METFORMINA – Para que serve, dose e efeitos colaterais

Bula simplificada da metformina, medicamento habitualmente usado no tratamento do diabetes mellitus.

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A Metformina, também conhecida pelos nomes comerciais Glifage, Dimefor, Glucoformin, Glucophage e Risidon, é a droga por via oral (antidiabético oral) mais usada para o controle glicêmico no diabetes mellitus tipo 2.

Neste texto vamos abordar as indicações da metformina, que vão além do diabetes, seus efeitos colaterais e contra-indicações.

Como funciona a metformina

Ao contrário do diabetes tipo 1 que é causado por deficiência de insulina, o diabetes tipo 2 ocorre por uma resistência do organismo à ação da insulina, que circula no sangue mas não consegue exercer seus efeitos. Esta característica do diabetes tipo 2 permite que ele seja tratado inicialmente não com insulina, mas com drogas por via oral, chamados de antidiabéticos orais (também chamados de hipoglicemiantes orais).

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Entre os antidiabéticos orais, o mais usado atualmente é o cloridrato de metformina, ou simplesmente, metformina, que é uma droga que só funciona nos pacientes que conseguem produzir insulina, sendo assim, ineficaz no diabetes tipo 1.

A insulina ajuda no controle glicêmico do diabetes tipo 2 através de três mecanismos:

1) Reduz a produção de glicose pelo fígado.

2) Aumenta a sensibilidade dos tecidos, principalmente dos músculos, à insulina. A metformina não aumenta a produção de insulina, mas sim otimiza a ação da insulina já produzida.

3) Reduz a absorção de glicose pelo trato gastrointestinal.

A metformina é a droga de escolha para pacientes diabéticos e obesos, pois a mesma não está associada a ganho de peso, como acontece, por exemplo, com a insulina e outros antidiabéticos orais. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, a metformina não emagrece ninguém e não deve ser usada como droga para se perder peso.

A metformina também apresenta como efeito benéfico, uma leve redução dos níveis de colesterol LDL e triglicerídeos (leia: COLESTEROL HDL | COLESTEROL LDL | TRIGLICERÍDEOS).

A metformina pode ser usada com segurança no tratamento do diabetes gestacional.

Outras indicações da metformina além do diabetes

A única doença que tem indicação formal para ser tratada com metformina é o diabetes tipo 2. Porém, existem outras situações que também apresentam resistência dos tecidos à ação da insulina e têm sido tratadas com metformina em um esquema off-label, ou seja, sem que ainda haja plena validação científica. Entre essas situações, podemos citar:

Síndrome dos ovários policísticos: o uso da metformina parece ser benéfico, principalmente se a paciente tiver sobrepeso (leia: OVÁRIO POLICÍSTICO – Sintomas e tratamento).
Esteatose hepática: a metformina teoricamente poderia reduzir o grau de inflamação do fígado, porém, os estudos mais recentes não conseguiram demonstrar nenhum benefício do uso da metformina na esteatose hepática, motivo pelo qual muito médicos têm abandonado essa opção de tratamento (leia: ESTEATOSE HEPÁTICA | Sintomas e tratamento).

Nomes comerciais da metformina

A metformina é um medicamento que pode ser encontrado nas farmácias sob a forma genérica ou através dos seguintes nomes comerciais:

  • Diaformin
  • Dimefor.
  • Formet.
  • Glicefor.
  • Glicomet.
  • Glifage.
  • Glifage XR.
  • Glucoformin.
  • Glucophage (Portugal).
  • Jaira Met.
  • Losix.
  • Meta SR.
  • Metformed.
  • Neo Metformin.
  • Risidon (Portugal).
  • Stagid (Portugal).

Como tomar a metformina

1. Tratamento do diabetes mellitus tipo 2

Em muitos casos, não conseguimos obter respostas clínicas significativas com doses menores que 1500 mg por dia; no entanto, para minimizar os efeitos colaterais gastrointestinais, recomenda-se uma dose inicial baixa, já tendo em mente um aumento gradual da dose ao longo das semanas.

Os comprimidos de metformina podem ser encontrados nas doses de 500m g, 850 mg e 1000 mg. OS comprimidos de metformina de ação prolongada podem ser encontrados na dose de 750 mg ou 1000 mg.

  • Adultos ≥ 17 anos: Dose inicial: 500 mg duas vezes por dia ou 850 mg uma vez por dia. A dose pode ser elevada em 500 mg a cada duas semanas. Se for necessária uma dose maior que 2000 mg por dia, a posologia deve ser alterada para três vezes por dia. A dose total máxima recomendada é de 2550 mg por dia
  • Nos casos de comprimidos de liberação prolongada, a dose inicial é de 500 a 1.000 mg uma vez por dia. A dosagem pode ser aumentada em 500 mg a cada semana, sendo a dose máxima: de 2000 mg uma vez por dia

A metformina deve ser tomada junto às refeições e o comprimido deve ser engolido por inteiro, evitando parti-lo ou mastigá-lo.

2. Tratamento da síndrome do ovário policístico (off-label)

  • 1500 mg a 2000 mg por dia, divididos em 2 ou 3 doses diárias (dose inicial de 500 mg por dia, com incrementos de 500 mg a cada 1 ou 2 semanas).
  • Nos casos de comprimidos de liberação prolongada, a dose é de 1000 mg duas vezes por dia (dose inicial de 500 mg por dia, com incrementos de 500 mg a cada 1 ou 2 semanas).

Contraindicações da metformina

A metformina é uma droga com pouquíssimas contra-indicações, mas uma delas é muito importante por ser uma situação frequente em pacientes com diabetes: a insuficiência renal. A metformina não deve ser usada em pacientes com insuficiência renal, principalmente se a creatinina estiver acima de 1,5 mg/dl (ou filtração glomerular menor que 50 ml/min). Leia: CREATININA e URÉIA | O que são e como indicam doença dos rins para entender melhor o que é creatinina.

Pacientes com doença hepática (fígado) grave também não devem tomar metformina.

Efeitos colaterais da metformina

A metformina é uma droga geralmente bem tolerada, principalmente se for respeitada a contraindicação para insuficientes renais. Entre os efeitos colaterais mais comuns estão a diarreia, náuseas e um gosto metálico na boca.

A acidose láctica (aumento do ácido láctico no sangue) é uma complicação rara, mas grave, que ocorre geralmente em pacientes com insuficiência renal avançada que permanecem usando a metformina.

A hipoglicemia (baixa de glicose no sangue), efeito colateral comum dos outros hipoglicemiantes orais e da insulina, é rara com a metformina.

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