CREATININA E UREIA – Avaliação da Função Renal

A dosagem sanguínea da creatinina e da ureia é a melhor forma de avaliarmos o grau de funcionamento dos rins. Quanto mais elevados forem os valores dessas duas substâncias, mais grave é a disfunção renal.

Creatinina e ureia são duas substâncias presentes na corrente sanguínea, que podem ser dosadas através de exames de sangue quando se pretende fazer uma avaliação da função dos rins.

Quando os rins do paciente começam a funcionar de forma inadequada e a sua capacidade de filtrar o sangue fica afetada, as concentrações de ureia e creatinina no sangue tendem a ser elevar. Quanto mais alta for a creatinina sanguínea, mais grave é a insuficiência renal.

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Neste artigo vamos explicar o que são a ureia e a creatinina, quais doenças podem causar sua elevação e como interpretar os seus resultados.

Atenção: não confundir creatinina com creatina. São nomes parecidos, mas as substâncias são diferentes. Se você procura informações sobre o suplemento alimentar creatina, seu texto é este: SUPLEMENTOS DE CREATINA FAZEM MAL?

Antes de seguirmos em frente com o nosso artigo, veja esse curto vídeo de 3 minutos, produzido pela equipe do MD.Saúde, que explica de forma simples a insuficiência renal e o exame da creatinina:

Video-rins

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O que é creatinina?

Nossos músculos precisam de energia para exercer suas funções. O “combustível” que gera esta energia é uma proteína chamada creatina fosfato, sintetizada a partir das proteínas da nossa alimentação. A creatina fosfato é produzida no fígado e posteriormente armazenada nos músculos.

A nossa musculatura está permanentemente em atividade, mesmo quando estamos em repouso. Isto significa que estamos o tempo inteiro consumindo creatina fosfato. A creatinina é uma espécie de lixo metabólico resultante deste consumo constante. Após a sua geração, a creatinina é lançada na corrente sanguínea, sendo eliminada do corpo na urina, através dos rins.

Resumindo este ciclo:
– proteínas ingeridas na dieta »» produção de creatina fosfato pelo fígado »» consumo da creatina fosfato pelos músculos para geração de energia »» produção de creatinina »» eliminação da creatinina pelos rins.

Diariamente, cerca de 2% de toda creatina fosfato armazenada em nosso corpo é convertida em creatinina pelo metabolismo dos músculos. É essa creatinina resultante que dosamos nas análises de sangue.

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Mas por que a creatinina serve para avaliar a função dos rins?

A creatinina é uma substância inócua no sangue, sendo produzida e eliminada de forma constante pelo organismo. Se o paciente mantém sua massa muscular mais ou menos estável, mas apresenta um aumento dos níveis de creatinina sanguínea, isso é um forte sinal de que o seu processo de eliminação do corpo está comprometido, ou seja, os rins estão com algum problema para excretá-la.

Se os rins não estão conseguindo eliminar a creatinina produzida diariamente pelos músculos, eles provavelmente também estarão tendo problemas para eliminar diversas outras substâncias do nosso metabolismo, incluindo toxinas. Portanto, um aumento da concentração de creatinina no sangue é um sinal de insuficiência renal.

A ureia é outra substância produzida no fígado, também como resultado da metabolização de proteínas da alimentação. Assim como a creatinina, a ureia também é eliminada pelos rins. Elevações nos níveis sanguíneos de ureia são um sinal de mau funcionamento dos rins. Geralmente dosamos ambas as substâncias para avaliar a função dos rins, mas a creatinina é mais específica e confiável.

Qual é a importância da dosagem da creatinina e da ureia?

Estima-se que em todo o mundo existam milhões de pessoas com algum grau de disfunção dos rins; 70% destes nem sequer desconfiam que possam estar doentes. O método mais eficiente para se diagnosticar precocemente as doenças do rim é através da dosagem da creatinina.

Inúmeras doenças podem levar à doença renal crônica, mas seis delas correspondem a grande parte dos casos:

– Hipertensão (leia: HIPERTENSÃO ARTERIAL | Sintomas e tratamento).
– Diabetes (leia: DIABETES MELLITUS | Diagnóstico e sintomas).
– Rins policísticos (leia: RINS POLICÍSTICOS | Doença policística renal).
– Glomerulonefrites (leia: GLOMERULONEFRITE | O que é, sintomas e tratamento).
– Infecções urinárias de repetição (leia: PIELONEFRITE | INFECÇÃO URINÁRIA | Sintomas e tratamento).
– Cálculos renais de repetição (leia: CÁLCULO RENAL | PEDRA NOS RINS | Sintomas da cólica renal).

É muito comum nós médicos ouvirmos a seguinte frase:
– Ah, doutor, meus rins estão ótimos, eu urino muito bem e eles não doem.

Isto é um grande equívoco! A insuficiência renal crônica não costuma causar sintomas até fases bem avançadas da doença. O fato de não sentir dor nos rins não significa nada. Em geral, o rim só provoca dor quando há cálculo renal ou infecção. Todas as outras doenças renais não costumam cursar com dor no rins.

Existe também o mito de que urinar bem é um sinal de saúde renal. Na verdade, o controle da água corporal é apenas uma das atribuições dos rins. Inicialmente, o rim torna-se incapaz de filtrar as toxinas, mas consegue eliminar água sem maiores problemas. A redução do volume da urina é um sinal muito tardio, que muitas vezes só ocorre depois que a insuficiência renal está muito grave e o paciente já precisa entrar em programa de hemodiálise (leia: O QUE É HEMODIÁLISE). Portanto, o fato de urinar bons volumes e a ausência de dor nos rins não é garantia de saúde dos mesmos (leia: 10 SINTOMAS DOS RINS).

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A dosagem da creatinina é importante para se detectar a insuficiência renal em fases precoces, evitando, assim, as complicações da doença. Os rins, além do controle da água corporal, também agem no(a) :

– Excreção de substâncias sanguíneas, como remédios ou toxinas.
– Níveis sanguíneos de eletrólitos, como potássio, sódio, magnésio, cálcio e fósforo.
– Produção de hormônios que controlam os glóbulos vermelhos (hemácias).
– Controle da massa dos ossos.
– Controle da função da coagulação do sangue.
– Controle do pH do sangue.
– Controle da pressão arterial.

A insuficiência renal crônica é uma doença que costuma progredir lentamente e de forma silenciosa ao longo de anos, fazendo com que todas as funções acima estejam comprometidas. Não diagnosticar a doença renal precocemente significa não agir em tempo hábil sobre esses problemas.

Para saber mais detalhes sobre a insuficiência renal crônica, leia: INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA | Sintomas e tratamento.

Quem deve dosar a creatinina?

Qualquer indivíduo sob risco de desenvolver doença renal deve dosar sua creatinina sanguínea. Isto inclui pessoas que apresentam:

– Hipertensão.
– Diabetes.
– Idade maior que 50 anos.
– História familiar de rins policísticos.
– História familiar de glomerulonefrite.
– História familiar de insuficiência renal crônica.
– Uso crônico de anti-inflamatórios (leia: ANTI-INFLAMATÓRIOS | Ação e efeitos colaterais).
– Infecção urinária frequente (leia: SINTOMAS DA INFECÇÃO URINÁRIA).
– Cálculos renais de repetição (leia: CÁLCULO RENAL | Causas e sintomas).
– Edemas (inchaços) sem causa definida (leia: INCHAÇOS E EDEMAS | Causas e tratamento).
– Anemia sem causa definida (leia: ANEMIA | Sintomas e causas).
– Doenças cardíacas graves, principalmente insuficiência cardíaca.
– Alterações na urina, como sangramento (urina cor de Mate ou Coca-Cola) ou excesso de espuma, que é um sinal de proteinúria (leia: PROTEINÚRIA , URINA ESPUMOSA E SÍNDROME NEFRÓTICA).
– Pessoas com emagrecimento, perda de apetite, náuseas matinais e fraqueza intensa sem causa aparente.
– Obesos (leia: OBESIDADE E SÍNDROME METABÓLICA).
– Fumantes (leia: MALEFÍCIOS DO CIGARRO | Tratamento do tabagismo).
– Crianças com problema de crescimento.

Então, como eu faço para saber se meus rins estão funcionando de modo correto?

Em geral, para avaliação dos rins, solicita-se a ureia e a creatinina conjuntamente. Todavia, a creatinina é um melhor marcador, já que a ureia pode vir alterada em casos de desidratação, uso de diuréticos, sangramento digestivo, alimentação rica em proteínas, doença do fígado, etc.

O raciocínio é simples: as duas substâncias (ureia e creatinina) são produzidas constantemente pelo organismo e são eliminadas pelos rins. Deste modo, a sua concentração mantém-se sempre estável. Se os rins passam a não funcionar bem, elas começam a acumular no sangue. Portanto, quanto pior for a função renal, mais elevados serão os valores de ureia e creatinina.

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Além das dosagens de creatinina e da ureia, o médico também pode solicitar um exame simples de urina, chamado de EAS ou urina tipo 1 (leia: EXAME DE URINA | Leucócitos, nitritos, hemoglobina…).

Quais são os valores normais de creatinina?

Os níveis normais da creatinina variam entre 0,6 a 1,3 mg/dl. Porém, esses valores não são absolutos e devem ser interpretados pelo seu médico. Como a cretinina é produzida pelos músculos, pessoas musculosas apresentam taxas basais maiores. Um jovem esportista e musculoso pode apresentar até 1,4 mg/dl de creatinina sem ter doença renal, enquanto que uma senhora idosa e magra, com 1,2 mg/dl, pode ter rins doentes. Portanto, não se interpreta a creatinina como um valor absoluto. Deve-se levar em conta sexo, idade e peso do paciente. Em geral, porém, valores de creatinina acima de 1,5 ou 1,6 mg/dl são sinal de doença renal na imensa maioria dos casos.

Através do resultado da creatinina seu médico pode calcular a taxa de filtração renal (também chamada de clearance de creatinina), que é basicamente o volume de sangue filtrado pelo rim a cada minuto. Rins normais filtram até 180 litros de sangue por dia (aproximadamente 120 ml/min). Valores abaixo de 60 ml/min são indicativos de insuficiência renal crônica.

Como baixar a creatinina?

Não há um medicamento específico para baixar a creatinina. É importante lembrar que a creatinina é apenas um marcador de disfunção dos rins. Não é a creatinina em si que faz mal ao organismo. Ela sobe quando os rins estão funcionando mal.

A recuperação da função renal é possível nos casos de insuficiência renal aguda, quando a agressão ao rim é pontual. Nestes casos, o tratamento deve ser direcionado à doença aguda que está provocando injúria aos rins.

Nos casos de insuficiência renal crônica, os rins já apresentam lesão irreversível por anos de agressão causada pelo diabetes, hipertensão, drogas tóxicas aos rins, etc. Portanto, é pouco provável que ainda exista a possibilidade de iniciar algum tratamento que recupere a função renal e, consequentemente, abaixe os valores da creatinina.