Diferenças entre pneumonia e tuberculose

Autor(a): Dr. Pedro Pinheiro

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Tempo estimado de leitura: 3 minutos.

Introdução

Na maioria dos casos, não é difícil fazer a distinção entre a pneumonia e a tuberculose pulmonar. Entretanto, em pacientes idosos, diabéticos, insuficientes renais crônicos, doentes do fígado ou portadores do vírus HIV, o quadro clínico e radiológico, tanto da pneumonia quanto da tuberculose, podem ser atípicos, dificultando o estabelecimento de um diagnóstico correto.

A situação mais comum na qual a distinção correta entre pneumonia e tuberculose se torna necessária é quando o paciente apresenta um quadro sugestivo de pneumonia, com febre e tosse, mas não responde de forma adequada aos antibióticos indicados. A tuberculose pulmonar é, portanto, um dos principais diagnósticos diferenciais a se pensar nos casos de pneumonia de difícil resolução.

Neste artigo vamos resumir as principais diferenças clínicas e radiológicas da tuberculose na sua forma pulmonar e da pneumonia. Para saber mais sobre a tuberculose e a pneumonia, acesse os links abaixo:

Principais diferenças entre tuberculose e pneumonia

Casos de pneumonia e tuberculose podem ser distinguidos através da avaliação cuidadosa dos sinais e sintomas, dos exames complementares e da história epidemiológica.

Agentes etiológicos

Enquanto a pneumonia pode ser provocada por diversas bactérias diferentes, além de fungos ou vírus, a tuberculose possui um único agente etiológico, que é o Mycobacterium tuberculosis, uma bactéria conhecida também como bacilo de Koch.

A pneumonia bacteriana é habitualmente provocada por uma bactéria chamada Streptococcus pneumoniae, mas infecções por Haemophilus influenzae, Mycoplasma pneumoniae, Chlamydophila pneumoniae, Klebsiella pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa e várias outras bactérias também são muito comuns.

Transmissão

Enquanto a tuberculose é uma doença contagiosa, que pode ser transmitida através do contato próximo e requer isolamento do paciente por alguns dias, a pneumonia não passa de uma pessoa para outra, não havendo necessidade de afastar o paciente infectado dos seus amigos e familiares.

A tuberculose é uma infecção transmitida pelo ar, principalmente através de gotículas expelidas durante a tosse ou enquanto o paciente fala. Um contato próximo é necessário para que haja a transmissão do bacilo. Familiares e pessoas que trabalham no mesmo ambiente são os contactantes com maior risco de contágio.

A pneumonia, por outro lado, é provocada pela aspiração de bactérias habitualmente presentes na orofaringe. Em situações normais, o sistema imunológico das vias aéreas consegue neutralizar essas bactérias que vêm da boca, mantendo os pulmões livres de germes. Porém, por fatores diversos, tais como redução da imunidade, tabagismo, estresse, falta de sono adequado, presença de outras doenças, contato com bactérias mais virulentas que o habitual, etc., as defesas das vias aéreas podem falhar e as bactérias invasoras pode levar ao desenvolvimento de uma infecção no pulmão.

Tempo de doença

Uma diferença essencial entre pneumonia e tuberculose é o tempo de evolução de ambas. A pneumonia é uma infecção aguda, de rápida progressão. Em algumas horas, o quadro clínico do paciente se agrava e o mesmo sente a necessidade de procurar atendimento médico. Em geral, o intervalo entre o surgimento dos primeiros sintomas e a procura de atendimento médico é de 48 a 72 horas.

Às vezes, a pneumonia é precedida de um quadro gripal. O paciente apresenta uma gripe comum e alguns dias depois nota um súbito agravamento do quadro, com piora do estado geral, da falta de ar e da tosse com expetoração.

Na tuberculose a evolução é diferente. Os sintomas vão surgindo de forma lenta e gradual. O paciente nota emagrecimento e queda progressiva do estado geral. A febre geralmente começa baixa e vai se elevando. O mesmo ocorre com a tosse, que se agrava com o tempo. Semanas podem passar até que o paciente resolva procurar auxílio médico.

Sinais e sintomas

Os sintomas mais comuns da pneumonia são a febre, que é tipicamente alta, acima de 38,5ºC, e a tosse com expectoração amarela ou esverdeada. Também são comuns a dor torácica, principalmente à respiração profunda, o cansaço e a falta de ar. O paciente habitualmente encontra-se com estado geral deteriorado, com taquicardia (frequência cardíaca aumentada) e taquipneia (respiração rápida).

Nos idosos, porém, o quadro pode ser atípico, mais arrastado e sem os sintomas habituais. Mesmo a febre e a tosse podem não ser evidentes.

A tuberculose, por sua vez,  costuma apresentar uma febre moderada, entre 37,5ºC e 38,5ºC, de predomínio vespertino (mais alta no fim da tarde). Sudorese e calafrios noturnos também são comuns. O paciente costuma apresentar cansaço progressivo, perda de apetite e emagrecimento.

Tosse com expectoração é comum e, após alguns dias de doença, o escarro pode se tornar sanguinolento.

Achados radiológicos

Na pneumonia, a radiografia de tórax costuma evidenciar infiltrados ou condensações.  A imagem típica é uma mancha branca homogênea ou heterogênea na base do pulmão afetado ou no terço médio. Derrame pleural no mesmo lado é um achado também comum (leia: DERRAME PLEURAL).

A tuberculose costuma provocar uma cavitação no ápice do pulmão, que proporciona uma imagem arrendondada, com ar no interior. Derrame pleural também é possível de ser encontrado.

Obviamente, a imagem radiológica nem sempre é tão clara como nos exemplos abaixo.

Pneumonia e tuberculose

Resposta ao tratamento

A pneumonia, quando tratada com os antibióticos apropriados, costuma apresentar sinais de melhora já nas primeiras 48 horas. Em alguns pacientes, em 24 horas já é possível notar melhora clínica. O tratamento costuma durar apenas 8 dias e o paciente em 3 ou 4 dias já encontra-se completamente livre dos sintomas.

Já a tuberculose é uma infecção que demora mais a responder. A sensação de melhora demora alguns dias para surgir e a febre pode desaparecer somente após 15 dias. A recuperação é mais lenta e o tempo de tratamento é bem maior, durando, no mínimo, 6 meses.


Referências


Autor(es)

Médico graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com títulos de especialista em Medicina Interna e Nefrologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Universidade do Porto e pelo Colégio de Especialidade de Nefrologia de Portugal.

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