Mioma uterino: o que é, sintomas e tratamento

Autor(a): Dr. Pedro Pinheiro

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Tempo estimado de leitura: 3 minutos.

O que é um mioma?

O mioma uterino, também chamado de leiomioma ou fibroma, é um tumor originado do tecido muscular do útero. O leimioma é um tumor benigno do útero, ou seja, uma lesão que não é câncer e nem apresenta risco de transformação maligna.

O útero é um órgão majoritariamente composto por músculos. O mioma é um crescimento anormal de uma área desta musculatura, formando geralmente uma tumoração com formato arrendondado, composta exatamente pelo mesmo tecido do útero, sendo apenas uma lesão mais densa.

Existem quatro tipos de mioma, classificados de acordo com sua localização no útero. Acompanhe as explicações com a ilustração abaixo:

1. Mioma submucoso: são tumores que crescem logo abaixo do miométrio, a camada que recobre a parede interior do útero. O mioma submucoso se estende para dentro da cavidade uterina, podendo, quando grande, ocupar boa parte da mesma.

2. Mioma subseroso: são tumores que crescem logo abaixo da serosa, a camada que recobre a parte externa no útero. Miomas subserosos dão ao útero uma aparência nodular

3. Mioma pediculado: são tumores subserosos que crescem e acabam se destacando do útero, ficando presos por um fino cordão, chamado de pedículo. O mioma pediculado pode crescer para dentro da cavidade uterina ou para fora do útero.

4. Mioma intramural: são tumores que crescem dentro da parede muscular do útero. Quando grandes, podem distorcer a parede externa como os miomas subserosos e/ou a parede interna como os miomas submucosos.

Tipos de mioma uterino
Tipos de mioma

Causas e fatores de risco

O leiomioma é uma doença de mulheres em idade reprodutiva e apresenta relação com os hormônios estrogênio e progesterona. Os tumores não surgem antes da puberdade e são incomuns em adolescentes.

Não se sabe bem o que causa os miomas, sendo estes provavelmente o resultado de alterações genéticas, hormonais, vasculares e influências do meio externo.

Se as causas ainda não foram elucidadas, alguns fatores de risco já são bem conhecidos:

  • História familiar: mulheres cujas mães ou irmãs tenham miomas, apresentam maior risco de também tê-los.
  • Raça negra: O mioma ocorre em todas as etnias, mas as mulheres afrodescendentes apresentam uma maior incidência. Além disso, neste grupo, os miomas costumam surgir mais cedo, ao redor dos 20 anos de idade.
  • Gravidez: mulheres que nunca engravidaram ou que tiverem sua primeira gravidez tarde apresentam maior risco de desenvolverem miomas.
  • Idade da menarca: quanto mais cedo for a idade da primeira menstruação, maior o risco de surgirem miomas.
  • Anticoncepcionais: a pilula costuma diminuir o risco de mioma e é, inclusive, uma das opções de tratamento: Todavia, quando meninas começam a tomá-la muito precocemente, antes dos 16 anos, parece haver um aumento no risco.
  • Bebidas alcoólicas: o consumo de bebidas, particularmente cerveja, aumenta o risco de miomas.
  • Hipertensão: mulheres hipertensas apresentam maior risco de terem miomas.

Sintomas

O leiomioma pode ser um tumor único ou vários tumores; pode ser minúsculo ou ter vários centímetros de diâmetro; pode causar sintomas ou ser completamente assintomático, passando despercebido por muito tempo.

Múltiplos miomas
Múltiplos miomas

A maioria dos leiomiomas são pequenos e assintomáticos. Quando o tumor causa sintomas, estes normalmente se enquadram em uma das três categorias:

  • Sangramento vaginal.
  • Dor pélvica.
  • Problemas reprodutivos.

Sangramento vaginal

O sangramento vaginal é o sintoma mais comum do(s) mioma(s), tipicamente se apresentando como uma menstruação mais volumosa e/ou que dura vários dias.

Os miomas submucosos são aqueles que mais frequentemente se apresentam com sangramentos.

Sangramentos vaginais que ocorrem fora dos períodos menstruais não costumam ser causados por miomas. Nestes casos, outro diagnóstico deve ser investigado.

Dor pélvica

Dor ou uma sensação de peso na pelve é um sintoma comum dos miomas subserosos. Dependendo da localização, podem haver outros sintomas, como dificuldade para urinar no caso de miomas que comprimam a bexiga, prisão de ventre nos miomas próximos do reto e dor durante a relação sexual nos miomas localizados nas regiões mais anteriores do útero.

O mioma é uma causa possível de dismenorreia secundária (leia: CÓLICA MENSTRUAL | Sintomas e tratamento para entender o que é dismenorreia).

Problemas reprodutivos

O mioma não interfere na ovulação, mas dependendo do seu tamanho e localização, pode atrapalhar uma eventual gravidez.

Miomas grandes, múltiplos e que causam deformidade da cavidade uterina, mais comumente os intramurais e submucosos, podem aumentar o risco de complicações na gestação, como abortos, sangramentos, rotura do útero e problemas no parto.

O risco de complicações aumenta quando a placenta encontra-se implantada sobre um mioma.

Os miomas subserosos não costumam casuar problemas na gestação.

O diagnóstico dos miomas normalmente é feito através do exame ginecológico e do ultrassom.

Tratamento

Mulheres com miomas pequenos e assintomáticos não necessitam de tratamento. Na verdade, até 40% desses tumores regridem espontaneamente em um período de três anos.

Nas mulheres com sintomas, o tratamento inicial é geralmente feito com fármacos, tentando reduzir os sangramentos e diminuir o tamanho das lesões.

Entre as opções estão os medicamentos análogos do GnRH, que induzem a uma temporária menopausa, inibindo a produção de estrogênios pelos ovários, os anticoncepcionais orais e o DIU com liberação de progesterona.

Cirurgia

A cirurgia para o leiomioma torna-se uma opção quando:

  • Os sintomas não respondem ao tratamento com drogas.
  • Há intenção de engravidar e os miomas podem atrapalhar a gestação.
  • Há dúvidas se os tumores são realmente miomas ou alguma lesão maligna.

A miomectomia é a cirurgia na qual retira-se apenas o leiomioma, mantendo-se o resto do útero intacto. Dependendo do tipo de mioma, a miomectomia pode ser feita por laparoscopia, incisão abdominal ou histeroscopia. Em até 1/4 dos casos, o mioma volta a crescer após algum tempo.

A embolização da artéria uterina é outra opção, sendo realizada com a colocação de um cateter dentro da artéria uterina, responsável pela vascularização do mioma, seguida da injeção de agentes que levam à formação de trombos causando interrupção do fluxo de sangue. A isquemia do mioma leva-o a “murchar” e desaparecer em algumas semanas.

A histerectomia, que é a retirada completa do útero, é a opção de tratamento nas mulheres mais velhas ou naquelas que não mais desejam ter filhos.


Referências


Autor(es)

Médico graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com títulos de especialista em Medicina Interna e Nefrologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Universidade do Porto e pelo Colégio de Especialidade de Nefrologia de Portugal.

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