Procure sua dúvida nos mais de 400 textos sobre saúde do site _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________
------- PUBLICIDADE --------

7 de março de 2011

MAL DE ALZHEIMER | Sintomas e diagnóstico

O mal de Alzheimer, também conhecido como doença de Alzheimer ou simplesmente Alzheimer, é uma doença degenerativa e progressiva que causa atrofia do cérebro, levando à demência em pacientes idosos.

Sabemos que o mal de Alzheimer ataca preferencialmente pacientes idosos, acima dos 65 anos, porém, suas causas ainda não foram elucidadas. Atualmente admite-se que haja uma associação entre propensão genética e exposição a fatores ambientais ainda não reconhecidos.

Se as causas ainda são um mistério, suas consequências neurológicas já são bem conhecidas. O cérebro dos pacientes com doença de Alzheimer torna-se atrofiado, apresentando uma redução no número de neurônios e de conexões entre estes. Acredita-se que o acúmulo nos neurônio de uma proteína chamada beta-amiloide seja um dos fatores responsáveis pelo desencadeamento da doença.

Fatores de risco para o mal de Alzheimer

Cérebro com Alzheimer
Cérebro normal x cérebro com Alzheimer
O maior fator de risco é a idade avançada. Após os 65 anos, a chance de se desenvolver Alzheimer dobra a cada cinco anos, fazendo com que 40% das pessoas acima de 85 anos tenham a doença. Por outro lado, os pacientes que chegaram aos 90 anos sem a doença apresentam baixo risco de desenvolvê-la posteriormente. Raramente o mal de Alzheimer surge antes dos 60 anos de idade.

Além da idade, outro fator de risco importante é a história familiar. Pessoas com familiares de primeiro grau com Alzheimer apresentam maior risco de também tê-lo.

O mal de Alzheimer é 2x mais comum em negros do que em brancos; também é mais comuns em mulheres do que em homens.

Alguns outros fatores também parecem aumentar os riscos, entre eles:
Curiosamente, alguns fatores relacionados à estimulação do cérebro parecem reduzir o risco do desenvolvimento do Alzheimer, tais quais:

- Grau de escolaridade elevado
- Trabalhos que são intelectualmente estimulantes
- Leitura frequente
- Tocar instrumentos musicais
- Interação social frequente

Sintomas do mal de Alzheimer

A doença de Alzheimer é a principal causa de demência no mundo, portanto, vale a pena gastarmos algumas linhas explicando o conceito de demência.

A demência é uma síndrome, ou seja, um conjunto de sinais físicos e sintomas; pode ser causada por várias doenças, sendo o mal de Alzheimer a causa mais comum. Também é possível a ocorrência de demência em pacientes com múltiplos AVCs (leia: AVC | ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL | Sintomas e tratamento), doença de Parkinson (leia: DOENÇA DE PARKINSON | Sintomas e tratamento), alcoolismo crônico, traumas cranianos, deficiência de vitaminas, hipotireoidismo grave, tumor cerebral e algumas outras doenças neurológicas.

A síndrome demencial apresenta três características básicas:

- Alterações da memória
- Alterações do capacidade intelectual, incluindo dificuldades com raciocínio lógico,  linguagem, escrita, organização do pensamento, interpretações dos estímulos visuais, planejar e realizar tarefas complexas etc...
- Alterações de comportamento, como perda da inibição, agitação e alucinações etc...

A demência é uma síndrome de instalação lenta e progressiva que muitas vezes passa despercebida em estágios inicias. É comum o paciente idoso com demência em fases iniciais ter suas alterações tratadas como "coisas normais da idade".

É importante salientar que pequenos esquecimentos são comuns e ocorrem com todas as pessoas, principalmente em períodos de maior estresse; mas quando começam a ocorrer com frequência, como esquecer o próprio endereço, sair de casa e perder-se, esquecer nomes de pessoas familiares etc..., devem acender o sinal de alerta. Se junto com a perda frequente e progressiva de memória para fatos recentes o idoso também apresentar alterações do comportamento social, como apatia e tendência a isolar-se, além de períodos de confusão, como guardar sal na geladeira ou as chaves de casa no armário dos alimentos, a demência em fases iniciais pode ser uma das causas.

O esquecimento da demência é diferente do esquecimento comum do dia-a-dia. Uma pessoa pode esquecer que marcou uma reunião, mas tornar-se-á ciente do fato quando lembrada por outro. O paciente com Alzheimer esquece a reunião e sequer lembra-se de tê-la alguma vez marcada.

Nas fases iniciais da doença de Alzheimer, o próprio paciente não consegue reconhecer estes déficits neurológicos, arranjando sempre uma desculpa para justificar estas falhas. Como o paciente não se dá conta da doença, muitas vezes os familiares também demoram a valorizar as alterações. Conforme a demência avança, a família começa a notar que os sinais e sintomas começam a ficar muito evidentes e já não mais se encaixam no que as pessoas consideram natural para idade.

Os pacientes com doença de Alzheimer em fases mais avançadas podem apresentar apatia ou agressividade, sai de casa e não consegue retornar, lê coisas e não consegue interpretá-las, é incapaz de fazer cálculos, não consegue nomear objetos e não reconhece pessoas familiares. Com o tempo, passa a ser incapaz de realizar tarefas básicas, como se vestir e tomar banho. Incontinência fecal e urinária também podem surgir (leia: INCONTINÊNCIA URINÁRIA | Causas, tipos e diagnóstico). O paciente torna-se desorientado no tempo e no espaço, não sabendo indicar a data atual nem identificar geograficamente onde se encontra.

Prognóstico do mal de Alzheimer

A doença de Alzheimer é uma doença que inexoravelmente progride. Existem casos de Alzheimer por mais de 2 décadas e casos de pacientes com rápida evolução em apenas 2 ou 3 anos. Muitas vezes é difícil estabelecer retrospectivamente uma data para o início dos sintomas, o que atrapalha na hora de se avaliar o tempo de progressão da doença. Sabe-se, entretanto, que uma vez estabelecido o diagnostico do mal de Alzheimer, a expectativa de vida do paciente costuma ser ao redor de 3 a 8 anos.

O que leva o paciente ao óbito não é a doença em si, mas sim suas complicações, como acidentes e quedas com traumatismos cranianos, dificuldade em engolir, que o ocasiona broncoaspiração e desnutrição, e restrição ao leito, o que favorece infecções e escaras. A pneumonia e a infecção urinária costumam ser os principais tipos de infecção do paciente com Alzheimer (leia: PNEUMONIA | Sintomas e tratamento e PIELONEFRITE | INFECÇÃO URINÁRIA | Sintomas e tratamento).

Quanto maior forem os cuidados fornecidos pela família, muitas vezes com auxílio de enfermagem e fisioterapia, maior costuma ser a qualidade e o tempo de sobrevida destes pacientes.

Diagnóstico do mal de Alzheimer

Mini-mental
Mini-mental (clique para ampliar)
O diagnóstico definitivo da doença de Alzheimer é feito com biópsia do tecido cerebral, o que, por razões óbvias, é raramente feito na prática clínica. Em mais de 90% dos casos o diagnóstico é baseado em dados clínicos; análises de sangue e exames de imagens ajudam a descartar outras causas de demência, mas não estabelecem o diagnóstico de doença de Alzheimer.

Existem testes simples para documentar e acompanhar alterações da capacidade mental dos pacientes. O mais famoso e usado é o mini-mental, exemplificado na figura abaixo

Critérios para o diagnóstico clínico do mal de Alzheimer:

- Demência atestada pelo exame clínico e por testes padronizados como o mini-mental.
- Déficit em duas ou mais áreas cognitivas (memória, linguagem, raciocínio, concentração, juízo, pensamento etc...).
- Piora progressiva dos déficits cognitivos.
- Ausência de alterações do nível de consciência.
- Início após 40 anos e antes dos 90 anos.
- Ausência de outra doença neurológico ou sistêmica que cause déficits cognitivos.

Os critérios acima conseguem identificar corretamente a doença de Alzheimer em até 90% dos casos.

Dr. Pedro PinheiroAutor do artigo
Dr. Pedro Pinheiro - Médico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2002. Diploma reconhecido pela Universidade do Porto, Portugal. Título de especialista em Medicina Interna pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em 2005. Título de Nefrologista pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) em 2007. Título de Nefrologista pelo Colégio Português de Nefrologia.

2 comentários:

Olá! Sou enfermeira e gostaria de parabenizá-lo pelo blog, pois está muito bem explicado, com detalhes extremamente relevantes e a linguagem adotada é simples e ao mesmo tempo técnica, que nos faz entender fatos antes não compreendidos.Estou aprendendo muito e adorando tudo isso, pois vou prestar concurso agora e foi o melhor site que encontrei até então.Obrigada e parabéns!

gostei muito dessa materia, pois tenho minha mãe com essa enfermidade.Gostaria muito de estar sempre a par do assunto.Tento aproveitar o maximo a respeito dessa materia
bjuus

Se você gostou deste site, clique em curtir para que mais pessoas tenham acesso a informações de qualidade sobre saúde.