Principais informações sobre a doença de Alzheimer
A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência em idosos. Ela provoca perda progressiva de memória, dificuldade de raciocínio, alterações de comportamento e, nas fases avançadas, dependência para atividades básicas, como tomar banho, vestir-se e se alimentar.
Esquecimentos ocasionais podem acontecer com qualquer pessoa, mas acendem sinal de alerta quando se tornam frequentes, progressivos e atrapalham a vida diária, como esquecer compromissos importantes, perder-se em lugares conhecidos, repetir várias vezes a mesma pergunta ou ter dificuldade para lidar com dinheiro, remédios e tarefas habituais.
O diagnóstico é feito pela avaliação clínica, testes cognitivos e exclusão de outras causas de perda de memória. Em casos selecionados, exames como ressonância, PET, análise do líquido cefalorraquidiano e biomarcadores no sangue podem ajudar a confirmar a presença de alterações típicas da doença.
O mal de Alzheimer ainda não tem cura. Medicamentos como donepezila, rivastigmina, galantamina e memantina podem aliviar sintomas ou retardar parte da perda funcional em alguns pacientes. Mais recentemente, anticorpos antiamiloide, como lecanemabe e donanemabe, passaram a ser opções para casos iniciais bem selecionados, mas não são indicados para demência avançada e exigem avaliação especializada.
O que é a doença de Alzheimer?
O mal de Alzheimer, também conhecido como doença de Alzheimer, é uma doença degenerativa e progressiva que provoca atrofia do cérebro, levando à demência em pacientes idosos.
Sabemos que o mal de Alzheimer ataca preferencialmente os pacientes idosos, acima dos 65 anos, porém, suas causas ainda não foram elucidadas. Atualmente, admite-se que haja uma associação entre propensão genética e exposição a fatores ambientais ainda não reconhecidos.
Neste artigo abordaremos exclusivamente o mal de Alzheimer. Para informações gerais sobre as demências, leia: Demência – Causas, sintomas e tratamento.
O mal de Alzheimer é uma doença de lenta e progressiva evolução, que destrói as funções mentais importantes, levando o paciente à demência, um termo utilizado para indicar que o indivíduo perdeu suas capacidades de raciocínio, julgamento e memória, tornando-o dependente de apoio nas suas atividades diárias. O mal de Alzheimer é a causa mais comum de demência, sendo responsável por mais de 60% dos casos.
Na doença de Alzheimer, os neurônios e suas conexões se degeneram e morrem, causando atrofia cerebral e declínio global na função mental.
Apesar de já termos reconhecido diversos fatores de risco, a exata causa do mal de Alzheimer ainda é um mistério. Acredita-se que o acúmulo nos neurônios de uma proteína chamada beta-amiloide e de outra chamada tau seja o fator responsável pelo desencadeamento da doença. O porquê destas substâncias se acumularem em umas pessoas e não em outras ainda precisa ser elucidado.

Como não há cura para a doença de Alzheimer, o diagnóstico precoce é importante para se tentar preservar ao máximo as capacidades intelectuais e prolongar a qualidade de vida do paciente e de seus cuidadores.
Fatores de risco
O maior fator de risco para o mal de Alzheimer é a idade avançada. Após os 65 anos, a chance de se desenvolver Alzheimer dobra a cada cinco anos, fazendo com que 40% das pessoas acima de 85 anos tenham a doença. Raramente, o mal de Alzheimer surge antes dos 60 anos de idade.
Curiosamente, os pacientes que chegaram aos 90 anos sem sinais da doença apresentam baixo risco de desenvolvê-la posteriormente.
Além da idade, outro fator de risco importante é a história familiar. Pessoas com familiares de primeiro grau com Alzheimer apresentam maior risco de também tê-lo, evidenciando um papel importante da carga genética.
O mal de Alzheimer é duas vezes mais comum em negros do que em brancos (nota: dados da população americana); também é mais comum em mulheres do que em homens.
Alguns outros fatores também parecem aumentar os riscos de desenvolvimento do Alzheimer, entre eles:
- Sedentarismo.
- Tabagismo.
- Hipertensão arterial.
- Colesterol elevado.
- Diabetes mellitus.
- Depressão após os 50 anos.
De forma oposta, alguns fatores relacionados à estimulação do cérebro parecem reduzir o risco do desenvolvimento do Alzheimer, tais como:
- Grau de escolaridade elevado.
- Trabalhos que são intelectualmente estimulantes.
- Leitura frequente.
- Tocar instrumentos musicais.
- Interação social frequente.
Quais são os principais sintomas de Alzheimer
Como a doença de Alzheimer é a principal causa de demência no mundo, e a demência é a principal característica clínica da doença de Alzheimer, vale a pena gastarmos algumas linhas explicando o conceito de demência.
A demência é uma síndrome, ou seja, um conjunto de sinais e sintomas relacionados à deterioração das capacidades intelectuais do paciente. Além da doença de Alzheimer, é também comum a ocorrência de demência em pacientes com múltiplos AVC, doença de Parkinson, alcoolismo crônico, traumas cranianos, deficiência de vitaminas, hipotireoidismo grave, tumor cerebral e algumas outras doenças neurológicas.
Falamos da demência de origem vascular no artigo: Demência vascular: o que é, sintomas, causas e tratamentos.
A síndrome demencial apresenta três características básicas:
- Alterações da memória.
- Alterações da capacidade intelectual, incluindo dificuldades com raciocínio lógico, linguagem, escrita, organização do pensamento, interpretações dos estímulos visuais, planejar e realizar tarefas complexas, etc.
- Alterações de comportamento, como perda da inibição, agitação e alucinações, etc.
A demência é uma síndrome de instalação lenta e progressiva, que muitas vezes passa despercebida em estágios iniciais. É comum o paciente idoso com demência em fases precoces ter suas alterações tratadas como “coisas normais da idade”.
É importante salientar que pequenos esquecimentos são comuns e ocorrem com todas as pessoas, principalmente em períodos de maior estresse ou cansaço.
Todavia, quando os lapsos de memória começam a ocorrer com frequência e são importantes, como esquecer o próprio endereço, sair de casa e perder-se, esquecer nomes de pessoas familiares, etc., devemos acender um sinal de alerta.
Se junto com a perda frequente e progressiva de memória para fatos recentes, o idoso também apresentar alterações do comportamento social, como apatia e tendência a isolar-se, além de períodos de confusão, como guardar sal na geladeira ou as chaves de casa no armário dos alimentos, a demência deve ser uma hipótese a ser considerada.
O esquecimento da demência é diferente do esquecimento comum do dia a dia. Uma pessoa pode esquecer de uma reunião agendada, mas quando alguém a avisa, ela lembra-se de tê-la marcado. O paciente com Alzheimer esquece a reunião e nem sequer lembra de tê-la alguma vez marcada, mesmo que a veja escrita com sua letra em uma agenda.
Nas fases iniciais da doença de Alzheimer, o próprio paciente não consegue reconhecer estes déficits neurológicos, arranjando sempre uma desculpa para justificar estas falhas. Como o paciente não se dá conta da doença, muitas vezes os familiares também demoram a valorizar as alterações. Conforme a demência avança, a família começa a notar que os sinais e sintomas começam a ficar muito evidentes e já não mais se encaixam no que as pessoas consideram natural para a idade.
Os pacientes com doença de Alzheimer em fases mais avançadas podem apresentar apatia, depressão ou agressividade, leem coisas e não conseguem interpretá-las, são incapazes de fazer cálculos, não conseguem nomear objetos e não reconhecem pessoas familiares.
Com o tempo, tornam-se incapazes de realizar tarefas básicas, como se vestir e tomar banho. O paciente costuma também ficar desorientado no tempo e no espaço, não sabendo indicar a data atual nem identificar geograficamente onde se encontra.
Perda das inibições é outro sintoma comum do Alzheimer. O paciente pode mostrar sua genitália em público, acusar pessoas de roubarem seus objetos, falar palavrões ou obscenidades indiscriminadamente, ou insultar os outros sem motivo aparente.
Incontinência urinária ou fecal também pode surgir em fases avançadas.
Explicamos os sintomas da doença de Alzheimer com mais detalhes no seguinte artigo: 10 sintomas típicos da doença de Alzheimer.
Como habitualmente evolui a doença de Alzheimer?
A doença de Alzheimer é uma doença que inexoravelmente progride. Existem casos de Alzheimer por mais de duas décadas e casos de pacientes com rápida evolução em apenas dois ou três anos.
Muitas vezes é difícil estabelecer retrospectivamente uma data para o início dos sintomas, o que atrapalha na hora de se avaliar o tempo de progressão da doença. Sabe-se, entretanto, que uma vez estabelecido o diagnóstico do mal de Alzheimer, a expectativa de vida do paciente costuma ser ao redor de três a oito anos.
O que leva o paciente ao óbito não é a doença em si, mas sim suas complicações, como acidentes e quedas com traumatismos cranianos, dificuldade em engolir — o que ocasiona broncoaspiração e desnutrição — e restrição ao leito, que favorece o surgimento de infecções e escaras (úlceras de pressão). A pneumonia e a infecção urinária costumam ser os principais tipos de infecção do paciente com Alzheimer.
Quanto maiores forem os cuidados fornecidos pela família, muitas vezes com auxílio de enfermagem e fisioterapia, maior costuma ser a qualidade e o tempo de sobrevida destes pacientes.
Como é feito o diagnóstico da doença de Alzheimer?
Não existe um único exame simples que confirme ou descarte sozinho a doença de Alzheimer em todos os pacientes. Na prática, o diagnóstico é feito pela combinação de história clínica, avaliação neurológica, testes cognitivos, análise da funcionalidade do paciente e exames complementares para excluir outras causas de perda de memória.
Durante muito tempo, dizia-se que a confirmação definitiva da doença só podia ser feita pela análise do tecido cerebral, geralmente após a morte, quando eram identificadas as alterações típicas, como placas de beta-amiloide e emaranhados de proteína tau. Atualmente, porém, a biópsia cerebral não faz parte da investigação rotineira da doença de Alzheimer. O diagnóstico é estabelecido em vida com base em critérios clínicos e, em casos selecionados, pode ser apoiado por biomarcadores que detectam alterações biológicas compatíveis com a doença.
A avaliação começa pela história contada pelo paciente e, principalmente, por familiares ou pessoas próximas. Isso é importante porque muitos pacientes com Alzheimer não percebem claramente a própria perda cognitiva. O médico procura saber quando os sintomas começaram, se estão piorando progressivamente, quais funções foram afetadas e se as alterações já interferem nas atividades do dia a dia.
Esquecimentos ocasionais, como não lembrar onde deixou um objeto ou esquecer um nome por alguns minutos, podem ocorrer com o envelhecimento, estresse, ansiedade, depressão ou privação de sono. No Alzheimer, o padrão costuma ser diferente: a perda de memória é progressiva, afeta principalmente fatos recentes e começa a prejudicar tarefas habituais, como administrar remédios, lidar com dinheiro, cozinhar, dirigir, comparecer a compromissos ou orientar-se em locais conhecidos.
Existem testes simples que ajudam a documentar e acompanhar alterações cognitivas. O mais conhecido é o mini-exame do estado mental, também chamado de mini-mental, um questionário que avalia diferentes funções, como:
- Orientação no tempo e no espaço.
- Atenção e concentração.
- Memória recente.
- Linguagem.
- Capacidade de cálculo.
- Compreensão e execução de comandos.
- Percepção visuoespacial.
O MoCA, sigla em inglês para Montreal Cognitive Assessment, é outro teste breve usado para rastrear alterações cognitivas. Ele avalia memória, atenção, linguagem, orientação, cálculo, funções executivas e habilidades visuoespaciais.
Em comparação com o mini-mental, o MoCA costuma ser mais sensível para detectar alterações leves, especialmente em fases iniciais. Ainda assim, ele não confirma sozinho o diagnóstico de Alzheimer. O resultado precisa ser interpretado junto com a história clínica, o exame neurológico, a escolaridade do paciente, sua funcionalidade no dia a dia e os demais exames da investigação.
Os critérios clínicos que sugerem doença de Alzheimer incluem:
- Perda cognitiva documentada por exame clínico e testes padronizados.
- Comprometimento de uma ou mais áreas cognitivas, como memória, linguagem, atenção, raciocínio, planejamento ou orientação espacial.
- Piora progressiva ao longo do tempo.
- Prejuízo funcional, ou seja, dificuldade crescente para realizar atividades habituais.
- Ausência de outra doença neurológica, psiquiátrica, metabólica ou medicamentosa que explique melhor o quadro.
Exames complementares
Os exames de sangue convencionais e os exames de imagem são importantes principalmente para afastar outras causas de perda de memória, algumas potencialmente tratáveis, como hipotireoidismo, deficiência de vitamina B12, depressão, distúrbios do sono, efeitos colaterais de medicamentos, alcoolismo, infecções, doença renal ou hepática, AVCs silenciosos, hematoma subdural, tumores e hidrocefalia de pressão normal. Diretrizes recentes recomendam uma avaliação estruturada, incluindo história com informante, testes cognitivos validados, exames laboratoriais individualizados e imagem estrutural do cérebro, preferencialmente ressonância magnética quando disponível.
A tomografia computadorizada e, principalmente, a ressonância magnética do crânio ajudam a excluir tumores, sangramentos, sequelas de AVC, hidrocefalia e outras lesões estruturais. A ressonância também pode mostrar atrofia em áreas típicas, como hipocampo e lobos temporais mediais, achado que apoia o diagnóstico, mas não é suficiente, isoladamente, para confirmar Alzheimer. A ressonância é geralmente preferida à tomografia, mas a tomografia pode ser usada quando a ressonância não está disponível ou é contraindicada.
Biomarcadores para doença de Alzheimer
Nas últimas décadas, a investigação da doença de Alzheimer avançou muito com o uso de biomarcadores. Esses exames procuram sinais biológicos relacionados à doença, principalmente o acúmulo de beta-amiloide e alterações da proteína tau no sistema nervoso.
Os biomarcadores podem ser pesquisados por diferentes métodos, incluindo:
- Análise do líquido cefalorraquidiano, obtido por punção lombar. No líquor, os marcadores mais usados incluem beta-amiloide 42, a relação beta-amiloide 42/40, tau total e tau fosforilada.
- PET amiloide, exame de imagem que identifica depósitos de beta-amiloide no cérebro.
- PET tau, exame que avalia a deposição de proteína tau no cérebro, usado sobretudo em centros especializados e, em muitos países, ainda mais restrito a contextos de pesquisa ou investigação avançada.
- Exames de sangue especializados, como testes baseados em tau fosforilada, especialmente p-tau217 e p-tau181, e em marcadores relacionados à beta-amiloide. Alguns testes usam combinações ou razões entre esses marcadores para estimar a probabilidade de haver patologia amiloide cerebral.
Esses exames não são necessários para todos os pacientes com suspeita de Alzheimer. Em muitos casos, especialmente quando o quadro clínico é típico, o diagnóstico pode ser feito com avaliação clínica, testes cognitivos, exames laboratoriais convencionais e neuroimagem estrutural.
Os biomarcadores são mais úteis quando há dúvida diagnóstica, sintomas muito iniciais, apresentação atípica, início em idade mais jovem ou quando se considera o uso de tratamentos anti-amiloide, que exigem confirmação de patologia amiloide antes do início.
Os exames de sangue para Alzheimer merecem uma observação à parte. Alguns testes recentes, especialmente os baseados em p-tau217 e na relação entre marcadores de tau e beta-amiloide, têm mostrado boa capacidade de prever a presença de patologia amiloide cerebral.
Em 2025, a FDA autorizou o primeiro teste sanguíneo para auxiliar no diagnóstico da doença em pacientes com sintomas cognitivos, mas destacou que ele não deve ser usado como rastreio populacional nem como teste diagnóstico isolado. O resultado precisa ser interpretado junto com a avaliação clínica, os testes cognitivos e os demais exames.
Da mesma forma, diretrizes recentes sobre biomarcadores sanguíneos recomendam seu uso dentro de uma investigação completa, preferencialmente em contexto especializado. Testes com desempenho elevado podem ajudar a substituir ou reduzir a necessidade de PET amiloide ou análise do líquido cefalorraquidiano em alguns cenários, mas há grande variação entre os testes disponíveis, e nem todos têm a mesma validação.
É importante destacar que biomarcadores alterados não devem ser interpretados isoladamente pelo paciente. Uma pessoa pode ter alterações biológicas associadas ao Alzheimer antes de apresentar sintomas, e nem todo esquecimento é causado por Alzheimer. Por isso, o resultado precisa ser analisado junto com idade, sintomas, evolução do quadro, exame neurológico, testes cognitivos, exames de imagem e investigação de outras causas de perda de memória.
Portanto, exames de sangue para Alzheimer não devem ser usados como rastreio em pessoas sem sintomas, nem como teste isolado para prever se alguém desenvolverá demência no futuro. Eles são ferramentas complementares, indicadas em situações específicas e sempre dentro de uma avaliação médica.
Tratamento da doença de Alzheimer
A doença de Alzheimer ainda não tem cura. O tratamento tem como objetivos retardar a perda de autonomia quando possível, controlar sintomas, reduzir riscos, manter qualidade de vida e orientar familiares e cuidadores ao longo da evolução da doença.
O cuidado costuma combinar medidas não farmacológicas, adaptações de segurança, estímulo físico e cognitivo, apoio ao cuidador e, em alguns casos, medicamentos.
Cuidados básicos
Uma questão importante para familiares e cuidadores é manter o paciente afastado de situações inseguras. Como muitas pessoas com demência não percebem claramente que seu funcionamento mental está comprometido, elas podem tentar manter atividades que antes eram simples, mas que passam a oferecer risco, como dirigir, cozinhar sozinhas, sair desacompanhadas, ir à praia sem supervisão, manusear dinheiro, tomar remédios por conta própria ou usar equipamentos perigosos.
As quedas também são comuns. Por isso, a casa deve ser adaptada para reduzir riscos: retirar tapetes soltos, fios pelo chão e móveis em excesso; melhorar a iluminação; instalar barras de apoio no banheiro; evitar pisos escorregadios; organizar os objetos de uso frequente em locais previsíveis; e, quando necessário, supervisionar banho, escadas e deslocamentos fora de casa.
Também é importante manter uma rotina estável. Horários regulares para acordar, dormir, tomar remédios, alimentar-se e realizar atividades ajudam a reduzir confusão, agitação e ansiedade. Ambientes muito barulhentos, mudanças bruscas de rotina e excesso de estímulos podem piorar o comportamento em alguns pacientes.
Atividade física supervisionada deve ser estimulada sempre que possível, de acordo com a capacidade do paciente. Caminhadas, exercícios de equilíbrio, fortalecimento leve e fisioterapia podem ajudar a preservar a mobilidade, reduzir o risco de quedas e melhorar o sono e o humor.
Cigarro e álcool devem ser evitados. Também é importante controlar doenças que pioram a saúde cerebral e vascular, como hipertensão, diabetes, colesterol alto, obesidade, apneia do sono e depressão.
Remédios para Alzheimer
Embora o conhecimento sobre a doença de Alzheimer tenha avançado muito, ainda não existe tratamento capaz de curar a doença ou recuperar completamente as funções cognitivas perdidas. Há, porém, medicamentos que podem ajudar a controlar sintomas ou retardar parcialmente a evolução em alguns pacientes.
Os medicamentos mais usados há mais tempo são os inibidores da colinesterase, como donepezila, rivastigmina e galantamina. Eles aumentam a disponibilidade de acetilcolina, um neurotransmissor importante para a comunicação entre neurônios. Esses remédios podem trazer benefício modesto em memória, atenção, comportamento ou funcionalidade, principalmente em fases leves a moderadas da doença.
Nem todos os pacientes melhoram com esses medicamentos, e alguns apresentam efeitos colaterais, como náuseas, vômitos, diarreia, perda de apetite, perda de peso, tontura, sonhos vívidos, câimbras ou redução da frequência cardíaca. Por isso, o tratamento deve ser acompanhado pelo médico e reavaliado periodicamente.
A memantina é outro medicamento usado no Alzheimer, geralmente em fases moderadas a graves. Ela atua sobre o sistema do glutamato, especialmente receptores NMDA, e pode ajudar alguns pacientes a manter por mais tempo certas funções cognitivas e atividades do dia a dia. Em algumas situações, pode ser usada em combinação com um inibidor da colinesterase.
A memantina, porém, também não cura a doença nem impede definitivamente sua progressão. Seu benefício costuma ser limitado e varia de paciente para paciente.
Novos medicamentos antiamiloide
Mais recentemente, surgiram medicamentos chamados anticorpos monoclonais antiamiloide, como lecanemabe e donanemabe. Eles atuam reduzindo placas de beta-amiloide no cérebro e podem retardar a progressão clínica em alguns pacientes com doença de Alzheimer em fase inicial.
Esses medicamentos não são indicados para todos os pacientes com Alzheimer. Em geral, são considerados apenas para pessoas com comprometimento cognitivo leve ou demência leve associada à doença de Alzheimer, com confirmação de patologia amiloide por exames específicos. Eles não são tratamento para demência moderada ou avançada.
Também não devem ser apresentados como cura. O benefício esperado é retardar parcialmente a progressão da doença em pacientes selecionados, não recuperar a memória perdida nem fazer o paciente voltar ao funcionamento anterior.
Além disso, são tratamentos de maior complexidade, geralmente administrados por infusão intravenosa e acompanhados por equipe especializada. Antes e durante o tratamento, pode ser necessário realizar ressonâncias magnéticas e outros exames para monitorar efeitos adversos.
O principal risco desses medicamentos é o surgimento de alterações cerebrais relacionadas ao amiloide, conhecidas pela sigla ARIA, que podem incluir edema cerebral e pequenos sangramentos. O risco é maior em alguns grupos, especialmente em pessoas portadoras do gene ApoE ε4, em pacientes com determinadas alterações prévias na ressonância e em quem usa anticoagulantes.
Por isso, a decisão de usar lecanemabe, donanemabe ou outro antiamiloide deve ser individualizada. O médico precisa considerar o estágio da doença, os exames que confirmam Alzheimer, a ressonância, o risco genético, as doenças associadas, os medicamentos em uso, a capacidade de comparecer a infusões e exames frequentes, além das expectativas do paciente e da família.
Tratamento dos sintomas comportamentais
Com a progressão da doença, alguns pacientes podem apresentar agitação, irritabilidade, insônia, ansiedade, depressão, apatia, alucinações, delírios ou agressividade. Esses sintomas costumam ser muito difíceis para a família, mas nem sempre significam que a demência “piorou de repente”.
Antes de iniciar remédios para comportamento, é importante procurar causas reversíveis de piora, como dor, infecção urinária, constipação, desidratação, fome, privação de sono, efeitos colaterais de medicamentos, mudança de ambiente, luto, medo ou dificuldade para se comunicar.
Quando medidas ambientais e comportamentais não são suficientes, o médico pode indicar medicamentos específicos para depressão, ansiedade, insônia, agitação ou sintomas psicóticos. Esses remédios devem ser usados com cautela, principalmente em idosos frágeis, porque podem causar sonolência, quedas, confusão, piora cognitiva e outros efeitos adversos.
Expectativas realistas
É importante ter expectativas realistas sobre o tratamento. Nenhum medicamento disponível cura a doença de Alzheimer ou impede definitivamente sua evolução. Mesmo quando há resposta, o objetivo costuma ser retardar a perda cognitiva e funcional, reduzir sintomas, prolongar autonomia e melhorar a qualidade de vida do paciente e da família.
O acompanhamento médico regular permite ajustar medicamentos, revisar segurança em casa, tratar sintomas comportamentais, orientar cuidadores e planejar os cuidados conforme a doença progride.
- The diagnosis of dementia due to Alzheimer’s disease: Recommendations from the National Institute on Aging-Alzheimer’s Association workgroups on diagnostic guidelines for Alzheimer’s disease – Alzheimer’s & Dementia Journal.
- Alzheimer’s Disease Fact Sheet – National Institutes of Health (NIH).
- Alzheimer’s Disease – National Center for Chronic Disease Prevention and Health Promotion (NCCDPHP).
- 10 Early Signs and Symptoms of Alzheimer’s – Alzheimer’s Association.
- Clinical features and diagnosis of Alzheimer disease – UpToDate.
- Epidemiology, pathology, and pathogenesis of Alzheimer disease – UpToDate.
- Treatment of dementia – UpToDate.
- Daroff RB, et al. Alzheimer’s disease and other dementias. In: Bradley’s Neurology in Clinical Practice. 7th ed. Philadelphia, Pa.: Saunders Elsevier; 2016.
Dúvidas de leitores sobre este tema
Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.
Mais comentários dos leitores
Minha mãe esquece onde colocou as coisas e repete a mesma história várias vezes. Como saber se é Alzheimer ou esquecimento normal da idade?
Minha mãe tem 48 anos e está com essa doença e atrofia cerebral é normal?
Dr. Pedro, existe exame de sangue para diagnosticar Alzheimer?
Dr. andei pesquisando sobre os medicamentos novos Lecanemabe e donanemabe, eles curam o Alzheimer? Meu pai já está em fase avançada, pode usar?
Meu pai com Alzheimer quer continuar dirigindo. Não aceita que está doente. Em que momento isso deixa de ser seguro?
Minha avó ficou muitos anos com Alzheimer, em torno de 14 anos e ficou em um estado vegetativo no final de sua vida, não andava mais, não falava, e comia através de sondas. Faleceu aos 86 anos. Eu tenho 30 e já tenho receio de desenvolver algo no futuro, há alguma precaução?
Tenho esquecimentos, estou com alzheimer?
Relatos emocionantes e muito tristes de deterioração progressiva inexorável de entes queridos por um longo período de piora e devastação cognitiva causada pela Demencia de Alzheimer. Sou leitor assíduo dos seus artigos ou temas médicos há muito tempo. PARABÉNS e muito obrigado Dr. Pedro Pinheiro e colaboradores por interagir e compartilhar conosco didática impecável e tamanha sabedoria!
Concordo com tudo que disse. Minha mãe tem 72 anos e mal de parkinson. De uns dias para cá tem aparecido os sintomas do Alzheimer. Sou filho único. Imagine, sou jornalista e deixei de trabalhar para ficar com ela. Ela não aceita ninguém ficar com ela. Minha vida se estagnou. Muito triste!
Parabéns pela excelente explicação sobre o assunto.