Queimadura: graus, imagens e tratamento

Atualizado:
26 set. 2026
Atualizado:
26 set. 2026

Resumo

Principais pontos sobre queimaduras

  • As queimaduras podem ser classificadas pela profundidade em superficiais (1º grau), de espessura parcial (2º grau) e de espessura total (3º grau). Lesões ainda mais profundas, que atingem músculo ou osso, podem ser chamadas de queimaduras de 4º grau.
  • Queimaduras de 1º grau deixam a pele vermelha, seca e dolorosa, mas não formam bolhas. As de 2º grau costumam formar bolhas e podem ser superficiais ou profundas.
  • Logo após uma queimadura térmica, coloque a região sob água corrente fresca por cerca de 20 minutos. Não aplique gelo diretamente sobre a pele.
  • Retire anéis, relógios, cintos e roupas próximas antes que surja inchaço, desde que não estejam grudados à pele.
  • Não estoure bolhas em casa e não aplique manteiga, óleo, pasta de dente, café ou outras receitas caseiras.
  • Queimaduras profundas, extensas, químicas ou elétricas, assim como aquelas localizadas na face, mãos, pés, genitais ou grandes articulações, geralmente precisam de avaliação médica.

O que é uma queimadura?

Quando falamos em queimaduras da pele, logo nos vêm à cabeça as queimaduras térmicas, provocadas pelo fogo ou pelo contato com objetos e líquidos muito quentes. Porém, não só o calor é capaz de provocar queimaduras.

De forma abrangente, uma queimadura é uma lesão aguda da pele ou de outros tecidos provocada principalmente por calor, descarga elétrica, fricção, substâncias químicas ou radiação.

As queimaduras podem ser superficiais ou profundas, pequenas ou extensas. A gravidade do quadro depende principalmente da profundidade, da extensão da área atingida, da localização da lesão, do mecanismo que provocou a queimadura e das condições clínicas do paciente.

Para ler especificamente sobre as lesões provocadas pela inalação de fumaça nos incêndios, leia nosso texto: Inalação de fumaça em incêndios.

Graus da queimadura

Classicamente, as queimaduras são classificadas em 1º, 2º e 3º graus, conforme a profundidade da lesão.

Na nomenclatura médica atual, é mais comum utilizar os termos queimadura superficial, queimadura de espessura parcial superficial, queimadura de espessura parcial profunda e queimadura de espessura total. Na prática, essas classificações correspondem aproximadamente às antigas denominações de primeiro, segundo e terceiro graus.

Essa distinção não é apenas uma questão de nome. A profundidade da queimadura determina quanto tempo a pele tende a levar para cicatrizar, o risco de cicatriz e se poderá ser necessário tratamento cirúrgico.

Uma informação importante é que a profundidade da queimadura não é necessariamente uniforme nem permanece igual ao longo do tempo.

Uma mesma lesão pode ter áreas de primeiro, segundo e terceiro graus. Além disso, queimaduras são feridas dinâmicas: uma região que inicialmente parecia superficial pode revelar-se mais profunda após algumas horas ou dias.

Mesmo para profissionais experientes, a avaliação clínica inicial da profundidade não é perfeita. Por isso, a evolução da ferida também ajuda a determinar a gravidade real da queimadura.

Queimadura de primeiro grau

Também chamada de queimadura superficial ou epidérmica, é aquela que envolve apenas a epiderme, a camada mais superficial da pele.

Nas queimaduras de primeiro grau, a pele fica vermelha, seca e dolorosa e costuma clarear temporariamente quando pressionada. Não há formação de bolhas.

Na maioria dos casos, a lesão melhora espontaneamente em cerca de 3 a 6 dias. Pode ocorrer descamação durante a recuperação, mas não costuma haver cicatriz.

A queimadura solar é um exemplo típico de queimadura de primeiro grau quando provoca apenas vermelhidão, ardor e sensibilidade, sem formação de bolhas.

Queimadura de segundo grau

As queimaduras de segundo grau são chamadas atualmente de queimaduras de espessura parcial porque atingem a epiderme e se estendem por parte da derme, sem destruir toda a espessura dessa camada.

Dependendo de quanto da derme foi lesionado, elas são divididas em superficiais e profundas.

A figura abaixo resume as diferenças entre a queimadura de segundo grau superficial e a profunda.

Queimadura de segundo grau superficial

Nas queimaduras de segundo grau superficiais, a pele costuma ficar vermelha ou rosada, úmida, muito dolorosa e com formação de bolhas. Quando pressionada, geralmente empalidece e depois recupera rapidamente a coloração.

As bolhas podem surgir imediatamente ou somente algumas horas depois da queimadura. Em alguns casos, uma lesão que inicialmente parecia ser apenas de primeiro grau passa a apresentar bolhas dentro das primeiras 12 a 24 horas.

A cicatrização costuma ocorrer em aproximadamente 7 a 21 dias. Cicatrizes permanentes são incomuns, embora a pele possa ficar temporariamente mais clara ou mais escura no local da lesão.

A exposição solar intensa e prolongada também pode provocar queimaduras de segundo grau. As bolhas podem aparecer logo após a exposição solar ou somente algumas horas depois.

Queimadura de segundo grau profunda

Já a queimadura de 2º grau profunda atinge porções mais profundas da derme. A lesão pode apresentar áreas avermelhadas, esbranquiçadas ou de aspecto ceroso, ser úmida ou relativamente seca e formar bolhas que se rompem com facilidade. Quando pressionada, a pele tende a clarear pouco ou lentamente.

Como há maior lesão das terminações nervosas da derme, esse tipo de queimadura pode provocar menos dor do que uma queimadura de segundo grau superficial. Por isso, uma queimadura menos dolorosa não é necessariamente menos grave.

Folículos capilares e glândulas da pele também podem ser danificados. Essas estruturas têm papel importante na regeneração da pele e, quanto maior é a sua destruição, menor é a capacidade de reepitelização espontânea. Por esse motivo, as queimaduras profundas têm maior risco de cicatrização prolongada, cicatrizes hipertróficas e retrações.

Quando tratadas sem cirurgia, as queimaduras profundas de segundo grau geralmente levam mais de três semanas para cicatrizar. Algumas não cicatrizam adequadamente apenas com tratamento local e podem precisar de remoção do tecido lesionado e enxerto de pele.

Queimadura de terceiro grau

A queimadura de terceiro grau, atualmente chamada de queimadura de espessura total, destrói toda a epiderme e toda a derme e frequentemente atinge também o tecido subcutâneo.

A pele pode ficar branca e com aspecto de cera, acinzentada, amarronzada ou negra. A superfície costuma ser seca, endurecida e pouco elástica e não clareia quando pressionada.

Como as terminações nervosas foram destruídas, a região central da queimadura pode ser pouco dolorosa ou até insensível ao toque leve. No entanto, as áreas ao redor, onde existem queimaduras menos profundas, podem ser extremamente dolorosas.

Ao contrário das queimaduras superficiais, as queimaduras de terceiro grau não conseguem regenerar normalmente toda a pele destruída. Pequenas áreas podem fechar por contração e crescimento de pele a partir das bordas, mas com risco importante de cicatriz e deformidade.

Lesões maiores geralmente necessitam de tratamento cirúrgico, com remoção do tecido morto e enxerto de pele.

Existe queimadura de quarto grau?

Sim. Embora a classificação em graus seja cada vez menos utilizada nos centros especializados, o termo queimadura de quarto grau ainda é empregado para lesões que se estendem além da pele e do tecido subcutâneo, atingindo estruturas profundas, como fáscia, músculos, tendões ou ossos.

Esse tipo de lesão pode ocorrer, por exemplo, nas queimaduras elétricas graves. Nesses casos, a aparência da superfície da pele pode subestimar a extensão real do dano existente nos tecidos mais profundos.

Extensão da queimadura: regra dos 9 e método da palma

Além da profundidade, também é importante saber quanto da superfície corporal foi atingido.

Nas queimaduras mais extensas, essa medida é expressa como porcentagem da superfície corporal total queimada.

Um detalhe importante é que as queimaduras de primeiro grau não entram nesse cálculo. Para estimar a superfície corporal queimada são consideradas as áreas de segundo e terceiro graus, isto é, as queimaduras de espessura parcial ou total.

Por isso, uma queimadura solar pode deixar grande parte do corpo vermelho sem que toda essa área deva ser contabilizada como superfície corporal queimada para fins de avaliação de uma queimadura grave.

Regra dos 9 para queimaduras

A regra dos 9 é uma maneira rápida de estimar a área queimada em adultos.

No adulto, cabeça e pescoço correspondem aproximadamente a 9% da superfície corporal; cada braço, a 9%; cada perna, a 18%; a parte anterior do tronco, a 18%; a parte posterior do tronco, também a 18%; e o períneo e a região genital, a aproximadamente 1%.

A regra dos 9 é menos precisa nas crianças porque as proporções corporais mudam com a idade. Bebês e crianças pequenas têm proporcionalmente uma cabeça maior e pernas menores. O método de Lund-Browder leva essas diferenças em consideração e é considerado mais preciso para estimar a superfície corporal queimada. Sua vantagem é particularmente importante nas crianças, pois os percentuais atribuídos à cabeça e às pernas são ajustados conforme a idade.

Método da palma

Quando a queimadura é pequena, irregular ou formada por várias áreas separadas, pode ser mais fácil utilizar a mão do próprio paciente como referência para quantificar a extensão das lesões.

A palma da mão sem os dedos corresponde a aproximadamente 0,5% da superfície corporal, enquanto toda a superfície palmar da mão, incluindo os dedos, corresponde a aproximadamente 1%.

Portanto, quando se diz que “a mão equivale a 1% do corpo”, estamos falando da palma mais os dedos, e não apenas da palma propriamente dita.

Como saber se uma queimadura é grave?

A gravidade de uma queimadura não depende apenas do seu tamanho. Também são importantes a profundidade da lesão, a região do corpo atingida, o mecanismo da queimadura, a idade e as condições de saúde do paciente, além da presença de lesão por inalação ou outros traumas associados.

De modo geral, queimaduras pequenas e superficiais podem ser tratadas de forma ambulatorial. Já as queimaduras moderadas ou graves podem exigir internação ou acompanhamento em um centro especializado em queimados. A distinção não é feita apenas por uma única porcentagem da superfície corporal, pois uma queimadura pequena pode ser grave dependendo da sua profundidade ou localização.

Atualmente, são situações que justificam avaliação médica especializada:

  • Queimaduras de espessura parcial que atinjam 10% ou mais da superfície corporal.
  • Qualquer queimadura de espessura total (terceiro grau), mesmo quando a área atingida é pequena.
  • Queimaduras profundas envolvendo face, mãos, pés, genitais, períneo ou grandes articulações.
  • Suspeita de lesão por inalação de fumaça ou gases quentes, especialmente quando há queimadura da face, pelos faciais chamuscados, rouquidão ou dificuldade para respirar.
  • Queimaduras químicas e queimaduras elétricas de alta voltagem ou causadas por raios.
  • Queimaduras associadas a fraturas, traumatismos ou outras lesões importantes.
  • Queimaduras em pacientes com doenças que podem dificultar o tratamento ou a cicatrização, como diabetes, imunossupressão ou doenças vasculares.
  • Dor intensa que não consegue ser adequadamente controlada.
  • Queimaduras potencialmente profundas de qualquer tamanho.

Nas crianças, a avaliação deve ser ainda mais cuidadosa. Dependendo da profundidade da queimadura, da extensão da lesão, da necessidade de curativos, do controle da dor e das condições disponíveis para acompanhamento, pode ser necessária avaliação por um centro especializado.

Queimaduras circunferenciais, que envolvem completamente um braço, uma perna, o tórax ou outra parte do corpo como se fossem um bracelete ou uma faixa, também merecem atenção especial. Quando são profundas, o tecido queimado pode formar uma camada rígida que, associada ao inchaço, compromete a circulação de um membro ou dificulta a expansão do tórax.

Queimaduras extensas

Em adultos, queimaduras envolvendo mais de 20% da superfície corporal costumam ser consideradas extensas e apresentam maior risco de repercussões sistêmicas, incluindo necessidade de reposição de líquidos por via intravenosa e cuidados hospitalares mais intensivos. Em crianças pequenas e idosos, áreas menores já podem produzir repercussões importantes.

Primeiros socorros nas queimaduras térmicas: o que fazer logo após o acidente

Nos primeiros minutos após uma queimadura térmica, a prioridade é interromper o contato com a fonte de calor e resfriar a pele. Essas medidas são importantes tanto nas queimaduras leves quanto nas mais graves.

Afaste a pessoa da fonte de calor e retire cuidadosamente roupas molhadas ou aquecidas, anéis, relógios, pulseiras e outros objetos que possam apertar a região caso surja inchaço. Se alguma roupa estiver grudada à pele, não tente arrancá-la.

Em seguida, coloque a área queimada sob água corrente limpa e fresca por cerca de 20 minutos. O resfriamento ajuda a interromper a progressão da lesão nos tecidos e também diminui a dor. A água deve estar fresca ou fria, mas não gelada.

Não coloque gelo diretamente sobre a queimadura, pois o frio excessivo pode agravar a lesão da pele e, em queimaduras extensas ou em crianças pequenas, aumentar o risco de hipotermia.

Em queimaduras extensas, porém, o resfriamento não deve atrasar o atendimento de emergência e é preciso evitar o resfriamento prolongado de grandes áreas do corpo, devido ao risco de hipotermia. Enquanto a área queimada é protegida, o restante do paciente deve ser mantido aquecido.

Também não aplique manteiga, margarina, óleo, pasta de dente, café, clara de ovo ou outras receitas caseiras. Esses produtos não tratam a queimadura e podem dificultar a limpeza e a avaliação da lesão.

Depois desses primeiros cuidados, o passo seguinte depende da profundidade, do tamanho e da localização da queimadura:

  • Queimaduras pequenas e superficiais geralmente podem ser tratadas em casa.
  • Queimaduras profundas, extensas ou localizadas em determinadas regiões precisam de avaliação médica.

Queimaduras leves: quando podem ser tratadas em casa?

Em geral, podem ser tratadas em casa as queimaduras de primeiro grau e algumas pequenas queimaduras de segundo grau superficial, desde que a pessoa esteja bem, a dor seja controlável e não existam sinais de uma lesão mais profunda.

Para ser considerada apropriada para tratamento em casa, uma queimadura deve, em geral, reunir as seguintes características:

  • Se for de primeiro grau, a pele permanece íntegra, sem bolhas, e a pessoa não apresenta sintomas gerais importantes.
  • Se for de segundo grau superficial, a área atingida deve ser pequena, em geral não maior que a palma da própria mão. Queimaduras de segundo grau maiores que essa área devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
  • A pele deve apresentar aspecto compatível com uma queimadura superficial: vermelha ou rosada, úmida e bastante dolorosa, podendo haver bolhas. Quando pressionada, costuma clarear e recuperar rapidamente a cor.
  • Não deve haver áreas esbranquiçadas, acinzentadas, enegrecidas, cerosas, endurecidas ou com redução importante da sensibilidade, que podem indicar uma queimadura mais profunda.
  • Não deve ser uma queimadura elétrica, química nem estar associada à inalação de fumaça.
  • Se for de segundo grau, não deve envolver face, olhos, mãos, pés, genitais, períneo ou grandes articulações.

Mesmo uma queimadura inicialmente pequena deve ser reavaliada se a aparência piorar nos dias seguintes, pois a profundidade da lesão nem sempre fica evidente imediatamente após o acidente.

Como cuidar de uma queimadura leve em casa?

Depois do resfriamento inicial, a área pode ser lavada suavemente com água e sabonete neutro. Não é necessário usar álcool, água oxigenada, iodo ou outros antissépticos fortes, que podem irritar o tecido lesionado.

O cuidado seguinte depende principalmente da profundidade da queimadura.

Queimadura de primeiro grau

Nas queimaduras de primeiro grau, a pele permanece íntegra. Depois do resfriamento, normalmente não é necessário utilizar pomadas antibióticas nem fazer curativos.

Um hidratante sem perfume, vaselina ou produto à base de aloe vera pode ser usado para diminuir o ressecamento e o desconforto, mas nenhum desses produtos é indispensável para a cicatrização.

Se houver dor, podem ser utilizados analgésicos comuns, como paracetamol, dipirona ou ibuprofeno, desde que a pessoa não tenha contraindicação ao medicamento.

Pequena queimadura de segundo grau superficial

Nas pequenas queimaduras de segundo grau superficial, a pele deve ser mantida limpa e protegida enquanto cicatriza.

A região pode ser lavada suavemente uma vez ao dia com água e sabonete neutro. Em muitas queimaduras pequenas, pode-se aplicar uma fina camada de vaselina e cobrir a área com um curativo limpo e não aderente à ferida.

O curativo deve ser trocado se ficar molhado, sujo ou solto. Curativos específicos para queimaduras podem permanecer por mais tempo, dependendo do produto utilizado.

O objetivo não é deixar a ferida seca e exposta, mas também não mantê-la encharcada. Um ambiente ligeiramente úmido e protegido favorece a reepitelização.

Pode estourar a bolha da queimadura?

As bolhas são comuns nas queimaduras de segundo grau superficial. Não é recomendado furá-las em casa.

Bolhas pequenas e intactas geralmente podem ser deixadas no lugar, pois a pele que as recobre ajuda a proteger a região lesionada.

Se a bolha romper espontaneamente, a área deve ser lavada delicadamente e protegida com um curativo não aderente. Não é aconselhável cortar ou arrancar grandes fragmentos de pele por conta própria.

Bolhas muito grandes, muito dolorosas, localizadas em regiões de movimento ou que dificultem o uso de uma mão ou de um pé podem precisar ser avaliadas por um profissional de saúde.

O que passar na queimadura?

Não existe uma única pomada que seja necessária ou adequada para todas as queimaduras.

Nas queimaduras superficiais de primeiro grau, geralmente basta manter a pele limpa e hidratada. Nas pequenas queimaduras de segundo grau superficial, a proteção da ferida com vaselina e um curativo não aderente costuma ser suficiente em muitos casos.

Pomadas antimicrobianas ou curativos especiais podem ser utilizados em situações específicas, mas não devem ser aplicados automaticamente em toda queimadura.

Bepantol serve para queimadura?

Produtos à base de dexpantenol, como o Bepantol, atuam principalmente como hidratantes.

Podem ser usados em queimaduras superficiais quando a pele está íntegra ou durante a fase final de cicatrização, depois que a superfície da pele já se recompôs. Entretanto, não são necessários para que uma queimadura leve cicatrize e não substituem o resfriamento inicial com água.

Nebacetin serve para queimadura?

O Nebacetin contém antibióticos tópicos e não precisa ser usado rotineiramente em queimaduras leves.

Uma queimadura de primeiro grau, na qual a pele permanece íntegra, não necessita de antibiótico. Mesmo em pequenas queimaduras de segundo grau superficial, o risco de infecção costuma ser baixo quando a ferida é adequadamente limpa e protegida.

Antibióticos tópicos podem ser indicados em determinadas situações, mas o uso indiscriminado não melhora necessariamente a cicatrização e ainda pode provocar irritação ou dermatite de contato.

Sulfadiazina de prata serve para queimadura?

A sulfadiazina de prata foi durante muitos anos um dos medicamentos mais utilizados no tratamento de queimaduras. Atualmente, porém, ela não é considerada uma boa opção rotineira para pequenas queimaduras domésticas.

Embora tenha ação antimicrobiana, a sulfadiazina de prata pode retardar a reepitelização e exigir trocas de curativos mais frequentes. Existem atualmente opções de curativos mais adequadas para muitas queimaduras superficiais.

O medicamento ainda pode ser utilizado em situações específicas, geralmente sob orientação de um profissional com experiência no tratamento de queimaduras.

Óxido de zinco serve para queimadura?

Pomadas com óxido de zinco podem ser utilizadas em queimaduras superficiais de primeiro grau, quando a pele permanece íntegra. Sua principal função é formar uma barreira protetora sobre a pele, reduzindo a irritação e a perda de água.

Não é um tratamento obrigatório. Nas queimaduras de segundo grau com a pele aberta, o óxido de zinco não é uma das opções habitualmente utilizadas como tratamento principal; nesses casos, são preferíveis os cuidados com limpeza, proteção da ferida e curativo adequado.

Queimadura de sol: o que fazer?

A maioria das queimaduras solares é superficial, equivalente a uma queimadura de primeiro grau.

O tratamento consiste em interromper a exposição ao sol, resfriar a pele com banho ou compressas frescas, manter boa hidratação e utilizar hidratante sem perfume ou aloe vera caso tragam alívio. Analgésicos podem ser utilizados quando necessário.

Enquanto a pele estiver se recuperando, deve-se evitar nova exposição solar. Depois da cicatrização, o uso adequado de protetor solar ajuda a evitar nova queimadura e alterações persistentes de pigmentação.

Queimaduras solares com bolhas extensas, dor intensa, vômitos, tontura, desidratação ou comprometimento de grande parte do corpo merecem avaliação médica.

Tratamento das queimaduras mais profundas

Queimaduras profundas devem ser avaliadas por um profissional de saúde porque o objetivo do tratamento não é apenas fechar a ferida. É preciso preservar a função da região afetada, isto é, evitar que cicatrizes, retrações ou rigidez prejudiquem movimentos e atividades normais, especialmente quando a queimadura atinge mãos, pés ou articulações.

As queimaduras profundas de segundo grau podem precisar de desbridamento, coberturas especializadas ou cirurgia, dependendo da capacidade de cicatrização da pele.

As queimaduras de terceiro grau frequentemente necessitam de retirada cirúrgica do tecido desvitalizado e fechamento da ferida com enxerto de pele ou outras técnicas de reconstrução. Nas queimaduras graves, a excisão e cobertura da ferida fazem parte das principais etapas do tratamento especializado.

Vacina contra o tétano

Queimaduras que produzem perda da integridade da pele devem levar à verificação da situação vacinal contra o tétano.

A necessidade de uma dose de reforço depende de quantas doses a pessoa já recebeu e do tempo transcorrido desde a última vacinação. Feridas com tecido desvitalizado, incluindo queimaduras, são consideradas de maior risco para tétano.

Em uma pessoa que completou o esquema inicial, geralmente não é necessário reforço se a última dose tiver sido administrada há menos de cinco anos. Se já se passaram cinco anos ou mais, uma dose de reforço pode ser indicada.

Pessoas não vacinadas, com vacinação incompleta ou histórico desconhecido precisam iniciar ou completar a vacinação e, em determinadas situações, também podem necessitar de imunoglobulina antitetânica.

Como saber se a queimadura está cicatrizando normalmente?

Uma queimadura superficial tende a ficar progressivamente menos dolorosa, menos vermelha e menos úmida à medida que uma nova camada de pele se forma.

Queimaduras superficiais de segundo grau geralmente fecham dentro de duas a três semanas. Quando a ferida praticamente não mostra sinais de reepitelização após 7 a 10 dias, ou continua aberta depois de cerca de três semanas, é preciso considerar que a queimadura possa ser mais profunda do que parecia inicialmente.

Depois de fechada, a pele pode permanecer rosada, avermelhada, mais clara ou mais escura durante algum tempo. É comum também haver ressecamento e coceira. Hidratantes sem perfume podem ajudar nessa fase.

A coceira pode ser particularmente intensa durante a cicatrização de queimaduras maiores. Ela não significa necessariamente infecção e pode persistir mesmo depois de a pele estar completamente fechada.

Como saber se a queimadura está infectada?

Vermelhidão, inchaço, sensibilidade e algum grau de dor fazem parte da resposta inflamatória normal de uma queimadura e, isoladamente, não significam infecção.

Deve-se suspeitar de infecção quando a vermelhidão começa a se espalhar para a pele saudável ao redor da queimadura, principalmente se estiver acompanhada de aumento da dor, secreção purulenta, febre, mal-estar ou linhas avermelhadas se estendendo pelo membro.

Uma infecção pode não apenas provocar sepse, mas também aprofundar a lesão e transformar uma queimadura inicialmente superficial em uma queimadura mais profunda.

Complicações

A pele é o maior órgão do nosso corpo e funciona como uma importante barreira contra a invasão de microrganismos, a perda de água e a perda de calor. Quanto maior e mais profunda for a queimadura, maior será a perda dessas funções.

Nas queimaduras extensas, o aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos provoca grande deslocamento de líquido para os tecidos queimados. O paciente pode desenvolver queda do volume circulante, choque e insuficiência renal aguda se a reposição de líquidos não for adequada.

A perda da capacidade de reter calor também favorece hipotermia, especialmente em crianças ou pacientes com grandes áreas queimadas.

A ruptura da barreira cutânea e a presença de tecido morto aumentam a suscetibilidade a infecções. Nos grandes queimados, infecções da ferida podem evoluir para sepse e disfunção de múltiplos órgãos. Apesar desse risco, antibióticos sistêmicos não são utilizados rotineiramente para prevenir infecções; são indicados quando existe infecção diagnosticada ou forte suspeita clínica.

Queimaduras profundas que circundam completamente um braço, uma perna ou o tórax podem formar uma camada rígida de tecido morto, chamada escara de queimadura. Como essa camada não se distende, o inchaço que surge por baixo dela pode comprimir vasos sanguíneos e comprometer a circulação do membro. Quando envolve o tórax, pode dificultar sua expansão durante a respiração.

Nessas situações pode ser necessária uma escarotomia, procedimento no qual são feitas incisões na escara para aliviar a pressão e restabelecer a circulação ou permitir a expansão adequada do tórax.

As mãos merecem atenção especial porque pequenas retrações cicatriciais podem provocar importante limitação funcional.

Outra complicação potencialmente grave ocorre nos incêndios com inalação de fumaça. O calor seco costuma lesar principalmente as estruturas acima da glote; as lesões mais profundas das vias respiratórias são provocadas sobretudo por partículas e substâncias químicas presentes na fumaça.

Vapor muito quente, por conter mais energia térmica, pode produzir lesões abaixo da glote. Monóxido de carbono e cianeto também podem causar intoxicação sistêmica.

Queimaduras da face, fuligem ao redor da boca ou do nariz, pelos nasais chamuscados, rouquidão ou dificuldade para respirar após exposição à fumaça são sinais de alerta e justificam atendimento de emergência.

Por fim, queimaduras profundas podem produzir cicatrizes hipertróficas, retrações e limitação permanente de movimentos. Quanto mais tempo uma ferida leva para fechar, maior tende a ser a preocupação com cicatrização anormal. Por isso, uma queimadura que não evolui como esperado não deve permanecer indefinidamente em tratamento caseiro.


book Referências bibliográficas
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  • UpToDate. Treatment of minor thermal burns. 2026.
  • UpToDate. Topical agents and dressings for local burn wound care. 2026.
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  • UpToDate. Overview of the management of the severely burned patient. 2026.
  • American Burn Association. Guidelines for Burn Patient Referral.
  • American Heart Association; American Red Cross. 2024 American Heart Association and American Red Cross Guidelines for First Aid.
  • Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Clinical Guidance for Wound Management to Prevent Tetanus.


Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. João Jamba

    Como de ser feito o curativo de uma queimadura do segundo grau, quais são os dias alternados que devem ser feitos e quais são os tipo de pomadas que devem ser utilizados?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Nas queimaduras de segundo grau pequenas, o primeiro cuidado é resfriar a área com água corrente fresca por cerca de 20 minutos, sem utilizar gelo. Depois, a ferida deve ser mantida limpa e protegida com um curativo estéril não aderente. Não existe uma regra de trocar o curativo obrigatoriamente em dias alternados: a frequência depende do tipo de cobertura, da quantidade de secreção e da orientação médica. Pomadas antibióticas ou sulfadiazina de prata não devem ser usadas automaticamente em toda queimadura. Queimaduras extensas, profundas ou localizadas em face, mãos, pés, genitais ou grandes articulações devem ser avaliadas presencialmente.

  2. Nilton boraiko vieira

    Queimei as panturrilha das pernas em um acidente de moto,,, estou medicando,,mas já tem 10 dias e continua saindo pus, e dói muito.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Se a lesão já tem 10 dias e está saindo pus, isso sugere que houve uma infecção da lesão. O ideal é ser visto por um médico.

  3. luciano S

    Boa Tarde. queimei o lado do braço na porta do forno, aproximadamente 2,5cm, a pele saiu na hora, como se tivesse esfolada, por ser carnaval me orientaram a limpar e passar sulfato de neomicina + bacitracina zíncica. No segundo dia parece estar pior que na hora da queimadura e uma marca mais escura em volta. Isso é normal? desconforto mas não dor.

    obrigado

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Luciano, lamento, mas sem ver a lesão é difícil de avaliar se a evolução está normal ou não.

  4. Gilberto José Domingues da Silva

    Minhas queimaduras foi de terceiro grau e fez uma casca dura e amarela é normal ,sai sozinho ou tem que tirar

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Qualquer crosta que ainda exista vai sair sozinha. O que não sair é cicatriz.

  5. Adriano Gama

    Dr me queimei com água fervente na coxa 3 lugares duas com bolhas.. Elas estouraram. Tem 3 dias.. Estou me medicando.. Demora a recuperação. Ela ta meia q amarela.. Outra ta vermelha..

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Queimadura de segundo grau demora um pouco, sim.

  6. Jaldirene leite Silva souza

    Boa noite!! quero conteúdos de queimaduras de quarto graus

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    A queimadura de quarto grau é uma forma diferente de classificação. Não é a mais utilizada. Seria uma forma mais grave da queimadura de 3º grau, com envolvimento de músculo e osso. Atualizei o texto contendo essa informação.

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