Resumo
Principais pontos sobre o soluço
- O soluço é causado por uma contração involuntária do diafragma e de outros músculos respiratórios, seguida pelo fechamento rápido da glote, que produz o som característico.
- Na maioria das vezes, dura poucos minutos e desaparece sozinho.
- Comer demais ou muito rápido, engolir ar, beber refrigerantes ou álcool e situações de ansiedade ou excitação são alguns dos gatilhos mais comuns.
- Prender a respiração por alguns segundos, beber pequenos goles de água fria e outras manobras simples podem interromper a crise, embora nenhuma funcione em todas as pessoas.
- O soluço que dura mais de 48 horas é considerado persistente. Quando permanece por mais de um mês, é chamado de soluço intratável.
- Soluços persistentes precisam ser investigados, pois podem estar relacionados a doenças, alterações metabólicas ou medicamentos.
- Procure atendimento antes de 48 horas se o soluço estiver acompanhado de falta de ar, dor no peito ou sintomas neurológicos, como fraqueza, alteração da fala, confusão ou perda de equilíbrio.
- Soluços são muito comuns em recém-nascidos e bebês e, na maioria dos casos, não indicam nenhuma doença.
O que é o soluço?
O soluço é uma contração súbita e involuntária do diafragma e, em menor grau, de outros músculos da respiração, seguida pelo fechamento rápido da glote, a abertura localizada entre as cordas vocais. É esse fechamento abrupto que produz o conhecido som do soluço.
Na imensa maioria dos casos, o soluço é um problema autolimitado, de curta duração e sem nenhuma relevância clínica. Em algumas pessoas, porém, ele pode ser persistente, tornando-se um problema crônico e de difícil controle.
Como surge o soluço?
O diafragma é um músculo que fica localizado entre o tórax e o abdômen, sendo o principal músculo da respiração. Graças à movimentação do diafragma, conseguimos encher e esvaziar nossos pulmões com ar.
Durante uma inspiração normal, o diafragma se contrai e desce, aumentando o volume da cavidade torácica. Com isso, a pressão dentro do tórax diminui, favorecendo a expansão dos pulmões. À medida que os pulmões se expandem, a pressão no interior dos alvéolos fica momentaneamente abaixo da pressão atmosférica, criando um gradiente que faz o ar entrar pelas vias respiratórias.

Uma comparação simples é imaginar o diafragma como o êmbolo de uma seringa. Quando o êmbolo é puxado para trás, aumenta o espaço dentro da seringa, a pressão diminui e o ar entra. No tórax acontece algo parecido: o movimento do diafragma cria uma diferença de pressão que faz o ar entrar nos pulmões.
Quando o êmbolo é empurrado para dentro, o espaço dentro da seringa diminui, a pressão aumenta e o ar é expulso. No tórax, ocorre algo semelhante durante a expiração: o diafragma relaxa e sobe, reduzindo o volume da cavidade torácica e favorecendo a saída do ar dos pulmões.
O soluço surge quando o diafragma sofre uma contração súbita e involuntária, provocando uma inspiração rápida. Quase imediatamente depois, o mesmo reflexo nervoso que desencadeou essa contração ativa os músculos da laringe, fazendo com que as cordas vocais se aproximem e a glote se feche bruscamente. Esse fechamento interrompe de forma repentina o fluxo de ar que estava entrando e produz o som característico do soluço, o conhecido “hic”.

Os soluços podem envolver os dois lados do diafragma, embora o hemidiafragma esquerdo esteja envolvido em cerca de 80% dos casos. O motivo dessa predominância não é conhecido.
Com o fechamento súbito da glote, algumas pessoas engolem o ar durante as crises de soluço, mas a entrada de ar no estômago não faz parte do mecanismo necessário para que o soluço ocorra. O fenômeno é essencialmente um reflexo respiratório e laríngeo, embora distensão do estômago e deglutição excessiva de ar possam desencadear episódios de soluço em algumas pessoas.
Como são classificados os soluços?
A maioria das crises dura poucos minutos e desaparece espontaneamente ou depois de alguma manobra simples, como beber água ou prender a respiração.
De acordo com a duração, os soluços podem ser classificados em:
- Soluço agudo ou transitório: dura menos de 48 horas. Na prática, a imensa maioria desaparece em poucos minutos.
- Soluço persistente: permanece por mais de 48 horas.
- Soluço intratável: dura mais de um mês.
Também existem pessoas que apresentam soluços recorrentes, isto é, várias crises separadas por períodos sem soluço. Isso é diferente de um episódio persistente, que permanece praticamente sem interrupção por mais de 48 horas.
Os soluços comuns raramente têm algum significado clínico e não precisam de avaliação médica.
Já os soluços persistentes e intratáveis merecem investigação, pois a possibilidade de existir alguma doença, alteração metabólica ou medicamento desencadeando o quadro é maior. Ainda assim, mesmo após investigação, nem sempre é possível identificar uma causa.
O que causa o soluço?
Não sabemos exatamente por que algumas pessoas desenvolvem soluço em determinadas situações e outras não.
O soluço é produzido pela ativação de um circuito neurológico chamado arco reflexo do soluço. Esse circuito recebe estímulos provenientes do tórax, do abdômen, do pescoço e da garganta por nervos como o vago e o frênico e por fibras do sistema nervoso simpático.
Depois que esses estímulos são processados pelo sistema nervoso central, surge uma resposta motora que provoca a contração involuntária do diafragma e de outros músculos da inspiração e o fechamento quase imediato da glote.

Nas crises curtas e banais, é comum não haver uma causa única identificável. Entre as situações que mais frequentemente desencadeiam soluço estão:
- Fumar.
- Comer demais e deixar o estômago muito cheio.
- Comer muito rápido.
- Engolir muito ar.
- Beber refrigerantes ou outras bebidas gaseificadas.
- Beber álcool.
- Alimentos muito condimentados ou apimentados.
- Mudanças bruscas de temperatura, inclusive ao ingerir líquidos ou alimentos muito quentes ou muito frios.
- Estresse emocional.
- Ansiedade ou excitação.
Distensão do estômago é provavelmente um dos mecanismos mais comuns. Isso ajuda a explicar por que comer demais, comer rapidamente, engolir ar ou consumir bebidas gaseificadas pode desencadear uma crise.
O motivo pelo qual esses estímulos provocam soluço apenas em algumas pessoas e somente em determinados momentos ainda não é bem conhecido.
Se você costuma apresentar crises com frequência, tente identificar se existe algum gatilho recorrente. Às vezes, mudanças simples, como comer mais devagar e evitar refeições muito volumosas, são suficientes para diminuir a frequência dos episódios.
Soluço constante ou persistente: o que pode ser?
Soluços que permanecem por mais de 48 horas são muito diferentes das crises habituais que duram alguns minutos.
O soluço persistente pode surgir quando uma doença, alteração metabólica ou medicamento interfere em alguma parte do arco reflexo do soluço. Isso pode ocorrer por irritação ou lesão dos nervos envolvidos, por alterações no sistema nervoso central ou por mudanças metabólicas que tornam esse circuito mais excitável e favorecem a repetição involuntária do reflexo.
Existem dezenas de possíveis causas. As principais são descritas a seguir.
Problemas no aparelho digestivo
O aparelho digestivo é uma fonte frequente de estímulos capazes de provocar soluços prolongados, principalmente porque o esôfago e o estômago ficam próximos ao diafragma e recebem extensa inervação do nervo vago.
Entre as possíveis causas estão:
- Refluxo gastroesofágico.
- Úlcera do estômago ou do duodeno.
- Distensão importante do estômago ou do esôfago.
- Obstrução intestinal.
- Infecções dentro do abdômen.
- Pancreatite.
- Colecistite.
- Tumores localizados no abdômen.
Problemas no tórax, pescoço ou ouvido
Qualquer processo capaz de irritar o nervo vago, o nervo frênico ou estruturas próximas ao diafragma pode desencadear soluço.
Alguns exemplos são:
- Pneumonia.
- Inflamação da pleura, membrana que reveste os pulmões.
- Embolia pulmonar.
- Pericardite, inflamação da membrana que envolve o coração.
- Infarto agudo do miocárdio.
- Aneurisma da aorta.
- Tumores do pescoço ou do tórax.
- Aumento importante da tireoide, chamado bócio.
- Faringite ou amigdalite.
- Irritações do tímpano ou objetos estranhos dentro do ouvido (até um fio de cabelo encostado no tímpano pode ser o gatilho).
Doenças do sistema nervoso central
O sistema nervoso central participa do controle do reflexo do soluço. Por isso, doenças que acometem principalmente o tronco cerebral, mas também outras regiões do cérebro ou da medula espinhal, podem causar crises prolongadas.
Algumas causas são:
- AVC.
- Esclerose múltipla.
- Meningite.
- Encefalite.
- Tumores cerebrais.
- Traumatismos cranianos.
- Lesões da medula espinhal.
Alterações metabólicas
Alterações nos níveis de eletrólitos, glicose e outras substâncias no sangue também podem interferir no funcionamento do reflexo do soluço.
Entre as principais situações associadas estão:
- Diabetes mal controlado.
- Doença renal crônica avançada, principalmente quando há uremia.
- Alterações importantes dos níveis sanguíneos de sódio, potássio ou cálcio.
- Alcoolismo crônico.
Medicamentos
Alguns medicamentos podem provocar ou prolongar crises de soluço.
Entre os mais relacionados estão:
- Corticoides, principalmente a dexametasona.
- Benzodiazepínicos, como diazepam e midazolam.
- Alguns opioides.
- Levodopa e outros medicamentos que interferem na transmissão dopaminérgica.
- Medicamentos usados durante a anestesia geral.
- Alguns antieméticos, como a ondansetrona.
- Alfa-metildopa.
- Diversos medicamentos utilizados na quimioterapia, como fluorouracil, cisplatina, carboplatina, capecitabina e outros.
Em pacientes com câncer, muitas vezes é difícil determinar se o soluço é provocado diretamente pela doença, pela distensão do estômago, por uma cirurgia recente ou pelos medicamentos utilizados no tratamento. Corticoides, especialmente a dexametasona, e alguns esquemas de quimioterapia são desencadeadores bem reconhecidos.
Soluço após cirurgia ou anestesia
O soluço também pode surgir após uma cirurgia. Entre os mecanismos possíveis estão a distensão do estômago, a manipulação de órgãos durante a operação, a irritação do nervo frênico e o estímulo da glote provocado pela intubação durante a anestesia geral.
Na maioria das vezes, o quadro é transitório. Se persistir ou for muito incômodo, a equipe médica deve avaliar outras possíveis causas.
Como é feita a investigação?
Quando o soluço dura mais de 48 horas, o médico procura inicialmente possíveis causas por meio da história clínica e do exame físico.
É importante saber quando a crise começou, se existe relação com alimentação, refluxo, consumo de álcool ou algum medicamento novo e se houve recentemente cirurgia, anestesia, quimioterapia ou outra intervenção médica.
Também é útil saber se o soluço desaparece durante o sono ou continua mesmo enquanto a pessoa dorme. A persistência durante o sono torna menos provável que o problema seja provocado apenas por fatores emocionais ou psicológicos.
Durante a investigação devem ser pesquisados sintomas digestivos, respiratórios, cardíacos e neurológicos.
Dependendo do quadro, podem ser solicitados exames de sangue, como hemograma, eletrólitos, cálcio, função renal e testes da função hepática. A radiografia do tórax também pode ser útil para procurar alterações pulmonares, mediastinais ou outras causas torácicas de irritação do diafragma e dos nervos envolvidos no reflexo do soluço.
Se houver alguma suspeita específica, a investigação pode incluir endoscopia digestiva, tomografia do tórax ou do abdômen, ressonância magnética do cérebro ou outros exames.
Não existe, portanto, uma única bateria de exames indicada para todas as pessoas com soluço persistente. A investigação é orientada pelos sintomas e pelos achados do exame médico.
Quando o soluço é perigoso?
Na grande maioria das vezes, o soluço é apenas um incômodo passageiro e não oferece perigo.
A duração é um dos principais sinais de alerta. Por convenção, o soluço que permanece por mais de 48 horas é chamado de persistente, mas esse limite não deve ser interpretado como uma regra para só procurar atendimento depois de dois dias. Uma crise que dure horas e esteja causando grande desconforto, impedindo a pessoa de dormir, comer, beber ou respirar normalmente também merece avaliação.
A avaliação médica deve ser antecipada se o soluço vier acompanhado de sintomas como:
- Falta de ar.
- Dor no peito.
- Febre persistente.
- Vômitos repetidos.
- Fraqueza ou dormência em um lado do corpo.
- Alteração da fala.
- Dificuldade para caminhar ou perda de equilíbrio.
- Confusão mental.
- Dor de cabeça intensa ou diferente do habitual.
Mesmo quando não existe uma doença grave por trás do quadro, soluços muito prolongados podem prejudicar o sono, dificultar a alimentação e a ingestão de líquidos e provocar cansaço, perda de peso e desidratação.
Soluço pode matar?
Não. O soluço comum não mata. As crises comuns são benignas e desaparecem espontaneamente em poucos minutos. Não matam e não deixam sequelas.
O problema surge quando o soluço persiste por muitos dias, semanas ou meses. Nesses casos, ele pode causar privação de sono, dificuldade para comer e beber, perda de peso, desidratação, exaustão e piora importante da qualidade de vida.
Além disso, um soluço muito prolongado pode ser sinal de alguma doença neurológica, metabólica, gastrointestinal ou torácica. Por isso, quando dura mais de 48 horas, a preocupação principal não é que o soluço seja fatal, mas identificar por que ele não está desaparecendo e tratar a causa.
Como parar o soluço?
Os soluços comuns desaparecem sozinhos em poucos minutos e não precisam de tratamento específico.
Todavia, ninguém gosta de ficar soluçando, e existem algumas manobras simples que podem tentar interromper a crise.
Muitas dessas técnicas procuram modificar temporariamente o ritmo da respiração, aumentar a concentração de gás carbônico no sangue ou estimular nervos envolvidos no reflexo do soluço. Exemplos:
- Quando tomamos um susto, ocorre uma ativação súbita do sistema nervoso autônomo e uma mudança brusca na atividade dos centros nervosos envolvidos na respiração. Essa alteração pode interromper temporariamente o circuito responsável pelo soluço.
- Quando prendemos a respiração, o nível de gás carbônico (CO₂) no sangue aumenta. Como o CO₂ é um importante regulador da respiração, essa mudança pode modificar a atividade dos centros respiratórios e do arco reflexo do soluço, fazendo com que a crise cesse.
- Quando bebemos água gelada, a passagem da água pela boca, garganta e esôfago produz estímulos sensitivos intensos, inclusive por meio do nervo vago. Essa mudança súbita nos sinais que chegam ao sistema nervoso pode interferir no arco reflexo do soluço e interromper a crise.
Existe uma explicação fisiológica plausível para várias dessas manobras que ajudam a abortar uma crise de soluço; no entanto, faltam estudos de boa qualidade que permitam afirmar qual funciona melhor.
Por isso, uma técnica pode funcionar rapidamente em uma pessoa e não fazer nenhum efeito em outra.
Exemplos de algumas técnicas que podem ajudar a parar o soluço
Você pode tentar:
- Levar um susto.
- Receber cócegas.
- Prender a respiração por alguns segundos.
- Gargarejar com água gelada.
- Beber pequenos goles de água gelada.
- Chupar um pequeno pedaço de gelo.
- Fazer uma manobra de Valsalva, isto é, fechar a boca, tampar o nariz e tentar expirar suavemente contra a resistência por cerca de 5 a 10 segundos.
- Chupar ou morder um pedaço de limão.
- Mastigar um pequeno pedaço de gengibre.
- Tracionar suavemente a língua, puxando-a para a frente por alguns segundos.
- Tossir voluntariamente algumas vezes.
- Engolir uma pequena quantidade de açúcar granulado.
- Dobrar os joelhos e abraçar as pernas, aproximando-as do peito.
- Inclinar o tronco para a frente por alguns instantes.
- Beber água lentamente pelo lado oposto do copo, inclinando o tronco para a frente.
- Experimentar uma pequena quantidade de vinagre.
- Pressionar suavemente os tragos — as pequenas saliências na entrada dos ouvidos — por alguns segundos.
Existem muitos outros métodos populares para tentar interromper o soluço. Alguns envolvem apertar determinados pontos dos dedos, das mãos ou de outras partes do corpo, mas não existe um ponto específico cuja pressão tenha eficácia demonstrada para fazer o soluço parar.
Outras manobras tentam estimular intensamente o nervo vago ou alterar a respiração. Embora algumas tenham uma explicação fisiológica plausível, não vale a pena recorrer a técnicas potencialmente perigosas apenas para tratar uma crise que, na maioria das vezes, desaparece espontaneamente. Por isso, não recomendamos provocar engasgos, introduzir objetos na garganta, pressionar os olhos ou respirar repetidamente dentro de um saco de papel.
Como tratar soluços persistentes ou intratáveis
Quando existe uma causa identificável para o soluço persistente, o tratamento deve ser direcionado a ela. Se o problema for uma alteração dos níveis de sódio, por exemplo, é preciso corrigir essa alteração. Se um medicamento estiver provocando o quadro, o médico pode decidir substituí-lo ou suspendê-lo.
O refluxo gastroesofágico é uma causa frequente de soluço persistente. Quando há refluxo conhecido ou suspeito, o médico pode indicar um teste terapêutico com omeprazol, pantoprazol ou outro inibidor da bomba de prótons. Em alguns casos de soluço persistente, esse tratamento pode ser considerado mesmo na ausência de azia ou regurgitação típicas, pois o refluxo nem sempre produz os sintomas clássicos.
Isso não significa que o omeprazol seja um “remédio para soluço” em qualquer situação. Se a pessoa não tiver refluxo ou outro problema relacionado à acidez gástrica, não há motivo para esperar que o medicamento interrompa o soluço.
Quando a causa não é identificada, não pode ser corrigida ou o soluço persiste a ponto de causar desconforto importante, alguns medicamentos podem ser usados para tentar interromper o reflexo do soluço.
Para soluços persistentes ou intratáveis, baclofeno e gabapentina costumam ser as opções preferidas como tratamento inicial, especialmente quando é necessário manter a medicação por mais tempo. A metoclopramida também pode ser utilizada, sobretudo quando há suspeita de uma causa gastrointestinal.
A clorpromazina pode ser bastante eficaz, mas atualmente tende a ser reservada para quadros mais intensos, incapacitantes ou que não responderam às opções anteriores, devido ao maior risco de efeitos adversos, como sonolência, queda da pressão arterial e alterações neurológicas.
Outros medicamentos, como haloperidol, pregabalina e alguns anticonvulsivantes, já foram utilizados em casos selecionados, mas há menos experiência e menos dados sobre sua eficácia.
De modo geral, a evidência científica para o tratamento medicamentoso do soluço ainda é limitada. O baclofeno e a metoclopramida contam com pequenos estudos clínicos, enquanto a gabapentina e a clorpromazina são sustentadas principalmente por estudos observacionais e séries de casos. Por isso, não existe um medicamento considerado o melhor para todos os pacientes.
A escolha depende da provável causa do soluço, da intensidade dos sintomas, das doenças que o paciente apresenta e do perfil de efeitos adversos de cada fármaco. Baclofeno e gabapentina, por exemplo, precisam ser utilizados com maior cautela em pacientes com doença renal.
Esses medicamentos não devem ser usados por conta própria para tratar uma crise comum de soluço.
Acupuntura e hipnose também já foram utilizadas em casos persistentes. Alguns estudos sugerem benefício da acupuntura, principalmente em pacientes com câncer ou após AVC, mas a qualidade da evidência ainda é limitada e esses métodos não substituem a investigação e o tratamento da causa do soluço.
Nos casos extremamente raros em que o soluço intratável não responde ao tratamento da causa nem aos medicamentos, procedimentos sobre os nervos envolvidos no reflexo do soluço podem ser considerados. Já foram descritos bloqueio e estimulação do nervo frênico, mas são intervenções excepcionais, com pouca evidência disponível e riscos próprios, indicadas apenas em pacientes cuidadosamente selecionados.
Soluço em bebês e crianças
Os soluços são muito comuns nos recém-nascidos e nos primeiros meses de vida. Na verdade, eles já ocorrem durante a gestação.
Bebês prematuros tendem a soluçar com frequência ainda maior, e as crises tornam-se progressivamente menos comuns conforme o sistema nervoso amadurece.
Ainda não sabemos exatamente qual é a função dos soluços durante a vida fetal e neonatal. Estudos mostram que cada contração do diafragma durante o soluço produz sinais detectáveis no cérebro do recém-nascido. Uma das hipóteses é que esses estímulos participem da maturação dos circuitos cerebrais relacionados aos movimentos respiratórios, mas essa função ainda não está definitivamente comprovada.
Na imensa maioria das vezes, o soluço causa muito mais incômodo nos pais do que no próprio bebê. Um bebê saudável geralmente não sente dor, angústia ou sofrimento durante uma crise.
Em crianças maiores, as crises curtas costumam ter as mesmas características observadas nos adultos. Comer depressa, encher muito o estômago e ingerir bebidas gaseificadas, por exemplo, podem desencadear soluços.
Soluços isolados, mesmo que ocorram algumas vezes ao longo do dia, não são suficientes para diagnosticar refluxo gastroesofágico em um bebê.
Como parar ou reduzir o soluço do bebê?
Na maioria dos casos, não é necessário fazer nada. O soluço desaparece sozinho.
Quando a crise surge durante a mamada, pode ser útil interromper a alimentação por alguns instantes, mudar a posição do bebê e tentar fazê-lo arrotar. Depois que ele estiver mais tranquilo, a mamada pode ser retomada.
Se o bebê costuma soluçar durante as mamadas, algumas medidas podem diminuir a frequência das crises:
- Evite deixá-lo chegar à mamada com muita fome e agitação.
- Tente evitar que ele mame rápido demais.
- Verifique se a pega no peito está adequada.
- Se utilizar mamadeira, verifique se o fluxo do bico não está excessivamente rápido.
- Faça pequenas pausas durante a alimentação se o bebê estiver engolindo muito ar.
- Depois da mamada, mantenha-o na posição vertical por alguns minutos enquanto estiver acordado.
Essas medidas procuram principalmente reduzir a quantidade de ar engolido e a distensão do estômago.
Para dormir, porém, o bebê deve ser sempre colocado de barriga para cima, em superfície plana e firme, independentemente de ter soluço ou refluxo.
Não aplique em bebês as manobras utilizadas por adultos. Não dê sustos, não pressione os olhos ou a fontanela, não puxe a língua e não introduza objetos na boca ou na garganta.
Também não ofereça água, açúcar ou mel apenas para tentar interromper o soluço.
Procure orientação do pediatra se os soluços forem muito prolongados ou frequentes a ponto de prejudicar a alimentação ou o sono, ou se estiverem acompanhados de dificuldade para respirar, vômitos repetidos, febre, dificuldade para mamar, sonolência excessiva ou ganho inadequado de peso.
Conforme a criança cresce, as crises de soluço tendem a ficar menos frequentes. Se uma criança maior apresentar soluços persistentes ou recorrentes sem uma explicação clara, vale mencionar o problema ao pediatra.
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Dúvidas de leitores sobre este tema
Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.
Mais comentários dos leitores
Dr., tenho soluço várias vezes por dia, mas cada crise dura só alguns minutos e depois passa. Isso já é considerado soluço constante? Pode ser sinal de alguma doença?
Existe algum remédio de farmácia para cortar o soluço? Estou com uma crise forte e água gelada e prender a respiração não adiantaram.
Meu bebê tem 1 mês e soluça quase todo dia, principalmente depois de mamar. Isso é normal? Preciso fazer alguma coisa para o soluço parar?
Doutor, obrigado pelo texto. Achei muito didático.
Por que a gente soluça? O soluço tem alguma função no organismo ou é só um reflexo sem utilidade?
Estou aqui a sofrer de soluço,desde de ontem que não está passar,mas estou fase de tratamento,o que tenho que fazer pra isso passar??Quero da vossa ajuda, pois estou sofrendo bastante.Obrigado!
Dr Pedro Pinheiro eu bebi um medicamento e me deu uma crise de soluço. que eu Faço pra para a crise? já tentei água gelada, gargarejo, frutas como banana, que eu faço esta muito forte o soluço
É importante parar o soluço ou posso deixá-lo atuando o tempo normal dele e esperar passar sozinho?
Muito boa explanação sobre Soluço!
Desde já agradeço
Meu esposo sofreu um avc , depois de 50 dias do acidente, começou a soluçar sem parar, oque posso fazer?
Meu marido faz tratamento câncer e está soluçando quando come. É normal o que fazer?
Boa Noite Dr. Pedro. Meu marido está fazendo tratamento contra o câncer e ontem ele quando come alguma coisa ele come a soluçar. Quinze dias atrás ele fez uma cirurgia e fez cinco seções de radioterapia. Será que tem alguma coisa com a cirurgia? Meu nome é Lúcia . Obrigada
Por que quando bebo bebida alcoólica tenho muito soluço?
Muito pai com muito soluço pós quimioterapia
Qual especialista trata soluço crônico com um tratamento preciso.
Em Goiânia Go, onde posso encontrar?