Introdução
A hipertensão na gravidez é uma das complicações médicas mais frequentes do período gestacional. As doenças hipertensivas da gestação incluem hipertensão arterial crônica (preexistente), hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia e pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão crônica. Em conjunto, representam causa importante de morbidade materna e fetal.
É fundamental diferenciar dois cenários: mulheres que já eram hipertensas antes de engravidar (hipertensão crônica) e mulheres que desenvolvem elevação da pressão apenas após 20 semanas de gestação.
Quando a pressão se eleva depois de 20 semanas, em uma gestante previamente normotensa e sem sinais de pré-eclâmpsia, o quadro é classificado como hipertensão gestacional. Na maioria dos casos, a pressão se mantém elevada até o parto e regride espontaneamente nas primeiras 12 semanas pós-parto.
Essa distinção tem implicações práticas: identificar corretamente hipertensão gestacional e sinais de pré-eclâmpsia orienta o seguimento, o tratamento e, em algumas situações, a decisão sobre o momento do parto. Mesmo quando regride após o nascimento, a hipertensão na gestação se associa a maior risco cardiovascular futuro, o que justifica acompanhamento também no puerpério.
Neste artigo, apresentamos as diferenças entre hipertensão crônica, hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia, os principais riscos para mãe e bebê, as indicações de tratamento, quando considerar antecipar o parto e as medidas de prevenção e de seguimento pós-parto.
Tipos de hipertensão na gravidez
A gestante pode apresentar quatro formas diferentes de hipertensão arterial durante a gravidez. Cada uma tem causas, riscos e condutas distintas. São elas:
Hipertensão crônica (preexistente)
É considerada hipertensão crônica toda elevação da pressão arterial que já existia antes da gravidez ou que é diagnosticada até a 20ª semana de gestação. Nestes casos, a pressão arterial costuma permanecer elevada durante toda a gestação e também após o parto.
Muitas mulheres com hipertensão crônica não sabiam do diagnóstico antes de engravidar e descobrem a condição apenas durante o pré-natal. A pressão arterial é considerada elevada quando apresenta valores iguais ou superiores a 140/90 mmHg, confirmados em pelo menos duas medidas com intervalo mínimo de 4 horas.
Hipertensão gestacional
É a hipertensão que surge após a 20ª semana de gestação, em mulheres previamente normotensas, e sem outros sinais que caracterizem pré-eclâmpsia, como perda de proteínas na urina ou alterações de órgãos-alvo.
A pressão arterial atinge valores iguais ou superiores a 140/90 mmHg, mas sem comprometer rins, fígado, sistema nervoso central ou plaquetas. Essa forma de hipertensão costuma desaparecer espontaneamente nas primeiras semanas após o parto. Se persistir por mais de 12 semanas, considera-se que a paciente tem hipertensão crônica.
Pré-eclâmpsia
É a forma mais grave das doenças hipertensivas da gestação. Caracteriza-se pelo surgimento de hipertensão após a 20ª semana, associada a proteinúria (perda de proteínas na urina) ou a sinais de disfunção de órgãos, como:
- Aumento de creatinina.
- Elevação das enzimas hepáticas (TGO e TGP).
- Queda no número de plaquetas.
- Alterações visuais ou cefaleia intensa.
- Dor no abdome superior.
- Sinais de restrição do crescimento fetal.
Este tipo de hipertensão exige acompanhamento rigoroso, pois pode evoluir rapidamente com complicações tanto para a mãe quanto para o bebê.
Neste artigo, não iremos abordar a pré-eclâmpsia. Para saber mais sobre essa complicação da gravidez, acesse o seguinte artigo: Eclâmpsia e Pré-eclâmpsia – Sintomas e tratamento.
Pré-eclâmpsia superposta à hipertensão crônica
Ocorre quando uma mulher que já era hipertensa antes da gestação desenvolve, após a 20ª semana, sinais clínicos ou laboratoriais compatíveis com pré-eclâmpsia, como proteinúria recente ou alterações nos rins, fígado ou sistema nervoso central.
Esse quadro também representa maior risco e exige vigilância contínua durante a gestação.
O que é hipertensão gestacional?
Conforme acabamos de explicar, a hipertensão gestacional é uma forma de hipertensão arterial que surge após a 20ª semana de gestação em mulheres que tinham pressão normal antes da gravidez e não apresentam sinais de pré-eclâmpsia, como perda de proteínas na urina ou alterações em órgãos como rins, fígado ou sistema nervoso.
Apesar de poder surgir a partir da segunda metade da gestação, a hipertensão gestacional é mais comum no terceiro trimestre, especialmente nas semanas finais da gravidez. A pressão arterial atinge valores iguais ou superiores a 140/90 mmHg, medidos corretamente em pelo menos duas ocasiões com intervalo mínimo de 4 horas.
Na maioria dos casos, a pressão retorna ao normal espontaneamente nas primeiras 1 a 2 semanas após o parto. No entanto, em cerca de 15% dos casos, a hipertensão persiste além desse período. Se a pressão continuar elevada por mais de 12 semanas, considera-se que a paciente tem hipertensão arterial crônica, e o diagnóstico inicial é revisto.
Outro ponto importante é que, mesmo quando regride após o parto, a hipertensão gestacional representa um fator de risco para o desenvolvimento de hipertensão arterial crônica no futuro. Mulheres que tiveram esse diagnóstico apresentam, ao longo da vida, um risco até quatro vezes maior de desenvolver hipertensão arterial definitiva.
A hipertensão gestacional é mais frequente em mulheres que apresentam um ou mais dos seguintes fatores:
- Primeira gravidez.
- Sobrepeso ou obesidade (leia: Ganho de peso na gravidez).
- Idade materna acima de 35 anos.
- Gravidez gemelar.
- História familiar ou pessoal de pré-eclâmpsia.
- Gravidez na adolescência.
- Mulheres negras, que apresentam maior predisposição genética.
Embora seja menos grave do que a pré-eclâmpsia, a hipertensão gestacional também pode trazer riscos para a mãe e o bebê, principalmente quando atinge níveis mais elevados. Entre as possíveis complicações estão:
- Alterações no fluxo de sangue para a placenta.
- Restrição do crescimento fetal.
- Descolamento prematuro da placenta.
- Parto prematuro.
Esses riscos são maiores quando os níveis de pressão arterial ultrapassam 160/110 mmHg, situação que caracteriza a hipertensão gestacional grave.
Risco de pré-eclâmpsia
Embora a hipertensão gestacional, por definição, não apresente sinais laboratoriais de pré-eclâmpsia no momento do diagnóstico, isso não significa que o quadro seja estático. Uma parte expressiva das mulheres inicialmente classificadas com hipertensão gestacional pode evoluir para pré-eclâmpsia ao longo da gestação.
Estudos mostram que cerca de um terço das gestantes com hipertensão gestacional acaba desenvolvendo critérios clínicos e laboratoriais que caracterizam pré-eclâmpsia — uma forma mais grave da doença, com riscos maternos e fetais significativamente aumentados.
Por esse motivo, toda mulher diagnosticada com hipertensão gestacional deve ser acompanhada de perto até o final da gravidez, com avaliação frequente da pressão arterial e pesquisa periódica de proteinúria por meio de exames de urina. O objetivo é identificar precocemente qualquer sinal de progressão para pré-eclâmpsia, o que pode exigir mudanças no plano de tratamento e antecipação do parto.
Ainda não está totalmente estabelecido se a hipertensão gestacional e a pré-eclâmpsia são doenças distintas ou formas clínicas diferentes de um mesmo processo patológico. Alguns autores defendem que a hipertensão gestacional seria, em muitos casos, um estágio inicial da pré-eclâmpsia que ainda não se manifestou plenamente.
Certas características clínicas, quando presentes no momento do diagnóstico de hipertensão gestacional, estão associadas a maior risco de evolução para pré-eclâmpsia. São elas:
- Início da hipertensão antes da 34ª semana de gestação;
- Pressão arterial elevada e persistente, com valores iguais ou superiores a 160/110 mmHg;
- Alterações no fluxo sanguíneo da artéria uterina, detectadas pelo exame de ultrassonografia com Doppler;
- Níveis elevados de ácido úrico no sangue, indicativo precoce de disfunção renal endotelial.
Além desses fatores, estudos recentes sugerem que marcadores laboratoriais como a relação entre as proteínas sFlt-1 e PLGF podem ajudar a prever a transição entre hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia, especialmente em gestações com menos de 37 semanas. Esses exames ainda não fazem parte da rotina no sistema público de saúde, mas têm sido utilizados em centros especializados.
Dada a possibilidade de progressão e as potenciais complicações associadas, é fundamental que o diagnóstico de hipertensão gestacional não leve à falsa sensação de segurança, especialmente quando identificado no segundo trimestre. O seguimento adequado e o reconhecimento precoce de sinais de alerta são fundamentais para proteger a saúde da mãe e do bebê.
Tratamento da hipertensão gestacional
O tratamento da hipertensão na gestação depende dos níveis de pressão arterial, do tempo gestacional, da presença de sintomas ou sinais de gravidade e da condição clínica do feto.
O controle da pressão em gestantes é mais complexo do que em outras populações porque muitos medicamentos são contraindicados durante a gravidez e, além disso, a redução excessiva da pressão arterial pode comprometer o fluxo sanguíneo para a placenta, prejudicando o bebê.
Por isso, o tratamento medicamentoso nem sempre é indicado nos casos de hipertensão leve. Em geral, os obstetras optam por não iniciar drogas anti-hipertensivas nos casos mais brandos, priorizando o acompanhamento rigoroso da gestação, com medidas não farmacológicas e vigilância dos sinais de progressão para pré-eclâmpsia.
A seguir, detalhamos a conduta conforme o grau de elevação da pressão arterial:
Pressão arterial menor que 160/110 mmHg (hipertensão gestacional não grave)
Na maioria dos casos de hipertensão gestacional com níveis pressóricos abaixo de 160/110 mmHg, não é necessário iniciar tratamento com medicamentos. As evidências científicas indicam que o uso de fármacos nessa fase não traz benefícios significativos para mãe ou feto e ainda pode provocar efeitos colaterais, como hipotensão ou comprometimento da perfusão placentária.
Nesses casos, a principal conduta é o acompanhamento clínico rigoroso, com consultas semanais ou quinzenais para:
- Verificar os níveis de pressão arterial.
- Avaliar a presença de proteinúria.
- Monitorar o bem-estar fetal com exames de imagem e cardiotocografia, se indicado.
Além disso, a gestante deve ser orientada a:
- Aferir a própria pressão arterial diariamente em casa, utilizando aparelhos validados e com manguito adequado ao braço.
- Reconhecer sinais de alarme, como dor de cabeça persistente, alterações visuais, dor abdominal, diminuição dos movimentos do bebê ou sangramento vaginal.
- Reduzir o ritmo das atividades diárias. Embora não seja necessário repouso absoluto, atividades físicas intensas e ambientes estressantes devem ser evitados. Em casos de trabalhos muito exigentes ou estressantes, pode ser indicado o afastamento laboral temporário.
O parto costuma ser programado entre a 37ª e a 39ª semanas de gestação, de acordo com a evolução clínica da gestante e a condição fetal.
Pressão arterial maior que 160/110 mmHg (hipertensão gestacional grave)
A presença de pressão arterial persistentemente igual ou superior a 160/110 mmHg caracteriza a hipertensão gestacional grave e exige intervenção mais imediata. Nesses casos, os riscos de complicações são semelhantes aos da pré-eclâmpsia, e o tratamento deve ser conduzido com maior vigilância.
O uso de medicamentos anti-hipertensivos está claramente indicado, com o objetivo de evitar picos hipertensivos e complicações maternas, como acidente vascular cerebral (AVC), descolamento de placenta ou insuficiência cardíaca.
Os antihipertensivos mais utilizados na gestação são:
- Metildopa: tradicionalmente usada, com perfil de segurança bem estabelecido, especialmente no segundo e terceiro trimestres.
- Nifedipina de ação prolongada: segura e eficaz, especialmente para controle ambulatorial.
- Labetalol: opção segura e muito usada em ambiente hospitalar ou em emergências hipertensivas.
- Hidralazina: geralmente reservada para situações de emergência, com administração intravenosa.
A escolha do medicamento depende da experiência da equipe médica, disponibilidade local e do perfil clínico da gestante.
O momento do parto depende da idade gestacional e da estabilidade do quadro:
- Se a gestante estiver entre 34 e 36 semanas, o parto costuma ser indicado, pois os riscos de manter a gestação superam os riscos de prematuridade;
- Se a gravidez ainda não alcançou 34 semanas, a internação hospitalar geralmente é necessária para monitoramento materno e fetal contínuo, com o objetivo de prolongar a gestação com segurança o máximo possível, preferencialmente até a 34ª semana.
Durante a internação, além do controle da pressão, podem ser administrados corticoides (como betametasona ou dexametasona) para acelerar a maturação pulmonar do feto, caso o parto prematuro seja iminente.
Prevenção da hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia
Embora não seja possível prevenir todos os casos, algumas medidas têm se mostrado eficazes na redução do risco de desenvolvimento da hipertensão gestacional e, especialmente, da pré-eclâmpsia em gestantes com fatores de risco.
Aspirina em baixa dose
O uso de ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose tem efeito protetor em gestantes com risco elevado para pré-eclâmpsia. Segundo diretrizes como a do USPSTF, NICE e ACOG, a administração diária de 75 a 150 mg de aspirina (geralmente 100 mg) deve ser iniciada entre a 12ª e a 16ª semanas de gestação e mantida até 36 semanas.
O AAS é recomendado para gestantes com pelo menos um fator de alto risco ou dois ou mais fatores de risco moderado.
Fatores de alto risco incluem:
- História anterior de pré-eclâmpsia.
- Gravidez múltipla (gêmeos, trigêmeos).
- Hipertensão crônica.
- Diabetes tipo 1 ou 2.
- Doença renal crônica.
- Doença autoimune (lúpus, síndrome antifosfolipídeo).
Fatores de risco moderado:
- Primeira gestação.
- Idade materna ≥ 35 anos.
- Intervalo maior que 10 anos entre partos.
- Obesidade (IMC ≥ 30).
- Histórico familiar de pré-eclâmpsia.
- Condição socioeconômica desfavorável.
Suplementação de cálcio
Em populações com baixa ingestão de cálcio, a suplementação com 1,0 a 1,5 gramas por dia demonstrou reduzir o risco de pré-eclâmpsia e suas complicações, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A medida é especialmente indicada em países e regiões onde o consumo diário de cálcio é inferior a 600 mg.
Controle de peso e estilo de vida saudável
A obesidade e o ganho excessivo de peso durante a gestação estão fortemente associados a um risco aumentado de doenças hipertensivas. Portanto, recomenda-se:
- Manter um IMC adequado antes da gestação;
- Controlar o ganho de peso conforme orientação obstétrica;
- Adotar uma alimentação balanceada e atividade física leve ou moderada, sempre com liberação médica.
Cuidados após o parto
Mesmo com a resolução espontânea da hipertensão gestacional nas primeiras semanas após o parto, o seguimento no puerpério é fundamental por dois motivos principais:
- Confirmar se a hipertensão era transitória ou crônica não diagnosticada.
- Prevenir e monitorar doenças cardiovasculares a longo prazo.
As orientações incluem:
- Consulta de reavaliação entre 6 e 12 semanas após o parto, com aferição da pressão arterial e, se necessário, realização de exames laboratoriais básicos.
- Acompanhamento contínuo com clínico, cardiologista ou ginecologista, especialmente se a pressão permanecer elevada.
- Estímulo à amamentação, que é segura mesmo para mulheres em uso da maioria dos anti-hipertensivos indicados na gestação (como metildopa, nifedipina e labetalol).
- Orientações sobre adoção de hábitos saudáveis para reduzir o risco de hipertensão crônica, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares no futuro.
Estudos demonstram que mulheres que tiveram hipertensão gestacional têm risco aumentado de desenvolver hipertensão crônica, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e doença coronariana nas décadas seguintes. Por isso, a gestação deve ser encarada como uma janela de oportunidade para intervenção preventiva a longo prazo.
Perguntas frequentes sobre hipertensão gestacional (FAQ)
Hipertensão gestacional é a mesma coisa que pré-eclâmpsia?
Não. A hipertensão gestacional é a elevação da pressão arterial após a 20ª semana de gestação, sem proteinúria nem sinais de disfunção de órgãos. Já a pré-eclâmpsia envolve hipertensão mais alterações renais, hepáticas, hematológicas ou neurológicas. A hipertensão gestacional pode evoluir para pré-eclâmpsia em cerca de 1/3 dos casos, por isso exige monitoramento frequente.
O que é doença hipertensiva específica da gravidez (DHEG)?
Doença hipertensiva específica da gravidez (DHEG) é um termo mais antigo, ainda muito utilizado na prática clínica, que se refere ao grupo de condições caracterizadas pela elevação da pressão arterial durante a gestação, incluindo:
— Hipertensão gestacional.
— Pré-eclâmpsia.
— Eclâmpsia.
— Pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão crônica.
Atualmente, as diretrizes médicas preferem o uso do termo doenças hipertensivas da gestação, pois ele reflete com mais clareza os diferentes tipos e gravidades dessas condições.
A principal característica da DHEG é o fato de a hipertensão surgir após a 20ª semana de gestação, podendo ou não estar associada a proteinúria e disfunções em órgãos maternos. O diagnóstico, acompanhamento e tratamento variam conforme o subtipo da condição.
A hipertensão gestacional desaparece depois do parto?
Na maioria dos casos, sim. A pressão costuma voltar ao normal em até 1 a 2 semanas após o parto. No entanto, cerca de 15% das mulheres mantêm a pressão elevada além desse período. Se a pressão não normalizar em até 12 semanas, considera-se que a paciente tem hipertensão arterial crônica.
Qual é a pressão normal para grávida?
A pressão arterial considerada normal na gravidez é semelhante à de pessoas fora da gestação. Em geral, os valores devem estar abaixo de 140 por 90 mmHg (ou seja, < 140/90 mmHg).
Os níveis ideais costumam variar entre:
— Pressão sistólica (máxima): entre 100 e 130 mmHg.
— Pressão diastólica (mínima): entre 60 e 85 mmHg.
Valores acima de 140/90 mmHg, medidos corretamente em pelo menos duas ocasiões com intervalo mínimo de 4 horas, indicam hipertensão arterial e exigem avaliação médica, mesmo que a gestante não tenha sintomas.
Importante lembrar que, nos primeiros meses da gravidez, é comum a pressão cair um pouco. Isso faz parte das alterações fisiológicas da gestação e, na maioria dos casos, não causa problemas.
Qual é o valor da pressão que indica gravidade na gestação?
A hipertensão gestacional é considerada grave quando a pressão arterial atinge valores iguais ou superiores a 160/110 mmHg de forma sustentada. Nesses casos, há maior risco de complicações maternas e fetais, sendo indicado tratamento medicamentoso e, muitas vezes, antecipação do parto.
Quem teve hipertensão gestacional pode ter novamente?
Sim. O risco de desenvolver hipertensão gestacional ou pré-eclâmpsia em uma nova gravidez é maior em mulheres que já tiveram esse diagnóstico anteriormente. Além disso, há um risco aumentado de desenvolver hipertensão crônica e doenças cardiovasculares a longo prazo.
Quais são os sintomas de alerta na hipertensão gestacional?
Mesmo que o quadro seja inicialmente leve, a gestante deve procurar atendimento imediato se apresentar:
— Dor de cabeça intensa e persistente.
— Visão turva ou pontos brilhantes na visão.
— Dor abdominal, especialmente no lado direito (abaixo das costelas).
— Diminuição dos movimentos do bebê.
— Inchaço súbito nas mãos, rosto ou pernas.
— Falta de ar, palpitações ou sangramento vaginal.
Esses sintomas podem indicar evolução para pré-eclâmpsia ou outras complicações.
Quando o parto deve ser antecipado em casos de hipertensão gestacional?
Depende da gravidade do quadro:
— Se a pressão estiver controlada e não houver sinais de complicações, o parto costuma ser indicado entre a 37ª e a 39ª semanas.
— Em casos graves ou com risco materno-fetal, o parto pode ser antecipado para a 34ª semana ou até antes, se necessário.
A decisão é individualizada e deve considerar o estado clínico da mãe e do bebê.
Quando começar a tomar cálcio na gravidez?
A suplementação de cálcio durante a gravidez deve ser iniciada o mais precocemente possível, idealmente a partir do primeiro trimestre, especialmente em mulheres com ingestão dietética inadequada de cálcio (menos de 600 mg/dia).
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS):
— Recomenda-se iniciar a suplementação a partir da 12ª semana de gestação (ou antes, se a gestante já estiver em acompanhamento).
— A dose recomendada é de 1.000 a 1.500 mg por dia, dividida em duas ou três tomadas, para melhorar a absorção e reduzir efeitos gastrointestinais.
— Deve ser mantida até o final da gestação.
Objetivo:
A suplementação de cálcio visa reduzir o risco de pré-eclâmpsia e eclâmpsia, principalmente em populações com baixo consumo de laticínios ou acesso limitado a fontes alimentares ricas em cálcio.
Qual remédio para pressão a grávida pode tomar?
Durante a gravidez, apenas alguns medicamentos anti-hipertensivos são considerados seguros para o feto. Os principais remédios usados para controlar a pressão alta na gestação são:
— Metildopa: amplamente utilizada e com histórico de segurança durante a gestação.
— Nifedipina de ação prolongada: especialmente útil em crises ou no uso ambulatorial.
— Labetalol: muito usado em ambiente hospitalar ou quando há necessidade de controle mais intenso.
— Hidralazina: geralmente reservada para situações de urgência hipertensiva, com aplicação intravenosa.
Esses medicamentos são escolhidos conforme a gravidade da hipertensão, o trimestre da gestação e o quadro clínico da gestante.
Por outro lado, alguns remédios para pressão são proibidos durante a gravidez, por causarem risco de malformações ou danos aos rins do bebê. São eles:
— Inibidores da ECA (como captopril e enalapril).
— Bloqueadores dos receptores de angiotensina II (BRA) (como losartana, valsartana).
— Aliscireno (inibidor direto da renina).
— Atenolol (quando usado cronicamente, pode causar restrição de crescimento fetal).
Importante: nunca inicie ou suspenda um medicamento por conta própria durante a gravidez. O tratamento deve sempre ser orientado pelo obstetra.
Referências
- Treatment of hypertension in pregnant and postpartum patients – UpToDate.
- Hypertensive disorders in pregnancy: Approach to differential diagnosis – UpToDate.
- Gestational hypertension – UpToDate.
- Hypertension In Pregnancy – StatPearls.
- Preeclampsia and High Blood Pressure During Pregnancy – American College of Obstetricians & Gynecologists.
- Gestational Hypertension and Preeclampsia. Practice Bulletin No. 222. Obstet Gynecol. 2020
- Hypertension in pregnancy: diagnosis and management – NICE.




Dúvidas de leitores sobre este tema
Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.
Mais comentários dos leitores
Por que a hipertensão é a mais frequente na gravidez?
É possível ser hipertensa crônica e ter uma gestação normal ? Claro fazendo todo o controle e tomando os medicamentos?
Tive pré -eclâmpsia, minha pressão ficou 16 por 10. O bebê não resistiu, engravidei novamente tomando anticoncepcional, fiquei com medo mais já fiz consulta com a obstetra e nas consultas deu 10/06 e em casa 11/07 12/07 sempre estou verificando faço uso do metildopa 500 mg, três vezes ao dia, seria recomendado aumentar as doses?
Estou de 5 semanas tenho 44 anos e tenho hipertensão crônica….quais os riscos doutor?
Olá, boa tarde!
Tive hipertensão gestacional depois de um acidente de carro( onde eu dirijia e bati em outro carro) e com 35 semanas de gestação.
Tive q antecipar o parto e tive meu bb c 38 semanas.
O caso é q desde então minha pressão não normalizou, estou tomando captopril de 8 em 8 horas.
Sou hirpertecia crônica antes de engravidar tou de 20 semana tive sangramento perda de líquido tomo remédio para segurar o bebê tenho dor nas costas inchaço nas mãos e pés e tonturas mais não tenho condições de trabalhar passo mal no trabalho
Bom dia tive um parto de pré eclampsia as 33 semanas… Depois do parto fiquei com medicação… Por isso sou considerada hipertensa mas estão sempre 120/70 por aí …será que poderei engravidar novamente?
Olá Dr. Pedro.
Eu estou gestante de 25 semanas e na minha primeira gestação tive pré-eclampsia leve, que foi tratada com metildopa, porém devido a demora para realização do parto, tive a perda gestacional às 40 semanas de gestação.
Nesta atual gestação, tenho monitorado de perto minha pressão, faço cerca de 3 aferições por dia que estão geralmente em 110×70, chegando às vezes a 90×50. Mas é entrar no consultório e acaba o sossego a pressão vai a 160×90. O que o senhor acha disso?
olá boa tarde,
durante o período de gestação da paciente, qual remédio para a hipertensão e mais indicado pelos ginecologistas