O que é um divertículo intestinal?
Um divertículo intestinal é uma pequena bolsa que se forma na parede do intestino grosso (cólon), geralmente nas áreas onde os vasos sanguíneos penetram a camada muscular do intestino. Essa protrusão se assemelha ao formato de um dedo de luva ou de uma bolha, e ocorre com mais frequência na porção final do cólon, especialmente no cólon sigmoide e cólon descendente.
Essas pequenas bolsas são mais comuns em pessoas com mais de 60 anos, embora também possam aparecer em adultos mais jovens. Muitas pessoas desenvolvem um ou mais divertículos ao longo da vida sem apresentar qualquer sintoma — esse achado é, frequentemente, incidental em exames como a colonoscopia ou a tomografia computadorizada. Ou seja, o paciente faz os exames por qualquer outro motivo e acaba descobrindo que tem divertículos no intestino.
O tamanho dos divertículos geralmente varia entre 0,5 e 1 centímetro de diâmetro, mas podem ser maiores. Eles surgem principalmente em áreas mais frágeis da parede intestinal, justamente onde passam vasos sanguíneos — fato que se torna relevante ao considerarmos possíveis complicações como sangramentos digestivos.
Eventualmente, os divertículos podem se infectar, levando a um quadro chamado diverticulite, que costuma cursar com febre, dor abdominal e alterações do trânsito intestinal.
Diferenças entre diverticulite ou diverticulose
Quando um exame de imagem ou endoscopia identifica pelo menos um divertículo no cólon, diz-se que o paciente é portador de doença diverticular, também chamada de diverticulose. Esse termo, portanto, refere-se simplesmente à presença de divertículos no intestino grosso, mesmo que não haja sintomas.
A maioria dos indivíduos com diverticulose não apresenta qualquer tipo de desconforto ou sinal clínico. Trata-se, na maior parte dos casos, de uma condição assintomática. Muitos pacientes sequer sabem que possuem divertículos.
Já a diverticulite ocorre quando um ou mais desses divertículos se inflamam. O termo significa, literalmente, “inflamação do divertículo”, e representa uma complicação da diverticulose. A inflamação pode ser causada pela obstrução do divertículo por resíduos fecais, o que favorece a proliferação de bactérias e desencadeia uma resposta inflamatória localizada (leitura sugerida: O que são inflamação, pus, abscesso e empiema?)

Em resumo:
- Diverticulose: presença de um ou mais divertículos no intestino grosso.
- Diverticulite: Inflamação de um ou mais divertículos, geralmente com sintomas.
É importante destacar que nem todo paciente com diverticulose desenvolverá diverticulite. No entanto, quanto maior for o número de divertículos e mais avançada a idade, maior será o risco de complicações ao longo do tempo.
Como surge a diverticulite?
Atualmente, admite-se que a principal causa da diverticulite seja a obstrução do divertículo por pequenos fragmentos de fezes endurecidas (chamados fecalitos), o que favorece a proliferação de bactérias no interior da bolsa e leva à inflamação local. Essa inflamação pode variar de um quadro leve e autolimitado até formas graves, com formação de abscessos, perfuração intestinal ou até peritonite (inflamação do peritôneo, membrana que envolve os órgãos abdominais).
Apesar de ainda ser comum entre pacientes e até profissionais de saúde, não há evidência científica que sustente a recomendação de evitar alimentos como sementes, amendoins, pipoca ou grãos inteiros com o intuito de prevenir a obstrução dos divertículos. Diretrizes atuais, como as da American Gastroenterological Association e da British Society of Gastroenterology, consideram essa orientação um mito sem respaldo científico.
Portanto, pessoas com diverticulose não precisam excluir alimentos específicos da dieta com base em seu tamanho ou textura. O foco principal deve estar em uma alimentação equilibrada, rica em fibras naturais, adequada à tolerância individual.
É importante também distinguir que a diverticulose é uma condição crônica e estrutural, enquanto a diverticulite é um evento agudo e inflamatório que pode ocorrer repetidamente em um mesmo paciente ou, em muitos casos, apenas uma vez ao longo da vida.
O que causa a formação dos divertículos?
A formação de divertículos no intestino grosso está relacionada a fatores estruturais e funcionais que afetam a parede do cólon ao longo do tempo. A diverticulose é considerada uma condição multifatorial e tende a surgir com o envelhecimento.
Os divertículos se desenvolvem principalmente em áreas onde há fraqueza da camada muscular do intestino, especialmente nos pontos de entrada dos vasos sanguíneos.
Combinada a essa fragilidade anatômica, o aumento da pressão interna do cólon — como resultado de contrações intestinais vigorosas em pacientes com constipação intestinal — força a mucosa a se projetar para fora da parede intestinal, formando essas pequenas bolsas.
Principais fatores de risco para diverticulose:
- Envelhecimento: a idade é o principal fator de risco. Estima-se que cerca de 30% das pessoas acima de 60 anos e mais de 60% dos indivíduos acima dos 80 anos tenham divertículos, mesmo que assintomáticos. O envelhecimento favorece o enfraquecimento da musculatura intestinal.
- Alimentação pobre em fibras: dietas com baixo teor de fibras levam à formação de fezes ressecadas e de pequeno volume, o que exige mais esforço do intestino para a propulsão do conteúdo fecal. Esse aumento da pressão intraluminal favorece a formação dos divertículos. Apesar de essa hipótese ter sido questionada em estudos mais recentes, as diretrizes atuais ainda recomendam o consumo adequado de fibras, tanto para prevenção da constipação quanto como possível fator protetor contra a progressão da doença diverticular.
- Constipação intestinal crônica: a dificuldade para evacuar, muitas vezes associada a esforço excessivo, está diretamente relacionada ao aumento da pressão dentro do cólon, o que contribui para o aparecimento dos divertículos (leitura sugerida: Constipação intestinal (prisão de ventre)).
- Obesidade: diversos estudos associam o excesso de peso, especialmente a gordura abdominal, a um risco aumentado de desenvolvimento e complicações da doença diverticular (leitura sugerida: O que é obesidade e sobrepeso?).
- Sedentarismo: a falta de atividade física regular também está ligada a maior incidência de diverticulose e diverticulite. O exercício físico contribui para o bom funcionamento intestinal e pode exercer efeito protetor.
- Tabagismo: o cigarro tem sido associado não apenas à presença de divertículos, mas também a maior risco de complicações, como perfuração e abscessos (leitura sugerida: Doenças provocadas pelo cigarro).
Embora menos relevantes, fatores genéticos, alterações da microbiota intestinal e uso crônico de medicamentos como anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) também vêm sendo estudados como possíveis contribuidores para a doença diverticular.

Quais são os sintomas da diverticulose?
Como já explicado, a diverticulose — ou seja, a presença de divertículos no intestino grosso — costuma ser uma condição assintomática. Na maioria dos casos, os divertículos são descobertos de forma incidental durante exames como colonoscopia ou tomografia abdominal realizados por outros motivos.
Entretanto, quando surgem complicações, especialmente a diverticulite, os sintomas tornam-se evidentes e, em alguns casos, intensos. Além da inflamação, outras complicações possíveis incluem sangramento intestinal, fístulas e, mais raramente, obstruções intestinais.
Sintomas da diverticulite aguda
A diverticulite aguda ocorre quando há inflamação de um ou mais divertículos, geralmente por obstrução com fecalitos e proliferação bacteriana local. É por vezes chamada de “apendicite do lado esquerdo”, pois o quadro clínico é semelhante ao da apendicite aguda, mas geralmente afeta a região inferior esquerda do abdômen (leitura sugerida: Dor na barriga: 40 causas e 13 sinais de gravidade).
Os sintomas mais comuns da diverticulite incluem:
- Dor abdominal intensa, especialmente na parte inferior esquerda do abdômen (fossa ilíaca esquerda).
- Febre, geralmente baixa a moderada.
- Alterações no hábito intestinal, como diarreia ou constipação.
- Náuseas e vômitos.
- Mal-estar geral e fadiga.
Em casos raros, quando os divertículos inflamados estão localizados no lado direito do cólon, o quadro pode simular uma apendicite aguda, dificultando o diagnóstico clínico inicial.
Complicações da diverticulite
A maioria dos casos de diverticulite é leve, mas aproximadamente 15% dos pacientes podem evoluir com complicações, especialmente se não houver tratamento adequado nas fases iniciais.
Complicações possíveis incluem:
Perfuração intestinal
A inflamação intensa pode causar rompimento da parede do divertículo, permitindo o vazamento de conteúdo intestinal para a cavidade abdominal. Isso leva a uma peritonite, uma condição grave caracterizada por dor abdominal difusa, febre alta e rigidez da parede abdominal.
Peritonite é a inflamação do peritônio, a membrana que reveste a cavidade abdominal e recobre os órgãos internos.
Abscesso diverticular
O acúmulo de pus ao redor do divertículo inflamado forma um abscesso, que pode causar febre persistente, dor localizada e piora do estado geral. Abscessos maiores podem necessitar de drenagem cirúrgica ou por punção guiada por imagem.
Fístulas intestinais
A inflamação pode romper barreiras entre órgãos vizinhos, formando fístulas — comunicações anormais entre o cólon e outras estruturas. As fístulas mais comuns são:
1. Fístula colovesical (comunicação entre cólon-bexiga): se a diverticulite ocorre em uma área do intestino próxima à bexiga, a inflamação pode fazer com que essas duas áreas se grudem, criem um orifício em comum e uma comunicação entre elas, fazendo com que urina entre em contato com o intestino e fezes com a bexiga, causando sintomas como:
- Pneumatúria (presença de gás na urina).
- Fecalúria (presença de fezes na urina).
- Disúria (dor ao urinar).
- Infecções urinárias de repetição.
2. Fístula colovaginal (comunicação entre cólon-vagina): provoca eliminação de fezes ou gases pela vagina, sendo mais frequente em mulheres que já passaram por cirurgias ginecológicas ou histerectomia.

Sangramento intestinal
Como os divertículos se formam frequentemente nas áreas onde passam vasos sanguíneos, a erosão dessas estruturas pode levar a sangramentos digestivos. O sangramento geralmente é abundante, de início súbito, com sangue vivo nas fezes (hematoquezia) (leitura sugerida: Sangue nas fezes: causas de hemorragia digestiva).
Obstrução intestinal
Durante uma crise aguda de diverticulite, o inchaço da parede intestinal ou a presença de um abscesso podem causar obstrução parcial do cólon. Já nos casos crônicos, episódios repetidos de inflamação podem provocar estenose (estreitamento permanente), com risco de obstrução intestinal completa — quadro que exige abordagem cirúrgica.
Como é feito o diagnóstico da diverticulose e da diverticulite?
Diagnóstico da diverticulose
A diverticulose geralmente é identificada de forma acidental, já que a maioria dos pacientes não apresenta sintomas. O achado costuma ocorrer durante exames realizados para outras finalidades, como:
- Colonoscopia: muito usada para rastreamento do câncer de cólon, é um dos métodos mais sensíveis para detectar a presença de divertículos.
- Tomografia computadorizada do abdômen: especialmente se for feita com contraste, também pode revelar divertículos, mesmo quando não estão inflamados.
Importante: a presença de divertículos isoladamente não exige tratamento específico, mas merece acompanhamento clínico e orientações sobre estilo de vida.
Diagnóstico da diverticulite aguda
Nos casos de suspeita de diverticulite, principalmente diante de dor abdominal na fossa ilíaca esquerda associada à febre e alterações do hábito intestinal, o exame de escolha é a tomografia computadorizada (TC) de abdômen com contraste.
A TC é o exame mais eficaz para:
- Confirmar o diagnóstico de diverticulite;
- Avaliar a extensão da inflamação;
- Detectar complicações, como abscessos, perfurações ou fístulas.
A tomografia é essencial para guiar o tratamento, ajudando a decidir entre abordagem ambulatorial ou hospitalar, e a necessidade de cirurgia ou drenagem.
A ultrassonografia abdominal pode ser utilizada como exame inicial, especialmente em serviços de urgência ou em pacientes com restrição ao uso de contraste. Embora menos sensível que a tomografia, pode sugerir o diagnóstico de diverticulite e identificar abscessos maiores.
Colonoscopia: quando fazez?
A colonoscopia não é indicada durante a fase aguda da diverticulite, pois o exame pode agravar a inflamação e até causar perfuração intestinal. No entanto, ela costuma ser realizada cerca de 6 a 8 semanas após a resolução do quadro agudo, com os seguintes objetivos:
- Confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão da diverticulose;
- Descartar outras doenças com sintomas semelhantes, como câncer de cólon, colite isquêmica ou doença inflamatória intestinal.
A exceção é nos casos em que o paciente apresenta sangramento retal ativo, mas sem sinais de diverticulite: nesses casos, a colonoscopia pode ser realizada de forma precoce, visando localizar e tratar a fonte do sangramento.
Critérios para diferenciar diverticulite leve de moderada/grave
Diverticulite leve (não complicada)
Características clínicas:
- Dor localizada (geralmente na fossa ilíaca esquerda), sem sinais de irritação peritoneal.
- Febre baixa ou ausente.
- Sem náuseas ou vômitos persistentes.
- Estado geral preservado.
- Sinais vitais estáveis (pressão, frequência cardíaca, respiração).
- Tolerância alimentar possível.
- Sem sinais de sepse (leia: Sepse: o que é, causas, sintomas e tratamento).
Exames laboratoriais:
- Leucocitose discreta ou normal;
- PCR e VHS levemente elevados ou normais.
Imagem (TC):
- Espessamento da parede colônica;
- Gordura pericólica inflamada (sinal de inflamação local);
- Sem abscessos, sem extravasamento de ar ou líquido, sem obstrução.
Diverticulite moderada a grave (complicada)
Características clínicas:
- Dor abdominal intensa, difusa ou com sinais de irritação peritoneal.
- Febre alta (>38,5°C).
- Náuseas e/ou vômitos persistentes.
- Taquicardia, hipotensão ou outros sinais de instabilidade hemodinâmica.
- Prostração ou estado geral comprometido.
- Incapacidade de se alimentar.
- Paciente idoso, imunossuprimido ou com comorbidades graves.
Exames laboratoriais:
- Leucocitose significativa (>15.000/mm³).
- PCR elevada (>150 mg/L ou 15 mg/dL);
- Anemia ou sinais de sepse.
Imagem (TC com contraste):
- Presença de abscesso pericólico ou pélvico.
- Perfuração (extravasamento de ar ou fezes livres na cavidade).
- Fístulas.
- Obstrução intestinal parcial ou total.
- Coleções líquidas (acúmulo anormal de líquido fora do intestino)
Tratamento da diverticulose
O tratamento depende diretamente do estágio da doença diverticular e da presença (ou não) de sintomas ou complicações. A abordagem é diferente para pacientes com diverticulose assintomática, com sangramento, ou com diverticulite aguda — leve ou complicada.
Tratamento da diverticulose assintomática
Pacientes que possuem divertículos no cólon, mas não apresentam sintomas, não necessitam de medicamentos ou procedimentos específicos.
As principais recomendações incluem:
- Aumento do consumo de fibras (frutas, vegetais, cereais integrais), salvo contraindicações clínicas.
- Boa hidratação diária, para evitar constipação.
- Atividade física regular.
- Controle de peso e abandono do tabagismo.
Essas medidas buscam facilitar o trânsito intestinal, reduzir a pressão intraluminal do cólon e, possivelmente, prevenir a progressão para diverticulite ou outras complicações.
Nota: a eficácia das fibras em prevenir a diverticulite ainda é debatida na literatura. No entanto, continuam sendo recomendadas por sua ação benéfica geral sobre o funcionamento intestinal.
Entre os pacientes com doença diverticular:
- 80% permanecem assintomáticos.
- Cerca de 15% pode apresentar sangramento digestivo;
- Apenas 5% desenvolvem diverticulite.
Entre os que têm diverticulite:
- 85% apresentam forma leve, tratável de forma conservadora;
- 15% evoluem com complicações, como abscessos, perfuração ou fístulas.
Tratamento da diverticulose com sangramento intestinal
Nos casos em que a diverticulose causa sangramento digestivo (geralmente retal, com sangue vermelho vivo), a primeira abordagem é:
- Colonoscopia de urgência, caso o sangramento esteja ativo e o paciente esteja estável;
- Se identificado o divertículo sangrante, pode-se realizar hemostasia endoscópica com clipes, coagulação ou injeção.
- Quando não é possível localizar ou controlar a hemorragia:
- Pode-se realizar angiografia com embolização seletiva.
- Casos refratários podem requerer cirurgia de ressecção do segmento colônico afetado.
Nota: na maioria dos casos, o sangramento diverticular cessa espontaneamente sem necessidade de cirurgia.
Tratamento da diverticulite aguda
O manejo da diverticulite depende da gravidade do quadro clínico, da presença de sinais de alarme e da resposta ao tratamento inicial.
Diverticulite leve (sem complicações)
Em casos leves, o tratamento pode ser feito em domicílio, com monitoramento médico ambulatorial.
As medidas incluem:
- Repouso relativo.
- Dieta líquida ou pastosa, nos primeiros dias, com evolução progressiva conforme melhora.
- Analgésicos simples, como dipirona ou paracetamol.
Na maioria dos casos — segundo diretrizes atuais, como da American Gastroenterological Association (2021), pacientes imunocompetentes, sem sinais sistêmicos de infecção, não precisam de antibióticos para tratar diverticulite.
O acompanhamento do quadro de diverticulite aguda leve inclui:
- Reavaliação médica em 48 a 72 horas após o início dos sintomas.
- Seguimento clínico semanal até resolução completa.
- Colonoscopia tardia (6 a 8 semanas) para confirmar o diagnóstico e excluir outras patologias.
Diverticulite moderada ou complicada
Nos casos com dor intensa, febre persistente, piora clínica ou sinais de complicação (abscesso, peritonite, obstrução), o tratamento deve ser hospitalar.
Condutas incluem:
- Jejum e hidratação venosa.
- Antibióticos intravenosos, com cobertura para bactérias gram-negativas e anaeróbias (ex: ciprofloxacino + metronidazol ou ceftriaxona + metronidazol);
- Controle rigoroso da dor,
- Exames de imagem de controle, se não houver melhora clínica após 48 a 72 horas.
Se houver formação de abscesso, pode ser necessário drenagem percutânea guiada por tomografia ou, em casos mais graves, cirurgia de urgência.
Quando a cirurgia é indicada?
Em casos graves de diverticulite, como perfuração do intestino, obstrução severa, formação de fístulas ou sangramento persistente, o tratamento clínico pode não ser suficiente. Nessas situações, é indicada uma cirurgia para remover a parte do intestino comprometida.
O procedimento mais comum é chamado de colectomia segmentar, que consiste em retirar apenas o trecho do intestino afetado (geralmente uma parte do cólon sigmoide ou descendente), preservando o restante do órgão.
Em casos mais graves, se houver perfuração do intestino e contaminação da cavidade abdominal por fezes, é necessário realizar um procedimento chamado cirurgia de Hartmann. Nesse tipo de cirurgia:
- A parte inflamada do intestino é removida.
- A extremidade saudável do intestino é trazida até a pele do abdômen, formando uma colostomia (uma abertura por onde as fezes passam temporariamente para uma bolsa coletora).
- A outra extremidade (mais distal) do intestino é fechada e deixada dentro do abdômen para posterior reconexão.
A colostomia costuma ser temporária e permite que o intestino cicatrize após a inflamação e a cirurgia. Após alguns meses (geralmente entre 3 e 6), é possível fazer uma nova cirurgia para reconectar as duas pontas do intestino e restabelecer o trânsito intestinal normal, encerrando a necessidade da bolsa.
Perguntas frequentes (FAQ)
Diverticulite pode virar câncer?
Não. A diverticulite não aumenta o risco de câncer de intestino. No entanto, os sintomas da diverticulite — como dor abdominal, alteração do hábito intestinal e sangramento — podem ser semelhantes aos de alguns tipos de câncer colônico. Por isso, após um episódio de diverticulite, é comum que os médicos solicitem uma colonoscopia para descartar tumores e outras doenças.
Diverticulite é uma doença grave?
Depende do caso. Na maioria das vezes, a diverticulite é leve e autolimitada, especialmente quando tratada precocemente. No entanto, ela pode se tornar grave se evoluir com complicações como perfuração, abscesso, fístulas ou peritonite. Por isso, é importante procurar atendimento médico ao apresentar sintomas sugestivos, como dor abdominal intensa, febre e alteração do hábito intestinal.
Qual o cardápio ideal para quem tem diverticulite?
Durante uma crise aguda de diverticulite, recomenda-se uma dieta líquida ou pastosa nos primeiros dias, como:
— Caldos coados;
— Sucos diluídos;
— Água de coco;
— Gelatina;
— Chá sem cafeína.
À medida que os sintomas melhoram, introduzem-se alimentos leves, como arroz, purê, carnes magras cozidas e legumes bem cozidos. Após a recuperação, é indicada uma alimentação rica em fibras — sob orientação médica ou nutricional — para prevenir novos episódios.
Quem tem diverticulite pode comer banana?
Sim. A banana é bem tolerada pela maioria das pessoas com diverticulite, especialmente fora das crises. Ela é uma fruta de fácil digestão, contém fibras solúveis e ajuda a regular o trânsito intestinal. Durante a fase aguda, pode ser incluída quando o paciente já tolera alimentos sólidos leves.
Quem tem diverticulite pode comer queijo?
Depende do tipo de queijo e da fase da doença. Durante crises agudas, o ideal é evitar queijos gordurosos e fermentados, que podem causar desconforto abdominal. Após a recuperação, queijos brancos e magros, como ricota, cottage ou minas fresco, podem ser consumidos com moderação. Queijos amarelos, curados ou muito gordurosos devem ser ingeridos com cautela, pois podem dificultar a digestão.
Quem tem diverticulite pode tomar leite?
Durante a fase aguda, o leite e derivados podem causar desconforto em algumas pessoas, especialmente se houver intolerância à lactose. Após a recuperação, o leite pode ser reintroduzido gradualmente, dando preferência às versões desnatadas ou sem lactose, conforme a tolerância individual.
Qual anti-inflamatório tomar para diverticulite?
Anti-inflamatórios não são recomendados como tratamento padrão da diverticulite. Na verdade, o uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como ibuprofeno ou diclofenaco, pode aumentar o risco de complicações, como perfuração intestinal e sangramento. A dor abdominal na diverticulite deve ser controlada com analgésicos simples (como dipirona ou paracetamol). Nunca se automedique — o uso de anti-inflamatórios deve ser evitado, a menos que prescrito pelo médico.
A diverticulite pode voltar?
Sim. Cerca de 20% dos pacientes que tiveram um episódio de diverticulite terão uma nova crise em algum momento da vida. O risco é maior nos primeiros anos após o primeiro evento. Por isso, manter uma dieta equilibrada, hábitos saudáveis e acompanhamento médico regular é essencial para prevenir recorrências.
Quem tem diverticulite precisa fazer cirurgia?
Nem sempre. A maioria dos casos de diverticulite é leve e responde bem ao tratamento clínico, sem necessidade de cirurgia. A cirurgia só é indicada em situações graves ou complicadas, como perfuração, abscesso grande, obstrução ou fístulas, ou quando há crises recorrentes que comprometem a qualidade de vida do paciente.
Diverticulite tem cura?
Sim. A diverticulite, em sua forma aguda, pode ser totalmente resolvida com tratamento adequado. No entanto, a diverticulose (presença de divertículos) costuma ser uma condição crônica. Isso significa que, mesmo após a cura da inflamação, os divertículos permanecem, e o paciente deve adotar medidas de prevenção para evitar novas crises.
Quem tem diverticulose pode fazer exercícios físicos?
Sim, e isso é até recomendado. A prática regular de exercícios físicos está associada a menor risco de desenvolver diverticulite e pode ajudar a manter o trânsito intestinal mais eficiente. Durante uma crise aguda, o repouso é indicado, mas após a recuperação, a retomada gradual das atividades físicas é benéfica e segura.
Quanto tempo dura uma crise de diverticulite?
Em casos leves, a crise costuma melhorar em 3 a 7 dias, com repouso, dieta adequada e acompanhamento médico. Em quadros mais graves ou com complicações, a recuperação pode levar semanas, especialmente se for necessária internação, drenagem ou cirurgia.
Referências
- AGA Clinical Practice Update on Medical Management of Colonic Diverticulitis: Expert Review – Gastroenterology.
- Epidemiology, Pathophysiology, and Treatment of Diverticulitis – Gastroenterology.
- Acute Diverticulitis – StatPearls.
- Diverticular disease: Epidemiology and management – Canadian journal of gastroenterology & hepatology.
- Diagnosis and Management of Acute Diverticulitis – American Family Physician.
- Acute colonic diverticulitis: Triage and inpatient management – UpToDate.
- Acute colonic diverticulitis: Outpatient management and follow-up – UpToDate.
- Clinical manifestations and diagnosis of acute diverticulitis in adults – UpToDate.
- Colonic diverticulosis and diverticular disease: Epidemiology, risk factors, and pathogenesis – UpToDate.
Dúvidas de leitores sobre este tema
Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.
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Obrigado Doutor!!