Bronquiolite: o que é, causas, sintomas e tratamento


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Revisado e atualizado em abril 16, 2026
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O que é a bronquiolite?

A bronquiolite é uma infecção respiratória que provoca inflamação dos bronquíolos, pequenos canais que fazem parte das regiões mais profundas das vias aéreas dos pulmões. Essa condição afeta quase exclusivamente crianças com menos de dois anos de idade, especialmente bebês com menos de seis meses. A forma mais comum da doença é causada por vírus, sendo o vírus sincicial respiratório (VSR) o principal agente.

Para entender o que acontece na bronquiolite, é útil conhecer o trajeto que o ar percorre dentro do sistema respiratório. Ao inspirarmos, o ar entra pelo nariz ou boca e segue por uma sequência de estruturas: faringe → laringe → traqueia → brônquios → bronquíolos → alvéolos. Conforme esse trajeto avança em direção aos pulmões, os canais vão se tornando cada vez mais estreitos e ramificados (veja a ilustração mais abaixo para melhor entender).

Os bronquíolos são estruturas quase microscópicas, com menos de 1 milímetro de diâmetro. Eles representam o último segmento da chamada “árvore respiratória” antes dos alvéolos — pequenas bolsas de ar onde ocorrem as trocas gasosas, ou seja, a passagem do oxigênio para o sangue e a eliminação do gás carbônico. Mesmo sendo tão estreitos, os bronquíolos são fundamentais para a ventilação adequada dos pulmões.

Anatomia do pulmão
Anatomia do pulmão

Quando os bronquíolos são acometidos por um processo inflamatório, como ocorre na bronquiolite, suas paredes incham e há aumento na produção de muco. Como resultado, o espaço para passagem do ar se estreita ainda mais, dificultando a respiração. Esse estreitamento pode gerar ruídos respiratórios, como o chiado no peito (broncoespasmo), além de tosse persistente, acúmulo de secreções e cansaço para respirar.

A bronquiolite costuma ter um curso autolimitado, ou seja, tende a melhorar sozinha ao longo de alguns dias. No entanto, em alguns casos — especialmente em crianças pequenas, prematuras ou com outras condições de saúde — pode evoluir com maior gravidade, exigindo atenção médica e, por vezes, hospitalização.

Nota: A bronquiolite viral aguda, que é o foco deste artigo, não deve ser confundida com a bronquiolite obliterante ou com a BOOP (bronquiolite obliterante com pneumonia organizada). Estas são doenças pulmonares mais raras, crônicas e de origem não infecciosa, e não serão abordadas neste texto.

Causas e fatores de risco

A bronquiolite é quase sempre causada por uma infecção viral, sendo o vírus sincicial respiratório (VSR) o principal responsável. Trata-se de um vírus altamente contagioso, que circula com maior intensidade durante os meses mais frios do ano. Outros vírus também podem provocar bronquiolite, entre eles o Rinovírus, Influenza, Parainfluenza e Adenovírus.

A forma de transmissão é semelhante à de outras viroses respiratórias, como gripe e resfriados. O contágio ocorre por meio de gotículas eliminadas durante a fala, tosse ou espirro, além do contato direto com superfícies contaminadas. Crianças pequenas podem se infectar ao tocar objetos com secreções virais e, em seguida, levar as mãos aos olhos, boca ou nariz.

O VSR é extremamente comum: praticamente todas as crianças terão tido contato com ele até os três anos de idade. Em grande parte dos casos, a infecção provoca apenas sintomas leves, parecidos com um resfriado comum. No entanto, em crianças mais novas — especialmente bebês com menos de seis meses —, o vírus pode atingir as vias aéreas inferiores e causar bronquiolite, com sintomas respiratórios mais intensos.

Apesar de ser possível se infectar com o vírus sincicial respiratório mais de uma vez ao longo da vida, os episódios subsequentes costumam ser mais brandos, principalmente em crianças maiores e adultos.

Nota: crianças com mais de dois anos têm bem menos chance de apresentar um quadro típico de bronquiolite. Nessa faixa etária, o sistema imunológico já é mais maduro e as vias aéreas (brônquios e bronquíolos) têm calibre maior, o que torna a obstrução menos provável. Quando há chiado nessa idade, os médicos costumam descrever o quadro como sibilância recorrente ou asma, e não mais como bronquiolite.

Fatores de risco para bronquiolite grave

Embora qualquer bebê possa desenvolver bronquiolite, alguns apresentam maior risco de ter formas mais graves da doença. Entre os principais fatores de risco, destacam-se:

  • Prematuridade (nascidos antes de 37 semanas de gestação).
  • Baixo peso ao nascer.
  • Idade inferior a 3 meses.
  • Doenças pré-existentes, como cardiopatias congênitas, doenças pulmonares crônicas ou distúrbios neuromusculares.
  • Imunodeficiência (congênita ou adquirida).
  • Exposição ao fumo passivo.
  • Frequentar creches ou berçários, onde o contato com outros bebês doentes é maior.
  • Ter irmãos em idade escolar, que frequentemente trazem infecções respiratórias para casa.
  • Viver em ambientes com muitas pessoas, com pouca ventilação ou aglomeração.
  • Clima frio, que favorece a circulação do VSR e o aumento dos casos.

Atenção: bebês com esses fatores devem ser monitorados de perto durante infecções respiratórias, pois têm maior chance de evoluir com dificuldade respiratória e necessidade de hospitalização.

Sintomas da bronquiolite

O período de incubação do vírus sincicial respiratório (VSR) — principal causador da bronquiolite — varia de 2 a 8 dias. Os sintomas costumam começar de forma leve e inespecífica, muito semelhantes aos de um resfriado comum. Nesse estágio inicial, a criança pode apresentar:

  • Nariz escorrendo (coriza).
  • Espirros.
  • Tosse leve.
  • Febre baixa (geralmente abaixo de 38,5 °C).

Em grande parte dos casos, o VSR permanece restrito às vias aéreas superiores, causando apenas um quadro gripal leve. No entanto, em bebês mais novos, especialmente os com menos de 6 meses, o vírus pode atingir as regiões mais profundas dos pulmões — os bronquíolos — provocando a inflamação típica da bronquiolite.

Evolução dos sintomas na bronquiolite

Após alguns dias com sintomas leves de resfriado, a criança pode começar a apresentar sinais clássicos de bronquiolite, geralmente entre o 2º e o 5º dia de evolução da infecção. Os sintomas mais comuns incluem:

  • Tosse persistente, que pode durar mais de duas semanas.
  • Chiado no peito (broncoespasmo).
  • Recusa alimentar.
  • Dificuldade ou cansaço ao mamar.
  • Letargia e sonolência excessiva, com redução da atividade habitual.

Esses sinais indicam que a infecção atingiu os bronquíolos e que a passagem de ar está comprometida.

Sinais de gravidade

A maioria dos casos evolui bem e melhora espontaneamente. No entanto, alguns bebês desenvolvem formas mais graves da doença, especialmente se forem muito pequenos ou apresentarem fatores de risco. Os sinais de alerta para bronquiolite grave incluem:

  • Dificuldade respiratória, com respiração acelerada (mais de 60 movimentos por minuto).
  • Uso da musculatura acessória: a criança movimenta a barriga e as costelas para ajudar a respirar.
  • Cianose: coloração arroxeada nos lábios, ponta dos dedos ou planta dos pés.
  • Apneia: pausas prolongadas na respiração, em geral com 20 segundos ou mais, ou pausas mais curtas acompanhadas de coloração arroxeada (cianose) ou queda da oxigenação, especialmente em bebês com menos de 2 meses.
  • Rebaixamento do nível de consciência: bebê muito sonolento, pouco responsivo ou com dificuldade de despertar.

Atenção: Esses sinais exigem avaliação médica imediata. Crianças com dificuldade para respirar devem ser levadas a um pronto atendimento sem demora.

Quanto tempo dura a bronquiolite?

A bronquiolite é, na maioria dos casos, uma doença autolimitada. O pico dos sintomas costuma ocorrer entre o 5º e o 7º dia após o início do quadro. A melhora costuma ser gradual e completa em 1 a 2 semanas, embora a tosse e o chiado possam persistir por até 3 a 4 semanas em alguns casos.

Apesar da gravidade que o quadro pode aparentar, apenas cerca de 3% das crianças com bronquiolite precisam de hospitalização. A maioria consegue se recuperar bem em casa, com acompanhamento pediátrico e cuidados de suporte.

Como saber se a bronquiolite está melhorando?

A melhora da bronquiolite costuma ser gradual. Os primeiros sinais de recuperação incluem diminuição da tosse, redução do chiado no peito e melhora no padrão respiratório, com respiração menos acelerada e sem esforço. O bebê também passa a mamar ou se alimentar melhor, fica mais ativo e apresenta sono mais tranquilo.

Se, após 5 a 7 dias, o bebê estiver respirando com menos dificuldade, mamando com mais facilidade e parecer mais disposto, são sinais de que o quadro está evoluindo positivamente.

Nota: após um episódio de bronquiolite, especialmente quando é mais grave ou ocorre em bebês muito pequenos, é relativamente comum que a criança apresente novos quadros de chiado no peito nos meses ou anos seguintes. Estudos mostram que quem teve bronquiolite tem maior probabilidade de desenvolver sibilância recorrente e, em alguns casos, asma na infância. Isso não significa que toda criança que teve bronquiolite irá “virar asmática”, mas indica que esse grupo merece acompanhamento mais atento do pediatra, principalmente se os episódios de tosse e chiado se tornarem frequentes.

Como é feito o diagnóstico da bronquiolite?

O diagnóstico da bronquiolite é clínico, ou seja, feito com base na avaliação dos sintomas e no exame físico realizado pelo pediatra. Geralmente, não há necessidade de exames laboratoriais, de imagem ou testes específicos para confirmar a doença.

Durante a consulta, o médico avalia o histórico da criança — como idade, tempo de sintomas, presença de febre, tosse, dificuldade para mamar ou respirar — e observa sinais físicos, como:

  • Frequência respiratória.
  • Presença de chiado no peito.
  • Uso de musculatura acessória (barriga ou costelas ao respirar).
  • Nível de oxigenação (quando necessário).

Na maioria dos casos, essa avaliação é suficiente para confirmar o diagnóstico e orientar o tratamento.

Quando são indicados exames?

Embora não sejam rotineiros, alguns exames podem ser solicitados em situações específicas, como:

  • Casos graves ou com necessidade de internação hospitalar.
  • Bebês muito pequenos (menores de 3 meses), com risco de evolução mais rápida.
  • Crianças com doenças crônicas prévias (como cardiopatias ou imunodeficiência).
  • Dúvida diagnóstica com outras condições respiratórias, como pneumonia ou asma.

Nesses contextos, o pediatra pode solicitar:

  • Oximetria de pulso: exame simples e indolor que mede a oxigenação do sangue.
  • Radiografia de tórax: para excluir complicações, como pneumonia, ou outras causas de dificuldade respiratória.
  • Teste rápido para vírus respiratórios: em hospitais com disponibilidade, pode ser feito para identificar o VSR ou outros vírus, mas isso raramente muda a conduta.

Importante: Não é necessário fazer exames de sangue nem radiografias em todos os casos de bronquiolite. O uso excessivo desses exames não melhora o desfecho da doença e pode levar a tratamentos desnecessários.

Tratamento da bronquiolite

A bronquiolite, na maioria dos casos, é uma doença autolimitada, ou seja, melhora sozinha com o tempo. Não existe um tratamento específico capaz de eliminar o vírus causador da infecção. O objetivo do tratamento é aliviar os sintomas, garantir uma boa hidratação e monitorar possíveis sinais de agravamento.

Todo bebê com menos de 6 meses que apresente sinais de infecção respiratória — como tosse, febre, chiado ou dificuldade para mamar — deve ser avaliado por um pediatra.

Tratamento domiciliar (casos leves)

Na maioria das crianças, especialmente as maiores de 6 meses e sem fatores de risco, o tratamento pode ser feito em casa, com medidas simples de suporte:

  • Repouso em ambiente tranquilo e arejado.
  • Hidratação adequada, oferecendo mais líquidos ou aumentando a frequência das mamadas.
  • Antitérmicos (como paracetamol ou dipirona), em caso de febre.
  • Lavagem nasal com soro fisiológico várias vezes ao dia, especialmente antes das mamadas e do sono.
  • Nebulização com soro fisiológico pode ajudar a fluidificar as secreções e aliviar a congestão.

Em alguns casos, quando há broncoespasmo associado (chiado no peito), o pediatra pode indicar o uso de broncodilatadores por nebulização, como o salbutamol. No entanto, esses medicamentos não são recomendados de forma rotineira, pois a resposta costuma ser limitada na maioria dos casos. O uso deve ser individualizado, com base na avaliação médica.

O que não deve ser usado

Alguns medicamentos não trazem benefício no tratamento da bronquiolite e podem causar efeitos colaterais. São eles:

  • Antibióticos: a bronquiolite é causada por vírus, e antibióticos não agem contra infecções virais (antibióticos só são necessários quando há suspeita de infecção bacteriana associada, como, por exemplo, pneumonia ou otite média aguda).
  • Descongestionantes nasais: podem causar efeitos adversos, como irritabilidade, taquicardia e insônia.
  • Anti-histamínicos (antialérgicos): não são eficazes.
  • Xaropes para tosse: não são indicados em bebês e podem atrapalhar a eliminação natural do muco.

Nunca fume perto de crianças, especialmente durante um quadro de bronquiolite. A exposição à fumaça do cigarro agrava os sintomas, aumenta o risco de complicações e prolonga a recuperação.

Alimentação durante a doença

Bebês pequenos, especialmente os que ainda estão em aleitamento materno exclusivo, podem ficar mais cansados para mamar devido ao esforço respiratório. Nesses casos:

  • Ofereça o peito com mais frequência, mesmo que em mamadas menores.
  • Evite forçar a alimentação, respeitando o ritmo da criança.
  • Mantenha o bebê em posição mais verticalizada durante a amamentação para facilitar a respiração.

A hidratação é fundamental para fluidificar as secreções e evitar a desidratação.

Quando é necessário internar?

Na maioria das vezes, a bronquiolite pode ser tratada em casa, com acompanhamento do pediatra e medidas simples de suporte. No entanto, alguns bebês precisam ser internados no hospital para receber oxigênio, hidratação adequada e monitorização mais próxima. A decisão de internar leva em conta a idade da criança, a presença de doenças prévias e, principalmente, o grau de dificuldade para respirar e se alimentar.

De forma geral, a internação é considerada quando o bebê apresenta um ou mais dos seguintes sinais:

  • Respiração muito rápida para a idade ou grande esforço para respirar, com “afundamento” entre as costelas, abaixo das costelas ou batimento das asas do nariz.
  • Necessidade de oxigênio para manter uma boa saturação (queda da saturação de oxigênio no oxímetro).
  • Pausas na respiração (apneias) ou episódios em que o bebê parece “parar de respirar” por alguns segundos.
  • Coloração arroxeada nos lábios, ponta dos dedos ou planta dos pés (cianose).
  • Dificuldade importante para mamar ou se alimentar, com risco de desidratação (poucas mamadas, pouca urina, choro sem lágrimas, boca seca).
  • Rebaixamento do nível de consciência: bebê muito mole, sonolento, pouco responsivo ou com dificuldade de despertar.
  • Presença de doenças associadas, como cardiopatias congênitas, doença pulmonar crônica, imunodeficiências ou prematuridade extrema.
  • Idade muito baixa, principalmente menores de 3 meses, que têm maior risco de piora rápida.

Quando esses sinais estão presentes, o ambiente hospitalar oferece segurança extra, pois permite monitorizar de perto a respiração e a oxigenação, ajustar o fornecimento de oxigênio, garantir hidratação por via venosa ou por sonda e intervir rapidamente em caso de piora.

Sempre que houver dúvida, é mais seguro levar o bebê para avaliação em pronto atendimento; o pediatra irá decidir, com base no exame clínico e na situação familiar, se é possível manter o tratamento em casa ou se a internação é a opção mais adequada.

Prevenção da bronquiolite

A bronquiolite é uma infecção viral comum, especialmente nos meses mais frios do ano, e costuma afetar bebês e crianças pequenas. Embora nem sempre seja possível evitar o contato com os vírus respiratórios, algumas medidas simples podem reduzir o risco de infecção e proteger os grupos mais vulneráveis.

Cuidados diários que ajudam a prevenir a bronquiolite

  • Higienizar as mãos com frequência, especialmente antes de tocar no bebê ou em objetos que ele leva à boca (leia: Por que lavar as mãos é importante para a saúde?).
  • Evitar aglomerações e ambientes fechados, como shoppings e transportes públicos, principalmente durante surtos de infecções respiratórias.
  • Não permitir que pessoas resfriadas tenham contato próximo com o bebê, especialmente se ele tiver menos de 6 meses.
  • Manter os brinquedos e objetos do bebê sempre limpos.
  • Evitar o compartilhamento de mamadeiras, chupetas e utensílios.
  • Ventilar os ambientes da casa diariamente, mesmo em dias frios.
  • Manter a vacinação em dia, incluindo a vacina contra gripe (Influenza), que pode ajudar a reduzir infecções respiratórias graves.

Dica: Se o bebê estiver resfriado, realizar lavagens nasais frequentes com soro fisiológico pode prevenir o acúmulo de secreções e ajudar a evitar que a infecção desça para os pulmões. Se você não sabe realizar as lavagens, peça para o pediatra lhe ensinar.

Evite o fumo passivo

A exposição à fumaça do cigarro está fortemente associada a infecções respiratórias mais graves em crianças. Fumar dentro de casa, mesmo em outro cômodo ou com a janela aberta, aumenta o risco de bronquiolite e outras doenças pulmonares.

Imunoprofilaxia com anticorpos monoclonais

Para bebês com risco elevado de bronquiolite grave, especialmente os prematuros, crianças com cardiopatias congênitas ou doenças pulmonares crônicas, pode ser indicada uma imunização preventiva com anticorpos contra o vírus sincicial respiratório (VSR):

  • Palivizumabe (Synagis®): imunização mensal durante a sazonalidade do vírus (geralmente entre abril e agosto no Brasil). Disponível em centros especializados e, em alguns casos, pelo SUS, conforme critérios clínicos.
  • Nirsevimabe (Beyfortus®): nova geração de anticorpo monoclonal com dose única. O Nirsevimabe já foi incorporado ao SUS para bebês prematuros e crianças menores de 2 anos com comorbidades específicas, com implementação gradativa a partir de 2026, conforme protocolos do Ministério da Saúde.

Converse com o pediatra sobre a possibilidade de imunização com palivizumabe ou nirsevimabe, especialmente se o bebê nasceu prematuro ou tem doença cardíaca ou pulmonar.

Vacina para gestantes contra o VSR

Nos últimos anos, passou a existir no Brasil uma vacina específica contra o vírus sincicial respiratório (VSR) indicada para gestantes.

Ela é aplicada na mãe durante a gestação, geralmente no terceiro trimestre, com o objetivo de estimular a produção de anticorpos contra o vírus. Esses anticorpos atravessam a placenta e chegam ao bebê ainda dentro do útero, de modo que a criança já nasce com uma proteção passiva nos primeiros meses de vida, período em que o risco de bronquiolite grave é maior.

A vacina já está disponível tanto na rede privada quanto, progressivamente, no Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de 2025, conforme o calendário de cada região.


Referências



Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Vera Carmo

    O que acontece se eu mandar meu filho de 1 ano e meio com bronquiolite para a creche só com tosse e catarro?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Levar uma criança com bronquiolite para a creche aumenta o risco de transmissão do vírus para outros bebês e pode atrapalhar a recuperação do seu filho. Em ambientes fechados e com muitas crianças, o contato com novas infecções respiratórias é mais fácil, o que pode prolongar ou agravar o quadro. Além disso, o esforço de ficar fora de casa, com rotina agitada e menor possibilidade de repouso, pode piorar o cansaço e a dificuldade respiratória. O ideal é manter a criança em casa até que esteja sem febre, com respiração estável e mais bem disposta.

  2. Theresa

    Olá Doutor. Obrigada pelo seu trabalho.
    A bronquiolite repetida pode deixar sequela no pulmão ou aumentar o risco de asma no futuro?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Em geral, a bronquiolite viral aguda não causa dano permanente nos pulmões da maioria das crianças. Porém, alguns estudos mostram que bebês que tiveram bronquiolite grave, principalmente por vírus sincicial respiratório, podem apresentar mais episódios de chiado no peito e maior risco de desenvolver asma ou bronquite na infância. Isso não significa que toda criança com bronquiolite vai ter asma, mas é um fator de risco adicional. Por isso, é importante acompanhar com o pediatra, especialmente se o chiado se tornar frequente ou persistente ao longo dos anos.

  3. Andreia Pereira

    Olá, sou Andreia.
    Dr. Pedro, posso continuar amamentando meu bebê com bronquiolite ou o leite materno piora a falta de ar?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Olá, Andreia.
    A amamentação não piora a bronquiolite, pelo contrário: o leite materno ajuda a hidratar, fornece anticorpos e pode contribuir para que o bebê se recupere mais rápido da infecção respiratória. O que acontece é que o bebê com dificuldade para respirar pode cansar-se mais ao mamar, fazendo mamadas mais curtas e frequentes. Nessa fase, é importante oferecer o peito em posições que facilitem a respiração, como mais verticalizado, e respeitar o ritmo da criança. A amamentação só deve ser suspensa se o pediatra orientar, por algum motivo específico.

  4. Sandro Cardoso

    A bronquiolite pode passar para adultos e crianças maiores ou só pega em bebê?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    A bronquiolite em si é um quadro típico de bebês, mas o vírus que causa a bronquiolite, como o vírus sincicial respiratório, é altamente contagioso e pode infectar pessoas de qualquer idade. Em crianças maiores e adultos, a infecção costuma se manifestar apenas como um resfriado ou gripe leve, com coriza, tosse e mal-estar. Ou seja, o adulto pode “pegar” o vírus da bronquiolite e transmitir para outros, mesmo sem ficar gravemente doente. Por isso, irmãos mais velhos e familiares resfriados devem evitar contato próximo com o bebê, principalmente se ele for muito pequeno ou tiver fatores de risco.

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