Tensão pré-menstrual (TPM): o que é, sintomas e tratamento

Atualizado:
23 out. 2026
Atualizado:
23 out. 2026

Resumo

Principais pontos sobre a tensão pré-menstrual (TPM)

  • O que é TPM? A tensão pré-menstrual (TPM) é um conjunto de sintomas físicos e emocionais que surgem antes da menstruação e podem interferir na qualidade de vida da mulher.
  • Quando começa a TPM? Geralmente, entre 5 e 10 dias antes da menstruação, embora algumas mulheres apresentem sintomas até duas semanas antes.
  • Quanto tempo dura? Em média, seis dias por ciclo. Os sintomas costumam melhorar com a chegada da menstruação e desaparecer nos primeiros dias do sangramento.
  • Quais são os principais sintomas? Irritabilidade, alterações de humor, ansiedade, cansaço, inchaço abdominal, sensibilidade nas mamas e dor de cabeça.
  • O que causa a TPM? Acredita-se que seja provocada por uma maior sensibilidade às variações hormonais normais do ciclo menstrual, especialmente por seus efeitos sobre os neurotransmissores cerebrais.
  • Como aliviar a TPM? Exercícios físicos, sono adequado e controle do estresse podem ajudar. Nos casos moderados ou graves, antidepressivos da classe dos ISRS, anticoncepcionais hormonais e psicoterapia são opções de tratamento.
  • O que é TDPM? O transtorno disfórico pré-menstrual é uma forma grave de transtorno pré-menstrual, caracterizada principalmente por sintomas emocionais intensos que prejudicam a vida cotidiana.
  • Homem tem TPM? Homens que não apresentam ciclos menstruais ovulatórios não têm TPM no sentido médico do termo. A expressão “TPM masculina” é utilizada popularmente para descrever alterações de humor em homens.

O que é a síndrome da tensão pré-menstrual (TPM)?

A síndrome da tensão pré-menstrual (TPM) é um conjunto de sinais e sintomas, tanto de ordem física como psicológica, que surgem na fase final do ciclo menstrual, dias antes da descida da menstruação.

Cerca de 70% a 80% das mulheres apresentam alguma alteração física ou emocional no período pré-menstrual. Porém, a presença de sintomas leves antes da menstruação não significa necessariamente que a mulher tenha TPM.

Para que o quadro seja considerado uma síndrome pré-menstrual clinicamente significativa, os sintomas precisam se repetir em diferentes ciclos e provocar desconforto relevante ou interferência nas atividades habituais.

Para a maioria das mulheres que apresentam sintomas pré-menstruais, o quadro é apenas um incômodo temporário que é facilmente tolerado e não provoca grandes inconveniências. Porém, algumas apresentam um quadro mais intenso, com elevado estresse, irritabilidade, alterações de humor e outros sintomas que prejudicam sua qualidade de vida.

A TPM pode surgir desde a adolescência, mas os sintomas mais intensos e a procura por atendimento são mais comuns entre o final dos 20 e os 40 anos.

Estima-se que cerca de 20% a 30% das mulheres em idade reprodutiva apresentem TPM clinicamente significativa.

A forma mais grave dos transtornos pré-menstruais é chamada de transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), que acomete aproximadamente 2% a 5% das mulheres em idade reprodutiva.

O que é o transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM)?

O transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) é uma forma grave de transtorno pré-menstrual, caracterizada principalmente por manifestações emocionais intensas.

A síndrome pré-menstrual e o transtorno disfórico pré-menstrual apresentam sintomas físicos e emocionais, mas o TDPM causa mudanças extremas de humor que podem afetar a vida diária e atrapalhar os relacionamentos pessoais, familiares e profissionais.

Normalmente, a paciente apresenta sintomas mais intensos, como explosões de raiva, irritabilidade acentuada, crises de ansiedade, tristeza profunda e sensação de perda de controle emocional.

A paciente com transtorno disfórico pré-menstrual frequentemente apresenta dificuldades de relacionamento interpessoal e pode entrar em conflitos no trabalho, o que gera prejuízos na vida íntima e profissional.

O TDPM é, portanto, uma condição potencialmente incapacitante, que não deve ser confundida com as oscilações normais de humor que algumas mulheres apresentam antes de menstruar.

O transtorno disfórico pré-menstrual é uma versão grave e às vezes incapacitante da TPM.

Em casos graves, podem surgir pensamentos de morte ou de suicídio. Estudos mostram que mulheres com TDPM apresentam maior risco de ideação e comportamento suicida, motivo pelo qual essas manifestações precisam ser levadas a sério.

Pensamentos suicidas não devem ser considerados uma manifestação normal da TPM. Quando presentes, exigem avaliação médica urgente, independentemente da fase do ciclo menstrual.

Quando começa a TPM e quantos dias dura?

A TPM costuma começar entre 5 e 10 dias antes da menstruação, mas algumas mulheres podem apresentar sintomas até duas semanas antes do sangramento.

Os sintomas surgem durante a chamada fase lútea, que corresponde ao período entre a ovulação e o início da menstruação.

Em média, os sintomas duram cerca de seis dias por ciclo, sendo geralmente mais intensos nos últimos dias antes da menstruação.

Uma característica importante da TPM é que os sintomas melhoram rapidamente quando a menstruação começa, desaparecendo habitualmente nos primeiros dias do sangramento.

Por exemplo, uma mulher pode apresentar irritabilidade, inchaço abdominal e sensibilidade nas mamas durante a semana anterior à menstruação e voltar a se sentir completamente bem poucos dias depois do início do fluxo menstrual.

Infográfico mostrando a relação entre TPM e ciclo menstrual, com as fases folicular, ovulação e lútea, o início dos sintomas de 5 a 10 dias antes da menstruação, sua duração média de 6 dias e a melhora nos primeiros dias do sangramento.
A TPM ocorre na fase lútea do ciclo menstrual, após a ovulação. Os sintomas geralmente começam de 5 a 10 dias antes da menstruação, duram cerca de 6 dias e costumam desaparecer nos primeiros dias do sangramento.

A estreita relação temporal entre a piora dos sintomas na segunda metade do ciclo menstrual e sua resolução após o início da menstruação é uma das principais características utilizadas para o diagnóstico da TPM.

Se os sintomas persistem durante todo o mês, mesmo que piorem antes da menstruação, é preciso considerar outras causas.

Para entender melhor as fases hormonais envolvidas, leia: Ciclo menstrual: quais são as fases e como ocorre a menstruação.

Causas da TPM

Ainda não há uma explicação completa do motivo pelo qual a TPM surge. Os atuais estudos sugerem que existe uma interação entre os hormônios produzidos pelos ovários na segunda metade do ciclo menstrual e alguns neurotransmissores do sistema nervoso central, como a serotonina, que estão associados ao controle do humor.

Não se sabe exatamente por que algumas mulheres têm síndrome de tensão pré-menstrual muito sintomática e outras não apresentam sintoma algum na fase pré-menstrual. Já está comprovado que não há diferenças consistentes entre os níveis de estrogênio e progesterona das mulheres com e sem TPM.

Imagina-se, portanto, que algumas mulheres sejam mais sensíveis aos efeitos das alterações hormonais fisiológicas do ciclo menstrual sobre os neurotransmissores cerebrais.

Além da serotonina, outros mecanismos foram investigados, incluindo a participação das endorfinas e do sistema GABA, que ajuda a regular a ansiedade e a excitabilidade do sistema nervoso central.

Uma das substâncias investigadas é a alopregnanolona, produzida a partir da progesterona e que atua sobre os receptores GABA. Mulheres com TPM ou TDPM podem apresentar uma resposta cerebral diferente às variações dessa substância, mesmo quando seus níveis hormonais são normais.

Essa hipótese ajuda a explicar por que medicamentos que atuam sobre a serotonina ou tratamentos que impedem as oscilações hormonais podem melhorar os sintomas.

Também ainda não se conseguiu comprovar qualquer relação entre os diferentes tipos de personalidade e a ocorrência da TPM. Mulheres que são geralmente calmas podem ter TPM, enquanto mulheres mais agitadas e nervosas podem não tê-la.

Do mesmo modo, fatores de estresse parecem não ter um papel tão importante na origem da síndrome como se pensava. Na verdade, é muito mais comum que a tensão pré-menstrual cause estresse do que o contrário. Isso não significa, porém, que situações estressantes não possam agravar os sintomas em algumas mulheres.

A interferência da alimentação nos sintomas também é controversa. Algumas mulheres relatam piora do inchaço, da irritabilidade ou da qualidade do sono após o consumo excessivo de sal, álcool ou cafeína, mas ainda não se conseguiu comprovar uma relação inequívoca entre dieta e TPM.

Alguns estudos demonstraram uma possível relação entre o baixo consumo de determinadas vitaminas e sais minerais e os sintomas pré-menstruais, mas não há evidências de que a simples reposição dessas substâncias melhore os sintomas em todas as mulheres.

Portanto, não há base científica que sustente um tratamento da TPM baseado apenas em alterações da dieta. Algumas mulheres podem até referir alguma melhora, possivelmente porque pessoas com práticas saudáveis de alimentação também costumam ter outros hábitos de vida mais saudáveis, o que favorece o bem-estar.

Sintomas da TPM

A síndrome da tensão pré-menstrual pode provocar uma grande variedade de sintomas físicos, emocionais e comportamentais.

A intensidade das manifestações varia bastante, e uma mesma mulher pode apresentar diferentes combinações de sintomas ao longo dos ciclos menstruais.

Sintomas emocionais e comportamentais

Os mais comuns são:

  • Irritabilidade e nervosismo.
  • Alterações de humor, com períodos de tristeza ou choro fácil.
  • Ansiedade e sensação de tensão.
  • Maior sensibilidade emocional.
  • Sensação de desânimo ou humor deprimido.
  • Sensação de isolamento ou vontade de evitar o contato social.
  • Dificuldade de concentração e esquecimentos.
  • Alterações do sono, como insônia ou sonolência excessiva.
  • Aumento do apetite e desejos alimentares, especialmente por doces.
  • Diminuição do interesse pelas atividades habituais.

Sintomas físicos

Entre os mais frequentes, destacam-se:

Outras manifestações, como tonturas, palpitações e ondas de calor, também podem ser relatadas, mas são menos características e podem ter outras causas.

Apesar da grande variedade de sintomas atribuídos à TPM, os mais importantes para o diagnóstico são aqueles que se repetem de forma previsível antes da menstruação e desaparecem logo após seu início.

O simples fato de uma mulher apresentar dor de cabeça, irritabilidade ou cansaço antes de menstruar não significa necessariamente que ela tenha TPM.

Diagnóstico da TPM

Não existe um teste ou exame definitivo para o diagnóstico da TPM. O diagnóstico é feito após uma cuidadosa avaliação da história clínica, dos sintomas e do padrão menstrual da paciente. O exame físico, quando indicado, ajuda a investigar outras causas para as manifestações apresentadas.

Para auxiliar no diagnóstico, o médico pode lançar mão de questionários para serem preenchidos pela paciente, relatando seus sintomas durante todos os dias do ciclo menstrual.

Um dos instrumentos utilizados é o Daily Record of Severity of Problems (DRSP), um diário padronizado no qual a paciente registra diariamente a intensidade dos sintomas físicos e emocionais, além do impacto deles nas atividades habituais e nos relacionamentos.

O ideal é que esse registro seja feito durante pelo menos dois ciclos menstruais consecutivos. Dessa forma, é possível verificar se os sintomas realmente surgem ou pioram na fase pré-menstrual e desaparecem ou tornam-se mínimos após o início da menstruação.

Esse acompanhamento é importante porque muitas mulheres percebem que se sentem pior antes da menstruação, mas não conseguem determinar se os sintomas realmente desaparecem nos outros dias do mês. O diário também pode ser utilizado durante o tratamento para avaliar a resposta aos medicamentos ou às mudanças no estilo de vida.

As análises de sangue não confirmam o diagnóstico, pois os níveis hormonais costumam ser normais. Entretanto, exames laboratoriais podem ser solicitados quando existe suspeita de outras doenças, como alterações da tireoide.

Não há indicação de solicitar rotineiramente dosagens de estrogênio, progesterona, FSH ou LH apenas para investigar a TPM.

Quais doenças podem ser confundidas com TPM?

Os sintomas da TPM e da TDPM podem ser confundidos com os de algumas doenças psiquiátricas, tais como a depressão e o transtorno de ansiedade.

Pacientes com depressão podem apresentar piora dos sintomas no período pré-menstrual e melhora após a menstruação. Porém, diferentemente da TPM, os sintomas depressivos geralmente não desaparecem completamente durante o restante do ciclo.

Esse fenômeno é chamado de exacerbação pré-menstrual de um transtorno preexistente.

Além da depressão e dos transtornos de ansiedade, outras condições que podem provocar sintomas semelhantes incluem transtorno bipolar, doenças da tireoide e alterações de humor associadas à transição para a menopausa.

Também existem doenças, como a enxaqueca e a síndrome do intestino irritável, cujos sintomas podem piorar durante o período pré-menstrual sem que isso represente necessariamente TPM.

A documentação diária dos sintomas ajuda a diferenciar essas situações.

Diagnóstico do transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM)

O transtorno disfórico pré-menstrual está incluído no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) da American Psychiatric Association.

Para o diagnóstico de TDPM, a paciente deve apresentar pelo menos cinco sintomas, incluindo obrigatoriamente um ou mais dos seguintes:

  • Alterações de humor, tristeza súbita ou sensibilidade exagerada à rejeição.
  • Raiva ou irritabilidade acentuada.
  • Sensação de desesperança, humor deprimido ou pensamentos autocríticos.
  • Tensão, ansiedade ou sensação de estar no limite.

Além dos sintomas emocionais acima, também podem estar presentes outras manifestações, como:

  • Dificuldade de concentração.
  • Mudanças no apetite, desejos alimentares ou episódios de alimentação excessiva.
  • Diminuição do interesse pelas atividades habituais.
  • Cansaço fácil e falta de energia.
  • Sensação de estar sobrecarregada ou fora de controle.
  • Sensibilidade nas mamas, inchaço, ganho de peso ou dores articulares e musculares.
  • Dormir demais ou não dormir o suficiente.

Cinco ou mais dos sintomas listados devem estar presentes durante a semana anterior à menstruação, melhorar nos primeiros dias do sangramento e tornar-se mínimos ou ausentes na semana seguinte.

Os sintomas devem estar presentes na maioria dos ciclos menstruais ocorridos nos últimos 12 meses e associados a sofrimento significativo ou interferência nas atividades habituais, como trabalho, escola e vida social.

O diagnóstico deve ser confirmado, preferencialmente, por registros diários durante pelo menos dois ciclos menstruais.

Também é necessário avaliar se os sintomas representam um transtorno pré-menstrual propriamente dito ou uma piora cíclica de alguma doença psiquiátrica preexistente.

Tratamento da TPM

Uma série de medicamentos pode ser útil para controlar a TPM. Porém, muitas mulheres conseguem controlar seus sintomas apenas com mudanças de estilo de vida.

A escolha do tratamento depende da intensidade das manifestações, do grau de comprometimento da qualidade de vida, dos sintomas predominantes e do desejo ou não de utilizar métodos anticoncepcionais.

Nos casos leves, medidas comportamentais e ajustes de hábitos podem ser suficientes. Nos quadros moderados ou graves, especialmente naqueles com diagnóstico de TDPM, medicamentos e psicoterapia podem ser necessários.

Durante o tratamento, também pode ser útil continuar registrando os sintomas diariamente por dois ou três ciclos menstruais. Esse acompanhamento ajuda a avaliar se houve melhora, identificar os sintomas que persistem e decidir se é necessário ajustar a terapia.

O que fazer para aliviar a TPM?

A prática de exercícios físicos regulares e uma alimentação balanceada, rica em frutas e verduras, pode ajudar. Técnicas de relaxamento também.

Embora as evidências específicas sobre algumas dessas intervenções ainda sejam limitadas, elas apresentam benefícios gerais para a saúde física e mental e costumam ser as primeiras medidas recomendadas.

Entre as orientações mais úteis estão:

  • Praticar exercícios físicos regularmente, de acordo com a capacidade individual.
  • Manter horários regulares de sono e procurar dormir o suficiente.
  • Adotar uma alimentação equilibrada, com frutas, verduras e outros alimentos pouco processados.
  • Reduzir o consumo de álcool e evitar o excesso de cafeína, especialmente quando houver ansiedade ou dificuldade para dormir.
  • Utilizar técnicas de relaxamento e outras medidas para controlar o estresse.

Mulheres que percebem piora do inchaço com alimentos muito salgados podem tentar reduzir seu consumo nos dias anteriores à menstruação.

Antidepressivos inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS)

Os antidepressivos inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) são os medicamentos de primeira linha para o tratamento da TPM moderada a grave, especialmente quando predominam os sintomas emocionais. Os medicamentos mais conhecidos desta classe são: sertralina, fluoxetina, paroxetina, escitalopram e citalopram.

Apesar de serem chamados de antidepressivos, esses medicamentos também são eficazes contra irritabilidade, ansiedade e alterações de humor relacionadas à TPM, mesmo em mulheres que não apresentam depressão.

Uma característica interessante é que a resposta aos ISRS nos transtornos pré-menstruais costuma ocorrer mais rapidamente do que no tratamento da depressão, podendo haver melhora já no primeiro ciclo de uso.

Existem três regimes de ISRS para o tratamento dos sintomas moderados a graves da TPM:

  • Administração diária contínua: o medicamento é utilizado todos os dias, independentemente da fase do ciclo menstrual. É um esquema simples de seguir, especialmente útil para mulheres com ciclos irregulares ou sintomas físicos importantes.
  • Terapia intermitente (fase lútea): o medicamento é iniciado após a ovulação, geralmente cerca de duas semanas antes da menstruação esperada, e suspenso no início do sangramento. Em algumas mulheres, pode ser mantido por mais alguns dias, caso os sintomas persistam durante o início da menstruação.
  • Terapia de início dos sintomas: o tratamento começa quando as manifestações pré-menstruais aparecem e continua até o início da menstruação ou seus primeiros dias. Pode ser uma boa opção para mulheres com sintomas de curta duração e início facilmente reconhecível.

A escolha do esquema de ISRS depende do padrão e da duração dos sintomas, incluindo sua previsibilidade e a preferência da paciente.

Mulheres com sintomas previsíveis que persistem por mais de uma semana antes da menstruação podem se beneficiar da terapia durante a fase lútea. Já aquelas cujos sintomas duram uma semana ou menos e têm início facilmente reconhecível podem optar pelo tratamento iniciado com os primeiros sintomas.

O tratamento intermitente tem a vantagem de reduzir o tempo de exposição ao medicamento, podendo diminuir os custos e alguns efeitos adversos. Entretanto, o tratamento contínuo é mais simples para algumas pacientes e pode ser mais eficaz, especialmente quando os sintomas são intensos ou o início da fase sintomática é difícil de prever.

As revisões sistemáticas mais recentes indicam que, embora ambos os regimes sejam eficazes, a administração contínua pode proporcionar uma melhora global maior dos sintomas.

Se a terapia intermitente não proporcionar melhora satisfatória ou for difícil de seguir, o médico pode optar pela administração contínua.

É importante garantir que a paciente esteja assintomática ou praticamente assintomática durante a fase folicular do ciclo. Mulheres com sintomas emocionais persistentes durante todo o mês precisam ser avaliadas para determinar se existe algum transtorno de humor ou ansiedade que também necessite de tratamento contínuo.

Em geral, as doses usadas para TPM ou TDPM são semelhantes às utilizadas no tratamento da depressão, embora algumas pacientes possam responder a doses menores.

Ao iniciar a terapia, muitas pacientes podem tolerar melhor o medicamento se começarem com uma dose baixa. Exemplos de doses iniciais utilizadas na prática clínica incluem fluoxetina 10 mg, sertralina 12,5 a 25 mg, paroxetina 10 mg, citalopram 10 mg ou escitalopram 5 a 10 mg por dia.

A escolha do medicamento, da dose e do esquema deve ser feita pelo médico, considerando também possíveis interações medicamentosas, comorbidades e planos de gravidez.

Os principais efeitos colaterais são náuseas, sonolência, fadiga, insônia e diminuição da libido. A frequência e a intensidade dessas manifestações variam conforme o medicamento e a dose utilizada.

A maioria dos estudos demonstra que os ISRS são mais eficazes do que o placebo, mas nem todas as mulheres apresentam melhora satisfatória.

Algumas mulheres que não respondem ou não toleram um ISRS podem responder ou tolerar um segundo medicamento da mesma classe. Sendo assim, antes de desistir dos antidepressivos, vale a pena avaliar a possibilidade de trocar de medicamento para aquelas que não respondem.

A duração ideal da terapia é desconhecida. Muitas vezes, o tratamento é mantido por aproximadamente um ano, quando o médico pode avaliar uma tentativa de redução da dose, suspensão ou mudança para um esquema intermitente.

Mulheres que já utilizam o tratamento intermitente também podem tentar interrompê-lo após um período de bom controle dos sintomas.

Se os sintomas retornarem, pode ser necessário retomar o medicamento. Algumas mulheres precisam de tratamento por vários anos, enquanto persistirem os ciclos menstruais associados aos sintomas, até engravidarem ou completarem a transição para a menopausa.

Em caso de gravidez ou planejamento de gestação, a continuidade do antidepressivo deve ser reavaliada pelo médico, pois sua suspensão não é obrigatória nem deve ser feita por conta própria.

Da mesma forma, a interrupção de um ISRS utilizado continuamente deve ser orientada pelo médico, pois a suspensão abrupta pode provocar sintomas de descontinuação.

Anticoncepcionais hormonais

O uso de contraceptivos hormonais tem efeitos divergentes. Algumas mulheres relatam uma grande melhora clínica, mas outras queixam-se de piora dos sintomas.

Os anticoncepcionais combinados podem ser uma boa opção para mulheres que apresentam TPM e também desejam evitar a gravidez.

Uma das formulações mais estudadas é a combinação de drospirenona 3 mg com etinilestradiol 20 microgramas, utilizada em regime de 24 dias de comprimidos hormonais e quatro dias de comprimidos inativos, como ocorre com o Yaz®.

Estudos indicam que essa formulação pode melhorar os sintomas e o comprometimento funcional em mulheres com TDPM.

Nos Estados Unidos, o Yaz é aprovado especificamente para o tratamento do TDPM em mulheres que também desejam utilizar contracepção oral. Essa indicação não deve ser confundida com uma recomendação para tratar toda TPM com esse anticoncepcional.

Além disso, os estudos não demonstraram de forma consistente que a drospirenona seja superior aos demais anticoncepcionais combinados.

Os anticoncepcionais podem melhorar os sintomas físicos e gerais da TPM sem necessariamente apresentar a mesma eficácia para os sintomas depressivos.

O uso de anticoncepcionais contendo drospirenona também exige avaliação dos fatores de risco para trombose venosa. Em comparação com algumas formulações que contêm levonorgestrel, aquelas com drospirenona podem apresentar risco trombótico um pouco maior.

Portanto, a escolha do anticoncepcional deve ser individualizada, levando em consideração os sintomas, a necessidade de contracepção e os riscos de cada formulação.

Leia também: Qual é a forma correta de tomar a pílula anticoncepcional?

Terapia cognitivo-comportamental

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma modalidade de psicoterapia que pode ajudar mulheres com TPM moderada a grave ou TDPM.

O tratamento procura desenvolver estratégias para lidar com a irritabilidade, a ansiedade, os pensamentos negativos e as dificuldades que os sintomas provocam nas relações pessoais e profissionais.

Estudos clínicos demonstram benefícios sobre os sintomas emocionais e o comprometimento funcional, embora a qualidade das evidências ainda apresente limitações.

A TCC pode ser utilizada isoladamente em determinadas situações ou associada ao tratamento medicamentoso.

Outros medicamentos

Quando os sintomas físicos predominam, o médico pode indicar medicamentos para aliviar manifestações específicas.

Analgésicos e anti-inflamatórios, por exemplo, podem ser utilizados para dores de cabeça, dores musculares ou cólicas associadas ao período menstrual, desde que não existam contraindicações.

Esses medicamentos ajudam a controlar sintomas individuais, mas não tratam as alterações emocionais características da TPM.

Tratamento dos casos refratários

Nos casos graves refratários ao tratamento convencional, pode-se lançar mão de medicamentos que inibem a produção cíclica de estrogênio e progesterona pelos ovários, chamados agonistas do GnRH, como a leuprorrelina.

Esses medicamentos provocam uma espécie de menopausa medicamentosa temporária, interrompendo as oscilações hormonais associadas aos sintomas.

Entretanto, a supressão hormonal pode causar ondas de calor, sintomas de deficiência estrogênica e perda de massa óssea.

Por esse motivo, quando o tratamento precisa ser mantido, costuma-se associar uma reposição hormonal cuidadosamente ajustada, denominada terapia add-back.

A grande maioria das mulheres consegue um controle satisfatório dos sintomas com tratamentos menos agressivos.

Em situações excepcionalmente graves de TDPM, quando várias alternativas falharam e a supressão hormonal demonstrou benefício, a cirurgia para remoção dos ovários pode ser considerada como último recurso.

Essa é uma medida irreversível, que provoca menopausa definitiva. Por isso, somente deve ser discutida após avaliação especializada, confirmação rigorosa do diagnóstico, conclusão do planejamento reprodutivo e comprovação de resposta à supressão ovariana medicamentosa.

Acupuntura para TPM

As evidências sobre a eficácia da acupuntura para o tratamento da TPM e da TDPM são limitadas.

Alguns estudos pequenos sugerem que a acupuntura pode melhorar tanto o humor quanto os sintomas físicos, mas os resultados são inconsistentes e a qualidade das evidências ainda é baixa.

Além disso, a eficácia da acupuntura não foi adequadamente comparada com tratamentos de eficácia estabelecida, como os antidepressivos ISRS.

Por esse motivo, a acupuntura não deve ser considerada um substituto comprovadamente eficaz para as terapias convencionais, especialmente nos casos graves.

Tratamentos naturais e suplementos

O Vitex agnus-castus (chasteberry) é um remédio herbal popular que pode ser uma opção de tratamento para mulheres com sintomas pré-menstruais leves ou moderados.

Alguns estudos sugerem que o Vitex pode ser mais eficaz do que o placebo para os sintomas da TPM, mas sua eficácia para o transtorno disfórico pré-menstrual é menos certa.

Apesar dos resultados favoráveis de alguns estudos, revisões sistemáticas identificaram limitações metodológicas e grande variação entre as formulações utilizadas, o que dificulta estabelecer sua eficácia e a dose ideal.

Várias vitaminas e suplementos dietéticos, incluindo óleo de prímula, vitamina B6, vitamina E, cálcio e magnésio, também foram estudados como agentes terapêuticos para a TPM.

Alguns estudos, especialmente aqueles que avaliaram a suplementação de cálcio, encontraram melhora dos sintomas físicos e emocionais. Entretanto, os resultados gerais ainda apresentam inconsistências, e não se sabe quais mulheres realmente se beneficiariam.

O consumo adequado de cálcio através da alimentação é importante para a saúde, mas isso não significa que todas as mulheres com TPM precisem tomar suplementos.

O uso rotineiro de vitamina B6 em altas doses, suplementos de cálcio em doses elevadas ou outros produtos não é recomendado sem avaliação individualizada, devido à qualidade variável das evidências e ao potencial de danos.

A vitamina B6, por exemplo, pode provocar neuropatia periférica quando consumida em excesso. Já a suplementação elevada de cálcio pode aumentar o risco de cálculos renais em determinadas pessoas.

Portanto, produtos naturais e suplementos não devem ser considerados automaticamente seguros ou eficazes apenas por não serem medicamentos convencionais.

Quando procurar atendimento médico?

A avaliação médica é recomendada quando os sintomas pré-menstruais são intensos, se repetem frequentemente ou prejudicam o trabalho, os estudos, os relacionamentos ou a qualidade de vida.

Também é importante procurar atendimento quando os sintomas não desaparecem após a menstruação, quando existe dúvida sobre o diagnóstico ou quando as medidas habituais não proporcionam alívio satisfatório.

Mulheres que apresentam tristeza intensa, ansiedade incapacitante, explosões de raiva ou sensação de perda de controle emocional devem ser avaliadas para descartar TDPM ou outros transtornos psiquiátricos.

Se houver pensamentos de suicídio ou de autoagressão, é necessário procurar atendimento de urgência, sem esperar o fim do período menstrual.

Dúvidas frequentes sobre TPM

Homem tem TPM?

A tensão pré-menstrual está relacionada às alterações hormonais do ciclo menstrual ovulatório. Portanto, homens cis, que não apresentam ciclos ovulatórios, não podem ter TPM no sentido médico do termo.

Oscilações de humor, irritabilidade e cansaço também podem ocorrer em homens, mas esses sintomas não devem ser automaticamente atribuídos a uma suposta TPM masculina.

A expressão “TPM masculina” é utilizada popularmente, mas não representa um diagnóstico equivalente à síndrome pré-menstrual.

Homens trans que conservam os ovários e continuam apresentando ciclos ovulatórios podem, entretanto, apresentar sintomas pré-menstruais.

A TPM pode causar corrimento vaginal?

As características do muco cervical e das secreções vaginais podem mudar naturalmente ao longo do ciclo menstrual, inclusive nos dias anteriores à menstruação.

Entretanto, o corrimento vaginal não é considerado um sintoma característico nem um critério diagnóstico de TPM.

Corrimento com cheiro forte, coceira, ardência ou alterações importantes de cor pode indicar uma infecção ou outro problema ginecológico, independentemente da fase do ciclo.

Saiba mais em: Corrimento vaginal: quando é normal e quando indica doença.

TPM pode causar cólicas menstruais?

Algumas mulheres apresentam desconforto abdominal nos dias anteriores à menstruação. Entretanto, as cólicas mais intensas, que surgem principalmente após o início do sangramento, costumam estar relacionadas à dismenorreia, e não propriamente à TPM.

A dismenorreia é provocada principalmente pelas contrações uterinas estimuladas pelas prostaglandinas e pode ocorrer mesmo em mulheres sem tensão pré-menstrual.

Explicamos esse assunto separadamente no artigo: Cólica menstrual (dismenorreia): sintomas e tratamento.

É possível confundir TPM com início de gravidez?

Sim. Sensibilidade nas mamas, cansaço, alterações de humor e sensação de inchaço podem ocorrer tanto no período pré-menstrual quanto no início da gravidez.

Por isso, os sintomas isoladamente não são suficientes para diferenciar essas duas situações.

Se houve relação sexual com possibilidade de gravidez e a menstruação está atrasada, a melhor forma de esclarecer a dúvida é realizar um teste de gravidez.

É possível ter TPM mesmo tomando anticoncepcional?

Sim. Algumas mulheres continuam apresentando sintomas pré-menstruais durante o uso de anticoncepcionais hormonais.

Isso pode ocorrer porque nem todos os métodos impedem a ovulação de forma consistente e porque determinadas formulações podem provocar sintomas semelhantes aos da TPM.

Além disso, algumas mulheres apresentam piora do humor durante o uso de determinados contraceptivos.

Quando os sintomas surgem após o início de um anticoncepcional, é importante avaliar se estão realmente relacionados ao ciclo ou se representam um efeito adverso do medicamento.

A TPM desaparece com a menopausa?

Sim. A TPM está relacionada às oscilações hormonais dos ciclos ovulatórios e tende a desaparecer definitivamente após a menopausa.

Durante a perimenopausa, porém, algumas mulheres podem apresentar agravamento dos sintomas emocionais, além das alterações de humor próprias dessa fase da vida.

Após a menopausa, irritabilidade, ansiedade ou tristeza persistentes não devem ser atribuídas à TPM.


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Dúvidas de leitores sobre este tema

Perguntas enviadas por leitores e selecionadas pelo editor por sua relevância para este artigo.

Mais comentários dos leitores

  1. Sara

    Tenho crises de choro e fico muito deprimida durante a TPM. Chego a ter pensamentos suicidas. Certa vez quase pedi demissão do emprego.

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Alguns casos de TPM são graves e precisam de aconselhamento médico. Você deveria procurar ajuda psiquiátrica.

  2. Maria Luzinete Silva

    Olá.
    Eu sinto tanta raiva de tudo e de todos quando estou perto de menstruar. Desconto na comida o que eu faco pra controlar isso

    Dr. Pedro Pinheiro
    Dr. Pedro Pinheiro Autor

    Há tratamento para a TPM. Procure o seu ginecologista para poder avaliar qual é a melhor opção para o seu caso.

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