A coqueluche, também conhecida como pertússis ou tosse convulsa, é uma infecção altamente contagiosa do trato respiratório causada pela bactéria Bordetella pertussis. A coqueluche, uma doença atualmente prevenível por vacina, cursa com violentas crises de tosse dolorosa. Neste texto vamos abordar a transmissão, sintomas, tratamento e prevenção desta infecção
Epidemiologia da coqueluche
Até a primeira metade do século XX a coqueluche era uma das principais causas de morte em crianças. Após o advento da vacina na década de 1940, a incidência despencou, principalmente nos países desenvolvidos, tornando-se uma doença pouco comum. No Brasil são registrados cerca de 1000 novos casos de coqueluche por ano. Apesar de incomum em boa parte do planeta, a coqueluche ainda atinge anualmente cerca de 40 milhões de pessoas no mundo, principalmente na África e no Sudeste Asiático.
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| Tosse convulsa |
A despeito da vacinação, a cada 2 a 5 anos ocorrem surtos localizados de coqueluche em praticamente todos os países (não necessariamente ao mesmo tempo). Este dado nos indica que a vacinação é eficaz em prevenir a doença, mas não elimina a circulação da bactéria no meio. Sempre que há acúmulo de indivíduos susceptíveis, seja por falta de vacinação ou por perda de eficácia da mesma com o tempo, a coqueluche reaparece pontualmente.
Transmissão da coqueluche
O ser humano é o único animal que abriga a bactéria Bordetella pertussis. A coqueluche é uma doença altamente contagiosa, sendo a transmissão feita através de aerossóis e gotículas das vias aéreas lançadas ao ambiente, principalmente durante a tosse. Após um episódio de tosse a bactéria é lançada ao ar e pode infectar pessoas em um raio maior do 1,5 metros de distância. A transmissão pelas mãos é uma importante via de propagação da doença.
Sintomas da coqueluche
Após a exposição à bactéria Bordetella pertussis, o tempo médio de incubação é de 7 a 10 dias. Quando surgem os sintomas, a doença pode ser dividida em 3 estágios:
1. Estágio catarral
O estágio catarral é a primeira fase da coqueluche e dura de 1 a 2 semanas. O sintomas são semelhantes ao de uma virose respiratória comum, com febre baixa, rinite, mal estar, conjuntivite, espirros e tosse. Esta é a fase onde a doença encontra-se mais contagiosa.
2. Estágio paroxistico
Ao final do estágio catarral, a tosse que era fraca vai se tornado frequente e cada vez mais forte. Os ataques de tosses tornam-se violentos e podem durar mais de um minuto. O paciente durante as crises tem dificuldade para respirar e costuma fazer um som agudo, tipo um silvo ou "guincho", quando inspira contra as vias aéreas comprimidas pela tosse. Os ataques de tosse podem ser tão intensos que causam vômitos e exaustão. As crises são mais comuns à noite e o paciente pode ter mais de 20 episódios ao longo das 24h. As crises de tosse duram até 6 semanas, sendo mais intensas nas duas primeiras.
3. Estágio de convalescença
Após 6 semanas de estágio paroxístico, a tosse começa a aliviar, permanecendo por ainda quase 1 mês, mas já sem os paroxismos. Todavia, as crises podem voltar caso o paciente nesta fase tenha o azar de apresentar outra infecção das vias aéreas, como uma gripe, por exemplo.
Adultos podem ter coqueluche se não tiverem sido vacinados corretamente ou se a vacina tiver perdido eficácia ao longo dos anos. Neste grupo a coqueluche pode não apresentar os sintomas e estágios típicos descritos acima, principalmente se o paciente já tiver sido vacinado. O sintoma mais comuns de coqueluche no adulto são as intensas crises de tosse, que podem levar a vômitos e duram até 3 meses.
Complicações da coqueluche
As principais complicações da coqueluche ocorrem em crianças, principalmente nas menores de 6 meses. Os problemas são geralmente secundários às violentas crises de tosses e incluem:
- Pneumotórax (leia: PNEUMOTÓRAX | Causas, sintomas e tratamento)
- Distensão muscular
- Crises convulsivas (leia: EPILEPSIA | CRISE CONVULSIVA | Sintomas, tipos e como proceder)
- Hernias abdominais
- Fratura de costela
- Pneumonia (leia: PNEUMONIA | Sintomas e tratamento)
- Lesões nos ouvidos
- Lesões nos olhos
A maioria dos casos de mortes por coqueluche ocorrem em crianças menores que 6 meses, exatamente o grupo que ainda não completou a série de 5 vacinas. A taxa de mortalidade encontra-se em 1% dos casos. Quanto mais nova a criança, maior o risco.
Tratamento da coqueluche
Quando a coqueluche ocorre em crianças com até 1 ano de idade, geralmente é necessário internamento hospitalar para ajudar na hidratação e alimentação. Antitussígenos não funcionam e atualmente seu uso é desencorajado. Antibióticos contra Bordetella pertussis, se inciados precocemente, diminuem o tempo de doença e a taxa de transmissão. Após 5 dias de antibióticos, o paciente deixa de ser transmissor da bactéria.
A profilaxia com antibióticos é indicada para todos familiares ou pessoas que tiveram contato próximo com o paciente nos 21 dias que antecederam o início dos sintomas, não importando a idade ou o estado vacinal dos mesmos.
Vacina para coqueluche
O atual esquema de vacinação do ministério da Saúde no Brasil indica um total de 5 doses da vacina tríplice DTP contra difteria, tétano e pertússis (coqueluche) a serem dadas nos 2º, 4º e 6º meses, com doses de reforço no 15º mês e aos 4 anos de idade. Com o aumento da incidência de coqueluche entre adolescentes e adultos, alguns médicos estão indicando uma nova dose de reforço aos 11 anos de idade.
A vacina reduz muito a chance de contaminação, mas como qualquer vacina, não é 100% efetiva, principalmente se a última dose foi administrada há muitos anos.
Para saber mais sobre vacinas e o calendário de vacinação brasileiro, leia: VACINAS | Calendário, efeitos colaterais e contra-indicações




2 comentários:
Bom dia Dr. tenho 35 anos e não sei mais o que fazer,a 1 mês atraz comecei com uma tosse seca e branda que chamava atenção pois não tinha catarro nem febre mas dava um estalo no peito. Foram quase 2 semanas assim, até esta tosse começar a aumentar, principalmente no período da noite comecei a ter fortes acessos seguidos de desmaio devido ao engasgo e expulsão de uma gosma parecida com clara de ovo grossa.
Já procurei diversos médicos, fiz raio X dos pulmões, eletrocardiograma, exames de sangue e nada.
Um dos médicos procurados me diagnosticou com pneumonia atípica, me receitou Notuss para alívio da tosse e azitromicina, tomei tudo e nada.
Procurei um novo médico e esse ao me oscultar disse que eu estava com coqueluche e pneumonia atípica me receitando: Taveflox, Seki e Hexomedine, ao tomar esta medicação consegui controlar as crises de desmaio, mas a tosse e a tosse noturna seguida de vômito ainda incomoda muito, já estou na metade do tratamento e não sei mais a quem recorrer.
Estou ficando assustado só em pensar que vou dormir, pois ao acordar as crises são terríveis, sinto que tenho que expulsar algo de dentro de mim e ai vem o vômito e muita tosse.
Por favor me dê uma luz!
Pneumologista.
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