EFEITOS DO ÁLCOOL | Tratamento do alcoolismo
Benefícios do álcool
Esse texto é basicamente sobre efeitos nocivos do álcool e alcoolismo, porém, não podemos deixar de falar rapidamente nos benefícios do uso responsável do álcool. Ao contrário da maconha e do cigarro (as outras duas drogas mais usadas socialmente), existem algumas evidências de que o consumo leve a moderado de álcool pode até ser benéfico para a saúde. Mas antes que todo mundo saia por aí bebendo, algumas explicações são necessárias.
Não existem grandes trabalhos científicos sobre os efeitos benéficos do álcool, a maioria consiste em pequenos estudos a curto prazo e com número pequeno de pacientes. Apesar desses defeitos, os estudos que existem realmente sugerem que o consumo moderado possa trazer benefícios como a redução das doenças cardíacas. Deve-se encarar essas vantagens como algo possivelmente real, mas não como uma verdade absoluta já aceita por toda comunidade médica.
Os trabalhos mostram que os benefícios parecem vir do álcool e não de um tipo específico de bebida, como o vinho, por exemplo. A história dos flavonoides do vinho serem cardioprotetores nunca foi comprovada. Parece que qualquer bebida alcoólica tem o mesmo efeito. Nenhuma é superior a outra.
O grande problema é que não existe uma dose ideal de álcool para todo mundo. Em geral, mulheres são mais susceptíveis aos danos do álcool que os homens. Aceita-se que a dose considerada benéfica seja 10 a 15 gramas de álcool, o que equivale a uma taça de vinho ou uma garrafa pequena de cerveja (355 ml) por dia para as mulheres. Homens podem beber um pouco mais como duas garrafas de cerveja ou duas taças de vinho por dia. Há quem ache que o consumo não pode ser diário, sendo necessário 1 ou 2 dias de intervalo.
É importante salientar que em algumas pessoas os benefícios cardiovasculares de uma ingestão moderada de álcool acabam não sendo vantajosos, uma vez que causam um aumento dos riscos de outras doenças como câncer de mama, doenças do fígado e acidentes automobilísticos.

A ingestão de álcool, mesmo que moderadamente, é contra-indicada em alguns casos:
- Grávidas
- Pessoas com passado de alcoolismo
- Pessoas com histórico familiar de alcoolismo
- Antecedentes de AVC hemorrágico.
- Pessoas com doenças do fígado
- Pessoas com doenças do pâncreas.
Também devem evitar o consumo regular de álcool pessoas com doenças do estômago e esôfago e aquelas com história familiar forte de câncer de mama (leia: CÂNCER DE MAMA | Fatores de risco).
Também não devem beber quantidade alguma de álcool pessoas que irão operar máquinas pesadas ou conduzir carros nas próximas horas.
Malefícios do consumo elevado de álcool.
Definimos como alcoolismo pesado o consumo de mais de 7 drinks por semana ou a ingestão frequente de mais de 3 drinks por dia nas mulheres (1 drink é igual a uma taça de vinho ou 355ml de cerveja ou 45ml de whiskey) e o dobro disso nos homens. Portanto, mulheres que bebem diariamente duas taças de vinho todos os dias, já estão enquadradas no grupo de alcoolismo pesado.
O consumo elevado de álcool elimina todos os possíveis benefícios do consumo leve e ainda pode trazer inúmeras complicações para saúde, como:
- Câncer de mama (leia: CÂNCER DE MAMA - Sintomas e diagnóstico)- Câncer de estômago
- Câncer do cólon
- Câncer de fígado
- Câncer de esôfago
- Cirrose (leia: CAUSAS E SINTOMAS DA CIRROSE HEPÁTICA)
- AVC (derrame cerebral) (leia:AVC | ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL | Sintomas e tratamento)
- Pancreatite aguda e crônica ( leia PANCREATITE CRÔNICA E PANCREATITE AGUDA)
- Osteoporose (leia: OSTEOPOROSE | SINTOMAS E TRATAMENTO)
- Diabetes mellitus (leia: DIABETES MELLITUS | DIAGNÓSTICO E SINTOMAS)
- Hipertensão (leia: HIPERTENSÃO ARTERIAL | Sintomas e tratamento)
- Acidentes e traumas severos
- Impotência sexual (leia: IMPOTÊNCIA SEXUAL | Causas e tratamento)
- Má formações fetais
- Síndrome do túnel do carpo (leia: SÍNDROME DO TÚNEL DO CARPO | Sintomas e tratamento)
- Psoríase(leia: PSORÍASE | Tipos e sintomas)
- Colecistite e pedra na vesícula (leia: PEDRA NA VESÍCULA | COLECISTITE | Sintomas e tratamento)
- Suicídio
Além dos problemas acima, todos os benefícios cardiovasculares do consumo moderado se transformam em malefícios no caso de consumo pesado de álcool. Elevam-se os riscos de infartos, insuficiência cardíaca e arritmias.
Leia:
SINTOMAS DO INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO E ANGINA
INSUFICIÊNCIA CARDÍACA | CAUSAS E SINTOMAS
PALPITAÇÕES, TAQUICARDIA E ARRITMIAS CARDÍACAS
Além dos problemas de saúde, quem já teve contato com uma pessoa alcoólatra, sabe o poder destrutivo desta droga. Mesmo sem nenhuma doença física, essas pessoas se tornam improdutivas. O alcoólatra não trabalha, não cuida da família, muitas vezes se tornam violentos e perdem os contatos sociais, além de colocar a vida de outros em risco quando encontram-se atrás do volante de um carro.
O alcoolismo é uma doença e apresenta elevada taxa de morbidade e mortalidade. Estima-se que até metade dos acidentes de trânsito fatais estejam de algum modo relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas. Nos EUA, onde existem dados mais precisos, cerca de 80.000 pessoas morreram entre 2001 e 2005 por doenças relacionados ao uso abusivo de álcool e 70% dos casos de suicídio em estudantes universitários ocorrem em pessoas com problemas com bebidas.
Ressaca e bebedeira
O que chamamos popularmente de bebedeira é a intoxicação aguda pelo álcool. Os sintomas da intoxicação variam de acordo com a concentração de álcool no sangue. Inicialmente sentimos tontura, incoordenação motora, desinibição e alterações no discurso. Concentrações muito alta de álcool podem levar a redução do nível de consciência e coma.
A ressaca é o nome que se dá ao grupo de sinais e sintomas que surgem após a intoxicação alcoólica, entre eles fraqueza, mal estar, dor de cabeça e intensa sede.
Temos um texto específico sobre bebedeira e ressaca: RESSACA E POR QUE FICAMOS BÊBADOS
Uso de álcool com outras drogas, remédios e energéticos
A associação de bebidas alcoólicas com medicamentos pode levar a efeitos colaterais graves, inclusive com risco de morte. O álcool pode tanto potencializar os efeitos de um medicamento quanto neutralizá-lo. Pode também ativar enzimas que metabolizam o medicamento em substâncias tóxicas para o organismo.
Atualmente tem sido muito comum entre jovens a associação de bebidas alcoólicas com energéticos, outras drogas e até com medicamentos para impotência como Viagra (leia: REMÉDIOS PARA IMPOTÊNCIA | Viagra , Cialis e Levitra)
Falamos mais especificamente das interações do álcool neste texto: INTERAÇÃO DO ÁLCOOL COM REMÉDIOS E ENERGÉTICOS
Abuso e dependência do álcool
Consideramos que há uso abusivo do álcool quando o paciente começa a apresentar pelo menos um dos problemas listados abaixo:
- Dificuldades em desempenhar adequadamente suas tarefas profissionais ou estudantis.
- Problemas legais relacionados ao uso de álcool com recorrência (por exemplo: agressões e acidentes de carro).
- Uso continuado do álcool apesar dos problemas sociais e profissionais que o mesmo está causando.
- Uso frequente do álcool em situações que ameaçam a sua integridade física (conduzir, operar máquinas pesadas, trabalhar na construção civil etc...) ou uso frequente de álcool até perda da consciência.
O paciente com dependência do álcool, popularmente chamado de alcoólatra, é definido quando existem pelo menos 3 dos problemas listados abaixo:
- Tolerância aos efeitos tóxicos do álcool (necessidade de beber cada vez mais para ficar bêbado).
- Necessidade de beber álcool depois de algum tempo sem consumi-lo.
- Consumo de grandes quantidades de álcool, sempre maior do que inicialmente planejado.
- Percepção de que precisa diminuir ou controlar o consumo de álcool ou sentimento de culpa por beber.
- Dificuldades profissionais e/ou sociais devido ao uso abusivo do álcool.
- Perda de grande parte do dia bebendo, tentando obter álcool ou se recuperando da ressaca.
- Uso persistente do álcool apesar da noção de que o mesmo o está prejudicando.
O abuso e a dependência do álcool têm estreita relação familiar. Parentes de primeiro grau de pessoas com problemas com álcool tem até 4x mais chances de também tê-lo.
Tratamento do alcoolismo
O tratamento do alcoolismo visa a abstinência do álcool, ou pelo menos uma grande redução no seu consumo, e atualmente envolve psicoterapia e uso de drogas. O tratamento medicamentoso costuma ser usado por até 6 meses.
A naltrexona é atualmente a droga mais indicada. O disulfiram, topiramato, acamprosato e baclofeno são outras opções.



14 comentários:
Estou fazendo acompanhamento medico devido a pressão alta, que hoje tem se mantido estaval em 12/8 raramente 13/9 e em alguns momentos quando estou muito nervoso ela chega a 16/10, mais é dificil, comecei agora a cuidar melhor da alimentação evitando sal e comecei também a caminhar diariamente, reduzi bastante as frituras e comidas gordurosas também, peso 88kg , bebo 2 garrafas de cerveja na sexta,2 no sabado e 3 no domingo, essa quantidade seria boa, ou está muito alta?
João,
a quantidade de álcool que você ingere ainda é superior ao máximo recomendado. Mantenha as modificações já feitas mas tente reduzir no consumo de cervejas também.
Abraços.
Adorei o texto, muito bom, só a 1ª linha do quinto parágrafo acredito ser um erro de digitação, está escrito defeito, penso que quis dizer efeito.
Tive um cunhado alcoólatra(morreu aos 45 anos), tinha cirrose.
Tanto seu pai quanto o avô também eram alcoólatras, ambos morreram por infarto.
Hoje seus filhos que são adolescentes, infelizmente já experimentaram álcool, a mais jovem 13 anos, gostou e isso me preocupa.
O que leva a essa maior predisposição ao alcoolismo, acaso os filhos carregam algum "gen". Desde já agradeço a atenção.
Roberta,
É defeito mesmo. Estou me referindo aos problemas destes poucos trabalhos científicos.
Realmente se existe histórico de alcoolismo na família, esses jovens devem evitar ao máximo consumir bebidas alcoolicas. A chance de ficarem viciados é grande.
De qualquer maneira, obrigado
abs
Dr. Pedro, Obrigada por ter respondido.
Desculpe a minha ignorância, realmente não havia compreendido o parágrafo.
Abs.
Gostaria de saber se essa predisposição ao alcoolismo é comprovadamente genética.
Tive problemas com alcool durante um período de depressao e meu pai era alcoolatra.
Hoje bebo as vezes com meus amigos.O certo seria eu realmente nao beber NUNCA ou tentarser normal ?
Obrigada desde já =)
Mary,
No seu caso o ideal é evitar mesmo o álcool. De vez.
Boa Tarde!
Consumo bebida alcoolica geralmente uma vez por mês.
Tenho receio em me tornar depedente e não tenho histórico de alcoolismo na família.
Gostaria de saber
Geralmente bebo no máximo três latas de cerveja ou quatro taças de vinho. Devo diminuir essa quantidade, ou parar de beber?
Grato
Felipe
Felipe,
3 latas de cerveja por mês é um consumo pequeno. Não há motivos para preocupação.
Ola,
Lendo o texto, (que esclarece muita coisa) fiquei confuso em um aspecto, na secao benefico diz que um homem poderia tomar pelo menos 2 garrafas ao dia, porem na parte de alcolismo pesado tambem diz que se um homem toma 14 garrafas por semana se enquadrará nesta condicao de alcoolatra.
grato
Leonardo
DAnos causados por uso de alcool no figado (infiltracao de gordura) pode ser revertido? é muito dificil?
grato novamente
Leonardo
@Dr. Pedro Pinheiro Dr. Pedro o senhor está dizendo "Alcoolismo moderado nos homens são até 14 latinhas ou garrafas pequenas por dia." está correta esta afirmação ou houve um equívoco?
@Gilton
Eu escrevi errado na resposta. No texto está correto. Alcoolismo moderado são até 14 latinhas por SEMANA nos homens ou 7 latinhas por SEMANA nas mulheres. Acima disso é alcoolismo pesado.
Apaguei minha resposta para que não haja confusão. Obrigado.
Amigos, percebi e notei com meus próprios olhos, que as pessoas que tem psoríase pioram com o consumo de alcool (cerveja). Peço que me informem se realmente eu estou certa. Origado. Boa Páscoa a todos. Lili )laz_rj@ig.com.br
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