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10 de fevereiro de 2010

ECLÂMPSIA | PRÉ-ECLÂMPSIA | Sintomas e tratamento

A eclâmpsia e a pré-eclâmpsia são complicações graves, associadas ao descontrole da pressão arterial, que podem surgir na fase final da gestação.

1) Pré-Eclâmpsia

Existem 4 tipos de hipertensão que podem ocorrer durante a gravidez (chamamos de hipertensão quando há pressões arteriais maiores que 140/90 mmHg. Sugiro a leitura do texto HIPERTENSÃO (PRESSÃO ALTA) - SINTOMAS E TRATAMENTO para um melhor entendimento sobre esta doença).

1- Hipertensão crônica - É aquela que já existia antes da gravidez e continuará existindo durante e depois.

2- Hipertensão gestacional - É a hipertensão que aparece depois da 20ª semana de gestação em mulheres que nunca tiveram pressão arterial alta.

3- Pré-eclâmpsia é o surgimento de pressão arterial alta após a 20ª semana de gravidez associado a perda de proteínas na urina, chamada de proteinúria (leia: PROTEINÚRIA, URINA ESPUMOSA E SÍNDROME NEFRÓTICA). A pré-eclâmpsia cura-se após o parto.

4- Pré-eclâmpsia superposta a hipertensão crônica é a pré-eclâmpsia que ocorre em mulheres previamente hipertensas.

A pré-eclâmpsia parece ocorrer devido a problemas no desenvolvimento dos vasos da placenta no início da gravidez durante a implantação da mesma no útero. Conforme a gravidez se desenvolve e a placenta cresce, a falta de uma vascularização perfeita leva a uma baixa perfusão de sangue, podendo causar uma isquemia placentária. A placenta em sofrimento por falta de circulação adequada produz uma série de substância que ao caírem na circulação sanguínea materna causa descontrole da pressão arterial e lesão nos rins.

Fatores de risco para pré-eclâmpsia

- Gravidez em mulheres com idade maior que 40 anos ou menor que 18
- História familiar de pré-eclâmpsia (inclusive na família do pai)
- Pré-eclâmpsia em uma gestação anterior
- Gravidez múltipla (gêmeos, trigêmios etc...)
- Mulheres previamente hipertensas (hipertensão crônica)
- Obesidade (leia: OBESIDADE E SÍNDROME METABÓLICA)
- Diabetes mellitus (leia: DIABETES MELLITUS - DIAGNÓSTICO E SINTOMAS)
- Doença renal crônica (leia: INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA - SINTOMAS)
- Intervalo de tempo prolongado entre gestações.
- Gestantes com doenças auto-imunes (leia: DOENÇA AUTO-IMUNE)
- Primeira gestação

Sintomas da pré-eclâmpsia

A pré-eclâmpsia ocorre em 5% a 10% das gestações. 75% dos casos são leves e 25% são graves. Pode surgir em qualquer momento da gravidez entre a 20ª semana até alguns dias após o parto.

A hipertensão que surge após a 20ª semana de gestação é o sintoma mais comum. Porém, para se caracterizar pré-eclâmpsia e não apenas hipertensão gestacional, é preciso que haja também a presença de proteinúria (pelo menos 300 mg de proteínas em exame de urina de 24 horas. Leia: ENTENDA SEU EXAME DE URINA)

Praticamente toda gestante apresenta edemas (inchaços), porém, uma piora rápida e súbita dos edemas, principalmente acometendo o rosto e mãos, pode ser um sinal de pré-eclâmpsia.

Síndrome HELLP

A síndrome HELLP é a forma grave de pré-eclâmpsia. Esta é a sigla em inglês para os termos hemólise (hemolisys), enzimas do fígado elevadas (elevated liver enzymes) e plaquetas baixas (low platelets).

- Hemólise significa destruição das hemácias (glóbulos vermelhos), o que leva ao aparecimento da anemia hemolítica (leia: ANEMIA - CAUSAS E SINTOMAS)

- O aumento das enzimas do fígado (TGO e TGP) é um sinal de lesão hepática, o que não deixa de ser um tipo de hepatite associada a pré-eclâmpsia (leia: O QUE SIGNIFICAM AST (TGO), ALT (TGP) E GAMA GT?)

- Assim como há hemólise, também ocorre destruição das plaquetas, o que acaba por causar redução da concentração das mesmas na circulação sanguínea.

Além síndrome HELLP, existem outras manifestações da pré-eclampsia grave como alterações neurológicas tipo visão borrada, cefaléias (leia: DOR DE CABEÇA - ENXAQUECA, CEFALÉIA TENSIONAL E SINAIS DE GRAVIDADE), confusão mental e até crise convulsiva. Quando esta última ocorre, estamos diante do quadro de eclâmpsia, explicado mais adiante.

Pressões arteriais acima de 160/110 mmHg, forte dor abdominal, proteinúria acima de 5 gramas (5000 mg) por dia, diminuição importante do volume de urina, edema pulmonar e grave falha de crescimento do feto são outros sinais e sintomas de pré-eclâmpsia grave.

Em relação ao feto, os riscos da pré-eclâmpsia incluem descolamento prematura da placenta, baixo crescimento e desenvolvimento intra-uterino e parto prematuro.

Tratamento da pré-eclâmpsia

O tratamento definitivo é a indução do parto. Nem sempre a pré-eclâmpsia ocorre em idades gestacionais que permitam a indução do parto sem prejuízos para o feto. Por outro lado, a não finalização da gravidez pode trazer consequências sérias para a mãe. Portanto, a decisão de se induzir o parto ou prolongar a gravidez deve levar em consideração a idade gestacional, a gravidade da pré-eclâmpsia e as condições de saúde mãe e do feto.

Em alguns casos pode-se indicar o internamento da mãe para um acompanhamento mais próximo da progressão da doença, tentando postergar o parto para o mais próximo possível da 40ª semana de gestação. Sempre que possível, a preferência é pelo parto normal.

Hipertensão arterial deve ser controlada, porém isso não interfere no curso da doença nem na mortalidade materna/fetal. É importante lembrar que alguns anti-hipertensivos famosos como o Enalapril, captopril e Adalat® são contraindicados na gestação. O controle da pressão arterial na gravidez deve ser feito somente sob orientação do ginecologista-obstetra.

O uso de corticoides (leia: INDICAÇÕES E EFEITOS DA PREDNISONA E CORTICOIDES) está indicado para tratar temporariamente as complicações da síndrome HELLP, mas principalmente para acelerar a maturação dos pulmões do feto em caso de necessidade de indução do parto antes do termo.

A prevenção das crises convulsivas é importante e pode ser feita com a administração de sulfato de magnésio logo antes do parto.

2) Eclâmpsia

A eclâmpsia é o grau mais grave do espectro da hipertensão na gravidez, que inclui a hipertensão gestacional, a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia propriamente dita.

A caracterização da eclâmpsia se dá pela presença de uma ou mais crises convulsivas em uma gestante com pré-eclampsia já estabelecida.

Ao contrário do que se pensava antigamente e do que os nomes pré-eclâmpsia e eclâmpsias possam sugerir, uma doença não é evolução a outra. A eclâmpsia é na verdade apenas uma manifestação grave da pré-eclâmpsia.

Na verdade, a imensa maioria das gestantes com pré-eclâmpsia grave não irá apresentar eclâmpsia, e a apesar de pouco comum, mulheres com pré-eclâmpsia leve podem complicar com convulsões. Portanto, não há uma evolução linear entre as duas doenças.

Até 30% das convulsões ocorrem no momento do parto ou até 48h após o nascimento do bebê. As crises convulsivas duram em média 1 minuto e são geralmente precedidas por dor de cabeça, alterações visuais ou dor abdominal intensa. O tratamento é com sulfato de magnésio.

A presença de eclâmpsia é indicação para se induzir o parto após estabilização do quadro. O término da gravidez é o único tratamento curativo. 70% das gestantes com eclâmpsia que não interrompam a gravidez apresentarão complicações graves com risco de morte. Nas gestantes com idade gestacional baixa (menor que 32 semanas) pode se indicar a cesariana.

Dr. Pedro PinheiroAutor do artigo
Dr. Pedro Pinheiro - Médico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2002. Diploma reconhecido pela Universidade do Porto, Portugal. Título de especialista em Medicina Interna pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em 2005. Título de Nefrologista pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) em 2007. Título de Nefrologista pelo Colégio Português de Nefrologia.

22 comentários:

Dr.Pedro, parabens pelo site.Aqui Carlos Ferreira de Floripa: 61 anos, DMT2, HAS. Minha Creatinina entre 2008/9 subiu de 1,3 p/2,21.
Faço fup a cada dois meses com meu Cardio e minha Endocrino. US de ABTOTAL em 21/12/09 apontou Doença Polissistica Autossomica Dominate.
Tenho marcada com Nefro para 26/02/10.Medicação: Diovan Amlofix320.10, Losartana 10, AAS, Crestor 10, Insulina NPH 70/30 ( 20u manhã, 15 u noite).Onde encontrar uma dieta detalhada? Só me orientam a cortar proteina vermelha, que ja fiz.Pode me ajudar me indicando on posso encontrar uma dieta step by step?Grato, Carlos.

Carlos,
Vc tem muitas comorbidades. No seu caso eu aconselharia uma consulta com uma nutricionista com experiência em doença renal.

Dr.Pedro, bom dia, tive um aprto prematuro de 31 semanas pois a minha pressão estava alta, e hj após 5 anos estou gravida novamente de 8 semanas. Gostaria de saber se é verdade q uma mulher não pode ter 2 partos prematuros? No aguardo de uma resposta.Grata. Ana

@Ana
Nada impede uma mulher de ter mais de um filho prematuro. Se houver complicações nesta nova gravidez, o seu segundo filho também pode ter que nascer antes.

quero saber si o pre-eclampse pode dexar secuelas como depressao etc

Bom dia!
Tivve pré eclampsia,a proteinuria estava em 2610 e fiz cesaria com 31 semanas de gravidez e graças a Deus deu tudo certo
Coro risco de ter pre eclampsia numa segunda gravidez?É muito ariscado engravidar novamente?
Grata pela atenção.Tatiane

@DAROSA
Sim, quem já teve pré-eclampsia tem maior risco de tê-la novamente. Uma nova gravidez deve ser discutida com o obstetra/ginecologista que a acompanha

dr, tive sindrome do hellp e minha obstetra disse q eu não podia tomar nenhum tipo de anticoncepcinal.por qual motivo não posso?
POIS FIZ UMA CESARIANA COM 32 SEMANAS E O MEU BB NÃO RESISTIU...

@DENILMA SOARES
Se sua pressão está normal e não há mais alterações do fígado, não sei o motivo. É preciso perguntá-la.

bom dia,

Tive pré-eclampsia com crises convulsivas na ultima gravidez a 15 anos, estou com 36 anos e gostaria de engravidar, corro o risco de ter novamente? devo desistir?
obrigada,
Neli

@Neli
Sim, existe o risco. Não é preciso desistir ainda, mas o caso tem que ser discutido com o seu obstetra.

juliana: tive pre-eclampsia na minha primeira gravidez,na segunda nao tive nada. Hoje estou gravida de 6 meses e meio. Gostaria de saber se corro o risco de ter ums pre-eclampsia novamente neste parto? obrigada pela atençao.

@juliana
Risco sempre existe, ainda mais para quem já teve um episódio anterior.

Dr.pedro tive pre eclampsia com oito meses tive que fazer induçao , mais o meu bebe faleceu com uma semana, vou poder ingravidar novamente tenho 33 anos

@kacia
Teoricamente sim, mas é preciso discutir o caso com o seu obstetra. De longe não tenho como afirmar nada.

tenho uma filha mas quero outra mas tive eclapse hoje ela tem 1 e8 tem periga de da de novo

Tive pré-eclâmpsia na minha gravidez e sofri muito, muito para ter o meu Matheus. Quando casei tinha planos para ter dois filhos, mas devido ao sofrimento que foi a chegada do meu meninão me contento em ter um filhinho lindo só.

Minha mãe teve pré-eclâmpsia de mim e de minha irmã mais nova, e acho que esse fator deve ser a causa de eu ter tido também.

dr pedro tive eclampsia na minha primeira gravides  corro o risco de ter de novo se quizer engravidar

Dr, existe tratamento para a Eclampsia, quando a mulher já está em coma?
Obrigado se puder responder.

O tratamento é sempre interromper a gravidez.

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