Derrame pleural, popularmente conhecido como água na pleura ou água no pulmão, é o nome dado ao acúmulo anormal de líquidos na pleura, membrana que envolve o pulmão.
O derrame pleural não é uma doença, mas sim, uma manifestação comum de várias doenças diferentes. Portanto, uma vez diagnosticada a presença de derrame, o próximo passo é investigar a sua causa.
Neste texto vamos abordar os seguintes pontos sobre o derrame pleural:
- O que é a pleura.
- O que é um derrame pleural.
- Causas de derrame pleural
- Sintomas do derrame pleural
- Dignóstico do derrame pleural
- Tratamento do derrame pleural
Assim como a meninge é a membrana que envolve o cérebro e o pericárdio é a membrana que envolve o coração, a pleura é o nome dado à membrana que envolve os pulmões.
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| Pleuras |
A pleura é composta por duas camadas, a pleura visceral que é a camada interior e fica colada ao pulmão, e a pleura parietal, camada mais externa que fica em contato com as estruturas anatômicas ao redor dos pulmões.
Entre as duas camadas de pleura existe um espaço mínimo, de 20 micrômetros (0,02 milímetro), chamado de cavidade pleural, ou espaço pleural. Dentro dele encontra-se uma pequeníssima lâmina de líquido, que faz papel de lubrificante, impedindo o atrito entre as duas camadas de pleura quando os pulmões se enchem e quando se esvaziam de ar. Este líquido recebe o óbvio nome de líquido pleural.
A pleura é altamente vascularizada e o seu líquido é constantemente renovado a uma taxa de 0,6ml/h. Os microvasos sanguíneos e linfáticos que irrigam a pleura são os responsáveis por trazer e levar o líquido pleural, mantendo sempre um volume constante dentro da cavidade. Quando há uma perturbação deste balanço, começa a haver retenção de líquidos no espaço pleural e o derrame se forma.
Tipos e causas de derrame pleural
O derrame pleural é dividido basicamente em dois tipos, sendo esta distinção importante para o estabelecimento da causa.
1) Transudato = O líquido pleural transudativo é claro e transparente, sem células, com baixa concentração de proteínas, indicando um acúmulo de um líquido semelhante ao líquido pleural normal.
O derrame pleural que se manifesta com líquido tipo transudato é normalmente causado por:
- Insuficiência cardíaca (leia: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA - CAUSAS E SINTOMAS)
- Cirrose (leia: CIRROSE HEPÁTICA - Causas e Sintomas)
- Síndrome nefrótica (leia: PROTEINÚRIA, URINA ESPUMOSA E SÍNDROME NEFRÓTICA)
- Insuficiência renal avançada (leia: INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA - SINTOMAS)
- Hipotireoidismo descompensado (leia: HIPOTIREOIDISMO (TIREOIDITE DE HASHIMOTO))
- Diálise peritonial
Em geral, qualquer doença que evolua com ascite pode também cursar com derrame pleural, pois há comunicação entre a cavidade abdominal e o tórax (leia: O QUE É ASCITE?).
2) Exsudato = O líquido pleural exsudativo é rico em proteínas e células inflamatórias, tem aparência mais viscosa e opaca, por vezes, com sinais de sangue misturado, podendo no casos de infecções se apresentar tipicamente como uma coleção de pus (leia: O QUE É INFLAMAÇÃO?).
O derrame pleural que se manifesta com um líquido tipo exsudato, normalmente ocorre por inflamação da pleura, podendo ser causado por vários grupos diferentes de doenças, incluindo infecções, doenças sistêmicas e cânceres. As doenças mais comuns que causam derrame pleural exsudativo são:
- Pneumonia (leia: SINTOMAS DA PNEUMONIA)
- Tuberculose (leia: SINTOMAS DE TUBERCULOSE)
- Cânceres com metástases para a pleura (leia: CÂNCER - SINTOMAS E DEFINIÇÕES)
- Mesotelioma(leia: MESOTELIOMA | ASBESTOSE | Doenças causadas pelo Asbesto)
- Linfoma (leia: O QUE É UM LINFOMA?)
- Embolia pulmonar (leia: EMBOLIA PULMONAR)
- Lúpus (leia: LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO)
- Artrite reumatoide (leia: ARTRITE REUMATOIDE)
- Outras doenças auto-imunes (leia: DOENÇA AUTOIMUNE)
- Pancreatite (leia: PANCREATITE CRÔNICA E PANCREATITE AGUDA)
- Complicações intra-abdominais, como peritonites ou abscesso.
- Síndrome de hiperestimulação ovariana (leia: CITRATO DE CLOMIFENO - Clomid®)
- Radioterapia
A distinção entre exsudato e transudato é feita através da dosagem de proteínas no líquido, explicada mais abaixo.
Quando ocorre o acúmulo de um líquido francamente purulento, damos o nome de empiema pleural. Existem ainda outros tipos de líquidos que podem se acumular na pleura, como:
- Sangue, chamado de hemotórax, que costuma ocorrer nos traumas penetrantes do pulmão.
- Urina, chamado de urinotórax, condição rara que pode ocorrer em obstruções das vias urinária.
- Triglicerídeos e lipídeos, chamado de quilotórax, normalmente causado por obstrução dos vasos linfáticos da pleura.
Quais os sintomas do derrame pleural?
Quanto maior for o derrame, e quanto mais rápido ele se forma, mais sintomas ele causará.
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| Derrame pleural |
Quando o derrame surge subitamente, a falta de ar é mais evidente. Quando ele se forma lentamente, e se associado a outras doenças que também causam falta de ar como insuficiência cardíaca, ele pode passar despercebido por algum tempo.
Alguns derrames pleurais podem ser tão volumosos quanto 4 litros, o que é suficiente para comprimir completamente o pulmão afetado.
Outro sintoma comum do derrame pleural é a dor torácica que costuma ocorrer quando a pleura está irritada. Esta é uma dor em pontada que se agrava toda vez que o paciente respira fundo. Este tipo de dor recebe o nome de dor pleurítica. Muitas vezes há também uma tosse seca irritativa.
A dor e a falta de ar são basicamente os dois sintomas próprios do derrame. Os outros sintomas que normalmente acompanham o quadro costumam ocorrer devido a doença de base, como febre e tosse na pneumonia, tosse com raias de sangue no câncer de pulmão, ascite na cirrose, pernas inchadas na insuficiência cardíaca, e assim por diante.
Como se faz o diagnóstico do derrame pleural?
Um exame físico bem feito, com uma boa auscultação dos pulmões, é capaz de sugerir a presença do derrame pleural sempre que houver mais de 300 ml de líquido acumulado. O excesso de líquido se entrepõe ao pulmão e as costas, e os ruídos pulmonares ficam inaudíveis.
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| Derrame pleural na radiografia |
O derrame pleural se mostra como uma grande mancha branca no local onde deveria estar sendo visto apenas o pulmão cheio de ar.
Para ser detectado pela radiografia simples, o derrame pleural deve ter pelo menos 75 ml de líquido. Quando há dúvidas, uma opção é fazer outra radiografia com o paciente deitado de lado, fazendo com que o líquido escorra ao longo das costelas. Esta técnica permite diagnosticar derrames menores que 50 ml.
Exames como a tomografia computadorizada e a ultrassonografia conseguem detectar coleções de líquidos mínimas, como meros 10 ml.
Uma vez diagnosticado o derrame pleural, a não ser que a sua causa seja óbvia, como em cirróticos com grande ascite, na síndrome nefrótica descompensada ou na insuficiência cardíaca grave, o seu líquido deve ser analisado visando a determinação da sua composição.
O único jeito de se abordar o líquido pleural é através de um procedimento chamado toracocentese, que consiste na inoculação de uma agulha entre as costelas do paciente até se chegar ao espaço pleural. Normalmente colhe-se entre 50 e 100 ml do derrame.
O líquido colhido pode ser analisado de forma a se determinar a presença de exsudato ou transudato, de células cancerígenas e de bactérias.
Além da toracocentese para o diagnóstico, nos casos de derrame pleural volumoso pode-se implantar um pequeno tubo para drenagem de volumes maiores de líquido a fim de desobstruir o pulmão afetado.
As principais complicações da toracocentese são hematomas no local da punção, contaminação do derrame pleural por bactérias da pele e pneumotórax (leia: O QUE É UM PNEUMOTÓRAX ?).
Se os exames acima não identificarem a causa do derrame pleural, ainda pode-se realizar um toracoscopia, com introdução de um endoscópio dentro da cavidade pleural para visualização da pleura e dos pulmões e eventual realização de uma biópsia.
Tratamento do derrame pleural
Como foi dito no início deste texto, o derrame pleural não é uma doença em si, mas um sinal de uma doença. Portanto, a simples drenagem do líquido é apenas um procedimento paliativo, já que, se a causa não for tratada, a maior hipótese é de que o derrame se forme novamente.
O derrame pleural será resolvido assim que a doença que o está causando for controlada. Infecções são controladas com antibióticos, insuficiência renal com hemodiálise, doenças auto-imunes com imunossupressores, etc.
Em alguns casos, quando a doença de base não tem tratamento, como nos cânceres metastáticos, uma opção para se evitar a formação repetida de derrames pleurais é a esclerose da cavidade pleural. Injeta-se uma substância irritante dentro da pleura causando uma grande cicatrização da mesma e aderência dos folhetos parietal e visceral, eliminado assim, o espaço pleural.







31 comentários:
gostaria de parabeniza-lo, pois é muito esclarecedor suas materias. tenho um filho que acabou de sair de uma internação com derrame pleural, ate então nao entendi muito o porque, mais lendo esta materia agora ,fica mais esclarecedor.obrigada
Esclaereceu muito minhas duvidas...
Ano passado eu tive uma pneumonia muito grave e fiquei mais de 1 mes internado...eu tive um derrame pleural severo e passei por intervenção cirurgica ficando muito debilitado...
Muito obrigado
ESCLARECI MINHAS DUVIDAS, OBRIGADO TIVE DENGUE E DPS TIVE DERRAME PLEURAL, FIZ TRATAMENTO E HOJE ESTOU BEM,,,,,,,,,,,,,
muito bom o site se os demais sites seguissem essa meta tornaria mais ricos os conhecimentos afins desajados ,emfim respondeu minhas expectativas!!
daiane
meu pai está com derrame pleural,gostaria de saber se quem é diabético desenvolve este problema.
@sonia
Não há uma relação direta, mas algumas doenças que o diabetes provoca podem levar ao derrame pleural.
Gostaria de saber se no local onde ocorreu o pneumotorax pode vir a ficar dolorido de vez em quando dependendo do clima ou por outro motivo? Isso ocorre comigo, verifico no médico e não e nada. Nem é dor muscular. gripe ou sinusite pode acarretar essa dor? Gostei muito desse site. Tirei algumas dúvidas aqui. Obrigado.
parabéns pelo site,bastante esclarecedor.Me ajudou muito.obrigada e continuem assim.
@Carlos
Poder, pode. Ms dor não costuma ser ocasional.
muito esclaressedor esse site.
por q a necessidade de uma cirurgia no caso de um derrame pleural? Rosangela
gostei bastante, uma linguagem bastante simples para nós pacientes que por muitas vezes temos alta e nem sabemos o que tivemos por causa de linguagem complicada de certos médicos.
Obg dr. Pedro Pinheiro
@Rosangela
Não é necessário.
Gostaria de Parabenizar a explicação,pois esclarecir minhas duvidas! Obrigado
Me ajudou muito também... Minha tia esta internada por causa disso e eu estav muito nervosa. Com sua explicação fiquei mais aliviada. Muito Obrigado!
fiquei muito agradecida pelos esclarecimentos ,obrigada.
Parabéns pela iniciativa de esclarecimento, pois isto leva alívio a quem precisa de informação. Que Jesus ilumine seus passos!
Sou acadêmico de fisioterapia e, sem poder pesquisar em livros, achei na internet como última opção de pesquisa o conteúdo sobre derrame pleural no teu site. Muito bom e esclarecedor. Parabéns por dividir teu conhecimento com a comunidade da internet.
Obrigada pelos esclarecimentos sobre derrame pleural,passei por este problema agora e ainda estou me recuperando, estava muito assustada pois até então não tinha entendido muito bem sobre este diagnostico,que Deus possa te recompensar...
Muito bom e esclarecedor.
Gostaria de uma complementação, se possível. O artigo informa que o derrame pleural é resolvido quando controlada a doença ocasionadora. Mas, uma vez controlada esta doença, ele (derrame) pode deixar alguma sequela? Obrigada.
@Maria
Geralmente não deixa sequelas.
NELCI 23/01/2012
Muito bom.Minha mãe esta com este problema.Esta tomando remédios.Mais ha alguma coisa a mais que podemos fazer para limpar seu pulmão,como execícios talvez,coisas simples?Ela está respirando mal com o nariz estupido.OBRIGADA
Evitar excesso de sal e seguir o tratamento médico.
Adorei a sua materia, estou fazendo estudo de caso por estar cursando Tecnico de Enfermagem e hoje a tumografia do paciente o qual estou acompanhando o caso deu como resultado derrame pleural bilateral. Com sua ajuda mim atualizei e posso explicar pra meus colegas o que e isso. Obrigada.
etou com meu irmao internado com derrame pleural o q li aqui me ajudou muito esclarecedor de mas obrigado...............
Obrigado Dr. Pedro Pinheiro, o Sr foi muito claro e esclarecedor. Estou com derrame pleural a mais de um ano e apesar de ser paciente isquemico cardíaco e ex paciente de Linfoma de hodgkin (alta à 15 anos), ninguém consegue descobrir a causa do meu derrame. Já fiz duas punções e nada. Agora farei uma pleoroscopia com biópsia. Apesar de ainda estar na luta, seu texto de certa forma me acalentou. Penso que é mais fácil lutar contra aquilo que conhecemos. Mais uma vez obrigado. Rogério - DF (biólogo e professor da secretaria).
Dr Pedro sou téc em radiologia e gostaria de saber qual a bibliografia que encontro sobre os tipos de derrame pleural que o senhor citou nessa postagem em especifico o tipo urinotorax pois nunca havia lido nada a respeito, gostaria de saber se é uma pesquisa sua ou existe uma literatura a respeito.
att Clayton Lima
Bom dia.....gostei do curriculum, mas o Dr. Pedro Pinheiro tem CRM?
Não mais, eu moro e trabalho em Portugal desde 2008. Tenho Número da Ordem dos Médicos de Portugal, que equivale ao CRM no Brasil.
dr. pedro tive pneumomia bilateral com derrame pleural no pulmão direito.
tiraram-me 400ml de liquido e foi para análise mas não tinha pus, pois o liuido tirado ainda era limpo.
ando a fazer fisioterpia respiratória há 3 semanas.
gostaria de saber qual o tempo para a cura e se fico com problemas no futuro.
fiquei hospitalizado 2 semanas fiz antibiótico intravascular, oxigénio despiste de menigite.
os sintomas aue ainda sinto é se andar algum tempo 2 horas começa a sentirr alguma dores.
agradeço a sua atenção
paulo alves
Dr., minha mãe tem sérios problemas de coração, já trocou o marca-passo e passou a ficar cada vez mais sério o seu derrame pleural, tem 65 anos, e agora há mais ou menos 45 dias passa por outra crise, só que dessa vez, o tratamento médico não está adiantando, cada dia está mais fraca. Será que não tem uma outra solução?
estou com derrame pleural, vou fazer punsão, estou com medo, ja tem 3 meses que estou doente e só agora descobriu que estou com derrame pleual, qual cuidados devo ter, logo que tenho tres crianças e uma tem asma?
flavia_c_s_castro@hotmail.com , me responde por favor.
obrigada!
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