24 de julho de 2013

CÓLICA MENSTRUAL | Sintomas e tratamento

A cólica menstrual, chamada em medicina de dismenorreia, é uma das queixas ginecológicas mais comuns. Dividimos as cólicas menstruais em duas categorias: dismenorreia primária, que é a cólica menstrual que surge sem que haja alguma doença ginecológica por trás, e dismenorreia secundária, que é aquela causada por doenças ginecológicas, como endometriose, miomas ou infecções.

Publicidade

Incidência da cólica menstrual

A cólica menstrual surge tipicamente em adolescentes, geralmente um ou dois anos após a menarca (primeira menstruação), época em que o ciclo hormonal ovulatório já encontra-se estabelecido.

Até 90% das adolescentes e 1/4 das mulheres adultas sofrem de cólicas menstruais. Não existe diferença de prevalência entre mulheres de diferentes etnias ou nacionalidades, mas a dismenorreia tende a melhorar conforme a mulher envelhece.

A dismenorreia em si não causa grandes problemas de saúde, porém em algumas mulheres a cólica é tão intensa que compromete seus afazeres diários.

Como referido na introdução deste texto, dividimos as cólicas menstruais em dois grupos: dismenorreia primária e dismenorreia secundária. Neste texto vamos dar ênfase à dismenorreia primária, aquela que surge sem que haja uma doença ginecológica por trás. Todavia, antes de prosseguirmos, vale a pena perdemos algumas linhas resumindo a dismenorreia secundária.

Dismenorreia secundária

Cólica menstrual

Ao contrário da dismenorreia primária, que surge logo após as primeiras menstruações, a dismenorreia secundária geralmente surge em mulheres após seus 20-30 anos. Para ser caracterizada como dismenorreia secundária, a cólica menstrual precisa ter como causa, ou fator agravante, alguma condição ginecológica identificada. As mais comuns são:

– Endometriose (leia: ENDOMETRIOSE | Sintomas e tratamento)
– Miomas uterinos (MIOMA UTERINO | Sintomas, causas e tratamento)
– Doença inflamatória pélvica (infecção dos órgãos reprodutivos femininos, geralmente causada por uma doença sexualmente transmissível)
– Estenose do canal cervical (abertura do colo do útero tão pequena que impede a saída do fluxo menstrual)
– Uso de DIU (leia: MÉTODOS ANTICONCEPCIONAIS | Métodos de barreira).

Dismenorreia primária

A partir de agora, sempre que falarmos em cólica menstrual estaremos nos referindo à dismenorreia primária.

Durante muitos anos a cólica menstrual foi um sintoma que recebeu pouca importância, sendo a dor frequentemente associada a condições emocionais e psicológicas das mulheres. Entretanto, atualmente já conhecemos o mecanismo fisiopatológico que leva às cólicas menstruais, não havendo relação com estado emocional, personalidade da paciente ou estresse.

Durante o ciclo menstrual a parede do útero vai se tornando mais grossa e vascularizada à espera da implantação de um possível embrião. Se o óvulo liberado não é fecundado, a queda nos níveis hormonais faz com esse excesso de parede do útero desabe, caracterizando a menstruação (se você quiser ler sobre o ciclo menstrual: CICLO MENSTRUAL | PERÍODO FÉRTIL).

Durante o descolamento da parede uterina, isto é, durante a menstruação, há a liberação de uma substância chamada prostaglandina, que causa contrações no útero. Essas contrações são importantes para que o útero expulse todo o tecido uterino descamado. Todavia, em algumas mulheres as contrações são tão intensas que até mesmos os vasos sanguíneos que irrigam o útero ficam comprimidos, causando uma isquemia temporária do mesmo (angina do útero). As mulheres que costumam ter intensas cólicas menstruais geralmente apresentam níveis elevados de prostaglandina no fluido menstrual.

Fatores de risco para cólicas menstruais

O principal fator de risco é a idade; as cólicas são comuns em mulheres antes dos 20 anos e vão melhorando conforme a mulher envelhece. Entretanto, algumas pacientes podem continuar apresentando quadros de cólica menstrual muito incômodos mesmo com o passar com anos. Entre os fatores de risco para a dismenorreia, podemos citar:

– Menarca (primeira menstruação) antes dos 12 anos
– Índice de massa corporal (IMC) menor que 20 ou maior que 30 (para entender o IMC. leia: OBESIDADE | SÍNDROME METABÓLICA | Definições e consequências)
– Menstruação volumosa ou com duração de vários dias
– Ciclos menstruais irregulares
– Tabagismo (leia: MALEFÍCIOS DO CIGARRO | Tratamento do tabagismo)
– História familiar de dismenorreia
– Nuliparidade (nunca ter tido filhos)

Sintomas da cólica menstrual

A cólica menstrual é uma dor que caracteristicamente inicia-se junto, ou logo antes da menstruação, amenizando progressivamente nas primeiras 72 horas. As cólicas são intensas e intermitentes, tendendo a localizar-se na região inferior do abdômen. Em algumas mulheres a dor pode irradiar-se para as costas ou membros inferiores (para saber mais sobre outras causas de dor abdominal, leia: DOR NA BARRIGA | DOR ABDOMINAL | Principais causas). Náuseas, suores, diarreia, tonturas, dor de cabeça e cansaço podem surgir junto com as cólicas.

Tratamento da cólica menstrual

O remédio de primeira linha no tratamento das cólicas menstruais são os anti-inflamatórios (AINES), que agem diminuindo a liberação das prostaglandinas (leia: ANTI- INFLAMATÓRIOS | Ação e efeitos colaterais) e apresentam boa resposta em até 90% dos casos. Atualmente o mais indicado é o Ácido Mefenâmico (Ponstan®), mas há dúvidas se este é realmente superior aos outros anti-inflamatórios no controle da cólica.

Outra opção além dos AINES são os anticoncepcionais orais, que ao controlar os níveis hormonais fazem com menstruação e as cólicas sejam menos intensas. Os anticoncepcionais em injeção ou adesivo também funcionam.

Mulheres que não respondem aos tratamento acima devem ser investigadas para dismenorreia secundária.

Em relação a tratamentos caseiros para as cólicas menstruais, o uso de bolsas de água quente são efetivos para aliviar as dores. Exercícios físicos regulares, ingestão de líquidos e uma dieta pobre em gorduras também são indicados e melhoram as cólicas

A acupuntura é uma opção, mas ainda não existem evidências inequívocas de que este procedimento seja superior ao placebo.

Publicidade
Publicidade
  • Suélen Rodrigues

    Oi doutor, tenho 18 anos atualmente, menstruei pela primeira vez aos 11 anos, mas só a partir dos 13 que comecei a ter colicas muito fortes, como se fosse uma queimação extrema no meu utero. Ja fazem quase 6 anos que estou com essas dores, e nenhum remédio alivia a dor, minha ginecologista me receitou Toragesic, e até ajuda um pouco, mas tenho crises que nem esse remedio controla. Fico enjoada, com a pressão muito baixa, incapaz de defecar mas com muito gases, sem apetite, e inpossibilitada de fazer qualquer coisa, e isso atrapalha meus estudos e meu emprego. No historico da minha familia tenho tias que sofreram de endometriose, isso pode ser genetico? O que posso estar fazendo?

    • Dr. Pedro Pinheiro – MD. Saúde

      Se você tem história familiar de endometriose, existe uma risco maior de você também tê-la. Os anticoncepcionais não ajudam a controlar a sua cólica menstrual?

  • Alana Beatriz

    Sinto muita cólica fico uma semana tomando remédio mais não passa a dor faço compresa já fui no medico falam que e normal mais acho estranho no meu período menstrual vem muito.
    o que pode ser?

    • sirlei

      tomo ponstan que passa

    • https://plus.google.com/u/0/113288925849694682313/posts Pedro Pinheiro

      Tem que investigar para saber se há alguma causa por trás dessa dismenorreia.

  • Luana Melo

    O uso de injeções, que evitam a menstruação, durante muitos meses faz mal?

  • Kamila Muniz

    Tenho 21 anos. Desde a primeira menstruação (com 11 anos) sinto cólicas. Não é todo mês que sinto, as vezes não sinto nada, as vezes dói pouco e as vezes dói muito. Sempre sinto como se fosse um aviso, pois assim que dói a menstruação vem. Tomo remédio e logo depois passa. Tbm sofro com prisão de ventre, vou ao banheiro de 2 ou 3 em 3 dias. Tenho medo da endometriose. Fui ao médico, fiz vários exames e ele disse q não tenho nada. Que essa cólica é ‘natural’ e faz parte do meu ser. Nos primeiros anos o ciclo era irregular. Hoje vem certinho, na maioria das vezes 28 dias, sendo as vezes de 27 ou 29. A menstruação dura em média 7 dias. O fluxo é bem intenso nos 3 primeiros dias. No quarto e quinto dia diminui bastante. No sexto e sétimo dia já não vem quase nada..é bem o restinho mesmo..só pra dizer q está ali. Tem chances de ser endometriose? Pode ser q seja realmente algo ‘normal’? Estou muito preocupada, pois sempre q aluém me vê com cólicas diz q posso ter endometriose. Aguardo sua resposta Dr. Obrigada!

    • https://plus.google.com/+PedroPinheiro/ Dr. Pedro Pinheiro – MD.Saúde

      Pelo o que você conta, não vejo motivos para pensar em endometriose. A sua história de cólica não apresenta nenhum dado muito atípico.

  • https://plus.google.com/+PedroPinheiro/ Dr. Pedro Pinheiro – MD.Saúde

    Impossível saber à distância.

  • larissa

    Eu não tinha colica menstrual , mais agora todo més to tendo , porque sera ?

  • https://plus.google.com/+PedroPinheiro/ Dr. Pedro Pinheiro – MD.Saúde

    Em alguns casos, pode ser endometriose.

  • https://plus.google.com/+PedroPinheiro/ Dr. Pedro Pinheiro – MD.Saúde

    Em geral, não vira algo mais grave.

  • http://www.facebook.com/valquiria.reispereiraamorim Valquiria Reis Pereira Amorim

    tenho 21 anos sinto muitas colica,vc acha q pode agravar para um caso mais serio

  • http://www.facebook.com/valquiria.reispereiraamorim Valquiria Reis Pereira Amorim

    tenho 21 anos sinto muitas colica,vc acha q pode agravar para um caso mais serio

  • Michellebarbeta

    minha filha tem 11 anos ela sente muita dor de cabeça eu já levei ela no neuro fez todos os exames,deu tudo negativo,levei ao oftalmologista,mas nada adiantou ela continua com as dores.sera que ela vai mestruar poriso que ela sente dores de cabeça.

    • https://plus.google.com/+PedroPinheiro/ Dr. Pedro Pinheiro – MD.Saúde

      Não acho que seja a primeira hipótese. O neurologista disse que era o que?

  • Deneci_prado

    sou deneci e gostaria de saber se para o mioma não se estender tomando a injeção anticoncepcionais pode ser bom parando o sangramento o mioma as vezes acaba tenho 43 anos

    • https://plus.google.com/+PedroPinheiro/ Dr. Pedro Pinheiro – MD.Saúde

      Não entendi. A pergunta ficou confusa.

  • Cicarv

    é normal sentir cólicas 8 dias após a ovulação?

    • https://plus.google.com/+PedroPinheiro/ Dr. Pedro Pinheiro – MD.Saúde

      Não. Cólica é normal durante a ovulação ou na fase pré-menstruação.

  • Vania Santos

    tenho 24 anos e sofro muito com colica, todo mes tenho que ir ao medico porque as dores
    são terriveis e eu nao aguento e tenho fortes dores de cabeça terrivel tambem o que eu posso
    fazer para amenizar as dores?

    • https://plus.google.com/+PedroPinheiro/ Dr. Pedro Pinheiro – MD.Saúde

      O texto oferece algumas opções. Se as dores forem intratáveis, tem que conversar com o ginecologista para ele ver o que está acontecendo. Você pode ter endometriose, por exemplo.

  • Liliancristinalimadonascimento

    Minha filha tem 11 anos e menstruou. Vamos fazer uma viagem ao Nordeste e ela estará menstruada bem nos dias que estaremos em férias na praia. Há algum remédio que eu possa dar à ela, para antecipar ou retardar a menstruação?

    • https://plus.google.com/+PedroPinheiro/ Dr. Pedro Pinheiro – MD.Saúde

      Acho que já tão cedo não era bom ficar enchendo a menina de hormônios para atrasar menstruação.

  • Mesquita

    Oi…gostei muito do site tanbem,mais tenho tido tonturas,dores de cabeça,diarreia e muitas dores n bixiga o que pode ser?por favor ajudem-me.

  • Anonymous

    Dr. Pedro Pinheiro, gostei muito de seu site e, em especial, desta matéria, pois sofro com cólicas a anos e os ginecologistas sempre dizem que é normal e nunca receitaram remédio que conseguisse conter a dor.
    Menstruei aos 10 anos de idade e só comecei a sentir as cólicas aproximadamente uns 2 anos depois. Junto com elas tenho todos os sintomas descritos em seu texto, já cheguei a quase desmaiar, mas só sinto esses sintomas no primeiro dia de menstruação (fico apenas 3 dias, onde o fluxo é muito intenso!
    Estou pensando em conversar com minha ginecologista sobre os AINES (A partir do que li em seu artigo). Espero que ela receite algum. Pode ser a solução para esse meu problema!!

    Parabéns pelo site!

    YngridLM