Síndrome do intestino irritável (SII): sintomas e tratamento


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Revisado e atualizado em junho 12, 2026
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Principais informações sobre a síndrome do intestino irritável

A síndrome do intestino irritável, ou SII, é um distúrbio crônico da interação entre o intestino e o cérebro. Ela provoca dor ou desconforto abdominal associado a alterações das evacuações, que podem incluir diarreia, prisão de ventre ou alternância entre as duas. Inchaço, excesso de gases, urgência para evacuar, muco nas fezes e sensação de evacuação incompleta também são frequentes.

A SII não provoca feridas, inflamação persistente ou câncer no intestino, mas pode afetar de forma importante a alimentação, o trabalho, o sono e a qualidade de vida. O diagnóstico é feito pelo padrão e pela duração dos sintomas, pois não existe um exame específico que confirme a síndrome. Exames de sangue, fezes ou colonoscopia são solicitados apenas quando há necessidade de afastar outras doenças.

O tratamento é individualizado e depende do sintoma predominante. Pode incluir ajustes na alimentação, fibras solúveis, dieta com baixo teor de FODMAP, medicamentos para diarreia ou constipação, antiespasmódicos, neuromoduladores e psicoterapia direcionada ao eixo intestino-cérebro.

A dieta com baixo teor de FODMAP não deve ser mantida de forma restritiva por tempo indeterminado. A fase inicial costuma durar de quatro a seis semanas e deve ser seguida pela reintrodução gradual dos alimentos para identificar quais grupos realmente provocam sintomas.

Sangue nas fezes, anemia, perda de peso involuntária, febre, vômitos persistentes, diarreia noturna e início recente dos sintomas em idade mais avançada não são manifestações típicas da SII e exigem investigação médica.

O que é a síndrome do intestino irritável?

A síndrome do intestino irritável (SII) é um distúrbio crônico da interação entre o intestino e o cérebro, caracterizado por dor ou desconforto abdominal associado a alterações do hábito intestinal, como diarreia, constipação ou alternância entre as duas.

A síndrome do intestino irritável é uma das condições gastrointestinais mais comuns. Sua frequência varia conforme o país e os critérios utilizados no diagnóstico, mas ela representa uma causa frequente de consultas médicas por dor abdominal, diarreia, constipação e distensão abdominal.

A intensidade dos sintomas varia bastante. Algumas pessoas apresentam crises leves e esporádicas, enquanto outras convivem com dor, urgência para evacuar, prisão de ventre ou distensão abdominal capazes de interferir no trabalho, no sono, na alimentação e na vida social. O tratamento costuma controlar os sintomas, mas pode ser necessário testar diferentes estratégias até encontrar a combinação mais adequada.

Apesar de provocar sintomas que podem ser bastante incômodos, a síndrome do intestino irritável não causa lesões estruturais nem inflamação persistente no intestino e não aumenta o risco de câncer intestinal.

A síndrome do intestino irritável é uma condição crônica, que pode durar anos e alternar períodos de agravamento dos sintomas com fases de melhora ou quase ausência de manifestações. Ela começa com maior frequência na adolescência ou no início da vida adulta, mas pode surgir em qualquer idade. A SII é diagnosticada mais frequentemente em mulheres, embora essa diferença varie conforme o país e a população estudada.

Quais são as causas da síndrome do intestino irritável?

A síndrome do intestino irritável não costuma ter uma única causa. Ela surge da combinação de diferentes mecanismos, que podem ter importância maior ou menor em cada paciente.

Um dos principais mecanismos é uma alteração na comunicação entre o sistema nervoso e o aparelho digestivo, conhecida como eixo intestino-cérebro. O intestino envia continuamente informações ao cérebro, enquanto o cérebro participa do controle da motilidade, da secreção intestinal e da percepção da dor. Na SII, esses sinais podem ser processados de forma diferente.

As paredes dos intestinos são revestidas por camadas de músculos que se contraem e relaxam de forma coordenada, fazendo com que o conteúdo ingerido avance ao longo do trato gastrointestinal. Em alguns pacientes com SII, as contrações podem ser mais intensas ou prolongadas que o habitual, acelerando o trânsito intestinal e contribuindo para o surgimento de cólicas, gases e diarreia.

Em outros pacientes, pode ocorrer a situação inversa, com contrações menos eficientes ou menos frequentes. Nesse caso, o trânsito intestinal torna-se mais lento, favorecendo a formação de fezes secas e duras e o aparecimento de constipação.

Outra alteração comum é a hipersensibilidade visceral. Isso significa que os nervos do intestino e o cérebro reagem de forma exagerada a estímulos que normalmente provocariam pouco ou nenhum incômodo. Uma quantidade de gases ou uma distensão intestinal pouco percebida por outra pessoa pode causar dor, cólica ou grande desconforto em quem tem SII.

Por esse motivo, o paciente pode ter a sensação de produzir gases em excesso quando, na verdade, a quantidade de gás presente no intestino é semelhante à de outras pessoas. O problema, em muitos casos, está na maior sensibilidade à distensão provocada pelos gases, e não necessariamente em uma produção aumentada.

Também podem contribuir alterações da microbiota intestinal, da permeabilidade da mucosa, do metabolismo dos ácidos biliares e da resposta imunológica local. Nenhum desses mecanismos está presente da mesma forma em todos os pacientes.

Por isso, duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem apresentar sintomas e respostas ao tratamento muito diferentes.

Estresse, ansiedade, depressão e experiências traumáticas podem aumentar a sensibilidade intestinal e agravar as crises por meio do eixo intestino-cérebro. Isso não significa que a SII seja uma doença apenas psicológica ou que os sintomas sejam imaginários. Também pode ocorrer o caminho inverso: conviver com dor, distensão e alterações imprevisíveis das evacuações pode aumentar o estresse e a ansiedade.

A SII também pode surgir depois de uma gastroenterite causada por vírus, bactérias ou parasitas. Essa forma é chamada síndrome do intestino irritável pós-infecciosa. A infecção desaparece, mas algumas pessoas permanecem com alterações da sensibilidade, da microbiota e da resposta imunológica intestinal, passando a apresentar dor abdominal, diarreia, urgência para evacuar ou distensão recorrente.

Sintomas da síndrome do intestino irritável

Os pacientes com síndrome do intestino irritável podem apresentar uma grande variedade de sintomas, que incluem não apenas queixas gastrointestinais, mas também manifestações extraintestinais. Contudo, são as alterações intestinais que caracterizam a doença. As principais são dor ou desconforto abdominal recorrente associado a mudanças do hábito intestinal, que podem se manifestar como diarreia, constipação ou alternância entre as duas.

A localização e a intensidade da dor, os fatores desencadeantes e de alívio, o padrão das evacuações e os sintomas associados podem ser bem diferentes de um paciente para outro, o que pode tornar o diagnóstico da SII um desafio para o médico.

Dor ou desconforto abdominal

A dor abdominal da SII é habitualmente descrita como uma cólica de intensidade variável, com períodos de melhora e exacerbação. Não existe uma localização única ou obrigatória. A parte inferior do abdômen, especialmente o lado esquerdo, é frequentemente afetada, mas o paciente pode sentir dor ou desconforto em qualquer região abdominal.

Síndrome do intestino irritável
Sintomas da síndrome do intestino irritável

Os episódios podem ser desencadeados por refeições ou períodos de estresse. Em muitos pacientes, a dor melhora depois da evacuação, mas ela também pode permanecer inalterada ou até piorar. O mais característico é existir alguma relação entre o desconforto abdominal e as evacuações, e não obrigatoriamente alívio após defecar.

Como a dor da síndrome do intestino irritável pode apresentar características muito variadas, é importante reconhecer quando o quadro não parece ser provocado apenas pela SII e precisa de investigação adicional.

Dor abdominal associada a perda de peso involuntária, redução importante do apetite, febre, sangue nas fezes ou vômitos persistentes não é típica da SII. Dor contínua, progressivamente mais intensa ou que acorda o paciente durante a noite também deve ser avaliada, pois pode indicar outra doença gastrointestinal.

Diarreia ou constipação

Um sintoma típico da SII é a alteração do hábito intestinal, que pode se manifestar como diarreia, constipação ou alternância entre períodos de diarreia e prisão de ventre.

Diarreia

Os episódios de diarreia da SII geralmente ocorrem durante o dia, sobretudo pela manhã ou após as refeições. As evacuações podem ser precedidas por cólicas abdominais, que frequentemente melhoram depois de evacuar.

O paciente pode apresentar diarreia súbita, urgência para ir ao banheiro e dificuldade para segurar as fezes por muito tempo. Depois da evacuação, também pode permanecer uma incômoda sensação de que o intestino não esvaziou completamente.

A presença de muco nas fezes pode ocorrer na síndrome do intestino irritável. Fora isso, as fezes costumam ser amolecidas ou aquosas, sem sangue e sem características típicas de má absorção.

Sangue nas fezes, fezes negras, evacuações volumosas, gordurosas ou muito malcheirosas, perda de peso, febre, vômitos persistentes ou diarreia que acorda o paciente durante a noite são sinais de alerta. Nessas situações, devem ser investigadas outras causas, como infecções, doença inflamatória intestinal, doença celíaca, alterações pancreáticas ou outras doenças do aparelho digestivo.

Constipação

Os pacientes com SII podem apresentar períodos de prisão de ventre que duram dias ou semanas, às vezes intercalados com evacuações normais ou episódios de diarreia. Fora das fases de piora, o indivíduo pode permanecer algum tempo sem alterações relevantes, até que uma nova crise seja desencadeada.

As fezes podem ficar pequenas, secas, endurecidas ou em formato de bolinhas. Também são comuns esforço excessivo para evacuar e sensação de evacuação incompleta, mesmo depois de o paciente já ter eliminado fezes.

Outros sintomas gastrointestinais

Inchaço ou distensão abdominal e sensação de excesso de gases são muito frequentes na síndrome do intestino irritável. Urgência para evacuar, muco nas fezes e sensação de evacuação incompleta também podem fazer parte do quadro.

Azia, refluxo, náusea, arrotos e saciedade precoce podem ocorrer no mesmo paciente, mas geralmente estão relacionados a condições associadas, como refluxo gastroesofágico ou dispepsia funcional, e não são sintomas que caracterizam diretamente a SII.

Dificuldade persistente para engolir não é uma manifestação típica da síndrome do intestino irritável e deve ser avaliada separadamente.

Sintomas extra-intestinais

Pessoas com SII podem apresentar com maior frequência outras queixas e condições, como cólica menstrual, dor pélvica, dor durante as relações sexuais, aumento da frequência urinária, fibromialgia, enxaqueca, fadiga e alterações do sono.

Essas manifestações não são utilizadas para diagnosticar a SII e não devem ser automaticamente atribuídas ao intestino. Algumas podem ter causas próprias, enquanto outras compartilham alterações na sensibilidade e no processamento da dor.

Como é feito o diagnóstico?

Não existe um exame laboratorial, de imagem ou endoscópico específico que confirme a síndrome do intestino irritável. O diagnóstico é clínico, baseado no padrão dos sintomas, na sua duração, no exame físico e na ausência de sinais que indiquem outra doença.

Os exames realizados por pacientes com SII frequentemente apresentam resultados normais, mas isso não significa que qualquer alteração encontrada exclua automaticamente o diagnóstico. Uma pessoa pode ter SII e outra condição ao mesmo tempo, como intolerância à lactose ou doença celíaca. No entanto, alterações como anemia, marcadores inflamatórios elevados ou sangue nas fezes exigem investigação própria e não devem ser atribuídas à SII.

Por isso, os exames são escolhidos de acordo com a idade, os sintomas predominantes, o histórico familiar e a presença de sinais de alerta. Nos pacientes com diarreia ou padrão misto, por exemplo, podem ser solicitados exames para doença celíaca e a dosagem de calprotectina fecal, que ajuda a diferenciar a SII das doenças inflamatórias intestinais.

A colonoscopia não é necessária apenas para confirmar a síndrome do intestino irritável em pacientes sem sinais de alarme. Ela pode ser indicada quando há sangue nas fezes, anemia, perda de peso, diarreia noturna, histórico familiar relevante ou necessidade de rastreamento do câncer colorretal conforme a idade e o risco individual.

Critérios de Roma V

Para facilitar e padronizar o diagnóstico, um grupo internacional de especialistas criou os chamados Critérios de Roma, que são atualizados periodicamente.

A versão mais recente, publicada em 2026, é chamada Roma V. Segundo esses critérios, a SII é caracterizada por dor ou desconforto abdominal recorrente, mas não contínuo, presente em média em pelo menos três dias por mês nos últimos três meses e associado a dois ou mais dos seguintes critérios:

  • Relação com a evacuação, podendo melhorar, piorar ou se modificar depois de evacuar.
  • Alteração na frequência das evacuações.
  • Alteração na forma ou aparência das fezes.

Os sintomas devem ter começado pelo menos seis meses antes do diagnóstico.

Os critérios de Roma ajudam a reconhecer o padrão característico da síndrome, mas não substituem a avaliação médica. Quando há sinais de alerta ou características pouco habituais, outras possíveis causas dos sintomas precisam ser investigadas.

Subtipos da síndrome do intestino irritável

Após o estabelecimento do diagnóstico, a SII pode ser classificada em quatro subtipos de acordo com a forma predominante das fezes nos dias em que as evacuações estão alteradas. A Escala de Bristol é utilizada para registrar a consistência das fezes.

Escala de fezes de Bristol
Escala de Bristol
  • Síndrome do intestino irritável com predomínio de constipação: mais de 25% das evacuações alteradas apresentam fezes duras ou em bolinhas, dos tipos 1 ou 2 da Escala de Bristol, e menos de 25% apresentam fezes dos tipos 6 ou 7.
  • Síndrome do intestino irritável com predomínio de diarreia: mais de 25% das evacuações alteradas apresentam fezes pastosas ou líquidas, dos tipos 6 ou 7, e menos de 25% apresentam fezes dos tipos 1 ou 2.
  • Síndrome do intestino irritável mista: mais de 25% das evacuações alteradas apresentam fezes dos tipos 1 ou 2 e mais de 25% apresentam fezes dos tipos 6 ou 7.
  • Síndrome do intestino irritável não classificada: o paciente preenche os critérios diagnósticos para SII, mas o padrão das fezes não permite classificá-lo com precisão em nenhum dos três subtipos anteriores.

O subtipo pode mudar ao longo do tempo. Essa classificação é importante porque os medicamentos e as orientações alimentares podem ser diferentes para pacientes com predomínio de diarreia ou constipação.

Tratamento da síndrome do intestino irritável

Como a síndrome do intestino irritável resulta da combinação de diferentes mecanismos, não existe um único tratamento que funcione para todos. A escolha depende do subtipo da doença, dos sintomas predominantes e do impacto do quadro na qualidade de vida.

Nos pacientes com sintomas leves, mudanças no estilo de vida e na alimentação podem ser suficientes. É importante observar se determinados alimentos, o tamanho das refeições, o consumo de álcool ou cafeína e os períodos de maior estresse estão relacionados às crises.

A atividade física regular, o sono adequado e a manutenção de horários relativamente regulares para as refeições também podem ajudar. A ingestão de líquidos deve ser suficiente para manter uma boa hidratação, principalmente durante episódios de diarreia e quando há aumento do consumo de fibras. Beber água em excesso, porém, não trata isoladamente a SII.

Estresse, ansiedade e outros fatores emocionais podem agravar os sintomas por meio do eixo intestino-cérebro. Estratégias de controle do estresse podem ajudar, mas isso não significa que a SII seja uma doença apenas psicológica.

Dieta para a síndrome do intestino irritável

Não existe uma dieta única para todos os pacientes com SII. Um alimento que desencadeia sintomas em uma pessoa pode ser bem tolerado por outra.

Antes de excluir vários grupos alimentares, pode ser útil manter durante algumas semanas um diário com os alimentos consumidos, o horário das refeições e os sintomas apresentados. Isso ajuda a identificar relações mais consistentes entre a alimentação e as crises.

Algumas medidas gerais que podem ajudar incluem:

  • Fazer refeições menores e em horários regulares.
  • Comer devagar e mastigar bem.
  • Evitar refeições muito volumosas ou ricas em gordura.
  • Reduzir bebidas alcoólicas, refrigerantes e excesso de cafeína quando houver relação com os sintomas.
  • Aumentar as fibras de forma gradual, dando preferência às fibras solúveis.
  • Evitar restrições alimentares extensas sem uma razão clara.

Alguns pacientes com SII são mais sensíveis aos FODMAP, um grupo de carboidratos de cadeia curta que pode ser pouco absorvido no intestino. Essas substâncias atraem água para o interior do intestino e são fermentadas pelas bactérias, podendo provocar gases, distensão, dor, diarreia ou constipação em pessoas predispostas.

Entre os alimentos ricos em FODMAP estão cebola, alho, alho-poró, trigo, centeio, cevada, feijão, lentilha, grão-de-bico, leite comum, maçã, pera, manga, melancia, pêssego, ameixa, cogumelos, couve-flor, castanha de caju, pistache, mel, xarope de milho e adoçantes como sorbitol e manitol, presentes em algumas gomas de mascar e produtos sem açúcar.

Isso não significa que todos esses alimentos devam ser retirados da dieta. A abordagem com baixo teor de FODMAP costuma ser realizada em três etapas:

  1. Restrição temporária: redução dos principais alimentos ricos em FODMAP durante aproximadamente quatro a seis semanas.
  2. Reintrodução: retorno gradual de cada grupo de alimentos para identificar quais realmente provocam sintomas e em que quantidade.
  3. Personalização: manutenção de uma alimentação tão variada quanto possível, restringindo apenas os alimentos e as porções que não são bem tolerados.

Se não houver melhora durante a fase inicial, não há motivo para continuar a dieta restritiva. Quando possível, esse processo deve ser acompanhado por nutricionista com experiência em doenças gastrointestinais.

Algumas pessoas relatam melhora ao retirar o trigo ou alimentos com glúten, mas isso não significa necessariamente que o glúten seja o responsável. O trigo também contém frutanos, que fazem parte dos FODMAP e podem ser a verdadeira causa dos sintomas.

A dieta sem glúten não é recomendada de rotina para todos os pacientes com SII. Antes de retirar completamente o glúten, especialmente nos pacientes com diarreia, é importante investigar a possibilidade de doença celíaca, pois a exclusão prévia pode alterar os resultados dos exames.

Fibras

As fibras solúveis, principalmente o psílio, podem melhorar a consistência das fezes e os sintomas globais da SII, tanto em alguns pacientes com constipação quanto naqueles com padrão misto.

O aumento deve ser gradual, pois uma elevação rápida da quantidade de fibras pode piorar gases, distensão e cólicas.

As fibras insolúveis, como o farelo de trigo, tendem a provocar mais distensão e não apresentam o mesmo benefício para os sintomas globais da SII.

Remédios para a síndrome do intestino irritável

Nos pacientes com sintomas moderados ou intensos, especialmente quando há prejuízo relevante da qualidade de vida, pode ser necessário associar medicamentos. A escolha depende do sintoma predominante, pois um remédio que melhora a diarreia pode piorar a constipação, e vice-versa.

SII com predomínio de diarreia

A loperamida pode reduzir a frequência das evacuações, a urgência e a consistência líquida das fezes. Entretanto, seu efeito sobre a dor abdominal, a distensão e os sintomas globais da SII costuma ser limitado.

Em casos selecionados, o gastroenterologista pode prescrever medicamentos como rifaximina, eluxadolina ou alosetrona. A disponibilidade e a aprovação dessas opções variam conforme o país, e cada uma possui indicações, contraindicações e riscos específicos.

A rifaximina é um antibiótico de ação predominantemente intestinal utilizado por tempo limitado em alguns pacientes com SII e diarreia. Ela não deve ser tomada repetidamente por conta própria para qualquer episódio de gases ou distensão.

SII com predomínio de constipação

O psílio costuma ser uma das primeiras opções, pois pode melhorar tanto a consistência das fezes quanto os sintomas gerais.

O polietilenoglicol, também chamado PEG, aumenta a quantidade de água nas fezes e facilita as evacuações. Ele pode melhorar a constipação, mas nem sempre reduz a dor abdominal ou a distensão provocadas pela SII.

Quando essas medidas não são suficientes, podem ser utilizados medicamentos como linaclotida, lubiprostona, plecanatida ou tenapanor. A escolha depende da disponibilidade no país, das características do paciente, do custo e dos possíveis efeitos adversos.

Cólicas e dor abdominal

Os antiespasmódicos, como o butilbrometo de escopolamina, podem aliviar as cólicas em alguns pacientes, principalmente quando utilizados durante as crises. A resposta varia, e esses medicamentos podem provocar boca seca, visão turva, retenção urinária ou piora da constipação.

O óleo de hortelã-pimenta em cápsulas com revestimento entérico também pode ajudar a reduzir dor e distensão em alguns pacientes. Entretanto, pode piorar a azia e o refluxo.

Neuromoduladores

Alguns antidepressivos, principalmente os tricíclicos, como amitriptilina e nortriptilina, podem ser utilizados em doses baixas para reduzir a sensibilidade intestinal e a transmissão da dor entre o intestino e o cérebro.

Nesse contexto, eles funcionam como neuromoduladores e podem ser indicados mesmo quando o paciente não tem depressão. Como também podem tornar o trânsito intestinal mais lento, costumam ser mais úteis nos pacientes com dor, urgência ou diarreia predominantes.

Os possíveis efeitos adversos incluem sonolência, boca seca, constipação, retenção urinária e alterações do ritmo cardíaco. Por isso, devem ser prescritos e acompanhados pelo médico.

Os antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina, como fluoxetina, sertralina e escitalopram, não apresentam benefício consistente para os sintomas globais da SII e não são indicados rotineiramente apenas para tratar a síndrome. Eles podem, porém, ser utilizados quando existe ansiedade ou depressão associada, conforme avaliação médica.

Psicoterapia direcionada ao intestino

Terapia cognitivo-comportamental, hipnoterapia direcionada ao intestino, técnicas de relaxamento e outras intervenções voltadas ao eixo intestino-cérebro podem reduzir a dor, a distensão e a intensidade global dos sintomas.

Essas terapias não são indicadas apenas para pessoas com ansiedade ou depressão. Elas podem atuar na hipersensibilidade visceral, no medo das crises, na atenção excessiva aos sintomas e na forma como o sistema nervoso processa os sinais enviados pelo intestino.


book Referências bibliográficas


Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Francy

    Doutor, fiz ultrassom, exames de sangue e colonoscopia, e todos vieram normais. Mesmo assim continuo com cólicas, barriga inchada e alternância entre diarreia e prisão de ventre. É possível ter intestino irritável com todos os exames normais?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Sim. Não existe um exame específico que confirme a síndrome do intestino irritável. O diagnóstico é baseado no padrão crônico de dor ou desconforto abdominal associado a alterações das evacuações.

    Exames normais não significam que os sintomas sejam imaginários. Na SII, as principais alterações estão na sensibilidade do intestino, na motilidade e na comunicação com o sistema nervoso, e elas não costumam aparecer na colonoscopia ou no ultrassom.

    Depois que as doenças mais prováveis foram afastadas e o quadro é compatível com os critérios diagnósticos, não há necessidade de repetir exames indefinidamente, a menos que apareça algum novo sinal de alerta.

  2. Andressa

    Dr. Minha mãe sente dores abdominais, gases, arrotos frequentes e constipaçao, quando ingeri alimentos derivados do leite ou comidas com alto teor de gordura. Além disso, tem refluxo e gastrite. Faz acompanhamento com o gastroenterologista. Esses sintomas podem ser gastricos ou SII?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Podem existir mais de uma causa ao mesmo tempo. Refluxo, gastrite ou dispepsia podem explicar queimação, dor na parte superior do abdômen, náusea e arrotos, mas não costumam justificar sozinhos a constipação.

    Sintomas após derivados do leite podem ocorrer por intolerância à lactose, enquanto refeições gordurosas podem piorar o refluxo e desencadear cólicas ou alterações intestinais em pessoas com SII.

    O diagnóstico depende do padrão completo dos sintomas. É importante distinguir se a dor está ligada à evacuação e à mudança das fezes ou se ocorre principalmente na parte superior do abdômen após as refeições.

  3. Arthur

    Comecei a dieta low FODMAP por conta própria e melhorei bastante dos gases. Preciso cortar para sempre cebola, alho, feijão, leite, trigo e várias frutas?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Não. A fase restritiva da dieta com baixo teor de FODMAP é temporária e costuma durar de quatro a seis semanas.

    Se houver melhora, o passo seguinte é reintroduzir os grupos de alimentos gradualmente para descobrir quais realmente provocam sintomas e qual quantidade é tolerada. O objetivo final é manter a alimentação mais variada possível, e não excluir permanentemente todos os alimentos ricos em FODMAP.

    Restrições prolongadas e muito amplas podem causar deficiência nutricional, piorar a relação com a alimentação e alterar desfavoravelmente a microbiota. O ideal é realizar o processo com orientação de nutricionista.

  4. Andrei

    Oi doutor, eu já percebi que o funcionamento do meu intestino é muito irregular, tanto faz ir dia sim dia não no banheiro, como também ficar 5 dias sem ir. Muito raramente eu tenho umas diarréias repentinas, mas esse mês eu já tive duas delas, e aconteceram de madrugada, acordo suando frio e vou no banheiro, sai em grande quantidade, mole e com sensação de inchaço abdominal quando termino. Será que poderia ser algum parasita ou verme?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Diarreia que acorda a pessoa durante a madrugada não é uma manifestação típica da síndrome do intestino irritável e merece investigação, principalmente se for recorrente.

    Parasitoses são uma possibilidade quando há exposição a água ou alimentos contaminados, viagens, contato com pessoas infectadas ou diarreia persistente, mas existem várias outras causas.

    Além disso, constipação prolongada seguida de eliminação de fezes amolecidas pode ocorrer por retenção fecal, sem que isso seja necessariamente SII. Para o diagnóstico de SII, é necessário haver dor ou desconforto abdominal recorrente relacionado às evacuações e às mudanças das fezes, com evolução crônica.

  5. Jaqueline Pinheiro

    Olá Dr. após a leitura do texto vi que apresento a maioria dos sintomas da SII sendo que no meu caso é a constipação o mais comum e também há tipo um nódulo na parte inferior esquerdo do meu abdomem que se contrai, algum tempo atrás estava vomitando sempre em jejum um liquido amarelo e com dores no estomago (aquela queimação) o médico disse que seria a bile, me passou alguns medicamentos e até melhorei um pouco, raramente tenho esses vomitos, gostaria de saber se uma coisa tem haver com a outra e se realmente pode ser a SII.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    A constipação e as cólicas podem ocorrer na SII, mas a sensação de um nódulo ou massa palpável não deve ser atribuída automaticamente à síndrome.

    Em alguns casos, o que a pessoa percebe pode ser uma alça intestinal contraída ou o intestino cheio de fezes, mas também existem outras possibilidades, como alterações da parede abdominal, hérnias ou massas que precisam ser examinadas.

    Vômitos recorrentes, principalmente associados a uma massa palpável, dor persistente, perda de peso ou dificuldade para se alimentar, também não são manifestações típicas da SII. A avaliação presencial com gastroenterologista é necessária.

  6. Heitor Amorim

    Olá Dr. Estou com suspeita de estar com SII, pois ha tres semanas venho sentindo grande parte dos sintomas citado no seu texto. Porem quando fiz endoscopia o resultado foi Pangastrite moderada, estou um pouco confuso e gostaria de sua opinião sobre meu caso… Os sintomas que senti foram mudança no habito instestinal com fezes mais claras, dor abdominal intermitente e também alguns desconfortos em junçoes e músculos da perna.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Três semanas de sintomas ainda é um período curto para estabelecer o diagnóstico de síndrome do intestino irritável, que exige um quadro recorrente e com início há pelo menos seis meses.

    A pangastrite pode explicar queimação, dor na parte superior do abdômen, náusea e desconforto após as refeições, mas geralmente não explica alterações persistentes do hábito intestinal.

    Fezes ocasionalmente mais claras podem ocorrer por alimentação ou trânsito intestinal acelerado. Porém, fezes repetidamente muito pálidas, acinzentadas ou semelhantes a massa de vidraceiro, principalmente com urina escura ou pele amarelada, exigem investigação do fígado, das vias biliares e do pâncreas.

  7. Leandro

    Meu intestino nunca mais voltou ao normal depois de uma intoxicação alimentar que tive há quase um ano. Desde então tenho diarreia, cólicas e muita urgência depois de comer. Uma infecção pode deixar síndrome do intestino irritável?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Sim. Algumas pessoas desenvolvem a chamada síndrome do intestino irritável pós-infecciosa depois de uma gastroenterite causada por bactéria, vírus ou parasita.

    Mesmo após a eliminação da infecção, podem permanecer alterações da sensibilidade intestinal, da microbiota, da barreira da mucosa e da resposta imunológica local. Isso pode provocar dor, diarreia, urgência e distensão por meses ou anos.

    Antes de confirmar o diagnóstico, é importante verificar se a infecção realmente foi resolvida e se não existem sinais de alarme ou outra causa para a diarreia persistente.

  8. Juliana Santos

    Vejo muitas propagandas de probióticos para síndrome do intestino irritável. Eles realmente funcionam ou é mais marketing?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Os estudos com probióticos apresentam resultados inconsistentes. Alguns pacientes relatam melhora de gases, distensão ou regularidade intestinal, mas não existe uma única espécie, combinação ou dose que tenha benefício comprovado para todas as pessoas com SII.

    Os produtos disponíveis são muito diferentes entre si, e um resultado obtido com determinada cepa não pode ser automaticamente aplicado a qualquer probiótico vendido no mercado.

    Por isso, probióticos não são considerados tratamento obrigatório. Quando são testados, convém utilizar um produto bem definido por um período limitado e suspender caso não haja melhora objetiva.

  9. benedito lopes

    DR, boa noite. Lendo seu artigo constatei os sintomas relacionadas sii, as mesmas que venho sentindo de forma inenterrupta a quase 3 anos. infelizmente tenho auto medicado com informações quase sempre conseguida em sites de consulta, pois de todos (3 ou 4) gastros que passei ate hoje as respostas e os tratamentos foram em vão.
    Gostaria de saber se ha possibilidade de uma mesma pessoa ter sii e alergia a lactose ao mesmo tempo.att grato

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Sim, a síndrome do intestino irritável e a intolerância à lactose podem coexistir.

    O termo mais correto, nesse caso, é intolerância à lactose. Ela ocorre quando o intestino tem dificuldade para digerir o açúcar do leite, provocando gases, distensão, cólicas e diarreia. A alergia ao leite é uma reação imunológica às proteínas do leite e é uma condição diferente.

    A intolerância pode ser investigada por teste respiratório ou por uma retirada temporária e orientada da lactose, seguida de reintrodução. Não é recomendável excluir todos os laticínios por tempo indeterminado sem confirmar que eles realmente provocam os sintomas.

  10. Danielle Ruiz de Lima

    Olá Dr Pedro, informações muito úteis, obrigada! Como Psicóloga, senti falta de enfatizar a importância da ajuda psicológica para auxiliar na redução de estresse e na mudança de hábitos para melhora dos sintomas e maior qualidade de vida. Você mencionou o uso de antidepressivos, mas com certeza a psicoterapia é um recurso útil também, não?

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Sim. A psicoterapia pode ser uma parte importante do tratamento, principalmente a terapia cognitivo-comportamental e a hipnoterapia direcionada ao intestino.

    Essas abordagens ajudam a reduzir a hipervigilância aos sintomas, o medo das crises, a percepção da dor e comportamentos de evitação, como deixar de trabalhar, viajar ou comer fora por receio de precisar evacuar.

    O benefício não se limita aos pacientes ansiosos ou deprimidos. A psicoterapia atua no eixo intestino-cérebro e pode melhorar sintomas intestinais mesmo quando não existe um transtorno psicológico associado.

  11. Lilian Fernandes

    Estava procurando ,achei esse resultados
    Pois faço tds os exames e munca achei a causa ,e hj lendo vi que posso ter isso,pois as dores que tenho abdômen td os dias cólicas, dores intestinais ,faz mais de 20 anos com isso menhum médico descobre ,hj lendo esse artigo ,procurando sintomas que sinto pode ser isso síndrome do intestino ,agradeço por esse artigo pois ,me deparei com os sintomas, e acredito que seja isso

  12. DENISE

    Bom dia , Doutor ! Parabéns site esclarecer para todos .
    sofro com esta doença , descobrir depois que fiz todos exames , todos normais, chegando ao diagnostico de SII, tenho dores abdominais, refluxo muita queimação , arroto , e ultimamente venho tendo mal estar logo após a evacuar ( E POSSIVEL SER MAIS UM SITOMA ?) uma indisposição .

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro (CRM RJ 73009-2) Autor

    Algumas pessoas podem apresentar mal-estar, suor frio, fraqueza ou tontura durante ou logo após a evacuação, principalmente quando há dor intensa ou muito esforço. Isso pode ocorrer por uma resposta do sistema nervoso autônomo, incluindo uma reação vagal.

    Entretanto, esse não é um sintoma que define a síndrome do intestino irritável. Refluxo, queimação e arrotos também podem indicar uma condição associada, como refluxo gastroesofágico ou dispepsia funcional.

    Se o mal-estar for intenso, provocar desmaio, vier acompanhado de palpitações, dor no peito, sangue nas fezes ou perda de peso, precisa ser avaliado separadamente.

  13. Rafaela Cristina Farias Bronzato

    Bom dia Doutor, Parabéns pelo site esclarecer sem nos deixar em pânico, fui diagnosticada com SII, e agora com fibromialgia, meus sintomas mais severos são prisão de ventre desde pequena, estufamento abdominal com gases desde os 15 anos, e hoje com 42 todos estão intensos, tudo que como passo mau, estufo e fico com gases, não acertei nenhum médico que me passasse um remédio para alivio dos sintomas da SII, trato a fibromialgia com remédios naturais e deu resultado.

  14. MONICA LUISA TEIXEIRA

    Este foi o melhor site que pesquisei. Parabéns! Completo!

    Só queria que existisse a cura, pois também tenho fibromialgia e hipotiroidismo. Há dias que só quero dormir. E quando vem as dores, não consigo trabalhar, nem sair. Isso interfere no humor, estraga férias e fins de semana.

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