A Caxumba, também conhecida como parotidite infecciosa, é uma infecção viral transmitida pela via respiratória, que acomete preferencialmente a glândula parótida. Neste texto vamos abordar os principais aspectos da caxumba, incluindo transmissão, sintomas, complicações, tratamento e vacinação.
A glândula parótida, ou simplesmente parótida, é a maior das três glândulas que compõem a glândula salivar, responsáveis pela produção de saliva. O vírus da caxumba ataca preferencialmente a parótida, fazendo com que a mesma fique inchada e dolorosa. A caxumba também pode acometer as outras glândulas salivares de modo uni ou bilateral.
Transmissão da caxumba
A caxumba é transmitida de uma pessoa para outra através das secreções das vias aéreas, de modo semelhante a que ocorre com outras viroses respiratórias como a gripe e o resfriado (leia: DIFERENÇAS ENTRE GRIPE E RESFRIADO). O vírus da caxumba é altamente contagioso, sendo facilmente transmitido para pessoas susceptíveis.
O período de incubação da caxumba varia entre 14 e 25 dias. Entre 3 e 5 dias antes do aparecimento dos sintomas típicos da caxumba, o paciente apresenta o que chamamos de pródromos, sintomas inespecíficos que podem ser confundidos com um início de gripe, como dor de cabeça, febre baixa, perda do apetite, mal estar e dor muscular.
O paciente contaminado já é capaz de transmitir o vírus três dias antes dos sintomas prodrômicos surgirem, mantendo-se contagioso por até 5 dias após o aparecimento dos sintomas típicos da caxumba, sendo este o tempo indicado de isolamento dos pacientes.
Sintomas da caxumba
Nem todas as pessoas contaminadas pelo vírus da caxumba irão desenvolver sintomas. Cerca de 20 a 30% não costumam apresentar sintomatologia, no máximo queixas inespecíficas que passam praticamente despercebidas.Nos pacientes sintomáticos, 95% apresentam a parotidite, com dor e edema (inchaço) das glândulas parótidas, provocando a clássica manifestação clínica da caxumba. A parotidite costuma ser bilateral, mas eventualmente pode acometer apenas um lado. Este inchaço no rosto costuma durar até 10 dias.
Além do edema da parótida, a caxumba também provoca febre, cansaço e mal estar.
O diagnóstico pode ser confirmado pela sorologia, porém o quadro clínico costuma ser tão típico que esta confirmação laboratorial não precisa ser feita obrigatoriamente.
Complicações da caxumba
As complicações da caxumba são raras, porém costumam ser graves. A maioria delas ocorria antes do advento da vacina, mas ainda podem ser encontradas em adultos nos dias de hoje. O fato das complicações poderem ocorrer mesmo naqueles pacientes que não desenvolvem parotidite é uma importante causa de atraso no diagnóstico correto da caxumba. Entre as complicações, podemos citar:
- Orquite: o acometimento dos testículos pelo vírus é a mais famosa e mais comum complicação da caxumba. É uma complicação que ocorre em até 40% dos homens que contraem caxumba após o início da adolescência. Alterações na fertilidade ocorrem em até 13% dos pacientes com orquite, entretanto, a esterilidade é rara.
Os sintomas da orquite pela caxumba são febre alta, dor testicular (leia: DOR NOS TESTÍCULOS | Principais causas) e edema na bolsa escrotal. O intervalo entre a parotidite e a orquite costuma ser de 10 dias.
- Ooforite: analogamente ao que ocorre com os homens, a caxumba também pode atacar os ovários, causando a ooforite. É uma complicação menos comum e ocorre em aproximadamente 7% das mulheres em idade pós-puberal.
- Meningite: ocorre em menos de 10% dos casos e, ao contrário da meningite bacteriana, costuma ter bom prognóstico, com resolução espontânea e sem deixar sequelas. A encefalite, infecção do cérebro, é uma complicação rara. Para saber mais sobre meningite e suas causas, leia: MENINGITE | Sintomas, Transmissão e Vacina
- Surdez: antes da vacina, a caxumba era uma importante causa de surdez infantil. Atualmente é uma complicação rara.
- Aborto: a infecção por caxumba no primeiro trimestre é um importante fator de risco para aborto. Entretanto, quando a gravidez consegue seguir seu curso, não parece haver maior risco de má-formações
Outras complicações mais raras da caxumba incluem:
- Pancreatite (leia: PANCREATITE CRÔNICA | PANCREATITE AGUDA)
- Artrite (leia: ARTRITE e ARTROSE | Sintomas e diferenças)
- Síndrome de Guillain-Barré (leia: SÍNDROME DE GUILLAIN -BARRÉ | Sintomas, causas e tratamento)
- Miocardite (inflamação do músculo do coração)
Tratamento da caxumba
Não há tratamento específico para caxumba; em geral prescrevemos apenas sintomáticos, como analgésicos e antipiréticos. A caxumba é na imensa maioria dos casos uma doença auto-limitada com resolução espontânea dentro de 2 semanas.
Vacina para caxumba
A imunização contra caxumba faz parte do atual calendário de vacinação, sendo administrada através da vacina tríplice viral, chamada de MMR, que protege contra caxumba, sarampo e rubéola (leia: VACINAS - Calendário de vacinação, efeitos colaterais e contra-indicações ).
Todos os adultos não imunizados contra caxumba na infância podem receber a vacina, principalmente se houver pessoas próximas com a doença. As contra-indicações incluem gravidez, pacientes com imunossupressão e pessoas alérgicas ao antibiótico neomicina.
A eficácia da vacina está acima dos 96% e pacientes recém imunizados não transmitem o vírus vacinal, por isso não precisam evitar contato com nenhum grupo de pacientes.





5 comentários:
obrigado pelas maravilhosas informações me enviada POR EMAIL, todas os seus artigos são postados no site http://www.farmacia2008.webnode.com.br
Quais são os cuidados reais que um homem de 18 anos com caxumba deve ter no dia a dia para evitar uma "orquite"? obrigada ( Rose)
@Rosemary
Repouso e observação médica.
Não é comum, mas é possível.
O objetivo da vacina é prevenir infecções.
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