ESCARLATINA – Sintomas, Causas e Tratamento

A escarlatina se manifesta com erupções da pele que surgem 24 horas após o início de um quadro de faringite bacteriana.

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Pontos-chaves do artigo

→ O que é escarlatina: a escarlatina é uma quadro provocado pelas toxinas produzidas pela bactéria Streptococcus pyogenes durante um episódio de amigdalite ou faringite. Ela ocorre com mais frequência em crianças em idade escolar, mas pode infectar adultos também.

→ Transmissão: a escarlatina é uma infecção contagiosa que pode ser transmitida de uma pessoa à outra através das secreções respiratórias, principalmente da saliva.

→ Sintomas: a escarlatina costuma se manifestar clinicamente com dor de garganta, febre e erupções avermelhadas na pele (rash cutâneo).

→ Tratamento: é feito com antibióticos para eliminar o Streptococcus pyogenes  e, consequentemente, interromper a produção das toxinas que provocam as reações na pele.

O que é escarlatina?

A escarlatina é uma doença causada pela bactéria Estreptococo beta hemolítico do grupo A, também conhecida como Streptococcus pyogenes. O S. pyogenes é a mesma bactéria que provoca outras infecções, tais como:

A escarlatina é um quadro que surge devido a reação do organismo a toxinas produzidas pela bactéria Streptococcus pyogenes, geralmente durante um episódio de faringite ou amigdalite bacteriana. A escarlatina também pode surgir após um episódio de impetigo ou erisipela, mas essa forma é mais rara.

A escarlatina só ocorre em cerca de 10% das faringites por Streptococcus pyogenes, porque nem todas as pessoas apresentam sensibilidade às toxinas produzidas pela bactéria. É perfeitamente possível haver em uma mesma casa um irmão que desenvolva escarlatina e outro que tenha apenas um quadro comum de amigdalite. Tudo depende da forma com a qual o sistema imunológico de cada indivíduo reage à presença das toxinas produzidas pelo Estreptococo.

Nas pessoas sensíveis à ação das toxinas do S. pyogenes ocorre uma reação inflamatória na pele que manifesta-se tipicamente com exuberantes manchas vermelhas por todo o corpo, sinal mais típico da escarlatina.

A escarlatina é mais comum nas crianças com idades entre 5 e 15 anos. Entre os adolescentes, mais de 80% já tiveram contato com a bactéria e possuem anticorpos contra as toxinas, motivo pelo qual a escarlatina é pouco comum nos adultos e não costuma surgir mais de uma vez na vida.

COmo se pega escarlatina

Streptococcus pyogenes costuma ser transmitido de uma pessoa para outra através do contato com secreções das vias respiratórias. Entre as formas possíveis de transmissão da bactéria estão a tosse, o espirro e o contato com saliva, que pode ser através do beijo, de gotículas durante a fala ou pelo compartilhamento de copos ou talheres.

A transmissão através de mãos contaminadas com secreções respiratórias também é muito comum, sendo a higienização adequada e frequente das mãos uma importante medida de controle da transmissão (leia: POR QUE LAVAR AS MÃOS AJUDA A EVITAR DOENÇAS?). Toalhas, roupa de cama e roupas pessoais também podem ser fonte de transmissão.

A bactéria Streptococcus pyogenes é extremamente contagiosa. Apenas 12 horas após ter sido contaminado, o indivíduo já é capaz de transmiti-la para outras pessoas, mesmo que ainda não tenha desenvolvido qualquer sintoma. O período de contágio costuma terminar 12 horas após o fim da febre ou 24 horas após o início do tratamento com antibióticos.

Como já referido, apenas uma pequena fração das pessoas que entram em contato com o Estreptococo beta hemolítico do grupo A acaba desenvolvendo escarlatina. O fato da bactéria ser altamente contagiosa não significa, porém, que necessariamente todo mundo que foi contaminado ficará doente.

Falamos especificamente da faringite estreptocócica no artigo: Faringite Estreptocócica – Sintomas, Diagnóstico e Tratamento.

Sintomas da esclarlatina

O período de incubação da escarlatina é de 2 a 5 dias. O início do quadro costuma ser abrupto, com inflamação na garganta, dores pelo corpo e febre acima de 38,5ºC.

Aumento dos gânglios do pescoço, dor de cabeça, dor abdominal, náuseas e vômitos também podem estar presentes. 12 a 24 horas após o início do quadro, surge o sinal característico da doença, que é o rash cutâneo.

Rash da Escarlatina no tronco
Rash da Escarlatina no tronco

O rash da escarlatina normalmente inicia-se na cabeça ou pescoço e desce pelo corpo ao longo das horas seguintes, em padrão de dispersão chamado craniocaudal. As palmas das mãos e as plantas dos pés costumam ser poupados.

O acometimento da pele pela escarlatina caracteriza-se pelo aparecimento de numerosas erupções avermelhadas de 1 a 2 mm, com discreto relevo, que podem dar à pele uma textura áspera, semelhante a uma lixa. Além de serem muito avermelhadas, as lesões da escarlatina costumam se tornar transitoriamente pálidas quando pressionamos a pele acometida com o dedo. Alguns pacientes queixam-se de coceira, mas isso não ocorre em todos os casos.

Essas lesões do rash costumam se aglomerar nas áreas de dobras, como axilas, virilhas, prega do cotovelo, formando linhas bem avermelhadas nestas regiões, que recebem o nome de linhas de Pastia.

Outro achado característico é a chamada língua em framboesa ou em morango. Esse sinal é assim chamado porque a língua fica inchada, avermelhada e com as papilas muito evidentes (ver imagens mais abaixo), tornado-se parecida com as frutas que lhe dão nome.

Em alguns pacientes, a língua pode ter uma capa esbranquiçada no início do quadro, ficando mais avermelhada somente após alguns dias. A língua em framboesa pode surgir antes ou depois do aparecimento das erupções na pele.

Palidez ao redor dos lábios também é outra manifestação comum da escarlatina.

Após uma semana de rash cutâneo, as manchas avermelhadas começam a desaparecer, ocorrendo uma descamação, principalmente nas mãos, pés, virilhas e axilas.

O diagnóstico da escarlatina é normalmente feito clinicamente, através do exame físico. Se houver dúvidas, o médico pode colher amostras da orofaringe para pesquisa do Streptococcus pyogenes.

Complicações

Até o início do século XX, a escarlatina era considerada uma infecção grave, pois não havia tratamento adequado e as complicações eram muito comuns. A mortalidade chegava a ser de 20%. Com o advento dos antibióticos, porém, a taxa de complicações despencou, tornando a escarlatina uma doença com ótimo prognóstico. Atualmente, a taxa de mortalidade é menor que 1%.

Quando não tratada, a escarlatina pode complicar com formação de abcesso na garganta ou infecções nos pulmões, rins, coração, ouvidos ou sistema nervoso.

A febre reumática e a glomerulonefrite pós-estreptocócica são complicações raras atualmente, mas que ocorriam com relativa frequência no passado.

Tratamento da escarlatina

O tratamento da escarlatina é feito com antibióticos, de forma a eliminar o Estreptococo beta hemolítico do grupo A e, consequentemente, interromper a produção das toxinas que provocam as reações na pele.

Além de curar os sintomas, o tratamento com antibiótico também é importante para reduzir o risco de transmissão da bactéria para outras pessoas e reduzir o risco do paciente desenvolver as complicações citadas acima.

Os antibióticos de escolha para o tratamento da escarlatina são a penicilina V ou a amoxicilina (leia: AMOXICILINA E AMOXICILINA COM CLAVULANATO | Bula simplificada). O tempo de tratamento indicado é 10 dias.

Uma opção com posologia mais simples é a penicilina benzatina, que é administrada por via intramuscular em dose única (leia: PENICILINA BENZATINA | Injeção de benzetacil).

Nos pacientes alérgicos à penicilina, a eritromicina é uma alternativa viável (leia: ALERGIA À PENICILINA).

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