Dor de estômago: causas, sintomas e tratamento


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Revisado e atualizado em maio 29, 2026
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Resumo sobre dor de estômago

Dor de estômago costuma ser descrita como queimação, dor ou desconforto na “boca do estômago”, sensação de má digestão, estômago cheio, arrotos, náuseas ou saciedade precoce. Em medicina, esse conjunto de sintomas é chamado de dispepsia.

As causas mais comuns incluem gastrite, úlcera péptica, refluxo gastroesofágico, uso de anti-inflamatórios, infecção por H. pylori e dispepsia funcional, que é quando há sintomas persistentes sem lesão visível nos exames.

Nem toda dor no estômago exige endoscopia imediata. Em pessoas jovens, sem sinais de alarme, a investigação costuma começar pela avaliação clínica, pesquisa de H. pylori e/ou teste terapêutico com remédios que reduzem a acidez.

É importante procurar avaliação médica se houver perda de peso, vômitos persistentes, sangue nas fezes, anemia, dificuldade para engolir, dor progressiva, massa abdominal ou histórico familiar de câncer digestivo.

O tratamento depende da causa: pode incluir suspensão de anti-inflamatórios, erradicação do H. pylori, uso de omeprazol ou similares, ajustes alimentares e, nos casos funcionais, tratamento da hipersensibilidade gástrica e de fatores como ansiedade ou depressão.

O que é o estômago?

Para entender algumas das doenças e dos sintomas do estômago é necessário conhecer um pouco da anatomia e do funcionamento deste órgão. Serei breve nesta descrição para o texto não ficar maçante.

O estômago é um órgão muscular, oco e elástico, capaz de se dilatar para receber os alimentos, localizado no quadrante superior esquerdo do abdômen.

Quando engolimos um alimento, este desce pelo esôfago e chega ao estômago. Entre o estômago e o esôfago existe um esfíncter, uma espécie de válvula que impede o retorno do alimento de volta para o esôfago, mesmo que o paciente fique de cabeça para baixo.

O estômago secreta ácido clorídrico e enzimas que digerem, especialmente, as proteínas contidas nos alimentos.

Ao contrário do que se imagina, o estômago praticamente não absorve nutrientes. Sua função principal é misturar os alimentos ao suco gástrico e iniciar a digestão, especialmente das proteínas. A maior parte da absorção dos nutrientes ocorre mais adiante, no intestino delgado. Apenas poucas substâncias, como álcool e alguns medicamentos, podem ser absorvidas no estômago em pequena quantidade.

O estômago é um órgão musculoso, capaz de se contrair, auxiliando na digestão e na passagem dos alimentos para o resto do trato digestivo.

O que é dispepsia?

Dispepsia é um termo que compreende uma série de sintomas relacionados ao estômago. A dispepsia está geralmente associada ao que os pacientes costumam referir como indigestão ou dor de estômago.

Entre os sintomas que estão incluídos no termo dispepsia, podemos citar: queimação ou dor na região do estômago, sensação de plenitude após refeições, sensação de estômago distendido, excesso de arrotos, azia, saciação precoce (não conseguir comer um prato sem se sentir cheio antes de terminá-lo), náuseas e sensação de má digestão.

Doenças do estômago que provocam dispepsia

A dispepsia está habitualmente associada a quadros de gastrite ou úlcera gástrica, porém, mesmo doenças fora do estômago podem causá-la, como síndrome do intestino irritável, cólica biliar e esofagite. A dispepsia também pode ser causada por medicamentos, como anti-inflamatórios e alguns antibióticos. Vamos falar um pouco das principais doenças que provocam sintomas estomacais.

Gastrite

Gastrite significa inflamação do estômago. A gastrite pode ser aguda, quando se desenvolve rapidamente, ou crônica, quando a inflamação se instala lentamente e persiste por vários meses. A gastrite aguda é normalmente causada por álcool, anti-inflamatórios e intoxicações alimentares. A gastrite crônica costuma ter como causa a infecção pela bactéria H.pylori.

O sintoma mais comum da gastrite é a queimação na “boca do estômago”. A gastrite pode piorar ou melhorar após a alimentação. Cada paciente reage de um jeito diferente às refeições. A queimação no estômago é o sintoma mais comum, mas qualquer um dos sintomas englobados no termo dispepsia pode surgir em um paciente com gastrite (leia: Sintomas de gastrite).

As gastrites se não tratadas podem evoluir com erosões da mucosa do estômago, levando à formação das úlceras.

Úlcera péptica

As úlceras pépticas são aquelas causadas pela ação do ácido clorídrico na parede do duodeno, estômago ou esôfago. As duas principais causas de úlceras são abuso de anti-inflamatórios e a infecção pela bactéria H.pylori.

Os sintomas da úlcera péptica ocorrem habitualmente quando o estômago está vazio. Após uma refeição, os alimentos permanecem no estômago por duas a três horas. Porém, o estímulo à secreção do ácido persiste durante até cinco horas, ou seja, em períodos nos quais o estômago já se encontra vazio. Este é o momento em que a úlcera começa a causar sintomas.

Os sintomas da úlcera péptica também podem ocorrer durante a noite, habitualmente entre as 23h e 2h, quando ocorre uma estimulação natural da secreção de ácido pelo estômago. É característico das úlceras a melhora dos sintomas após o paciente comer algum alimento.

Assim como nos casos de gastrite, as úlceras costumam causar uma queimação ou dor na região do estômago, porém, qualquer sintoma de dispepsia é possível. Períodos de dispepsia, que duram algumas semanas, alternando com períodos livres de dor, por semanas ou meses, é uma característica das úlceras pépticas.

A intensidade da dor estomacal não é suficiente para distinguir uma gastrite de uma úlcera. A úlcera não necessariamente é mais sintomática que a gastrite.

Para saber mais sobre úlceras e gastrite, leia: Gastrite e úlcera gástrica.

Refluxo gastroesofágico

A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) ocorre sempre que o esfíncter que separa o estômago do esôfago encontra-se incompetente, permitindo o refluxo de suco gástrico, extremamente ácido, em direção ao esôfago.

Os sintomas mais comuns da DRGE são azia e regurgitação. Deve-se suspeitar de refluxo em todo paciente com dispepsia que apresentar azia ou regurgitação como principais queixas.

Para saber mais sobre a doença do refluxo gastroesofágico, leia: Hérnia de hiato | Refluxo gastroesofágico.

Câncer do estômago

O câncer de estômago é uma causa incomum de dispepsia, mas deve ser considerado principalmente em pessoas com sintomas novos ou progressivos após os 50–60 anos, em pacientes com fatores de risco importantes, como infecção por H. pylori, tabagismo ou história familiar de câncer gástrico, e sempre que houver sinais de alarme.

Existem alguns “sintomas de alarme” que levantam a suspeita de malignidade gástrica quando associados à dispepsia, são eles:

Medicamentos

Alguns medicamentos podem provocar dispepsia ou piorar os sintomas de uma dispepsia já existente.

Fármacos, como Aspirina (AAS) e outros anti-inflamatórios, podem causar lesão diretamente na parede do estômago, levando à dispepsia por gastrite aguda.

Várias outras drogas têm sido implicadas como causa de dispepsia, como digoxina, ferro, bloqueadores dos canais de cálcio (ex: Adalat e amlodipina), teofilina, corticoides, metformina, alendronato, orlistat, suplementos de potássio, acarbose e certos antibióticos, incluindo a eritromicina e metronidazol.

Muitos medicamentos à base de “ervas naturais” também podem provocar sintomas estomacais, entre os mais famosos está o Ginkgo biloba. Bebidas alcoólicas e cigarro também são causas de dispepsia.

Parasitose

Algumas parasitoses podem provocar sintomas muito parecidos com os de uma gastrite.  O exemplo mais comum é a estrongiloidíase, causada pelo helminto Strongyloides stercoralis, que pode provocar dor abdominal na região do estômago, mal-estar e enjoos. A diarreia, sinal que costuma ajudar no diagnóstico das parasitoses, nem sempre está presente.

Dispepsia funcional

Dispepsia funcional é o nome dado ao quadro de dispepsia crônica sem causa identificada. É o caso dos pacientes que apresentam dor de estômago, mas não se consegue descobrir a causa mesmo após extensa investigação.

Em geral, há quatro fatores normalmente relacionados à presença da dispepsia funcional:

  • Problemas motores nos músculos gástricos, que lentificam o esvaziamento do estômago.
  • Alterações psicológicas, principalmente depressão e ansiedade.
  • Aumento da sensibilidade do estômago. O estômago normalmente se distende quando comemos. No entanto, algumas pessoas são sensíveis a esse estiramento e sentem dor ou desconforto estomacal após as refeições.
  • Presença do H.pylori. Alguns pacientes podem apresentar dispepsia pelo H.pylori, mesmo não havendo sinais de gastrite ou úlcera gástrica.

A dispepsia funcional costuma aparecer em dois padrões principais: um em que predominam dor ou queimação na boca do estômago, mesmo em jejum, e outro em que predominam sintomas após as refeições, como estômago cheio, empachamento e saciedade precoce. Muitos pacientes têm sobreposição dos dois padrões.

Para saber mais sobre a dispepsia funcional, leia: Dispepsia Funcional (dor no estômago sem causa aparente).

Tratamento dos sintomas do estômago

O tratamento da dispepsia deve ser focado na sua causa. Nem todo paciente com dispepsia precisa fazer endoscopia logo no início. Em pessoas mais jovens, sem sinais de alarme, o médico pode iniciar a investigação com pesquisa de H. pylori e/ou tratamento por curto período com medicamentos que reduzem a acidez. A endoscopia ganha importância quando há sinais de alarme, sintomas persistentes apesar do tratamento, idade mais avançada ou suspeita de úlcera, sangramento, câncer ou outra doença orgânica.

Os inibidores da bomba de prótons são fármacos que agem diminuindo a secreção de ácido pelo estômago. As mais conhecidas são o omeprazol, pantoprazol, esomeprazol e lansoprazol. Estes medicamentos estão indicados tanto na gastrite quanto nas úlceras, no refluxo e até na dispepsia funcional. Antiácidos também podem ser úteis.

Nos pacientes com H.pylori, o tratamento da bactéria pode melhorar os sintomas, mesmo nos pacientes com dispepsia funcional, sem sinais de gastrite. Porém, nem sempre a bactéria é a responsável pela dispepsia e muitos pacientes mantêm os sintomas mesmo após a eliminação da mesma.

Deve-se evitar o uso de anti-inflamatórios ou qualquer outro medicamento que provoque sintomas no estômago. Quem fuma deve parar.

No paciente com histórico de depressão ou ansiedade, o tratamento destas doenças ajuda a melhorar a dispepsia.

Em relação à dieta, não existe uma lista universal de alimentos proibidos. O mais útil é observar quais alimentos pioram os sintomas. Refeições muito volumosas, alimentos gordurosos, bebidas alcoólicas, refrigerantes, café e alimentos muito condimentados podem piorar a dispepsia em algumas pessoas, mas a tolerância varia de paciente para paciente.

Perder peso para quem está com sobrepeso ou obeso também é importante. Evite refeições muito grandes. O ideal é comer menos, porém com mais frequência (5 ou 6 vezes por dia) para evitar deixar o estômago vazio por muitas horas. Se você tem azia, evite deitar-se logo após comer. Pelo menos uma hora de intervalo é desejável.


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Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Kaiki

    Minha dor parece ser no estômago, mas piora depois de comida gordurosa e às vezes vai para as costas. Isso pode ser gastrite ou pode ser vesícula?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Sim. Nem toda dor na “boca do estômago” vem realmente do estômago. Problemas na vesícula, como pedra na vesícula ou cólica biliar, também podem causar dor na parte alta do abdômen e às vezes serem confundidos com gastrite.

    Uma pista importante é o padrão da dor: quando ela piora depois de alimentos gordurosos, fica mais localizada no lado direito ou no centro da parte superior da barriga e irradia para as costas ou para o ombro direito, a vesícula passa a ser uma possibilidade. Já gastrite e dispepsia costumam causar mais queimação, empachamento, náuseas, arrotos e desconforto na boca do estômago.

    Se a dor for forte, persistente, vier com febre, vômitos repetidos ou pele e olhos amarelados, é importante procurar atendimento médico com urgência.

  2. Tales

    Tenho dor na boca do estômago, muitos arrotos e sensação de barriga estufada, principalmente quando estou ansioso. Tudo isso pode ser só ansiedade?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Ansiedade pode piorar sintomas digestivos, mas nem toda dor de estômago em fases de estresse é “só nervoso”. A ansiedade pode aumentar a percepção da dor, alterar a motilidade do estômago e favorecer sintomas como empachamento, arrotos, náuseas e sensação de má digestão. Esse quadro pode ocorrer na dispepsia funcional, em que há sintomas persistentes sem uma lesão visível na endoscopia. Mesmo assim, se os sintomas forem novos, frequentes ou vierem com sinais de alarme, é importante investigar causas orgânicas, como gastrite, úlcera, refluxo ou H. pylori.

  3. Flávio

    Dr., sinto uma queimação na boca do estômago quando fico muitas horas sem comer, e às vezes melhora depois que como alguma coisa, é gastrite ou úlcera?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Pode ser gastrite, mas esse padrão também é bastante lembrado em casos de úlcera péptica, principalmente úlcera duodenal. A dor ou queimação que aparece com o estômago vazio, melhora temporariamente com alimento ou antiácido e depois retorna algumas horas mais tarde deve ser avaliada, especialmente se for recorrente. As principais causas de úlcera são infecção por H. pylori e uso de anti-inflamatórios. Se houver vômitos persistentes, fezes pretas, anemia, perda de peso ou dor intensa, a avaliação deve ser mais rápida.

  4. Murilo Aguiar

    O Medicamento Lansoprazol de 30mg, pode causar muitas dores de estômago (dispepsia) nos pacientes que estão fazendo o tratamento?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Murilo, em geral, o lansoprazol faz o oposto: ele reduz a acidez do estômago e costuma ser usado para tratar gastrite, úlcera, refluxo e dispepsia. Dor de estômago não é o efeito esperado mais comum.

    Se a dor começou claramente após o início do remédio, vale informar o médico para avaliar troca, dose ou horário de uso. Mas, se a dor persiste apesar do lansoprazol, é importante considerar que a causa pode não ser excesso de acidez, ou que exista outra condição associada, como H. pylori, úlcera, refluxo importante, cálculo na vesícula ou dispepsia funcional.

  5. Mércia

    Acho que estou com dispepsia e gastrite, estou com todos os sintomas, o que devo fazer para melhorar?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Mércia, dispepsia e gastrite podem causar queimação, dor na boca do estômago, náuseas, arrotos e sensação de estômago cheio, mas esses sintomas também podem ter outras causas. Se o quadro for leve e recente, pode-se fazer uma prova terapêutica por curto período com um inibidor da bomba de prótons, como omeprazol ou pantoprazol, além de evitar anti-inflamatórios, álcool, cigarro e refeições muito gordurosas ou volumosas.

    Se os sintomas forem frequentes, se voltarem sempre, ou se houver perda de peso, vômitos persistentes, anemia, sangue nas fezes, dificuldade para engolir ou dor progressiva, o ideal é procurar um gastroenterologista. Em muitos casos, também é importante pesquisar a presença da bactéria H. pylori, que pode estar associada à gastrite e úlcera.

  6. Marcelo paiva

    Há uma semana venho tomando anti-inflamatório de 8/8 horas e nos últimos dias notei que quando vou ao banheiro a presença de sangue nas fezes. isto e grave? qual o tratamento?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Marcelo, sangue nas fezes nunca deve ser ignorado, principalmente quando surge após uso frequente de anti-inflamatórios. Esses medicamentos podem irritar o estômago e o intestino e aumentar o risco de gastrite erosiva, úlcera e sangramento digestivo.

    O mais seguro é suspender o anti-inflamatório até ser avaliado por um médico, salvo se ele tiver sido prescrito por uma condição em que não possa ser interrompido sem orientação. Procure atendimento com prioridade, especialmente se as fezes estiverem pretas, se houver tontura, fraqueza, palidez, dor abdominal forte, vômitos com sangue ou queda da pressão. O tratamento depende da origem do sangramento e pode incluir remédios para reduzir a acidez, endoscopia e investigação da causa.

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