR ESQUERDA (P, 127 ms)

    Parece que não está nas melhores condições o “motor”. Tenho 63 anos

    Obrigado

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Uma onda P com 127 milissegundos está discretamente prolongada, pois sua duração normal costuma ser inferior a 120 milissegundos. Esse achado pode indicar atraso da condução elétrica entre os átrios, mas não confirma sozinho aumento do átrio esquerdo nem que ele esteja trabalhando sob pressão elevada.

    A interpretação depende também do formato da onda P, das derivações afetadas e do contexto clínico. Quando existe suspeita de aumento atrial, o ecocardiograma é mais adequado para avaliar o tamanho das câmaras cardíacas.

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