VARIZES NAS PERNAS – Causas, Graus e Tratamento

Cerca de 25% das mulheres e 15% dos homens apresentam varizes nas pernas.

Varizes são veias tortuosas e dilatadas que surgem pelo adoecimento dos vasos. Ao contrário do que se possa pensar, as varizes das pernas não são apenas um problema estético. A presença da variz indica uma veia doente, sendo muitas vezes o primeiro sinal de uma insuficiência venosa crônica.

Este texto abordará as varizes nas pernas (varizes dos membros inferiores), dando ênfase às causas, sintomas, prevenção e tratamento.

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Para complementar as informações deste texto, leia também: VARIZES | Perguntas mais frequentes.

O que são as varizes?

Para que possamos entender o que causa as varizes e quais suas potenciais complicações, é preciso entender como funcionam as veias.

Nosso sangue é transportado por dois tipos de vasos: artérias e veias. A artéria é o vaso que leva o sangue rico em oxigênio para longe do coração, em direção ao resto do corpo, nutrindo órgãos e tecidos. A veia é o vaso que trás de volta o sangue para o coração e pulmões para que ele possa receber oxigênio novamente.

varizesO sangue chega às pernas pelas artérias e sobe de volta ao coração pelas veias. Como vocês já devem ter pensado, as veias das pernas trabalham contra a gravidade. Podemos dizer que as varizes são um efeito colateral do nosso processo evolutivo que nos permitiu andar em pé sob as duas pernas. Quando nos tornamos bípedes, nosso coração passou a ficar longe dos nossos membros inferiores, o que dificultou em muito o retorno do sangue para o mesmo. Mas como é então que este sangue sobe?

Apenas o trabalho de bombeamento do sangue pelo coração não é suficiente para se vencer a gravidade. Na verdade, as veias possuem um mecanismo que facilita o seu trabalho: as válvulas.

As válvulas são mecanismos de segurança que funcionam como comportas, impedindo que o sangue reflua. Deste modo, o sangue segue sempre em uma única direção.

varizesAgora imaginem se estas válvulas ficarem incompetentes. O sangue que deveria apenas subir, começa a retornar para baixo e a acumular-se com o sangue novo que está subindo. Não é difícil perceber o porquê das veias dilatarem. Este é o mecanismo básico das varizes, veias doentes que tornam-se dilatadas e tortuosas por incapacidade de escoar o sangue em direção ao coração.

Como as veias periféricas das pernas encontra-se muito próximas da pele, qualquer tortuosidade ou dilatação torna-se facilmente perceptível.

Além das válvulas, nossos membros inferiores têm mais dois truques na manga:

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1) Bomba plantar: cada vez que pisamos, o impacto da planta do pé com o chão provoca um bombeamento mecânico do sangue acumulado nos pés.

2) Bomba da panturrilha: além da bomba plantar, quando pisamos, usamos a musculatura da panturrilha, conhecida popularmente como batata da perna. Do mesmo modo, a contração destes músculos impulsiona o sangue venoso para cima.

Resumindo, são três os mecanismos que facilitam o retorno do sangue para o coração: presença de válvulas nas veias, bomba plantar e bomba da panturrilha, estas duas últimas acionadas quando andamos.

Fatores de risco para varizes

Cerca de 25% das mulheres e 15% dos homens apresentam varizes nas pernas. Como já explicado, as varizes surgem quando ocorre um represamento do sangue nas veias, em geral, por incompetência das válvulas venosas.

Os principais fatores de risco são:

  • Sexo feminino: a presença de alguns hormônios, como a progesterona, causam dilatação das veias e favorecem a incompetência valvular.
  • Idade: as varizes surgem a partir dos 30 anos e vão ficando mais comuns com o envelhecimento. Veias mais velhas e submetidas há dezenas de anos de trabalho contra a gravidade são mais propensas a ficarem doentes.
  • História familiar: a presença de varizes costuma ser uma tendência familiar. Existe um componente genético facilitando o aparecimento das mesmas em algumas pessoas.
  • Obesidade: quanto mais pesados somos, maior a pressão sobre as veias (leia: OBESIDADE E SÍNDROME METABÓLICA).
  • Tabagismo: O cigarro agride a parede dos vasos, tornado-os doentes (leia: COMO PARAR DE FUMAR).
  • Gravidez: o aumento dos hormônios, associado a um maior volume de sangue circulante e a compressão das veias intra-abdominais por um útero cada vez maior, favorecem o surgimento das varizes.
  • Sedentarismo: Como já explicado, o ato de andar facilita o retorno venoso, diminuindo o represamento do sangue dentro das veias.
  • Traumas nas pernas: qualquer trauma que cause lesão nas veias pode torná-las mais fracas e susceptíveis a dilatações.
  • Ficar em pé parado por longos períodos: uma pessoa em pé, sem andar durante várias horas, está dificultando o retorno venoso e facilitando o aparecimento de varizes.
  • Ficar várias horas sentado com as pernas dobradas: Sente-se e cruze as pernas como todos nós fazemos normalmente. Imagine seus vasos como uma mangueira. Se você fica com as pernas dobradas durante várias horas seguidas, o sangue continua precisando vencer a gravidade para subir, só que além disso, os vasos não estão retificados como na posição em pé, mas sim com um trajeto todo tortuoso.
  • Pílulas anticoncepcionais: mais um vez, a variação hormonal é um fator responsável pelas varizes (leia: EFEITOS COLATERAIS DOS ANTICONCEPCIONAIS).

Sintomas das varizes

As varizes são normalmente veias tortuosas e dilatadas que não causam maiores sintomas a não ser o incômodo estético. Elas surgem sempre nas veias mais superficiais, por isso são tão aparentes.

Quando grandes, as varizes podem sagrar após sofrerem traumas ou formar pequenos trombos, um quadro denominado de tromboflebite.

As varizes, quando múltiplas, podem ser uma das manifestações da chamada insuficiência venosa crônica. Quando várias veias tornam-se insuficientes e varicosas, o sangue começa a ficar retido nos membros inferiores, causando desconforto, sensação de peso, dor local, edemas, escurecimento da pele e, em casos avançados, aparecimentos de úlceras e infecções de pele.

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Na verdade, deve-se encarar as varizes como um estágio intermediário da insuficiência venosa, que pode ser dividida nas seguintes fases:

teleangiectasias

1) Teleangiectasias ou aranhas vasculares

As teleangiectasias são pequenas veias arroxeadas, bem fininhas que surgem na fase inicial da insuficiência venosa, como na fota ao lado. São sinais de doença das pequeníssimas veias superficiais que ficam logo abaixo da pele. São uma espécie de microvarizes.

Nesta fase não costuma haver outros sinais e sintomas, exceto o aparecimento das próprias teleangiectasias.

2) Varizes

O surgimento das varizes indica que a dificuldade em retornar o sangue já atingiu veias maiores. O paciente pode ter uma única variz ou, em fases mais avançadas da doença, apresentar várias varizes.

3) Edema

Quanto mais varizes existirem, mais óbvia é a insuficiência venosa. O sangue que não consegue retornar para o resto do corpo fica represado nas pernas, o que causa o aparecimento dos edemas (inchaços).

Nas fases iniciais, o edema costuma aparecer nos tornozelos e somente ao final do dia, quando o paciente já passou várias horas em pé. Conforme a doença avança, o inchaço pode ser tornar persistente, podendo acometer toda a perna.

Quando já há edema, podem haver outros sintomas como peso nas pernas, câimbras noturnas (leia: CÂIMBRAS | Causas e tratamento), sensação de queimação, comichão e dor no trajeto das varizes.

4) Alterações da pele

Além do edema, a retenção de sangue dos membros inferiores pode causar alteração de coloração da pele, deixando-a mais escura e arroxeada.

As pequenas veias e capilares danificados das pernas permitem o extravasamento das hemácias (glóbulos vermelhos) que, ao sofrerem destruição, liberam seus pigmentos vermelhos que acabam por se depositar na pele.

Nesta fase, a pele pode sofrer alterações na sua textura, ficando ressecada e inflamada, o que recebe o nome de dermatite de estase. Esta dermatite se caracteriza por um espessamento da pele associada à escamação, erosão e perda de líquidos pelos poros.

Nesta fase a pele se torna vulnerável, facilitando a invasão da mesma por bactérias e o desenvolvimento de infecções, como erisipela e celulite (leia: ERISIPELA | CELULITE | Sintomas e tratamento).

5) Úlceras

O último estágio da insuficiência venosa é aparecimento de úlceras na pele. Podem ser únicas ou múltiplas e se localizam preferencialmente próximo ao tornozelo, local de maior estase.

As úlceras normalmente aparecem após pequenos traumas e se formam devido à fragilidade da pele e dos vasos.

Se não tratada, as úlceras continuam crescendo de modo circunferencial, podendo se tornar lesões gigantes e frequentes pontos susceptíveis às infecções.

Como evitar varizes

Como já se pôde entender, o aparecimento das varizes e teleangiectasias é um estágio inicial que pode evoluir para insuficiência venosa crônica. É importante que os pacientes com estas alterações percebam que suas veias dos membros inferiores começam a dar sinais de falência.

Nas fases iniciais, algumas alterações nos hábitos de vida são importantes. Deve-se parar de fumar e evitar longos períodos sentado ou em pé parado, deve-se praticar exercícios com frequência, principalmente caminhadas para estimular as bombas plantar e da panturrilha. Se você tiver sobrepeso, emagreça.

Exercícios como musculação, se realizados de modo correto, não causam varizes. Depilar as pernas também não tem nenhuma influência. Subir escadas não faz mal, pelo contrário, o impacto dos pés nos degraus favorece o retorno venoso.

Em pacientes com predisposição genética muito forte, o ideal é procurar outros métodos contraceptivos que não as pílulas anticoncepcionais..

Tratamento das varizes

Uma vez que já existam varizes, as dicas descritas acima são essenciais, mas, isoladamente, podem não ser suficientes.

Se já existem sinais de varizes ou teleangiectasias, o uso de meias compressivas ajuda bastante. As meias devem ser usadas durante todo o dia, principalmente nas horas em que se fica muito tempo em pé. As meias devem ser justas, mas não muito apertadas. O ideal é procurar orientação de um angiologista ou cirurgião vascular na hora de escolher as meias mais adequadas.

Deitar-se com as pernas levantadas acima do nível do coração por 30 minutos, três ou quatro vezes por dia, também é importante.

Alguns medicamentos, quando usados juntos com as medidas acima, ajudam no controle das varizes. Os mais usados são a pentoxifilina (Trental®) e o Daflon®.

Diuréticos devem ser evitados. Quando usados, devem ser feitos por pouco tempo, pois os mesmos podem piorar os edemas (leia: DIURÉTICOS | Furosemida, Hidroclorotiazida, Indapamida).

Muitas vezes, porém, é necessário o tratamento cirúrgico das varizes. As principais modalidades são:

Escleroterapia para varizes: é um procedimento usado para varizes de pequeno tamanho, onde o médico injeta substâncias que causam esclerose (destruição e cicatrização) da veia selecionada. Como esta veia deixa de receber sangue, ela torna-se inútil, e com o tempo o corpo a elimina. É uma técnica que necessita de repetições, mas dispensa anestesia e pode ser realizada no próprio consultório. Todavia, para ser efetiva é preciso ser feita por médicos treinados.

Cirurgia a Laser para varizes: usada também em pequenas varizes e teleangiectasias, consiste na destruição destes pequenos vasos através da aplicação de Laser. É um procedimento que não necessita de agulhas ou incisões. Não é tão bom quanto a escleroterapia e não são todos os tipos de pele que podem receber os pulsos de Laser. Funciona melhor nas teleangiectasias.

Ablação por cateteres das varizes: indicado em varizes de maior calibre. Um pequeno tubo (cateter) é inserido dentro da variz, que pode ser destruída por calor (Laser endovenoso) ou por radiofrequência.

Cirurgia para varizes: consiste na retirada cirúrgica da veia varicosa. Atualmente este tipo de cirurgia é feita com mínimas incisões e a hospitalização não costuma passar de um dia. Quando as varizes são muito pequenas, este procedimento pode ser feito até ambulatorialmente.

Independente da técnica, a destruição ou retirada da veia varicosa não traz nenhum problema para as pernas, uma vez que a veia tratada já não funcionava direito mesmo. O fluxo de sangue é automaticamente desviado para outras veias colaterais e profundas. Uma veia varicosa não faz falta.

Varizes tratadas não voltam. O que pode ocorrer é o surgimento de novas varizes. É importante entender que os tratamentos descritos acima apenas eliminam as varizes existentes, mas não interferem no processo que as causam.

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