Melasma (manchas no rosto): causas, sintomas e tratamento

Atualizado:
24 ago. 2026
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24 ago. 2026

O que é melasma?

O melasma, também chamado de cloasma, é um tipo de mancha amarronzada ou escurecida que surge em áreas expostas ao sol, principalmente na face.

O melasma ocorre com mais frequência nas mulheres, especialmente nas de pele mais morena e em idade reprodutiva. A média de idade do surgimento do melasma na população brasileira é de 28 anos.

Homens também podem apresentar melasma, embora isso seja bem menos comum. Em geral, 90% dos casos ocorrem em mulheres e somente 10% em homens.

Além da face, outras áreas do corpo, como pescoço, colo e braços também podem ser acometidas. Apesar de não trazer consequências ao organismo, o melasma pode provocar resultados devastadores do ponto de vista emocional e psicológico para seus portadores.

O que causa as manchas escuras no rosto?

A causa exata do melasma não é conhecida, mas há muitos fatores que podem aumentar o risco de se desenvolver essas manchas no rosto, sendo predisposição genética, exposição solar e estímulo hormonal os principais.

Em relação aos fatores hormonais, os principais são:

* Alguns estudos também encontraram maior frequência de doenças da tireoide, especialmente alterações autoimunes, em mulheres com melasma. No entanto, essa associação ainda não está bem esclarecida e não significa que as doenças tireoidianas sejam uma causa direta do melasma.

As manchas escurecidas surgem porque os melanócitos, que são as células da pele responsáveis pela produção de melanina (substância que dá a cor da pele), começam a trabalhar exageradamente, produzindo melanina em excesso, o que resulta em escurecimento localizado da pele.

Essa melanina em excesso pode se localizar na epiderme (camada mais superficial da pele), na derme (camada mais profunda da pele) ou em ambas, determinando o melasma epidérmico, dérmico ou misto, respectivamente.

Essa classificação é útil, pois ajuda o médico a prever o grau de sucesso do tratamento, já que quanto mais profundo o pigmento se localiza, mais difícil é alcançá-lo.

Sintomas do melasma

O melasma geralmente se apresenta com manchas irregulares, de cor marrom-claro a marrom acinzentado nas áreas de pele expostas ao sol, principalmente na face.

As lesões são geralmente simétricas, atingindo de forma semelhante ambos os lados da cara. As manchas podem afetar a testa, nariz, bochechas, área do lábio superior e queixo.

Tipos de melasma

Existem três padrões de distribuição do melasma na face. São eles:

  • Melasma centrofacial: quando envolve testa, bochechas, nariz, lábio superior e queixo.
  • Melasma malar: quando envolve bochechas e nariz.
  • Melasma mandibular: quando envolve áreas ao redor da mandíbula.

Em um estudo brasileiro de 302 mulheres com melasma, a maioria das pacientes teve pelo menos seis regiões faciais afetadas, sendo as regiões zigomática (maçã do rosto) (84%), superior labial (51%) e frontal (50%) as mais acometidas.

Na esmagadora maioria dos pacientes, o melasma é assintomático. Raramente ocorre coceira, ressecamento ou vermelhidão da área mais escurecida.

Menos de 10% dos pacientes com envolvimento facial apresentam também melasma extra-facial. Os locais mais envolvidos são os braços (95%), antebraços (80%), tórax (47%) ou costas (11%).

O melasma é uma condição crônica e recorrente. Quando as manchas surgem por conta de gravidez ou tratamento com hormônios, elas podem desaparecer após o parto ou ao final do tratamento.

Na maioria dos casos, porém, as lesões são persistentes, tendem a melhorar com o tempo, mas não desaparecem totalmente.

Independentemente da causa, as manchas tendem a piorar com a exposição solar.

Imagens de melasma

Imagem de melasma
Melasma no rosto
Melasma na face
Melasma na face
Melasma na bochecha
Melasma na bochecha
Melasma na testa
Melasma na testa

Como tratar as manchas do melasma?

Não há cura para o melasma, ou seja, não há nada que faça as manchas desaparecerem para sempre. A boa notícia é que é possível clareá-las em até 100%, dependendo do caso, e, se a proteção solar for adequada, dificilmente elas voltarão.

Para entendermos como funciona o tratamento do melasma, precisamos saber como a melanina é produzida.

Em uma pele normal, podemos imaginar que os melanócitos são as máquinas de uma fábrica que produz pigmento. Para funcionar, essas máquinas precisam de combustível (sol) e, quando pronto, o produto final (melanina) é armazenado no estoque (camadas mais superficiais da pele: epiderme e derme). Os hormônios funcionam como o óleo que lubrifica as máquinas (sem ele, as máquinas podem não funcionar perfeitamente).

Acontece que, no melasma, essas máquinas se tornam muito eficazes e econômicas, ou seja, com uma quantidade mínima de combustível, passam a produzir quantidades enormes de melanina, que acabam se acumulando e ocupando todo o estoque.

Assim, o tratamento do melasma se baseia em (1) cortar o combustível dessas máquinas (proteção solar), (2) tentar “sabotar” essas máquinas tornando-as mais lentas (uso de cremes e loções despigmentantes), (3) esvaziar o estoque (tratamentos feitos em consultórios dermatológicos, como peelings e lasers) e (4) eliminar o uso de hormônios, quanto possível.

A proteção solar não se limita ao uso de filtros solares, apesar de eles serem fundamentais. É importante saber que NENHUM filtro solar protege 100% da radiação solar e que pessoas com melasma conseguem escurecer suas manchas com uma quantidade mínima de sol. Daí a importância de se usar chapéus e barracas de sol, cobrindo totalmente as áreas afetadas (leia: Protetor solar – Como se proteger do sol).

Muitas são as substâncias que ajudam a clarear a pele. Elas geralmente agem inibindo uma ou mais etapas das reações químicas que ocorrem dentro do melanócito e resultam na formação da melanina.

Os tratamentos mais comuns para o melasma são:

  • Hidroquinona 4% em creme: a hidroquinona pode ser aplicada nas áreas afetadas uma ou duas vezes ao dia por dois a quatro meses e até seis meses, seguida de tratamento de manutenção por seis meses ou mais.
  • Os clareadores de pele sem hidroquinona, como o ácido azelaico, o ácido kójico ou a niacinamida, isoladamente ou em combinações, podem ser usados como terapias alternativas de primeira linha, principalmente em pacientes que não toleram ou têm alergia comprovada à hidroquinona. Vale ressaltar que o ácido azelaico é um dos poucos agentes que, se necessário, pode ser usado em mulheres grávidas.

É importante destacar que esses produtos devem ser utilizados em toda a área afetada e não só localmente nas manchas.

Se o tratamento de primeira linha não der resultados satisfatórios, há outras opções, como:

  • O ácido tranexâmico por via oral apresenta eficácia no tratamento do melasma em uma dose média de 250 mg duas vezes ao dia. No entanto, invariavelmente, ocorrem recaídas após a interrupção do tratamento.
  • Peeling químicos superficiais: comumente usados para o tratamento do melasma, os peelings químicos incluem o ácido glicólico, outros alfa-hidroxiácidos, ácido salicílico, peeling de Jessner e ácido tricloroacético.

Para eliminar as manchas mais resistentes, devem-se realizar procedimentos que eliminem as camadas da pele impregnadas pelo excesso de melanina. Para tal, pode se utilizar peelings químicos, microdermoabrasão, e, raramente, fontes de luz intensa pulsada e lasers.

Melasma antes e depois do tratamento
Melasma antes e depois do tratamento

Esses procedimentos devem ser feitos em várias sessões, sempre evitando agredir demais a pele, pois procedimentos agressivos podem causar inflamação excessiva da pele, gerando novas manchas.

Infelizmente, quando o pigmento é muito profundo, esses procedimentos não são capazes de alcançá-lo.

Prevenção de recidivas

As abordagens de rotina para a prevenção de recidivas envolvem o uso diário de protetores solares, evitar exposição solar, bem como o tratamento de manutenção com clareadores sem hidroquinona, como ácido azelaico, ácido kójico, niacinamida e retinoides. Além disso, o uso intermitente de hidroquinona 4% creme duas vezes por semana pode ser incorporado ao regime de manutenção para manter o clareamento.

Por fim, as portadoras de melasma devem preferir os anticoncepcionais não hormonais, como o DIU de cobre e os métodos de barreira. Além disso, mulheres grávidas e todos que começam a usar hormônios devem intensificar a proteção solar diária, prevenindo, assim, o início do problema.


Referências



Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Lúcia Maia

    A luz do celular, do computador ou da televisão pode piorar o melasma mesmo quando eu não pego sol?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    A luz visível pode contribuir para o escurecimento do melasma, principalmente em pessoas com pele morena ou negra. Porém, a quantidade de luz emitida por celulares, computadores e televisões é muito menor do que a exposição à luz visível do ambiente e, em geral, não parece ser um fator importante no dia a dia.

    A principal preocupação continua sendo a exposição ao sol e à luz visível natural. Para quem tem melasma, além de evitar exposição solar excessiva, pode ser útil utilizar protetor solar com cor e óxidos de ferro, pois ele oferece proteção adicional contra a luz visível.

  2. Tâmara

    A alimentação, os hormônios, stress e problemas na tireoide podem ser os causadores do aumento de melasma.
    Quais fatores internos mais podem desencadear o aumento de melasma no verão ? Há alguma relação com o iodo ou água também ?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Os fatores mais importantes para a piora do melasma no verão são a radiação ultravioleta, a luz visível e provavelmente também o calor intenso. Por isso, mesmo exposições solares relativamente pequenas podem deixar as manchas mais escuras. A predisposição genética e os estímulos hormonais, como gravidez e uso de anticoncepcionais, também têm papel bem estabelecido.

    Já alimentação e estresse não são considerados causas diretas comprovadas de melasma. Há estudos sugerindo uma associação com doenças da tireoide, principalmente em mulheres, mas ainda não está demonstrado que a alteração tireoidiana seja a causa do melasma. Também não há evidências de que o consumo de iodo ou a água utilizada para beber ou lavar o rosto provoquem melasma.

    Para quem percebe piora no verão, a medida mais importante é reforçar a fotoproteção, preferencialmente com protetor solar de amplo espectro e com cor/óxidos de ferro, além de chapéu e redução da exposição direta ao sol.

  3. Delba

    Teatrical creme clareador ajuda no desaparecimento dos melasmas?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Depende da formulação do creme Teatrical. Algumas versões contêm hidroquinona 2%, uma substância que realmente pode ajudar a clarear o melasma. Outras formulações da marca possuem ingredientes diferentes, portanto é necessário verificar a composição do produto.

    Mesmo quando contém hidroquinona, o creme não costuma fazer o melasma “desaparecer” definitivamente. O melasma é uma condição crônica e com tendência a recidivar. Além disso, o uso inadequado de clareadores pode irritar a pele e acabar piorando a pigmentação.

    O tratamento funciona melhor quando o clareador é associado a fotoproteção rigorosa, e casos mais extensos ou resistentes devem ser avaliados por um dermatologista.

  4. Melissa

    Para quem tem melasma é melhor usar protetor solar com cor ou sem cor?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Para quem tem melasma, o protetor solar com cor costuma ser a melhor opção, desde que também tenha FPS adequado e proteção de amplo espectro contra os raios UVA e UVB.

    Isso ocorre porque os pigmentos presentes nos protetores com cor, especialmente os óxidos de ferro, ajudam a proteger também contra a luz visível, que pode estimular a produção de melanina e piorar as manchas do melasma.

    O ideal é escolher um protetor com FPS 30 ou superior, boa proteção UVA e cor compatível com o tom da pele, aplicá-lo em quantidade adequada e reaplicar ao longo do dia quando houver exposição solar prolongada, suor ou contato com água.

  5. Leonardo Fernandes

    Eu tenho problema de estomago faço uso de varios medicamentos, isto pode causar Melasma?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Problemas do estômago, por si só, não são uma causa habitual de melasma. A maioria dos medicamentos utilizados para gastrite, refluxo ou outras doenças do estômago também não costuma causar melasma.

    Entretanto, alguns medicamentos podem provocar hiperpigmentação da pele ou aumentar a sensibilidade ao sol, produzindo manchas que às vezes podem ser confundidas com melasma. Isso depende especificamente de quais medicamentos estão sendo utilizados.

    Se as manchas começaram depois da introdução de algum remédio, vale informar ao dermatologista todos os medicamentos em uso para avaliar se existe relação. Não é indicado suspender nenhum deles por conta própria.

  6. Weslley

    Essas manchas formadas pelo Melasma ficam mais evidentes quando fazemos exercícios?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    O exercício físico, por si só, não costuma aumentar o melasma. Durante o exercício, porém, o aumento do fluxo sanguíneo e a vermelhidão do rosto podem fazer com que as manchas pareçam temporariamente mais evidentes.

    Além disso, se o exercício for realizado ao ar livre, a exposição ao sol e à luz visível pode realmente escurecer o melasma. O calor intenso também parece contribuir para sua piora em algumas pessoas. Portanto, quem tem melasma e pratica atividades externas deve reforçar a proteção solar, inclusive com reaplicação do protetor quando houver muita transpiração.

  7. Fabia Fabeny

    Parabéns, os assuntos em destaque são ótimos.
    Site excelente !

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