Entenda a receita dos seus óculos de grau

Autor(a): Dr. Pedro Pinheiro

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Tempo estimado de leitura: 5 minutos.

Introdução

A comunicação entre o médico oftalmologista e os profissionais que trabalham nas óticas é feita por códigos, números, sinais e nomes que normalmente são inacessíveis a quem não é do ramo. Mesmo médicos não oftalmologistas costumam ter muita dificuldade para entender as receitas dos óculos.

As prescrições de óculos têm muitos códigos e números porque são padronizadas para serem mais ou menos iguais em todo mundo. Se você receber uma receita de óculos nos EUA, França ou até mesmo no Japão, os dados contidos nela serão bem semelhantes, e qualquer ótica será capaz de entender boa parte do que está prescrito.

Neste artigo ensinaremos a interpretar uma receita de óculos comum, tenha você miopia, astigmatismo, presbiopia ou hipermetropia.

As informações abaixo não servem para as lentes de contato, pois a prescrição não é igual. Até mesmo os graus podem ser diferentes.

O que significam as siglas?

As prescrições de óculos costumam vir em formulários com abreviaturas e termos previamente escritos, seguidos de lacunas em branco que devem ser preenchidas pelo oftalmologista.

As principais abreviações na receita de óculos são:

  • OE: olho esquerdo.
  • OD: olho direito.
  • Esf: esférico.
  • Cil: cilíndrico.
  • DNP: distância naso-pupilar.
  • DP: distância pupilar.
  • Ad: adição

Além das abreviaturas, a receita também costuma ter os termos: eixo, prisma, longe e perto.

Na parte escrito “prisma”, o médico colocará algum número somente se o paciente tiver algum grau de estrabismo (vesguice) e for corrigir o problema com óculos. Se não for o caso, essa parte da receita ficará em branco.

A imagem abaixo ilustra dois modelos distintos de receita de óculos.

Modelos de receita de óculos
Modelos de prescrição de óculos

Como interpretar a prescrição

Longe e Esfera

Na lacuna ao lado do termo “Esfera” ou “Esf.”, o oftalmologista irá indicar o grau esférico da lente, que é medido em dioptrias. Esse é o grau dos seus óculos em caso de miopia ou hipermetropia.

Os graus de miopia são sempre escritos com um sinal negativo antes do número e o graus de hipermetropia são escritos com um sinal positivo.

Miopia e hipermetropia são preenchidos sempre na coluna do “Longe”.

Exemplo 1: Longe, Esférico: OD -5,00 e OE -5,00.

Receita de óculos para miopia
Receita de óculos para miopia

No exemplo acima, o paciente tem 5 graus de miopia em cada olho.

Exemplo 2: Longe, Esférico: OD +1,00 e OE +1,20.

 Receita de óculos para hipermetropia
Receita de óculos para hipermetropia.

O paciente acima tem 1 grau de hipermetropia no olho direito e 1,25 no olho esquerdo.

Longe e Cilindro

Na lacuna ao lado do termo “Cilindro” ou “Cil.”, o oftalmologista irá indicar o grau cilíndrico da lente. Esse é o grau dos seus óculos em caso de astigmatismo.

O grau de astigmatismo é sempre precedido do sinal negativo e deve ser acompanhado de um valor de grau do eixo.

O eixo é definido com um número de 1 a 180. O número 90 corresponde ao meridiano vertical do olho e o número 180 corresponde ao meridiano horizontal. Esse valor é calculado pelo oftalmologista durante o exame.

Eixo do astigmatismo

O grau do eixo do astigmatismo define em que ponto a lente dos óculos será mais grossa. Valores de eixo próximos de 0 ou 180 graus indicam uma lente mais grossa nas bordas superiores e inferiores. Valores de eixo próximo de 90 graus indicam uma lente mais grossa nas bordas laterais.

Formato das lentes conforme o defeito de refração.

Se o paciente não tiver astigmatismo, a lacuna deve permanecer em branco.

Exemplo: Longe, Esférico: OD -5,00 e OE -5,00; Cilindro: OD -2,50 eixo 180º e OE -2,5. Eixo 180º.

Receita de óculos para miopia e astigmatismo

O paciente acima tem 5 graus de miopia e 2,5 graus de astigmatismo em ambos os olhos. A lente deve ser esférica, mas também cilíndrica no eixo meridional de 180º.

Se você não sabe qual é a diferença entre astigmatismo e miopia, leia os seguintes artigos:

Perto e Esfera

Os pacientes com vista cansada, chamada presbiopia, têm dificuldade de enxergar para perto. Esse defeito de refração é comum a partir dos 40 anos. As lentes para correção também são esféricas.

O grau da presbiopia é sempre preenchido na coluna indicada como “Perto” e deve ser precedido pelo sinal de positivo.

Exemplo: Perto, Esférico: OD: +1,0 e OE +1,5.

O paciente acima tem 1 grau de presbiopia no olho direito e 1,5 grau no olho esquerdo.

DP e DNP

Além dos graus de miopia, hipermetropia, astigmatismo ou presbiopia existentes na receita, os oftalmologistas também anotam um valor chamado DNP ou só DP.

Essas siglas significam a distância entre as pupilas (ou distância pupilar) e distância naso-pupilar. Essa medida é feita em milímetros e é muito importante na hora de montar os óculos.

Alguns oftalmologistas fazem essa medida na consulta, mas outros preferem que a aferição seja efetuada na própria ótica.

Distância naso-pupilar e pupilar
DP e DNP

E quando o paciente tem miopia e presbiopia em simultâneo?

Nesse caso, o paciente tem duas opções: ou ele tem um óculos multifocal com lentes progressivas (explicamos mais baixo), ou ele precisa ter dois óculos, um para perto e outro para longe.

Em ambos os casos, como as lentes para correção da miopia e da presbiopia são esféricas, o cálculo do grau da lente para perto precisa considerar os graus da miopia e da presbiopia. Vamos explicar.

Se o paciente tiver -3,75 para longe (3,75 graus de miopia) e +1,75 para perto (1,75 grau de presbiopia), a lente para perto dele será a soma desses dois valores, ou seja -3,75 + 1,75 = -2,0.

Portanto, se ele optar por 2 óculos diferentes, o óculos exclusivamente para perto deverá ter um grau de -2,0 e os óculos exclusivamente para longe terá -3,75.

O valor do grau da presbiopia nesses casos costuma ser descrito como adição ou Ad.

A receita seria algo como no exemplo abaixo:

Receita de óculos para pacientes com presbiopia e miopia
prescrição de óculos para pacientes com presbiopia e miopia

No caso acima, apesar de o paciente ter 1,75 grau de presbiopia, a sua lente esférica para ver de perto precisa ser corrigida pelo valor da miopia. Por isso, o resultado final do grau da lente é -2,0.

Em muitos casos, o médico só indica o valor da miopia e da adição. Na ótica, eles fazem o cálculo do grau da lente para perto, que no exemplo abaixo seria -0,25 (-2,0 + 1,75).

Receita de óculos para presbiopia e miopia
Receita de óculos para presbiopia e miopia.

E quando o paciente tem hipermetropia e presbiopia em simultâneo?

Nesses casos, o raciocínio é o mesmo. Para definir a lente para ver de perto, a ótica deve somar os valores dos graus da hipermetropia e da presbiopia.

Por exemplo, se o paciente tem 1,5 grau de hipermetropia e 1,0 grau de presbiopia, o grau final da sua lente para ler de perto deverá ser +2,50 (1,50 + 1,00).

 Receita de óculos para presbiopia e hipermetropia
Prescrição de óculos para presbiopia e hipermetropia

Lentes multifocais

Antigamente, o paciente com presbiopia e miopia podia ter um óculos bifocal, com a parte de cima com lente de grau para miopia e a parte de baixo com lente de grau para presbiopia.

Atualmente, esse tipo de óculos já quase não é usado, pois os óculos com lentes multifocais são bem mais confortáveis.

Óculos multifocal

Nesse tipo de lente, a transição entre os graus de longe e perto é feita de forma progressiva, atendendo a visão de perto, visão intermediária e visão de longe de maneira gradual.

O paciente não precisa ficar movimentando a cabeça para cima ou para baixo para focar no objeto que deseja.

Além disso, a questão estética das lentes também é melhor, pois a transição entre os graus é imperceptível.


Referências


Autor(es)

Médico graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com títulos de especialista em Medicina Interna e Nefrologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Universidade do Porto e pelo Colégio de Especialidade de Nefrologia de Portugal.

O Dr. Renato Oliveira é medico oftalmologista graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com especialização em Córnea e Doenças Externas Oculares pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Faz parte do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e da Sociedade Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa

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