Parto cesário: vantagens, riscos e recuperação

Autor(a): Dr. Pedro Pinheiro

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Tempo estimado de leitura: 5 minutos.

Introdução

A cesariana, também chamada de parto cesário ou cesária, é uma forma de parto feita através de cirurgia.

A cesária ainda é a via mais comum de parto no Brasil, apesar do parto normal (parto vaginal) ser considerado pela organização mundial de saúde (OMS) e por diversas entidades médicas a melhor forma do bebê nascer.

Segundo recomendações da OMS, apenas cerca de 15% dos partos apresentam indicação para a cesariana, devendo os 85% restantes serem efetuados pela via vaginal.

O que é uma cesariana?

A cesariana é uma forma de parto realizada através de um ato cirúrgico, na qual é feita uma incisão no abdômen e outra no útero para se chegar ao bebê. Um parto cesário dura em média 45 minutos a uma hora. O nascimento do bebê costuma ocorrer já nos primeiros 15 minutos de ato cirúrgico, mas o obstetra ainda precisa de pelo menos mais 30 minutos para realizar todas as suturas, incluindo útero, músculos e pele.

Exceto nos casos de parto cirúrgico emergencial, a incisão da cesariana é feita horizontalmente, em uma região baixa do abdômen, já na altura dos pelos pubianos, de forma a não ser visível futuramente quando a mulher estiver com a barriga à mostra, como na praia ou na academia de ginástica.

Como qualquer cirurgia, a cesária precisa ser feita sob anestesia, habitualmente peridural ou raquidiana. A anestesia geral na cesária só em feitas em situações especiais. Durante a cesária, a paciente fica acordada, mas não consegue movimentar a parte inferior do corpo, que permanece anestesiada ainda algum tempo depois do fim da cirurgia. Não há nenhum tipo de sedação durante o parto.

Escolhendo a forma do parto

A forma de parto preferencial deve ser sempre o parto normal, pela via vaginal. Porém, a cesariana pode ser indicada por questões médicas relativas a problemas na gravidez, ou simplesmente por solicitação da gestante.

A exagerada popularização da cesária nas últimas décadas provocou na população a falsa impressão de que o parto por cesária é mais seguro e acarreta menos complicações para o bebê. Entretanto, o que ocorre é exatamente o oposto. Alguns estudos mostram que o risco de complicações na cesariana chega a ser o dobro do parto normal.

Cesariana
Cesária em curso

A mãe tem pleno direito de escolher a via de parto, mas cabe ao obstetra esclarecer todas as vantagens do parto normal antes de aceitar a realização de um parto cesário sem plena indicação médica.

Em geral, as mães que optam pela cesária o fazem por medo das dores do parto, por traumas psicológicos devido a problemas no parto vaginal em familiares ou amigos, ou por pressões familiares/profissionais para que a gravidez tenha uma data de término previamente estipulada. Todos esses medos e questões podem ser facilmente contornados com a devida orientação médica e esclarecimento dos prós e contras do parto por cesariana.

Vantagens

O fato do parto cesário não ser a via de eleição na maioria dos casos não significa que ele não apresente algumas vantagens em relação ao parto normal. O que se deve deixar claro é que, nos casos sem indicação médica, essas vantagens não superam os riscos de submeter a mãe a um procedimento cirúrgico.

Entre as vantagens e comodidades que a cesária proporciona, podemos citar:

  • Possibilidade de escolher previamente a data exata do nascimento.
  • Ajuda a reduzir o estresse materno durante o parto por passar a ideia de um ambiente plenamente controlado, onde tudo ocorre de forma previamente estipulada.
  • O trabalho de parto é curto e com duração previsível.
  • Garante que o obstetra da gestante estará disponível no dia do parto.
  • Impede a ocorrência de nascimentos pós-termo (com mais de 42 semanas de gestação), o que está associado a um maior risco de problemas para o neonato.
  • Elimina o risco de complicações relacionadas ao processo de trabalho parto vaginal, como lesão do plexo braquial relacionado a distocia de ombro, traumas ósseos (fratura de clavícula, crânio e úmero) ou asfixia provocada por complicações intra parto.
  • Reduz o risco a longo prazo de prolapso uterino ou de bexiga e incontinência urinária na mãe.

Riscos e desvantagens

Quando a gestante é submetida a uma cesariana, ela deixa de ser simplesmente uma paciente em trabalho de parto e passa ser uma paciente cirúrgica em trabalho de parto. Por isso, além dos potenciais riscos inerentes a qualquer parto, acrescentam-se, ainda, os riscos inerentes a qualquer grande cirurgia.

Entre as complicações que a gestante fica exposta podemos citar:

  • Maior risco de infecções.
  • Maior risco de trombose dos membros inferiores.
  • Maior risco de hemorragias.
  • Maior risco de reações aos anestésicos.
  • Recuperação mais prolongada após o trabalho de parto.
  • Maior incidência de dor no pós-operatório.

Em relação ao bebê, o parto cesariano acarreta um maior risco de problemas respiratórios no pós-parto imediado, como a taquipneia transitória do neonato. Este risco é minimizado se a gestante já tiver pelo menos 39 semanas de gravidez e se for permitido que ela entre espontaneamente em trabalho de parto antes de a cesária ser realizada.

Além dos problemas imediatos da cesária, há também as consequências a longo prazo. A cada cesariana feita, a mulher passa a ter maior risco de implantação anormal da placenta, principalmente casos de placenta prévia, nas gravidezes subsequentes. Outro problema é o maior risco de ruptura uterina na gravidez seguinte, caso o parto, desta vez, seja por via vaginal.

Quando a cesária está indicada

Apesar dos riscos inerentes ao parto cesário, há certas situações médicas que tornam o parto normal mais perigoso que a cesariana. Nestes casos, que ocorrem em média em 1 a cada 7 grávidas, o médico deverá optar pela cesária para proteger a mãe e/ou o bebê.

Dependendo do motivo, a escolha pelo parto cesário pode ser feita previamente, ou somente na hora do nascimento, caso algo imprevisível surja durante o trabalho de parto normal.

Entre as situações médicas que habitualmente indicam a programação prévia de uma cesariana, podemos citar:

  • Quando o bebê está na posição errada, de lado ou com a cabeça para cima.
  • Quando o bebê é muito grande, havendo desproporção entre o seu tamanho e a pelve da mãe, o que dificulta a sua saída pelo canal vaginal.
  • Gravidez gemelar.
  • Quando a placenta está implantada de forma anormal, como nos casos de placenta prévia.
  • Mulheres que já tiveram mais de uma cesariana anteriormente.
  • Mulheres que tiveram parto cesariano recentemente.
  • Mães infectadas com doenças que se transmitem durante o parto, como herpes genital ou HIV.
  • Suspeita de anomalia genética do bebê.
  • Mioma volumoso que possa obstruir a passagem do bebê.
  • Cirurgia uterina prévia, como remoção de miomas.

Entre as situações médicas que indicam a mudança para cesariana durante um trabalho de parto normal já iniciado, podemos citar:

  • Trabalho de parto que não evolui como deveria, apesar das contrações já terem se iniciado há horas.
  • Sinais de sofrimento fetal imediatamente antes ou durante o parto, como redução da frequência cardíaca do bebê.
  • Hemorragia intensa por descolamento prematuro da placenta.
  • Posição inadequada do bebê, não reconhecida antes do início do trabalho de parto.
  • Protusão do cordão umbilical para fora do útero antes de o bebê sair.

Na verdade, a conversão de um parto normal para o parto cesariano deve ser feita sempre que houver algum problema durante o trabalho de parto que ponha em risco a saúde da mãe ou do bebê.

Recuperação após a cesariana

A estadia média no hospital após uma cesariana é de 2 ou 4 dias. A recuperação completa da cirurgia, porém, pode levar até 6 semanas, tempo muito maior que a do parto normal. Evite esforços e pegar peso desnecessariamente durante pelo menos as 3 ou 4 primeiras semanas.

A dor mais intensa do período pós-cirúrgico costuma durar 2 ou 3 dias e analgésicos são frequentemente necessários. Cólicas e contrações uterinas também são comuns. A ferida cirúrgica pode permanecer mais sensível por até 3 ou 4 semanas.

Hemorragia vaginal após uma cesariana é normal e pode durar até 6 semanas, embora o sangramento habitualmente não seja tão pesado como após um parto vaginal. Esse sangramento é a forma com que o corpo se livra dos tecidos e do sangue extra do útero que mantiveram o bebê saudável durante a gravidez. É como se fosse uma menstruação prolongada.

Nos primeiros dias, o sangue é vermelho brilhante e coágulos do tamanho de uma bola de golfe podem ser expelidos. O sangramento vai ficando gradualmente mais leve e claro, passando a rosa, depois castanho e, por último, a amarelado claro antes de parar.

Você poderá notar um enfraquecimento do cabelo nos primeiros 3-4 meses. Isto é normal. É causado pela alteração dos níveis hormonais. Falamos especificamente sobre a queda de cabelo após o parto no artigo: Eflúvio telógeno gravídico: queda de cabelo após o parto.

Estrias vermelhas ou roxas na barriga e seios são comuns, princialmente em gestantes com menos de 30 anos. As estrias que surgirem não desaparecerão, mas vão se tornar menos intensas e mais claras ao longo dos meses (leia: estrias na gravidez: tratamento e prevenção).

Na segunda semana após a cesária, a paciente costuma ser reavaliada pelo obstetra. Nessa altura, o seu médico inspecionará o local da incisão cirúrgica e verificará se a sua recuperação está evoluindo bem.

Cicatriz da cesariana
Cicatriz recente da cesariana

A cicatriz da cesariana é horizontal, fica logo abaixo da linha do biquíni e costuma ter de 10 a 20 cm de comprimento.

A cicatriz será inicialmente vermelha e bem visível, mas costuma evanescer com o tempo e ser coberta pelos seus pelos púbicos. Algumas mulheres com múltiplas cesarianas podem apresentar uma falha nos pelos púbicos na região da cicatriz.

Se você tem histórico de cicatrizes hipertróficas ou queloide, converse com um dermatologista antes da cirurgia para tentar reduzir o risco de desenvolver uma cicatriz esteticamente incômoda (leia: Tratamento do queloide e da cicatriz hipertrófica).


Referências


Autor(es)

Médico graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com títulos de especialista em Medicina Interna e Nefrologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Universidade do Porto e pelo Colégio de Especialidade de Nefrologia de Portugal.

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