Pólipos endometriais: o que é, causas, sintomas e tratamento

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Resumo do artigo: TL; DR

  • O que é: os pólipos uterinos se formam quando existe um crescimento excessivo do tecido que reveste o interior do útero, chamado endométrio. O pólipo pode ser único ou haver múltiplos, com tamanhos variados.
  • Incidência: mais comuns em mulheres pós-menopausa, com pico de incidência entre 40 e 49 anos.
  • Sintomas: geralmente causam sangramento uterino anormal, mas podem ser assintomáticos. Podem afetar a fertilidade e, em casos raros, prolapsar pelo colo uterino.
  • Causas e fatores de risco: As causas são incertas, mas o crescimento dos pólipos está associado a níveis elevados de estrogênio. Riscos incluem idade avançada, uso de Tamoxifeno, reposição hormonal, obesidade, e certas condições genéticas.
  • Diagnóstico: feito através de ultrassonografia transvaginal, histeroscopia, histerossonografia e, em último caso, por biópsia.
  • Tratamento: remoção cirúrgica é recomendada para pólipos sintomáticos, grandes, múltiplos, ou em mulheres na menopausa. Polipectomia é o tratamento padrão, com histerectomia reservada para casos específicos.
  • CID-10: N84.0; CID-11: GA16.Y.

O que são os pólipos uterinos?

Pólipo é uma pequena protuberância, em forma de gota ou uva, que cresce em cavidades revestidas por mucosas. São tumores benignos que podem surgir em várias regiões do organismo, tais como estômago, bexiga, vesícula biliar, útero, cavidade nasal, intestinos e útero. 

Os pólipos uterinos se formam quando existe um crescimento excessivo do tecido que reveste o interior do útero, chamado endométrio, para dentro da cavidade uterina. São, por isso, também chamados de pólipos endometriais.

Os pólipos podem ser únicos ou múltiplos e variam de poucos milímetros até vários centímetros de diâmetro. Eles podem ser detectados em qualquer lugar da cavidade uterina e se projetam para dentro dela a partir de uma base alargada (pólipo séssil) ou fina (pólipo pediculado).

Pólipos endometriais são raros em adolescentes, aumentando a sua frequência com o avançar da idade, sendo mais comuns em mulheres pós-menopausa. O pico de incidência está entre os 40 e 49 anos de idade.

Pólipos endometriais
Pólipos endometriais

O pólipo uterino é uma das principais causas de sangramento uterino anormal em mulheres tanto na fase pré-menopausa como na pós-menopausa, apesar de poder ser completamente assintomático (leia: Sangramento uterino anormal – menstruação anormal).

Nas mulheres em idade reprodutiva com sangramento uterino anormal, a incidência de pólipos uterinos é de 20 a 40%.  

Causas

Não se sabe exatamente qual é o mecanismo que origina os pólipos uterinos. Como os pólipos são originados a partir do crescimento do tecido endometrial, normalmente estimulado pelo estrogênio, considera-se que este hormônio possa estar envolvido.

Na maior parte das vezes, os pólipos são lesões benignas, mas em um percentual pequeno dos casos pode estar associado a câncer ou a lesão pré-cancerosa, especialmente em mulheres acima dos 60 anos de idade, que estejam na menopausa ou tenham pólipos grandes e sintomáticos.

Fatores de risco

Como já foi dito, acredita-se que a presença de níveis elevados de estrogênio no organismo sem nenhum tipo de oposição à sua ação seja um dos principais fatores associados à formação dos pólipos.

Desta forma, os fatores de risco para a formação de pólipos endometriais incluem situações em que existe aumento da produção interna de estrogênio ou administração do hormônio.

São eles:

  • Idade Avançada: o risco do desenvolvimento de pólipos aumenta com a idade, sendo mais frequentes à medida que a mulher vai chegando próximo à menopausa.
  • Tamoxifeno: o Tamoxifeno é um fármaco utilizado nos casos de câncer de mama, mas que age no útero de forma semelhante ao estrogênio, o que aumenta o risco de pólipos uterinos. Cerca de 1/3 das mulheres pós-menopausa tratadas com Tamoxifeno desenvolvem pólipos uterinos.  
  • Reposição hormonal: as mulheres pós-menopausa que fazem reposição hormonal possuem maior risco de formação de pólipos, sangramento uterino e espessamento do endométrio.  
  • Obesidade: mulheres obesas apresentam maior produção de estrogênio a partir de hormônios masculinos contidos no tecido adiposo. Desta forma também estão sob maior risco de apresentarem pólipos uterinos.
  • Síndrome de Lynch e Síndrome de Cowden: estas duas condições clínicas estão associadas a maior incidência de pólipos uterinos do que a população geral. 

Sintomas

Os pólipos endometriais podem ser assintomáticos e serem descobertos por acaso durante a realização de exames, como o exame ginecológico, histeroscopia ou exame de imagem da região pélvica, como a ultrassonografia.

Quando dão sintomas, 80% dos casos se manifestam com sangramento uterino anormal. Nas mulheres em idade reprodutiva, o sangramento é habitualmente fora do período menstrual, de pequena monta, às vezes como um escape, apesar de poder ser volumoso em algumas mulheres.

Outra apresentação comum é o sangramento em mulheres pós-menopausa. Neste caso se deve sempre descartar a hipótese de lesões pré-cancerosas ou de câncer uterino. 

Pólipos uterinos também parecem interferir com a fertilidade, ao impedir a implantação do embrião na parede uterina ou bloquear a passagem através das trompas e do colo do útero, dificultando o encontro do óvulo e dos espermatozoides. 

Em alguns casos, o pólipo endometrial pode prolapsar, saindo do útero através do colo uterino. Neste caso, o pólipo torna-se visível no momento do exame ginecológico. Os pólipos prolapsados podem ser sintomáticos ou assintomáticos.

Diagnóstico

O diagnóstico pode ser feito através de ultrassonografia transvaginal, normalmente o primeiro exame a ser solicitado na avaliação de um sangramento uterino anormal. 

A seguir, pode ser requisitada uma histeroscopia ou uma histerossonografia para melhor avaliação, se os achados no exame anterior não forem conclusivos.

A histerossonografia é como a ultrassonografia transvaginal, mas antes do exame a cavidade uterina é preenchida com soro para melhor visualização das lesões no seu interior.

Já a histeroscopia é realizada através da inserção de um instrumento (histeroscópio) com uma câmera na extremidade, que permite a visualização direta da cavidade uterina.

Estes exames também ajudam a diferenciar pólipos de outras lesões como miomas e câncer. O diagnóstico definitivo, no entanto, precisa ser confirmado através da biópsia do pólipo para determinar o tipo de tecido que compõe a lesão.

Tratamento

Todos os pólipos endometriais associados a sintomas devem ser removidos, tanto para aliviar os sintomas como para despistar a presença de neoplasia ou de lesões pré-cancerosas.

Apesar de 95% dos pólipos serem benignos, os malignos estão mais relacionados à presença de sintomas, desta forma justificando a necessidade de remoção.

Da mesma forma, os pólipos malignos são mais frequentes nas mulheres na menopausa. Por isso, independente da presença ou não de sintomas, a remoção dos pólipos é sempre indicada nas pacientes nesta fase da vida, uma vez que a incidência de complicações associadas à sua extração é baixa.

No entanto, nem sempre é necessário proceder à remoção do pólipo. Cerca de 25% dos pólipos endometriais regridem espontaneamente.

Nas mulheres em idade reprodutiva, os pólipos únicos, pequenos (menores que 1,0 cm) e que não provocam sintomas têm baixa probabilidade de serem malignos e grande probabilidade de regredir com o tempo, de forma que o tratamento pode ser conservador, ou seja, manter somente observação. 

A remoção do pólipo está indicada nas seguintes situações:

  • Presença de fatores de risco para câncer uterino.
  • Pólipo maior que 1,5 cm de diâmetro.
  • Múltiplos pólipos.
  • Dificuldade para engravidar.
  • Pólipo que sai da cavidade uterina através do colo do útero (pólipo prolapsado).

A remoção do pólipo (polipectomia) realizada durante a histeroscopia é considerada a primeira linha de tratamento. A polipectomia promove resolução dos sintomas em 75 a 100% dos casos.

Raramente pode ser recomendada a remoção do útero (histerectomia), mas este procedimento é mais arriscado, sendo recomendado somente em casos específicos, após discussão com a própria paciente. 


Referências


Autor(es)

Médica graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com títulos de especialista em Medicina Interna pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pela Universidade do Porto. Nefrologista pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e pelo Colégio de Nefrologia de Portugal.


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