Derrame pleural: o que é, causas, sintomas e tratamento

Atualizado:
30 set. 2026
Atualizado:
30 set. 2026

Resumo

Principais pontos sobre o derrame pleural

  • O derrame pleural é o acúmulo excessivo de líquido no espaço pleural, localizado entre as duas camadas da pleura: a pleura visceral, que recobre o pulmão, e a pleura parietal, que reveste internamente a parede do tórax.
  • Apesar de também ser chamado popularmente de “água no pulmão”, o líquido do derrame pleural fica ao redor do pulmão, e não dentro dele.
  • As causas mais comuns incluem insuficiência cardíaca, pneumonia, câncer, tuberculose, cirrose, doenças renais, embolia pulmonar e doenças autoimunes.
  • Os principais sintomas são falta de ar, dor no peito que piora ao respirar fundo e tosse seca. Derrames pequenos podem não provocar sintoma algum.
  • O diagnóstico costuma ser feito por radiografia, ultrassonografia ou tomografia do tórax. Em muitos casos, é necessário retirar uma amostra do líquido através da toracocentese para descobrir a causa.
  • O tratamento depende da doença que provocou o derrame. Alguns casos melhoram apenas com o tratamento da causa; outros precisam de drenagem do líquido, principalmente quando o derrame é volumoso, provoca falta de ar ou está infectado.
  • O derrame pleural pode ter cura. A gravidade e o prognóstico dependem principalmente da sua causa, do volume de líquido e da velocidade com que ele se acumula.

O que é derrame pleural?

O derrame pleural, popularmente conhecido como “água na pleura” ou “água no pulmão”, é o nome dado ao acúmulo anormal de líquido no espaço pleural, uma pequena cavidade situada entre as duas membranas que envolvem o pulmão.

Apesar do nome popular “água no pulmão”, no derrame pleural o líquido não está propriamente dentro do pulmão, mas ao redor dele. Isso é diferente do edema pulmonar, condição na qual há acúmulo de líquido no tecido pulmonar e nos alvéolos, ou seja, efetivamente dentro do pulmão.

Conforme o volume do derrame pleural aumenta, o líquido ocupa mais espaço dentro do tórax e pode comprimir o pulmão, dificultando sua expansão durante a respiração.

O derrame pleural não é uma doença em si, mas sim uma manifestação de várias doenças diferentes. Portanto, uma vez diagnosticada a presença de líquido na pleura, o passo seguinte é tentar descobrir por que ele se formou.

O que é a pleura?

Assim como a meninge é a membrana que envolve o cérebro e o pericárdio é a membrana que envolve o coração, a pleura é o nome dado à membrana que envolve os pulmões.

Nota: dizer “pleura do pulmão” é um pleonasmo, já que não existe outra pleura além daquela relacionada aos pulmões. O termo correto é simplesmente pleura.

A pleura é composta por duas camadas:

  • Pleura visceral: camada mais interna, que fica aderida à superfície do pulmão.
  • Pleura parietal: camada mais externa, que reveste internamente a parede do tórax, o diafragma e outras estruturas ao redor do pulmão.
Ilustração anatômica mostrando as pleuras visceral e parietal ao redor do pulmão.
Pleura visceral e pleura parietal. A pleura visceral está aderida à superfície do pulmão, enquanto a pleura parietal reveste internamente a parede do tórax. Entre ambas fica o espaço pleural.

Entre essas duas camadas existe um espaço muito pequeno, chamado cavidade pleural ou espaço pleural, que normalmente tem apenas cerca de 10 a 20 micrômetros de largura. Em condições normais, ele contém somente uma fina lâmina de líquido, aproximadamente 10 a 15 ml em cada lado do tórax. Este líquido recebe o óbvio nome de líquido pleural.

O líquido pleural funciona como um lubrificante, permitindo que as duas camadas da pleura deslizem uma sobre a outra sem atrito durante os movimentos respiratórios.

Ilustração anatômica mostrando pleura visceral, pleura parietal e o espaço pleural normal com pequena quantidade de líquido.
Anatomia normal da pleura. Entre a pleura visceral, que recobre o pulmão, e a pleura parietal, que reveste a parede torácica, existe um espaço muito fino contendo pequena quantidade de líquido lubrificante.

Os microvasos sanguíneos e linfáticos que irrigam a pleura são os responsáveis por trazer e retirar o líquido pleural, mantendo seu volume relativamente constante dentro da cavidade pleural.

Quando ocorre um desequilíbrio entre a formação e a retirada desse líquido, ele começa a se acumular. É assim que se forma o derrame pleural.

Tipos e causas de derrame pleural

Existem mais de 50 doenças capazes de provocar derrame pleural. Entre as causas mais comuns estão a insuficiência cardíaca, as infecções pulmonares e os cânceres.

Para ajudar na investigação da causa, os médicos costumam inicialmente dividir os derrames pleurais em dois grandes grupos: transudatos e exsudatos.

Essa classificação é feita pela análise química do líquido pleural e não simplesmente pela sua aparência.

Derrame pleural transudativo

O transudato se forma principalmente quando há alterações das pressões que controlam a entrada e a saída de líquido dos vasos sanguíneos, sem que exista necessariamente uma inflamação primária da pleura.

É o que acontece, por exemplo, quando a pressão dentro dos vasos está muito elevada ou quando a concentração de proteínas no sangue está muito reduzida.

As principais causas de derrame pleural transudativo são:

Os transudatos estão geralmente relacionados a doenças sistêmicas. Já os exsudatos costumam surgir quando existe inflamação, infecção, tumor ou alteração da drenagem linfática da própria pleura.

Derrame pleural exsudativo

O exsudato costuma apresentar maior concentração de proteínas e células porque há aumento da permeabilidade dos vasos, inflamação da pleura ou dificuldade na drenagem linfática.

Ao contrário do que às vezes se imagina, um exsudato não precisa ser turvo, espesso ou com claro aspecto de pus. Muitos são claros e visualmente semelhantes a um transudato. A diferenciação é feita por exames laboratoriais.

Entre as principais causas de derrame pleural exsudativo estão:

Quando uma pneumonia provoca inflamação da pleura e formação de líquido, chamamos o quadro de derrame parapneumônico. Se houver infecção do próprio espaço pleural e acúmulo de pus, o quadro recebe o nome de empiema pleural.

Existem ainda situações especiais nas quais o material acumulado no espaço pleural não corresponde a um derrame pleural convencional:

  • Hemotórax: acúmulo de sangue no espaço pleural, geralmente após trauma, cirurgia ou lesão de vasos sanguíneos.
  • Quilotórax: acúmulo de quilo, líquido rico em gorduras proveniente do sistema linfático, geralmente por lesão ou obstrução do ducto torácico. Tumores e cirurgias do tórax estão entre as possíveis causas.
  • Urinotórax: presença de urina no espaço pleural, uma situação rara relacionada principalmente a obstruções ou procedimentos do trato urinário.

O que significa derrame pleural bilateral?

Quando há líquido nos dois lados do tórax, dizemos que o derrame pleural é bilateral.

A bilateralidade por si só não determina a gravidade nem permite saber a causa, mas é mais comum nas doenças que provocam retenção generalizada de líquidos, particularmente na insuficiência cardíaca. Derrames causados por insuficiência ventricular esquerda são frequentemente bilaterais.

Por outro lado, infecções, tumores e outras doenças também podem provocar derrames bilaterais. Portanto, esse achado deve sempre ser interpretado em conjunto com os sintomas, os exames de imagem e o restante da investigação.

Quais são os sintomas do derrame pleural?

Derrames pleurais pequenos podem não provocar sintoma algum e só costumam ser descobertos por acaso durante uma radiografia, ultrassonografia ou tomografia realizada por outro motivo.

Quando surgem sintomas, os mais comuns são:

Em geral, quanto maior for o derrame e quanto mais rapidamente ele se formar, maior será a probabilidade de provocar sintomas. Essa relação, porém, não é absoluta: pacientes com derrames relativamente pequenos podem ter muita falta de ar se também apresentarem doença pulmonar ou cardíaca importante.

Ilustração do tórax mostrando derrame pleural com acúmulo de líquido entre as pleuras parietal e visceral e compressão do pulmão.
Derrame pleural. O líquido se acumula no espaço entre a pleura parietal e a pleura visceral, ocupando espaço no tórax e comprimindo parcialmente o pulmão.

Quando o volume de líquido aumenta, ele reduz o espaço disponível para o pulmão se expandir, altera a mecânica respiratória e o funcionamento do diafragma. Essas alterações ajudam a explicar por que a falta de ar, chamada em medicina de dispneia, é o sintoma mais comum dos derrames pleurais maiores.

Quando o derrame se instala rapidamente, a falta de ar tende a ser mais facilmente perceptível. Por outro lado, nos casos em que o líquido se acumula de forma lenta — principalmente quando o paciente já apresenta outra doença que também provoca falta de ar, como a insuficiência cardíaca — o sintoma pode inicialmente ser discreto.

Alguns derrames pleurais podem acumular vários litros de líquido, volume suficiente para comprimir grande parte ou até praticamente todo o pulmão afetado.

Outro sintoma frequente é a dor torácica pleurítica, que ocorre quando a pleura está inflamada ou irritada. Trata-se geralmente de uma dor em pontada que piora quando o paciente inspira profundamente, tosse ou espirra.

A tosse nos casos de derrame pleural costuma ser seca e irritativa.

A dor, a tosse e a falta de ar são sintomas diretamente relacionados ao derrame. Outros sinais e sintomas que também podem surgir dependem da doença que provocou o acúmulo de líquido, como:

  • Febre, calafrios e catarro nos casos de pneumonia.
  • Perda de peso, cansaço ou tosse com sangue em alguns cânceres.
  • Ascite nos pacientes com cirrose.
  • Inchaço das pernas e falta de ar ao deitar na insuficiência cardíaca.
  • Febre prolongada, suores noturnos e perda de peso na tuberculose.

Derrame pleural é grave? Pode levar à morte?

O diagnóstico de derrame pleural, isoladamente, não permite dizer se o quadro é grave. Há desde pequenos derrames que desaparecem após o tratamento de uma pneumonia simples até derrames associados a infecções graves ou cânceres avançados.

A gravidade depende principalmente de quatro fatores:

  • A causa do derrame.
  • O volume de líquido acumulado.
  • A velocidade com que o líquido se forma.
  • O impacto que ele está causando sobre a respiração e o estado geral do paciente.

Um pequeno derrame causado por insuficiência cardíaca, por exemplo, pode regredir rapidamente quando a congestão é tratada. Em contraste, um empiema, um hemotórax importante ou um derrame provocado por câncer pode exigir procedimentos específicos e acompanhamento prolongado.

Derrame pleural pode levar à morte?

Pode, principalmente quando está associado a uma doença grave ou quando provoca complicações importantes. Porém, na maioria das situações, o risco não vem simplesmente da presença do líquido, mas da doença responsável pelo derrame.

Infecções pleurais graves, cânceres avançados, hemorragias no espaço pleural e doenças cardíacas, hepáticas ou renais descompensadas podem apresentar risco significativo.

Falta de ar intensa, queda da oxigenação, dor torácica importante, febre alta ou rápida piora do estado geral são sinais que justificam avaliação médica urgente.

Derrame pleural tem cura?

Em muitos casos, sim.

Quando a causa é tratável, como pneumonia, tuberculose ou insuficiência cardíaca descompensada, o derrame pode desaparecer completamente após o tratamento adequado.

Em outros pacientes, porém, o líquido pode persistir ou voltar depois de ser drenado. Isso acontece principalmente quando a doença causadora continua ativa, como pode ocorrer em alguns cânceres, doenças crônicas do coração ou do fígado.

Portanto, o prognóstico depende muito mais da causa do derrame pleural do que da presença do líquido propriamente dita.

Como é feito o diagnóstico do derrame pleural?

O diagnóstico do derrame pleural começa pela história clínica, pelo exame físico e pelos exames de imagem.

Em derrames maiores, o exame físico pode sugerir o diagnóstico. A auscultação pulmonar costuma mostrar redução ou ausência dos sons respiratórios na região onde o líquido está acumulado, e a percussão do tórax pode apresentar um som mais abafado.

Derrames pequenos podem passar despercebidos. Em geral, os achados do exame físico tornam-se mais evidentes quando há algumas centenas de mililitros de líquido; abaixo de aproximadamente 300 ml, a sensibilidade do exame físico é baixa.

Radiografia de tórax

A radiografia de tórax é frequentemente o primeiro exame a mostrar um derrame pleural.

O líquido provoca uma área esbranquiçada na base do pulmão e, à medida que aumenta de volume, tende a apagar o chamado seio costofrênico, o ângulo formado entre o diafragma e a parede torácica.

Radiografia de tórax mostrando grande derrame pleural à esquerda, ocupando aproximadamente metade do hemitórax.
Radiografia de tórax com derrame pleural à esquerda. O líquido ocupa grande parte da metade inferior do hemitórax esquerdo e apresenta o aspecto típico de opacificação com limite superior curvo.

Outro achado clássico é o sinal do menisco, no qual o limite superior do líquido apresenta uma curvatura característica na radiografia.

A quantidade necessária para que o líquido se torne visível depende da posição e da projeção da radiografia. Aproximadamente 75 ml já podem apagar o seio costofrênico posterior, enquanto cerca de 175 ml costumam ser necessários para apagar o seio costofrênico lateral na radiografia realizada com o paciente em pé.

Radiografias realizadas em decúbito lateral (com o paciente deitado de lado) conseguem detectar volumes menores de líquido pleural do que as radiografias convencionais feitas em pé, porque o líquido livre se redistribui pela gravidade e forma uma fina lâmina ao longo da parede torácica. A tomografia computadorizada também consegue identificar quantidades muito pequenas de líquido pleural.

Ultrassonografia e tomografia

A ultrassonografia do tórax é muito sensível para detectar pequenas quantidades de líquido. Além disso, consegue mostrar se o derrame é livre ou está dividido em pequenas bolsas por septações e aderências.

O ultrassom também é particularmente importante para determinar o melhor local para realizar a toracocentese.

A tomografia computadorizada fornece uma avaliação mais detalhada de todo o tórax. Além do líquido, ela pode identificar pneumonia, massas pulmonares, espessamento ou nódulos da pleura, linfonodos aumentados, abscessos, loculações e outras alterações que ajudam a descobrir a causa do derrame.

O que significa derrame pleural laminar?

O termo derrame pleural laminar costuma aparecer em laudos de radiografia ou tomografia e significa que existe uma pequena lâmina de líquido distribuída junto à pleura.

“Laminar” descreve principalmente a forma e, em geral, o pequeno volume do derrame. Não é uma doença específica e não informa, por si só, qual é a causa ou se o quadro é grave.

Um pequeno derrame laminar pode simplesmente ser acompanhado em algumas situações, mas a necessidade de investigação depende do contexto clínico.

Toracocentese: quando é necessária e como é feita?

Quando o derrame é novo e sua causa não está clara, frequentemente é necessário retirar uma amostra do líquido para análise. O procedimento utilizado chama-se toracocentese.

A toracocentese consiste na introdução de uma agulha ou pequeno cateter através da parede do tórax até o espaço pleural.

Atualmente, a toracocentese deve ser realizada com orientação por ultrassonografia, sempre que possível, para determinar o local mais seguro da punção e reduzir o risco de complicações.

Nem todo paciente com derrame pleural precisa obrigatoriamente fazer toracocentese.

A maioria dos derrames novos e sem causa evidente deve ser investigada com análise do líquido. Entretanto, a punção pode não ser necessária quando existe pouco líquido ou quando o diagnóstico é muito provável e o quadro é típico, como em alguns pacientes com insuficiência cardíaca apresentando derrames bilaterais e congestão pulmonar.

Quando o objetivo é somente diagnóstico, geralmente basta retirar uma pequena quantidade de líquido para os exames. Quando a toracocentese também tem finalidade terapêutica, um volume muito maior pode ser removido para aliviar a falta de ar.

Ilustração de uma toracocentese guiada por ultrassom para drenagem de derrame pleural, com cateter introduzido no espaço pleural.
Ilustração de toracocentese guiada por ultrassom. O cateter é introduzido através da parede do tórax até o espaço pleural para retirar o líquido acumulado, evitando o pulmão e as estruturas abaixo do diafragma.

Na drenagem terapêutica, o líquido é retirado lentamente. À medida que o derrame é drenado, o pulmão volta a se expandir e a pressão dentro da cavidade pleural diminui. Se essa queda de pressão for excessiva, podem surgir dor no peito, tosse intensa, falta de ar e, raramente, edema pulmonar de reexpansão.

Por esse motivo, quando a pressão pleural não está sendo monitorizada, costuma-se limitar a retirada a cerca de 1 a 1,5 litro por sessão. Esse valor não é um limite absoluto: o procedimento deve ser interrompido antes se surgirem sintomas e, em situações selecionadas, volumes maiores podem ser retirados com acompanhamento adequado.

As principais complicações da toracocentese são:

  • Dor e hematoma no local da punção.
  • Sangramento.
  • Infecção.
  • Pneumotórax.
  • Raramente, edema pulmonar de reexpansão após a drenagem de grandes derrames.

Análise do líquido pleural: transudato, exsudato e critérios de Light

O líquido retirado pela toracocentese fornece informações importantes sobre a possível causa do derrame.

Entre os exames habitualmente utilizados estão:

  • Contagem e diferenciação das células.
  • Proteínas.
  • Lactato desidrogenase (LDH).
  • Glicose.
  • pH.

Conforme a suspeita clínica, podem ser pedidos exames adicionais, como cultura para bactérias, citologia para procurar células malignas, adenosina deaminase (ADA) para investigação de tuberculose, triglicerídeos para quilotórax ou hematócrito quando há suspeita de hemotórax.

Critérios de Light: como saber se o derrame é transudato ou exsudato?

Uma das formas mais utilizadas para diferenciar transudatos de exsudatos são os critérios de Light, que comparam as concentrações de proteínas e LDH do líquido pleural com as do sangue.

O líquido é classificado como exsudato quando apresenta pelo menos um dos seguintes critérios:

  • Relação entre proteína do líquido pleural e proteína do sangue maior que 0,5.
  • Relação entre LDH do líquido pleural e LDH do sangue maior que 0,6.
  • LDH do líquido pleural maior que aproximadamente dois terços do limite superior da normalidade do LDH sérico.

Basta um dos três critérios estar presente para o líquido ser classificado como exsudato.

Os critérios são muito úteis, mas não são infalíveis.

Um exemplo importante ocorre nos pacientes com insuficiência cardíaca que já começaram a receber diuréticos. A retirada de água do organismo pode concentrar as proteínas do líquido pleural e fazer um derrame originalmente transudativo parecer um exsudato.

Nessa situação, o médico pode utilizar outras informações, como o gradiente de albumina entre sangue e líquido pleural ou o NT-proBNP, além do quadro clínico, para interpretar corretamente o resultado.

Derrame causado por pneumonia

Nem todo derrame associado à pneumonia precisa ser drenado. Pequenos derrames parapneumônicos não complicados podem desaparecer apenas com o tratamento adequado da pneumonia.

Quando há quantidade suficiente de líquido e suspeita de infecção pleural, realiza-se uma toracocentese para analisar o líquido. Se a amostra for francamente purulenta, o diagnóstico é de empiema e a drenagem do espaço pleural é necessária.

Se o líquido não tiver aspecto de pus, o pH e outros exames, como glicose, Gram e cultura, ajudam a identificar os derrames parapneumônicos complicados que também precisam ser drenados.

Em pacientes com suspeita de infecção pleural, um pH do líquido pleural igual ou inferior a 7,2 indica alto risco de derrame parapneumônico complicado e geralmente é indicação de drenagem, desde que exista quantidade de líquido suficiente para que o procedimento possa ser feito com segurança.

Valores entre 7,2 e 7,4 representam uma situação intermediária. Nesses casos, a decisão depende de outros achados, como LDH elevado no líquido pleural, glicose baixa, febre persistente, grande volume de líquido ou presença de septações nos exames de imagem.

E se houver suspeita de câncer?

Quando existe suspeita de câncer, o líquido pleural é enviado para citologia, exame que procura células malignas.

A presença de células tumorais confirma o diagnóstico de derrame pleural maligno. Entretanto, uma citologia negativa não exclui câncer, porque nem todos os tumores liberam células em quantidade suficiente para serem identificadas no líquido.

Isso é especialmente relevante no mesotelioma, no qual a citologia do líquido pode ter baixo rendimento.

Se a suspeita continuar elevada apesar da citologia negativa, pode ser necessário realizar uma biópsia da pleura, guiada por imagem ou através de toracoscopia.

E se os exames não descobrirem a causa?

Nem sempre a causa do derrame pleural é identificada na primeira avaliação.

Quando o diagnóstico continua incerto, o médico pode rever os exames já realizados, solicitar testes adicionais no líquido pleural, repetir a toracocentese em situações selecionadas ou pedir novos exames de imagem.

Se ainda houver suspeita de uma doença importante da pleura, principalmente câncer ou tuberculose, pode ser necessária uma biópsia pleural.

Uma das formas de obter essa biópsia é através da toracoscopia, procedimento no qual uma pequena câmera é introduzida na cavidade pleural. Além de permitir a visualização direta da pleura, a toracoscopia possibilita retirar fragmentos das áreas suspeitas para análise.

Como é feito o tratamento do derrame pleural?

Não existe um único tratamento para todos os derrames pleurais. A conduta depende da causa, do tamanho do derrame, dos sintomas e das características do líquido.

O tratamento pode envolver duas estratégias que frequentemente são utilizadas ao mesmo tempo:

  1. Tratar a doença que provocou o derrame.
  2. Retirar o líquido quando a drenagem é necessária.

Tratamento da causa

Alguns exemplos:

  • Na insuficiência cardíaca, o tratamento da congestão com diuréticos e outras medicações cardíacas costuma fazer o líquido diminuir.
  • Na pneumonia bacteriana, são utilizados antibióticos.
  • Na tuberculose pleural, é necessário tratamento específico contra a tuberculose.
  • Na cirrose com hidrotórax hepático, o tratamento inclui medidas para controlar a retenção de líquidos e a própria doença hepática.
  • Em pacientes com doença renal crônica e sobrecarga de volume, pode ser necessário ajustar os diuréticos ou iniciar a diálise.
  • Nos derrames relacionados a doenças autoimunes, o tratamento é direcionado à inflamação responsável pelo quadro.
  • Nos derrames malignos, o tratamento pode envolver tanto o câncer quanto procedimentos específicos para controlar o acúmulo de líquido.

Portanto, simplesmente tomar um antibiótico ou um diurético porque foi identificado “líquido na pleura” não é correto. O medicamento adequado depende da causa do derrame.

Quando é necessário drenar o derrame pleural?

A drenagem não é necessária em todos os casos.

Um pequeno derrame assintomático com causa conhecida pode apenas ser acompanhado enquanto a doença de base é tratada.

Em contrapartida, a retirada do líquido costuma ser considerada quando o derrame:

  • Provoca falta de ar significativa.
  • É volumoso e provoca falta de ar ou comprometimento importante da mecânica respiratória.
  • Está infectado ou há forte suspeita de infecção pleural.
  • É um empiema.
  • Contém sangue, como ocorre no hemotórax.
  • É um derrame complicado ou loculado que precisa ser drenado, como pode ocorrer nas infecções do espaço pleural.
  • Precisa ser analisado para esclarecer o diagnóstico.

Nos derrames sintomáticos, a toracocentese pode produzir melhora importante da falta de ar. Dependendo da causa e das características do líquido, pode ser necessário colocar um dreno torácico ou um cateter pleural em vez de realizar apenas uma punção.

Portanto, não é correto considerar a drenagem sempre como um procedimento meramente paliativo. Em situações como empiema, derrame parapneumônico complicado ou hemotórax, ela pode ser uma parte fundamental do tratamento.

Derrame pleural pode voltar depois da drenagem?

Sim. A toracocentese retira o líquido que está presente naquele momento, mas não necessariamente elimina o mecanismo que levou à sua formação.

Se a doença causadora ainda estiver ativa, o derrame pode reaparecer em dias, semanas ou meses.

Nos pacientes com derrames recorrentes e sintomáticos, podem ser necessárias novas drenagens. Quando o líquido volta repetidamente, porém, realizar toracocenteses sucessivas nem sempre é a melhor estratégia, e outras opções podem ser consideradas.

Cateter pleural e pleurodese

Nos derrames que se repetem, principalmente nos derrames malignos, existem procedimentos destinados a evitar múltiplas toracocenteses.

Uma opção é o cateter pleural de longa permanência, um pequeno tubo que permanece no espaço pleural e permite retirar o líquido periodicamente sem necessidade de novas punções.

Outra alternativa é a pleurodese, procedimento no qual se provoca uma inflamação controlada das superfícies da pleura para que as duas camadas se unam, eliminando o espaço no qual o líquido poderia voltar a se acumular.

Em pacientes com derrame pleural maligno e pulmão capaz de se expandir adequadamente, tanto o cateter pleural quanto a pleurodese podem ser utilizados como estratégias para controlar derrames recorrentes, dependendo das características do caso e da preferência do paciente.

Se o pulmão não consegue se expandir após a retirada do líquido — situação chamada pulmão não expansível — a pleurodese tende a funcionar mal porque as duas superfícies da pleura não conseguem permanecer em contato. Nesses pacientes, o cateter pleural costuma ser uma opção particularmente útil.

Dúvidas frequentes sobre derrame pleural

Quanto tempo demora para o derrame pleural desaparecer?

Não existe um prazo único. O tempo necessário para o líquido desaparecer depende principalmente da causa do derrame e da resposta ao tratamento.

Alguns derrames diminuem em poucos dias após o controle da doença causadora, enquanto outros podem levar semanas ou meses para desaparecer completamente.

Nos derrames recorrentes, o líquido pode voltar a se acumular mesmo após uma drenagem.

Existe remédio para “secar” o derrame pleural?

Não existe um medicamento específico que sirva para todos os derrames pleurais.

Diuréticos podem fazer o líquido diminuir quando a causa é insuficiência cardíaca ou outro quadro de sobrecarga de volume, mas não resolvem, por exemplo, um empiema, um derrame por tuberculose ou um derrame provocado por câncer.

O tratamento precisa ser direcionado à causa.

Fisioterapia ajuda a tratar o derrame pleural?

A fisioterapia respiratória não retira o líquido acumulado na pleura e não substitui o tratamento da causa nem a drenagem quando ela é necessária.

Em determinadas situações, porém, a fisioterapia pode fazer parte da recuperação do paciente, ajudando na mobilidade, na capacidade respiratória e no condicionamento após uma doença pulmonar, cirurgia ou período prolongado de internação.

Qual é a melhor posição para dormir com derrame pleural?

Não existe uma posição de dormir capaz de fazer o líquido desaparecer.
Pacientes com falta de ar frequentemente sentem-se mais confortáveis com o tronco elevado, utilizando travesseiros ou a cabeceira da cama.

A posição lateral mais confortável pode variar conforme o tamanho do derrame, a presença de dor e a doença de base.

Se o paciente não consegue deitar por falta de ar ou precisa permanecer sentado para respirar, deve procurar avaliação médica, pois esse sintoma pode indicar um quadro mais importante.

Derrame pleural é contagioso?

Não. O derrame pleural em si não é contagioso.
Algumas doenças que podem provocá-lo, porém, são transmissíveis.

Na tuberculose pleural, por exemplo, o risco de transmissão depende principalmente da existência simultânea de tuberculose pulmonar ou das vias respiratórias; por isso, o paciente precisa ser avaliado quanto à presença de doença pulmonar associada.

Outras infecções respiratórias provocadas por determinados vírus ou bactérias também podem ser transmissíveis, mas o líquido acumulado na pleura não é transmitido de uma pessoa para outra.

Qual é o CID do derrame pleural?

Na CID-10, o código J90 corresponde ao derrame pleural não classificado em outra parte.

Quando a causa do derrame já é conhecida, porém, outros códigos podem ser utilizados para identificar a doença responsável ou tipos específicos de comprometimento pleural.


book Referências bibliográficas
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  • Lee YCG. Diagnostic evaluation of the hemodynamically stable adult with a pleural effusion. UpToDate.
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  • Feller-Kopman D, Light R. Pleural Disease. New England Journal of Medicine. 2018;378:740-751.


Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Cacilda António Dengo Massangaie

    Quais são os fármacos recomendados para o tratamento de derrame pleural?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Depende inteiramente da causa. Não existe um medicamento específico para “secar” qualquer derrame pleural.
    Diuréticos são úteis principalmente quando o líquido está relacionado à insuficiência cardíaca ou a outros quadros de sobrecarga de volume. Antibióticos são usados quando há infecção bacteriana. Tuberculose, doenças autoimunes, câncer e outras causas exigem tratamentos próprios.
    Em alguns casos, medicamentos não são suficientes e o líquido precisa ser drenado.

  2. Alfredo Sabino

    Esses líquidos depois de serem extraídos, podem durar quanto tempo para se formar de novo?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Depende da causa. O líquido pode voltar em poucos dias, levar semanas ou meses, ou nunca mais se formar.
    A drenagem retira o líquido que está presente naquele momento, mas não elimina necessariamente a doença que o está produzindo. Por isso, quando a causa continua ativa, o derrame pode reaparecer.

  3. Martins

    O derrame pleural tem cura?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Sim, mas depende da causa.

    Em muitos casos, o derrame pleural desaparece completamente quando a doença que o causou é tratada. Isso pode acontecer, por exemplo, após o tratamento de uma pneumonia, tuberculose ou insuficiência cardíaca descompensada.

    Em outras situações, principalmente quando a doença de base permanece ativa, o líquido pode voltar mesmo depois de ser drenado. Por isso, o prognóstico depende muito mais da causa do derrame do que da presença do líquido em si.

  4. Andréia Agne

    Minha mãe teve derrame pleural e o médico disse que a causa era insuficiência cardíaca, e receitou um diurético. Esta correta esta prescrição apenas?
    Obrigada

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Sim, pode estar correto. Quando o derrame pleural tem características típicas de insuficiência cardíaca, o tratamento da própria insuficiência cardíaca — frequentemente incluindo diuréticos — pode ser suficiente para que o líquido diminua.

  5. Maria Lopes

    O meu pai acusou derrame pleural. Já fez duas toracenteses (onde retiraram 1600 ml de liquido de cada vez) mas ambas com resultado negativo. Agora está agendada uma toracoscopia para obter um diagnóstico mais preciso, pois o liquido continua a aparecer. Tenho receio da realização deste exame!!!

    Teve de parar o medicamento eliquis (apixabano) para fazer o exame. Não há medicação para travar o aparecimento do líquido? Gostaria da opinião do Dr. PEDRO.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Não existe um medicamento que impeça genericamente a formação do líquido pleural. Não existe algo como “remédio para derrame pleural” que você tome e melhore todos os tipos. O tratamento depende da causa. O derrame pleural é mais um sintoma do que uma doença propriamente.

    Quando o derrame volta após duas toracocenteses e a análise do líquido não esclarece o diagnóstico, a toracoscopia com biópsia da pleura pode ser justamente o próximo passo para procurar causas que não aparecem apenas na análise do líquido, como alguns tumores, tuberculose e outras doenças pleurais.

    Depois que a causa é identificada, fica mais fácil definir se o tratamento será feito com medicamentos, drenagem, pleurodese, cateter pleural ou outra abordagem.

  6. claudia

    Foi bem esclarecidas as minhas dúvidas; só fiquei em dúvida em relação ao contato se e ou não contagioso a tuberculose de pleura. Agradeço demais.
     

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    A tuberculose pleural, isoladamente, geralmente apresenta baixo risco de transmissão porque a bactéria está no espaço pleural, e não sendo eliminada pelas vias respiratórias.

    No entanto, quem tem tuberculose pleural precisa ser investigado para saber se também existe tuberculose pulmonar ou das vias respiratórias. Quando há comprometimento pulmonar ou laríngeo com eliminação da bactéria, pode haver transmissão pelo ar. Mas aí a transmissão é da tuberculose, não do derrame pleural.

  7. Edilson Fernando Reque

    Tive uma pneumonia bacteriana, a infecção foi eliminada, mas tive que colocar dreno. Estou com ele desde 26 de setembro, atualmente está em média de 100 ml de líquido.Para qual volume tem que diminuir, para que eu possa tirar o dreno?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Em geral, a retirada do dreno é considerada quando a quantidade de líquido diminui bastante, frequentemente para algo em torno de 50 a 100 ml em 24 horas. Porém, o volume não é o único critério: o líquido deve estar deixando de ser purulento, a infecção precisa estar melhorando e os exames de imagem devem mostrar que a coleção foi adequadamente drenada e o pulmão está expandido. Por isso, o momento exato da retirada é decidido pela equipe que acompanha o paciente.

  8. José Aldo da Silva Xavier

    Qual o risco deste líquido passar para o pulmão que não foi afetado?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    O líquido de um derrame pleural não costuma “passar” de um lado do tórax para o outro. As duas cavidades pleurais são separadas.
    O que pode acontecer é a própria doença que causou o primeiro derrame também provocar acúmulo de líquido do outro lado. Isso é relativamente comum, por exemplo, na insuficiência cardíaca. Nesse caso, não foi o líquido que atravessou de um pulmão para o outro; formaram-se derrames nos dois lados.
    Em suma, o risco de um derrame pleural unilateral virar um derrame pleural bilateral depende da causa e da gravidade da doença que está provocando o derrame.

  9. Samara Suzana Marques da Silva

    Eu já fiz o exame de escarro deu negativo, fiz uma tomografia do tórax também deu negativo para derrame pleural e outras doenças, mas eu sinto muita dor no peito e nas costas.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Uma tomografia de tórax normal torna várias causas pulmonares importantes menos prováveis, mas não permite descobrir à distância a origem da dor. Dor no peito e nas costas também pode ter origem muscular, na coluna, nas costelas, no esôfago, no coração ou em outras estruturas.

    Se a dor persiste, o ideal é ser reavaliada pelo médico, principalmente se houver falta de ar, febre, desmaio, suor frio ou piora importante da dor.

  10. valdete correia

    Obrigada, Dr. Pedro Pinheiro,
    Suas informações são escritas de maneira tão clara que eu só tenho a agradecê-lo por tão importante contribuição a todos aqueles que buscam maiores esclarecimentos sobre o diagnóstico, no meu caso para ajudar um amigo que passa por esse momento tão difícil.
    Obrigada!

  11. Carla Ferreira

    Obrigada pelas explicações, muito claras. A análise do líquido e de fragmentos demora quanto tempo? Tem como haver resultado em menos de 7 dias?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Sim. Alguns exames do líquido pleural, como proteínas, LDH, glicose, pH e contagem de células, podem ficar prontos no mesmo dia.
    Já a citologia, a análise de uma biópsia e as culturas costumam demorar mais. O prazo varia conforme o laboratório e o tipo de exame; culturas para algumas bactérias podem levar alguns dias e exames para tuberculose podem demorar bem mais. Portanto, é perfeitamente possível ter parte dos resultados antes de 7 dias e outros somente depois.

  12. Alcirvaz

    Fui diagnosticado com água na pleura, posso me medicar com antibiótico?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Não. Antibióticos só são úteis quando o derrame está relacionado a uma infecção bacteriana, como algumas pneumonias e infecções do espaço pleural.
    Existem muitas outras causas de derrame pleural, como insuficiência cardíaca, câncer, cirrose, embolia pulmonar e doenças autoimunes, nas quais antibióticos não ajudam.
    Além disso, não se deve iniciar antibiótico por conta própria. Mesmo que a causa seja tratável com antibióticos, existem dezenas de opções; é preciso saber escolher qual seria o antibiótico mais adequado.

  13. Elisabete Marchiori

    Posso viajar dia 13 de Junho aos EEUU com derramamento pleural?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Não é possível dizer apenas pela presença de um derrame pleural se uma viagem de avião é segura. Isso depende da causa, do tamanho do derrame, da presença de falta de ar, da oxigenação e de procedimentos recentes, como toracocentese ou colocação de dreno.
    Como se trata de um voo longo, o ideal é confirmar com o médico que conhece o caso e os exames antes da viagem.

  14. JANIO MENDES

    Muito esclarecedor e com linguagem própria. Minha irmã retirou a mama, fez reconstrução e depois de algumas quimioterapias, começou a juntar liquido pleural no implante, ficando com o lado direito deformado pelo excesso de líquido. Drenado continua a vazar pelos pontos da cirurgia.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    O líquido que se acumula ao redor da reconstrução mamária nem sempre é líquido pleural. Após mastectomia e reconstrução, pode ocorrer acúmulo de líquido no próprio local da cirurgia, chamado seroma, além de outras complicações, como infecção ou dificuldade de cicatrização.
    Se já foi confirmado que existe derrame pleural e o líquido continua saindo pelos pontos da cirurgia, isso merece uma avaliação cuidadosa, porque pode haver uma comunicação anormal entre os espaços ou outra complicação da cirurgia. A persistência do vazamento após a drenagem não deve ser simplesmente observada em casa.
    O ideal é que ela seja reavaliada pela equipe de mastologia/cirurgia plástica e pelo oncologista. Se houver febre, vermelhidão importante, dor crescente, secreção com mau cheiro, falta de ar ou piora do estado geral, a avaliação deve ser mais rápida.

  15. Marta

    Texto muito explicativo. Obrigada

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    De nada. Fico contente de saber que foi útil.

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