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9 de outubro de 2010

SÍNDROME DA FADIGA CRÔNICA

A síndrome da fadiga crônica é uma doença controversa e de difícil explicação, sendo muito frustrante de se lidar, não só para os pacientes como também para os médicos, pois ainda não se conseguiu estabelecer definitivamente suas causas, o diagnóstico é difícil de ser feito e o tratamento atual é pouco efetivo. Apesar de não diminuir a expectativa de vida do paciente acometido, a síndrome da fadiga crônica pode ser considerada uma doença grave devido a grande queda na qualidade de vida que a mesma pode causar.

É importante saber que existem diferenças entre possuir a síndrome da fadiga crônica e apresentar fadiga com frequência. Na verdade, apenas 10% dos pacientes que se queixam de cansaço crônico, efetivamente possuem critérios para o diagnóstico da síndrome da fadiga crônica. Para ler sobre outras causas de cansaço prolongado: CANSAÇO | FADIGA | Principais causas.

Sintomas da síndrome da fadiga crônica

Além da fadiga crônica que dá o nome a doença, os pacientes com esta síndrome também costumam apresentar os seguintes sintomas:

Síndrome da fadiga crônica1. Dificuldade de concentração e "memória fraca"
2. Dor de garganta
3. Dor muscular
4. Dor articular
5. Dor de cabeça
6. Dificuldades em dormir
7. Linfonodos discretamente aumentados e dolorosos
8. Exaustão após esforço físico ou mental, mesmo após 24 horas de repouso.

Estes são os sintomas clássicos, porém, vários outros podem ocorrer como tonturas, diarréia, alergias...

É importante destacar que o exame físico costuma ser normal. O paciente se queixa de dores, mas nenhuma lesão é encontrada, queixa-se de febre, mas o termômetro nunca a mostra, os linfonodos dolorosos são normais à biópsia e a eletroneuromiografia não consegue comprovar a fraqueza muscular.

Esta incapacidade em se documentar as queixas dos pacientes muitas vezes levam a uma errada interpretação de que estão fingindo ter uma doença. Porém, assim como na fibromialgia, a síndrome da fadiga crônica deve ser encarada como uma doença de verdade, evitando-se a estigmatização dos pacientes.

Causas da síndrome da fadiga crônica

Apesar de todos os esforços, as causas da síndrome da fadiga crônica ainda não foram elucidadas. Algumas doenças e infecções, principalmente das vias respiratórias, parecem precipitar a doença, mas o mecanismo no qual isso ocorre e por que só acontece em algumas pessoas ainda é um mistério. Sabe-se, porém, que a doença é mais comum em pessoas jovens e adultos de meia-idade do que em crianças e idosos, e duas vezes mais comum em mulheres que em homens.

Entre as doenças que podem precipitar a síndrome da fadiga crônica, citamos:

- Infecções virais, principalmente das vias respiratórias
- Depressão
- Anemia por carência de ferro (leia: ANEMIA | CAUSAS E SINTOMAS)
- Alterações hormonais
- Causas autoimunes (leia: DOENÇA AUTO- IMUNE | O que é e quais são as causas mais comuns)
- Pressão baixa crônica (leia: PRESSÃO BAIXA EXISTE ?)
- Fibromialgia (leia:  FIBROMIALGIA | Sintomas e tratamento)

Durante muitos anos acreditava-se que havia uma relação muito forte entre a mononucleose (leia: MONONUCLEOSE | DOENÇA DO BEIJO | Sintomas e contágio) e síndrome, porém, as últimas evidências mostram que esta relação não é tão importante.

Diagnóstico da síndrome da fadiga crônica

A síndrome da fadiga crônica é um diagnóstico de exclusão, ou seja, é preciso ter certeza que o cansaço e os sintomas não são causados por nenhuma outra doença identificável. Doenças cardíacas, pulmonares, hepáticas e renais, além de dezenas de outros problemas, como obesidade mórbida, uso de drogas, apnéia do sono, anorexia, etc. podem causar fadiga e devem ser descartadas sempre.


Mesmo que o paciente não tenha nenhuma causa identificável para o seu cansaço, para o diagnóstico da síndrome ainda é preciso que a fadiga tenha estado presente nos últimos seis meses e esteja associada a pelo menos 4 dos 8 sintomas descritos acima.

Tratamento da síndrome da fadiga crônica

Não existe cura para a síndrome da fadiga crônica e o tratamento nem sempre é satisfatório. De todos os tratamento já tentados, os que realmente fornecem melhora clínica são a psicoterapia e exercícios físicos regulares. Este último pode ser muito difícil uma vez que no início os sintomas parecem piorar. Porém, o exercício deve ser iniciado com cargas muito, mas muito leves, com lento e progressivo aumento conforme o paciente tolere. A longo prazo, a prática de exercícios melhora muito a qualidade de vida.

Não existe tratamento com drogas ou dieta específica que comprovadamente melhore os sintomas da síndrome da fadiga crônica.

Dr. Pedro PinheiroAutor do artigo
Dr. Pedro Pinheiro - Médico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2002. Diploma reconhecido pela Universidade do Porto, Portugal. Título de especialista em Medicina Interna pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em 2005. Título de Nefrologista pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) em 2007. Título de Nefrologista pelo Colégio Português de Nefrologia.

2 comentários:

Ihh... acho que eu tenho essa sindrome da fadiga crônica. Vou procurar meu médico e ver a opinião dele
Juslene

vou precisar ir a um medico to sentindo quase todos os sintomas

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