Olho tremendo (mioquimia): o que significa?

O que é o tremor no olho?

O que as pessoas costumam chamar de tremor no olho é, na verdade, um tremor da pálpebra, a fina camada de pele e músculo que cobre e protege os olhos.

O nome correto do tremor da pálpebra é mioquimia palpebral. A mioquimia (ou miocimia) é uma contração involuntária, localizada, rápida e de surgimento espontâneo de um músculo, porém sem força suficiente para mover articulações. A mioquimia mais comumente surge nas pálpebras, mas pode ocorrer também em outros músculos, como na face e membros.

A mioquimia palpebral afeta apenas a pálpebra. Esse tipo de contração ou espasmo é muito comum e ocorre na maioria das pessoas de tempos em tempos. O tremor pode envolver a pálpebra superior ou inferior, e geralmente acomente apenas um olho de cada vez.

A intensidade do tremor nos olhos pode variar de quase imperceptível a até contrações incômodas. O tremor geralmente desaparece dentro de poucos segundos, mas pode ocorrer diversas vezes ao dia ou durar horas ou até dias, dependendo da causa.

A mioquimia palpebral é um evento benigno e sem importância clínica na imensa maioria dos casos, principalmente nos casos leves e de curta duração.

No entanto, se o tremor for prolongado, intenso a ponto de fechar os olhos ou afetar também outros músculos da face, o quadro pode não ser de uma simples mioquimia, mas sim outras doenças, como o blefarospasmo, espasmo hemifacial ou alguma doença neurológica.

Tremor palpebral - mioquimia
Tremor palpebral – mioquimia

Causas do tremor nas pálpebras

Na maioria dos casos, não conseguimos identificar a causa do tremor nos olhos. O quadro tem início súbito e dura pouco tempo. A maioria dos pacientes nem sequer procura atendimento médico.

A pálpebra pode tremer devido a uma variedade de fatores, alguns deles banais. Os principais são:

  • Cansaço.
  • Estresse.
  • Ansiedade.
  • Cafeína.
  • Álcool.
  • Fumar.
  • Fumaça.
  • Ar seco.
  • Sensibilidade à luz.
  • Uso de óculos com grau inadequado.
  • Dieta pobre em vitaminas e sais minerais (geralmente são pessoas com restrição grave na alimentação).
  • Uso prolongado de computador, smartphones ou tablets.
  • Alergia ocular.
  • Olhos ressecados.
  • Alguns medicamentos, especialmente aqueles utilizados para tratar psicose ou epilepsia.

Eventualmente, algumas doenças oculares podem se a causa do tremor palpebral. Alguns exemplos:

Muito raramente, espasmos oculares podem ser um sinal de certos distúrbios do sistema nervoso. Quando isso ocorre, o tremor da pálpebra quase sempre é acompanhado por outros sinais e sintomas neurológicos. Os distúrbios do sistema nervoso que podem causar espasmos nos olhos incluem:

Blefarospasmo essencial benigno

O blefarospasmo é uma doença pouco comum, que costuma surgir após os 30 anos e tende a piorar com o tempo. O blefarospasmo é duas vezes mais comum nas mulheres do que nos homens. Não é uma condição séria, mas casos mais graves podem interferir seriamente com a qualidade de vida.

O blefarospasmo começa com piscadas involuntárias e repetidas em um ou ambos os olhos. Não é um tremor como na mioquimia, é um piscar de olhos. À medida que a doença avança, o paciente pode ficar mais sensível à luz, ter visão embaçada e ter espasmos faciais. Os espasmos podem se tornar tão fortes que as pálpebras ficam fechadas por várias horas, impedindo o paciente de enxergar.

Os médicos sabem que o blefarospasmo é causado por um impulsos nervosos anormais, mas não sabemos ao certo por que isso acontece.

Espasmo hemifacial

O espasmo hemifacial é ainda mais raro que o blefarospasmo. Ele ocorre quando os músculos de um lado do rosto se contraem involuntariamente. Esses espasmos podem começar perto do olho e, em seguida, afetar outras partes do rosto. Em casos avançados, um espasmo hemifacial pode durar de vários dias a alguns meses.

Os espasmos hemifaciais parecem se desenvolver quando um vaso sanguíneo pressiona um nervo facial.

Quando devo procurar um médico?

Na imensa maioria dos casos, o tremor no olho é uma condição auto-limitada, que dura pouco tempo e desaparece sozinho após algum tempo. Portanto, não se faz necessária uma avaliação médico nos casos leves.

Os sinais de alerta para procurar um médico são:

  • O tremor é frequente e dura várias semanas.
  • Sua pálpebra fecha completamente a cada contração ou você tem dificuldade de abrir o olho.
  • Os espasmos também acontecem em outras partes do seu rosto ou corpo.
  • Seu olho está vermelho, inchado, com sensação persistente de corpo estranho ou tem secreção.
  • Suas pálpebras estão caídas.
  • Você tem sintomas neurológicos associados, como alteração da fala, dificuldade para andar ou fraqueza muscular.

Tratamento

Na imensa maioria dos casos, a mioquimia palpebral não precisa de tratamento. É uma condição benigna, que desaparece sozinha e não provoca nenhum problema maior.

Embora a mioquimia geralmente desapareça por conta própria em alguns minutos ou horas, algumas medidas podem ser capazes de abreviar o quadro e de prevenir novos episódios. São elas:

  • Lidar com qualquer um dos fatores de estilo de vida mencionados no início do texto que podem estar contribuindo para seus espasmos, como estresse, dieta pobre, tabagismo e uso de álcool ou cafeína.
  • Reduzir o tempo de tela e quaisquer outras atividades que causem irritação nos olhos (a cada 20 ou 30 minutos de tela, interrompa o uso e foque em algum objeto distante por 20 a 30 segundos para “descansar os olhos”).
  • Usar lágrimas artificiais se seus olhos estiverem secos.
  • Ir ao oftalmologista para fazer um exame de grau e ver se os óculos estão desatualizados.
  • Dormir pelo menos 8 horas por noite.

Para os pacientes com blefarospasmo ou espasmo hemifacial, o tratamento mais utilizado é a injeção de toxina botulínica (Botox) na musculatura ao redor dos olhos. O efeito dura alguns meses e o tratamento precisa ser repetido quando o quadro volta a se agravar.

Raramente, uma cirurgia oftalmológica para correção do problema faz-se necessária.


Referências


Este artigo foi escrito em co-autoria com o Dr. Renato Souza Oliveira, oftalmologista especializado em doenças da córnea, com predileção pela cirurgia de catarata e tratamento do Ceratocone.

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